UNIVERSIDADE
FEDERAL
DE SANTA
CATARINA
›.CENTRO
SÓCIO
ECONOMICO
O›,'
DEPARTAMENTO
DE
SERVIÇO SOCIAL
_O
CONCUBINATO
COMO UMA
`NOVA
OPÇÃO
FAMILIAR
*Aprovado Polo
DSS
z-41/21/11
~z. grin Maria Schmíckler
Sub- ele -~ Depto. de Serv. SOÇiB1
' SE-UFSC
I
_ Trabalho de conclusão
de
curso apresentadoao
Departamento
de Serviço Socialda
"
Universidade Federal de Santa Catarina, sob a
orientação da professora Gene); O Mitika
Karawaza
Takashirna, para obtençãodo
titulode Assistente Social pela
Acadêmica
:VANUZA
RIBEIRO
Dos sANTOs
Florianópolis, Julho de 1995
Dedico
este trabalhoa
minha
famíliaamada,
pelo apoiofundamental por
todos despreendidos,em
especiala
minha
mãe,
peloamparo
nos
momentos
de
desânimo, ea
meu
pai
(inmemorian) por
ter incentivadoem
mim
tanto 0 querercomo
o
Agradecimentos
Agradeço
profunda e sinceramente a Deus, pelaforma
com
que orientou amim
~
e as demais pessoas
que
contribuíram para a concretizaçao deum
desejomeu,
em
especial:Ao
Marcos, peloamor
transmitidoem
todos osmomentos
dificeis, os quais nosalentamos juntos; r
A
Clara, irmã eamiga que
em
muitas ocasiões se propôs ao papelde
mãe;A
amigavlvanete, pelo companheirismo dividido, tantona
faculdade quantoem
casa.
Que
sua vida evolua diariamente;-_
A
Patrícia, a Cléa e demais colegas de estágio, por termos compartilhadoum
interesse
comum,
apoiando-nos mutuamente; ‹A
Arlete, pela paciente dedicação duranteo
estágio e pelo apoio extrana
elaboração deste trabalho; -
A
professora Geney,que
providencioucom
cuidado paraque
este trabalho sea
SUMÁRIO
~APRESENTAÇÃO
... ... ., ... .; ... .; ... 1CAPÍTULO
I -“A
DECADÊNCIA
DO
MODELO
TRADICIONAL
DE FAMÍLIA E
A
EMERGÊNCIA
DO
CONCUBINATO”
... ..3
1.1 - Família tradicional ... .. 5
1.2 -
Educação
diferenciada ... .. 61.3 - Família
contemporânea
(Pós-modema)
... .... .. 81.4 -
Novo
papelda
mulher ... .. 101.5 -
Do
divórcio ... .. 111.6 -
Os
modelos
familiares predominantes frente à lei:O
Casamento
eO
Concubinato 13 1.7 -As
implicações das relaçõesnão
oficiais: direitos e obrigações ... ..22
1.8 - Providências legislativas atuais ... .; ... ..
29
CAPÍTULO
II -ANÁLISE
DA
TRAJETÓRIA
QUE
ENVOLVE
Os
CAsAIs
,CONCUDINÁRIOS
NA
ÓTICA
DO
sERvICO
SOCIAL
... ..31
2.1 - Caracterizando
O
Serviço Social ... ... ._ 31 2.2 -O
Serviço Social nas Varas de Famíliado
Forum
e nossa prática ... .. 332.3 -
A
opção
pelo concubinato ... ..38
2.4 - Análise equivalente à pesquisa ... ..
43
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
... ... .. 61REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
... ..63
APRESENTAÇÃO
O
interesseem
expandiro
assunto relativoao
concubinato está condicionado pelaprática voltada para as situações que
surgem
a partirdo
contexto familiar, principalmenteaqueles organizados pelas freqüentes situações de casais sob regime de concubinato, durante
o
estágio curricular realizado
no
período demarço de 1994
adezembro do
mesmo
ano
nasVaras
de
Familiado Fórum.
Foi através
da
pesquisa realizada na práticaque entendemos
como
as pessoaschegaram
a tal situação, além dos motivos
que
asfazem
permanecer nela.Esta pesquisa
vem
contribuir para a atuação profissional, elaborandouma
perspectivade
programação
na estância jurídica.Neste sentido, a
mesma
possuio cunho
de identificar os princípios decomportamento
que
permeiam
as relações concubinárias, visando contribuir paraque
os atendimentos àpopulação
que
recorre ao Serviço Socialdo
Fórum
permitam
resgatar a dignidade esquecidade
uma
parcela significativada
sociedadeque
vive àmargem
de seus direitos.A
grande 'incidência de casamentosnão
regulamentados pelas Leis Federais evidenciou-se sobre os demais acontecimentos oriundos
da
convivência grupal por ternormas
e princípiosdivergentes
do
tradicional.Identificamos, nestas considerações, motivos solícitos de
um
desvelamento maisacentuado envolvendo
o
tema.Pretendemos
com
o
produtodo
presente trabalho de conclusão de curso atingirum
objetivo geral, qual seja possibilitar aos profissionais
do
Serviço Socialuma
percepção de todasituação conflitante concernente à união livre-estável, para
que
assim hajauma
tomada de
Sendo
assim, a importânciado
concubinatocomo
forma de instituição familiar dar-se-áem
doismomentos,
que, interligados, facilitarãouma
melhor
compreensão
deste.O
primeiromomento
caracterizao
modelo
tradicional de família,em
comparação
com
as versões contemporâneas. Aduzindo, neste ponto, a famíliacomo
organismo ativo sujeito atransformações, ressaltando os inúmeros fatores determinantes
do
seu processo evolutivo, poisnão
seria prudente falar sobre formas diferentes.de
instituir família,sem
antes tecerconsiderações sobre a trajetória pela qual ela
vem
passando.Logo
em
seguida, édado
enfoque aos principaismodelos
predominantesde
familia,ou
seja,
o
casamento tradicional eo
concubinato.A
este último édada
maior importância, poissuas conseqüências
como
fato social trazem várias inovações ao nívelde
entidade familiar.Por
este motivo, prepondera-se
no
final deste capítuloo
reconhecimentoda
união livre- estávelcomo
entidade familiar geradorade
direitos e deveres, acrescentando-se à orientaçãolegislativa
que
cingeo
fato, servindo esta de esclarecimento a respeito das dúvidas maiscomuns,
como:
Dissoluçãode
Sociedade de Fato, Divisão de Bens,Guarda de
Filhos,~
Investigaçao
de
Paternidade ePensão
Alimentícia.Lembra-se, porém,
que
com
essa experiência pretendemos apenas acrescentaruma
colaboração à cerca
da
questão, pois a continuidade dessas reflexõesnão
seesgotam
facilmente, transfonnando-se e renovando-se a cada dia.
