ISSN 2176-1396
O PROJETO ACERVOS ESCOLARES EM ESCOLAS DO CAMPO DA
SERRA DOS TAPES: RELATO A PARTIR DOS DOCUMENTOS DA
ESCOLA GARIBALDI
Renata Brião de Castro1 - UFPEL Patrícia Weiduschadt2 - UFPEL Eixo – História da Educação Agência Financiadora: não contou com financiamento
Resumo
Este texto tem como objetivo refletir sobre a experiência realizada no projeto de extensão: acervos escolares em escolas do campo da Serra dos Tapes. Esta etapa do projeto dedicou-se a preservação dos acervos escolares salvaguardados em escolas rurais no município de Pelotas (RS). Neste momento, foram realizados trabalhos no arquivo da Escola Garibaldi, uma escola pública municipal. Assim, o trabalho delimitou-se em digitalizar os documentos da escola, pensando em duas justificativas para a realização de tais atividades. A primeira, a possibilidade de ampliação das pesquisas a partir desses materiais digitalizados. A segunda, refere-se à preservação do próprio material. Além disso, a informação tem uma durabilidade maior em meio digital. Para pensar sobre arquivos e acervos escolares busca-se apoio em Mogarro (2005), Felgueiras (2005). Para refletir sobre os suportes e os lugares de memória apoia-se Nora (1993). Em Le Goff (1990), busca-se apoio para estudar a seleção dos documentos, esses que resistem a ação do tempo e chegam até os dias atuais. É válido ressaltar que o referido projeto se encontra em andamento, no entanto é possível delinear alguns resultados até o presente momento, assim como o planejamento das ações futuras. Com o andamento das atividades do projeto, foi possível observar que a Escola Garibaldi preserva os documentos de forma organizada no arquivo. Encontra-se nele dois conjuntos de documentos. Os primeiros são os materiais da própria Escola Garibaldi; e os segundos são documentos de outras seis escolas. Na década de 1990 a Escola Garibaldi passa a ser uma escola-polo, recebendo alunos de seis instituições escolares da região e com isso, os materiais passam também para o arquivo da Garibaldi.
Palavras-chave: Acervos escolares. Escola Garibaldi. Extensão.
1 Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Federal de Pelotas. Mestre em
Educação pela mesma instituição. E-mail: [email protected]
2 Doutora em Educação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Professora na Faculdade de Educação e no
Introdução
Este relato de experiência tem como objetivo refletir sobre uma das ações do projeto de extensão: acervos escolares em escolas do campo da Serra dos Tapes. O projeto está registrado na Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Pelotas (RS). Neste momento, será explicitado além dos objetivos do projeto, também as atividades realizadas em uma de suas etapas. O projeto tem por propósito a digitalização de acervos documentais das escolas multisseriadas do interior do município de Pelotas (RS). Uma dessas escolas, abordada neste texto, é a Escola Garibaldi, situada na Colônia Maciel, 8º distrito do município.
Essa escola foi construída no ano de 1928, com início das aulas em 1929. Estruturou-se como uma escola na modalidade multisEstruturou-seriada, ou Estruturou-seja, apenas um único professor para todas as turmas, as quais dividiam o mesmo espaço da sala de aula. A escola permanece assim até a década de 1970 quando são construídos os atuais prédios da instituição (CASTRO, 2017). Desde a época da criação da Escola Garibaldi estão armazenados no arquivo permanente3 da instituição documentos referentes a organização escolar e também algumas fotografias. Além disso, a escola guarda material de outras seis escolas da região. Com a política de nucleação das escolas no campo, por volta dos anos 1990, a Escola Garibaldi se tornou uma das escolas-polos da região. Assim, recebeu alunos de seis instituições escolares da região, com isso os documentos dessas escolas, consequentemente, passaram para a guarda da Garibaldi.
Desta forma, ao se ter conhecimento dos materiais salvaguardados pela Escola Garibaldi, deu-se continuidade ao projeto de extensão, já existente, com a intenção de digitalizar esses documentos, assim como possibilitar um maior acesso dos pesquisadores.4.
