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Classicos Da Politica 2 Resumo

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MARX MARX

Há quem goste de se perguntar o quanto

Há quem goste de se perguntar o quanto MARXMARX, flho de um advogado judeu, flho de um advogado judeu (cristianizado), teria guardado da tradi!o judaica" #eria mais interessante (cristianizado), teria guardado da tradi!o judaica" #eria mais interessante perguntar o quanto terá permanecido nele das condi$es hist%ricas, &em perguntar o quanto terá permanecido nele das condi$es hist%ricas, &em como da

como da atmosatmos'era ideol%gica e 'era ideol%gica e do cenário poltico da do cenário poltico da sua poca" *ingsua poca" *ingumum pintou melhor do que ele o seu pr%prio tempo como o da emerg+ncia pintou melhor do que ele o seu pr%prio tempo como o da emerg+ncia da

da -R.-/#0A-R.-/#0A e do proletariado, do surgimento do capitalismo industrial e e do proletariado, do surgimento do capitalismo industrial e de

de coconsnsololididaa!o !o dadas s nana$$es es e e dodos s /s/statadodos s momodedernrnosos" " 12 12 1010R/R/03032 2 44 /52*2M0A Mar6 comeou, nos anos de 7897:789;, pel

/52*2M0A Mar6 comeou, nos anos de 7897:789;, pelos estudos de direito,os estudos de direito, de flosofa e de hist%ria, &uscando uma revis!o crtica de H/./< (5R=305A de flosofa e de hist%ria, &uscando uma revis!o crtica de H/./< (5R=305A 1A

1A >0>0<<2#2#2>2>0A 0A do do /#/#33A1A12 2 1/ 1/ H/H/././<, <, 0*0*3R3R2121-?-?@@2 2 4 4 22<=<=30305A 5A 1A1A >0<2#2>0A 12 10R/032 e A B-/#3@2 C-1A05A)" assou, ent!o, a opinar >0<2#2>0A 12 10R/032 e A B-/#3@2 C-1A05A)" assou, ent!o, a opinar so&re Dos chamados interesses materiaisE na .azeta Renana" #!o deste so&re Dos chamados interesses materiaisE na .azeta Renana" #!o deste perodo A #A.RA1A >AM=<0A e A 01/2<2.0A A</M@, am&as escritas em perodo A #A.RA1A >AM=<0A e A 01/2<2.0A A</M@, am&as escritas em cola&ora!o com /ngels" F+m logo a seguir, so&re temas da economia, A cola&ora!o com /ngels" F+m logo a seguir, so&re temas da economia, A M0#GR0A 1A >0<2#2>0A e 2 MA*0>/#32 52M-*0#3A, de 789" /stas o&ras M0#GR0A 1A >0<2#2>0A e 2 MA*0>/#32 52M-*0#3A, de 789" /stas o&ras antecipam o que virá a ser a preocupa!o 'undamental da sua maturidadeI antecipam o que virá a ser a preocupa!o 'undamental da sua maturidadeI a análise e a crtica da economia capitalista, em especial na sua o&ra a análise e a crtica da economia capitalista, em especial na sua o&ra má6ima, 2 5A03A<, de 78J"

má6ima, 2 5A03A<, de 78J"

2 roteiro que vai do direito e da flosofa K economia pode ser entendido 2 roteiro que vai do direito e da flosofa K economia pode ser entendido como uma chave do mtodo de Mar6 e como um critrio para localizarmos o como uma chave do mtodo de Mar6 e como um critrio para localizarmos o sentido que ele atri&ui K poltica" 2 lugar ocupado em seu pensamento pela sentido que ele atri&ui K poltica" 2 lugar ocupado em seu pensamento pela poltica  en'atizado por uma de suas teses so&re >euer&achI DAt aqui os poltica  en'atizado por uma de suas teses so&re >euer&achI DAt aqui os fl%so'os apenas interpretaram o mundo de di'erentes maneirasL trata:se fl%so'os apenas interpretaram o mundo de di'erentes maneirasL trata:se agora de trans'ormá:loE" Antes da crtica da economia, reconhea:se o lugar agora de trans'ormá:loE" Antes da crtica da economia, reconhea:se o lugar reservado K ideia de revolu!oI aparecia, para Mar6, no horizonte mais reservado K ideia de revolu!oI aparecia, para Mar6, no horizonte mais imediato do seu tempo"

imediato do seu tempo"

A3-A<01A1/ 1A R/F2<-?@2 Mar6 viveu em uma /uropa revolucionária, A3-A<01A1/ 1A R/F2<-?@2 Mar6 viveu em uma /uropa revolucionária, ai

aindnda a ququenente te dadas s memem%m%ririas as da da RRevevololuu!o !o >>rarancncesesa a e e dadas s guguererrarass napole

napolenicasnicas" " Alm disso, ele Alm disso, ele 'oi contemporN'oi contemporNneo das neo das revolrevolu$es de u$es de 78;O e78;O e de 7898, e da 5omuna de aris, em 787" 2 sculo X0X 'oi, na /uropa, um de 7898, e da 5omuna de aris, em 787" 2 sculo X0X 'oi, na /uropa, um sculo de revolu$es" Algumas destas revolu$es (ou tentativas, em certos sculo de revolu$es" Algumas destas revolu$es (ou tentativas, em certos casos) se prolongam at as primeiras dcadas do sculo XX P como a casos) se prolongam at as primeiras dcadas do sculo XX P como a Revolu!o Russa" 1o &ojo das revolu$es e das demais trans'orma$es que Revolu!o Russa" 1o &ojo das revolu$es e das demais trans'orma$es que a &urguesia impunha ao velho mundo,

a &urguesia impunha ao velho mundo, surgia o proletariado"surgia o proletariado"

