COMISSÃO DE ENSINO MÉDIO E EDUCAÇÃO SUPERIOR Parecer nº 101/2006
Processo UERGS nº 1.224/19.50/05.1
Reconhece o Curso de Graduação em Dança: Licenciatura, proposto pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul - UERGS, em Convênio com a Fundação Municipal de Artes de Montenegro – FUNDARTE, em Montenegro, para fins de expedição e de registro de diplomas dos alunos que iniciaram esse curso até o primeiro semestre de 2004.
RELATÓRIO
A Universidade Estadual do Rio Grande do Sul – UERGS – encaminha a este Conselho documentação referente ao Curso de Graduação em Dança, que é desenvolvido em Convênio com a Fundação Municipal de Artes de Montenegro – FUNDARTE, em Montenegro, com vistas ao seu reconhecimento.
2 - O processo está instruído de acordo com a Resolução CEED nº 277, de 18 de agosto de 2004.
3 - Do Volume I, destacam-se as seguintes peças:
3.1 – Ofício nº 631/2005 do Gabinete da Reitoria encaminhando o pedido.
3.2 – Cópia do Convênio nº 004/2002 celebrado entre a UERGS e a FUNDARTE, em 17 de janeiro de 2002, cujo objeto é o acordo de cooperação técnica para o desenvolvimento do curso PEDAGOGIA DA ARTE, com qualificação em música, teatro, dança e artes visuais.
3.3 – Cópia do Plano de Trabalho entre a UERGS e a FUNDARTE cujo objeto é o planejamento do curso conveniado.
3.4 – Cópias do primeiro, segundo e terceiro Termo Aditivo ao Convênio nº 004/2002, de 03 de julho de 2002, 6 de janeiro de 2003 e 5 de março de 2004, respectivamente, realizado com o objetivo de alterar cláusulas do convênio original.
3.5 – Cópia do Plano de Trabalho, datado de 5 de março de 2004, com o objetivo de acrescentar, no objeto do Convênio, oitenta vagas para o ano de 2004.
3.6 – Cópia da retificação ao terceiro Termo Aditivo, datado de 2 de julho de 2004, constituindo-se objeto alterar o item 3 – “Plano de Aplicação de Recursos” - do Plano de Trabalho de 2004;
3.7 - Cópia do TERMO DE RETIFICAÇÃO E RATIFICAÇÃO AOS ACORDOS DE COOPERAÇÃO CELEBRADOS COM INSTITUIÇÕES DE ENSINO, datado de 8 de dezembro de 2004.
3.8 - Cópia do Parecer CEED nº 480/2002, que autorizou o funcionamento dos cursos solicitados pela UERGS, por prazo determinado, onde está discriminado na área da educação o Curso de Pedagogia da Arte – Dança, em Montenegro.
3.9 – Cópia do Parecer CEED nº 1.150/2002, de credenciamento da UERGS, destacando a Resolução CEED nº 263, de 24 de outubro de 2001, que afirma As universidades serão credenciadas por ato deste Conselho, tendo por base a autorização dos cursos de graduação propostos (...) que constituirão sua oferta inicial de ensino.
3.10 – Cópia da AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE ENSINO DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA DA ARTE DA UERGS, realizada por professores da Universidade de São Paulo – USP – e da Universidade Federal da Bahia – UFBA – por iniciativa da própria UERGS, de onde se destacam as seguintes observações:
a) O Curso é bem administrado, e pela sua importância e amplitude, recomenda-se a ampliação do quadro docente e de funcionários técnico-administrativos para aperfeiçoamento da estrutura acadêmica. Outrossim, é fundamental que se forme um Colegiado do Curso;
(...)
c) O estágio supervisionado faz parte do curso, com a carga horária adequada...;
d) A maioria dos docentes tem experiência artística na área em que leciona. (...) Todos os docentes do curso possuem formação adequada às disciplinas que ministram...;
(...)
