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Efeito da suplementação alimentar na criação e performance de abelhas rainhas Apis Mellifera

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UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

EFEITO DA SUPLEMENTAÇÃO ALIMENTAR NA CRIAÇÃO E PERFORMANCE DE

ABELHAS RAINHAS APIS MELLIFERA

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM ENGENHARIA AGRONÓMICA

José Luís Fernandes Teixeira

Orientador

Professor Doutor Paulo António Russo Almeida

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Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

EFEITO DA SUPLEMENTAÇÃO ALIMENTAR NA CRIAÇÃO E PERFORMANCE DE ABELHAS RAINHAS APIS MELLIFERA

Dissertação de Mestrado em Engenharia Agronómica

José Luís Fernandes Teixeira

Orientador:

Professor Doutor Paulo António Russo Almeida

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Departamento de Zootecnia, ECAV – Escola de Ciência Animal e Veterinária

Composição do Júri:

Presidente:

Professor Doutor Aureliano Natálio Coelho Malheiro, Departamento de Agronomia da UTAD; Vogais:

Professor Doutor Miguel José Rodrigues Vilas Boas, Departamento de Ambiente e Recursos Naturais do Instituto Politécnico de Bragança/Escola Superior Agrária;

Professor Doutor Paulo António Russo Almeida, Departamento de Zootecnia da UTAD.

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As doutrinas apresentadas são da exclusiva responsabilidade do autor.

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Agradecimentos

Em primeiro lugar, gostaria imenso de agradecer à professora Isabel Cortez, pela possibilidade e oportunidade, que me proporcionou ao aceitar “este” aluno para o Mestrado em Engenharia Agronómica, sei que foi um risco, mas valeu a pena. Muito Obrigado!

Às professoras Teresa Rangel e Ângela Martins, pela forma como me receberam no LabApisUTAD, pelos conselhos que me transmitiram, pelo carinho, amizade, e ajuda ao longo destes dois anos. Deixo-vos um grande “Bem Hajam”.

Ao professor Severiano Silva, pela disponibilidade e ensinamentos no programa ImageJ, que foi fundamental para a realização e valoração deste estudo.

Às técnicas de laboratório, Dona Idalina e Carla, pela amizade, consideração, grande ajuda e pelos reforços positivos prestados ao longo deste alargado período de trabalho.

Aos amigos, Nuno Azevedo, Roberto Carlos Alves e Raulene Lobo pela amizade e apoio para conseguir concretizar esta tarefa.

Um agradecimento muito especial ao amigo João Gomes, pela cedência das primeiras colónias com abelhas no 1º ano. Por ter dado a possibilidade de testar outra raça neste estudo e também pela partilha de conhecimentos e de experiências.

Ao meu amigo, Orosman Burgeño, foi o meu grande mestre e mentor na criação de rainhas. Muito grato por ter conhecido esta pessoa fantástica e altruísta. Ensinou-me tudo o que sabe (e sabe muito) a troco de uma amizade e nada mais.

À minha esposa, Helena Rodrigues e aos meus filhos Miguel e Sofia, pela ENORME paciência e apoio sempre demonstrados. Perdoem-me o tempo que abdiquei de vocês para poder realizar e terminar esta etapa.

Aos meus pais, Luis e Emília, por terem ajudado imenso na concretização deste ciclo, sem vocês a dar continuidade ao trabalho na empresa, não seria possível levar estes 2 barcos a bom porto.

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Como, por vezes os últimos são os primeiros, ao inigualável professor Paulo Russo. Por não ter facilitado em nada, por ter sido exigente comigo e por ter chamado à atenção sempre que foi necessário. Pela audácia, pois só quem é audaz é que consegue realizar coisas em circunstâncias muito difíceis, como foi o nosso caso. Pelas madrugadas que perdeu e fez perder.

 Também pela Cortesia: a educação e a forma amável como fui tratado.  Pela Integridade: honestidade, retidão e imparcialidade demonstradas.

Pela Perseverança: de nunca desistir dos nossos sonhos e conseguir ultrapassar muitas barreiras que se depararam no recorrer deste trabalho.

Pelo Espirito Indomável: de querer sempre mais, ir mais longe e fazer sempre melhor. Finalmente, por me ter tornado um Homem melhor, com mais conhecimento e capacitado para continuar a desenvolver e a crescer, nas diversas atividades no seio da Apicultura.

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Resumo

A suplementação alimentar é uma prática empírica que os apicultores utilizam, com o pressuposto de que assim aumentam o número de rainhas produzidas e melhoram a sua qualidade. Dado o impacto que a rainha parece ter no desempenho de uma colónia, é de grande utilidade verificar a validade de tal pressuposto de preferência num leque alargado de condições experimentais. Este estudo, de natureza exploratória, procurou implementar metodologias e obter informação sobre um número amplo de variáveis relacionadas com a eficiência de produção de rainhas bem como do seu futuro desempenho em função da suplementação alimentar. Utilizou-se para o efeito 5 colónias criadeiras, 4 das quais suplementadas com solução de sacarose (50%), solução de sacarose + Promotor, solução de sacarose + Levedura, solução de sacarose + Pólen e outra como Controlo, nas quais, entre maio e setembro de 2016, se realizaram 7 réplicas de produção de rainhas, utilizando o método de Cloake. A transferência larvar foi realizada com larvas de 2 linhagens diferentes de abelhas, uma da raça Ibérica e outra de uma linhagem Híbrida (Apis

mellifera ligústica X A. m. iberiensis). Mediram-se as eficiências de construção de alvéolos reais, de

nascimento das rainhas e sua aceitação, quando introduzidas em nucléolos de fecundação. Pretendeu-se ainda verificar a existência de uma eventual relação entre o peso ao nascimento das rainhas e o seu desempenho produtivo avaliado pela quantificação da área de criação e compactidade da mesma ao 15º dia após introdução (18º dia de idade).

De um total 990 transferências larvares realizadas, obtiveram-se 625 alvéolos reais, dos quais, nasceram 385 rainhas. Foram introduzidas 185 rainhas nos nucléolos de fecundação tendo sido aceites 164 (89%). Os resultados obtidos apresentaram diferenças significativas (P<0,05) entre réplicas para todas as variáveis em estudo. Por outro lado, não se observaram diferenças significativas entre suplementos nutricionais para a eficiência de nascimentos (P>0,05), nem para a aceitação das rainhas (P>0,05). Contudo, o maior valor para a eficiência média de nascimentos foi obtido no Controlo (47%) e o menor valor com a suplementação de levedura (28%). As rainhas produzidas com suplementação com pólen apresentaram um peso médio ao nascimento significativamente (P<0,05 – Teste t) menor do que as produzidas sem suplementação.

Uma vez que a linhagem Hibrida só foi estudada nas réplicas 6 e 7 apenas nestas se fez comparação entre linhagens, tendo-se verificado uma diferença significativa (P<0,05), com 42% de nascimentos para linhagem Híbrida e 60% para a raça Ibérica. Não se observaram diferenças significativas (P>0,05) no peso à nascença entre linhagens de abelhas. A aceitação média de rainhas da linhagem Híbrida (84%) foi menor do que na raça Ibérica (91%), sendo a diferença não significativa (P>0,05). Estes resultados divergem daquilo que é a convicção dos apicultores portugueses que referem uma aceitação de rainhas de raças exóticas menor do que nas autóctones.

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O desempenho de postura foi avaliado num total 52 rainhas (37 da raça Ibérica e 15 da linhagem Híbrida), tendo-se observado um efeito significativo (P<0,05) do suplemento alimentar no desempenho das rainhas. As rainhas produzidas na colónia suplementada com pólen apresentaram um valor médio de área de postura significativamente (P<0,05) superior as obtidas na suplementação com Sacarose e com Promotor. Já relativamente à compactidade observou-se um efeito depressivo significativo (P<0,05) para as rainhas produzidas na colónia suplementada com levedura. Embora na suplementação com pólen se tenha obtido o valor mais alto de compactidade a diferença nãofoi significativa (P>0,05). Não se observaram valores significativos (P>0,05) de correlação entre o peso das rainhas à nascença e o desempenho de postura ao 15º dia. Estes resultados questionam a utilidade deste parâmetro como indicador do futuro desempenho da rainha, apesar de dizerem respeito apenas ao período inicial de postura.

Palavras-chave: alimentação artificial, apicultura, compactidade, criação de rainhas, desempenho, peso.

