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GÊNERO EM PERSPECTIVA: ESTUDOS HISTÓRICOS A PARTIR DAS AUTORAS JOAN SCOTT E MARIA ODILA DIAS. Natália Nogueira de Camargo, Profª Drª Edilene Toledo

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Academic year: 2021

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GÊNERO EM PERSPECTIVA: ESTUDOS HISTÓRICOS A PARTIR DAS AUTORAS

JOAN SCOTT E MARIA ODILA DIAS

Natália Nogueira de Camargo, Profª Drª Edilene Toledo

Unifesp- Universidade Federal de São Paulo/Departamento de Pós-Graduação em História, Estrada do Caminho Velho,333, Pimentas,Guarulhos, [email protected]

Resumo- Esse artigo tem como objetivo analisar aspectos das teorias de duas autoras referenciais no campo da histórias das mulheres e do feminismo, a saber Joan Scott e Maria Odila Leite da Silva Dias. Partindo de uma breve discussão sobre a história dos conceitos de Reinhardt Koselleck, o artigo analisa o conceito de gênero das referidas autoras, fazendo ao final uma breve comparação entre o pensamento de Scott e Dias. Se por vezes é possível perceber aproximações entre ambas as historiadoras, por outras, são perceptíveis os distanciamentos de Joan Scott e Maria Odila Dias no posicionamento que assumem em relação à própria teoria feminista.

Palavras-chave:Mulheres, Feminismo, Gênero, Teoria Feminista.

Área do Conhecimento: Ciências Humanas. Introdução

O trabalho tem por objetivo discutir a temática dos estudos feministas a partir da perspectiva de duas autoras referenciais nesse campo da história das mulheres: Joan Scott e Maria Odila Leite da Silva Dias. Para tanto, a exposição realizada a seguir irá fazer uma abordagem sobre os principais aspectos das suas teorias, atentando, ao final, para as possíveis semelhanças e diferenças no pensamento dessas historiadoras.

Como ambas as autoras tratam sobre o conceito de gênero optou-se por fazer uma breve discussão sobre a questão da história dos conceitos a partir da obra Futuro Passado –

Contribuições à semântica dos tempos históricos

de Reinhardt Koselleck (2006) em que o historiador entende a história dos conceitos como um ponto de partida para se entender as mudanças da temporalidade, tratando, principalmente, sobre os estudos semânticos dos conceitos ao longo do tempo histórico.

O livro Futuro Passado aborda a definição dos vocábulos semânticos em História. Além disso, Koselleck busca problematizar a historiografia alemã e o desenvolvimento dos conceitos nesse âmbito (SOUSA, 2011).

A observação da semântica dos conceitos contempla passado, presente e futuro. A Revolução Francesa é vista como momento no qual a batalha semântica se modifica, mudando a relação da história com o tempo (novo regime de historicidade) em que o futuro passa não só orientar a história como também permeia as relações sociais. Assim, a partir da Revolução

Francesa os conceitos apontam para o futuro, fazendo história concreta.

Nesse sentido, Koselleck acredita que a história dos conceitos deve contextualizar o campo semântico, vinculando-se à concretude no campo da história.

Na perspectiva teórica-metodológica Reinhardt Koselleck propõe uma relação da história dos conceitos com a história social, sendo que se de um lado a história dos conceitos está preocupada com os vocábulos e os textos ao longo do tempo histórico; a história social se ocupa com os fatos e a dinâmica da sociedade (SOUSA, 2011).

Dessa maneira, o historiador apresenta a história dos conceitos como uma ferramenta metodológica para os historiadores e uma tendência da historiografia. A proposta de Koselleck consiste justamente em mostrar que nos campos historiográficos a história dos conceitos pode ser útil para o historiador tanto na forma teórico-metodológica como na tendência historiográfica (SOUSA, 2011).

Para Koselleck, a história dos conceitos serve para a construção de uma teoria da história preocupada em problematizar e definir a historicidade dos conceitos. Vale a pena lembrar que todo conceito é datado, ou seja, é construído historicamente (SOUSA, 2011).