g) A Organização Didático-Pedagógica revela uma instituição bem organizada, com necessidade de redimensionamento do Projeto do Curso para que se transforme em quatro licenciaturas específicas, e ampliação de seu quadro docente e de funcionários para atender a crescente demanda;
h) Os estudantes revelam-se integrados e comprometidos com o curso. (...) No currículo existe relação entre teoria e prática, entre componentes artísticos e formação pedagógica;
i) O curso é considerado essencial para o desenvolvimento social regional no Rio Grande do Sul. (grifos da relatora)
3.11 – Ata da reunião de professores sobre os pareceres para reconhecimento do Curso de Pedagogia da Arte, realizada em 27 de maio de 2005, de onde se destacam as seguintes manifestações feitas na referida reunião:
a) Comentou-se que o grupo de alunos está lutando para manter a concepção do curso e não propriamente o nome de Pedagogia da Arte;
b) (...) o curso não é de bacharelado e licenciatura, mas uma terceira idéia que contempla as duas concepções. Reforçaram a necessidade de encontrar uma nomenclatura que traduza esta perspectiva;
c) (...) Quanto à natureza do curso, os professores acatam a sugestão dos pareceristas de desmembrá-lo em 4 cursos e insistem na busca de amparo legal para nomeá-los como Curso de Graduação em Artes Visuais – licenciatura e bacharelado; Curso de Graduação em Dança – licenciatura e bacharelado; Curso de Graduação em Música - licenciatura e bacharelado; Curso de Graduação em Teatro – licenciatura e bacharelado, uma vez que a carga horária de cada um
deles é de 3.230 horas o que contempla 2.420 horas equivalentes aos estudos de bacharelado e 810 horas equivalentes aos estudos de licenciatura. Segundo o Parecer CNE/CES n
º
329/2004 a exigência para cursos de bacharelado é de 2.400 horas e para os cursos de Licenciatura é exigido 400 horas de estágio supervisionado. Ambas as especificidades são cumpridas pelo curso. O curso em questão tem 3030 horas (2.820 horas obrigatórias, 210 horas eletivas) acrescidas de 200 horas atividades complementares o que totaliza 3.320 horas. (grifos da relatora)3.12 – Plano de Curso onde, além de informações gerais sobre o curso, destaca-se: (...)
2.1 Objetivos: (...) formando profissionais na área de Artes que atuarão tanto como artistas quanto como professores no ensino fundamental e médio (...);
2.2 Profissionais a serem formados: A UERGS e a FUNDARTE pretendem a formação de um professor/artista (...) que não dicotomize o fazer artístico e o fazer pedagógico (...).
O Professor de Dança egresso desse curso será capaz de entender a arte como agente que desempenha um papel vital na Educação e na vida em geral, expressar conceitos e sensibilidade através do movimento, dominando princípios da dança contemporânea, de forma a atuar tanto como bailarino quanto como professor; (...)
2.3 Objetivos pretendidos pelo Curso de Pedagogia da Arte: (...) formar um profissional
da arte em suas dimensões política, epistemológica e estética, apto a desenvolver estratégias educativas democratizadoras do acesso, do conhecimento em arte e gestão educacional.
2.4 Justificativa da criação do Curso de Pedagogia da Arte: (...) Diferentemente da maior
parte dos cursos de artes no País, que forma, preferencialmente, o músico erudito, o ator, o bailarino, o artista ou o professor, a presente proposta caracteriza-se por estimular a formação de um profissional que transita entre o fazer artístico e pedagógico, possuindo uma formação ao mesmo tempo específica e integrada com os elementos da pedagogia geral e das diferentes linguagens artísticas, dando ênfase à especificidade regional e à diversificação do mundo do trabalho.
Embora os cursos de graduação em Artes, no Brasil, enfatizem a dicotomia licenciatura/bacharelado e, conseqüentemente, artista/professor, a realidade profissional mostra que a ampla maioria dos egressos desses cursos precisa recorrer a distintas possibilidades de trabalho, sendo artista e professor ao mesmo tempo, embora, com uma formação voltada somente para um dos caminhos.
É pensando neste mercado diversificado e emergente (...) que esse curso propõe a formação de um profissional que pode atuar tanto em um grupo artístico, como numa ONG, ou no ensino formal.
O próprio desenvolvimento da arte e da educação mostra que as concepções mais contemporâneas de ensino da arte, propõem uma qualificada integração artista/professor. (grifos da relatora)
(...)
2.5 Organização do Ensino: 2.5.1 Referenciais metodológicos:
a) A formação integral ou omnilateral. (...)
c) A relação entre teoria e prática.(...) d) A flexibilidade curricular. (...)
2.5.2 Eixos Temáticos e componentes curriculares do curso:
Os eixos temáticos (...) têm o objetivo de articular e orientar um conjunto de componentes curriculares a partir da necessária postura interdisciplinar (...)
Os componentes curriculares (...) têm como um dos princípios educativos a inserção do aluno da UERGS nos processos educativos regionais (...)