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Abstract

Dietary supplementation is an empirical practice that beekeepers use, with the assumption that it increases the number of queens produced and that it improves their quality. Given the impact that the queen appears to have on the performance of a colony, it is useful to verify the validity of such assumption preferably in a wide range of experimental conditions. This exploratory study attempted to implement methodologies and obtain information on a large number of variables related to the efficiency of queen production as well as its future performance in relation to a dietary supplementation. Five breeding colonies were used, four of which were supplemented with sucrose solution (50%), sucrose solution + Promoter, sucrose solution + Yeast, sucrose solution + Pollen and another as Control, in which, between May and September 2016, seven replicates of queen production were performed using the Cloake method. The picking was done with larvae of two different bee lines, one of the Iberian breed and the other of a Hybrid line (Apis mellifera

ligustica X Apis mellifera iberiensis). The efficiencies of building real alveoli, of queens births and

their acceptance, were measured when introduced into fertilization nucleoli. It was also intended to verify the existence of a possible relation between the queen’s birth weight and their productive performance evaluated by the quantification of the creation area and compactness of the same on the 15th day after introduction (18th day of age).

Of a total of 990 translarvae performed, 625 royal alveoli were obtained, of which 385 queens were born. Were introduced 185 queens into the fertilization nucleoli, from which 164 (89%) were accepted. The obtained results presented significant differences (P<0.05) between replicates for all the variables under study. On the other hand, no significant differences were observed between nutritional supplements for birth efficiency (P>0.05) nor for queens acceptance (P>0.05). However, the highest value for average birth efficiency was obtained in the Control sample (47%) and the lowest value was obtained with yeast supplementation (28%). The queens produced with pollen supplementation had a significantly lower average birth weight (P<0.05 - Test t) than those produced without supplementation.

Since the Hybrid lines were only studied in replicates 6 and 7, only in these ones the lines were compared, resulting in a significant difference (P<0.05), with 42% of births to the Hybrid line and 60% to Iberian breed. There were no significant differences (P>0.05) in birth weight among bee lines. The average acceptance of queens of the Hybrid line (84%) was higher than that of the Iberian breed (65%), thus being a significant difference (P<0.05). These results differ from what the Portuguese beekeepers believe and who report a smaller acceptance of queens of exotic races than in the native ones.

The performance of posture was evaluated in a total of 52 queens (37 from the Iberian breed and 15 from the Hybrid line), and a significant effect (P<0.05) of the dietary supplement on the

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performance of the queens was observed. The queens produced in the colony supplemented with pollen had an average value of posture area significantly (P<0.05) higher to those obtained in Sucrose and Promoter supplementation. Regarding the compactness, a significant depressive effect (P<0.05) was observed for queens produced in the colony supplemented with yeast. Although the highest value of compactness was obtained in pollen supplementation, the difference was not significant (P>0.05).

There were no significant values (P>0.05) for the correlation between queens weight at birth and posture performance at the 15th day. These results question the usefulness of this parameter as a future indicator of the queen's performance, although they only refer to the initial period of posture.

Key-words: Artificial feeding, beekeeping, brood solidness, performance, queen breeding, weight.

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Índice

Agradecimentos ... i Resumo ... iii Abstract ... v Índice……….……….vii

Índice de Figuras ...ix

Índice de Tabelas………...………...xii

Abreviaturas e terminologia ... xii

1. Revisão Bibliográfica ... 1

1.1. Introdução ... 1

1.2. Relevância da rainha no desempenho da colónia ... 1

1.3. Peso ao nascimento como critério de avaliação da rainha ... 3

1.4. Métodos de produção de rainhas ... 3

1.5. Nutrição e alimentação das abelhas ... 5

1.6. Objetivos ... 8

2. Material e métodos………10

2.1. Seleção e preparação das colónias criadeiras ... 11

2.2. Elaboração dos suplementos nutricionais ... 12

2.3. Seleção e manutenção das rainhas genearcas ... 13

2.4. Utilização do método de Cloake para criar as rainhas ... 13

2.5. Realização da transferência das larvas ... 14

2.6. Verificação dos alvéolos reais ... 15

2.7. Transferência dos alvéolos reais para a incubadora ... 15

2.8. Avaliação de nascimentos das rainhas ... 16

2.9. Pesagem das rainhas ... 16

2.10. Preparação dos nucléolos de fecundação ... 17

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2.12. Monitorização da aceitação das rainhas... 19

2.13. Monitorização da fecundidade e início de postura ... 19

2.14. Avaliação do desempenho de rainhas ... 19

2.15. Análise estatística ... 23

3. Resultados e discussão………...24

3.1. Eficiência global na produção de rainhas e sua aceitação ... 24

3.2. Produção e aceitação de rainhas por réplica e raça em função do suplemento alimentar ... 25

3.3. Efeito da suplementação alimentar no peso ao nascimento de rainhas ... 31

3.4. Avaliação do desempenho das rainhas ... 36

4- Conclusões ... 38

5- Bibliografia ... 40

6- Anexos ... 47

Anexo 1. Colocação e aceitação de rainhas nos nucléolos de fecundação. ... 47

Anexo 2. Material necessário para a realização deste estudo ... 48

Anexo 3. Pesos Ibérica ... 49

Anexo 4. Pesos linhagem Híbrida ... 52

Anexo 5. Relatório 1º ano ...55

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Índice de Figuras

Figura 1. Criadeiras com os respetivos alimentadores. ... 12

Figura 2. Tabuleiro de Cloake (Foto by Susan Cobey 2005b) ... 13

Figura 3. Preparação para a transferência das larvas. ... 14

Figura 4. Quadro porta-cúpulas com alvéolos reais. ... 15

Figura 5: Incubadora (Heraeus-Incubator D-6450 Hanau)………...……….15

Figura 6. Alvéolos reais com proteção na estufa... 16

Figura 7. Foto da balança (AND HM-120 Digital Analytical Balance). ... 17

Figura 8: Preparação dos nucléolos de fecundação………..………...…..18

Figura 9: Introdução da rainha virgem no nucléolo de fecundação………..……….18

Figura 10. Exemplo de grelha (4cm X 4cm) utilizada na avaliação da compactidade da criação. . 20

Figura 11. Etapas a realizar no programa ImageJ de acordo com Cornelissen et al. (2009). ... 21

Figura 12. Metodologia de análise no programa ImageJ que se sugere com base nos resultados obtidos. ... 22

Figura 13: Aspeto da imagem obtida no programa ImageJ para avaliação da compactidade da criação………...22

Figura 14. Evolução dos índices de eficiência (em %) na obtenção de rainhas nas 7 réplicas. ... 25

Figura 15. Evolução do peso médio das rainhas (g) de raça Ibérica nas sete réplicas, para cada um dos suplementos. ... 32

Figura 16. Evolução do peso médio das rainhas (g) de raça Ibérica na 6ª e 7ª réplica, para cada um dos suplementos………..………...………...32

Figura 17. Evolução do peso médio das rainhas (g) de linhagem Híbrida na 6ª e 7ª réplica, para cada um dos suplementos. ... 33

Figura 18. Diminuição de peso (%) nas quatro horas pós nascimento para as duas linhagens de abelhas e os suplementos nutricionais. ... 33

Figura 19. Peso ao nascimento de rainhas na raça Ibérica no conjunto das cinco criadeiras para cada uma das sete réplicas. ... 35

Figura 20. Peso ao nascimento de rainhas na linhagem Híbrida no conjunto das cinco criadeiras, para cada uma das duas réplicas. ... 36

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Figura 21. Evolução dos pesos das rainhas de raça Ibérica no grupo Controlo. ... 49

Figura 22. Evolução dos pesos das rainhas de raça Ibérica no grupo Sacarose. ... 49

Figura 23. Evolução dos pesos das rainhas de raça Ibérica no grupo Promotor. ... 50

Figura 24. Evolução dos pesos das rainhas de raça Ibérica no grupo Levedura. ... 50

Figura 25. Evolução dos pesos das rainhas de raça Ibérica no grupo Pólen………...52

Figura 26. Evolução dos pesos da linhagem Híbrida no grupo Controlo ... 52

Figura 27. Evolução dos pesos da linhagem Híbrida no grupo Sacarose ... 52

Figura 28. Evolução dos pesos da linhagem Híbrida no grupo Promotor. ... 53

Figura 29. Evolução dos pesos da linhagem Híbrida no grupo Levedura. ... 53

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Índice de Tabelas

Tabela 1. Calendarização das etapas do estudo (ano de 2016) ... 11

Tabela 2. Preparação das dietas ... 12

Figura 2. Tabuleiro de Cloake (Foto by Susan Cobey 2005b) ... 13

Figura 4. Quadro porta-cúpulas com alvéolos reais. ... 15

Tabela 3. Súmula global dos resultados da produção de rainhas... 24

Tabela 4. Dados por réplica relativos à eficiência nas diferentes etapas da produção de rainhas para o Controlo. ... 26

