Uso de quitosana na produção de morangueiro orgânico
Dayane Bavaresco da Silva¹; Thiago Ruppenthal Bobato¹; Marcelle Michelotti Bettoni², Eliseu Geraldo dos Santos Fabbrin²; Átila Francisco Mógor³
¹Graduando (a) em Agronomia, Departamento de Fitotecnia e Fitossanitarismo, Universidade Federal do Paraná; Curitiba-PR. E-mail: [email protected]; [email protected].
²Doutorando (a) em Agronomia- Produção Vegetal, Departamento de Fitotecnia e Fitossanitarismo, Universidade Federal do Paraná; Curitiba-PR. E-mail: [email protected]; [email protected];
³Professor Adjunto, Departamento de Fitotecnia e Fitossanitarismo, Universidade Federal do Paraná, , Rua dos Funcionários, 1540, 80035-050, Curitiba – PR. E-mail: [email protected]
RESUMO
Este trabalho foi conduzido na área de Olericultura Orgânica de Centro de Estações Experimentais do Canguiri (CEEx), para avaliar a produção do morangueiro cv. Diamante em função do uso de quitosana aplicada no solo, em cultivo orgânico. O experimento foi implantado em delineamento inteiramente casualizado, com três repetições, em esquema de parcela subdividida 2 x 5, sendo uma dose de quitosana (2%), além da testemunha, com aplicação de água somente; e cinco datas de avaliação, iniciando-se aos 14 dias após a primeira aplicação, com intervalos regulares de 14 dias, até os 70 dias após a primeira aplicação. Foram avaliadas as seguintes características: peso, diâmetro e número médio de frutos, bem como a produtividade média por planta. Observou-se que a aplicação de quitosana em morangueiro cv. Diamante, cultivado em sistema orgânico, promoveu o aumento no diâmetro médio de frutos e na produtividade.
PALAVRAS-CHAVE: Fragaria x ananassa Duch., elicitor, biofertilizante. ABSTRACT
Use of chitosan for the production of organic strawberry
This work was conducted at the organic horticulture area in Canguiri Experimental Stations Center (CEEx), to evaluate Diamante strawberries according to the use of chitosan applied at the root in organic agriculture. It was done a randomized design, with three replications, conducted in a split-splot 2 x 5, with one chitosan dose (2%), and the control with only water; and five evaluation dates, starting at 14 days after the first application at regular intervals of 14 days, until 70 days after the first application. It were evaluated the characteristics: weight, diameter and average number of fruits, as well the average production per plant. It was observed that the chitosan application in Diamante strawberries, in organic agriculture, promotes the increase in average fruit diameter and productivity.
Keywords: Fragaria x ananassa Duch., elicitor, biofertilizer.
O morangueiro (Fragaria x ananassa Duch.) pertencente à família Rosaceae, apresenta grande importância sócio-econômica, com um elevado rendimento por área e cultivado, em sua maioria, por agricultores familiares em áreas pequenas (Dias et al., 2007).
No Paraná, em 2009/2010 foram cultivados 535 ha e produzidas 14.380 t de morango. Com uma participação de 0,14% no valor bruto da produção agropecuária no estado, contribuindo com R$ 60,83 milhões, segundo dados da SEAB/DERAL.
polímeros naturais, que apresentam ampla aplicabilidade em diversas áreas de estudo, e dentre eles destacam-se a quitina e a quitosana (Azevedo et al., 2007),
A quitosana ((1-4)-L-amino-2-deoxi-β-D-glucona (Dglucosamina)), é oriunda do processo de desacetilação da quitina, contendo um grupo amino (Airoldi, 2008), o qual amplia as suas propriedades funcionais, podendo ser obtida a partir de carapaças de crustáceos, como camarão, caranguejo e lagosta (Fai et al, 2008). Muitos estudos relacionados ao seu uso em sementes, na pós-colheita de produtos agrícolas (Devlieghere et al., 2004), como fertilizante (Sukwattanasinitt et al., 2001), no incremento da produção de algumas culturas (Chandrkrachang, 2002), no estímulo da imunidade e proteção de plantas contra fatores bióticos e abióticos adversos foram relatados (Hadwiger et al., 2002), porém há necessidade de maiores investigações a respeito de seu efeito na cultura do morangueiro .