Desejamos
indagar sobre algumas das conseqüências trazidas pelo concubinato,oferecendo
com
isso,uma
modesta
contribuição nestecampo.
~ r Í i › . Mu U _- ›.,. ,- -,` _ .‹ ‹. V L n
CAPÍTULO
I -“A
DECADÊNCIA
DO
MODELO
TRADICIONAL
DE
FAMÍLIA
E
A
EMERGÊNCIA DO
CONCUBINATO”
A
família,sem
dúvida, éuma
instituição social tão antiga quanto a históriada
humanidade. Ela se
movimenta
num
sentido dialético, sobum
estado de constantetransformação,
marcando
cada época, cadaforma
diferentede
sociedade,dependendo
de suavariação.
É
a basede
tudo.Se avançarmos no
estudo da dinâmica da família, mais fácil será percebermos suaevolução,
que não pode
ser evitada, pois a natureza das relações dentrode
uma
farnília,modifica-se através
do
tempo, jáque
se sabeque nada
é estático na sociedade e,conseqüentemente, a família
também
não
seria, principalmenteporque
é considerada forçamotriz daquela. ' '
~
Nao
restam dúvidas quanto à questãode que
a família éum
organismo ativo.Ao
contrário deste conceito,
o que
setoma
dificil é discernir quais os determinantes,ou
seja, asinúmeras razões
que levam
àsmudanças
e formasque admitem
a família, quer dizer, ascondições dos
fenômenos que
provocam
outros fenômenos, vistoque
as alteraçõesno
núcleofamiliar refletem-se por todos os ângulos
da
sociedade.A
industrialização, por exemplo, é acausa pela qual as mulheres partiram para
o
campo
de
trabalhono
mercado, jáque
as máquinassubstituem a» força fisica dos homens,
podendo
ser manejadas pelas mulheres. `Assi'rn,'~' 'asf¡Í-Ívariadas formas de edificar
uma
família se arrastam pelostempos
e épocas. '
z
chegando
z.,. até hojeffazendocom
quepermaneçam
as diversas experiências substitutivasda
família tradicional,
que
serão abordadas mais adiante. -A'fàmília
contemporânea tem
como
característicauma
certa mobilidade,o que nos
Um
aspectoque
se ressalta sobre outros,quando
se fala de fatores determinantesno
processo evolutivo
da
família - dirão os estudiosos deste assunto,sem
hesitação - é a situaçãofeminina e os reflexos
que
provocam
a socializaçãoda
mulher. Esta socialização inclui suaposição econômica, seu “status”, os problemas
que
enfrenta para libertar-seda
submissão aohomem,
-o preçoque
paga
para obter sua independência financeira ao terque
laborarduplamente,
em
casa e forado
lar. Este éum
dos principais requisitosque
se refletena
famíliaatual,
ou
seja, a divisão dos papéis e responsabilidades exercidas deforma
desigual.Apesar das variações pelas quais passa a instituição familiar, isto
não
a isenta de,constituir caráter de imprescindível importância na vida de cada
membro
pertencente ao grupo.“É na
relaçãoem
famíliaque acontecem
os fatosmais marcantes
da
vida
de
cada
um
de
nós:a
descobertado
afeto,da
subjetividade,da
sexualidade,
a
experiênciada
vida socialmais
vividapor
todos.De
toda forma, pode-se dizer
que
a
família éo
espaço íntimo e privadodas
pessoas”.(Cademos
deAção CBIA-SP,
n° 05,Dez
l994:7).Cada
familia possui a flexibilidadeque
deseja para escolhero
modelo que
se encontrede acordo
com
sua vontadeou
necessidade.Um
modelo
foi muito idealizado pela maioria dasfamílias e
que
podemos
nos referir a elecomo
modelo
tradicional,que
segueum
padrão,mas
nem
sempre
é aquele vivenciadono
dia-a-dia das famílias.. w , F fêz .,|.,‹, 1 1 `l .__A \ '* '.‹ .M . -r Ê 1 1
1.1 -
Família
tradicional
Para
aprofimdar o
estudo relacionado aomodelo
chamado
tradicional, citemosDanda
Prado:
“O
tipo familiar tradicional échamado
extenso, patriarcal edoméstico”
(Prado, 19s1zó5)._
. .
I
Visto por muitos
como
um
modelo que
reproduz a ideologia dominante, estetem
raízesno
passado distante.Porém,
muitas famíliasbuscam
nele sua estruturação. Para Levi Strauss:“O
modelo
tradicional éa
uniãode
um homem
euma
mulher,mas
por
outro lado, é precisotambém, que
entre os dois se interponhaa
criança
que
devem
procriar,de
modo a
expressaremsua
contribuiçãoà
sociedadeque
lhes permitiua
união ” (Debates Sociais, 1991 : 15).Neste modelo o
casamento uniatambém
as famílias enem
sempre
erauma
decisãoexclusiva
do
casal.Tinham que
passar pelas fasesdo
namoro, noivado, casamento e luade
mel.Os
papéisdesempenhados
tanto pelohomem
quanto pela mulhereram
bem
definidos.Ele exercia
o
título de chefeda
famíliaou
provedor e a ele era atribuídoo
statusda
mais altaautoridade sobre a família, principalmente sobre os filhos e à mulher,
que
deveria subordinar-sea ele.
A
ela era atribuídauma
dependêncianão
só financeira,mas
cultural, poisao
homem
eram
reservadas as atividades forado
âmbito familiar,como
discussões sócio-políticasda
sociedade.
_
A
administraçãoda
casa era da competênciada
mulher.A
ela caberiao
mundo
doméstico, queincluía
o
cuidadocom
os filhos eo
marido,devendo
oferecer-lhes apoio e atémesmo
punições.Ê..
'Apesar
da
mulher terque
refletiruma
imagem
demãe
amorosa, transmitiruma
aparência
de
simpatia e fragilidade, aceitar todas as condiçõesque
o
homem
lhe impunha, tinhatambém
que
cumprircom
atividades laborativas, e estas lhe exigiam igual esforço fisico às exercidas pelohomem,
com uma
ressalva,o
trabalho exercido por elasnão
era reconhecido, jáque este não era remunerado.