*!o se entende a teoria de Mar6 so&re as contradi$es econmicas do *!o se entende a teoria de Mar6 so&re as contradi$es econmicas do si

siststemema a cacapipitatalislista ta sesem m umuma a nono!!o o a a rerespspeiteito o da da rerevovolulu!o !o quque e esestatass contra

contradi$es estardi$es estariam preparaniam preparando" G do" G isso que permite a isso que permite a Mar6 'alar de Mar6 'alar de umauma unidade da teoria e da prática" *a o&ra de Mar6, a ideia da Datualidade da unidade da teoria e da prática" *a o&ra de Mar6, a ideia da Datualidade da revolu!oE se 'az coe6tensiva do processo de emerg+ncia e de implanta!o revolu!oE se 'az coe6tensiva do processo de emerg+ncia e de implanta!o do pr%prio sistema capitalista"

do pr%prio sistema capitalista" G

G 'a'amosmosa a a a desdescrcri!i!o o de de 2 2 MaManinis's'esesto to soso&r&re e a a e6e6papansns!o !o desdestrtrututiva iva ee cri

criadoadora ra da da &ur&urgueguesiasia" " DDA A &ur&urgueguesia sia s% s% podpode e e6ie6iststir ir so& a so& a concondidi!o !o dede rrevevololucucioionanar r inincecessssanantetemementnte e os os ininststrurumementntos os de de prprododuu!o !o e, e, poporr

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conseqQ+ncia, as rela$es de produ!o, e com isso todas as rela$es sociaisE" 1este modo, descrever uma classe social  descrever a sua capacidade de derru&ar uma ordem e criar outra P a sua Dtare'aE revolucionária" *o caso da &urguesia, esta capacidade de e6pans!o destrutiva e criadora aca&a por esta&elecer as condi$es de sua pr%pria destrui!o" A &urguesia aca&a por Dproduzir os seus pr%prios coveirosE, ou seja, o proletariado" 2s proletários Dn!o t+m nada a perder a n!o ser os grilh$es que os prendemE" / por isso est!o destinados a a&olir a propriedade, a pátria, a 'amlia e demais institui$es &urguesas, &em como a sociedade &urguesa que nelas se apoia"

Mar6 en'atiza as di'erenas entre as revolu$es, mas os traos gerais do conceito s!o &astante claros" /m primeiro lugar, n!o se deve esperar que revolu$es venham a ocorrer em pocas de prosperidade geral" /m segundo lugar, as revolu$es s!o trans'orma$es que dizem respeito K sociedade em conjunto"

/MA*50A?@2 #250A< / /MA*50A?@2 2<=305A *as o&ras de juventude de Mar6,  evidente 'rustra!o com a Revolu!o >rancesa" A crtica do idealismo hegeliano traz de modo implcito a crtica das revolu$es &urguesas e a necessidade de uma nova revolu!o" As posi$es materialistas, caractersticas do pensamento flos%fco do Mar6 maduro, se ela&oram nas o&ras de juventude, contra Hegel e contra a religi!o"

*ada mais enganoso do que imaginar que Mar6 tenha chegado a considerar a Dquest!o polticaE como um simples ree6o ou um mero epi'enmeno" D*!o há dSvidaE, diz em A quest!o judaica, Dque a emancipa!o poltica representa um grande progresso" TUV ela se caracteriza como a derradeira etapa da emancipa!o humana dentro do conte6to do mundo atualE" A verdadeira Demancipa!o polticaE s% pode se realizar no Nm&ito da Demancipa!o socialE, isto , no Nm&ito da revolu!o do proletariado"

2 que , ent!o, a Demancipa!o socialE sen!o a Demancipa!o geralE, a Demancipa!o universalEW A Demancipa!o polticaE tem limites defnidosI DA revolu!o meramente poltica TUV dei6a de p os pilares do edi'cioE" #% o proletariado pode realizar a tare'a de emancipar:se a si pr%prio e, consigo, o conjunto da sociedade" A perspectiva da revolu!o proletária envolve, portanto, a perspectiva de realizar, no plano social, uma igualdade que a revolu!o da &urguesia s%  capaz de realizar no plano das ilus$es e das 'ormas do /stado e da ideologia" *este sentido, s% a revolu!o do proletariado seria capaz de realizar a democracia, como conteSdo e como 'orma"

/#3A12 / A 3RA*#0?@2 ARA 2 #250A<0#M2 A unidade de perspectiva que se deve reconhecer a Mar6 na teoria poltica n!o impede que se reconheam mudanas signifcativas de conceito quanto ao /stado" #e nas m!os da &urguesia o /stado 'unciona para preservar a propriedade privada e para assegurar os interesses da classe &urguesa, nas m!os do proletariado ele serviria Dpara ir arrancando gradualmente K &urguesia todo

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o capital, para centralizar todos os instrumentos de produ!o nas m!os do /stado, isto , do proletariado organizado como classe dominanteE" 2 desaparecimento do /stado s% viria depois de um perodo de transi!o, no qual o desenvolvimento das 'oras produtivas levaria ao Ddesaparecimento das di'erenas de classeE, levando a que o /stado perdesse Dseu caráter polticoE" G neste sentido, que Mar6 'ala em 78Y que a Dditadura do proletariado TUV n!o , em si mesma, mais do que o trNnsito para a a&oli!o de todas as classes e para uma sociedade sem classesE"

DA anttese do 0mprioE, diz Mar6, Dera a 5omuna"E A luta dos tra&alhadores de aris tomará para ele o valor de uma tentativa de destrui!o do /stado poltico" /m te6tos posteriores de Mar6 e de /ngels, com 'reqQ+ncia a e6peri+ncia da 5omuna surgirá como e6emplo daquilo que eles entendiam como a D103A1-RA 12 R2</3AR0A12Z"

A3-A<01A1/ 1/ MARX A inu+ncia da o&ra de Mar6 na poltica do sculo XX  evidente" 2 que n!o impede que continuem os de&ates a prop%sito da sua adequa!o aos tempos atuais"

Retomemos um tema central nas análises econmicas de 2 mani'esto, e igualmente central na teoria da revolu!o" Mar6 v+ ali uma &urguesia incapaz de cumprir a 'un!o &ásica de uma classe dominanteI assegurar condi$es de so&reviv+ncia K classe dominada" Ao contrário do servo, que, em pleno regime da servid!o, chegou a mem&ro da 5omuna, ou do pequeno:&urgu+s, que, so& o a&solutismo 'eudal, chegou a &urgu+s Do operário moderno TUV desce sempre, mais e maisE" /stá nestas palavras uma condena!o glo&al do sistema capitalista que antecipa &oa parte das análises de 2 capital so&re a pauperiza!o a&soluta e a superpopula!o relativa &em como so&re a lei da tend+ncia decrescente da ta6a de lucro" /stes pontos se acham, no sculo XX, entre os mais criticados da teoria econmica de Mar6"

