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(2) UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO DIRETORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social. Lilian Ribeiro Sanches. A cobertura de ataques terroristas na sociedade em rede: Os atos em Mogadíscio e Paris na perspectiva de cinco veículos jornalísticos. Dissertação apresentada em cumprimento parcial às exigências do Programa de PósGraduação em Comunicação Social, da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), para obtenção do grau de Mestre. Orientadora: Prof. Dra. Cilene Victor. São Bernardo do Campo 2019.
(3) i stand on the sacrifices of a million women before me thinking what can i do to make this mountain taller so the women after me can see farther. - legacy. Rupi Kaur.
(4) AGRADECIMENTOS. À CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) pela concessão da bolsa de estudos no período de realização deste mestrado.. Aos professores da graduação, lato e stricto sensu da Universidade Metodista de São Paulo, bem como aos colegas que tive a felicidade de encontrar pela contribuição a esta dissertação e ao meu crescimento acadêmico e pessoal.. À minha orientadora, incrivelmente valente, pela parceria, respeito e comprometimento com que me ajudou a desenvolver este trabalho e, principalmente, a encontrar a abordagem que estava buscando para um tema tão sensível. Foi minha honra e privilégio ter a oportunidade de compartilharmos essa jornada.. À minha família pelo apoio e incentivo de sempre, aos amigos pela força e preocupação em todos os momentos. Obrigada por entender a inevitavelmente reduzida frequência afetiva durante esses últimos 20 meses.. Ao meu companheiro de vida por me encorajar em todas as decisões, aventuras e projetos. Obrigada também pelos cafezinhos..
(5) LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Livros de não ficção publicados sobre terrorismo a partir de 2001............p.28 Figura 2 – Número de ataques terroristas por região................................................... p.31 Figura 3 – Número de ataques na África Subsaariana e Europa Central.....................p.32 Figura 4 – Número de ataques na Europa Central........................................................p.32 Figura 5 – Comparativo entre número de ataques na África subsaariana e Europa Ocidental...................................................................................................................... p.33 Figura 6 – Comparativo entre número de ataques na França e Somália......................p.34 Figura 7 – Número de ataques em Paris.......................................................................p.35 Figura 8 – Número de ataques em Mogadíscio............................................................p.36 Figura 9 – Matéria O Globo.........................................................................................p.39 Figura 10 – Indicadores digitais...................................................................................p.60 Figura 11 – Índice de percepção Ipsos.........................................................................p.63 Figura 12 – O que acontece na internet em um minuto................................................p.65 Figura 13 – Seção “Fato ou Fake” do portal G1...........................................................p.69 Figura 14 – Capa Folha de S.Paulo de 11 de setembro de 2002..................................p.91 Figura 15 – Primeiras páginas do caderno especial da Folha de S.Paulo em 11 de setembro de 2002..........................................................................................................p.92 Figura 16 – Mapa dos deslocamentos internos de 2018.............................................p.106 Figura 17 – Matéria “Turquia recebe feridos do atentado na Somália, o maior desde 11 de Setembro”..............................................................................................................p.117 Figura 18 – Matéria “Mogadishu: Death toll rises above 300 amid search for survivors” ………………………………………………………………………………………p.118 Figura 19 – Matéria “Mogadishu truck bombings are deadliest attack in decades”..p.118 Figura 20 – Matéria “Somalia struggles to cope with aftermath of blast”………….p.120 Figura 21 – Matéria “Farmajo blames al-Shabab for Mogadishu blast”…................p.122 Figura 22 – Matéria “Somalia: At least 230 dead in Mogadishu blast”.....................p.122 Figura 23 – Matéria “Atentado na Somália, terror e caos em meio à fome e à seca. Entenda”.....................................................................................................................p.123.
(6) Figura 24 – Matéria “Atendado duplo com caminhão-bomba mata mais de 230 na Somália”.....................................................................................................................p.124 Figura 25 – Matéria “Weekly News Quiz”................................................................p.125 Figura 26 – Matéria “Double standards”....................................................................p.129 Figura 27 – Matéria “'Pray for Mogadishu' is not trending, but Somalis are mobilising”.................................................................................................................p.130 Figura 28 – Matéria “Ataque com caminhão-bomba deixa quase 300 mortos na capital da Somália”.................................................................................................................p.131 Figura 29 a 31 – Matéria “Somalia blasts expose security failings and possible Shabab infiltration”………………………………………………………………………….p.132 Figura 32 – Matéria “Somalia struggles to cope with aftermath of blast”……….....p.135 Figura 33 – Matéria “Ataque mostra que estabilidade na Somália era ilusória”........p.138 Figura 34 – Matéria “Ataque com caminhão-bomba deixa quase 300 mortos na capital da Somália”.................................................................................................................p.143 Figura 35 – Matéria “Mogadishu blast:’ We have never seen such devastation’”.....p.144 Figura 36 – Matéria “Somalia: At least 230 dead in Mogadishu blast”.....................p.145 Figura 37 – Matéria “Ataque com caminhão-bomba deixa quase 300 mortos na capital da Somália”.................................................................................................................p.146 Figura 38 – Matéria “Ataque mostra que estabilidade na Somália era ilusória”........p.147 Figura 39 – Matéria “Mogadishu truck bombings are deadliest attack in decades”……………………………………………………………………………..p.147 Figura 40 – Matéria “Somalia blasts expose security failings and possible Shabab infiltration”………………………………………………………………………….p.150 Figura 41 – Matéria “Somalia attack: 165 unidentified bodies buried”…………….p.150 Figura 42 – Matéria “Ataque com caminhão-bomba deixa quase 300 mortos na capital da Somália”.................................................................................................................p.151 Figura 43 – Matéria “Ataques coordenados aterrorizam Paris e deixam 129 mortos”.......................................................................................................................p.154 Figura 44 – Matérias “Paris attacks: UK on high alert” e “Paris attacks: Could they happen in the UK?”....................................................................................................p.156 Figura 45 – Matéria “Obama diz que ação em Paris é ultrajante; NY adota precauções”.................................................................................................................p.157 Figura 46 – Página destino da Al Jazeera sobre ataques em Paris.............................p.158.