Além
disto, deveriam recebero
marido e os filhoscom
desvelosem
evidenciar sua fadiga. Há, neste ponto,um
fato contraditório.A
mulher era consideradafrágil,
no
entanto exercia atividades produtivas tão laboriosas quanto asque
oshomens
exerciam. `
_ Outro fator
que
implicao
modelo
tradicional é a extensãoda
família. Famílias grandes,com
muitos filhos,que
se reuniamem
tomo
deuma
casa só.A
cadamembro
era destinadauma
função.,Reuniam-se
com
freqüência e participavamde
atividadesem
comum,
sendoque
o
número
de
filhos contribuía para aumentaro
resultado financeiro..
A
Igreja possui grande representação neste tipode
familia.Na
verdade a Igrejasempre
teve muito interesse
em
preservar estaforma
familiar, tornando-se dificil dissociar família dereligião.
Danda
Prado
explana sobre esta questãoda
religiãoem
relação à família, deixandoclara a:
“Influência
da
Igreja tantono
plano
socialcomo
no
individual.Desta
forma,
a
Igreja sacralizouas
principais manifestaçõesda
vidafamiliar,
como
nascimento, casamento, morte, etc...,mas
em
trocaa
instituição religiosa é sustentada pela família, que lhe
ƒomece
colaboração
de
forma
primordialao
cumprimento das
práticasreligiosas (Prado, 1981 167)
Entretanto, há autores
que
mostram
uma
controvérsia aoexporem
sobre este assunto,demosntrando que
a Igreja sanciona toda a infração às normas.«_
1.2 -
Educação
diferenciada
Porém,
outros acreditam que, neste modelo,uma
das condições eraque o
homem
tivesse
uma
vida sexual intensa antes de casar-se e dar provas de sua virilidade. Desta maneira,ele agia contra os costumes religiosos
que
previam a castidadede
ambos
os sexos, costumesestes aceitos teoricamente.
Na
prática, estanorma
seria rejeitada pelo própriomodelo
um
fato natural ohomem
ser “experiente”ou
mesmo
uma
infidelidade masculina.Agindo
assim, ela
não
perderia a segurança econôrnicaque
ele_lhe proporcionava.À
mulher porém,cada vez mais era
reafirmado o
valor da castidade.Diante dessa argumentação, faz-se necessária
uma
cuidadosa observação que, paraMedina, é outro forte
componente
neste modelo:t “A segregação
dos
papéis masculinoe feminino.
A
união ocorreriaapós
a
luade
mel,onde
o
sexo seriao ponto
nuclearda
reação,em
termos segregados: coisas
de
homem,
coisasde
mulher, totalmentedistintas (Debates Sociais, l99l:15)
Este
componente não
deixade
ser parte deuma
ideologia dominante organizada,na
qual a diferenciação dos papéis masculino e feminino se
dão
desdeo
nascimento. Desta forma,ao
menino
é ministradoo
ensinoda
atividade,da
força,da
rudeza; àmenina o
da
passividade efi'agilidade.
O
menino
é taxadode
fraco ao chorar, por exemplo.Além
disto, ohomem
aprendedesde
cedo
a desvincular sexo de amor.Ao
mesmo
tempo
que
pode
amar
uma
mulher,pode
também
praticar sexocom
outras.Constata-se aqui
uma
educação diferenciada,que
inicia desde cedona
infância,condicionando e definindo
o
papel eo comportamento de
cadaum,
de acordocom
seu sexo.Marina
Colasantiexpõe
seu ponto de vista quanto a este aspecto,afirmando
que:“Nossa
sociedade é basicamente iincoerente.Embora
querendo que
vivamos
juntoso
amor, eda forma
mais
simétrica possível, elao
ensina
de
forma
diferentepara homens
e mulheres. ” (Colasanti,1985123) A
Esta questão ainda gira
em
tomo
deuma
políticaque
objetiva isolarem
mundos
Medina
sustenta a tesede que
o modelo
tradicional é segregadoem Mundo
Doméstico,para a mulher (sentimental, afetivo, de obediência),
Mundo
do
Trabalho, para ohomem
(racional, calculista, de independência) e
o
Mundo
do
Casal,formado
pela união de duasfamílias,
ou
seja, cadaum
com
seumundo
próprio. V1.3 -
Família
contemporânea
(Pós-moderna)
Nas
últimas décadas,novos modelos
de família estão emergindo.As
versões pós-modemas
possuem
princípios decomportamento que
diferem radicalmentedo
tradicional.Essa
emergência acentuou-se principalmente
na
década de60
ena
décadade
70,com
a revoluçãocomportamental
da
mulher.Não
que
especificamente a revolução feminina tenha sidoo
único fator preponderante.Houveram
outros,como
a crise econômica, etc...A
realidade é que,no
mundo
contemporâneo, observa-se
uma
tentativa revolucionária de recusa aoque
se mantinha porimposição. .
As
mudanças
trouxeram consigo a liberdade de escolha e a igualdade entre os sexos_faz-se mais
próxima
de acontecer,tomando
omodelo
tradicionalde
família antiquado.Agora
~ ~
novos
valores sao postosem
questao, amodemização
em
vários setoresvem
acompanhada da
recusa aos antigos sistemas,
que
se recobriam por trásde
ideologias vigentes./
“As pessoasquerem
estar menos. sujeitasa
regras emais
adequadas
aos
desejos e necessidadesde
cada
um
(Cademos
deAção
-CBIA
-SP, n° 05, dezembro, 1994: l 1)
i
Falamos, anteriormente, quanto à significação
da
familia para as pessoas,de
como
o
homem
necessita viver neste grupo, decomo
o
relacionamento é fundamental paraque
aspessoas atinjam a maturidade.
Porém, o que
convém
no
momento
é a discriminação dos principais fatoresque levam
àObservamos que o modelo
padrão era elaborado pela classe dominante,ou
seja, aque
detinha
o
podereconômico
e, portanto, por ela este poderia ser sustentado. Hoje,o que
ocorreé
que
a maioriada
população sofrecom
a forte crise econômica.Apesar do modelo
padrãoainda ser visto
como
ideal pela maioria masculina, a realidade financeiranão
toma
viável esteideal, forçando a busca de outros meios de união. -
Um
pontoque
também
merece
uma
observação cuidadosa refere-se a socializaçãoda
mulher.
As
mulheres iniciaram sua libertação recusando-se a seruma
propriedade masculina.Os
movimentos
feministas tiveram papel decisivo nessa luta pelo direitode
igualdade eliberdade pessoal.
