Terceirização - Um manual segundo
Queiroz
João Alberto dos Santos
Especialista em Administração pelo Instituto Nacional de Pós Graduação - INPG Coordenador do curso de Administração da Faculdade Comunitária de Limeira e-mail: [email protected]
Resumo
Este estudo tem como objetivo principal apresentar ao leitor uma visão geral, porém sintética do tema “Terceirização”, sob a ótica específica de Queiroz, Carlos Alberto Ramos Soares de, importante autor e pesquisador, cujas obras têm sido bastante utilizada no universo acadêmico e empresarial brasileiro; as ferramentas propostas constituem um “Manual” prático e completo para efetiva aplicação, com conceitos e recomendações, sem deixar de citar os objetivos da terceirização, áreas onde se aplicam a terceirização, suas conseqüências, seus ganhos, desafios, os problemas mais freqüentes, fatores que podem comprometer o processo, recomendações, em fim, trata-se mesmo de uma visão geral sobre estrata-se tema, que ao mesmo tempo é conflitante, polêmico e ainda bastante atual.
Palavras-chave: Terceirização, Re-estruturação,
Administração.
Abstract
The main objective of this article is to present a general view under the Queiroz’s point of view, an important author and researcher, whose academic works haver been used in the academic universe and Brazilian business. The proposals tools constitute a pratical and complete Manual for effective application, with concepts and recommendations, without eliciting the objectives of the outsourcing, areas where its occurs, its consequences, its profits, challenges, the most frequent problems, factors that can harm the process, recommendations, in fact, the idea is to show a general view of the subject, that is conflicting, controversial and still very recent at the same time.
Key-Words: Outsourcing, Reorganization,
Administration.
Introdução
Terceirização é sem dúvida nenhuma um tema bastante discutido e aplicado no universo empresarial, contribuições podem ser obtidas através do constante trato e estudo do assunto, é neste sentido que empreendemos esforços no sentido de apresentarmos um “Manual” com conceitos e aplicações, sem deixar de citar os objetivos da terceirização, áreas onde se aplicam a terceirização, suas conseqüências, seus ganhos, desafios, os problemas mais freqüentes, fatores que podem comprometer o processo, recomendações, em fim, trata-se de uma visão geral sobre esse tema, que ao mesmo tempo é conflitante, polêmico e ainda atual.
Não pretendemos aqui fechar a questão sobre o assunto, mesmo porque este manual está fortemente baseado na obra de apenas um autor “Carlos Alberto Ramos Soares de Queiros - Manual de Terceirização,
1998 - Editora STS - São Paulo”, com uma ou outra citação de outros autores; é, portanto um estudo mais aprofundado da obra deste importante pesquisador brasileiro, que ora apresentamos para propiciar ao leitor uns contatos preliminares com tema, permitindo a obtenção de uma visão geral sobre o assunto e preparando-o para um aprofundamento maior a posterior, através das diversas obras e publicações sobre o tema.
Terceirização Conceitos
Vejamos a seguir alguns conceitos de Terceirização propostos por diversos autores:
“É um processo planejado de transferência de atividades para serem realizadas por
terceiros” (PAGNONCELLI, 1993, p10). A partir desta afirmação Pagnocelli (1993, p.10) comenta:
1- É um processo porque é contínuo, permanente. 2- É planejado porque implantar um programa de terceirização sem considerar o referencial do planejamento estratégico é um erro grave que poderá comprometer não só o programa, como também o próprio futuro da organização.
3- Atividades: refere-se às atividades que não sejam do âmago da missão da empresa.
4- Realizadas por terceiros - as atividades são executadas fora da empresa.
Segundo Buarque (1995, p.46) “O termo terceiro / terceirização” denomina-se sob sede trabalhista aquela pessoa (física ou jurídica) a quem é transferido / delegado um determinado trabalho ou fase produtiva de algum segmento”.
Segundo Martins Filho (1998, p.27) “Terceirização significa, transferência de parte de uma empresa para outra, que passa a funcionar como um terceiro no processo produtivo, entre o trabalhador e a empresa principal (intermediação de mão-de-obra) ou entre o consumidor e a empresa principal”.