O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da quitosana aplicada ao solo, próximo às raízes, na
produtividade de morangueiro, em sistema orgânico, na região metropolitana de Curitiba.
MATERIAL E MÉTODOS
A condução do experimento foi realizada na área de Olericultura Orgânica de Centro de Estações Experimentais do Canguiri (CEEx) da Universidade Federal do Paraná, no município de Pinhais, no estado do Paraná, com as coordenadas: 25º 23' 25'' S e 49º 07' 30''. O clima desta região é classificado como Cfb (subtropical úmido, sem estação seca, com verões suaves e invernos relativamente frios), segundo Köppen, e o solo é Latossolo Vermelho Amarelo de textura argilosa e relevo suave ondulado (Embrapa, 1999).
Foram utilizadas 72 plantas de morango cv. Diamante importadas do Chile, que foram implantadas em canteiros feitos com rotoencateirador, cobertos com plástico preto (mulch) em túnel baixo coberto com filme plástico para cultivo protegido.
O delineamento experimental foi inteiramente ao acaso, com três repetições, conduzido em esquema de parcelas subdivididas 2 x 5, sendo aplicadas uma dose de quitosana (2%), além da testemunha, com aplicação de água.
A aplicação dos tratamentos foi realizada utilizando um pulverizador pressurizado com CO2, com pressão constante (45 lib pol-²), onde foram aplicadas 25 ml de solução no solo ao redor do colo das plantas. As aplicações ocorreram nos dias 27/08, 10/09, 24/09, 08/10, 22/10, 05/11 e 19/11.
A primeira avaliação iniciou-se no dia 03/10/2010, aos 14 dias após a primeira aplicação (DAP), com intervalos regulares de 14 dias entre avaliações (14, 28, 42, 56, 70 DAP), somando 5 avaliações.
Nas avaliações, observou-se: o diâmetro médio dos frutos (DMF), o peso médio de frutos por planta (PMF), o número médio de frutos por planta (NMF) e a produtividade média por planta (PM).
Os dados foram testados quanto à homogeneidade de variância pelo teste de Bartlett, e para as variâncias homogêneas, procedeu-se a ANOVA, em seguida aplicou-se o teste de Tukey a 5% de probabilidade. Utilizou-se em toda análise o software estatístico MSTAT-C, versão 2.11.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os valores médios das características avaliadas encontram-se na Tabela 1. Observou-se que o DMF não variou ao longo das avaliações, exceto na primeira avaliação da testemunha. Em todas as datas de avaliação, plantas de morango com a aplicação de quitosana apresentaram maiores diâmetros médios, não sendo observadas diferenças com relação à testemunha, apenas aos 28 e 42 dias após a primeira aplicação dos tratamentos (DAPA).
Em relação ao PMF, é possível perceber a irregularidade de produção já conhecida desta cultura. O maior PMF foi observado no tratamento com 2% de quitosana aos 14 e 70 DAPA (29,5 e 29,75 g, respectivamente), porém sem diferir da testemunha, aos 28 e 42 DAPA (18,8 e 16,67 g respectivamente). Ao observar o conjunto dos dados, em resultados absolutos, a aplicação de quitosona promoveu maior peso médio de frutos, corroborando com resultados encontrados por Abdel-Mawgoud et al. (2010), que encontram respostas positivas com a aplicação de quitosana para este mesmo parâmetro, assim como os demais parâmetros de qualidade de frutos para a mesma espécie.