Buem pense que a sociedade atual terá de ser trans'ormada, terá tam&m de voltar a Mar6 ou terá de passar por Mar6" Buem o fzer, que se desvie das atitudes religiosas que ele sempre condenou e adote uma atitude crtica, atenta Ks circunstNncias da hist%ria" Assim, perce&erá que algo de sua linguagem so&re a economia, os princpios que o inspiraram e muitas de suas ideias so&re o /stado e a poltica na sociedade de classes continuam mais jovens do que nunca" Mar6 ressurge como 'onte indispensável K ree6!o e K crtica" 2 socialismo, dizia ele em 2 MA*0>/#32,  Duma associa!o em que o livre desenvolvimento de cada um será a condi!o do livre desenvolvimento de todosE" 3eria algum jamais o'erecido melhor descri!o dos sonhos da modernidade nesta passagem para o sculo XX0W

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START MILL

 C2H* #3-AR3 M0<< nasceu a 8 de maio de 78OJ e 'aleceu a 7J de maio de 78;" Ao longo dos J anos de sua vida, ele 'oi testemunha de mudanas 'antásticas tanto na sociedade como na poltica e na economia de seu pas, a 0nglaterra" As razes destas trans'orma$es datam da segunda metade do sculo XF000, com o advento da R/F2<-?@2 0*1-#3R0A<" #tuart Mill 'oi contemporNneo de seu apogeu, poca em que se consolidou o mais vasto imprio de que se tem notcia na hist%riaI o 0MGR02 52<2*0A< R03[*052, onde, dizia:se, o sol jamais se punha dentro de seus limites" Alguns dos resultados destas trans'orma$es s!o &em conhecidosI o surgimento da classe operária, da &urguesia industrial e fnanceira e a universaliza!o de uma economia de &ases monetárias"

 3am&m 'oram importantes as mudanas que se verifcaram na poltica inglesa" /las podem ser agrupadas em dois grandes &locosI em primeiro lugar temos a constitui!o de um conjunto de institui$es capazes de canalizar e dar voz K oposi!o, criando um sistema legtimo de contesta!o pS&lica" /m segundo lugar, temos o alargamento das &ases sociais do sistema poltico, com a incorpora!o de setores cada vez mais amplos da sociedade" *a 0nglaterra do sculo passado, este Sltimo processo se realizou mediante a e6pans!o da participa!o eleitoral" As grandes re'ormas eleitorais de 78;Y, 78J e 7889 terminaram por universalizar o direito de voto pelo menos para a popula!o masculina, ao mesmo tempo que aumentavam a representatividade no arlamento"

*a poca em que #tuart Mill viveu, &oa parte dos es'oros necessários para tornar e'etivos os canais de competi!o poltica já havia produzido seus 'rutos" A quest!o que desafava as elites polticas inglesas era a

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incorpora!o da massa de tra&alhadores depauperados pela industrializa!o, que &atiam Ks portas do sistema poltico"

G este o pano de 'undo da vida e da o&ra de Cohn #tuart Mill, apontado como o mais legtimo representante do movimento li&eral ingl+s do sculo passado" *ascido em <ondres, Cohn #tuart Mill  flho de Cames Mill fl%so'o e historiador, considerado um dos 'undadores do utilitarismo ingl+s" 1esde a in'Nncia, Mill se viu Ks voltas com os projetos educacionais de seu pai" Assim  que, aos tr+s anos, o pequeno Mill iniciou:se na leitura do grego" Aos oito, aprendeu latim e aos doze anos já havia estudado quase todas as o&ras do pensamento clássico" *os anos su&seqQentes, seus estudos 'oram orientados para os campos da hist%ria, psicologia, flosofa e l%gica"

#eu primeiro livro, D<%gicaE, veio a pS&lico em 789;" 5omo os demais livros, esta o&ra alcanou grande popularidade" 2utras o&ras importantes de #tuart Mill s!o Drincpios de /conomia oliticaE (7898), D#o&re a <i&erdadeE (78\), D5onsidera$es #o&re o .overno RepresentativoE (78J7), D-tilitarismoE (78J;) e DA #ujei!o da MulherE (78J\)"

A popularidade de Mill como escritor e seu interesse por quest$es polticas levaram:no a ser eleito por ]estminster para o arlamento, em 78J" /ntretanto, n!o conseguiu se reeleger em 78J8" 1errotado, Mill retirou:se para Avignon, na >rana, onde permaneceu at sua morte"

-M *2F2 <0/RA<0#M2 *a o&ra de Mill, o li&eralismo despe:se de seu rano conservador, de'ensor do voto censitário e da cidadania restrita, para incorporar em sua agenda re'ormas que v!o desde o voto universal at a emancipa!o da mulher" Há um es'oro para enquadrar e responder as demandas do movimento operário ingl+s"

1e certa 'orma, a o&ra de Mill pode ser tomada como um compromisso entre o pensamento li&eral e os ideais democráticos do sculo X0X" 2 'undamento deste compromisso está no reconhecimento de que a participa!o poltica n!o pode ser encarada como um privilgio de poucos" / está tam&m na aceita!o de que o trato da coisa pS&lica diz respeito a todos" 1a a preocupa!o de Mill em dotar o estado li&eral de mecanismos capazes de institucionalizar esta participa!o ampliada"

A incorpora!o dos segmentos populares  para ele a Snica via possvel para salvar a li&erdade inglesa de ser presa dos interesses egostas da pr%spera classe mdia" ara ele, a tirania da maioria  t!o odiosa quanto a da minoria" 0sto porque am&as levariam K ela&ora!o de leis &aseadas em interesses classistas"

 3endo em vista alcanar estes resultados, Mill prop$e duas medidas" /m primeiro lugar, a ado!o do sistema eleitoral proporcional, que garantiria a representa!o das minorias, mesmo quando estas se encontrassem dispersas em vários distritos, n!o representando a maioria em nenhum deles"

