Casa de Sarmento - Centro de Estudos do Património
1. Objetivos
A proposta de uma criação de uma Unidade Diferenciada de Natureza Cultural da Universidade do Minho em Guimarães vem retomar a experiência anterior da Casa de Sarmento que funcionou entre 2002 e 2008, a partir de um protocolo de colaboração entre a Universidade do Minho, a Sociedade Martins Sarmento e a Câmara Municipal de Guimarães.
Na sua criação, foi definido como objetivo nuclear “o estudo do Património, com uma forte componente de História Local”. Esta orientação assume particular significado numa cidade como Guimarães - Património Mundial da Humanidade (2001) e Capital Europeia da Cultura (2012) – pelo que consideramos que a existência de uma unidade com estas características contribuirá para tornar a cidade um centro de referência na produção e divulgação de conhecimento nestas áreas.
O seu primeiro objetivo é estabelecer uma ligação mais estreita entre a Universidade do Minho e a cidade de Guimarães, nomeadamente através do apoio ao desenvolvimento da missão científica e cultural da Sociedade Martins Sarmento, uma das mais importantes associações culturais de Guimarães, com grande projeção regional e nacional.
Este objetivo consubstancia-se no tratamento, catalogação, digitalização e divulgação do valioso acervo bibliográfico e documental da Sociedade Martins Sarmento e também na sua valorização, através do desenvolvimento de projetos de investigação, nomeadamente no âmbito dos cursos de mestrado e de doutoramento.
Para além deste, recuperam-se os objetivos iniciais da anterior Casa de Sarmento:
• a promoção da cooperação da Universidade do Minho com a comunidade em geral, e a vimaranense em particular;
• o desenvolvimento de atividades de índole cultural;
• o enquadramento de projetos de investigação no âmbito dos estudos sobre o Património e a História Local;
• o apoio à aplicação dos conhecimentos científicos e tecnológicos em projetos de restauro e conservação de património material;
• o estabelecimento de ações de cooperação científica e captação de financiamentos com instituições nacionais e internacionais.
• a realização de ações de formação em áreas pertinentes para os objetivos específicos da Casa de Sarmento;
• a recolha, tratamento e disponibilização de fundos documentais relacionados com o património e a história local;
• a organização de um fundo iconográfico de Património e História Local através, nomeadamente, da recolha, catalogação e digitalização de fotografias e outros suportes de imagens.
• a edição e divulgação de inventários, catálogos e outros elementos destinados a facilitar aos investigadores a consulta de documentos;
• a publicação de fontes documentais e de estudos;
• a utilização das novas tecnologias da informação em projetos de investigação, produção e divulgação de conteúdos relacionados com as problemáticas históricas e patrimoniais.
2. Estrutura da Casa de Sarmento
1. Núcleo de Estudos do Património e História Local (NEPHL)
O NEPHL estará vocacionado para o desenvolvimento de projetos de investigação no âmbito da História Local e Regional, nomeadamente com o objetivo de valorizar os fundos bibliográficos e documentais tratados e divulgados pela Casa de Sarmento.
Será a principal estrutura de divulgação e disseminação de resultados da Casa de Sarmento, pelo que deverá promover a realização de encontros científicos que permitam aprofundar a investigação e aproximá-la da comunidade. Ao mesmo tempo deverá apoiar e promover a edição de publicações resultantes das suas atividades.
O NEPHL não terá um corpo de investigadores permanente, mas constituir-se-á como uma estrutura de acolhimento e apoio para os investigadores que desenvolvem a sua atividade no âmbito da História Local, particularmente no âmbito dos acervos pertencentes às instituições que fundadoras da Casa de Sarmento.
2. Núcleo de Estudos Vicentinos (NEV)
O NEV tem como objetivos o estudo e a difusão da obra do escritor Gil Vicente e o desenvolvimento de estudos sobre o teatro português. Na sua atividade deverão ser exploradas as possibilidades de articulação com outras estruturas das instituições fundadoras, nomeadamente com a Licenciatura em Teatro da UM e o Teatro Oficina.
3. Núcleo de Documentação Abade Tagilde (NDAT)
O NDAT propõe-se proceder ao tratamento técnico de fundos bibliográficos e documentais através da sua inventariação, catalogação e digitalização, bem como
disponibilizar apoio técnico a arquivos e bibliotecas de entidades públicas e particulares, tendo em vista a valorização de acervos bibliográficos e documentais com valor patrimonial. Neste contexto, o tratamento do acervo bibliográfico e documental da Sociedade Martins Sarmento visando a sua disponibilização pública em formato digital assume carácter primordial no conjunto dos objetivos de trabalho do Centro de Documentação.