Para Heller, apesar
da
progressiva conquista feminina, ainda existiam fortes adeptosdo
modelo
patriarcalde
família,como
a tradição de costumes e a própria religião,que
retardarama realização desta tendência geral. _
Heller
afirma
que
muitas conquistasforam
obtidas pela intervençãodo
Estado na esferada
vida privada,o que
proporcionouum
progressivo reconhecimento das mulherescomo
pessoas, contra tese daquelesque
as consideravam “objeto de propriedade”. (Serviço Social e Sociedade, agosto1987
:15)Com
essa intervenção estatal, muitos direitosforam
adquiridos pelas mulheres,como
aparticipação paritária nas eleições, pensão alimentar, a paridade
no
acesso à escola e aomundo
do
traballio.A
questãodos
maus
tratos às mulherestomou-se
passívelde
ser punida por lei.Além
disso, a autoraem
pauta atribui ao “Estado deBem-Estar
Social” a causa pela¿( perda
de
muitas funçõesda
família,como
afimção
educativa,onde o
Estadoassume
ainstrução obrigatória às crianças.
Também
a criaçãode
beneficios para a gestão doméstica,que
toma
mais fácil e privada afimção
de reproduzir a vida cotidianada
família, pois agora conta1.4 -
Novo
papel
da
mulher
'o
A
socialização da mulher é vistacomo
uma
mudança
radicalem
relaçãoao
modo
deconstruir família.
Sob
esse aspecto, a socializaçãoda
mulher tevecomo
companhia
a liberdadesexual,
o aumento
de mulheresna
força de trabalho e a liberdade de escolha. Essa liberdadede
escolha fez
com
que
a maioria dos pedidosde
divórcio fosse elaborada pelas mulheres,como
uma
altemativa de se libertaremda dominação
masculina. Issotomou
os relacionamentos maisflexíveis,
onde
cadaum
tem
liberdade de sairou
entraremuma
nova
relação.Por
outro lado, os homens, depois de muito reagirem para manter estacionada aofensiva das mulheres,
não
obtendo resultados desejáveis, entraramno
ritmo das inovações.Deixaram
para tráso que
sepode chamar
de “arranjo de família” e atualmentebuscam
adaptação a tipos altemativos de convivência familiar, paralelamente às mulheres.
Em
muitos casos, a independênciada
mulhernum
mundo
produtivo éuma
questão de.,necessidade para garantir sua sobrevivência e ajudar
na manutenção
,da casa. ,_Ã?
Pode-se perguntar qual a conseqüência para a vida familiar desse ingressomaciço
das -mulheres
no
mercado de
trabalho, jáque
elasassumem
duplajomada
de
trabalho,conseqüência ainda
da fonna de
educação tradicional. VA
saídada
mulher parao
mundo
produtivonão
tem
como
única causa a conquista pelaigualdade.
A
crise financeira nacional repercute na intensidade deste movimento.Baseado no
amor,o
casalrompe
com
suas famílias, enfrentando todos os obstáculos.No
entanto, estemodelo
possuicomo
característica a instabilidade. Para Medina:“Tal instabilidade
não
precisa ser permanente,havendo
constante-reorganização:
achar
um
novo
par,retomar para
a
famíliade
origem, encontrar
novo emprego
(Debates Sociais, 1991 :22)Diante
do
exposto, pode-se entenderque
esta situação de instabilidadenão
alterao
mundo
individual de cadaum.
Os
sentimentos de perda e rejeição são logo superados e preenchidos por.outro relacionamento.Há uma
discussão a respeito dos filhosque não
podeípassar despercebida nestetrabalho. Sabe-se que,
com
a modernização dos costumes a mulher Í 2 _____,, ____, passa a exercer” fM
funções_
>(quesantes
eram
consideradas masculinas e vice-versa,_po.dendQ,_a;nb,g,s,rfazer asmesmas
coisase,
na
maioria das vezes,com
amesma
facilidade.Em
decorrência disto,o
cuidado e a atençãodados aos filhos,
que
anteseram da
competênciada
mãe,passam
a sertambém
do
pai._ .~
~ ~
.
Com
a aceleração da inserçaoda
mulherna produçao
coletiva,o Estado
passa aassumir grande parte
da
educação das crianças.Em
conseqüência, as~mães não mais sacrificamsua profissão pelos filhos e eles
permanecem
maistempo
longede
casa,merecendo
toda aatenção de
ambos
os progenitores. Assim: 'u
“Assiste-se
ao desmonte dos
tradicionais papéis exigidospela
mulher
e
pelo
homem
na
gestão eno
desenvolvimentoda
família, tantoquanto o
outroassume
papéismais
igualitáriosno
cuidadocom
osfilhos
(Cademos
de
Ação
-CBIA
- SP, n° 05, dez 1994: 10)E, diante deste cenário, as repercussões sobre a relação conjugal e
Ó
casamentopassam
a considerar novas formas
como
demonstraremos a seguir.`
L
1.5 -
Do
divórcio
Antes de se iniciar
uma
discussão mais profunda sobreo
concubinato,percebemos
a1
necessidade
de
se acentuaruma
reflexão sobreo
divórcio.A
ligação destecom
o
primeirotomar-se-á mais clara à
medida que o
texto se desenvolver. `'
Anteriormente
ao
século)Q(
era extremamente dificil dissolver os matrimônios.Até
então, a Igreja era vista
como
uma
instituição forte.As
leis civisnão ousavam
ir contra osAssim, consolidou-se
o
modelo
de família tradicional.Os
casaisque
seuníam
atravésde
laços matrimoniais tinham suas vidas interligadas até a morte e deveriam, dealguma
forma,adequar-se ao casamento,
não
importando, assim,o
grau de hostilidade entre marido e mulher.É
sabidoque o
casamento provoca tensões inevitáveis e os conflitosprovocam
ainfidelidade. fato
do
divórcionão
ser aprovado antigamente contribuiu; muitomparao
aumento
da taxade
concubinato, jáque
os desacordos e dificuldades existentesno
casamentotradicional
eram
vistoscomo
pouco
importantes,não
considerados suficientes para constituirdissolução absoluta
da
sociedadeZ
Jú
W
HW
__ ñWélwm
IAs
legislações antidivorcistas,como
se refere Bittencout,impediam nova
união legaldo
homem
eda
mulher separadosde
fato, motivo pelo qual se abriammargens
para as uniõesconcubinárias.
\
Em
tempos
atuais,o
divórcio éuma
realidade.No
Brasil, a leique
regulamentouo
_Divórcio é recente.