É necessário registrar que a atividade se deu de forma conjunta com a direção da escola, a qual disponibilizou o espaço para que fosse realizada a digitalização dos documentos. Esse trabalho foi realizado na própria escola. Combinava-se semanalmente com a direção os melhores dias para a realização das atividades. Notou-se, nesta ocasião, que a direção e
3 Utiliza-se a noção de arquivos permanentes/históricos com base em Bellotto (2006). Para esta autora existem três
idades dos arquivos, sendo a última a dos arquivos permanentes/históricos, na qual os documentos já não possuem mais a sua função primeira, para a qual foram produzidas, mas sim se transformam em documentos com caráter histórico. Ressalta-se que o trabalho arquivístico é mais complexo e elaborado para a passagem desses documentos até se constituírem como arquivo permanente. O que interessa aqui, entretanto, é estabelecer esses conceitos e não como se dá todo esse processo.
4 Um relato das primeiras atividades do projeto foi apresentado pela bolsista, no III Congresso de Extensão e
Cultura da Universidade Federal de Pelotas, no ano de 2016. Os anais do resumo se encontram neste link:< http://wp.ufpel.edu.br/congressoextensao/files/2016/12/EDUCA%C3%87AO-2016-.pdf
professores da escola se mostravam interessados nos trabalhos, compreendiam que era uma forma de melhor preservar e divulgar o seu material.
O projeto de extensão teve como foco a digitalização desses materiais e a inserção em meio digital a posteriori. Após este panorama, a seguir será explicado o detalhamento dos procedimentos realizados, bem como a discussão teórica pertinente.
Desenvolvimento
O projeto de extensão está ativo desde o ano de 2012, entretanto a atuação na Escola Garibaldi se deu a partir de maio de 2016. No primeiro momento realizou-se o levantamento dos materiais presentes no arquivo da Escola Garibaldi, do mesmo modo que um planejamento prévio das atividades a serem desenvolvidas. Basicamente o trabalho esteve estruturado em duas frentes: a digitalização dos documentos e a organização e sistematização do material em suporte digital. Após a digitalização dos documentos, foi necessário organizar o material para constituir um banco de dados. Kuhlmann e Fernandes (2014), ao explicitar a construção de banco de dados relativos a periódicos, observam que para a compreensão dos periódicos de forma mais profunda, é necessária o agrupamento e a classificação das informações. Não basta somente os documentos digitalizados, se faz imprescindível uma organização, a fim de conhecer o que há no arquivo, bem como possibilitar o acesso a recuperação da informação de forma rápida e eficiente.
A última etapa do projeto será a devolução desse material, em suporte digital, para a instituição escolar e a disponibilidade para o acesso de pesquisadores e demais interessados.
Vale ressaltar que o trabalho ainda está inconcluso, devido a quantidade de documentos presentes no arquivo da escola. Desta forma, este texto relata o que foi realizado até o presente momento, assim como as ações futuras. Pode-se dividir os documentos em duas categorias: os documentos da própria Escola Garibaldi e os materiais das outras instituições escolares. Os documentos da vida institucional da Escola Garibaldi foram os primeiros a serem digitalizados, esses já foram devidamente organizados e repassados para a instituição em meio digital. Esse primeiro trabalho foi realizado antes da inserção do projeto de extensão na escola em 2016. No ano de 20155 começou-se o trabalho neste arquivo, a partir do conhecimento dos demais
5 O trabalho com os documentos da Escola Garibaldi iniciou-se primeiro por ser fonte de pesquisa da dissertação
arquivos deu-se início ao referido projeto de extensão com foco na salvaguarda dos documentos do arquivo escolar.
Castro (2017) observa em sua dissertação de mestrado que há uma peculiaridade da Escola Garibaldi ao guardar esses materiais, de forma organizada, uma vez que essa não é a realidade da maioria das escolas públicas. Em seu estudo, a autora relaciona a preservação dos acervos com a ligação entre a escola e a comunidade local. A maioria dos professores da instituição foram alunos da escola, são moradores do local e seus familiares estiveram envolvidos na construção dos prédios da escola. Desta forma, há um sentimento de pertença do grupo com esses documentos que contam a história da escola, além disso, o material histórico é utilizado de forma pedagógica em algumas atividades (CASTRO, 2017). Para Oliveira (2014), Arriada e Teixeira (2012) as escolas não têm o hábito de guardar, e, por vezes, o interesse na salvaguarda está condicionado a interesses externos de grupos de pesquisa interessados. Para Viero et al (2017) não há uma política de memória instituída que reja as instituições escolares no que tange à preservação de seus acervos históricos. O que há são atitudes isoladas que dependem de cada equipe que está à frente das instituições.