Como eixos temáticos verticais, temos: a música, o teatro, a dança e as artes visuais. Como eixos temáticos horizontais, temos: os estudos pedagógicos e as teorias e práticas artísticas das diferentes linguagens, bem como, os estudos de português e da língua estrangeira. Como eixos temáticos transversais temos: os trabalhos interdisciplinares e os trabalhos de pesquisa. Os componentes curriculares compõem-se, ainda, de: Disciplinas Específicas da formação técnica, disciplinas pedagógicas e disciplinas comuns a todas as áreas.
2.5.3 Base Curricular: O curso está organizado em quatro distintas qualificações
(música, teatro, dança e artes visuais). Existe três grupos de componentes curriculares: as disciplinas específicas da linguagem artística; as disciplinas específicas da formação pedagógica e as disciplinas interdisciplinares e/ou complementares. (...)
2.5.4 Política de estágio supervisionado:
As situações de prática docente estarão distribuídas dentro dos componentes curriculares (...) desde o segundo semestre do curso, totalizando 450 h/a de atividades de teoria e prática docente.
(...)
O estágio supervisionado de 420 h/a, acontecerá em três semestres letivos consecutivos (...) O primeiro estágio acontecerá no ensino informal e o segundo e terceiro no ensino fundamental e médio. (grifos da relatora)
3.13 - São itens integrantes do Plano de Curso a organização do trabalho docente, do professor e regime de trabalho, as diretrizes de avaliação, a infra-estrutura, ementas e bibliografias.
3.14 – Curriculum Vitae de integrantes da Reitoria e da coordenação do curso.
3.15 – Quadro com a relação de profissionais que atuam no Curso Pedagogia da Arte – Qualificação em Dança, onde consta a titulação e as disciplinas ministradas.
3.16 – Listagem dos professores do curso, emitida pela FUNDARTE em junho de 2005, acompanhada do curriculum vitae de cada um deles, composta por seis graduados, um bacharel, sete especialistas, doze mestres e quatro doutores.
3.17 – Cópia do Plano de Carreira da FUNDARTE. 3.18 - Cópia do Plano de Remuneração da FUNDARTE.
3.19 - Regime escolar adotado, número de vagas anuais do curso, turnos de funcionamento e dimensão das turmas.
3.20 – Listagem contendo estrutura física e equipamentos da FUNDARTE à disposição do Curso de Pedagogia da Arte, em atendimento ao Convênio nº 004/2002 entre a UERGS/FUNDARTE.
4 - Integram o Volume II as seguintes peças:
4.1 – Listagem da UERGS, continuando a apresentação do Sistema de Controle de Patrimônio.
4.2 – 2ª Parte dos Documentos para reconhecimento do Curso de Graduação em Dança, onde consta:
4.2.1 – a descrição das bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da UERGS, termos de compromisso para empréstimos entre bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e listagem do acervo e periódicos da Instituição;
4.2.2 – cópia da documentação fiscal e parafiscal da UERGS; 4.2.3 – Estatuto da UERGS;
4.2.4 - cópia repetida do Convênio nº 0004/2002 celebrado entre a UERGS e a FUNDARTE;
4.2.5 – Decreto nº 2.905, de 28 de novembro de 2001, que Aprova o novo ESTATUTO da Fundação Municipal de artes de Montenegro, e dá outras providências;
4.2.6 – Estatuto da FUNDARTE;
4.2.7 – Cópia da Resolução CONSUN nº 9/2005, publicada no Diário Oficial do Estado, de 3 de agosto de 2005, que altera a denominação do curso Pedagogia da Arte – Qualificação em Dança, para Graduação em Dança: Licenciatura;
4.2.8 – Ofício nº 761 de 22 de agosto de 2005, do Gabinete da Reitoria, solicitando a seguinte retificação: - onde lê-se, ‘ visando a regularização da autorização de funcionamento do curso’ (...), leia-se, visando a obtenção de reconhecimento do curso; (sic)
4.2.9 – Portaria nº 45 da Presidência do CEED, de 10 de outubro de 2005, designando os membros da Comissão de Avaliadores com vistas ao reconhecimento do curso;
4.2.10 – Termo de Visita da Comissão de avaliadores designada pelo CEED, datado de 13 de outubro de 2005;
4.2.11 – Anexo 2 – PLANILHA DE REGISTRO – RECONHECIMENTO DO CURSO; 4.2.12 – RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO PARA O RECONHECIMENTO DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM DANÇA DA UERGS, datado de 13 de outubro de 2005;
4.2.13 – Documento subscrito pela Conselheira Presidente da Comissão de Avaliadores do Curso de Graduação em Dança da UERGS, encaminhando documentos para serem anexados ao processo, datado de 12 de dezembro de 2005;
4.2.14 – Documento subscrito pela Coordenação do Centro Acadêmico da UERGS, dirigido ao Conselho Estadual de Educação, onde solicita aos Conselheiros pareceristas do Conselho Estadual de Educação, uma atenção maior ao analisarem o Curso ‘Pedagogia da Arte, Artes Visuais, Dança, Música e Teatro’. Pedimos isto pelo fato de que já há um indicativo da atual Reitoria em reconhecê-lo como Licenciatura, isso reduz o nosso campo de atuação;(sic)
4.2.15 – cópia de Abaixo Assinado, contendo 168 (cento e sessenta e oito) assinaturas identificáveis, cujo cabeçalho informa que A comunidade acadêmica do Curso de Pedagogia da Arte – qualificação em dança, teatro, música e artes visuais, da Unidade de Montenegro, vem por meio desse, manifestar sua posição contrária a proposta de transformação do curso em quatro
4.2.16 – cópia de documento subscrito pelo corpo docente dos Cursos de Graduação em Música, Teatro, Dança e Artes Visuais, da Unidade Montenegro, da FUNDARTE/UERGS propondo compartilhar com a comunidade universitária as discussões travadas internamente a partir da deflagração do processo de alteração da idéia original do curso de Pedagogia da Arte, de onde se destacam os seguintes argumentos:
(...)
