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- Daniel Maia-Pinto Rodrigues - A PRÓXIMA COR

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Academic year: 2021

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(1)

Prémio Foz Côa, 1986 (no encontro nacional de Poesia) Menção Honrosa Novos Valores da Cultura, atribuída pelo Ministério da Educação e Cultura, 1988

Daniel MaiaPinto Rodrigues

(2)

Descem pelas colinas os animais que sonhas. São grandes ruminantes fulvos

e descem cheios de sol sobre as relvas.

Ao vento erguem e à claridade as cabeças. Dir-se-ia serenos compreenderem muito bem o céu pintado de azul e água.

Depois seguem. Descem mais. Devagar chegam aos charcos bebem

saboreiam uvas deitam-se

certos de que os vais achar belos

(3)

- 10 - 11

-À luz de transitórias cores os alces partem à frente para as horas nocturnas,

cientes de que à noite não sei -a florest-a rep-ass-a pel-as -aldei-as. Talvez prefira os meus mansos grous, que espalham não sei que cor pelo jardim. O lacre no envelope dos sonhos

alastra em aparências de lírio. Serenidade que afogada no quarto lambe a luz das cinco e meia. Penetrante retrocesso.

Desdobrável mesa onde se debruçam as melhores sombras, os reflexos. Além das cinco e meia da tarde há leões no silêncio dos meses a brincar com tangerinas.

(4)

Há um rio

ou um barco no rio onde a luz é intensa

e de tanta luz nos olhos e água com rigor se não sabe

se o barco vai vazio.

De grande porte quando adultos esparsos pelas margens do rio existem animais de todo fantásticos bastantes deles roxos ou rosa

afogando pulgas nos terrenos alagadiços alisando o pêlo e dormitando ao sol em folhas secas pelo princípio da tarde. Há uma lenda entre esses seres

da qual os mais novos têm medo -em como há, quando se não quer cavalos que quando galopam se disfarçam com a minha cabeça. Mergulho nas profundidades do sono

e no escuro oiço as aves na claridade

-são tranças, tropéis de sonoridades a gotejar em leque na amplitude de recônditos espelhos

da obscuridade guardiã dos aposentos,

reflectindo na minha face as cores novas do arco-íris. E não são sonhos, cornucópias de fantasia,

nem o vento a norte da imaginação; são sim envidraçadas portas abertas quais projecções lilás na melodia do jardim onde por vezes pela mão do fim da tarde, difuso, potente berlinde, me encontro a mim.

(5)

- 14 - 15

-Entendem as folhas a rapidez

com que se desprendem dos ramos. Entendem as asas

a debilidade dos pássaros. Acima de tudo

o que interessa a novembro é as crianças poderem dizer está vento

é sentirem-no arrebatar-lhes os cabelos engolfar-se nos gorros

misturar-se na roupa quente. Há uma criança na escola

que através dos vidros vê novembro -e a m-eia-distância

ao lado do novembro vê o anjo da guarda a atirar pedras

lentamente contra a luz. Descanso ao longe próximo das lagoas.

O vento passando assim dos eucaliptos próximo.

Escurece. Que horas serão na aldeia? Mergulho os braços nas águas. As aves entrecruzam-se. Afastam-se e o silêncio poisa escuro

nas águas.

Oiço por instantes o vento. Revejo a lua nas lagoas.

Alguém neste momento encara a noite sente o frio

acende num gesto branco a tocha antiga.

(6)

Percorres a visualização entre o pomar e o pinhal

e surges menina espalhando claridade. Encetas planuras ao sol

num fascínio pausado depois penetras a luz em fantásticas corridas. Não sei quem te poderá ver em tão delicado movimento! Por onde passas descoses o tempo deixas aberto o princípio do sonho. À noite à ilharga do tempo de mãos separadas olhamos as estrelas. Perdeste o isqueiro e estás perturbada. Tens razão: deixaste para trás um qualquer pertence da realidade.

Hesitas se hás-de regressar ao seu encontro

mas talvez te percas exactamente aí ao regressares.

Olha melhor as estrelas é noite

(7)

- 18 - 19

-Trilho os bosques do vento e dos rios colho rosas

na neblina das margens incertas. Amor que ao longe descansas no sol perfeito das clareiras aguarda que já não tarda

a passagem ampla para os sonhos o galope transbordante

a vertigem dos cavalos luminosos. Já vejo nítida a candeia no arvoredo e o vento chamar o dia

e a planície nascer do charco. Como se o mar e a madrugada estivessem submersos pelas ondas havia água nos limites da água na enchente dos nossos dias. És tão linda

a pinha que lanças a idade

a demora assim és tão linda

borboleta ou água talvez água lago grande lago do bosque lago do bosque

luz névoa menina eu estou ali

mais à frente menina vejo mal

mas oiço tão bem oiço muito bem

(8)

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