Tabela 5. Dados globais relativos à eficiência nas diferentes etapas da produção de rainhas para o suplemento Sacarose. ... 27

Tabela 6. Dados globais relativos à eficiência nas diferentes etapas da produção de rainhas para o suplemento Promotor. ... 28

Tabela 7. Dados globais relativos à eficiência nas diferentes etapas da produção de rainhas para o suplemento Levedura. ... 29

Tabela 8. Dados globais relativos à eficiência nas diferentes etapas da produção de rainhas para o suplemento Pólen. ... 30

Tabela 9. Peso médio (g) ao nascimento por suplemento e réplica na raça Ibérica. ... 34

Tabela 10. Peso médio (g) ao nascimento por suplemento e réplica na linhagem Híbrida. ... 35

Figura 19. Peso ao nascimento de rainhas na raça Ibérica no conjunto das cinco criadeiras para cada uma das sete réplicas. ... 35

Tabela 11. Valores médios dos parâmetros de desempenho das rainhas por suplemento. ... 37

Tabela 12. Colocação e aceitação de rainhas nos nucléolos de fecundação. ... 47

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Abreviaturas e terminologia

Alvéolos reais - Vulgarmente denominadas de realeiras, são construções de cera que as obreiras efetuam para proporcionar o desenvolvimento e nascimento de futuras rainhas.

Candy – Alimento para abelhas, normalmente composto por uma mistura de mel com açúcar em pó.

Operculação - Tarefa realizada pelas obreiras para tapar os alvéolos do favo, sendo esta cobertura de cera.

“Picking chinês” - Ferramenta de plástico ou metal que é utilizada para transferir as larvas dos favos para as cúpulas artificiais.

Ninho – Caixa, normalmente de madeira onde reside a colonia e se desenvolve. Também é o local onde permanece a rainha e onde a mesma coloca a postura. Em certas circunstancias (por falta de espaço, temperatura ou outras), a rainha poderá colocar alguma postura fora do ninho, nas meias-alças ou num segundo ninho adjacente ao primeiro.

Sobre-ninho - Caixa, normalmente de madeira, com as mesmas dimensões do ninho. É colocado de forma sobreposta ao ninho existente. Muito utilizado em criação de rainhas.

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1. Revisão Bibliográfica

1.1. Introdução

“Cuidar bem das abelhas é garantir doces resultados (Tavares et al., 2010).”

A apicultura tem vindo a ocupar um lugar de destaque no setor primário nacional. Designada de arte e ao mesmo tempo de ciência, a apicultura articula a biologia da abelha com a prática e maneio das colónias de abelhas. Esta ciência tem vindo a concretizar gradualmente o seu objetivo de melhorar a produção e a qualidade dos produtos apícolas. Também lhe é reconhecido um papel imprescindível na polinização cruzada de plantas selvagens e agrícolas, promovendo nestas últimas um aumento da produção e da qualidade dos frutos (Favato & Andrien, 2009). Por isso, devemos cuidar de forma eficaz a “mão-de-obra gratuita” que constituem as colónias de abelhas.

Apesar da globalização e do mercado cada vez mais competitivo terem impulsionado a apicultura portuguesa a tornar-se mais empresarial, centrando-se no rendimento dos apicultores e na redução de custos de produção, através do aumento da dimensão média das explorações, conforme se mostra nos dados do Programa Apícola Nacional 2017/2019 referentes ao triénio 2013/2015, a taxa de profissionalização permanece ainda reduzida, na ordem dos 10%. A classe que predomina são os pequenos apicultores com uma média de 59 colónias, refletindo uma predominância da produção para o autoconsumo. Por consequência, há ainda um longo caminho a percorrer no sentido do aumento da produtividade e da diversificação de produtos. É evidente que, pela importância que tem enquanto base genética de toda a população de uma colónia, a qualidade da rainha é um dos fatores mais importantes para a rentabilidade de uma colónia em termos apícolas.

1.2. Relevância da rainha no desempenho da colónia

Há algumas décadas atrás na apicultura nacional predominava o cortiço e uma rainha podia durar 4 ou mais anos uma vez que a área de postura era relativamente restrita. Atualmente, com o uso de colónias móveis e um maneio mais intensivo, no qual se inclui por vez a transumância parece ser desejável proceder à renovação da rainha de dois em dois anos (Padilha et al., 2012). Acerca desta temática, Kostarelou-Damianidou et al. (1995) e Simeunovic et al. (2014), referem que colónias governadas por rainhas com um ano de idade, têm-se mostrado mais eficazes em

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termos de população da colónia e produção de mel do que aquelas com rainhas mais velhas. Segundo Pereira et al. (2000), rainhas velhas começam a diminuir a produção de criação, consequentemente, resulta em queda na taxa populacional de obreiras, enfraquecendo a colónia. Da mesma forma Tavares et al. (2010) referem que colónias com rainhas jovens, populosas, sadias e com correto maneio são garantias de boas produções. De facto, a substituição de rainhas é um passo muito importante para transformar a apicultura tradicional noutra mais competitiva, lucrativa e moderna (Neto, 2009).

Por outro lado, cada vez mais se procura evitar a enxameação natural devido ao risco de perda de enxames e ao não controlo da genética das futuras colónias. Em alternativa, procuram-se utilizar técnicas de desdobramento nas quais procuram-se inclui a introdução de rainhas, de preferência selecionadas. Assim, considerando todos estes aspetos relevantes para o desempenho de uma colónia, tanto por razões genéticas como sociais (Winston, 2003), não é de estranhar que a comercialização de abelhas rainhas tenha vindo a ocupar um lugar de destaque no panorama apícola nacional. Contudo, não está claro que o comércio de rainhas em Portugal seja precedido de uma avaliação prévia das genearcas (progenitora das rainhas comercializadas) para que haja mais-valia na multiplicação do respetivo património genético, correndo-se o risco de se obter o efeito oposto ao desejado. Na aquisição de “rainhas de qualidade”, os apicultores têm expetativa de que as mesmas sejam portadoras de genes associados a características de baixa tendência de enxameação, pouca agressividade, elevado comportamento higiénico e uma boa capacidade de postura, as quais são indutoras de colónias resistentes a doenças, facilidade no maneio e maior produtividade. Para além da capacidade e postura ou seja o número de ovos postos por dia é também importante a qualidade dessa postura, que de acordo com Delaplane et al. (2013) pode ser quantificada pela percentagem de alvéolos vazios em determinada área de criação operculada, o que eles designam de brood solidness, considerando como aceitável, valores iguais ou inferiores a 10%.

Uma parte considerável dos apicultores portugueses já possuem capacidade técnica para produzir as suas próprias rainhas, necessárias à substituição regular das rainhas velhas (cada ano ou de dois em dois anos), com o intuito de aumentar produções ou para iniciar novas colónias, procurando melhorar algumas características genéticas. Na gestão do apiário os apicultores devem decidir se criam as rainhas de que necessitam ou procedem à sua aquisição no mercado. Acompanhamos a opinião de Rhodes & Somerville (2003), segundo os quais o preço de compra de abelhas rainhas é baixo comparativamente com os benefícios proporcionados por uma rainha jovem. No entanto, devemos acrescentar que deve haver cuidado na escolha dos produtores de rainhas escolhendo apenas os que derem garantias de terem uma prática sanitária e um programa de melhoramento genético adequados, senão é preferível proceder à produção própria de rainhas.

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1.3. Peso ao nascimento como critério de avaliação da rainha

A avaliação do desempenho de uma rainha pelos critérios atrás referidos é um processo moroso e requer avultados recursos apícolas e humanos. Não é, portanto, de estranhar que se procurem encontrar variáveis de fácil medição que permitam prever a qualidade da rainha. O peso á nascença é um parâmetro com variação considerável que tem sido apontado por alguns estudos como sendo bom preditor do desempenho futuro da rainha. Não existem muitos trabalhos científicos sobre esta temática, contudo, nesta linha de ideias enquadram-se os estudos de Harbo (1986) que refere que rainhas mais pesadas possuem uma capacidade de postura maior; de Skowronek et al. (2004) que sugerem que seja um elemento principal a ser considerado na avaliação das mesmas e De Souza (2009) que mencionam o peso das rainhas à emergência como sendo um indicador da robustez, qualidade reprodutiva e da longevidade destas.