Quando o curso de Pedagogia da Arte foi formulado e proposto(...) visava à formação de um professor-artista ou, ainda, de um artista-professor.
A aglutinação desses vocábulos, (...) tinha um objetivo preciso, a saber: contemplar a diversidade de exigências que o mundo do trabalho, na área das artes, propõe aos egressos de um curso de graduação.
(...)
Nesses quatro anos de trabalho, os cursos de graduação em arte (...) têm procurado restabelecer um equilíbrio entre a formação artística e pedagógica.(...)
Esse trabalho tem dado muitos frutos , pois um currículo rigoroso que atende tanto as diretrizes da formação de professores, quanto da formação artística, tem sido colocado em prática(...) Esse profissional trabalha em arte e não apenas sobre arte. Ele ensina porque conhece e faz arte.
(...) a idéia de uma licenciatura reduz de modo significativo a formação artística (...) O processo dessa alteração foi, em nossa opinião, um pouco apressado e sem o tempo necessário a uma discussão mais aprofundada. Além disso, o corpo docente não se sente incluído no debate, nem representado (...)
Todo esse processo nos deixou bastante confusos e com a sensação de que nosso trabalho e esforço estão sendo apenas coadjuvantes num processo em que gostaríamos de ter participação.
(...)
No parecer de autorização dos cursos consta a necessidade de adequação às normas legais. (...) Esses ajustes foram (...) feitos no primeiro semestre de 2002.
Essa autorização dos cursos nos parece expressar a intenção do Conselho Estadual de Educação de reconhecer os cursos conforme sua concepção inicial e criar, no âmbito estadual, a legislação que dará suporte a uma graduação que não necessita estar acompanhada dos termos licenciatura ou bacharelado e, ainda assim, validar nacionalmente os diplomas dos egressos como professores das séries finais do ensino fundamental e do ensino médio, além de artistas. Não podemos dizer que essa intenção encontrará barreiras legais, pois não encontramos (...) vetos a essa idéia em nenhum dos conjuntos de normatizações e Leis da Educação.
(...)
Isso garantiria o acesso dos egressos aos concursos públicos para professor, tanto quanto ao registro profissional da área respectiva das artes;
4.2.17 – Informação CEED Nº 587/2005, orientando a UERGS a retificar seu requerimento inicial, adequando o pedido ao curso efetivamente autorizado pelo CEED e regularmente cursado pelos graduandos;
4.2.18 – cópia de documento, sem data, subscrito pelo Reitor da UERGS em resposta à Informação CEED nº 587/2005.
ANÁLISE DA MATÉRIA
5 – Este Colegiado autorizou o funcionamento do Curso Pedagogia da Arte – Dança, no município de Montenegro, junto à Fundação Municipal de Artes de Montenegro – FUNDARTE, pelo Parecer CEED nº 480/2002, em 15 de abril de 2002, determinando providências que foram consideradas cumpridas no Parecer CEED nº 1.071/02 aprovado em sessão plenária de 25 de setembro de 2002.
6 – A partir do disposto no artigo 4º da Resolução CEED nº 263, de 24 de outubro de 2001, este Conselho, pelo Parecer CEED nº 1.150/2002, credenciou a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul – UERGS – tendo por base a autorização dos cursos propostos (...) que constituirão sua oferta inicial de ensino.