“Terceirização, é a ligação de uma empresa tomadora à empresa prestadora de serviços, mediante contrato regulado pelo direito civil, comercial ou administrativo, com a finalidade de realizar serviços coadjuvantes de atividade fim, não tendo a empresa tomadora qualquer possibilidade de ingerência na mão-de-obra da empresa “ (BARAÚNA, 1997 p.36).
“Terceirização: (terceirizar + ação) Atribuição de um trabalho a empresas diferentes. Terceirizar: (terceiro + izar) Transferir a trabalhadores não pertencentes ao quadro de funcionários de uma empresa funções antes exercidas por empregados dessa mesma empresa”. (DICIONÁRIO MUCHAELLIS 2002,P.770)
“É uma técnica administrativa que possibilita o estabelecimento de um processo gerenciado de transferência, à terceiros, das atividades acessórias e de apoio ao escopo das empresas que é sua atividade-fim, permitindo a estas se concentrarem no seu negócio, ou seja, no objetivo final”. (QUEIROZ, 1998,p.53).
De acordo com as definições dos autores concluímos que a terceirização pode ser feita pela
contratação de terceiros para prestação de serviços ou produção de produtos ou parte dele, ou seja, é um processo de transferência de trabalhos que até então eram realizados por pessoas dentro da empresa tomadora e que hora passarão a ser realizadas por funcionários de uma outra empresa, a prestadora ou terceiro.
Agora que já temos uma visão conceitual sobre terceirização , a seguir vamos adentrar um pouco mais na questão.
Onde e quando surgiu a terceirização Segundo Queiroz (1998, p.59) “esta técnica originou-se nos Estados Unidos da América (EUA), por volta de 1940, quando esse pais aliou-se aos países europeus no combate as forças nazistas e posteriormente contra o Japão, ou seja, durante a segundas guerra mundial”.
As grandes guerras sempre impulsionaram as descobertas e as inovações, a terceirização foi uma dessas inovações que surgiu e foi fortemente aplicada ao longo da guerra, pois as indústrias da época precisavam concentrar-se na produção das armas necessárias para a manutenção da superioridade aliada, e então descobriram que algumas atividades de suporte à produção dos armamentos poderiam ser passadas a outras empresas, prestadoras de serviços, mediante a contratação destes.
Após o término da segunda grande guerra mundial, a terceirização evoluiu e consolidou-se como uma técnica administrativa eficiente e eficaz quando adequadamente aplicada.
Essa técnica foi chegando gradativamente ao Brasil com a vinda das primeira empresas multinacionais, principalmente as automobilísticas.
O objetivo da terceirização
Busca-se por intermédio da terceirização, dar maior agilidade a uma determinada linha de serviços ou produção e maior flexibilidade nas atividades da empresa tomadora, visando o mercado comprador (interno e externo), colocando-se como fator primordial a busca pela redução de custos sem prejuízo da qualidade.
Segundo Queiroz (1998, p.29) os fatores que compõem os objetivos da terceirização são:
Redução dos Custos Operacionais:
Com a eliminação de etapas secundárias ou terciárias, a empresa tomadora reduzirá a sua folha de
pagamento e, os pesados encargos sociais. As despesas com terceiros será menor, uma vez que haverá, concorrência entre as empresas. Dada a redução de custos haverá certamente um aumento do capital de giro.
Aumento da capacidade de Produção:
Com a terceirização e retirada de etapas secundárias ou terciárias, haverá uma sobra potencial, quer seja no espaço físico ou na linha de produção que permitirá o benefício do produto acabado e esse potencial poderá ser desenvolvido com a sobra do capital de giro.
Da redução de tempo na escala produtiva até o produto acabado:
Com a terceirização e a entrega de etapas secundárias ou terciárias a uma ou várias empresas, descentralizando-se o modo produzido, haverá obrigatoriamente, uma redução de tempo, desde a origem até o produto acabado. Essa redução de tempo, além de pressionar para baixo o custo operacional, dará maior flexibilidade a empresa para atender a vários pedidos ao mesmo tempo, sem correr o risco de ausência ou escassez do produto no mercado.
Da excelência do produto:
A terceirização, quando bem administrada, poderá ter influência marcante sobre a excelência do produto. As etapas da linha de produção contar com empregados especializados e com um rigoroso controle de qualidade, já que, haverá também concorrência entre as empresas terceirizadas. A desconcentração das etapas da empresa tomadora incentiva a concorrência, reduzirá o tempo de produção, determinará a baixa do custo e refletirá na excelência do produto.