Em sentido contrário o estudo de Medina & Gonçalves (2001) não encontrou relação entre o peso à nascença da rainha e o início da postura, enquanto Skowronek et al. (2002) verificaram que rainhas mais pesadas à emergência iniciaram a postura mais tarde do que as de peso moderado ou leve. Poder-se-ia pensar que o peso à nascença pudesse afetar negativamente o voo nupcial da rainha, mas segundo o trabalho de Kahya et al. (2008) tal não sucede.

Eventualmente, este aspeto pode estar relacionado com o fato das rainhas diminuírem, após a emergência, cerca de 1 mg por hora (Kahya et al., 2008; Skowronek et al., 2004;) ou, de acordo com Taranov (1973), 7 mg por dia, recuperando o peso após o início da postura. Dada a utilidade de uma eventual relação entre o peso à nascença e o futuro desempenho da rainha, considera-se que são ainda necessários mais estudos a fim de a aferir com segurança.

1.4. Métodos de produção de rainhas

Ao longo da história da apicultura foram desenvolvidos vários métodos de produção de rainhas. Contudo, todos eles partilham princípios comuns, designadamente: indução do sentimento de orfandade, o recrutamento de um número elevado abelhas jovens, a escolha da colónia mãe das futuras rainhas (genearca) e um fluxo abundante de alimento. Considerando, que qualquer ovo fecundado poderá originar uma futura rainha, dependendo da quantidade de pólen e néctar disponível na natureza e quantidade de alimento fornecido pelas obreiras amas, os apicultores podem criar o número desejado de rainhas a partir de larvas jovens, originárias desses ovos, com 1, 2, no máximo 3 dias de idade.

A escolha do método a utilizar, segundo Fert (2013), deve ter em consideração o número de rainhas que se pretende produzir. Para um apicultor que pretenda produzir até 20 rainhas por ano, uma das possibilidades que dispõe é a orfandade simples, seleciona a sua melhor colónia de

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abelhas, retira a rainha e passado 6 dias terá um grande número de alvéolos reais. Ao 10º dia o apicultor poderá transladá-los para as colónias recetoras. Também, o mesmo autor, refere que para um apicultor que pretenda produzir até às 200 rainhas por ano, dispõe de uma panóplia de métodos que poderá eleger para as produzir. Nestas metodologias destaca o método de Bentley, Miller e Doolittle. O método de Bentley, que é indicado para colónias agressivas, deve-se Colocar um corpo de uma colónia por cima da colónia que pretendemos orfanar. Este novo corpo deverá estar composto por 4 a 5 quadros com criação de várias idades e quadros com alimento mais a rainha do corpo inferior. Os dois corpos estão separados por uma placa que impossibilite a passagem das abelhas, e estão abertos na mesma direção. Passados 10 dias, retira-se o corpo inferior e coloca-se noutro suporte. Este deverá ter um bom número de alvéolos reais prontos para serem recolhidos e colocados nas colónias destinatárias.

Outro método interessante é o método de Miller, consiste em orfanar uma colónia de boa qualidade e permite a recolha dos alvéolos reais sem danificar os quadros. Para isso, deve colocar um quadro com tiras de cera laminada e cortadas em forma de “zigzag” na colónia em que pretende obter rainhas. Passado uma semana, essas tiras estarão com postura e larvas jovens. Nesta fase, o quadro está preparado para ser colocado na colónia orfanada que posteriormente, as abelhas construirão os alvéolos reais. Ao 10º dia os alvéolos estão prontos para serem colocados.

No entanto, para profissionais, o método de eleição é o método de Doolittle, que consiste basicamente na transferência das larvas jovens de obreira para cúpulas artificiais, que depois serão colocadas em colónias criadeiras orfanadas ou denominadas de colónias iniciadoras. Os alvéolos reais depois serão colocados nas finalizadoras.

Neste trabalho, a produção de rainhas foi realizada segundo o método de Cloake. Este é um método pouco invasivo e visa a criação de rainhas de qualidade e ao mesmo tempo, é um sistema em que a mesma colónia é iniciadora e finalizadora, do qual faremos uma descrição mais detalhada.

Coloca-se um corpo de colónia sobreposto no ninho de uma colónia forte separados pelo tabuleiro de Cloake. Este novo corpo deve estar composto por quadros com alimento e quadros vazios.

Sete dias antes da transferência das larvas, gira-se a o ninho 180° e fecha-se a entrada inferior. Desta forma, as abelhas são obrigadas a entrar pela passagem do tabuleiro que está virado para a posição inicial.

Dois a três dias antes da transferência das larvas, deve-se passar os quadros de criação aberta para o corpo superior com o intuito de recrutar abelhas jovens. No dia anterior à transferência das larvas, coloca-se a placa separadora do tabuleiro de Cloake e abre-se a entrada original da colónia que neste caso está virada em posição oposta à entrada do corpo superior. Colocam-se os quadros porta cúpulas no corpo superior para a sua aceitação.

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No dia da transferência das larvas, retiramos os quadros porta cúpulas do corpo superior e retiramos um quadro com larvas jovens da colónia que pretendemos fazer rainhas. Depois de realizar a transferência das larvas do quadro de criação para os quadros porta cúpulas, estes serão colocados no corpo superior. No dia seguinte, retira-se a placa do tabuleiro de Cloake. Ao 10º ou 11º dia os alvéolos reais estão prontos para serem retirados. A grande vantagem deste método é não haver a necessidade de retirar a rainha com intuito de orfanar um corpo e não haver a necessidade de recrutar abelhas jovens de outras colónias.

Em todos os métodos de criação de rainhas é referido que se obtêm melhores resultados, quer quanto ao número de rainhas quer no que respeita à qualidade das mesma, se realizados em época de abundância alimentar, recomendando mesmo a suplementação alimentar artificial, contudo como se verá ao longo deste trabalho, são poucos os estudos publicados que avaliam o impacto dessa suplementação alimentar.

1.5. Nutrição e alimentação das abelhas

Uma colónia saudável não é apenas uma colónia que consegue resistir a doenças, mas uma que consegue gerar indivíduos bem nutridos capazes de realizar as suas tarefas e produzir descendentes saudáveis. Para isso, as abelhas, necessitam na sua alimentação de nutrientes designadamente proteínas, hidratos de carbono, minerais, lípidos, vitaminas e água para o seu pleno desenvolvimento, manutenção, reprodução e longevidade (Kleinschmidt & Kondos, 1978).

Para o efeito, as abelhas selecionam o tipo e quantidade de alimento a ser recolhido e no decorrer do dia, elas podem alterar o tipo de recolha para responder às exigências da colónia, (Free, 1980). Os nutrientes que servem de base à alimentação de uma colónia estão presentes na natureza e são encontrados no néctar, pólen e água, sendo que o néctar recolhido pelas abelhas satisfaz as necessidades em energia, enquanto o pólen fornece as proteínas, minerais, lípidos e vitaminas (Herbert, 1992; Loidl & Craislheim, 2001). O néctar é constituído predominantemente por água e açúcares, sendo os mais comuns a sacarose, a glucose e a frutose, mais raramente incluem a galactose, a manose, a maltose e a rafinose ( Waddington, 1987). Também existem alguns hidratos de carbono que são tóxicos para as abelhas, como: a xilose, a galactose, a lactose, a melibiose, a manose, a rafinose e a arabinose (Barker, 1977). No entanto, quando suficientemente diluídos numa solução de sacarose, deixam de o ser.

As abelhas adultas, uma vez que completaram já o seu desenvolvimento, necessitam principalmente de energia para a sua manutenção enquanto as larvas requerem um alimento com elevado teor proteico. Nos primeiros três dias da fase larvar, as larvas são, progressivamente, alimentadas com geleia real, produzida nas glândulas mandibulares e hipofaringe das abelhas jovens (Winston, 1987). Depois passam a ser alimentadas com uma mistura de geleia real, mel e

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pólen, no caso das larvas de obreiras e zangãos, enquanto as larvas de rainha continuam a ser alimentadas com geleia real. A geleia real é um líquido opaco com cerca de 60-70% de água, 12-15% proteínas, 10-12% açúcares, 3-5% lípidos e minerais (Scarselli et al., 2005).