7 – O CEED informou à UERGS que uma Comissão, instituída por este Conselho, visitaria o local em que é desenvolvido o curso e que todos os dispositivos necessários para sua avaliação deveriam estar disponíveis.
8 - A visita foi realizada no dia 13 de outubro de 2005 e, na oportunidade, além da verificação realizada nas dependências da FUNDARTE e da análise dos documentos disponibilizados, foram realizadas reuniões com alunos, professores e coordenação do curso a fim de recolher informações referentes ao curso desenvolvido.
9 – Nessas reuniões, foi reiterada a preocupação do corpo diretivo, discente e docente com o caráter do diploma a ser expedido após o ato de reconhecimento, tendo em vista a reivindicação para que ele seja fiel à graduação cursada que, conforme a proposta pedagógica, visa a formar um profissional que atuará tanto como artista quanto como professor, não dicotomizando o fazer artístico do fazer pedagógico.
10 – A Comissão de Avaliação, instituída por este Conselho, que visitou as dependências da FUNDARTE com vistas ao reconhecimento do curso autorizado pelo Parecer CEED nº 480/2002, emitiu relatório do qual se destaca:
O curso de graduação em Dança apresenta um projeto pedagógico consistente e inovador. Existe coerência entre os conteúdos curriculares com os objetivos do curso, o perfil dos egressos, as diretrizes curriculares nacionais, assim como a adequação metodológica e interrelação entre as disciplinas propostas e os eixos temáticos que a organizam.
A interrelação percebida expressa-se tanto no engajamento dos professores e dos alunos com a proposta do curso, como nas atividades complementares nos três estágios supervisionados previstos e nos trabalhos de conclusão dos formandos.
(...)
O espaço físico, os equipamentos e os serviços oferecidos e prestados pela FUNDARTE, são organizados e atendem as necessidades e peculiaridades do curso.
(...)
Destaca-se a preocupação da coordenação e dos docentes dessa unidade em relação a produção acadêmica e participação em grupos de pesquisa em arte: criação, interdisciplinaridade e educação, projetos de extensão, a participação e organização de Seminários nos dois semestres bem como a editora da FUNDARTE que edita a Revista de mesmo nome.
12.1 – O pedido inicial encaminhado pela Reitoria visava a regularização da autorização do funcionamento do Curso de Graduação em Dança: licenciatura, tendo em vista que o curso autorizado por este Conselho e, em vias de reconhecimento, possui outra denominação e outro caráter.
12.2 – Os documentos referentes ao projeto pedagógico, ao convênio feito entre a UERGS e a FUNDARTE, assim como os Planos de Trabalho e suas retificações, os três termos aditivos e o termo de retificação e ratificação realizados, são todos relativos ao curso PEDAGOGIA DA ARTE, com qualificação em música, teatro, dança e artes visuais.
12.3 – A AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE ENSINO DO CURSO DE
GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA DA ARTE DA UERGS, elaborada por consultores externos da
Universidade de São Paulo –USP – e da Universidade Federal da Bahia – UFBA, contratados pela UERGS afirmam que no currículo existe relação entre teoria e prática, entre componentes artísticos e formação pedagógica; que o curso é considerado essencial para o desenvolvimento social e regional no Rio Grande do Sul e apontam a necessidade de redimensionamento do Projeto do Curso para que se transforme em quatro licenciaturas específicas. (grifos da relatora)
12.4 – As afirmações reconhecem o caráter inédito do curso e, ao mesmo tempo, apontam que, para se transformarem em quatro licenciaturas específicas, é necessário fazer um redimensionamento do Projeto do Curso. É uma orientação coerente, pois um curso que habilita especificamente para uma licenciatura não necessitaria, obrigatoriamente, oferecer a carga horária que oferece, para citar apenas um exemplo de aspectos que poderiam ser redimensionados se a Reitoria e a comunidade acadêmica assim os avaliassem.
12.5 – O saber construído pela humanidade, ao longo de sua história, já nos ensinou, tanto pelo estudo como pela prática, que nomes não alteram a essência das coisas ou dos seres. Portanto, adequar a denominação de um curso é perfeitamente viável e a UERGS já tomou essa atitude em outros cursos que oferta, obtendo a concordância do Conselho Estadual de Educação para isso, como foi o caso do curso de Pedagogia – Anos Iniciais do Ensino Fundamental: Crianças, Jovens e Adultos, que teve três denominações sem, com isso, modificar a habilitação final dos universitários.
