A DINÂMICA DA EXPANSÃO URBANA E O PROGRAMA MINHA
CASA MINHA VIDA EM JOÃO PESSOA – PB: PROCESSOS E
AGENTES NA PRODUÇÃO DA CIDADE
Eliane Campos dos Santos Programa de Pós Graduação em Geografia PPGG-UFPB
INTRODUÇÃO
O presente trabalho refere-se à pesquisa “A Dinâmica da Expansão Urbana e o Programa Minha Casa Minha Vida em João Pessoa – PB: Processos e Agentes na Produção da Cidade” que está sendo desenvolvida no Programa de Pós-Graduação de Geografia da Universidade Federal da Paraíba. Esta pesquisa consiste em analisar a dinâmica urbana da cidade de João Pessoa – PB, no que se refere à expansão de sua malha urbana impulsionada pelo Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV). Em outras palavras pretende-se avaliar como o programa repercutiu na produção do espaço urbano de João Pessoa, através dos diferentes agentes sociais.
As questões norteadoras deste trabalho emergem da necessidade de entender alguns questionamentos sobre o PMCMV em João Pessoa. É questionável se a localização dos conjuntos habitacionais de Faixa 01 produz expansão da periferia, aumento das desigualdades e a segregação socioespacial. O programa reforça a ideia de que periferia é lugar dos pobres? A política do programa tem ajudado na redução do déficit habitacional na cidade?
A escolha de João Pessoa como objeto deu-se principalmente pelas significativas transformações que vem ocorrendo na morfologia da cidade, especialmente, no que diz respeito à dinâmica da expansão da malha urbana, impulsionada pelos empreendimentos do PMCMV, em especial os conjuntos habitacionais de Faixa 01. A pesquisa pretende analisar os conjuntos habitacionais Residencial Multifamiliar Anayde Beiriz, Residencial Vieira Diniz, Residencial Jardim Veneza, Residencial Jardins das Colinas, Residencial Irma Dulce. A escolha dos conjuntos citados acima justifica-se por tratar das primeiras construções do PMCMV na cidade de João Pessoa – PB.
O estudo aqui proposto apoia-se na abordagem descritivo-reflexivo e está
embasado por diversos procedimentos de pesquisa, bem como, por reflexões em torno de informações qualitativas e quantitativas referentes aos conceitos de expansão urbana e segregação socioespacial.
Os procedimentos metodológicos utilizados até este momento foram: levantamentos bibliográficos para suporte teórico do estudo; coleta de dados secundários em instituições públicas dentre estas destacam-se Ministério das Cidades, Caixa Econômica Federal (CEF), Secretaria Municipal de Habitação Social da Prefeitura Municipal de João Pessoa.
O suporte das geotecnologias possibilitaram o uso de técnicas como o Sistema de Informação Geográfica (SIG), o Sistema de Posicionamento Global (GPS) e o Sensoriamento Remoto (SR), que ajudaram a elucidar questões como a localização dos empreendimentos e a confecção de mapas.
O PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDA
A Lei número 11.977 de julho de 2009, que dispõe sobre o Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) e a regularização fundiária de assentamentos localizados em áreas urbanas, altera também outras leis, decretos e medidas provisórias.
O PMCMV é um programa do Governo Federal destinado, principalmente, às famílias de baixa renda, gerido pelo Ministério das Cidades (BRASIL, 2009). Possui parceria com estados, municípios, criando oportunidade para empresas que buscam produzir unidades habitacionais.
O objetivo principal do PMCMV é facilitar a aquisição da casa própria pelas famílias com renda mensal entre zero e dez salários mínimos, sobretudo por aquelas localizadas nas periferias das grandes cidades e em áreas ocupadas irregularmente.
Segundo o site brasil.gov.br, a primeira fase do programa teve a meta de um milhão de unidades habitacionais, até 31 de dezembro de 2010, chegando a 1.005.128 milhão de empreendimentos. Em 2011, foi lançada a segunda etapa, para construção de mais 2.75 milhões de moradias.
A CEF ficou responsável pela gestão do programa e os seus recursos, porém o Banco do Brasil (BB) também vem disponibilizando recursos para o programa.
O PMCMV compreende dois programas nacionais, o Programa Nacional de Habitação Urbana (PNHU) e o Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR).
De acordo com o Ministério das Cidades (2016), o PMCMV é dividido em duas modalidades, Minha Casa Minha Vida Urbano e Minha Casa Minha Vida Rural.
O Minha Casa Minha Vida Urbano é destinado aos moradores de centros urbanos, de acordo com suas faixas de renda familiar. Até R$ 1.800,00 - podem ser atendidas pelas modalidades da Faixa 01: MCMV FAIXA 1, MCMV Entidades1 e MCMV Financiamento.