A criação é a principal destinatária do pólen, dadas as elevadas necessidade de proteína para o crescimento e desenvolvimento larvar. Parte deste é consumido de forma direta pelas larvas depois do terceiro dia de idade. O restante chega às larvas via geleia real cuja produção pelas abelhas amas está dependente uma ingestão elevada de pão de abelha (pólen fermentado). Segundo Schmidt et al. (1987), o pólen consumido, a concentração de proteína no pólen e especialmente a quantidade total de proteína do pólen consumido, afeta a duração de vida das abelhas. Também, Dietz & Stevenson (1980) observaram que as abelhas que consumiram pólen fresco viveram mais tempo (20 dias) e a taxa de mortalidade foi inferior (20%) em relação ao suplemento de xarope de açúcar. Contudo, observam-se diferenças no valor nutricional nos pólenes que as abelhas recolhem, quer quanto ao teor de proteína bruta quer quanto ao seu perfil em aminoácidos. Segundo Roulston & Cane (2000), o teor de proteína bruta pode variar entre 2,5% e 61%. Para satisfazer as necessidades das abelhas, de acordo com Herbert et al. (1977), o teor médio de proteínas do pólen ingerido, deve situar-se na ordem dos 23%. Por outro lado Di Pasquale et al. (2013), verificaram que as larvas alimentadas com uma mistura multifloral de pólenes eram mais pesadas que larvas alimentadas com dietas monoflorais de teores proteicos mais elevados. Os mesmos autores também concluíram que o pólen multifloral induzia um teor de gordura corporal maior em comparação com o seu homólogo monofloral (com igual teor de proteína). A vantagem de uma alimentação com pólen de origem florística diversificada é explicada por uma maior probabilidade de serem satisfeitas as necessidades em aminoácidos essenciais, ou seja, aqueles de que as abelhas necessitam e que não têm capacidade de os sintetizar, tendo de estar obrigatoriamente presentes no alimento. No caso das abelhas, são dez os aminoácidos essenciais, nomeadamente arginina, histidina, isoleucina, leucina, lisina, valina, metionina, fenilalanina, treonina e triptofano (De Groot, 1953) e são normalmente fornecidos pelo pólen.

Assim a qualidade e quantidade do pólen presente no meio envolvente aos apiários são fatores determinantes para o crescimento e desenvolvimento das colónias. Por outro lado, a maior parte do pólen não é consumido “em fresco” pelas abelhas, é previamente misturado com um pouco de néctar regurgitado contendo bactérias presentes no estômago das abelhas pertencentes aos géneros Lactobacillus e Bifidobacterium que irão promover um processo de fermentação no decurso do armazenamento nos alvéolos dos favos, passando a designar-se de pão de abelha. O pólen sofre assim uma melhoria do valor nutritivo pela alteração do pH, redução do teor em de amido (Ellis & Hayes, 2009) e aumento do teor de vitaminas (Vásquez & Olofsson, 2009).

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A apicultura é uma atividade produtiva que assenta essencialmente no aproveitamento de recursos florísticos naturais e pontualmente nos resultantes de culturas agrícolas. A regra é, as abelhas satisfazem todas as necessidades da colónia recolhendo o néctar e pólen dessas flores.

Contudo, durante alguns períodos do ano, em virtude de diversos fatores, pode haver carência de alimento natural (néctar e/ou pólen) para as abelhas. Além das variações sazonais naturais, o aumento da agricultura intensiva associada à utilização excessiva de fitofármacos e os inúmeros incêndios que devastam enormes manchas florestais, são alguns dos exemplos de carência de alimento. Em situações de deficiência grave de pólen, o desenvolvimento de uma colónia é severamente afetado (Turcatto et al. 2007), podendo inclusive provocar um declínio populacional rápido e, eventualmente, a morte da colónia (Mattila & Ottis, 2006). Larvas de obreira sujeitas a uma dieta pobre em pólen originam abelhas com num fraco desenvolvimento glandular, atrofia do sistema imunitário e longevidade diminuída (Maurizio, 1950; Haydak, 1970). Da mesma forma um défice em aminoácidos essenciais na dieta das abelhas pode levar ao enfraquecimento da colónia em resultado da diminuição do seu tempo de vida, constitui um fator de stress e favorece o aparecimento de doenças afetando, assim, a capacidade produtiva da colónia (Kleinschmidt & Kondos, 1978; Amdam & Omholt, 2002; Brodschneider & Crailsheim, 2010). Em algumas regiões do planeta, a subnutrição das abelhas tem sido associada à síndrome de “skinny

bees”, apontada como causa de mortalidade de um elevado número de colónias (Van Engelsdorp et al., 2008), envolvendo por vezes situações de canibalismo de larvas jovens (Haydak, 1935;

Schmickl & Crailsheim, 2001).

Em suma, uma boa nutrição promove o aumento de corpos gordos nas abelhas e é um indicador direto da imunocompetência, (Alaux et al., 2010), mas também, a presença de indivíduos bem nutridos e saudáveis, são capazes de produzir descendência mais resistente a parasitas, doenças, e combater de uma forma mais positiva os períodos de carência, (Brodschneider & Crailsheim, 2010)

No maneio apícola é, por vezes, necessário proceder à alimentação das colónias, não só para fazer face e eventuais carências temporárias de alimento mas também como estratégia estimuladora do desenvolvimento das colónias, na qual se inclui a criação de rainhas. É do conhecimento da comunidade apícola que o nível de postura da rainha é regulado pelo fluxo e qualidade do alimento que chega à colónia. Por conseguinte, é comum criar uma indução de um fluxo artificial de alimento para promover o aumento populacional nas colónias num período que antecede a abundância natural de néctar e pólen e assim maximizarem a sua recolha e consequente produção de mel e pólen (Doull, 1980; Azevedo-Benitez & Nogueira-Couto, 1998; Freitas & Echazarreta, 2001). No que se refere ao efeito da suplementação alimentar na criação de rainhas, Shehata et al. (1981) observaram que com uma suplementação proteica se obtinham rainhas mais pesadas e com ovários maiores e melhor desenvolvidos.

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Embora seja possível proceder à suplementação alimentar das colónias com os produtos apícolas, só deve ser realizada com os do próprio apiário uma vez que o mel e o pólen podem ser veículos de transmissão de agentes patogénicos (De Jong et al., 2009). Por outro lado o pólen é um produto que se degrada facilmente tornando-se muito importante a escolha adequada para a sua conservação para não comprometer a qualidade (Dietz & Stevenson, 1980). Quando destinado a abelhas, o congelamento em fresco e com atmosfera controlada deve ser o preferido pois permite um armazenamento por um período de 1 ano sem que a qualidade seja afetada (Pernal & Currie, 2000). De forma a fazer face ao custo elevado do pólen e à segurança sanitária do mesmo, o apicultor para alimentar as colónias de abelhas, opta pela utilização de xaropes de açúcar, várias espécies de levedura inativada e farinhas de soja, como substitutos do pólen. Segundo Standifer et al. (1973), grande parte dos substitutos de pólen oferecidos às abelhas são adequados à sua nutrição e podem até ter maior valor nutritivo que o pólen, mas quando as abelhas têm livre escolha entre o pólen natural e o substituto de pólen, elas preferem o pólen natural.

Em suma, para além dos aspetos de ordem genética é importante que as rainhas sejam seguras do ponto de vista sanitário, saudáveis e bem nutridas durante o seu desenvolvimento.

1.6. Objetivos

A qualidade da rainha é um aspeto muito valorizado pelos apicultores, dada a relevância que a mesma parece ter no desempenho produtivo das colónias.

Com o intuito de avaliar o possível efeito da raça, neste trabalho utilizaram-se duas linhagens diferentes de genearcas, uma da raça Ibérica e outra de uma linhagem Híbrida (A. m.

ligustica X A. m. iberiensis). A subespécie Ibérica localiza-se geograficamente na Península Ibérica

e segundo (Ruttner, et al. 1978) referem que esta raça é constituída por um intermédio entre A. m.

mellifera de França e A. m. intermissa de Marrocos. As abelhas desta linhagem têm tendência a

enxamear e são de um nível médio de agressividade.