De uma forma geral, pode-se afirmar que a importância dessa abordagem pode ser expressa através do fato de que é por meio dos conceitos que o historiador pode problematizar tanto a historiografia como a própria história vivida.

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Metodologia

A partir de fichamentos de livros e artigos das autoras Joan Scott e Maria Odila Dias construiu-se o artigo da forma exposta a seguir.

Pelo fato de ambas as autoras tratarem sobre o conceito de gênero, primeiramente optou-se por fazer uma breve discussão sobre a questão da história dos conceitos de Koselleck, posteriormente apresentou-se as principais ideias de Scott e Dias. Tal apresentação foi de grande importância não só por apresentar os principais pressupostos teóricos de cada autora como também por basear a comparação construída ao final desse artigo.

Resultados

O presente trabalho tem como resultados a compreensão do conceito de gênero de duas importantes autoras dos estudos feministas. Além disso, a partir da discussão feita nesse artigo pode-se notar a percepção que Joan Scott e Maria Odila Dias tem sobre a teoria feminista.

Discussão

Na obra Gênero: Uma Categoria Útil para

Análise Histórica Joan Scott (1991) trata sobre o

conceito de gênero partindo da ideia de que este termo, cujas preocupações teóricas só apareceram no final do século XX, faz parte das tentativas levantadas pelas feministas contemporâneas para não só reivindicar um certo campo de definição como também para insistir sobre o caráter inadequado das teorias vigentes em explicar desigualdades existentes entre homens e mulheres.

Dessa forma, no texto Scott aborda inicialmente os vários sentidos que o termo gênero adquiriu ao longo do tempo. O primeiro sentido provém das feministas que começaram a utilizar a palavra gênero no sentido mais literal, como uma maneira de referir-se à organização social da relação entre os sexos.

O segundo sentido é oriundo da gramática em que gênero é compreendido como um meio de classificar fenômenos, correspondendo um sistema de distinções socialmente acordado mais do que uma descrição objetiva de traços inerentes. Além disso, as classificações sugerem uma relação entre categorias que permite distinções ou agrupamentos separados.

O terceiro significado é também proposto pelas feministas, mas agora faz referência a um grupo específico, as feministas americanas, que acreditam que gênero expressa um caráter fundamentalmente social das distinções baseadas

no sexo. Sendo assim, a palavra indicava uma rejeição ao determinismo biológico implícito no uso de termos como “sexo” ou “diferença sexual”.

O quarto e último sentido constitui o próprio conceito de Scott que compartilhando com o terceiro significado entende que o gênero também sublinha o aspecto relacional das definições normativas da feminilidade.

De acordo com Joan Scott (1991), o caráter relacional do gênero surgiu a partir de estudiosas que estavam preocupadas com o fato de que a produção dos estudos femininos centrava-se sobre as mulheres de forma estreita e isolada. Com isso, essas estudiosas utilizaram o termo gênero para introduzir uma noção relacional no vocabulário analítico.

A historiadora (1991) cria uma categoria relacional na medida em que coloca homens e mulheres nas relações de poder e entende que no gênero relacional as mulheres e os homens eram definidos em termos recíprocos e nenhuma compreensão de qualquer um poderia existir através de um estudo inteiramente separado.

É importante comentar que o gênero era um termo proposto por aquelas que defendiam que a pesquisa sobre as mulheres transformaria fundamentalmente os paradigmas em cada disciplina. Para as pesquisadoras feministas o estudo das mulheres acrescentaria novos temas e também iria propor uma reavaliação crítica das premissas e critérios do trabalho científico existente (1991).

Assim, nota-se que inscrever as mulheres na história implica a redefinição e o alargamento das noções tradicionais do que é historicamente relevante para incluir tanto a experiência pessoal e subjetiva quanto as atividades públicas e políticas. Para tanto, segundo a autora, tal metodologia implica não apenas em uma nova história das mulheres, mas sim em uma nova história de forma que a maneira como essa nova história iria incluir e apresentar a experiência das mulheres dependeria da maneira como o gênero poderia ser desenvolvido como categoria de análise (1991).

A categoria gênero funda uma epistemologia feminista porque liberta homens e mulheres das relações patriarcais. Para Scott (1991), a história das mulheres deve ser reescrita a partir de uma epistemologia feminista que considere o gênero como categoria de análise.