Resistência a terceirização Algumas desculpas para não terceirizar:
“De modo geral, as pessoas não conhecedoras do assunto terceirização, os empresários que ainda não trabalham com os serviços de terceirização ainda de certa forma resistem a esse fato de real conseqüência do nosso mercado, portanto, veremos abaixo, algumas desculpas que algumas pessoas deram após ter a elas feito a seguinte pergunta: (QUEIROZ, 1998, p.51)
“O que você acha de terceirizarmos os serviços de ...?”
• Nós já tentamos isso antes e não deu certo.
• Aqui é diferente. • Vai custar muito caro.
• Isso está acima de nossa responsabilidade. • Isso não é da minha competência.
• Estamos muito ocupados para desenvolver esse trabalho.
• Isso é uma mudança radical. • Não temos tempo disponível.
• Falta-nos ajuda para fazermos esse trabalho. • A nossa unidade é muito reduzida para isso. • A direção não comprará esta idéia.
• Nunca fizemos isso antes.
Áreas que podem ser terceirizadas
Um certo cuidado será necessário quando a empresa tomadora optar pela terceirização de alguma atividade, no que diz respeito a identificação dos setores onde essa técnica será aplicada.
De acordo com Queiroz (1998, p.121) os fatores abaixo devem ser levados em consideração para a escolha acertada da área ou atividade a ser terceirizada:
A estratégia da terceirização
Consiste em procurar conhecer perfeitamente a sua importância no contexto da empresa. Verificar o risco da possível queda de qualidade, de produtividade e da eficácia do produto ou serviço, em relação ao exigido pelo mercado consumidor. Será necessário repassar tecnologia ao parceiro, sua forma, suas garantias da manutenção do segredo industrial, competitividade e conseqüências.
A identificação da Atividade-fim
A identificação está no contrato social da empresa, a sua finalidade de negócio, o seu objetivo econômico, atividade para a qual a empresa foi constituída e organizada, alocando pessoal, custos e definindo as tarefas.
Separa-se a finalidade econômica, da atividade-fim, a qual deverá ser muito bem visualizado e definido. Separando-se esta de todas as demais atividades que existem na constituição empresarial, identificaremos todas as funções na empresa que estejam diretamente e intrinsecamente ligadas à atividade-fim. Estas não devem e nem podem ser terceirizadas, uma vez que fazem parte da finalidade empresarial e como tal precisam e devem ser administradas pela própria empresa.
aceita pela Justiça do Trabalho, na prestação de serviços, exclusivamente na atividade-meio do tomador (Enunciado 331- TST, III), ou seja, para aquela não diretamente ligada ao objetivo final e primordial do contratante. A atividade-fim, ou seja, aquela imprescindível para a consecução dos objetivos principais, como prestação de serviços, deverá ser desenvolvida por mão-de-obra própria, cujas atividades não podem ser terceirizadas, contratando um prestador de serviços, atuando conforme previsto na Instrução Normativa Nº 03/97, substituta da nº 07/90, do Ministério do Trabalho.
As outras funções que nada tem em comum com a atividade-fim são caracterizadas como acessórios, ou de suporte a atividade-principal, portanto podem ser passadas a terceiros. Nestas encontram-se os procedimentos paralelos e acessórios, secundários, na administração das empresas.
A complexidade das funções
Será necessário uma avaliação ocupacional criteriosa, para inteirar-se de todas as fases do trabalho e todo o seu envolvimento técnico ocupacional. Somente após a conclusão e constatação dessas informações, é que devemos iniciar a busca do parceiro.
“A procura de um empreendedor que tenha competência para assumir o desenvolvimento de um projeto de terceirização, em áreas estratégicas ou complexas, deverá basear-se em:” (QUEIROZ, 1998, p.122).
1. A Especialidade: O eventual parceiro deverá ser profundo conhecedor e dominar todas as técnicas operacionais e informações sobre a atividade.
2. A Competência: A sua capacidade operacional deverá ser qualitativamente adequada às necessidades do mercado em que atua e dos possíveis tomadores de serviços.
