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Exclusão do Crédito Tributário

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Academic year: 2021

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Exclusão do Crédito Tributário

Fonte: Ricardo Alexandre

De acordo com Ricardo Alexandre, a exclusão do crédito tributário: “ significa impedir a sua constituição. Trata-se de situações em que, não obstante a ocorrência do fato gerador e o consequente nascimento da obrigação tributária, não pode haver lançamento, de forma que não surgirá crédito tributário, não existindo, portanto, obrigação de pagamento.”

São hipóteses de exclusão do crédito tributário a ​isenção e a ​anistia​. A VUNESP já considerou como ​correta ​a seguinte questão: “São causas de exclusão do crédito

tributário apenas a isenção e a anistia, desde que se deem após o nascimento da obrigação tributária e antes do lançamento”.

Para Ricardo Alexandre, é possível conceituar as hipóteses de exclusão do crédito tributário da seguinte maneira: “A diferença fundamental entre ambas é que a isenção exclui crédito tributário relativo a tributo, enquanto a anistia exclui crédito tributário relativo à penalidade pecuniária. Em ambos os casos, apesar de haver dispensa legal do pagamento (do tributo ou da multa), não se dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela seja consequente”.

Isenção: ​É a dispensa legal do pagamento de tributo, ou seja, não é causa de não incidência. Aqui, os fatos geradores continuam a ocorrer, gerando as respectivas obrigações tributárias, sendo apenas excluída a etapa do lançamento e, por conseguinte, a constituição do crédito (Ricardo Alexandre).

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Vale ressaltar que o Art. 150, §6º, CRFB exige que a isenção seja concedida mediante ​LEI ESPECÍFICA. ​De acordo com Ricardo: “O art. 176 do CTN apenas reafirma a regra ao estipular que a isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração.

A menção à "isenção prevista em contrato" visa a disciplinar os casos em que governos que tentam atrair investimento para o seu território fazem um acordo com empresas, segundo o qual o Poder Público se compromete a conceder benefícios fiscais para as entidades que se instalem em seu território. O pacto, por si só, não tem o condão ·de efetivamente isentar a entidade que cumpra sua parte, pois a isenção necessariamente decorre de lei, como exige o princípio da indisponibilidade do patrimônio público”.

Vale ressaltar que, conforme Art. 176, CTN, a isenção pode ser restrita a determinada parte do território do ente tributante, em função das peculiaridades locais. Em relação à União, existe uma disposição constitucional específica. Vejamos:

Art. 151. É vedado à União:

I - instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País;

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Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva:

I - às taxas e às contribuições de melhoria;

II - aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão.

De acordo com Ricardo Alexandre: “A título de exemplo, se uma lei concede isenção do IPTU para determinada classe de contribuintes, não se pode presumir que estes também estarão isentos da taxa de coleta domiciliar de lixo ou da contribuição de melhoria em virtude de valorização decorrente de obra pública porventura realizada. Se o Município quer isentar tais tributos, terá de fazê-lo mediante regra expressa; caso contrário, o pagamento será devido. Já a proibição de que a isenção seja extensiva aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão decorre da mais pura lógica. Claro que a concessão de isenção não pode ser tão genérica a ponto de abranger os tributos atualmente existentes e os que venham a ser criados”.

Em relação às isenções onerosas, aquelas concedidas por prazo certo e em virtude de condições determinadas, não podem ser livremente revogadas. Vejamos o que dispõe a súmula 544, STF: “Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas".

Por outro lado, a regra é que as isenções não onerosas possam ser livremente revogadas. Ademais, as isenções podem ser conferidas em caráter geral ou individual.

De acordo com Ricardo Alexandre: “Haverá isenção em caráter individual quando a lei restringir a abrangência do benefício às pessoas que preencham determinados requisitos, de forma que o gozo dependerá de requerimento formulado à

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Administração Tributária no qual se comprove o cumprimento dos pressupostos legais (STJ - REsp 196.473)”. Por outro lado, na isenção em caráter geral, não é preciso que a parte comprove qualquer característica pessoal especial.