Entretanto, as medidas anunciadas pelo governo federal, em 2017, mudaram as regras para faixas de renda 1,5, 2 e 3. A Faixa 1,5 que tinha limite de renda mensal de R$ 2,35 mil passou para R$ 2,6 mil; Faixa 2: limite de renda mensal passa de R$ 3,6 mil passou R$ 4 mil; Faixa 3: limite de renda mensal passa de R$ 6,5 mil para R$ 9 mil.
Já o PMCMV Rural é voltado aos agricultores familiares, trabalhadores rurais ou de comunidades tradicionais - quilombolas, extrativistas, pescadores artesanais, ribeirinhos e indígenas. Esta modalidade possui três grupos de renda, que variam até R$ 78 mil por ano. O atendimento permite tanto a construção de novas casas quanto a reforma de unidades já existentes.
URBANIZAÇÃO E DINÂMICA URBANA BRASILEIRA NO BRASIL NO SÉCULO XX
Toda pesquisa precisa ser balizada por um marco teórico que lhe dê sustentação. O estudo aqui proposto – Analisar a dinâmica da expansão urbana da cidade de João Pessoa – PB, através dos empreendimentos do PMCMV Faixa 1 – será explicitado de maneira resumida, por meio de alguns termos ou conceitos tais como expansão urbana, periferização, desigualdade e segregação socioespacial.
Estamos nos fundamentando teoricamente com base em algumas leituras de obras, entre elas destacamos SOUZA, 2013; RODRIGUES, 1991; BONDUKI, 2011;
1 MCMV Entidades, permite que famílias organizadas de forma associativa, por uma Entidade Organizadora –
CORREIA, 1989, 2014; LEFEBVRE, 2011; MARICATO, 2014; CARLOS, 2015 dentre outros.
No Brasil, o processo de urbanização nas cidades deu-se de modo espraiado, ocasionando espaços vazios em sua malha urbana, tornando o espaço urbano fragmentado, com áreas diferenciadas e descontinuo. Santos (2009) aponta que, as cidades, e, sobretudo as grandes cidades, ocupam, de modo geral, vastas superfícies entremeadas de vazios. Estas cidades caracterizadas como espraiadas possuem carências de infraestrutura, especulação fundiária e imobiliária, periferização da população, entre outros. O espraiamento das cidades com a fragmentação da malha urbana é fator predominante para a formação das periferias que é o lugar predominante da moradia dos trabalhadores de baixa renda.
A partir da década de 1970, a expansão urbana das cidades do Brasil, como também no caso de João Pessoa, passou a ocorrer de forma mais intensa. Os altos índices de migração impulsionaram o crescimento urbano, gerando a necessidade de moradias para a população carente, dando origem ao processo de crescimento das periferias por meio de ocupações ilegais, loteamentos clandestinos e favelas.
Bonduki (2011) aponta que,
o modelo de ocupação da periferia, deu origem, portanto, a ampla gama de soluções habitacionais de baixo custo. No momento em que o mercado rentista estava em crise e o Estado assumia o problema da habitação como questão social mesmo sendo incapaz de atender a forte demanda existente na sociedade, essas soluções produzidas pelos próprios trabalhadores asseguraram a produção de moradia, [...] (BONDUKI, 2011, p. 307).
Segundo Maia (2014), a periferização das cidades também foi produzida pelo Estado, por meio de construções de conjuntos habitacionais, destacadamente no período 1960 - 1980, financiados pelo Banco Nacional de Habitação (BNH).
É neste período que a periferia aumenta e a favela se reproduz nas grandes cidades. As diferenças entre as áreas com serviços diversificados e boa infraestrutura com outras desprovidas, passam a ser determinadas por suas localizações. Assim, a cidade começa a se diferenciar por meio da reprodução do capital. Para Marcelo Lopes de Souza (2003),
Essa diferenciação entre as áreas residenciais de uma cidade – diferenciação, em última análise, em matéria de condições de qualidade de vida, incluindo aí tanto aspectos materiais como coisas imateriais como prestígio e poder – reflete uma diferenciação entre grupos sociais. Em outras palavras: diferenças econômicas, de poder, de status etc. entre diversos grupos sociais se refletem no espaço, determinando ou, pelo menos, influenciando decisivamente onde os membros de cada grupo podem viver. (SOUZA, 2003, p. 67).
Ainda, de acordo com o autor, é fato que certos grupos, devido sua pobreza e etnia foram forçados a morar em áreas mais afastadas do centro, sendo excluídos de certos espaços urbanos pelos mais ricos. Dessa forma os espaços afastados do centro, reconhecidos como periferias, concentraram a população de baixa renda. Nessas áreas a precariedade era generalizada em todos os serviços, segregando-as.