12.6 – Conforme cópia da RESOLUÇÃO CONSUN Nº 9/2005, publicada Diário Oficial do Estado, de 3 de agosto do mesmo ano, ficou alterada a denominação do Curso Pedagogia da Arte – Qualificação em Dança, para Graduação em Dança: Licenciatura. Apesar dessa alteração, o redimensionamento proposto para alterá-lo para licenciatura não ocorreu, permanecendo seu caráter original.
13 - Todo curso devidamente autorizado e em desenvolvimento pode sofrer as alterações necessárias visando a sua qualificação, garantido o direito dos alunos em obter um diploma condizente com a formação obtida na Universidade. Entretanto, a mudança do nome do Curso em questão, ao contrário, reduz a ampla formação oferecida pela UERGS ao excluir a formação artística de sua habilitação.
14 - O cuidado em preservar o direito de alunos matriculados, e com curso em andamento, está presente nos mais variados documentos deste Conselho como também naqueles exarados pelo Conselho Nacional de Educação. A própria Resolução CNE/CP nº 1, de 18 de fevereiro de 2002, em seu artigo 15, já dava prazo de dois anos para adequação de cursos em funcionamento. As alterações que esse artigo sofreu tanto pela Resolução CNE/CP nº 2, de 27 de agosto de 2004 como pela Resolução CNE/CP nº 1, de 17 de novembro de 2005, embora não digam respeito ao caso específico em questão, respeitam o princípio já consagrado na Constituição Federal, artigo 5º, inciso XXXVI, que expressa: a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.
15 – Este Conselho entende que a autorização concedida pelo Parecer CEED nº 480/2002 consagrou o ato de criação de um curso inovador que ofereceria aos alunos que o procurassem, as habilitações de professor e de artista, conforme a qualificação específica por eles cursada.
16 – Devido a essas constatações, foi entregue à UERGS, em reunião realizada neste Conselho em 22 de dezembro de 2005, a Informação CEED nº 587/2005, apresentando a fundamentação para que a Universidade adequasse o pedido ao processo por ela encaminhado, tendo em vista a discrepância entre as peças e o requerimento apresentado. Mesmo que clara, a orientação exarada por este órgão normativo não foi atendida pela Universidade.
17 – Considerando o documento apresentado pela UERGS, referente à Informação CEED nº 587/2005, destacam-se alguns aspectos que merecem análise mais detalhada:
17.1 – Ao resgatar os termos das providências determinadas no Parecer CEED nº 480/2002, que autorizou os cursos da UERGS, o documento desenvolve uma argumentação no sentido de apontar as determinações do Conselho como responsáveis pela definição do curso autorizado somente sob o aspecto de uma licenciatura. E conclui: Resta, portanto, assentado que o
Conselho Estadual de Educação, ao autorizar o Curso de Pedagogia da Arte, entendeu que este deveria ajustar-se às exigências da legislação federal relativas a ‘cursos de licenciatura’. Cabe
esclarecer que o CEED discutiu profundamente sobre o processo de criação da UERGS e o seu papel na legitimação desta Universidade. De tal forma, toda a análise realizada para fins de autorização envolveu estudos minuciosos, debates e a designação de especialistas de diferentes universidades, em diferentes áreas e que subsidiaram as decisões tomadas por este Colegiado.
17.2 – Ao analisar o curso no aspecto relativo à formação pedagógica, o Conselho Estadual de Educação lançou mão das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica como referência para sua análise, a partir do perfil do egresso apresentado no curso em questão.
17.3 - As Resoluções citadas foram aprovadas após a elaboração e a apresentação do Projeto Pedagógico do curso para análise deste Conselho. As exigências do Parecer CEED n° 480/2002, decorrentes das Resoluções CNE/CP nºs 1 e 2, de 18 e 19 de fevereiro de 2002, respectivamente, referiam-se à carga horária dos estágios. Havia necessidade de adequação à nova norma, tomada como referência para formação de professores na ausência de diretrizes para a Pedagogia e, por isso, foram determinadas providências, consideradas cumpridas pelo Parecer CEED nº 1071/2002.
17.4 – As Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Música, Dança e Teatro que estão contidas no Parecer CNE/CP nº 146, de 13 de maio de 2002, hoje são levadas em conta na análise deste Colegiado com vistas ao reconhecimento do curso em questão. Há compatibilidade com o estabelecido quanto ao projeto pedagógico; a organização curricular; aos estágios e atividades complementares; ao acompanhamento e avaliação, assim como em relação ao trabalho de conclusão.