Após análise será possível identificar em quais setores a terceirização poderá ser aplicada e depois de concluir como deverá ser o futuro parceiro, deve-se determinar por onde será iniciada a implantação do projeto de terceirização.
A cultura operacional existente na área é outro fator muito importante de se conhecer, para identificar como os funcionários se dedicam às suas atividades e como vêm a participação de terceiros junto deles.
È importante saber como o trabalho vem sendo executado com referência ao sucesso, ao aprimoramento técnico e aos cuidados necessários com os instrumentos e equipamentos.
É importante avaliar o grau de sensibilidade dos funcionários, no que diz respeito ao envolvimento pessoal na execução das atividades. Será fundamental conhecermos quais são os seus interesses na área selecionada, quanto a: • Aprimoramento da Qualidade; • Segurança empregatícia; • Manutenção de Benefícios; • Melhores produtos; • Melhores salários;
• Incremento na segurança industrial; • Outros.
Será necessário identificar a susceptibilidade dos funcionários que serão mantidos trabalhando com terceiros.
Após conhecermos todos os aspectos comportamentais dos setores onde a terceirização será implantada, devem-se iniciar as avaliações sobre os custos operacionais, para se estabelecer qual será o custo-benefício do projeto. Deve-se desenvolver uma planilha de cálculo, onde se relaciona todo o item ligado à atividade a ser passada aos eventuais parceiros. Destes, também deve-se solicitar que seja apresentado os seus custos operacionais, tomando o devido cuidado para que as informações sejam coerentes com as necessidades da contratante.
Nesta fase de preparação para o levantamento dos custos da operação, deve-se desenvolver e estabelecer quais serão os critérios para avaliação dos dados obtidos.
Ainda nesta atividade preparatória, conhecer com detalhes os níveis de qualidade operacional da gestão própria. Estimar qual será o índice a ser exigido do futuro parceiro e elaborar instrumentos adequados e precisos para medir o desempenho qualitativo do parceiro.
Áreas em que mais se aplicam a terceirização Os projetos de terceirização podem ser aplicados tanto em empresa públicas como em empresas privadas. Queiroz (1998, p.311-313) comenta, aplicam-se em todas as áreas definidas como atividade-meio na empresa, se caracterizam com suporte, tais como:
- Serviços de Alimentação, serviços de conservação patrimonial e limpeza, serviços de segurança, serviços de manutenção geral, predial e
especializada, engenharias, arquitetura, manutenção de máquinas e equipamentos, serviços de oficina mecânica para veículos, frota de veículos, transporte de funcionários, serviços de mensageiros, distribuição interna de correspondências, serviços jurídicos, serviços de assistência médica, serviços de telefonistas, serviços de recepção, serviços de processamento de dados, distribuição de produtos, serviços de movimentação interna de materiais, administração de recursos humanos, administração de relações trabalhistas e sindicais, serviços de secretária, serviços de arquivos ativos e inativos, serviços de agência de viagens, despachantes, envasamento de produtos, serviços de contabilidade, montagem de componentes, controle de qualidade e assistência técnica.
- Nas empresas de serviços publico, a aplicação da terceirização é praticamente a mesma que ocorre nas industrias. Já na área bancária, além dos serviços acima citados, pode-se enumerar alguns setores financeiros, tais como:
- Transporte de valores, cobranças, informações cadastrais, compensação de cheques, tesouraria, contabilidade, pagadoria, entre outros.
- No setor agropecuário a terceirização tem sido muito desenvolvida nas atividades características da criação de animais, tais como:
- Fornecimento de ração, tratamento veterinário, separação dos tipos, avaliação do desenvolvimento, transporte, entre outros. Uma das áreas agropastorais mais voltadas para a terceirização é a da avicultura.
- Na área educacional, também tem se notado que a terceirização está sendo aplicada, pela passagem para terceiros (cooperativas) a administração escolar de entidades educacionais municipais. O poder público continua fornecendo a manutenção das escolas e essas cooperativas administram as atividades docentes, contratando os professores e cuidando dos alunos e do material escolar. A prefeitura remunera a cooperativa por aluno matriculado na escola.