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/m segundo lugar, a ado!o do voto plural" ara Mill, os votos deveriam ser contados com pesos di'erentes, dependendo de quem os tivesse dado" *a medida em que os interesses privados tendem a se polarizar em dois grandes &locos, qual seja, o das classes proprietárias e o dos tra&alhadores assalariados,  necessário que o fel da &alana esteja nas m!os de um terceiro grupo, que por suas condi$es especfcas esteja pessoalmente comprometido com a justiaI as elites culturais" ara que a inu+ncia destas elites seja real, argumenta Mill, o peso de seus votos deve ser superior a 7" 0*10F=1-2 / <0/R1A1/ ara compreendermos o valor que Mill atri&ui K democracia,  necessário o&servar a concep!o de sociedade e indivduo" A posi!o de #tuart Mill so&re estas quest$es tem razes na concep!o utilitarista de'endida por entham e Cames Mill" ara estes dois autores, a realidade da economia de mercado constitui:se num paradigma te%rico para a constru!o de seus modelos de sociedade e de indivduo" Assim, o &em: estar pode ser calculado para qualquer homem su&traindo:se o montante de seu so'rimento do valor &ruto de seu prazer" 2 &om governo será aquele capaz de garantir o maior volume de 'elicidade lquida para o maior nSmero de cidad!os" ara cada a!o ou quest!o poltica,  sempre possvel aplicar este raciocnio para avaliar a DutilidadeE de seus resultados"

#tuart Mill tam&m v+ no &em:estar assegurado o critrio Sltimo para a avalia!o de qualquer governo ou sociedade" /ntretanto, para #tuart Mill, a primeira difculdade com aquela teoria está em se tomar a 'elicidade como algo passvel de mensura!o puramente quantitativa" *a avalia!o desta dimens!o da natureza humana intervm um elemento qualitativo que lhe  intrnseco" G justamente esta a porta por onde Mill introduz uma altera!o radical na concep!o so&re a natureza do homem" 2 Homem  um ser capaz de desenvolver suas capacidades e 'az parte de sua ess+ncia a necessidade deste desenvolvimento" Aqui 'unda:se a utilidade da democracia e da li&erdade" 2 governo democrático  melhor porque nele encontramos as condi$es que 'avorecem o desenvolvimento das capacidades de cada cidad!oI

>oi justamente na de'esa desta li&erdade que Mill escreveu aquela que pode ser considerada sua o&ra maiorI 2n li&ert^ (#o&re a li&erdade)" 2 argumento central desta o&ra assenta:se no elogio da diversidade e do conito como 'oras matrizes por e6cel+ncia da re'orma e do desenvolvimento social"

Mill aponta para o 'ato de que uma sociedade livre, na medida em que propicia o choque das opini$es e o con'ronto das idias e propostas, cria condi$es mpares para que Da justia e a verdadeE su&sistam" 1esta 'orma, garante:se, atravs do conito, o progresso e a auto:re'orma da sociedade" ara Mill, a li&erdade n!o  um direito natural" 5omo utilitarista, ele recusa a teoria dos direitos naturais" Mas a li&erdade tam&m n!o  um lu6o"

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*a o&ra de Mill encontramos, portanto, a pr:hist%ria de duas no$es muito caras K ci+ncia poltica contemporNneaI a de'esa do pluralismo e da diversidade societal contra as inter'er+ncias do /stado e da opini!o pS&lica (esta Sltima, a tirania da Dopini!o prevalecenteE, a pior, porque mais sistemática e cotidiana)L e a perspectiva de sistemas a&ertos, multipolares, onde a administra!o do dissenso predomine so&re a imposi$o de consensos amplos" or estes e ainda outros motivos, sua leitura  sempre uma surpresa agradável para o leitor que o en'rente desarmado dos preconceitos que costumam cercar os te6tos clássicos do li&eralismo"

TOCQUEVILLE

>alar de 325B-/F0<</  'alar da quest!o da li&erdade, da igualdade e, tam&m, da democracia" Herdado do C-#*A3-RA<0#M2 e do 52*3RA3-A<0#M2, em 3ocqueville este tema  o ponto central do que poderia ser uma nova ci+ncia poltica"

1/M25RA50AI -M R25/##2 -*0F/R#A< #eus estudos dizem respeito a realidades concretas que a&rangem desde a descri!o de há&itos e costumes de um povo e sua organiza!o social at a e6plica!o de sua estrutura de domina!o, de suas institui$es polticas e das rela$es do /stado com a sociedade civil" Assim s!o suas o&ras so&re a democracia na Amrica, a Revolu!o >rancesa e o Antigo Regime, a coloniza!o da Arglia etc" Mas em todas essas, a preocupa!o 'undamental  encontrar a possvel coe6ist+ncia harmnica entre um processo de desenvolvimento igualitário e a manuten!o da li&erdade"

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A&ordar, portanto, a quest!o da li&erdade e da igualdade, em 3ocqueville,  necessariamente 'alar de democracia" /m primeiro lugar porque 3ocqueville identifca igualdade com democracia" /m segundo lugar porque, ao n!o tra&alhar apenas com indaga$es a&stratas, procura entender a quest!o da li&erdade e da igualdade onde elas n!o 'oram contradit%rias" ara ele, isso estava acontecendo nos /stados -nidos da Amrica, por volta de 78;O"

A maneira pela qual retira da realidade pesquisada 'atos signifcativos para a compreens!o do 'enmeno democrático, o cuidado com que os relaciona, &uscando a encontrar a racionalidade que lhes  especfca, permite que se veja no seu estudo que 3ocqueville pretende construir um conceito defnidor de democracia, como ocorre em sua maior o&ra, A 1emocracia na Amrica, pu&licada em dois volumes em 78; e 789O"

Ao ela&orar esse conceito de democracia, 3ocqueville aca&a por apresentá: lo como um processo de caráter universal" 2 processo democrático, que ele defne como um constante aumento da igualdade de condi$es, diz respeito a toda a humanidade" 5omo tal, a democracia  vista como inevitável e mesmo providencial, pois ela seria a pr%pria vontade divina, realizando:se na hist%ria da humanidade" *o entanto, n!o quer dizer que o processo igualitário se repetirá da mesma 'orma em outros lugares" ara 3ocqueville, cada na!o terá seu pr%prio desenvolvimento democrático" *essa diversidade de caminhos que as na$es podem percorrer, o 'ator mais importante para defni:los  a a!o poltica do seu povo"