Com relação ao NMF, foi constatada apenas a diferença entre as datas de avaliação, não sendo observadas diferenças entre os tratamentos, exceto aos 28 DAPA, onde a aplicação de quitosana apresentou maior NMF, corroborando com resultados encontrados por Abdel-Mawgoud et al. (2010), que observaram maior incremento na produção total de frutos de morango por planta, aplicando 2% de quitosana, atribuindo tal efeito ao incremento na concentração de nitrogênio total, em função dos aminoácidos presentes na quitosana, além do potássio, que atua diretamente sobre os na translocação de fotoassimilados para frutos.
A PM foi diretamente influenciada pelo uso da quitosana, sendo superior em todas as datas, no tratamento com sua aplicação, quando comparada a testemunha, sendo a maior PM observada aos 28 DAPA. Segundo Boonlertnirun et al. (2008), tal fato pode ser atribuído a fonte de carbono fornecida pela quitosana para os microrganismos do solo, ajudando a acelerar o processo de mineralização da matéria orgânica e liberação de nutrientes, facilitando sua absorção pelas plantas. Além disso, de acordo com Otha et al. (2000) a quitosana possui em sua constituição química cerca de 6,9 a 8,7% de nitrogênio, o que pode promover aumento no crescimento vegetativo e reprodutivo em algumas plantas.
Boonlertnirun et al. demonstrou que a quitosana permanece disponível por mais tempo no solo do que nas folhas e possui cargas positivas que podem se ligar com as cargas negativas dos nutrientes presentes no solo, facilitando a absorção pelas plantas e elevando a produtividade. Esse fato pode ter favorecido o maior contato entre a planta e o nutriente, que só ocorreu porque a aplicação durante o experimento foi feita na região do colo da planta.
Concluiu-se que a aplicação de 2% de quitosana em morangueiro cv. Diamante, em sistema orgânico, promoveu aumento no diâmetro médio de frutos e na produtividade.
REFERÊNCIAS
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Tabela 1. Diâmetro médio de frutos (DMF), peso médio de frutos (PMF), número médio de frutos
(NMF) e produtividade média por planta (PMP) do morangueiro cv. Diamante em função do uso de quitosana [Mean fruit diameter (DMF), mean fruit weight (PMF), mean number of fruits (NMF) and mean productivity per plant (PMP) in strawberry cv. Diamante in function of chitosan use]. Curitiba, UFPR, 2012¹.
Tratamentos
Dias após a primeira aplicação dos tratamentos (DAPA)
14 28 42 56 70 DMF (mm) Testemunha 16,45 b B 30,43 a A 31,16 a A 28,26 b A 29,53 b A Quitosana 2% 38,08 a A 34,44 a A 31,62 a A 34,28 a A 38,74 a A DMS dose 4,33 DMS data 7,22 CV% dose 1,45 CV% data 6,67 PMF (gr) Testemunha 10,75 b C 18,88 a A 16,67 a AB 12,67 b BC 14,00 b ABC Quitosana 2% 29,50 a A 21,83 a B 17,41 a B 21,73 a B 29,75 a A DMS dose 3,10 DMS data 4,92 CV% dose 6,49 CV% data 7,36 NMF Testemunha 1,00 a B 3,00 a B 5,50 b A 3,00 a B 2,00 a B Quitosana 2% 1,00 a C 3,50 a B 8,00 a A 4,00 a B 1,50 a C DMS dose 2,06 DMS data 1,64 CV% dose 40,60 CV% data 14,16 PM (gr planta-¹) Testemunha 21,50 b D 55,50 b B 92,00 b A 38,00 b C 28,00 b D Quitosana 2% 29,50 a E 76,00 a C 140,00 a A 88,00 a B 39,00 a D DMS dose 7,3 DMS data 9,56 CV% dose 7,15 CV% data 4,46
¹As médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna e maiúscula na linha, não diferem estatisticamente entre si pelo Tukey a 5%. (Means followed by the same letter do not differ significantly, according to Tukey’s test p<0.05)