Em
1977
a lei n° 6.515 expressa a extinçãodo
vínculo matrimonial.Mais
atual ainda é a lei 7.841 de 1989,que
facilitao
Divórcio.A
Constituição Federalquando
trata desta lei diz:“O
casamento
civilpode
ser dissolvidopelo
Divórcio,após
préviaÊ
separação judicialpor
mais de
uma
ano,nos
casos expressosem
leiou
comprovada
separaçãode
fatopor
mais de
2 anos”.~ ~
Sobre esta breve discussao,
fica
uma
questao para ser disseminada: apesar de seremcriados fatores
que
estimulam a legalização de inúmeras uniõesque
se realizam fora das leisvigentes
no
Brasil, porque
os casais formados porum
ou
ambos
os cônjuges separadosjudicialrnente a mais de
um
ano, separados de fato a maisde
2 anosou
atémesmo
divorciadosnão
regularizam suas situaçõesde
relacionamento?.Se, antes
da
lei 6.515 ser aprovada, dizia-seque
as próprias leiseram
favoráveis àsmuito, pois,
como
constatamos na prática, durante a realização da pesquisa, anão
legalizaçãodo
divórcio ainda constituium
dos principais motivos para o concubinato. _H
É
bem
verdadeque tomou-se
fácil divorciar-seUm
exemplo
pode
se encontrarna
obrade Basílio de Oliveira,
no
qual ele diz:“O
único requisitopara
decretaçãodo
divórcio éa
prova
da
separação
de
fatodo
casalpor
dois anos, dispensandoa
prova
da
ruptura
da
vida conjugal (Oliveira, 1993141) VMas
é verdadetambém
que o
divórcionão
afastao
concubinato.Não
basta crerque
anteriormente à Leiedo Divórcio
o
concubinato era mais expandido, poisalém de
serum
fenômeno
social e fazer parte da naturezahumana, há o
fatode que o
divórciovem
acompanhado
deuma
infelicidade pessoal expressiva,o que
fazcom
que
se considereum
novo
CaSam€UÍO COIIIO
um
CITO.Desse modo, o
divórcio, aomesmo
tempo
em
que
toma
o
fim
do
casamento maisinerente à realidade vivenciada pelo
drama
dos casamentos malogrados,toma
também
maisfácil
que
casais separados constituamnova
r_el¿ção,,_›agora__ não ,mai_s,,,ícpnsolidad§=__pelQcasamento civil, apesar das leis intencionarem facilitar a supressão
do
vínculo matrimonial paraque
as pessoasem
situação irregular legalizem seus enlaces conjugais. `1.6 -
Os
modelos
familiares
predominantes
frente à
lei:O
Casamento
e
o
Concubinato
Será
que
o
casamento institucionalizado é amelhor
maneirade
se constituir família?Há
algumas décadas atrás poder-se-ia dizercom
convicçãoque o
modelo
familiarEm
tempos
atuais,o que
se prepondera é a ocorrênciade
duas situaçõesque
seequiparam, quais sejam: as uniões livres e as legitimadas pela constituição federal.
No
momento,
a preocupação de todos consisteem
entender porqueo
casamento ésubstituído,
em
grande escala, pela união livre e estável. Então, procura-se refletir sobre aquestão
que
diz respeito a finalidade daquele.As
pesquisas revelam opinião dividida entre as famílias brasileiras,sem
deixarde
considerar
o aumento
progressivo das uniões concubinárias.Para demonstrar
melhor
a expressão quantitativa deste fato social, Bittencoutafirma
que
as estatísticas publicadas ressaltamuma
elevada freqüência das uniões livresno
Brasil:“Aproximadamente
a
metade
da
população
viveem
regimede
concubinatoAduz
aindao
mesmo
autor que,“embora
as estimativas sejam imprecisas; sociólogos autorizadospodem
extrair proporções
aproximadas
entrea
união legal ea
irregular (Bittencout, 1980:3-4)Apontam-se
estesdados de
forma a pressionar os legisladores para que seapoiem na
expressão deste fato social
quando
forem reformular leis a esse respeito, favorecendo ereconhecendo a união extra matrimonial, assegurando a esta direitos dígitos para a
sobrevivência de
uma
família.Muitos
acreditamque
os dados constatados_vêmconfirmar
a decadênciado
casamentocomo
modelo
de familia dominante.O
concubinato éum
fato real. _Se ainda é visto por muitoscom
certa discriminação,devemos
acreditarque
é devido à influência, ainda forte ,do
preconceito.Bem
anota Azevedo:“O
que
se deve é fortalecera
família,não
importandode que
natureza seja ela.
As
condenações de
caráter moralisticonão
sãomais
atuais. ”E
continualogo
em
seguida: '_'A tendência geral deve ser, assim,de
que, pelo respeitoque
se deveà
este
modo
éuma
adaptação aostempos
modernos, reconhecido inclusive pela ConstituiçãoDevese
mencionar aquique
Azevedo
éum
autor favorável a regulamentaçãodo
concubinato. Autores
que não
concordam
com
essa assertivaafirmam
ser justificável apenaso
reconhecimento legal,
como
Bittencout. Para este,não
deve haver nadaalém
deuma
“disposição genérica” para
que
o
matrimônio civilnão
perca seu valor implícito.Com
toda a transformação social vivenciadana
atualidade, acentuada pelasenormes
modificações
das condiçõesda
vida familiar, é de se estranhar a negaçãodo
modo
de se unirbaseado
na
relação afetivacom
a ausência dos trâmites legais 7 pois, maisdo que
uma
opção,gFederal,
dando
vitoriosaqfiañ necessidadeMqdemproteçãopelo
lšstado
ía *estas famílias.
Mencionaremos
mais adiante esta questão.'
O
que
se deve fazerde
mais sensato é eliminar deuma
vez por todas os tabusque
insistem
em
permanecer.A
maioria dos juristasreconhecem o
direito de cadahomem
constituiruma
família e sua liberdadede
escolhero
modo
de
sua formação.O
objetivo é a buscada
felicidade.
A
jurisprudência evoluiu paralelamente aos valoresque acentuam
asnovas
gerações,não
se fazendo ausente dos acontecimentosque no
momento
dão
ritmo à sociedade. Essaevolução deu-se recentemente.
Há
pelosmenos
duas décadas atrás,pouca
menção
destinava-se a esta matéria. `
O
concubinato já possuio amparo
da jurisprudência,que
será exibido à parte,constando as principais medidas expostas pela legislação
concementes
a este regime.No
tocante às distinções entreambas
as configurações predominantesque
se instituemfamília, seja ela lícita
ou
não, registram-se inúmeras razões que'as diferenciam.A
começar
peloconceito implícito
de
cadauma.