2# /R0.2#2# 1/#F02# 1A 0.-A<1A1/ -ma das crticas mais correntes ao pensamento de 3ocqueville diz respeito ao 'ato de que a democracia americana dessa poca n!o s% apresentava grandes di'erenas de nvel econmico entre seus ha&itantes, mas tam&m di'erenas raciais e culturais" G, no entanto, na igualdade cultural e poltica (n!o na econmica) que está assentada sua ideia de que, no desenvolvimento do processo democrático, um povo tornar:se:á cada vez mais homog+neo" *os /stados -nidos, aliás, o grande pro&lema por ele apontado para que tal processo pudesse se cumprir plenamente era a e6ist+ncia de escravos"

 3ocqueville 'ala tam&m em 'ator gerador de igualdade, entendendo por isto todo e qualquer elemento cultural que permita aos indivduos considerarem:se como iguais" 0sso  válido, por e6emplo, para uma lei que declare que os homens s!o iguais, ou para qualquer 'enmeno igualitário que se realize num nvel mais concreto"

1emocracia para 3ocqueville está associada a um processo igualitário que n!o poderá ser sustado" orm, será a a!o poltica desse povo irá defnir se essa democracia será li&eral ou tirNnica" /ssa quest!o da possi&ilidade da democracia vir a ser uma tirania  a principal preocupa!o de 3ocquevile"

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 3ocqueville v+ no desenvolvimento democrático dos povos dois grandes perigos possveisI uma sociedade de massa que permitisse surgir uma  3irania da MaioriaL e o surgimento de um /stado autoritário:desp%tico"

5aso o desenvolvimento de uma sociedade onde há&itos, valores etc", 'ossem defnidos por uma maioria, quaisquer atividades ou mani'esta!o de ideias que escapassem ao que a massa da popula!o acreditasse ser a normalidade poderiam ser impedidas de se realizar" 3ocqueville está so&retudo preocupado com a possi&ilidade de as artes, a flosofa e mesmo as ci+ncias sem imediata aplica!o prática n!o encontrem campo para se desenvolver"

 3ocqueville investe contra o individualismo, para ele criado e alimentado pelo desenvolvimento do industrialismo capitalista, onde o interesse mais alto  o lucro" 3ocqueville procura demonstrar que os cidad!os, K medida que se dedicam cada vez mais aos seus a'azeres enriquecedores, v!o a&andonando seu interesse pelas coisas pS&licas e terminam por possi&ilitar o esta&elecimento de um /stado que aos poucos tomará para si todas as atividades e irá tam&m intervir nas li&erdades 'undamentais"

A?@2 2<0305A / 0*#303-0?_/# 2<=305A# 3ocqueville procura mostrar como esses perigos podem ser evitados" Alm da atividade poltica dos cidad!os, a e6ist+ncia e a manuten!o de certas institui$es podem difcultar o surgimento de um /stado autoritário e mesmo de uma sociedade massifcada" 0sso pode ocorrer atravs da implanta!o de institui$es tais como a descentraliza!o administrativa, a organiza!o de associa$es polticas que tenham como fnalidade a de'esa da cidadania ou mesmo a e6ist+ncia de grandes partidos" G preciso criar e desenvolver organiza$es livres que garantam a manuten!o do espao da palavra e da a!o" G na pr%pria democracia que encontramos a solu!o para os seus males"

-M MA*0>/#32 <0/RA< 5omo representante no 5ongresso, ou como constituinte em 7898, 3ocqueville procura sempre de'ender posi$es que pudessem 'avorecer e garantir a li&erdade dos cidad!os" Assim, de'ende o ensino o&rigat%rio e livre, a li&erdade de imprensa, a li&erta!o dos escravos nas colnias etc" Acredita que  preciso que a >rana mantenha a conquista da Arglia, necessária estrategicamente para sua grandeza e independ+ncia" 3am&m, com&ate os vários socialismos que despontavam, porque, para os socialistas, um /stado intervencionista agigantado deveria ser o Snico responsável pela dire!o poltica da na!o" 0sso signifca, para  3ocqueville, a cria!o de um /stado desp%tico, no qual a li&erdade dos

cidad!os desaparecerá"

 3ocqueville v+ as revolu$es em geral com um certo temor, mas  capaz tam&m de analisá:las como necessárias em determinados momentos" ara ele, as revolu$es s% acontecem naquelas na$es onde os cidad!os n!o s!o capazes de conduzir o processo democrático com li&erdade" or isso a

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revolu!o na >rana 'oi necessária em 78\, em 78;O, em 7898" #eu desamor se e6plica so&retudo porque K Revolu!o de 78\ seguiu:se o imprio autocrático de *apole!o onaparte" /m 7898, o golpe de <us *apole!o s% vem confrmar os seus temores"

/m&ora ele tenha, como ministro, participado do governo do presidente da repS&lica eleito, <-0# *A2</@2 2*AAR3/, ap%s o golpe ela&ora um mani'esto contra a nova situa!o, sendo preso juntamente com outros parlamentares" G o fm de sua carreira poltica, mas  tam&m quando se retira para escrever sua segunda grande o&raI D2 Antigo Regime e a Revolu!oE" Mais uma vez, 3ocqueville procura descrever o desenvolvimento de um processo democrático e procura prevenir os 'ranceses quanto aos perigos do surgimento de um /stado com grande concentra!o de poderes em suas m!os"

*a verdade, toda a o&ra de Ale6is de 3ocqueville surge como um grande mani'esto li&eral ao povo 'ranc+s" ara ele, a R/F2<-?@2 >RA*5/#A n!o aca&ou, ela 'oi parte de um processo mais duradouro de democratiza!o" / depende apenas do povo 'ranc+s atingir um /stado igualitário na li&erdade, ou na tirania"

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HEGEL

Hegel comeou sua carreira intelectual como um discpulo de #5H/<<0*." #eu primeiro te6to pu&licado 'oi D1i'erena /ntre os #istemas de >05H3/ e #chellingE, no jornal de flosofa que, a partir de 78OY, am&os editam em Fiena" #ua entrada em cena 'oi precedida, entretanto, por uma srie de estudos so&re KANT, >ichte e #chelling, e análises hist%ricas e te%ricas que v!o desde a economia (como o comentário so&re o livro do ingl+s #teuart, que traduziu) at a religi!o (como DFida de CesusE, D2 /sprito do 5ristianismo e seu 1estinoE) e a poltica (como DA 5onstitui!o da AlemanhaE)" /sse conjunto de te6tos s% viria K luz em 7\O, com o ttulo de D/scritos 3eol%gicos do Covem HegelE"