Para Joan Scott (1991) o gênero é um elemento constitutivo das relações sociais baseado nas diferenças percebidas entre os sexos, mais precisamente, gênero é a forma primeira que dá significado as relações de poder, é o campo primeiro no seio do qual o poder é articulado.

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Dessa maneira, gênero como substituto de “mulheres” sugere que a informação a respeito das mulheres é necessariamente informações sobre homens, ou seja, o estudo de um implica no estudo do outro. Gênero é também utilizado para designar as relações sociais entre os sexos, se tornando, aliás, uma maneira de indicar as construções sociais constituídas através da criação social das ideias sobre os papéis próprios aos homens e as mulheres (1991).

Em relação às historiadoras feministas percebe-se que estas utilizaram toda uma série de abordagens na análise do gênero que podem ser resumidas em três posições teóricas. A primeira que tenta explicar as origens do patriarcado; a segunda que oriunda da tradição marxista, procura um compromisso com as críticas feministas; a terceira dividida entre o pós-estruturalismo francês e as teorias anglo-americanas das relações de objeto, inspira-se nas várias escolas de psicanálise a fim de explicar a produção e a reprodução da identidade de gênero do sujeito (1991).

Diante dessas posições teóricas, Scott faz a síntese das teorias para se colocar como pós-estruturalista, dando importância ao gênero como estruturante da linguagem, esta entendida por meio daquilo que forma o mundo e suas visões.

Outra temática importante nessa abordagem é a oposição binária definida através da relação masculino-feminino como a única possível e como um aspecto permanente da condição humana. Segundo a autora (1991), é necessário não só rejeitar o caráter fixo e permanente da oposição binária bem como deve-se realizar uma historicização e uma desconstrução autênticas dos termos da diferença sexual.

Scott (1991) ainda chama atenção para o fato de que se deve ficar mais atento às distinções entre o vocabulário de análise e o material que se pretende analisar. Nesse sentido, deve-se analisar no seu contexto a maneira como qualquer oposição binária opera, revertendo a sua construção hierárquica, ao invés de aceitá-la como real ou estando na natureza das coisas.

Joan Scott (1991) mostra também que gênero dialoga com outras questões como classe e raça. O interesse pelas categorias de classe, de raça e de gênero mostram primeiro o compromisso do pesquisador com uma história que inclua a fala dos oprimidos e com uma análise da natureza de sua opressão; evidencia, inclusive, que esses pesquisadores levam em consideração o fato de que as desigualdades de poder estão organizadas, no mínimo, segundo estes três eixos. Assim, para Scott o gênero tem que ser redefinido em conjunção com uma visão de igualdade política e social que seja capaz de

incluir não só o sexo, mas também a classe e a raça.

Maria Odila Leite aborda a teoria e o método dos estudos feministas, propondo tanto que haja uma variedade de olhares a ponto de evitar generalizações nessas abordagens como também repensar os próprios conceitos utilizados na história das mulheres.

As teorias feministas cada vez mais aderem a uma consciência histórica, já que insistem na crítica de dualidades genéricas e de categorias universais herdadas do contexto cultural - o masculino e o feminismo. Partindo dessa ideia, Maria Odila Leite (1992) acredita que libertar-se de categorias abstratas e de idealidades universais como “a condição feminina” é uma preocupação que dá ênfase ao interesse dos pesquisadores em desconstruir valores ideológicos e seguir caminhos do conhecimento histórico concreto que, ao reduzir o espaço e o tempo a fatos restritos e específicos, permitem ao estudioso a descoberta de papéis informais, de situações inéditas que permitem reconstituição de processos sociais fora do seu enquadramento normativo.

Fundamental comentar que documentar o inédito, o atípico não quer dizer apontar o excepcional no sentido episódico ou anedótico, mas encontrar um caminho de interpretação que ajude a desvendar um processo importante e até então invisível devido principalmente à restrição de perguntas formuladas tendo vista estritamente o normativo (LEITE,1992).