Formas de terceirização
Segundo Queiroz (1998, p.71-73), a classificação a seguir mostra como é feita a aplicação da técnica de terceirização em diferentes formas, são elas:
- a mais simples - é quando se efetua a aquisição de matéria-prima de terceiros que a industrializa, para a fabricação dos produtos-fim. É a desverticalização que elimina a atividade autogerida para comprar de terceiros, componentes que antes fabricava.
- a prestação de serviços - é quando o terceiro
intervém na atividade-meio do tomador, executando o seu trabalho nas instalações deste, ou onde for determinado.
- a franquia - é quando uma empresa concede a terceiros o uso de sua marca, em condições preestabelecidas ou comercializa seus produtos ou serviços.
- compra de serviços - é quando as empresas buscam a obtenção de terceiros especialistas, mediante determinadas especificações técnicas desejadas.
- a nomeação de representantes - é quando as empresas contratam profissionais especializados para atuarem como seus prepostos no mercado, vendendo produtos ou serviços.
- a concessão - é quando uma empresa atua em nome da outra, que sede sua marca sob certas condições, para comercializar seus produtos.
- a locação de mão-de-obra - consiste na utilização do chamado trabalho temporário, previsto na Lei 3.019/74, supervisionado pelo tomador desses serviços.
Consequências da terceirização Segundo Queiroz (1998 p. 55-56):
As conseqüências positivas da terceirização são as seguintes
• Geração de desburocratização; • Alívio da estrutura organizacional;
• Proporciona melhor qualidade na prestação de serviços, contribuindo para a melhoria do produto final; • Maior especialização na prestação de serviços; • Proporciona maior eficácia empresarial; • Aumenta a flexibilidade nas empresas;
• Proporciona mais agilidade decisória e administrativa.
• Simplifica a organização; • Incrementa a produtividade; • Proporciona economia de recursos:
o Humanos, o Materiais, o Equipamentos,
o Econômicos e Financeiros; As conseqüências negativas são
· Perda do emprego com maior rotatividade da mão-de-obra e conseqüências normais daí advindas com reflexos diretos sobre o trabalhador e sua família.
• O desemprego incentivará a redução de salários e o subemprego proporcionará ambiente para o crescimento da economia informal, com redução de impostos e contribuição social.
A Terceirização e o desemprego “Podemos dizer que não é a terceirização que causa desemprego e sim as forças que impõem a terceirização reduzem os níveis de emprego”. (AMOROSO, 1992, p.39)
Muito tem se falado sobre terceirização e desemprego e isso é uma constante e fato real na vida de muitas pessoas. Este tema explica-se facilmente, pois com a globalização o mercado, clientes, consumidores entre outros, exigem produtos e serviços cada vez com mais qualidade e com preços mais competitivos, e esses produtos / serviços para serem produzidos ou prestados devem ser feitos por pessoas e processos cada vez mais modernos e especializados, que coloquem menos força bruta e mais inteligência e com mão-de-obra cada vez mais barata em relação as quantidades produzidas, fazendo com isso que o mercado torne-se cada vez mais competitivo, onde levará vantagem quem souber mais e for mais rápido, obrigando assim, muitas pessoas menos favorecidas, desmotivadas, desacostumadas a mudanças, estagnadas no espaço ou no tempo a perderem seus postos de trabalho para outros muitas vezes mais capacitados para o exercício de determinadas funções.
Ganhos empresariais com a terceirização Queiroz (1998, p.104-105) nos mostra que as aplicações de técnicas administrativas de terceirização trazem as empresas várias vantagens, como seguem:
- Proporciona a concentração de recursos liberados para a área produtiva, melhorando a qualidade e a competitividade do produto.
- Incremento a produtividade. - Reduz os controles.
- Libera a supervisão para outras atividades produtivas.
- Reduz as perdas.
- Evita o sucateamento dos equipamentos. - Libera os recursos para aplicação em outras tecnologias.
- Permite concentrar esforços na criação de novos produtos.
- Reduz os custos administrativos e de pessoal. - Transforma os custos fixos em variáveis.
- Gera ganhos de competitividade.
- Otimiza o uso de espaços colocados em disponibilidade.
- Soma as qualidades do prestador e tomador dos serviços.
- Aumenta a especialização. - Agiliza as decisões.
- Simplifica a estrutura empresarial.