5om rápida passagem pelo jornalismo poltico, Hegel 'oi durante toda a vida um pro'essor" 0ndicado por .oethe, 'oi nomeado em 78O pro'essor e6traordinário em 0ena" G tam&m de 0ena o importante artigo D1as Maneiras de 3ratar 5ientifcamente o 1ireito *aturalE, onde 'az a crtica do  C-#*A3-RA<0#M2 e es&oa a sua flosofa do direito" 1irige a .azeta de am&erg, em 78O, e assume a dire!o do liceu de *urem&erg em 78O8" /m 787J, assume a cadeira de flosofa na -niversidade de Heidel&erg, e s% em 7878 P depois de haver pu&licado sua segunda grande o&ra, a D5i+ncia da <%gicaE (787Y:787J) e, em seguida, a D/nciclopdia das 5i+ncias >ilos%fcasE (787) P  que  nomeado para a cadeira de flosofa na -niversidade de erlim" D2s rincpios da >ilosofa do 1ireitoE  do perodo de erlim, de 78;O, menos de dois anos antes de sua morte, de c%lera, ocorrida em 78;7"

Hegel e os contratualistas A teoria contratualista 'az do indivduo o al'a e o mega da vida social" 3oma o /stado como uma cria!o artifcial, produto de um pacto, pelo qual os indivduos a&dicam de sua li&erdade originária, dando vida a um corpo poltico so&erano que lhes garanta vida, li&erdade e &ens" or essa via, entretanto, a teoria contratualista  incapaz de e6plicar por que o /stado pode e6igir do indivduo o sacri'cio da pr%pria vida em &ene'cio da preserva!o e do desenvolvimento do todo" Ao 'azer do interesse particular do indivduo o conteSdo do /stado, ela está, segundo Hegel, con'undindo /stado e sociedade civil" *a verdade, o indivduo sequer escolhe se participa ou n!o do /stado P  constitudo como tal por ele" A rela!o entre os dois , portanto, de outra naturezaI e'etiva e n!o optativa"

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A uest!o "a #ist$ria 5aracterstico dos jusnaturalistas, diz Hegel,  procurarem esta&elecer como o /stado deveria ser, em vez de tentar compreend+:lo como ele " Ao construrem a teoria do contrato, eles pressup$em a e6ist+ncia de indivduos livres e iguais, vivendo isolados, 'ora e antes da sociedade e da hist%ria" 5riam uma fc!o" Ao tomarem a natureza humana 'ora de seu desenvolvimento hist%rico, aca&am por opor Ks mani'esta$es concretas da hist%ria dos homens um conjunto de 'aculdades uma possi&ilidade a&strata, a partir da qual pretendem re'azer o estado de coisas e6istente" *ada mais distante de Hegel, cuja am&i!o era n!o ela&orar uma flosofa so&re a hist%ria, mas a de construir a flosofa enquanto e6press!o especulativa da pr%pria hist%ria"

%articulari"a"e& 'ro'rie"a"e e li(er"a"e 0nuenciado pela R/F2<-?@2 >RA*5/#A, o jovem Hegel um dia acreditou na possi&ilidade de restaura!o da polis grega" /sta ilus!o 'oi a&andonada numa crise que coincide com o fm do perodo napolenico, a partir da qual Hegel desco&re o que considera a marca distintiva da modernidade"

*uma original interpreta!o da RepS&lica platnica, ele considera:a como a verdade do mundo grego, o sentido para o qual este tendia e teria alcanado, n!o tivesse sido &loqueado pelo aparecimento da particularidade" A 5idade:/stado P esta harmoniosa comunidade natural que mal conhece a cis!o e a aliena!o P n!o pode suportar o surgimento da propriedade privada e da individualidade"

2ra,  este mal que  portador de 'uturo" Apenas na modernidade  que a particularidade se emancipa, toma consci+ncia de si e se universaliza" 5aracterstico do /stado moderno  ser justamente um todo que su&siste na e atravs da mais e6trema autonomiza!o das partes"

A li(er"a"e concreta /m suas D<i$es #o&re a >ilosofa da Hist%ria -niversalE, Hegel diz que Do 2riente sa&ia e sa&e que somente um  livre, o mundo grego e romano, que alguns s!o livres, o mundo germNnico sa&e que todos s!o livresE" /sta teoria da li&erdade que se realiza historicamente está na &ase de sua teoria das 'ormas de governo" /m Hegel, n!o e6iste li&erdade em geral" 2 conceito desta sup$e sempre a e6ist+ncia de determinada coer!o, variável historicamente"

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*o sentido de LOCKE, sou livre para 'azer tudo aquilo que a lei n!o prescreve (li&erdade negativa)"ROUSSEAU de'endeI s% o&edeo ao que eu me dou como lei (li&erdade positiva)" Am&as se traduzem num sistema de direitos garantidos por lei e pelo ordenamento estatal" A concep!o hegeliana de li&erdade incorpora tais determina$es" 5onsiderando:a como um estado em que o homem pode se realizar como homem e construir um mundo adequado ao seu conceito, a concep!o hegeliana de li&erdade concreta e6ige que a li&erdade se eleve K K compreens!o do que a realidade  P a Raz!o"

)e Mauia*el a Hegel 5om Hegel completa:se o movimento iniciado por MAQUIAVEL, voltado para apreender o /stado como uma realidade hist%rica" *esse percurso 'oram arquivadas as teorias da origem natural ou divina do poder polticoL afrmada a a&soluta so&erania e e6cel+ncia do /stadoL a especifcidade da poltica diante da religi!o, da moral e de qualquer outra ideologiaL reconhecida a modernidade e centralidade da quest!o da li&erdade e, so&retudo P pois  esta a principal contri&ui!o de Hegel :, resolvido o /stado num processo hist%rico, inteiramente imanente" A rea+!o a Hegel A preocupa!o de Hegel n!o  apenas construir uma nova justifca!o racional do /stado" /le atri&ui ao /stado as caractersticas da pr%pria raz!o" Ao considerá:lo o a&soluto no qual a li&erdade encontra sua suprema signifca!o, ele despertou a suspeita generalizada de que estaria justifcando o /stado e6istente"