Conforme Mogarro (2005), os arquivos escolares constituem-se em importantes instrumentos para a história da escola e a construção da memória educativa. Ainda de acordo com a autora, os documentos de arquivos refletem a vida da instituição que os produziu.
À vista disso, será detalhado quais os documentos foram encontrados no arquivo da Garibaldi. Os materiais preservados são: livros de matrícula, livros de atas de exames finais, livro de notas distribuídos pelas disciplinas, fotos organizadas em pastas por anos. O quadro a seguir sistematiza os documentos da escola.
Quadro 1 – Relação dos documentos digitalizados da Escola Garibaldi.
Documento Ano Breve descrição
Livro de atas 1929 – 1979 Faz um registro dos exames finais dos alunos, indicando quais alunos foram aprovados e quais os reprovados.
Livro de Matrículas
1966 – 1998 Nestes livros de matrículas consta algumas informações acerca dos alunos matriculados em cada ano, tais como: local de residência, religião, cor.
Livro de notas 1939 – 1975 Livro da Diretoria de Educação e Saúde Pública, constando uma lista de 19 disciplinas. Era preenchido, então a nota de cada um dos alunos nessas disciplinas, estes estão divididos pelos anos escolares.
Manuscrito 1929 – 1950 Documento escrito pelo professor José Rodeghiero sobre a história da Escola Garibaldi.
Fotografias Álbuns de fotos da escola, onde entre outros temas, há um conjunto de imagens como a construção das novas instalações da escola na década de 1970
Fonte: quadro elaborado pelas autoras, 2017.
Observa-se que o cuidado com os seus próprios materiais já existia anteriormente, conforme pontou-se acima há documentos desde o início das aulas em 1929. Além do manuscrito produzido pelo professor José Rodeghiero durante os anos em que este esteve como docente na instituição, também há na escola um documento escrito pelos responsáveis da escola, o qual faz um histórico da instituição a cada ano, ressaltando suas principais atividades. É importante observar que a escola se preocupa em preservar e difundir sua história para os alunos. Nas comemorações do 87º aniversário da instituição, a temática do evento concentrou-se na história da escola. Foram organizadas atividades relativas a isso, como, por exemplo: exposições de fotos, exposições das camisetas de turma já formadas, além de uma palestra sobre o histórico da escola. Neste momento, é importante pensar na importância atribuída a preservação desses documentos. Durante a comemoração da escola o que foi apresentado aos alunos era originário dos documentos preservados pela escola. Se não fosse esse material, a memória da instituição estaria se perdendo aos poucos, ou confiada a algumas poucas pessoas que estivessem na instituição há mais tempo. Assim, a partir da preservação, houve a possibilidade dos alunos conhecer a história da escola, olhar fotografias antigas onde seus antepassados estão presentes, assim cria-se um pertencimento com a instituição educativa.
No que se refere aos acervos das outras seis escolas, finalizou-se a documentação de três escolas. Com o material das outras três escolas pretende-se realizar o mesmo tratamento. As seis escolas são as seguintes: Escola General Osório, Escola Marques de Alegrete, Escola Ernesto Bohner, Escola Bernardo Taveira Júnior, Escola João Ribeiro e Escola Francisco de
Paula Amarante. Há uma diversidade de documentos dessas escolas, tais como: livros de atas, livros de matrícula, fichas de matrícula, histórico escolar, certidões de nascimento dos alunos, atestados médicos, certificados de vacina. Todos esses materiais estão organizados em pastas e separados por escolas. Cada escola é identificada por uma cor, por exemplo, os documentos da Escola Garibaldi estão todos encapados com papel na cor verde. O trabalho de reorganização do material, segundo os professores da escola, foi organizado quando a escola passou a receber alunos novos de dessas escolas. Os quadros a seguir mostram os materiais digitalizados de cada uma das três escolas:
Quadro 2 – Documentos digitalizados da Escola Bernardo Taveira Júnior
Documento Ano Breve descrição
Informações dos alunos 1970 – 1990 aproximadamente
Pastas com várias informações sobre os alunos, tais como boletins, atestado médicos, documentos pessoais,
Fonte: quadro elaborado pelas autoras, 2017.