Com isso, através de focos narrativos, a hermenêutica do cotidiano procura historicizar aspectos concretos da vida diária dos homens e mulheres em sociedade (LEITE,1994).

A hermenêutica do cotidiano que consiste para a autora na teoria possível dos estudos feministas, remete por sua vez à hermenêutica das Ciências Sociais. Por meio dela os estudos feministas abrem-se para um campo multidisciplinar no qual a perspectiva de uma pluralidade de métodos faz-se interessante e imprescindível para a reconstituição crítica da experiência social das mulheres, de modo a documentar toda a sua diversidade e explorar infinitamente as diferenças. Isso não implica necessariamente no sentido de encadear fragmentos de um relativismo cultural sem limites, ao contrário, resulta na busca de novas totalidades parciais na medida em que se acumulam novos conhecimentos e se expandem os caminhos do espírito crítico (1992).

O trabalho de perspectiva histórica que consiste no aperfeiçoamento da hermenêutica do cotidiano consiste no sentido da teoria feminista de desbravamento do cotidiano na perspectiva histórica, uma vez que o acumular de

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conhecimentos específicos sobre a experiência concreta das mulheres em sociedade a longo termo se contrapõe aos valores culturais de dominação (1992).

Tal perspectiva concebe a necessidade de documentar a experiência vivida como possibilidade de abrir novos caminhos. Dessa forma, outras interpretações de identidades femininas somente virão à tona quando as experiências vividas em diferentes acontecimentos do passado forem documentados, emergindo não só a história de dominação masculina como sobretudo os papéis informais, as improvisações, a resistência das mulheres (LEITE,1994).

A história da experiência vivida que se pauta nos papéis informais de resistência das mulheres em sociedade caminha por trilhas recém abertas nas vanguardas críticas das ciências humanas. Maria Odila Leite (1994) afirma que para apreender no passado esses momentos de resistência é preciso uma formação crítica do historiador que elabore conceitos temporalizados e que persiga abordagens teóricas parciais, pois o saber teórico implica também em um sistema de dominação.

Defender que o conhecimento deve ser historicizado e que este se encontra em um mundo em processo de transformações e mudanças é postura que se dissemina no mundo contemporâneo entre os pensadores de Ciências Humanas (LEITE,1992).

A crítica feminista torna-se contextual, histórica e relativista que consiste em não aceitar totalidades universais e fixas, mais explicitamente, trata-se de historicizar os próprios conceitos com que se tem de trabalhar como reprodução, família, público, particular, cidadania e sociabilidades para transcender definições estáticas e valores culturais herdados como inerentes a uma natureza feminina (LEITE,1994).

Os estudos feministas, a partir do momento que negam totalidades universais, lidam com problemas propostos pelo relativismo cultural que tem como uma das suas principais metas o esforço de reconstrução das bases do conhecimento (LEITE,1992).

A natureza da consciência feminina adere ao historismo devido às perspectivas relativistas que assumem e que estão condicionadas pelos acontecimentos sociais, históricos, culturais determinados. As teorias feministas compartilham o historismo com outros conhecimentos contemporâneos de renovação como a desconstrução de Derrida ou a genealogia de Foucault. Nota-se, assim, que desconstruir, desmontar e criticar totalidades universais formam as opções teóricas das estudiosas feministas (LEITE,1992).

Nas sociedades em transformação o estudo do cotidiano ao se basear nas experiências de vida escapa ao normativo, ao institucional, ao dito e aponta para o vir a ser, para os papéis informais, para o provisório e o improvisado, de uma forma geral, para o vivido, o concreto, o não dito, principalmente, quando confrontado com papéis prescritos, regras e valores herdados (LEITE,1994).

Nesse sentido, é possível perceber que a historiografia feminista tem sua metodologia aberta para a possibilidade de construir as diferenças e de explorar a diversidade dos papéis informais femininos. De acordo com Maria Odila Leite (1992) o campo de visibilidade apesar de ser restrito, é cada vez mais nítido, construindo aos poucos um campo novo de conhecimento, já que se tenta descobrir as distâncias entre papéis normativos e informais, norma e prática social.