A subespécie A. m. ligustica, vulgarmente denominada de abelha italiana é originária da península itálica, apresenta uma baixa agressividade e são altamente produtoras, as suas colonias são constituídas por um número maior de indivíduos relativamente às de raça Ibérica (Franck, et

al. 2000), são fatores que fazem desta, uma das raças mais utilizadas em todo o mundo.

Para além dos aspetos de ordem genética, os apicultores procuram otimizar as técnicas de produção de rainhas na qual se inclui a suplementação alimentar, apontada como determinante na produção de rainhas de qualidade. Tal convicção assenta mais em inferências teóricas relacionadas com os princípios da nutrição como ciência, do que em suporte experimental que quantifique os efeitos pretendidos. A dificuldade inerente à diversidade de suplementos possíveis,

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às diferentes concentrações e formas de administração, associados ainda à complexidade da avaliação da qualidade das rainhas, são alguns dos motivos que podem ser apontados como justificação do baixo número de trabalhos publicados sobre esta temática.

Este estudo surge do interesse pessoal do autor na temática, num contexto de escassos recursos financeiros, tendo sido o primeiro do género realizado no sector apícola da UTAD. Por isso, assumindo-se a inexperiência e a complexidade do assunto em causa, em vez de se procurar realizar um trabalho de cariz estritamente científico, necessariamente muito restrito nas hipóteses a testar e exigente nos recursos financeiros, humanos e apícolas subjacentes, pretendeu-se antes que fosse um trabalho exploratório. Ou seja deu-se prioridade em estudar um alargado leque de fatores procurando-se implementar e otimizar metodologias, diagnosticar as dificuldades práticas, identificar as fontes de erro e avaliar a grandeza da variância das variáveis de resposta. Esta informação será de grande utilidade no delineamento experimental de futuros trabalhos com o poder estatístico adequado.

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2. Material e métodos

Este estudo decorreu no ano de 2016 e teve lugar no apiário e no Laboratório Apícola (LabApisutad), ambos afetos ao Departamento de Zootecnia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. As condições meteorológicas anormais que se fizeram sentir designadamente, uma pluviosidade frequente que se prolongou até finais de maio, determinaram o atraso no início dos trabalhos que se pretendíamos que tivesse lugar em abril. A realização deste estudo envolveu 7 réplicas, com as seguintes etapas:

2.1. Seleção e preparação das colónias criadeiras; 2.2. Elaboração dos suplementos nutricionais; 2.3. Seleção e manutenção das colónias genearcas; 2.4. Utilização do método de Cloake para criar as rainhas; 2.5. Realização das transferências larvares;

2.6. Verificação dos alvéolos reais;

2.7. Transferência dos alvéolos reais para a incubadora; 2.8. Avaliação de nascimentos das rainhas;

2.9. Pesagem das rainhas;

2.10. Preparação dos nucléolos de fecundação; 2.11. Introdução das rainhas nos nucléolos; 2.12. Monitorização da aceitação das rainhas;

2.13. Monitorização da fecundidade e início de postura; 2.14. Avaliação da compactidade da área total de criação; 2.15. Análise estatística.

A calendarização das várias réplicas realizadas, indicando o dia e o mês aproximados em que foram realizadas encontra-se descrita na Tabela 1. As primeiras cinco réplicas foram realizadas apenas com uma linhagem de Apis mellifera iberiensis, que se designará de raça Ibérica, oriunda de um dos maiores criadores profissionais de rainhas Orosmán Burgeño, enquanto a 6ª e 7ª réplica o foram com a raça Ibérica e a com uma linhagem Híbrida A. m.

ligustica x A. m. iberiensis (Apicantstar®) do criador João Gomes. Esta inclusão teve como objetivo

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Tabela 1. Calendarização das etapas do estudo (ano de 2016)

2.1. Seleção e preparação das colónias criadeiras

No apiário da UTAD selecionaram-se cinco colónias aproximadamente homogéneas, seguindo os critérios propostos por Delaplane et al. (2013), designadamente a uniformidade das colónias, em que esta é mensurada em quantidade de alimento (pólen e néctar), quantidade de criação e número de abelhas, para servirem de criadeiras ou seja onde se realizou a criação de rainhas. O uso de apenas uma colónia por tratamento, não permite testar com rigor científico o efeito do suplemento alimentar, mas como foi referido anteriormente, a natureza deste estudo é exploratória.

Seguiu-se o método de Cloake (Cobey, 2005a), tendo sido colocado um sobre-ninho em cada uma destas colónias. Procedeu-se à introdução de alguns quadros com alimento (mel e pólen) no sobre-ninho para habituar as abelhas a este acrescento na colónia de forma prepará-las e estimulá-las ao processo seguinte. Uma das colónias serviu de grupo controlo e as restantes foram suplementadas com um suplemento nutricional diferente. Era desejável, senão mesmo necessário, usar várias colónias criadeiras para cada um dos tratamentos, para permitir aferir com rigor científico os objetivos deste estudo. Contudo, isso implicava um volume de trabalho que não era consentâneo com os recursos disponíveis. Assim, ciente dos limites que tal delineamento apresentava, encarou-se este estudo como preliminar, cujos resultados servirão para ponderar a realização posterior de um outro mais robusto.

Procedeu-se à marcação das rainhas com tinta apropriada para o efeito, para facilitar a sua localização e detetar uma eventual substituição pelas obreiras. Colocou-se uma grade excluídora de rainhas entre os ninhos assegurando-se que a rainha ficou no ninho inferior.

Transferiram-se quadros de criação da parte inferior para a superior, permitindo desta forma, que o ninho inferior ficasse desbloqueado para que a rainha continuasse a postura, promovendo-se o desenvolvimento das colónias e prevenindo-se eventuais fenómenos de enxameação.

Réplica Transferência

larvar Nascimentos Introdução Fecundação

1ª 9/5 20/5 24/5 27/5 2ª 27/5 3/6 7/6 10/5 3ª 5/6 17/6 21/6 24/6 4ª 27/6 8/7 12/7 15/7 5ª 25/7 5/8 9/8 12/8 6ª 15/8 26/8 30/8 2/9 7ª 5/9 16/9 20/9 23/9

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2.2. Elaboração dos suplementos nutricionais

Tendo em conta que o desempenho das rainhas é influenciado pelo valor nutricional do alimento que chega às colónias (Herbert, 1980), decidiu-se testar o efeito de quatro suplementos de teores proteicos diferentes comuns no mercado nacional. Foram eles: a Sacarose, o Promotor L®, a Levedura de cerveja inativada e o Pólen multifloral. A descrição destes produtos encontra-se no Anexo 6.

Optou-se pela aplicação de dietas líquidas em detrimento das pastas sólidas, devido à maior facilidade de elaboração e aplicação nas colónias criadeiras (Figura 1), além de facilitar um consumo maior e mais homogéneo por parte das abelhas. As dietas foram administradas quinze dias antes do início e semanalmente durante todo o estudo em alimentadores de 1 litro nas colónias criadeiras exceto no grupo controlo. A composição das dietas preparadas está descrita na tabela 2.

Tabela 2. Preparação das dietas

Figura 1. Criadeiras com os respetivos alimentadores.

Dieta Xarope Proteína

Controlo --- ---

Sacarose Sacarose 50% ---

Promotor Sacarose 50% 10ml de Promotor L®/L

Levedura Sacarose 50% 100g Levedura de cerveja /L

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2.3. Seleção e manutenção das rainhas genearcas

Prepararam-se 2 núcleos bem povoados de abelhas, com 2 quadros de criação, 2 quadros com alimento e 1 de cera laminada para receber as rainhas genearcas. Uma delas foi de raça Ibérica e a outra de linhagem Híbrida, descritas anteriormente. Previamente, ambos os núcleos foram colocados no apiário da UTAD e estiveram 3 dias em orfandade. Enquanto decorreu este estudo os núcleos com as genearcas não foram suplementados.

2.4. Utilização do método de Cloake para criar as rainhas

No método de Cloake a colónia criadeira serve de colónia iniciadora e colónia finalizadora e acrescenta ao método de Doolittle, a utilização de um tabuleiro designado com o nome do autor (tabuleiro de Cloake), (Figura 2). Este tabuleiro é composto por uma grade excluidora de rainhas e uma placa com as mesmas dimensões.

Figura 2. Tabuleiro de Cloake (Foto by Susan Cobey 2005b)

Para a preparação deste método foi necessário colocar o tabuleiro de Cloake (sem a placa) 7 dias antes da transferência das larvas deve-se girar a colónia 180°, fechando a entrada inferior. Desta forma, as abelhas foram obrigadas a entrar pela passagem do tabuleiro.