17.5 – Da mesma forma, nas Diretrizes Específicas por Curso Relatado constantes no mesmo Parecer, há compatibilidade em relação ao perfil desejado do formando, às competências e habilidades a serem desenvolvidas no curso e aos conteúdos curriculares, além de identidade com os paradigmas dessas Diretrizes que, como está expresso, devem induzir à criação de diferentes formações e habilitações para cada área do conhecimento, possibilitando ainda definirem
múltiplos perfis profissionais, garantindo uma maior diversidade de carreiras, promovendo a
integração do ensino de graduação com a pós-graduação, privilegiando, no perfil de seus
Portanto, é equivocado afirmar que o Conselho Estadual de Educação autorizou somente uma licenciatura quando da sua análise do curso de Pedagogia da Arte. A autorização concedida envolveu a formação proposta originalmente em toda sua amplitude.
17.6 - Ao discorrer sobre a natureza do diploma, o documento enviado pela UERGS cita as Leis federais nº 6.533, de 24 de maio de 1978 e nº 3.587 de 22 de dezembro de 1960, (artigo 28, alíneas “a” e “e”) que versam sobre o registro do artista e da atividade profissional do músico, respectivamente. Da leitura dessas leis, a UERGS afirma que O exame dos textos legais acima referidos mostra muito claramente que o registro profissional para o exercício de atividades
artísticas requer apenas diploma de curso superior, sem referência a bacharelado ou licenciatura.
Do exposto segue-se, com nitidez, que o diploma de licenciatura não implicará em restrição
alguma de uma futura atividade profissional como artista, em qualquer uma das áreas
consideradas.
Diante da ênfase dessas afirmações, cabe destacar o expresso na legislação e que foi ressaltado pela UERGS:
a) Lei federal nº 6.533, de 24 de maio de 1978, artigo 7º: Para registro do Artista ou do Técnico em Espetáculo de diversões, é necessário a apresentação de:
I – diploma de curso superior de Diretor de Teatro, Coreógrafo, Professor de arte Dramática, ou outros cursos semelhantes, reconhecidos na forma da Lei; ou (...) (grifos da relatora) b) Decreto nº 82.385, de 5 de outubro de 1978, que regulamentou a Lei, prevê no artigo 8º: Para registro do artista ou do Técnico em Espetáculo de Diversões, no Ministério do Trabalho, é necessária a apresentação de:
I – diploma de curso superior de Diretor de Teatro, Coreógrafo, Professor de Arte Dramática, ou outros cursos semelhantes, reconhecidos na forma da lei; ou (...) (grifos da relatora)
c) Lei federal nº 3.857, de 22 de dezembro de 1960, que cria a Ordem dos Músicos e dispõe sobre a regulamentação do exercício da profissão de músico, em seu artigo 28, alíneas “a” e “e” determina:
Art. 28 – É livre o exercício da profissão de músico, em todo o território nacional, observados os requisitos da capacidade técnica e demais condições estipuladas em lei:
a) aos diplomados pela Escola Nacional de Música da Universidade do Brasil ou por estabelecimentos equiparados ou reconhecidos;
(...)
e) aos alunos dos dois últimos dos cursos de composição, regência ou de qualquer instrumento da Escola Nacional de Música ou estabelecimentos equiparados ou reconhecidos;
Na legislação citada, as exigências de formação são específicas e não genéricas. Não está presente uma amplitude que leve alguém a inferir que um artista poderá ser reconhecido portando apenas um diploma de curso superior, independentemente da sua natureza, como afirma a Universidade. O que a Lei confere é a abertura para outros cursos semelhantes, reconhecidos na forma da lei. No entendimento deste Colegiado, ao propor um curso que forma, além do professor o artista, e obtendo seu reconhecimento, a UERGS alcança o patamar de curso semelhante, oferecendo as condições para que os alunos egressos desse curso obtenham o registro de artista e a possibilidade do exercício profissional. (grifos da relatora)
17.7 – Na conclusão, ainda afirma o documento: (...)
2. A legislação vigente prevê três e somente três tipos de diploma da cursos de graduação: bacharelado, licenciatura e tecnólogo. Em lugar algum é sequer mencionado um diploma de bacharel licenciado. (sic)
(...)
Essa conclusão é antecedida por uma afirmativa que refere se for consultado o portal da Secretaria de Educação Superior do MEC, ela será confirmada. Cabe, então, reproduzir o que diz essa Secretaria sobre o assunto:
Cursos de Graduação:
Cursos que preparam para uma carreira acadêmica ou profissional podendo estar ou não vinculado a conselhos específicos. São os mais tradicionais e conferem diploma com o grau de Bacharel ou título específico (ex: Bacharel em Física), Licenciado (ex: Licenciado em Letras), Tecnólogo (ex: tecnólogo em Hotelaria) ou título específico referente à profissão (ex: Médico). (grifos da relatora)
(...)