De uma forma geral, pode-se afirmar que nem a filosofia liberal nem a crítica marxista que constituem matrizes totalizantes encontraram meios para a apreensão do cotidiano ou da história social das mulheres enquanto historicidade, concretude, espaço de transformação e resistência (LEITE,1992).

Conclusão

Joan Scott em seu artigo intitulado Gênero:

uma Categoria Útil de Análise Histórica (1991) traz

ideias que se conectam como, já foi mencionado, com o pensamento pós-estruturalista. A historiadora propõe uma lógica desconstrutiva em relação a verdades estabelecidas e categorias naturalizadas.

A proposta de Scott (1991) expressa na desconstrução dos conceitos tem como objetivo desconstruir também a visão dicotômica e hierarquizada de distribuição de poder, entendido como algo que se realiza na relação entre homens e mulheres. Com isso, a autora acredita ser necessário como meio de desmitificar o próprio conceito “gênero” a elaboração da própria historicidade das relações de gênero.

Nos estudos feministas Maria Odila Leite percebe a necessidade de fazer uma análise que através da hermenêutica do cotidiano possa historicizar aspectos concretos da vida de todos os dias de homens e mulheres. De forma semelhante a Joan Scott, a autora parece então acreditar que a história das mulheres implica também uma abordagem sobre os homens, se aproximando, assim, do caráter relacional do gênero de Scott (1991) em que mulheres e homens são definidos em termos recíprocos, sendo que nenhuma compreensão de qualquer um poderia existir através de um estudo inteiramente separado.

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Além disso, Joan Scott está entre os historiadores que ressaltam a necessidade de se ultrapassar os usos descritivos do gênero, buscando a utilização de formulações teóricas. Scott formula uma série de considerações teóricas a respeito, argumentando que, no uso descritivo, o gênero é apenas um conceito associado ao estudo das coisas relativas às mulheres, mas que não tem força de análise suficiente para interrogar e mudar os paradigmas históricos existentes (SOIHET,1997).

Já a historiadora Maria Odila Leite discorda da necessidade da construção imediata de uma teoria feminista, pois, na sua opinião, é mais relevante que o pensamento feminista destrua parâmetros herdados do que construir marcos teóricos muito nítidos. Dessa maneira, visando uma melhor integração da experiência das mulheres em sociedade, Leite sugere partir de conceitos provisórios e assumir abordagens teóricas parciais, já que ela considera, como já referenciado no texto, que o saber teórico implica também em um sistema de dominação (SOIHET, 1997).

De fato, a abordagem acima exposta teve o intuito de discutir a teoria de duas das principais teóricas contemporâneas da história das mulheres e do feminismo, sendo que tanto os estudos de Joan Scott como Maria Odila Leite trazem contribuições relevantes para a teoria e método dos estudos feministas.

Referências

- KOSELLECK, Reinhart. Futuro Passado.

Contribuição à semântica dos tempos históricos. Tradução de Wilma Patrícia Maas e Carlos de Almeida Pereira e revisão da tradução César Benjamin. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. PUC-Rio, 2006

- LEITE, Maria Odila."Novas Subjetividades na Pesquisa Histórica Feminista: uma Hermenêutica das Diferenças". In: Estudos Feministas. Rio de Janeiro:UFRJ, Centro Interdisciplinar de Estudos Contemporâneos, v.2, n.3, 1994.

- LEITE, Maria Odila."Teoria e Método dos Estudos Feministas: Perspectiva Histórica e Hermenêutica do Cotidiano" In: Uma Questão de

Gênero. Rio de Janeiro: Rosa dos tempos, 1992. - SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil para

análise histórica. SOS Corpo. Recife, 1991.

- SOIHET, Rachel. História das Mulheres. In: CARDOSO, Ciro Flamarion e VAINFAS, Ronaldo

(orgs). Domínios da História. Ensaios de Teoria e Metodologia. Rio de Janeiro: Ed. Campus, 1997. - SOUSA, Gustavo Pinto. KOSELLECK, Reinhardt.

Futuro Passado. Contribuições à semântica dos

tempos históricos. In: Veredas da História. Ano IV, edição 2, 2011.Disponível em:

<http://www.veredasdahistoria.com>. Acesso em 10 de julho de 2013.

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