Dois a três dias antes da transferência das larvas, passaram-se os quadros de criação aberta para o sobre-ninho com o intuito de recrutar abelhas jovens. No dia anterior à transferência das larvas, colocou-se a placa separadora do tabuleiro de Cloake e abriu-se a entrada original da colónia. Colocaram-se o(s) quadro(s) porta cúpulas na(s) colónia(s) para a sua aceitação.

No dia da transferência larvar, retirou-se o(s) quadro(s) porta cúpulas das criadeiras e retirou-se um quadro com larvas jovens da colónia genearca. Depois de realizar a transferência das larvas do quadro de criação para os quadros porta cúpulas, estes foram colocados nas criadeiras. No dia seguinte, retirou-se a placa do tabuleiro de Cloake. Entre o 9º e 11º dia retiraram-se os alvéolos reais para retiraram-serem colocadas na incubadora.

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2.5. Realização da transferência larvar

É uma operação (Figura 3) que consiste em transferir larvas jovens de alvéolos de obreira, preferencialmente, com menos de 24 horas de vida para as cúpulas reais, uma vez que a idade das larvas é um aspeto muito importante na qualidade das rainhas (Neto, 2009; Fert, 2013). As larvas jovens são transparentes e quase retas contrariamente às de mais idade. É necessário ter uma boa visão e uma grande destreza para poder recolher a larvas jovens. Para garantir as condições ambientais adequadas ao sucesso da técnica, preparou-se um espaço adjacente ao apiário, que evitasse a presença de abelhas e a luz solar direta. A transferência das larvas deve ser efetuado preferencialmente com uma temperatura entre os 25°C e 30°C, humidade relativa na ordem de 75% e deve-se utilizar uma “luz fria”.

Previamente, realizou-se um treino em que foi utilizado uma lupa e um “picking chinês” como ferramenta para retirar as larvas do quadro de criação.

Figura 3. Preparação para atransferência das larvas.

Para evitar a desidratação e aumentar a aceitação das larvas, adicionou-se previamente uma gota de uma mistura de água destilada com geleia real nas cúpulas artificiais, posteriormente, colocaram-se as larvas sobre essa mistura.

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2.6. Verificação dos alvéolos reais

Como foi referido anteriormente, a criação artificial de rainhas, assenta na indução de um sentimento de orfandade nas abelhas que se localizam no ninho superior que conjuntamente com colocação das cúpulas com as larvas transferidas constituem as condições que favorecem a produção de alvéolos reais, para garantirem a sobrevivência da colónia. Para avaliar o sucesso da técnica e decidir sobre uma eventual repetição da transferência larvar, realizou-se uma verificação do número de alvéolos reais iniciados ao 6º dia após a transferência das larvas (Figura 4).

Figura 4. Quadro porta-cúpulas com alvéolos reais.

2.7. Transferência dos alvéolos reais para a incubadora

A transferência dos alvéolos para uma incubadora para aí completarem o seu desenvolvimento apresenta algumas vantagens, designadamente o permitir a introdução de novo quadro porta cúpulas mais cedo, aumentando a eficiência de produção rainhas. Segundo Fert (2013) pode-se transferir os alvéolos reais entre o 9º e 11º dia para incubadoras com temperatura de 34ºC e 70% de humidade. Contudo, neste estudo verificou-se que nessas condições a taxa de nascimentos foi relativamente baixa. Para determinar o que estava a provocar o insucesso de nascimentos colocaram-se os alvéolos reais em duas estufas diferentes (uma que dispunha de um dispositivo de medição da humidade e ventilação e a outra não) e outro grupo de alvéolos reais permaneceram numa colónia finalizadora. No entanto, a taxa de nascimentos foi em todas as situações baixa. Após análise dos resultados e consulta de mais estudos, concluiu-se que não foram as condições ambientais utilizadas, mas o manuseio dos alvéolos reais numa altura crítica do seu desenvolvimento. Assim, passou-se a transferir os alvéolos reais ao 6º dia e a incubar a 35ºC e 70% de humidade em estufa (Figura 5) o que resolveu o problema.

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Figura 5: Incubadora (Heraeus - Incubator D-6450 Hanau).

2.8. Avaliação de nascimentos das rainhas

Após a operculação dos alvéolos, que ocorre entre o 8º e 9º dia após a postura do ovo, inicia-se a metamorfose que termina com o nascimento da rainha no 16º dia. Contudo, pode ocorrer mortalidade nesta fase devido a vários fatores entre os quais o manuseamento e o choque térmico. A contabilização da taxa de nascimentos, normalmente expressa em percentagem, é um índice importante na avaliação da implementação da técnica, tendo sido também calculada neste estudo. Para prevenir que a primeira rainha nascida roesse os alvéolos e matasse as outras rainhas, todos os alvéolos reais foram incubados com proteção adequada conforme se mostra na (Figura 6).

Figura 6: Alvéolos reais com proteção na estufa.

2.9. Pesagem das rainhas

O ideal era proceder-se à pesagem da rainha imediatamente após o nascimento, sem que esta tenha tempo de ingerir alguma geleia real remanescente no alvéolo real. Contudo, este

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procedimento não foi possível de implementar na prática em todas as rainhas, uma vez que a várias rainhas nasciam quase em simultâneo e outras durante o período noturno, o que tornou esse ideal impraticável. Assim, para minimizar o erro de pesagem após um tempo incerto (horas) do nascimento optou-se por pesar todas as rainhas de hora a hora até atingirem um peso estável.

O pressuposto desta opção assentou na observação de uma certa estabilidade do peso por volta de 3 a 4 horas pós nascimento nas rainhas que se tinha assistido ao nascimento. Constatou-se ainda que a partir da 7ª hora após a emergência eram poucas as rainhas que sobreviviam. Em termos gerais neste estudo seguiu-se as recomendações Büchler et al. (2013), tendo os pesos sido efetuados numa balança analítica digital de precisão à décima de miligrama (Figura 7).

Figura 7: Foto da balança (AND HM-120 Digital Analytical Balance).

Foram realizadas um total de 5 pesagens por cada rainha nascida, anotando se se assistiu ou não ao nascimento. A média da perda de peso observada nas rainhas em que se assistiu ao nascimento e se pesou de imediato foi usada para extrapolar o peso ao nascimento daquelas que não se assistiu, tendo em conta o último peso estável.

Depois da última pesagem as rainhas foram colocadas juntamente com abelhas, vulgarmente denominadas de amas, numa jaula de introdução de rainhas com alimento (candy), ficando assim preparadas para serem introduzidas nos nucléolos de fecundação.

2.10. Preparação dos nucléolos de fecundação

Prepararam-se 40 nucléolos de fecundação, devidamente numerados, cada um com 4 meios quadros de ninho colmeia lusitana, previamente “puxados” e com algum mel (Figura 8). Todos eles, foram uniformemente povoados aproximadamente com o mesmo número de

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abelhas, alimentados (Delaplane et al., 2013) e mantidos fechados (mas arejados) em espaço escuro durante 3 dias. Posteriormente foram colocados próximo do apiário da UTAD, no chão e encostados à vegetação de giestas existente no local. Esta localização prende-se com o facto de se pretender algum ensombramento dos nucléolos e que tenham pontos de orientação para as abelhas.

Figura 8: preparação dos nucléolos de fecundação.

2.11. Introdução das rainhas nos nucléolos

Passados 3 dias após a preparação dos nucléolos de fecundação, procedeu-se à introdução das jaulas com as rainhas virgens que tinham 3 a 4 dias de idade (Figura 9). Elas foram previamente identificadas e marcadas e ao mesmo tempo foi realizado o registo de cada introdução. Após a realização da avaliação de cada rainha, esta foi retirada e 3 dias depois introduzida uma nova rainha virgem e assim sucessivamente.

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2.12. Monitorização da aceitação das rainhas

Por vezes a rainha introduzida num nucléolo é morta pelas obreiras, não se sabendo o motivo de tal rejeição. Assim, para evitar ineficácia na recolha de informação pretendida sobre as rainhas e ao mesmo tempo avaliar o nível de sucesso na introdução, foi realizada uma inspeção ao 3º dia com o objetivo de detetar a presença da rainha. Nos casos, em que se verificou ausência dela procedeu-se à reintrodução de uma nova, anotando-se este facto.