4. Núcleo de Estudos de População e Sociedade
O NEPS estará orientado para a constituição do Repositório Genealógico Nacional. Ao longo das últimas décadas a Universidade do Minho tem sido pioneira em estudos na área da Demografia Histórica, no âmbito dos quais têm sido realizadas inúmeras reconstituições de paróquias, formando um importante conjunto de bases de dados genealógicas que pontuam o território português (continente e ilhas). Partindo deste património a UM acolheu o projeto da Professora Norberta Amorim, de criação de um Repositório Genealógico Nacional que, para além de organizar as BD já existentes, promovesse a organização de uma base de dados central com todos os registos de batizados, casamentos e óbitos portugueses.
Para além dos objetivos científicos relacionados com os estudos demográficos, esta base de dados terá com um valor incalculável para investigações científicas que vão desde as áreas das humanidades e ciências sociais até à biologia e medicina.
Por outro lado, o repositório assume também um serviço público à comunidade, possibilitando-lhes a resposta ao seu natural anseio de conhecimento das suas raízes, particularmente intenso nas comunidades da diáspora.
A integração do NEPS na Casa de Sarmento tem ainda a vantagem de englobar o seu núcleo de investigação que reúne cerca de 35 investigadores com vários projetos em curso e com uma sólida reputação científica, com reconhecimento nacional e internacional.
5. Núcleo de Conservação e Restauro (NCR)
O Núcleo de Conservação e Restauro (NCR) será a valência da casa de Sarmento com aptidão para intervenções no campo do restauro e da conservação preventiva de espécimes do património material, com um amplo campo de intervenção e um elevado potencial técnico e científico, disponibilizado pelos laboratórios da Escola de Engenharia da Universidade do Minho. O NCR terá como objetivo promover e realizar projetos de investigação na área da conservação e restauro de materiais, divulgar os resultados da investigação realizada na
Universidade do Minho no quadro da sua área de intervenção e prestar serviços à comunidade.
Numa fase inicial, prevê-se que a atividade da Casa de Sarmento assente no Núcleo de Estudos de População e Sociedade e no Núcleo de Documentação Abade de Tagilde, áreas que já possuem uma atividade assinalável.
O Núcleo de Estudos de Património e História Local pelos seus objetivos de valorização e divulgação da atividade da Casa de Sarmento será também fundamental nesta primeira fase, nomeadamente no estabelecimento de parcerias que possam permitir o desenvolvimento da atividade da Casa de Sarmento e a sua consolidação financeira.
3. Recursos Humanos
a) Director – responsável pela gestão permanente da Unidade (perfil e funções a definir nos estatutos).
b) Técnico Administrativo (nível médio ou secundário) – polivalente, apoiando a atividade dos diferentes núcleos (privilegiar conhecimentos nas áreas da informática e arquivística).
c) Técnico de Informática (nível superior)
• Apoio ao desenvolvimento e manutenção do Repositório Genealógico Nacional. O RGN prevê três dimensões:
i. Módulo de introdução e cruzamento da informação paroquial que alimentará a base de dados. Este módulo está em fase de finalização pelo técnico que a Reitoria da UM atribuiu ao projeto.
ii. Módulo de análise da informação que permitirá aos investigadores extrair informação da BD, realizar operações de análise demográfica e construir genealogias ascendentes e descendentes. Este módulo está em desenvolvimento, embora numa fase inicial.
iii. Módulo de acesso público que possibilitará a consulta à base de dados e a realização de genealogias. Prevêem-se dois níveis de acesso: um
mais amplo para as entidades parceiras do RGN (entidades que colaboram com recursos financeiros e ou recursos humanos no projeto); outro mais limitado para o público em geral.
• Apoio técnico aos trabalhos de investigação desenvolvidos no âmbito da Casa de Sarmento.
• Manutenção técnica do sítio da Casa de Sarmento.
• Coordenação e manutenção dos equipamentos informáticos e de digitalização.
d) Técnico com formação na área das Ciências Sociais (nível superior) – polivalente, para apoio às diversas atividades da Casa de Sarmento, com particular responsabilidade no Núcleo de Estudos de Património e História Local.