- Cria condições de desmobilização para movimentos grevistas.
- Proporciona o aumento do lucro.
- Cria condições para melhoria na economia de mercado.
- Gera melhoria da administração do tempo. - Gera efetividade e eficiência.
- Proporciona um novo relacionamento sindical. - Diminui o nível hierárquico.
- Proporciona melhor distribuição de renda com a geração de mais empregos em novas empresas.
- Reduz o passivo trabalhista nas empresas tomadoras.
- Redução das ações reclamatórias nas empresas tomadoras
- Reduz a ociosidade da mão-de-obra.
- Racionaliza as compras de materiais de consumo, equipamentos e uniformes.
No setor de administração pública a terceirização traz:
- O incremento de impostos, pela criação de novas empresas.
- Libera recursos financeiros.
- Permite a aplicação de verbas na área social. - Permite a relocação das receitas públicas. - Aumenta a criação de empresas.
Um modelo de projeto de terceirização Queiroz (1998, p. 225-230) propõe: Objetivo:
Desenvolver, planejar e implantar a técnica de terceirização, preparando a empresa para uma nova realidade empresarial, no âmbito administrativo, operacional e mercadológico.
Finalidade:
Analisar a viabilidade e a aplicabilidade do projeto de terceirização, abrangendo as atividades ligadas ao suporte objetivando melhorias operacionais e gerenciais, através do comportamento de parcerias, com terceiros
especializados que propiciarão ganho na qualidade, eficiência e eficácia empresarial, gerando a competitividade do produto no mercado consumidor.
Diagnóstico da empresa:
Levantamento de dados informativos para avaliações internas;
- Identificação das áreas suscetíveis. - Busca de empreendedores internos. - Constatação da cultura da empresa. - Análise do comportamento empresarial. - Apurar o grau de conhecimento, na empresa, da técnica.
- Conhecer o interesse da empresa na terceirização.
Planejamento:
Desenvolver projetos para cada setor, estabelecendo as áreas onde será aplicada a terceirização.
Priorizar através do cronograma de ação: - Preparar a planilha de custo / benefícios. - Analisar a planilha dos prováveis parceiros. - Constatar a especialidade e a qualidade do futuro parceiro.
- Verificar a capacidade operacional e financeira do parceiro.
- Determinar os parâmetros e critérios para o julgamento das propostas.
- Identificar o perfil da empresa contratante. - Conhecer o perfil do eventual parceiro. Decisão:
Definição dos critérios técnicos e operacionais. Análise dos dados do planejamento referente ao custo / benefício do projeto. Tomada de decisão de terceirizar.
Treinamento do público interno:
Programação de reuniões e palestras que serão levadas a efeito, com os funcionários remanescentes para que possam conhecer a técnica de terceirização, com instruções de orientação sobre a forma mais adequada e coerente para o relacionamento interpessoal, com os funcionários de terceiros, para que possa ser evitada a supervisão funcional que poderá levar a caracterização da subordinação e conseqüentemente o vínculo empregatício.
Nesta fase, é que se informar aos funcionários que vierem a ser desligado da empresa, o critério a serem adotados para reduzir ao máximo possível o impacto da demissão e como esse fato será tratado pela empresa.
Deve-se passar aos gerenciadores de projetos de terceirização todas as informações necessárias, para que estes possam avaliar com bastante critério os resultados qualitativos e quantitativos dos serviços prestados pelos parceiros, em função dos resultados esperados pelo tomador.
Procura e seleção do parceiro:
Estabelecimento de critérios para pré-qualificação: - Dados técnicos.
- Condições operacionais.
- Análise dos equipamentos e instrumentos. - Visitas as instalações e clientes.
- Condições administrativas. - Porte econômico e financeiro.
Elaboração dos editais para cotação:
Detalhamento dos dados técnicos que constarão do memorial descritivo. Convite aos parceiros pré-qualificados.
Julgamento das propostas:
Proceder a avaliação das propostas definindo quem será o parceiro a ser contratado.
Estabelecimento do contrato de terceirização: - Definição de que tipo será o contrato.
- Discussão das cláusulas.
- Análise dos aspectos econômicos e comerciais. - Verificar os aspectos jurídicos da contratação. - Definição das participações dos parceiros. Implantação do projeto de terceirização: Programar a flexibilidade da mão-de-obra para não causar impactos:
- Avaliar a reabsorção do parceiro.
