Raízes Históricas do Terrorismo
Denilson Benedito dos Santos Brilhante
Resumo: O presente artigo pretende mostrar de forma sucinta as raízes históricas do terrorismo através da abordagem de ações de caráter terrorista que são datas de milhares de anos e o avanço que foi sendo vivido pela ação terrorista em toda a história. Para discorrer sobre tal assunto, foram realizadas pesquisas sobre autores que tratam dessa realidade e dentre eles, Richard Clutterbuck na obra: Guerrilheiros e Terroristas. A partir desse autor e de outros que serão citados, contata-se um conjunto de realidades caracterizadas como terrorismo que cresceram de maneira espantosa no decorrer da história e que atualmente atormenta o mundo todo.
Palavras-chave: Terrorismo. Grupos Primitivos. Necessidades de Sobrevivência.
Introdução
Há cerca de um milhão e meio de anos, o homem deixou as florestas e passou a habitar em moradias que pudessem lhe dar maior segurança, moradias situadas em lugares que proporcionassem a aquisição de alimentos que suprissem suas necessidades vitais. Com isso, começou a viver em grupos e esses grupos necessitavam de uma ordem. Estabeleceu um conjunto de leis e elegeu pessoas que ficavam responsáveis pelo cumprimento de tais leis. Porém, existiam alguns membros dos grupos que não aceitavam ser comandados e subjugados por terceiros que estavam no poder e começaram a se juntar para empenhar lutas armadas a fim de destronar os que estavam no poder e tomá-lo para si. À essa resistência armada e organizada deu-se, mais tarde, o nome de terrorismo.
Atualmente o termo terrorismo é muito usado pelas mídias – nas suas formas mais variadas – para mostrar ações violentas de determinados grupos de pessoas altamente armados e treinados para a guerra – pessoas são recrutadas todos os dias para se tornarem guerrilheiros em todo o mundo. Sobre essas ações é possível afirmar que,
Discente do Curso de Bacharelado em Filosofia na Faculdade Católica de Fortaleza, trabalho acompanhado por Prof. Dr. Pe. Marcos Mendes, na disciplina de Ética II, 2017.1.
têm se proliferado praticamente [em] todas as partes do planeta com os mais diferentes objetivos: grupos de esquerda em luta contra governos capitalistas, grupos de direita contra governos de orientação socialista, grupos nacionalistas, grupos separatistas, lutas pela independência, descolonização.1
Tais ações acabam por ceifar a vida de milhares de pessoas inocentes. Mas, ao contrário do que muitas pessoas pensam, o terrorismo não é uma realidade que surgiu no mundo atual, “a prática terrorista tem uma longa história. Instigar o terror para alcançar fins políticos e criar raízes no poder é tão antigo quanto às primeiras sociedades.”2
Existem relatos de historiadores “como Heródoto e primitivos filósofos da guerra como Sun Tsu [que] já citavam exemplos deste tipo de combate. Acredita-se até que sua origem possa Acredita-ser mais remota ainda, datando dos primórdios da civilização.”3
Raízes Históricas
Há cerca de um milhão e meio de anos, o homem deixou as florestas e passou a habitar em moradias que pudessem lhe dar maior segurança, pois, permanecendo nas planícies facilmente poderia ser atacado por uma fera ou ferido por animais venenosos. Alimentava-se de frutos e sementes que colhia na floresta, mas como os alimentos foram ficando escassos, o homem começou a desenvolver seu apetite para variadas carnes que via ao seu redor. Porém, havia uma grande desvantagem quando comparado com os outros carnívoros existente nas selvas, “pois a maioria dos animais corria mais rápido e os carnívoros ainda tinham ao seu favor dentes mais apropriados e garras destinadas a matar.”4
Contudo, mesmo em desvantagem por sua fragilidade física em relação aos outros animais, o homem percebeu que tinha algo que poderia suprir essas necessidades de velocidade e de dentes maiores e mais fortes, a sua inteligência. Graças a sua inteligência que era superior a tudo que existia ao seu redor, o homem aprendeu a produzir lanças e a atirá-las a uma certa distância para abater suas
1
FIGUEREDO, Wellington; RAMOS, Elvis. Terrorismo: Um Legado Histórico e sua
Caracterização na Plataforma Midiática. Ciência Geográfica. Bauru: Vol. XVI (2). Janeiro/Dezembro-2012. p. 197
2
Ibidem, p. 197
3
CLUTTERBUCK, Richard. Guerrilheiros e Terroristas. Tradução de Vigínia Bombeta. São Paulo: Biblioteca do Exercito, 1980. p. 23
4
presas e com o passar dos anos foi vivendo um amplo processo de aperfeiçoamento de suas habilidades tanto no melhoramento, quanto no uso de novas armas de caça que fossem mais letais.