2.13. Monitorização da fecundidade e início de postura

O processo de fecundação das rainhas representa um risco de sobrevivência para as mesmas, uma vez que a saída para o espaço exterior sujeita-as ao ataque de predadores. No que respeita ao intervalo entre a introdução e a fecundação das rainhas, Jhajj et al. (1992), referem que as rainhas geralmente saem para os voos de fecundação entre os 4 e 13 dias após a emergência. Contudo estes valores não têm em conta a idade da rainha que é um aspeto importante. As rainhas podem sair das colónias para acasalar mais que uma vez (Kaya et al., 2008). Na bibliografia consultada é amplo o intervalo (entre os 6 e os 30 ou mais dias), apontado para o período que medeia entre a introdução de uma rainha e o início da postura. A título de exemplo indicam-se os trabalhos de Szabo et al. (1987) e de Wilde (1994b) que referem valores compreendidos entre os 4 a 22 dias e os 7 e 26 dias de idade para a rainha, respetivamente.

Contudo, segundo Lensky & Demter (1985) em condições climatéricas favoráveis, as rainhas iniciam a postura entre os 7 e os 12 dias de idade. Considerando este referencial e o facto das rainhas introduzidas terem entre 3 a 4 dias de idade e ainda tendo como objetivo detetar o início de postura o mais cedo possível e perturbar ao mínimo os nucléolos, optou-se por fazer a primeira inspeção ao 7º dia após a introdução e a segunda ao 15º dia. No caso de as rainhas não terem iniciado a postura, foi observada a condição morfológica das mesmas, permitindo assim avaliar se foram fecundadas ou não.

2.14. Avaliação do desempenho de rainhas

Os critérios de avaliação de desempenho de rainhas mais recomendados são a quantificação da área total de criação e da sua “solidness” (Delaplane et al., 2013). Estes autores definem “solidness” como a percentagem de alvéolos de obreira vazios numa determinada área de favo de criação (medida em alvéolos). O termo inglês “solidness” sugere uma tradução portuguesa de solidez ou compactidade, contudo estes termos têm normalmente um significado

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oposto ao atrás definido. O termo português que melhor se coaduna naquela definição é o índice de vazios, usado noutras áreas científicas, designadamente na mecânica de solos. Atendendo que a designação a usar deve traduzir o desempenho da rainha, optou-se por utilizar o termo compactidade mas definido como 1-solidness, ou seja como a percentagem de alvéolos de obreira com postura numa determinada área de favo de criação (medida em alvéolos), normalmente escolhe-se uma área de criação operculada por ser mais fácil de visualizar. Os autores atrás indicados referem como aceitável um valor inferior a 10% de “solidness“ ou seja uma compactidade superior a 90%.

Para estimar estes parâmetros começou-se por seguir o método “Objective mode“ de Delaplane et al. (2013) que recomendam a contagem do número de alvéolos vazios num losango com 10 alvéolos de lado, ou seja num total de 100 alvéolos, numa área de criação operculada.

Contudo, verificou-se que os resultados variavam imenso em resultado da localização do losango que se avaliava, o que levou ao abandono deste método. Em vez disso passou-se a usar uma grelha (Figura 10) indicada pelos mesmos autores, mas neste caso foi desenhada em folha de acetato, que se colocava por cima do quadro de criação, para de seguida contabilizar a área de criação operculada e a de criação aberta no favo completo (Figura 10).

Figura 10: Exemplo de grelha (4cm X 4cm) utilizada na avaliação da compactidade da criação.

Apesar de se mostrar mais eficaz que o método anterior, era ainda algo subjetivo, e ao mesmo tempo demasiado moroso, por isso decidiu-se mudar para uma alternativa mais precisa, fotografando, com uma câmara de alta resolução, as faces dos quadros e procedendo à análise da imagem com recurso ao programa informático ImageJ (Schneider et al., 2012), de acordo com a metodologia sugerida por Cornelissen et al. (2009). Estes últimos autores recomendaram para o efeito o procedimento apresentado na Figura 11.

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Figura 11: Etapas a realizar no programa ImageJ de acordo com Cornelissen et al. (2009).

No entanto, por este procedimento não se conseguiu obter os dados desejados. Por isso decidiu-se, com este mesmo programa, testar uma nova abordagem, a qual se descreve na Figura 12. Alerta-se no entanto que em grande parte dos passos indicados é necessário definir valores de limiares (“thresholds”) e de “analyse particles” que são requeridos para otimizar a sensibilidade do programa em reconhecer o padrão alveolar dos favos quer quanto à forma quer quanto à cor.

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Figura 12: Metodologia de análise no programa ImageJ que se sugere com base nos resultados obtidos.

Com esta nova rotina foi possível gerar imagens com alvéolos individualizados de diferente padrão (abertos e fechados). Com a fotografia ampliada delimita-se manualmente a área de postura e efetua-se a contagem de alvéolos abertos conforme se mostra em “B” na Figura 13. Em ficheiro Excel (Microsoft Office 2010), estima-se o número de alvéolos operculados pela diferença de áreas desta imagem. Seguidamente delimita-se a área operculada e determina-se nela o número de alvéolos abertos vazios.

Figura 13: Aspeto da imagem obtida no programa ImageJ para avaliação da compactidade da criação, A - quadro com criação aberta e operculada; B - contagem dos alvéolos de criação aberta; C - contagem das falhas.

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A compactidade foi determinada como o número de alvéolos operculados sobre o total de alvéolos (operculados e vazios) na área de criação operculada atrás delimitada, expressa em percentagem. A metodologia não é totalmente exata mas representa uma boa aproximação.

2.15. Análise estatística

Os resultados produzidos seguindo a metodologia referida anteriormente, foram organizados em folhas do programa Excel (Microsoft Office 2010) e, quando necessário, realizados os respetivos cálculos e gráficos. Os dados finais, após formatação, foram analisados recorrendo ao programa JMP versão 7.0 (SAS Institute Inc., 2007). Procedeu-se à análise de variância e testes comparação de médias. Conforme a natureza da variável optou-se por realizar o teste t para as variáveis quantitativas e o teste exato de Fisher para as variáveis categóricas.

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3. Resultados e discussão

Este estudo envolveu um conjunto alargado de variáveis com intuito de fornecer tendências sobre um conjunto de questões de índole prático. Assim, procurou-se organizar os resultados obtidos em função da natureza das variáveis mas acima de tudo em função dos objetivos propostos.

3.1. Eficiência global na produção de rainhas e sua aceitação

Na Tabela 3, pode ser observado a súmula os resultados globais do presente estudo, relativos à eficiência das várias etapas envolvidas na técnica de criação de rainhas e na subsequente introdução em núcleos de fecundação.

Tabela 3. Súmula global dos resultados da produção de rainhas

Trans

(n) A Rea (n) A Rea (%) Nasc (n) Nasc (%) Sobr (n) Col (n) Ace (n) Ace (%) Zan (n)

990 625 63,1% 390 39,4 350 185 164 88,7 21

Legenda: Trans (transferência de larvas); A Rea (alvéolos reais); Nasc (nascimentos); Sobr (sobreviventes); Col (colocadas); Ace (aceites); Zan (zanganeiras).

De um total de 990 transferência de larvas realizadas, as abelhas construíram 625 alvéolos reais. Destes, nasceram 390 rainhas das quais sobreviveram 350 e 40 delas não foram aproveitadas (28 foram congeladas, 4 eram deficientes, 3 desapareceram e 5 morreram acidentalmente). Foram colocadas nos nucléolos de fecundação 185 rainhas e destas 164 foram aceites, sendo que as restantes 21 não foram aceites ou não fecundaram, tendo as respetivas colónias ficado zanganeiras.

As condições meteorológicas desfavoráveis (até inícios de junho 2016) e a iniciação de um processo de aprendizagem na criação de rainhas estão certamente na origem dos valores médios baixos no que respeita à percentagem de construção de alvéolos reais (63,1%), bem como à percentagem de nascimentos (39,4%), percentagem calculada relativamente ao número de transferência de larvas efetuadas.

A Figura 14 mostra a evolução destes índices ao longo das 7 réplicas efetuadas, onde se pode verificar que os valores mais baixos da percentagem de nascimento ocorreram nas primeiras duas réplicas.

Imagem

Tabela 1. Calendarização das etapas do estudo (ano de 2016)
Figura 3. Preparação para a transferência das larvas.
Figura 6: Alvéolos reais com proteção na estufa.
Figura 8: preparação dos nucléolos de fecundação.
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Referências

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