Menos de uma dcada ap%s sua morte, sua escola se divide numa esquerda e numa direita, con'orme se pre'erisse o mtodo dialtico P que denuncia a transitoriedade de todo o e6istente P ou o sistema ideal P que considera a hist%ria como tendo alcanado a sua meta defnitiva"

2 retrato de um Hegel DconservadorE 'oi f6ado por Rudol' Ha^m, em DHegel e seu 3empo" Ha^m acusa Hegel de apologeta da Restaura!o prussiana e ditador flos%fco da Alemanha" Hegel n!o s% justifca o estado de coisas na Alemanha jun`er, mas toda e qualquer 'orma de conservadorismo e quietismo polticos" A constitui!o de um ideario li&eral, vis!o:de:mundo compatvel com o progresso do mundo moderno e capaz de promover a

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unifca!o nacional da Alemanha, e6igiria a prvia destrui!o da teoria hegeliana, diz Ha^m"

/ric ]eil, empreendeu uma das mais articuladas tentativas de de'ender Hegel" /m DHegel e o /stadoE, n!o se contentou em lem&rar que o /stado n!o  a Sltima fgura da Raz!o, do desenvolvimento hist%rico do /sprito P ele  superado pela arte e pela flosofa" ]eil considera que Hegel está aderindo a uma rSssia que  ent!o o mais moderno /stado entre os europeus" A rSssia  um /stado que a&oliu a servid!o, tornou a propriedade alienável, reduziu os privilgios da no&reza, introduziu algumas li&erdades para o comrcio, a indSstria e a administra!o das cidades" /sta argumenta!o, contudo, su&estima o 'ato de que tais re'ormas 'oram duramente pagas pelo campesinato alem!o e 'oram insufcientes para reverter a tend+ncia antidemocrática que marcou a hist%ria da constru!o nacional do pas"

 3entativa mais ousada 'oi a realizada por ./2R. <-b5#, num livro escrito na dcada de ;O so&re D2 jovem Hegel e os ro&lemas da #ociedade 5apitalistaE" <u`ács n!o nega a inegável e progressiva conservadoriza!o da teoria hegeliana" A novidade da análise, entretanto,  que  precisamente este retrocesso que permite a Hegel 'ormular com clareza os pro&lemas da sociedade europeia de seu tempo" Hegel  o Snico pensador alem!o do perodo que se ocupou seriamente dos pro&lemas da Revolu!o 0ndustrial ocorrida na 0nglaterra"

Recentemente, tem:se privilegiado o e6ame da D>ilosofa do 1ireitoE, provavelmente em 'un!o do relativo 'racasso do MARXISMO em construir uma teoria da poltica sufcientemente consistente e, ao mesmo tempo, capaz de dar conta da ascens!o do neoli&eralismo como vis!o:de:mundo capaz de revitalizar a teoria contratualista e en'rentar os pro&lemas atuais da organiza!o do mundo e da poltica"

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KANT

A >0<2#2>0A 1A M2RA< / A 10.*01A1/ 12 0*10F=1-2 2 conhecimento racional, diz ant, versa so&re o&jetos ou so&re suas pr%prias leis" Há dois g+neros de o&jetosI a natureza, que  o o&jeto da 'sica, e a li&erdade, que  o o&jeto da flosofa moral ou tica" A 'sica e a tica lidam com o mundo o&jetivo" Mas o conhecimento emprico nesses dois grandes ramos da flosofa tem seu 'undamento em corpos de princpios puros, que a raz!o esta&elece previamente a qualquer e6peri+ncia" 4 ci+ncia desses princpios ant denomina metafsica" or e6emplo, a meta'sica da moral esta&elece que, em&ora n!o seja possvel provar que o ser humano  livre, sem a ideia de li&erdade, a e6peri+ncia e o conhecimento do mundo moral seriam impossveis"

2 0M/RA30F2 5A3/.R052 A norma moral tem a 'orma de um imperativo categ%rico porque as a$es a ela con'ormes s!o o&jetivamente necessárias, independentemente da sua fnalidade material ou su&stantiva particular" A necessidade o&jetiva do comando categ%rico 'az re'er+ncia a que o dever moral vale para todos os homens enquanto seres racionais" A conduta moral, portanto,  vinculada a uma norma universal" 2 imperativo Dn!o mentirásE, por e6emplo, deve ser o&edecido porque n!o poderamos desejar que a mentira se trans'ormasse em norma geral de conduta no lugar da verdade, n!o em raz!o das conseqQ+ncias de mentir"

A <0/R1A1/ /X3/R*A / A A-32*2M0A A li&erdade, em ant,  a li&erdade de agir segundo leis" *os seres racionais a causa das a$es  o seu pr%prio ar&trio" *um primeiro sentido, portanto, a li&erdade  a aus+ncia de determina$es e6ternas do comportamento" /sse  o conceito negativo de li&erdade" A li&erdade tem leisL e se essas leis n!o s!o e6ternamente impostas, s% podem ser auto:impostas" /sse  o conceito positivo de li&erdadeL ele designa a propriedade dos seres racionais de legislarem para si pr%prios P o&edecer Ks suas pr%prias leis  ser livre (3A< G A 10.*01A1/ 12 0*10F=1-2)"

A 12-3R0*A 12 10R/032 3oda lei imp$e deveresL mas o cumprimento desses deveres pode ou n!o ser coativamente e6igido" *o primeiro caso, trata:se de leis moraisL no segundo, de normas jurdicas" 2 'undamento de am&os os tipos de leis  a autonomia da vontade" ant está interessado no

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conceito universal a priori do direito, n!o no direito positivo" 2 direito realiza aquilo que constitui essencialmente o homemI a li&erdade, tanto no sentido negativo como positivo do termo"