Com o passar do tempo, o homem que antes era nômade e vivia isolado começou a perceber outra vantagem que poderia adquirir: caçar em conjunto com outros de sua espécie. Observou que, caso se juntasse a outros homens, a caçada poderia ser mais frutuosa e alimentaria a todos com maior abundância. Assim, primeiramente, começaram a se formar grupos de caçadores que tinham um objetivo em comum: alimentarem-se e garantirem a sobrevivência. Posteriormente, formaram pequenas tribos, pois também tinham interesse em estarem juntos na defesa de si e de suas crias quanto ao ataque algum animal ou catástrofe natural que pudesse acontecer.
Há cerca de dez mil anos, o homem desenvolveu outras técnicas para suprir sua necessidade de alimentos: o cultivo da terra e a criação de animais domesticados. Isso promoveu um grande salto qualitativo na nutrição do ser humano, o qual foi de grande importância para algumas estruturas que temos hoje na sociedade. Agora, não só a caçada e a coleta eram as únicas fontes de alimentos, mas o cultivo e a criação de animais. Com esses avanços, e como o homem agora já não morava isolado, mas em tribos, se fazia necessário organizar um conjunto de leis que pudessem manter a paz entre os iguais e não permitir que os mais fracos fossem lesados e assim prejudicados na sua sobrevivência.5
Um código de leis exige um responsável pelo seu cumprimento e posteriormente, um conselho de chefes que, por senso comum ou pela maior força, irão punir, em nome da comunidade, os faltosos que quebrarem essas leis. Não há dúvidas que, tão logo tais chefes começaram a exercer suas ações, apareceram dissidentes que desafiaram sua autoridade.6
Esses dissidentes começaram a perceber que os chefes eram vulneráveis as suas armas e susceptíveis a morte, assim como os animais que eles caçavam. Assim, começaram a surgir os primeiros grupos organizados de pessoas que arquitetavam planos para lesar terceiros que exerciam algum poder sobre eles. Pode-se dizer que os primeiros grupos de guerrilhas e de ações terroristas surgiram dessa forma. 5 Ibidem, p. 24. 6 Ibidem.
No começo dos confrontos eram usadas armas rústicas, na sua maioria feitas de pedras ou grandes ossos de animais, porém, com o passar do tempo foram passando de pedras para lanças e punhais.7 Hoje, sabemos o quanto essas armas foram sendo aperfeiçoadas e chegamos as bombas atômicas de cunho químico ou biológico que promovem um profundo estrago e verdadeiros assassinatos em massa, e ainda, que “o dano do terrorismo não termine com o mais trágico daquilo que se contempla e sofre no momento, mas sim com seu prolongamento como uma queimadura sob a raiva e a dor.”8
Infelizmente, mesmo tendo conhecimento de tais fatos, os terroristas – geralmente religiosos extremistas ou grupos de fanáticos que desejam a queda de governos – movem rios de dinheiro em investimentos de mais armamentos para conduzir uma onda de terror no mundo todo.
Foi se criando uma cultura do medo que vai sendo repassada no decorrer dos anos por ideologias ensinadas por grandes revolucionários que afirmam a necessidade do combate armado para a realização de suas ideias. Ao que parece, a sociedade, por meio desse tipo de pessoa, acaba por regredir em seu processo evolutivo no âmbito da sociabilidade, tudo em nome do poder.
A miséria do terrorismo é como a parte maldita das coisas, ocupando obscenamente a máxima superfície do real. Qualquer matéria tem o seu lado obscuro, mas o terrorismo inverte o nexo da vida, consagra sobre a cena a ordem do sinistro, a perversão e a palavra sem articulação.9
Há registros na história de ações com cunho terrorista que datam bem mais de 2000 anos,
os primeiros registros históricos de ações guerrilheiras com cunho terrorista foi datado a cerca de 2500 anos atrás com dois tipos de combates armados. Primeiro, a revolta organizada contra o governo constituído, da qual o levante de escravos liderado por Spartacus, em Roma, há 2000 anos atrás. [...] Segundo, a resistência de uma tribo ou comunidade ao domínio estrangeiro, como a resistência que os citas ofereceram à ocupação persa no ano 512 a.c.10
7
Ibidem, p. 25.