'O
concubinato é equiparado à união livre e estável pornão
obedecer a ritualização das\ Í __
etapas
do
casamento civil.Pedrotti revela
o
surgimentodo
termo, dizendoque
“desde 'os romanos,
'concubinatus' significa estar deitado
ou
no
leitocom
alguém.Por
issoo
termosempre
foivisto
como
união inferiorao
casamento
(Pedrotti, 1994101)Hoje, assim é conceituado:
“Concubinalo
éa
união estável, prolongada, pública, contínua epermanente de
um homem
ede
uma
mulher,não
ligadospor
vinculomatrimonial,
mas
convivendocomo
se casados, sob0
mesmo
tetoou
não, constituindo assim sua familia
de
fato ”. (Azevedo, 1986:280)Sendo
a notoriedadeum
dos maiores requisitosda
união estável, entende-seque não
sepode
falarem
união estável se essa convivência é simulada, ocultaou
escondida.A
averiguação dos dispositivos estabelecidos por esta relação é cautelosa e deve estar
de
acordo~ ~
com
os apresentados, só entãoo
Juiz caracterizará a uniao.Alguns autores,
quando
formularamo
conceito sobreo
concubinato, colocaram afidelidade
como
sendoum
requisito a sercumprido somente
pela mulher,porém Azevedo
alegaque o
deverde
lealdade deve ser recíproco.Há uma
discordância entre os magistradosquando
é pautado seaunião
estável éou
nãouma
sociedade de fato. Alguns,que não
aceitam a idéia de acomparar ao
casamentoentendem
que sim, por isso deve ser examinada à luzdo
Direito das Obrigações,ou
seja,do
Direito Civil. Outros
concordam que
essa funçãocompete
ao Juizda Vara
de Familia. Estesdizem
ser inconcebívelque o
concubinato -uma
relação deamor
- seja enquadradacomo
sociedade de fato.
No
Brasil, cada Estado possui sua Lei de Organização Judiciária que 'decideem
qualVara
será julgada essa função. Muito' se refere à união prolongadacomo
sendo sociedadede
Para Oliveira:
“As questões decorrentes
da
entidade familiardevem
passar
para
a
alçada
do
Juízo Civil especializadoem
assuntosde
família.As
Varasde
Família,por
serem
especializadas, são as apropriadasnaturalmente,
por
quantomais preparadas
e eficientespara
o
tratodas
questões familiares,por
que
temo
Know-How
epor
que
tratade
matéria defamília (Oliveira, 1993139)
Outra caracterização a lhe ser tingida é quanto ao prazo estabelecido
por
lei paraque
seja
comprovada
a uniãode
fato.O
tempo
para a efetivação desta união éde
cinco anosconsecutivos, se não
houverem
filhos e três anos se nesse curso advirem filhos.Na
atualidade, os indivíduostomam
seus próprios rumos.Possuem
liberdade parabem
escolher seu companheiro e decidir sobre a dissolução
do
liamequando
oportuno for, fato esteque
é vistocomo
uma
vitória sob adominação que
os pais tinham sobre os filhosno
passado.Se
em
sociedades mais remotas eracomum
os mais velhos escolheremo
cônjuge paraos filhos, “hoje
com a
industrializaçãoa
tendência éo
enfraquecimento gradativodos
sistemas tradicionais
de
controle familial”.(Lacan, 1970: 178)O
ponto central destaafirmação
encontra-seno
fatode que
as oportunidadeseconômicas
e políticas estão sendo oferecidas pelas instituições.Cada
membro
da
famíliadeseja sua autonomia e independência,
em
todos os aspectos, sejam eles financeiro, políticoou
sentimental.
Não
aceitamque
suas famíliasdecidam sobre suas fiituras uniões matrimoniais.Por
outro lado, resta para os pais evoluir e aceitar oscomportamentos
e valoresque
estão surgindo,
ou
seja, encarar a realidade familiar recente, caso contrário serãochamados de
retrógrados.
-'
Azevedo
concordacom
o
apoiode Washington de
Barros Monteiro,que
lamenta aocontrária ao casamento
sem
assinatura acreditamque
este concorre indiretamente para adesagregação
da
família legítima. AÉ
de se preverque
o
casamento será considerado ultrapassado.De
fato, isto está sendoconsiderado por muitos, principalmente por
quem
não
acreditano
ritualdo
casamento eque
preferem apostar
no
estabelecimento deuma
relação afetiva,marcadapela
igualdade entreambos, independente de se seguir as regras determinadas desde o passado.
Um
ponto importante a ser lembrado é referente à rupturado
casamento.Aqui
pode-sedestacar
o pensamento
de Marise Serafim,no
qual elaafirma
a existência de tolerância e atémesmo
a legitimaçãoda
dissoluçãodo
casamento,mas
continuandocomo “um
valorfundamental” à permanência
da
união.~
Esta aceitaçao
da
rupturado
casamentopode
tercomo
objetivouma
maior
liberdadede escolha.
A
partir desta referência surgeum
questionamentono
tocante à relação tradicionalque
se intensifica cada vez mais:o
significadodo
casamento está se transformando'?.A
resposta a essa indagaçãonão
poderia ser contrária a sua afirmativa.A
alteração estáocorrendo
em
vários aspectos.Muitos
autores discorrem sobre osnovos
valoresque
vêm
confrontar-se
com
osdo
matrimônio.H
Antigamente as uniões matrimoniais
eram
decididas após ser considerada aordem
patriarcal,
como
destacao pensamento
de Trigo, citadono
TCC
de Marise Serafim,em
que
COIlSÍaI
“A finalidade
primeirada
aliança matrimonial eraa
de
ordem
social,ou
seja,de
fortalecimentode grupos
de parentesco ede
status,,preservação
da
herança
edo
poder econômico
(Trigo in MariseSerafim, l994:l0)
A
renúncia ao casamentopode
se darcomo
forma
de recusar a possessãoque
antes aNão
bastasse estaforma
de poder,também
a religiãonão
se dissociavada
famíliaessencialmente pela
dominação que
exercia sobre esta.A
religião era fator primordial“em
tudoque
tocavaa
vida orgânicada
família,no
plano
socialou
individual encontrava-seo apoio
da
religião”,rememoriza
Prado.A
Igreja tinha todo interesseem
perpetuar a famíliatradicional, pois era sustentada por ela e ainda
o
é hoje,porém
em
menor
escala.Com
as transformações sociais e políticas, os "valores e crençasforam
sendosubstituídos por outros
que
seadequassem
a realidade presente. Hoje,o
casamento eclesiásticosem
o
registro civil, nos termosda
lei, é concubinato. WPara efeito
da
legislação somente é válidoo
casamento civil.A
ele é atribuído totalproteção
do
estado, representado pelas leis.Sendo
a cerimônia religiosamero
rito de tradiçãocultural, ela passa a ter
algum
reconhecimento legal se celebrada apóso
ato civil.Não
obstante,o
casamento civilnão
deve ser consideradocomo
única entidadefamiliar,
como
um
depositáriode
uma_ relação duradoura e harmoniosa, haja vistaque
asuniões
livres apresentam traços marcantesdo
“ser família”, taiscomo
a coabitaçãoou
convivência sobre
um
mesmo
teto, os objetivosem
comum,
os sentimentos deamor
e amizadeentre os cônjuges.