Os cursos de graduação podem oferecer uma ou mais habilitações.
17.8 - Da afirmação feita pela Universidade, foi eliminada a referência quanto à possibilidade tanto de título específico referente à profissão como a de oferecer uma ou mais habilitações. Além disso, interpreta como exclusivo aquilo que o Ministério da Educação chama de tradicionais.
18 - É importante destacar que, em nenhum momento da Informação CEED nº 587/2005 ou ao longo deste Parecer, este Colegiado apontou para a discussão que a UERGS, equivocadamente, entendeu ser sobre diploma de bacharel - licenciado. A preocupação deste Conselho é garantir o direito aos alunos em obter seu diploma com o registro de professor e de artista, pois foram as habilitações cursadas. Habilitações essas, fator de mobilização que os levou a buscar o curso oferecido originalmente pela UERGS e devidamente autorizado pelo Conselho Estadual de Educação, dentro de suas atribuições e embasado nas normas gerais pertinentes.
19 - As especialistas designadas pelo CEED para avaliar o Curso de Graduação em dança com vistas ao seu reconhecimento compartilham, da mesma forma, dessa opinião. Tanto é verdade que houve o cuidado de expressar essa análise em seu Parecer Final, afirmando:
Pelo exposto, somos de parecer favorável ao reconhecimento do curso avaliado. Recomendamos que, em função do currículo, das disciplinas específicas e da carga horária total do curso, coerente com a proposta pedagógica, a denominação mais adequada seja: GRADUAÇÃO EM DANÇA, com o devido apostilamento de habilitação Professor/artista, conforme projeto original do curso. (grifos da relatora)
20 – Procedimentos formais exigem que o Parecer resultante da análise de um processo atenda ou não o pedido formulado. Essa exigência leva este Conselho a acolher o pedido e reconhecer o Curso de Graduação em Dança: Licenciatura.
21 – Entretanto, tal reconhecimento não pode ser sinônimo de sonegação de direitos. Se decidisse nessa direção, após toda a análise presente neste Parecer, o CEED, além de legalizar um ato que está sendo problematizado devido ao período em que foi realizado, estaria sendo omisso diante do risco de serem gerados danos ao Estado, no caso de uma pessoa, julgando-se prejudicada, buscar reparação em outras instâncias.
22 – O Projeto Pedagógico, o Plano do Curso, os termos do Convênio nº 0004/2002 e seus aditivos, peças que compõem o presente processo, levam este Conselho a reconhecer o conjunto de conhecimentos, atributos e competências que habilitam os alunos como artistas e como professores.
23 – Dentro de suas atribuições e, a partir do reconhecimento expresso no item anterior, o Conselho Estadual de Educação aponta a necessidade de ficar registrado no diploma desses alunos as habilitações oferecidas pela Universidade ao longo do desenvolvimento desse Curso, quais sejam: Professor de Dança nos Anos Finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio e Bailarino.
CONCLUSÃO
24 – Face ao exposto, a Comissão de Ensino Médio e Educação Superior propõem que este Conselho reconheça o Curso de Graduação em Dança: Licenciatura, proposto pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul – UERGS, em convênio com a Fundação de Artes de Montenegro – FUNDARTE, em Montenegro, com a ressalva feita no item 23, para fins de expedição e registro de diplomas dos alunos que iniciaram este curso até o primeiro semestre de 2004, nos termos deste Parecer.
Em 23 de janeiro de 2006.
Maria Eulalia Pereira Nascimento – relatora Renato Raúl Moreira
Antonia Carvalho Bussmann
Antônio Maria Melgarejo Saldanha Augusto Deon
Cecília Maria Farias Bujes Lenio Sergio Camargo Mancio
Aprovado, por maioria, em sessão plenária de 31 de janeiro de 2006, com voto contrário dos Conselheiros Antonia Carvalho Bussmann, Augusto Deon, Elcira Lourdes Machado Bernardi, Leda Maria Seffrin e Vera Luiza Rübenich Zanchet e abstenção dos Conselheiros Antônio Maria Melgarejo Saldanha, Lenio Sergio Camargo Mancio e Terezinha Galdino da Silva Azzolin.
Sônia Maria Seadi Veríssimo da Fonseca Presidente