Quadro 3 - Documentos digitalizados da Escola Francisco de Paula Amarante
ESCOLA FRANCISCO DE PAULA AMARANTE
Documento Ano Breve descrição
Livro de atas 1985 – 2002 Atas datilografadas sobre
vários assuntos da escola.
Quadro 4 - Documentos digitalizados da Escola Marquês de Alegrete
ESCOLA MARQUÊS DE ALEGRETE
Documento (entre as décadas de 1950 e 1990
Breve descrição
Informações alunos Pastas com várias informações sobre os alunos, tais como boletins, atestado médicos, documentos pessoais.
Atas de resultados finais Planilhas com as disciplinas escolares e a nota de cada um dos alunos.
Fichas de matrícula Ficha de cada um dos alunos matriculados, contendo uma série de informações, tais como nome dos responsáveis e dados desses.
Livros de matrícula Nestes livros de matrículas consta algumas informações acerca dos alunos matriculados em cada ano, tais como: local de residência, religião, cor.
Livros de matrícula e frequência
Livro contendo o nome de cada aluno e a frequência escolar, as faltas e presenças dos alunos durante cada mês.
Registro de notas Livro da Diretoria de Educação e Saúde Pública, constando uma lista de 19 disciplinas. Era preenchido, então a nota de cada um dos alunos nessas disciplinas, estes estão divididos pelos anos escolares.
Fonte: quadro elaborado pelas autoras, 2017.
É oportuno mencionar que houve uma atenção dispendida à organização dos documentos no arquivo, a saber, a gestão da escola se preocupou em guardar e conservar os documentos. Quando o material é solicitado, por pesquisadores, disponibiliza-se com a devida autorização da instituição competente (Secretária Municipal de Educação e Desporto) e com a apresentação de um projeto de pesquisa. Os pesquisadores interessados consultam os documentos na própria escola, um indicativo da atenção com a conservação desses materiais, garantindo o maior tempo de uso possível para os acervos.
Desta maneira, o arquivo permanente/histórico da Escola Garibaldi constitui o que Pierre Nora (1993) chama de lugares de memória. Para o autor, os lugares de memória precisam existir para não haver o esquecimento, porque a memória não é espontânea. Esses documentos são, então, suportes de memória. Para Luchese (2014), tanto o documento quanto sua preservação não são naturais. Neste sentido, se faz necessária a contextualização da produção das fontes utilizadas para a pesquisa, assim como a salvaguarda destas em detrimento de outras, sendo possível refletir sobre a memória que se quer preservar junto com esses documentos. Em conversa com os profissionais da Escola Garibaldi, perguntou-se sobre essa preservação, a
resposta reduz-se a “porque é a nossa história6”. Destarte, é possível perceber o vínculo estabelecido entre os docentes e a escola, os professores se sentem parte daquela história, assim valorizam a preservação dos documentos não mais utilizados no cotidiano da sala de aula.
Um ponto importante refere-se a discussão sobre arquivo e memória, a fim de compreender que a relação entre os dois termos não é direta. Para isso, busca-se suporte em Aldabalde e Grigoleto (2016). Os autores trazem um panorama histórico desses termos, bem como a conexão entre eles, conforme eles: “A precisão no uso dos termos arquivo e memória depende do contexto em que é estabelecido o seu tratamento e entendimento. No entanto, sempre há distinção entre os conceitos” (ALDABALDE, 2016, p. 10, grifo dos autores). Desta forma, compreende-se que os arquivos, e no caso aqui, os escolares, podem ser suportes de memória, mas é necessário a ressignificação destes. Para Ulpiano Bezerra de Meneses (1993), a memória depende de suportes, mas não se deve confundir a memória com estes suportes. Para Pierre Nora (1983), a memória necessita de suportes porque ela não é espontânea, conforme o autor: “Os lugares de memória são, antes de tudo, restos [...]”. Os lugares de memória nascem e vivem do sentimento que não há memória espontânea, que é preciso criar arquivos, manter aniversários, organizar celebrações [...] porque essas operações não são naturais (NORA, 1993, p. 12-13).