Para finalizar o tópico, vou transcrever importante trecho de Ricardo Alexandre sobre a isenção: “faz-se necessário relembrar que são aplicáveis à isenção concedida em caráter individual as regras constantes do art. 155 do CTN. Em resumo, devem ser obedecidas as seguintes regras:

a) A concessão da isenção em caráter individual não gera direito adquirido e será revogada (o correto seria falar anulada) de ofício, sempre que se apure que o beneficiário não satisfazia ou deixou ·de satisfazer as condições ou não cumpria ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor.

b) No caso de revogação, sempre será cobrado o tributo e os juros de mora.

c) Se o benefício foi obtido com dolo ou simulação do beneficiário, ou de terceiro em favor daquele, haverá cobrança da penalidade pecuniária, Além disso, o tempo decorrido entre a concessão da isenção e sua revogação não será computado para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito. d) Se não houve dolo ou simulação, não haverá cobrança de penalidade pecuniária e a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o direito à cobrança do crédito.

Anistia: ​é o perdão legal de infrações. De acordo com Ricardo Alexandre:

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observada. Segundo o art. 180 do CTN, o benefício somente pode abranger as infrações cometidas​anteriormente à vigência da lei que a concede​. Tal regra não

pode ser excetuada, porque do dispositivo não consta a expressão "salvo disposição legal''.

De acordo com o Art. 180, CTN, a anistia não se aplica: “aos atos qualificados em lei como crimes ou contravenções e aos que, mesmo sem essa qualificação, sejam praticados com dolo, fraude ou simulação pelo sujeito passivo ou por terceiro em benefício daquele; salvo disposição em contrário, às infrações resultantes de conluio entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas”.

Por fim, vale ressaltar que a anistia pode ser concedida em caráter geral ou individual. Vejamos:

Art. 181. A anistia pode ser concedida: I - em caráter geral;

II - limitadamente:

a) às infrações da legislação relativa a determinado tributo; b) às infrações punidas com penalidades pecuniárias até determinado montante, conjugadas ou não com penalidades de outra natureza;

c) a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares;

d) sob condição do pagamento de tributo no prazo fixado pela lei que a conceder, ou cuja fixação seja atribuída pela mesma lei à autoridade administrativa.

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1) PGEPE - CESPE - 2018 ​: Segundo o CTN, a conversão do depósito judicial em renda é considerada uma modalidade de exclusão do crédito tributário. Falso! As hipóteses de exclusão são isenção e anistia.

2) IPREV - Advogado ​: Quanto ao crédito tributário, indique a alternativa correta: sua exclusão dispensa o cumprimento das obrigações acessórias. Falso! Conforme vimos acima, não dispensa do cumprimento das obrigações acessórias, vide Art. 175, parágrafo único, CTN.

3) Alerj - Procurador ​: De acordo com o Código Tributário Nacional, é correto afirmar que: a anistia pode ser concedida limitadamente. Correto! A anistia pode ser concedida limitadamente, conforme disposto no Art. 181, II, CTN.

4) PGE - MA - 2016 ​: A respeito do instituto da isenção, é correto afirmar: Quando já concedida, não pode ser alterada ou modificada, se a concessão foi por prazo certo e em função de determinadas condições. Correto! São as isenções onerosas, explicadas acima.

5) PGE - MT - 2016: ​O perdão parcial de multa pecuniária regularmente

constituída mediante o lançamento de ofício do qual o contribuinte tenha sido devidamente notificado, em decorrência da adesão voluntária, por parte do contribuinte, a um “programa de regularização fiscal” criado por lei, consiste em: exclusão do crédito tributário, na modalidade anistia. Correto! A anistia é a hipótese que exclui a multa, vide explicação no começo do material.

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6) PGM-Maringá​: Por meio da anistia, opera-se a dispensa legal de pagamento do tributo devido, pressupondo crédito tributário regularmente constituído. Falso! A questão trocou o conceito, colocando o da isenção.

7) PGM-MARINGÁ​: A isenção e a moratória são casos de exclusão do crédito

tributário. A exclusão do crédito tributário dispensa o cumprimento das obrigações acessórias relativas ao crédito tributário excluído. Duplamente incorreta. Em primeiro lugar, as hipóteses de exclusão do CT são: isenção e anistia. Em segundo lugar, não se dispensa o cumprimento das obrigações acessórias.

8) Procurador do TCU - CESPE ​: A isenção tributária é um favor legal,

podendo, ainda que concedida sob condição onerosa, ser livremente suprimida. Falso! Conforme mencionado, as isenções “onerosas” não podem ser livremente suprimidas.

Conforme verificamos com as questões, o tema é de elevada incidência no âmbito das procuradorias, sejam federais, estaduais ou municipais. O principal ponto de estudo deve ser o código tributário nacional, principalmente nos detalhes mencionados acima.

Referências

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