Sob
estes sentimentos éque
a relação livre é calcada, o que_pç_5c_ebe¿s_e_\
*A ç _ t_
ausente
em
muitos casamentos. Tal posição é reconhecida pelos mais liberaiscomo
constitutiva de
um
fato presenteem
nossa sociedadeque
se revelacomo
forma altemativada
organização familiar.
`
Outra indagação
que merece
ser visadaquando
se falaem
significaçãodo
casamento,diz respeito a
não
regularizaçãodo
concubinato.Poucos
regularizam suas situações,mesmo
com
a facilitação das leis para isso acontecer. Acreditam as pessoasna
pseudo idéia deque
oslaços matrimoniais as farão mais felizes?
O
argumento não
procede e sua força derivade
uma
plausível
afinnação
do,sensocomum.
Colasanti, apoiada
em
Joseph Epstein, escreveque
“asamarras
e as obrigaçõesdo
_No
panorama
atual,o
casamento perde .suas forças. Jánão
é mais indissolúvel.A
ímulher, prinçgipalmenteg,eraflawgue
menos
interesse tinhaem
desfazero
enlace, pois vivia sob a1
~
prqteçao dgogesposo, dependia
economicamente
dele,tomando-se
dificil a vida daquelaque
buscava sua autonomia fora
do
lar, pois corriao
riscode
ser confundidacom
uma
“perdida”.Bem
ilustra Colasanti ao citar que:“A
mulher que
deixasseo marido não
merecia respeito algum.O
homem
que abandonasse
a
família eraum
irresponsável.Hoje
casamos sabendo que
a
separação éuma
possibilidade incluídanos
percalços matrimoniais ” (Colasanti, l985:246)
Tal
fimdamentação
evidenciauma
maior consciência das pessoas sobre este efeito,levando-se a crer
que
a escolha errôneado
par ocasionará a separação. Então, casar-setoma-
se duvidoso, já
que
a escolhado
cônjuge envolveuma
variedadede
conseqüências.Todos
sabem que
entre os “elegíveis” é dificil reconhecer qual irá satisfazer suas necessidades demodo
adequado.De
certa forma, casartem
como
sinônimo temor, explicado pelomedo
de se descobrir mais tardeque
osmembros
possuem
gostos diferentes e concepçõesdivergentes.
Procuram
assim, realizarum
selecionamento rigoroso,de
acordocom
a realidadesocial
em
que se encontram.Também
rigorosa é a escolha pelaforma
de união]O
que
acontece é
que
muitos adiarn esse _compromisso,vão
convivendo juntos atédescobriremque
há
prioridadesno
relacionamentoque antecedem
ao matrimônio em' si,como
porexemplo
amanutenção da
vida doméstica, os filhosou
a realização profissional.Ambos
osmodelos
predominantesdevem
contercomponentes que
seassemelham
eque
são indispensáveiscomo
basede
qualquer instituiçãoque
surgir.O
q~
concubinato
do
casamento legalÀ*
éque o
prirneironão
recebeda
_ _ lei suaforma
3 'normas e`_í'
flí
: ¬efeitos, enquanto
o
segundo“tem
a
vontade individual li\¿r;e,_sQ1uenLe_¿2o_,sutgimentoda,
_relação sujeita
a
disciplina estabelecidapela
lei”. (Levenhagem, 1980123)O
período de convivênciatambém
pode
sero
mesmo
entreambos
os tiposde
casamento. _O concubinato
pode
ser tão duradouro quantoqcasamento
e seu términopode
sedar
pelasmesmas
circunstâncias, exceto pela aplicaçãodo
divórcio.A
coabitação destaca-se tantonum
tipode
casamentocomo
no
outro e é fundamentalpara
que
as pessoas atinjam a maturidade.O
crescimento interior concretiza-se apenasquando
há
o
outro.A
maneirade
elegero
companheiro paraque
isto aconteça é secundária.Primeiramente é suprida a necessidade natural,
humana.
A
circunstância determinauma
dasinúmeras formas
que
os unirá,não
esquecendode que
as leis naturaisantecedem
as leisdo
homem.
Q
importante éque
as pessoas saibam viver juntas,onde
a ajuda, acompreensão
e atolerância sejam recíprocas, possibilitando
aamizade
ao
longodo
convívio.“O
amor
mais
maduro
que
existe éa
amizade”, já ,disse Evaristo Debiasi que, além de terapeuta familiar, é professor e sacerdote.Voltando a falar sobre as diferenças apontadas entre os institutos constituidores
da
família,
lembramos que
a maioria tende a ser de malgrado.O
certo éque
-cadavez
mais eles seaproximam.
.Enem-s‹=¬ ‹›
homflmvu
a mulherrquê imêgiêâfl ¢[email protected]ê.° fâsirnsde
f=<>fl°11bif1¢1¢°.Sz<2m.que
este acarrete direitos e obrigações.O
fatode que o
modo
de fazer famíliamuda, não
representa
que
o
Estado se isentedo
dever de proteção geral aos indivíduos. Vale rememorar,neste ponto, a valia
do argumento de
Bittencout,segundo o
qual:“A
vontade livre os uniu,não há
de
deixarde
considerarque
foivontade
de
ambos.Se
ambos
agirem
contra lei (diga-separa
argumentar,
porque
a
leinão
proíbea
união),não poderá
um
delesprejudicar
o
outrona
vontade livrede
um
só determinara
separação ” (Bittencout, l980:89)
à
~
São
infundadas asafirmaçoes
deque
o
concubinatonão
geranenhum
compromisso,ou
seja,
que
os efeitos desta relaçãonão
permanecem
posterior ao seu término. Basta observarna
Com
exemplos nessas experiências, muitos juristas insistemque
a familia estejapreparada para
quando
vierem as desavenças.No
iniciodo
relacionamento tudo giraem
tomo
da
confiança.O
casalnão
pensaque
mais tarde
podem
vir a se desligarem edeixam
de pensarno
futuro dispensando orientaçõesquanto aos preceitos legais. '
'
.
Quando
um
homem
euma
mulher decidem
dividiro
mesmo
f“teto”crêem que
a relação ._ _ ,___ ._ zz z 'zz,V ____ ____: __ _ _: _
será sólida e duradoura.