8
VERDU.V. El terror. El Pais. Madri, 12 de maio de 2001. Disponível em : www.elpais.es
9
Ibidem.
10
Além disso, a palavra terrorismo ainda remonta “à Revolução Francesa, ao terror dos jacobinos e de suas guilhotinas.”11 Contudo, foi no século XIX que eclodiu
um profunda onda de ataques violentos de ordem internacional,
O século XIX é simbólico por testemunhar a eclosão da violência internacional, interpretada como precedente histórico do terrorismo moderno. Os agentes dessa agressão eram geralmente classificados como anarquistas e faziam uso ostensivo do assassinato individual, além de bombas contra unidades militares, policiais e forças privadas de segurança industrial, como práticas para combater as crescentes disparidades entre as classes sociais resultantes das transformações advindas com a Revolução Industrial que aflorava em solo europeu.12
Atualmente, o mundo está sendo marcado por atentados terroristas que visam alcançar as grandes potências econômicas como, por exemplo, os Estados Unidos, que foi afetado no famoso atentado de 11 de setembro. Estudiosos como Chomsky, que afirma que “todos concordam que nada será como antes depois de 11 de setembro, desde restrições aos direitos usuais da vida cotidiana até a estratégia global com novas alianças e novos inimigos.”13
Outro grande nome no campo do terrorismo atual é o grupo Estado Islâmico que recruta, diariamente, centenas de homens de todas as idades para ações de guerrilha, e até mesmo mulheres estão tendo participação direta nos ataques. O Estado Islâmico é liderado e formado na sua maioria por adeptos do Islamismo, porém, são islâmicos radicais que trazem como bandeira de crescimento o sangue e a guerra.
Para alguns, o islamismo radical pode ser definido como um dos movimentos religiosos que surgiu para marcar a volta do componente religioso ao cenário dos novos conflitos mundiais. Trata-se, portanto, de um fenômeno que tem servido para reforçar a tese – controversa, vale lembrar – de que as fronteiras das tensões atuais são definidas não mais por diferenças político-ideológicas, mas por diferenças étnico-religiosas, o que tornaria o componente religioso o elemento central dos conflitos do mundo contemporâneo.14
De fato, o terrorismo tem se difundido no mundo todo. As redes sociais, as mídias como rádios e televisões, e ate mesmo as pessoas de bem, nas conversas
11
VERDU.V. op. cit. p. 25
12
FIGUEREDO, Wellington; RAMOS, Elvis. op. cit. p. 197.
13
CHOMSKY, Noam. 11 de setembro; tradução Luiz Antônio Aguiar. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. p. 38.
14
FERREIRA, Ruberval. Guerra na Lingua: mídia, poder e terrorismo. Fortaleza: EdUECE, 2007. p. 107.
paralelas, ajudam a disseminar essa cultura do medo que ronda e assola a sociedade atual.
Considerações Finais
Percebemos que as ações terroristas vêm sendo desenvolvidas no decorrer dos anos e que têm um objetivo específico: a chegada ao poder, uma vez que, as ações armadas desse tipo visam a tomada ou retomada de um certo cargo ou também a reivindicação de algo que se julga ser seu por direito. Contudo, o que vemos, desde os primórdios da civilização até os dias de hoje é que pessoas inocentes morrem todos os dias por conta dessas disputas armadas que parecem não ter fim. É necessário que nos coloquemos numa postura racional e empenhemos uma luta, não armada, em busca da paz que um dia já reinou sobre esta terra.
Referencias Bibliográficas
CLUTTERBUCK, Richard. Guerrilheiros e Terroristas. Tradução de Vigínia Bombeta. São Paulo: Biblioteca do Exercito, 1980.
CHOMSKY, Noam. 11 de setembro; tradução Luiz Antônio Aguiar. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.
FERREIRA, Ruberval. Guerra na Lingua: mídia, poder e terrorismo. Fortaleza: EdUECE, 2007.
FIGUEREDO, Wellington; RAMOS, Elvis. Terrorismo: Um Legado Histórico e sua
Caracterização na Plataforma Midiática. Ciência Geográfica. Bauru: Vol. XVI (2).
Janeiro/Dezembro-2012.
VERDU.V. El terror. El Pais. Madri, 12 de maio de 2001. Disponível em : www.elpais.es/internacional/1447526376_670754.html