- Implantar os serviços de forma gradativa e contínua.
- Constatar o clima interno em função das mudanças ocorridas.
- Acompanhar a integração e a interação do parceiro nas atividades do tomador.
- Analisar o inter-relacionamento pessoal entre os funcionários do tomador e do parceiro, para evitar a subordinação.
Desenvolver métodos e critérios de avaliação e comportamento:
- Esquematizar formas e instrumentos. - Estabelecer padrões e parâmetros:
* Definir a periodicidade.
- Programar as auditorias de qualidade: * Estabelecer pontos;
* Definir a periodicidade.
- Análise dos resultados da aferição da qualidade: * Indicar os pontos fracos e fortes.
- Definir as correções:
* Realimentar o parceiro para que este possa corrigir os erros.
Após um período de adaptação, o parceiro deverá estar plenamente integrado e com condições para conduzir o processo terceirizado, proporcionando resultados de qualidade e eficácia na prestação de serviços.
Fatores que facilitam e fatores que comprometem o projeto de terceirização
Fatores que facilitam a ampliação dos projetos de terceirização
Segundo Queiroz (1998, p. 109) para que o tomador possa facilitar a absorção na sua empresa do processo de terceirização, algumas técnicas e ferramentas de trabalho terão que ser usadas:
- Na fase de planejamento, conhecer muito bem as metas de terceirização:
* Analisar os riscos; * As conseqüências.
- Identificar as iniciativas de mudança comportamental.
- Definir com clareza o perfil do prestador. - Desenvolver planos de como aproveitar eventualmente no prestador, a mão-de-obra que será colocada em disponibilidade.
- Desenvolver um plano de indenização especial para aqueles que não forem aproveitados.
- Avaliar como manter o mesmo serviço, mas terceirizado.
- Reunir-se com a supervisão interna, que vai integrar-se com o terceiro, para lhes instruir como se relacionar com os funcionários do prestador de serviços, para evitar a subordinação.
- Não havendo no mercado prestador com a qualidade e perfil exigido, procurar convencê-lo a melhorar as suas condições para que possa ser competente.
- Procurar estar muito bem informado a respeito de aspectos legais do processo de terceirização.
- Identificar na empresa os funcionários com
característica do empreendedor.
- Desenvolver programas de treinamento para transformar esses funcionários em empresários, para prestarem serviços para as ex-empresas.
Fatores que comprometem os projetos de terceirização
Queiroz (1998, p. 111-112) afirma que se o tomador exercer má administração do contrato, poderão ocorrer sérias conseqüências, que poderão inviabilizar a continuidade do processo de terceirização, exemplos:
- Poderá gerar um aumento do risco a ser administrado;
- Desligamento de funcionários treinados e que não são aproveitados pelo prestador;
- Uma eventual deterioração no relacionamento sindical;
- As demissões em si e o seu custo;
- Podem ocorrer problemas decorrentes de má escolha do prestador;
- Análise inadequadas na fase do planejamento geram erros de avaliação de viabilidade;
- Dificuldades de equalização das culturas (tomador / prestador);
- Insucesso de projetos anteriores; - Interveniência sindical nociva;
- Erros na avaliação do perfil do prestador procurado;
- Problemas com a especialização necessária do prestador;
- Conflitos de cultura, as quais devem ser compatíveis;
- Reduzido número de empresas qualificadas e confiáveis;
- Cultura da empresa em manter atividade-meio; - Falta de critérios adequados para avaliação; - Dificuldades na formação da parceria; - Aumento da dependência do terceiro.
Se houver algum desemprego poderá haver negociações entre o tomador e o parceiro, para que esse absorva a mão-de-obra colocada à disposição.
Se vier a ocorrer desleixo contratual, ou seja, a falta de cuidado do tomador na discussão e no preparo do contrato de prestação de serviços, principalmente no que diz respeito às condições, nas quais os serviços serão prestados. No processo de terceirização, o parceiro não pode ser subordinado ao tomador.
Sob nenhuma hipótese o tomador deverá estabelecer o como fazer, pois se assim o fizer, estará
condicionando a atividade do prestador. Poderá apenas indicar o que fazer, onde, por que e quando fazer. A determinação do como fazer gera a presunção do vínculo empregatício.