10R/032 R0FA12 / 10R/032 <052 5omo jusnaturalista, ant distingue entre a lei natural e a lei positiva e entre direitos inatos e adquiridos" As leis naturais se deduzem de princpios a prioriL elas n!o requerem promulga!o pS&lica e constituem o direito privado" As segundas e6pressam a vontade do legislador" #!o promulgadas e constituem o direito pS&lico" A vontade do legislador, em ant,  a vontade geral do povo unido na sociedade civil" 2 direito privado e o direito pS&lico tem di'erentes 'ontes, mas o mesmo 'undamentoI a autonomia da vontade"

2 10R/032 R0FA12I A >-*1AM/*3A?@2 C-R=105A 12 DM/-E / 12 D3/-E 2 ponto de partida  a distin!o entre a posse 'sica e a posse inteligvel" A posse jurdica corresponde a esta SltimaI o uso do que  meu por outra pessoa constitui uma o'ensa" A posse emprica, por sua vez,  &aseada na vontade unilateral do possuidor" 2ra, a possi&ilidade de proi&ir legitimamente o uso do meu o&jeto por parte de todos os demais pressup$e, necessariamente, o acordo de todos os demais" A &ase legal da posse individual  o ato da vontade coletiva que a autoriza"

A 52*#303-0?@2 1A #250/1A1/ 50F0< / 2 10R/032 <052 2s indivduos que se relacionam em con'ormidade com leis pu&licamente promulgadas constituem uma sociedade civil (status civilis)L vista como um todo em rela!o aos mem&ros individuais, a sociedade civil se denomina /stado (civitas)" 2 ato pelo qual se DconstituiE o /stado  o contrato originárioI sem essa ideia, n!o se poderia pensar um legislador encarregado de zelar pelo &em comum, nem cidad!os que se su&metem voluntariamente Ks leis vigentes" 2 contrato originário n!o DconstituiE a sociedadeL ele a e6plica tal como ela deve ser"

A */.A?@2 12 10R/032 1/ R/#0#3*50A 2- 1/ R/F2<-?@2 1e acordo com ant, se há /stado, ele contm um princpio de ordem segundo leis, e, por pior que seja, deve ser resguardado, porque representa um progresso em dire!o ao /stado ideal" Alem disso, nenhuma 5onstitui!o pode outorgar ao povo o direito K revolta, so& pena de contradizer:se a si pr%pria" ortanto, a revolta  ilegal" A possi&ilidade ou impossi&ilidade de que uma lei seja justa se avalia por re'er+ncia aos princpios racionais do direito, e n!o K mani'esta!o popular"

2 /#3A12 <0/RA< ant conce&e o /stado como um instrumento necessário da li&erdade de sujeitos individuais" A reconcilia!o dos homens consigo mesmos enquanto seres livres necessita a promulga!o pS&lica das leis universais, que mani'esta a disposi!o de todos e de cada um de viver em li&erdade"

A 501A1A*0A Buando unidos para legislar, os mem&ros da sociedade civil s!o denominados cidad!os" #!o caractersticas dos cidad!os a autonomia, a

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igualdade perante a lei e a independ+ncia" 5ontudo, nem todos os seus mem&ros qualifcam:se para a atua!o poltica atravs do voto, ou seja, para a cidadania ativa, como os que vivem so& ordens de outrem, os empregados, os menores e as mulheresL esses s!o cidad!os passivos" A igualdade para ant corresponderia K possi&ilidade de todos poderem elevar:se K situa!o de cidad!os ativos"

A R/<05A ara ant, a repS&lica  a 'orma ideal de /stado, pelo qual os governantes se o&rigam a apro6imar:se da ideia de uma 5onstitui!o poltica legtima" *a 5onstitui!o legtima, (a) a lei  autnoma, mani'esta a vontade do povo e (&) cada pessoa tem a posse do que  seu peremptoriamente, visto que pode valer:se da coa!o pS&lica para garantir seus direitos" 2 princpio poltico do repu&licanismo  a separa!o entre os poderes e6ecutivo (a administra!o) e legislativo" /ssa arquitetura poltica impede que um poder usurpe as atri&ui$es do outro"

A >0<2#2>0A 1A H0#3R0A 52M2 R2.R/##2 1A H-MA*01A1/ *o plano geral da flosofa da hist%ria, ant procura demonstrar que a humanidade progride e isso s% pode ser um aper'eioamento moral" ara demonstrar a nossa predisposi!o ao progresso moral,  necessário &uscar um evento compro&at%rio, que deve ter sido produzido pelos homens agindo livremente" 5omo e6emplo ant tem em mente a Revolu!o >rancesa, que desperta uma simpatia que indica uma escolha pelo lado da justia (todo povo tem o direito de dar:se uma 5onstitui!o) e da repS&lica ( a melhor 5onstitui!o e porque ela cria o&stáculos K guerra o'ensiva)"

A 10A<G305A A*30A*A 1A H0#3R0A 2 progresso  um processo lento, enganoso e contradit%rio" A humanidade avana por e'eito da contraditoriedade das opini$es, dos interesses particulares e dos interesses nacionais" 2 so&erano n!o  divino, e pode errarL  necessário, portanto, conceder aos cidad!os o direito de emitir pu&licamente suas opini$es e a li&erdade de escrever"

A 52*>/1/RA?@2 12# /#3A12# <0FR/# / A A G dever dos /stados pactar entre si o fm das hostilidades e esta&elecer a comunidade jurdica internacional" 2 princpio da paz deve materializar:se numa Dcon'edera!o dos /stados livresE, segundo a idia de uma D<iga das *a$es para a pazE" Ainda que possamos entrever na 'orma!o da <iga das *a$es o tra&alho paciente da natureza, a interven!o poltica se 'az necessáriaI D2 estado de paz deve ser esta&elecidoE"

As conclus$es a que chegou ant n!o eram novidade no momento em que ele escrevia" 2 interesse de sua o&ra está na 'undamenta!o que dá K repS&lica e na afrma!o da primazia do indivduo" A poltica envolve a escolha prudente dos meios adequados K consecu!o dos seus fns" *!o , contudo, de esperar que Dos reis floso'em e os fl%so'os reinemE" 2 poder corrompe o livre julgamento da raz!o" 0deia e realidade mant+m:se e6ternas

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uma K outra" A essa tradi!o intelectual se associar!o ernstein e ]e&er, entre outros" A reunifca!o do ideal e do racional será o&ra de Hegel, Mar6 e Rosa <u6em&urg, cada um K sua maneira"

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