A partir disso, entende-se que os documentos preservados nos arquivos escolares são suportes de memória, tanto da instituição escolar, quanto dos atores (alunos, professores, funcionários, comunidade escolar) que fazem parte da escola. Outrossim, possuem um potencial para pesquisas, em especial as históricas educacionais, pois há uma gama de possibilidades dentro das quais se pode realizar pesquisa. Esses estudos são importantes para se pensar a trajetória da escola, como também pensar o presente e o futuro. Nóvoa (2005) questiona-se para que estudar a História da Educação. Ao listar quatro motivos, o autor reforça a perspectiva de que não há mudança sem a história, ela é importante para compreender as múltiplas identidades. Assim, ao preservar seus documentos históricos a instituição educativa ao mesmo tempo em que possibilita pesquisas e o conhecimento histórico sobre si, também permite o uso desse material para pensar o cotidiano do presente na escola.
Outro aspecto interessante de ressaltar refere-se aos documentos que chegam até o presente, sobrevivem a ação do tempo e das pessoas. Como referido anteriormente
se uma variedade de materiais, porém não é tudo o que as escolas produziram ao longo dos anos. Há sempre uma seleção, há uma intencionalidade por trás da preservação, neste sentido:
De fato, o que sobrevive não é o conjunto daquilo que existiu no passado, mas uma escolha efetuada quer pelas forças que operam no desenvolvimento temporal do mundo e da humanidade, quer pelos que se dedicam à ciência do passado e do tempo que passa, os historiadores (LE GOFF, 1990, p. 485).
Com isso reforça-se a ideia de que a Escola Garibaldi preserva seus documentos, também, pelo entendimento de que estão preservando sua história, há uma relação entre o pertencimento dos atores da escola com a salvaguarda dos acervos, e isso se constituiu ao longo dos anos da escola, configurando um dos eixos da cultura escolar da instituição.
Considerações finais
Este texto teve como objetivo principal escrever sobre uma das atividades do projeto de extensão: acervos escolares em escolas do campo da Serra dos Tapes, qual seja, a digitalização dos documentos encontrados no arquivo permanente da Escola Garibaldi. Como mencionou-se, a preservação dos acervos escolares, de forma organizada, não é tão comum de encontrar nas escolas. Por vezes, estes se encontram guardados em precárias condições de acondicionamento, sendo destinado a eles o espaço que sobra nas escolas, ou, então, nem se encontra mais a documentação. Neste ponto, elencou-se umas das peculiaridades da Escola Garibaldi, no que refere à salvaguarda de seus documentos históricos: a instituição preservou a documentação desde o início das atividades em 1929. Estes documentos preservados pela Escola Garibaldi hoje se portam como documentos históricos, não servem mais para a organização do cotidiano escolar. Em suma, poderiam ter sido eliminados, porém os gestores da escola se preocuparam, ao longo dos anos, não só em guardar esta documentação, como, também, em organizar um espaço específico destinado a esta função.
A este respeito, pode-se pensar a relação existente entre a instituição escolar e a comunidade local. Alguns dos professores da escola foram alunos da instituição e fazem parte da comunidade, donde se relaciona a preocupação com a preservação dos acervos ao longo do tempo. Ademais, o próprio professor José Rodeghiero, durante seu tempo de atuação na escola, escreveu um manuscrito sobre o histórico da escola, documento esse que se encontra preservado no arquivo escolar.
A partir dessas reflexões, considera-se relevante o projeto de extensão de digitalização desses materiais, mesmo que a Escola Garibaldi preserve o suporte físico7. Até o presente momento, já foram digitalizados e organizados os documentos da Escola Garibaldi e de mais três escolas. As outras três escolas receberão o mesmo tratamento na continuidade do projeto. Posteriormente a isso, intenciona-se a inserção desses documentos em um banco de dados, ainda sem definição de qual. Esse é uma das ações planejadas para o futuro do projeto, entende-se como pertinente que entende-seja utilizado um sistema de vocabulário controlado neste momento, porém essa é uma etapa ainda a ser pensada.
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7 Consideramos que é importante a preservação dos documentos originais, no suporte físico e a digitalização não
substituiu a materialidade, mas sim é um meio de melhor possibilitar o acesso a mais pesquisadores, assim como ajuda na salvaguarda dos originais.
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