A terceirização e a visão de futuro
O desenvolvimento da terceirização nos próximos anos vai desenvolver-se nos caminhos da administração cientifica, tendo como fatores principais a eficiência, a eficácia e a efetividade, para que os resultados planejados e os esperados possam surgir de forma contínua.
Quanto a eficiência, as empresas devem de forma racional organizar as suas atividades de tal maneira que possam conseguir uma diminuição constante nos seus custos operacionais, com uma considerável melhoria nos métodos de desenvolvimento dos seus trabalhos. Para isso será necessário que as formas e as instruções a respeito do preparo de projetos de terceirização passem a fazer parte dos manuais de normas e procedimentos da empresa, para que seja possível o aprimoramento, por meio dessa técnica administrativa.
A eficácia visará ao resultado, ou seja, o produto será competitivo a ponto de se mostrar melhor do que o da concorrência, com isso ganhando mercado e projetando a marca. Neste momento o foco empresarial volta-se exclusivamente para a melhoria do produto e essa preocupação passa a ser de curto a médio prazo. Os processos administrativos e o desenvolvimento gerencial nas empresas devem preocupar-se com os objetivos e resultados a serem atingidos.
As empresas definem os resultados por meio das metas estabelecidas, referentes aos produtos ou serviços que prestam. É o momento do maior interesse pelo cliente, para aquilo que ele deseja consumir, mas o produto é o meio de se cativar o cliente. Portanto, deverá ter a qualidade suficiente e adequada para atender ás necessidades dos consumidores.
A eficácia será mais apurada quanto mais próxima estiver o resultado da empresa, em relação às necessidades do seu mercado consumidor.
A efetividade empresarial será medida no longo prazo, quando se observa qual será o interesse das empresas em tornar seus negócios duradouros. Para que as empresa possam manter-se competitivas e atuantes no seu mercado será absolutamente imperativo que se preocupem com o atendimento das ansiedades dos seus consumidores.
As empresas precisam conhecer muito bem qual é a demanda e então desenvolver um processo inovador e antecipado de novos produtos, ou seja, elas precisam
ser criativas e atingirem as necessidades individuais dos seus consumidores, que se atendidos vão considera os produtos com a qualidade que eles (clientes) procuravam. A efetividade consiste em produzir melhor, com menos encargos e ainda fazer o trabalho pela primeira vez, o melhor possível e o mais rapidamente possível.
A garantia da efetividade empresarial está na manutenção da fidelidade dos consumidores. Para conseguirmos a fidelidade dos clientes será muito importante que tenhamos nas empresas funcionários competentes, motivados e comprometidos com os resultados do negócio.
Fechamento
Para Queiroz (1998, p. 248), os caminhos do futuro, das empresas, passam obrigatoriamente pelos processos de terceirização que em seu entender é a forma mais moderna e efetiva de gerenciar os negócios a técnica mais indicada e adequada para permitir às empresas dedicarem-se ao seu produto final, fazendo-o com qualidade e sendo competitivas para perenizar as suas atividades empresariais e com isto garantirem sua sobrevivência e perpetuação no mercado.
Referências Bibliográficas
AMOROSO, Ricardo, Terceirização e Desemprego, São Paulo, Revista DI, Agosto 1992.
BARAÚNA, Augusto César Ferreira de, A Terceirização à Luz do Direito do Trabalho, São Paulo, Editora Direito, 1977.
BUARQUE, Sérgio, O Impacto da Informática sobre o Emprego no Brasil: Um enfoque prospectivo, São Paulo, Polis / Vozes, 1985.
MARTINS FILHO, Ives Gandra da Silva, Manual Esquemático de Direito e Processo do Trabalho, São Paulo, Editora Saraiva, 1998.
PAGNOCELLI, Dermizo, Terceirização e parceirização: estratégias para o sucesso empresarial, Rio de Janeiro, Sindicato Nacional dos Editores de livros, 1993.
QUEIROZ, Carlos Alberto Ramos Soares de, Manual de Terceirização, São Paulo, Editora STS, 1998.
Recebido em 29 de janeiro de 2007 e aprovado em 28 de junho de 2007.