Segundo Carlos (2015),
As segregações urbanas são mais do que a separação dos diferentes sujeitos no espaço. Seu conteúdo inclui também, sem excluir a separação espacial, privações socioespaciais dos mais diferentes tipos, a saber: negação ou mobilidade física pela precariedade do transporte público e em muitos casos, pela impossibilidade do pagamento dos mesmos. Essa aparente imobilidade física corrobora com a imobilidade social, pois sem ter recursos, o acesso à moradia, por exemplo, muitas vezes se dá no limite da sobrevivência. (CARLOS, 2015, p.148)
Com o crescimento e a consolidação das moradias do trabalhador nas periferias, o setor imobiliário logo se beneficiou. O solo urbano transformou-se em mercadoria, assim, a produção do espaço se faz sob a materialização incansável da busca do lucro, sendo esquecido pelos agentes sociais o cumprimento da função social da propriedade.
O capital como agente modificador do espaço, em determinado momento histórico, transforma a paisagem conforme seu interesse. Contudo, para Maricato (2015, p. 23), a cidade é um grande negócio e a renda da terra imobiliária, seu motor central. Assim a cidade é uma mercadoria, onde o capital ganha com a produção e exploração do espaço urbano em função do seu valor.
A produção do espaço é consequência da ação dos agentes sociais concretos, históricos, dotados de interesses, estratégias e práticas espaciais próprias, portadores de contradições e geradores de conflitos entre eles mesmos e com outros segmentos da sociedade. CORRÊA (2014). Nesse sentido, a produção do espaço urbano ocorre por uma
série de relações e práticas entre os agentes sociais que estão inseridos na temporalidade e na espacialidade de cada formação socioespacial capitalista.
JOÃO PESSOA: BREVE HISTÓRICO E O PMCMV
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estática – IBGE (2017), o município de João Pessoa, está localizado no Estado da Paraíba na Região Geográfica Intermediaria2 de João Pessoa que compreende quatros regiões Imediatas3 (João Pessoa, Guarabira, Mamanguape, Rio Tinto e Itabaiana) abrangendo 63 municípios. João Pessoa possui uma extensão territorial de 211,5 Km². É a oitava cidade mais populosa da Região Nordeste, com uma população de 801.718 habitantes. Sua importância socioeconômica é classificada como Capital Regional A, segundo o Regic4 (IBGE, 2007).
Mapa 01 – Situação Geográfica de João Pessoa – PB.
2 As Regiões Geográficas Intermediárias organizam o território, articulando as Regiões Geográficas
Imediatas por meio de um polo de hierarquia superior diferenciado a partir dos fluxos de gestão privado e público e da existência de funções urbanas de maior complexidade.
3 As Regiões Geográficas Imediatas têm na rede urbana o seu principal elemento de referência. Essas
regiões são estruturas a partir de centros urbanos próximos para a satisfação das necessidades imediatas das populações, tais como: compras de bens de consumo duráveis e não duráveis; busca de trabalho; procura por serviços de saúde e educação; e prestação de serviços públicos, como postos de atendimento do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, do Ministério do Trabalho e de serviços judiciários, entre outros.
4 É considerada capital regional A devido sua área de concentração populacional e atuação socioeconômica.
Integra-se com outros 70 centros não necessariamente capitais e está integrada a rede urbana de Recife que é formada por PE, PB, RN (parte de fortaleza) Alagoas e um pouco com Juazeiro-BA.
Fonte: IBGE 2015. Ministério das Cidades 2016. Arquivo da Autora.
Durante o século XX, a cidade de João Pessoa começou a se modernizar com investimentos estatais que impulsionaram a expansão da cidade. Segundo Pita (2012, p.60) até 1960, a cidade compreendia uma área compacta ao redor do Centro. Após 1970, a malha urbana se expandiu em direção ao litoral, com o deslocamento da população de maior renda, provocando alterações significativas na paisagem urbana da cidade.
Naquela década, a expansão urbana de João Pessoa passou a ocorrer de forma mais intensa. O crescimento urbano impulsionou altos índices de migração. Maia (2014, p. 98) aponta que, nessa mesma época o Estado iniciou a construção de grandes conjuntos habitacionais populares, seguindo o eixo de expansão sul-sudeste da cidade, entre eles: Castelo Branco entre 1969 e 1974, José Américo de Almeida em 1978, Mangabeira em 1983, Valentina em 1985 estes atualmente na condição de bairro.
O PMCMV foi criado para reduzir o déficit habitacional no país, facilitou as condições de acesso à casa própria, principalmente para as classes de baixa renda. Vem sendo um programa que favorece a indústria da construção civil, promovendo o surgimento e crescimento de empresas de diversos portes. O programa também
intensificou o crescimento da malha urbana das cidades, produzindo concomitantemente a esse processo, a complexidade da ação dos agentes sociais, produtores do espaço urbano.