• Publicação de conteúdos a disponibilizar no sítio da Casa de Sarmento.
• Enquadramento científico dos conteúdos disponibilizados no sítio da Casa de Sarmento.
• Apoio à atividade editorial da Casa de Sarmento.
• Apoio ao trabalho de investigação desenvolvido na Casa de Sarmento.
• Apoio às atividades da Casa de Sarmento, particularmente os encontros científicos e as ações de formação.
e) Técnico de Biblioteca, Arquivo e Documentação (nível superior) – recurso da SMS, a disponibilizar sem deslocação do respetivo posto de trabalho, mas com dedicação preferencial para a ligação com a Casa de Sarmento. Terá como principais tarefas:
• Informatização dos ficheiros da Biblioteca e do Arquivo da SMS e a sua integração na rede de Bibliotecas da Universidade/CMG.
• Coordenação do processo de digitalização do acervo da SMS.
4. Modelo de Gestão
4.1 Estrutura organizativo-funcional
A Casa de Sarmento assenta o seu modelo de gestão na estrutura organizativa-funcional especializada dos Núcleos descritos no ponto 2. deste documento (sem prejuízo de poderem vir a ser criados outros ou reformulados aqueles que já se encontram previstos), suportados nos recursos humanos previstos no ponto anterior (ponto 3.)
Por outro lado, de acordo com os respetivos estatutos, a criar, a Casa de Sarmento, será dotada de autonomia administrativa e financeira, com identificação própria, designadamente
fiscal, e, em consequência, disporá de órgãos próprios, deliberativos e de gestão, funcionalmente e com capacidade adequados à prossecução dos seus fins e atividades e cuja designação e funcionamento obedecerá ao princípio da igualdade de direitos e obrigações entre as partes protocoladas, devendo ser prosseguido o princípio da consensualidade das deliberações e sendo a tomada de deliberações por maioria encarada como excecional.
Estas características enquadram-se, em qualquer caso, nos preceitos estatutários da própria UM, em cuja estrutura a Casa de Sarmento se insere como “Unidade Diferenciada”
Os órgãos estatutários da Casa de Sarmento serão:
a)O Conselho Diretivo, órgão deliberativo máximo, constituído por três elementos e com presidência rotativa. Terá as seguintes competências:
Definir as linhas gerais de orientação e funcionamento da Casa de Sarmento; Nomear o Director;
Aprovar anualmente o Plano de Atividades e Orçamento; Aprovar os Relatórios Anuais de Atividades e Contas; Aprovar os Regulamentos Internos;
Definir o quadro e aprovar a admissão de pessoal; Propôr alterações de estatutos;
Exercer todas as restantes competências expressamente previstas ou que, de algum modo, resultem dos estatutos ou lhe sejam pontualmente conferidas por iniciativa conjunta das entidades protocoladas e resolver casos omissos, sem prejuízo do disposto no artigo 17º.
b)O Director, órgão de gestão permanente, com as seguintes competências:
Assegurar a gestão de todos os recursos afetos à Casa de Sarmento com vista à execução das deliberações do Conselho Diretivo e, em geral, dos objetivos estatutários;
Autorizar, em coordenação com o Conselho Diretivo, a aquisição de bens móveis e serviços e a realização de despesas e respetivo pagamento;
Elaborar anualmente as propostas de Plano, Orçamento e os Relatórios de Atividades e Contas para aprovação do Conselho Diretivo
Representar a Casa de Sarmento por delegação do Conselho Diretivo ou do seu Presidente. c)O Conselho Consultivo
Órgão não deliberativo, com funções de acompanhamento da atividade da Casa de Sarmento de aconselhamento dos seus órgãos.
4.2 Regime económico e financeiro
As entidades protocoladas acordarão entre si os recursos que cada uma delas disponibilizará para a atividade da Casa de Sarmento, nomeadamente, dotações financeiras regulares ou afetação de bens, em espécie.
A Casa de Sarmento deverá em todo o caso procurar encontrar um grau de cobertura financeira o mais amplo possível. Nesse sentido, através dos seus diferentes núcleos, a Casa de Sarmento intentará aceder a financiamento através da elaboração de candidaturas autónomas ou em parceria, para além de eventuais serviços a prestar. Esta linha de financiamento é particularmente evidente para o RGN que tem protocolos estabelecidos com diversas autarquias/governos regionais para o alargamento da cobertura geográfica da sua base de dados.