Não
pensam
em uma
separação futura.Tudo
o que desejam
énão
sesubmeter a tantas restrições e a
um
único modelo. _ _S S
Entretanto, a maior parte dos casais optantes pelo desfechamento da união,
chegam
atéo
Serviço Social das Varasde
Familia desorientadas, principalmente as mulheres,que deixam
de
exigir seus direitos.1.7 -
As
implicações
das
relações
não
oficiais: direitose obrigações
Muito
secomenta
e, por vezes, polemicamente, sobre a evoluçãodo
reconhecimentode
direitos concernentesao
concubinato.Na
Europa, a sociedadetem
uma
visão maisampla
das relações conjugais, por isso as
tomam
mais comuns. "No
Brasil, a evoluçãovem
sendo bastante gradativa e ainda se discute muito questõesatinentes á
Pensão
Alimentícia,Guarda
dos Filhøs, Investigaçãode
Paternidade, Divisão deBens, Dissolução
da
Sociedadede
Fato,Regulamentação
de Visitas, entre outros me/noscomuns. -
Percebe-se que,
não
distantes desses, estão os direitos procurados por aqueles unidosde
acordocom
as leis civis, revelando a proximidade das duas principais maneiras de fundarfamília.
A
família constituída formalmente àmargem
da
leitambém
goza
de proteção legalem
Antes da Constituição de 1988, as medidas cabíveis para atender a familia
não
institucionalizada baseavam-se
em
alguns artigosdo Código
Civil e Jurisprudências.Atualmente, muito foi feito
em
termos de lei paraque o
concubinato tomasseo cunho
que tem.
O
que
rege as famílias não institucionalizadas está descritono
artigo226 da
Constituição Federal de 1988,
onde houve
alguns «avanços fioque
se refere à proteção:Art
226
-A
Família, baseda
sociedadetem
especial proteçãodo
Estado.§3° Para efeito de proteção
do
Estado é reconhecida a união estável entrehomem
emulher
como
entidade familiar,devendo
a lei facilitar a conversãoem
casamento.§4° Entidade Familiar é a
comunidade formada
por quaisquer dos pais e descendentes.§5°
Os
direitos e deveres referentes a sociedade conjugal são exercidos igualmente pelohomem
e mulher.§6°
Fundado
nos principiosda
dignidadeda
pessoahumana
eda
paternidaderesponsável, o planejamento familiar é livre decisão
do
casal.A
nova
sistemática constitucional referente aos principios de igualdade juridicacom
oscônjuges, além
de
demonstrar a preocupaçãoem
reconhecer a uniao estávelcomo
sendoum
fenômeno
social,também afirma
a relaçãocomo
geradora de obriggçjes ecompromissos
um
COIII
O
OUÍÍO. .A
nova
carta de 1988 eleva a união estável ao plano de entidade familiar,merecedora
de apoio
do
Estado.Mas,
apesar de respaldado por lei, os casais informaisdevem
observar alguns cuidadosquando optarem
por esta união.Quem
alerta éo advogado
João
LeonelMachado:
importante esclarecer alguns
pontos
para
que
mais
tarde,no
caso
de
uma
separação,o
casalnão
se deparecom
problemas
na
divisão`
dos
bens (Diário Catarinense, jan de l995:4-5) V.
Não
somente a partilha dos bens,mas
outros desacordoscausam
situaçõesQuando
os casais partem parao
convívioem
comum,
não sepreocupam
em
saber quaisas prescrições legislativas
que
permeiam
suas coligações.Geralmente
quando
estão separando, os casais iniciamum
verdadeiro corre-correna
busca para conhecer seus direitos e deveres.
Para
que
incidentescomo
este sejam evitados, são necessárias algumas precauçõesexpostas por João Leonel
Machado
em
depoimento ao Jomal
Diário Catarinense,onde
eleaconselha
em
primeiro lugar provar a estabilidadedo
casal,ou
seja, a convivência“more
uxório” (marido/mulher).
A
prova documental éo que
menos
dúvida deixa.Pode
ser adquiridaatravés
de
notas fiscaisna
aquisição dos bens discriminandoo
nome
dos dois.A
provatestemunhal
também
pode
setomar
decisiva para definirum
impasselA
seguir, apresentam-se alguns esclarecimentos quanto à medidastomadas
pararegulamentar beneficios dentro das uniões concubinárias:
V
Divisão
dos
Bens
A
partilha dos bens será divididaem
partes iguaisquando
ocorrer a participaçãode
ambos
os cônjuges para adquiri-los.I
A
Súmula 380 da
Jurisprudênciado
Supremo
Tribunal Federal dispõe que, secomprovada
a existência de sociedade de fato entre os concubinos, é cabível sua dissolução,com
partilhado
patrimônio adquirido pelo esforçocomum.
Os
bens suscetíveisde
se consideraremcomuns
são somente aqueles obtidosna
vigência da convivência.
A
açãopode
ser dirigida pela mulher,em
caso de abandono; pelo concubino,quando
osbens obtidos são postos somente
em
nome
da
mulherou
contra herdeiros, se ocorrer rupturapor morte.
Para
que
a ação se efetive é necessário provar que existiu vidaem
comum.
A
colaboração deve ser efetiva.
É
necessário a cooperação material.“Se
a
mulher,por
exemplo,fica em
casacom
os afazeres domésticos,ela
perde
esse direitocomenta João
Leonel,complementando
“quea
lei garantesomente
uma
indenizaçãopor
serviços prestados(D.C., Jan, l995:4-5)
¬
A
atenção deve ser maiorquando o
companheiro ainda estiver casado.Nesse
ponto,João Leonel faz referência à lei, alegando
que
esta“sempre
irádeƒendera
esposaque casou
seguindo
as
leis brasileiras”.'
Essa afirmação
pode
ser constatada atravésdo Código
Civil, artigo 248,em
seu incisoIV,
no
qual a possibilidadeda
mulher casada reinvindicar os bens comuns,móveis
ou
imóveis,doados
ou
transferidos por seu marido à concubina, independente dela estarou não
em
companhia do
marido, excetoquando
estebem
for própriodo
marido.Por
isso, é importante estar atento à situação civilem
que
se encontrao
cônjuge.Se
uma
das partes estiver casada e ainda não providenciou a separação, elapõe
em
riscoo
direitona
partilha dos bens ao outro.Direito
dos
Companheiros
a Alimentos
eà
SucessãoAinda
se discute muito se a concubinatem
direito à pensão alimentícia.De
qualquermodo,
a leidá o
direito ao pleiteamentoda
pensão, desdeque
a convivência existahá
maisde
cinco anos