O mercado imobiliário capitalista, os baixos salários e a desigualdade social presentes desde o início da formação da sociedade brasileira, impossibilitaram o acesso do trabalhador assalariado à moradia.
Conforme Corrêa (1989), o espaço urbano se constitui por diferentes usos da terra.
Tais usos definem áreas, como: o centro da cidade, local de concentração de atividades comerciais, de serviço e de gestão; áreas industriais e áreas residenciais, distintas em termos de forma e conteúdo social; áreas de lazer; e, entre outras, aquelas de reserva para futura expansão. Este conjunto de usos da terra é a organização espacial da cidade ou simplesmente o espaço urbano fragmentado. (CORRÊA, 1989, p. 7).
Deste modo, as diferenças dos lugares e as possibilidades de quem pode habitar estão associados a fatores do mercado capitalista imobiliário que tem apresentado, sobretudo nas últimas décadas processos socioespaciais significativos para o cenário urbano e social da cidade de João Pessoa como a valorização do solo, especulação imobiliária, terras ociosas, estoque especulativo, segregação e fragmentação urbana.
De acordo com CEF (2018), a cidade de João Pessoa teve, desde o início do PMCMV, mais de 10 mil contratações para construções de habitações na Faixa 1, apontado na tabela a seguir.
Tabela 01: Número de contratações por faixas e unidades entregues
MUNICÍPIO/UF FAIXA CONTRATADAS UH
ENTREGUES JOÃO
PESSOA/PB Faixa 1 10.513 5.653
Faixa 2 35.356 33.072
Faixa 3 5.277 1.815
Fonte: Caixa Econômica Federal (2018). Elaboração: Eliane Campos dos Santos de acordo com os dados Caixa Econômica Federal (2018).
Nesta perspectiva de organização espacial e construções dos empreendimentos do PMCMV Faixa 01, percebe-se que as áreas de localização dos conjuntos estão
predominantemente na zona sul da cidade e em sua maioria com distância entre 7,5 a mais de 10 Km do Centro, como pode ser observado no mapa 02.
Mapa 02: Localização dos conjuntos habitacionais do PMMV de Faixa 01.
Fonte: IBGE 2015. Ministérios das Cidades 2016. Elaboração: Eliane Campos dos Santos, de acordo com os dados obtidos.
Como observado no mapa 02, os conjuntos habitacionais estão predominantemente localizados na periferia da cidade. Eles são implementados sob o discurso da moradia digna e da casa própria, entretanto, para população de forma velada é imposta a localização de suas moradias, não garantindo o direito à cidade. Não se trata apenas de garantir a habitação, mas também condições dignas de acesso a serviços, infraestrutura, educação, saúde e lazer.
A pesquisa em andamento observou, a partir de visitas de campo, sinais expressivos das transformações do espaço urbano na cidade de João Pessoa – PB, por meio da implementação do PMCMC. Verificou-se de forma preliminar que os empreendimentos habitacionais na Faixa 01 contribuem para expansão da malha urbana da cidade. As questões aqui analisadas sobre o processo de expansão da cidade e das desigualdades socioespaciais explicam o quadro de periferização que avança na cidade.
Revelamos que nessa periferia surgiram novos loteamentos que se diferenciam do padrão de habitação dos conjuntos estudados, ou seja, o mercado imobiliário aproveita a oportunidade de investir justamente por estar próximo do empreendimento. Tendo em vista as transformações geradas no espaço urbano de forma destacada a expansão da malha urbana, a atuação do mercado imobiliário e as desigualdades socioespaciais estudadas, podemos afirmar que o PMCMV tem beneficiado uma parcela da população, aquela que tem mais dificuldade em adquirir a casa própria e que se mostra satisfeita, mas que também beneficia a lógica da especulação imobiliária, favorecendo o surgimento de novas áreas de loteamentos após a construção dos conjuntos habitacionais e a instalação de infraestrutura.
Dentro da lógica capitalista e da especulação imobiliária o espaço é moldado de acordo com interesses do capital, que por sua vez impõe à população de baixa renda o distanciamento das áreas centrais da cidade, dando origem a novas formas de periferização. Este processo, por sua vez, tem implicações nas estratégias de reprodução e acumulação dos capitais investidos no mercado imobiliário. O capital imobiliário e o Estado têm revelado papéis determinantes nesse processo. O Estado como agente de dominação política, legitima as práticas dos agentes hegemônicos e propicia condições para suas instalações.
Ao analisarmos no contexto histórico, as políticas públicas voltadas para a habitação, percebe-se a ineficiência nessa questão. Dessa forma é fundamental entender o papel do Estado na produção da cidade e da habitação e como ele pode intervir na produção do espaço urbano.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Site Portal Brasil.gov. br. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/>. Acesso em 20 de junho de 2018.
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