(7) Figura 47 – Página destino da BBC sobre ataque em Paris........................................p.159 Figura 48 – Página destino do The New York Times sobre ataque em Paris............p.159 Figura 49 – Matéria "Manhunt for Paris attackers"....................................................p.161 Figura 50 – Matéria “Ataques com tiros e explosões em Paris”................................p.162 Figura 51 – Matéria “Governo e especialista veem risco baixo de ataque terrorista na Rio-2016”...................................................................................................................p.166 Figura 52 – Matéria “French officials warned austerity increased insecurity”……..p.167 Figura 53 – Matéria “’Foi uma carnificina. Todos os meus amigos ficaram lá dentro’”.......................................................................................................................p.168 Figura 54 – Matéria “Ataques coordenados aterrorizam Paris e deixam 129 mortos”.......................................................................................................................p.174 Figura 55 – Matéria “Paris attacks kill more than 100”…………………………….p.175 Figura 56 – Matéria “Radicais belgas atraíram adeptos com assistencialismo, diz analista”......................................................................................................................p.177 Figura 57 – Matéria “Paris attack ‘unlikely to affect Syria policy’”..........................p.178 Figura 58 – Matéria “Is Molenbeek a haven for Belgian jihadist?”………………...p.180 Figura 59 – Matéria “Hasna, a boêmia que morreu como jihadista em SaintDenis”.........................................................................................................................p.181 Figura 60 – Matéria “Paris attacks highlight jihadists’ easy path between Europe and ISIS territory”…………………………………………………………………….....p.182 Figura 61 – Matéria “Por que o Estado Islâmico odeia a França”.............................p.191 Figura 62 – Matéria “Terrorismo contra o Estado laico”...........................................p.191 Figura 63 – Matéria “Medo de terrorismo nos EUA é o maior desde os atentados do 11 de Setembro”..............................................................................................................p.193 Figura 64 – Matéria “Muslim residentes of French city fear backlash”………….....p.194 Figura 65 – Matéria “Calais refugees grieve for Paris, dread backlash”....................p.194 Figura 66 – Matéria “After attacks in Paris New York muslims cope with a backlash”……………………………………………………………………...….....p.195.
(8) LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Número total de matérias (Mogadíscio)..................................................p.115 Gráfico 2 – Número de matérias por dia (Mogadíscio) ............................................p.116 Gráfico 3 – Fontes jornalísticas por tipo x Número de matérias (Mogadíscio).........p.127 Gráfico 4 – Matérias por gênero jornalístico (Mogadíscio).......................................p.136 Gráfico 5 – Uso de agências de notícia por número de matérias (Mogadíscio).........p.141 Gráfico 6 – Número de menções ao Islã por número de matérias (Mogadíscio).......p.147 Gráfico 7 – Número total de matérias (Paris).............................................................p.151 Gráfico 8 – Número de matérias por dia (Paris)........................................................p.153 Gráfico 9 – Fontes jornalísticas por tipo x Número de matérias (Paris)....................p.162 Gráfico 10 – Matérias por gênero jornalístico (Paris)................................................p.167 Gráfico 11 – Uso de agências de notícia por número de matérias (Paris)..................p.171 Gráfico 12 – Número de menções ao Islã por número de matérias (Paris)................p.177 Gráfico 13 – Comparativo Mogadíscio x Paris em número de matérias....................p.181 Gráfico 14 – Comparativo Mogadíscio x Paris sobre tipo de fontes..........................p.185 Gráfico 15 – Comparativo Mogadíscio x Paris sobre gêneros jornalísticos...............p.186.
(9) LISTA DE TABELAS. Tabela 1 - Características de grupos da Quinta Onda..................................................p.25 Tabela 2 – Classificação de fontes...............................................................................p.84 Tabela 3 – Critérios de Galtung para definição do jornalismo de paz.........................p.96 Tabela 4 – Critérios de Kempf sobre jornalismo de paz............................................p.101 Tabela 5 – Fontes jornalísticas (Mogadíscio).............................................................p.128 Tabela 6 – Gêneros jornalísticos x Tipos de fontes (Mogadíscio).............................p.138 Tabela 7 – Fontes jornalísticas (Paris)........................................................................p.163 Tabela 8 – Gêneros jornalísticos x Tipos de fontes (Paris)........................................p.168.
(10) SUMÁRIO. 1. Introdução.................................................................................................................p.14 2. Terrorismo no mundo...............................................................................................p.18 2.1 As cinco ondas do terrorismo moderno...........................................................p.18 2.2 Terrorismo em números...................................................................................p.27 2.3 Crítica à representação midiática do terrorismo..............................................p.37 3. Jornalismo internacional na sociedade em rede.......................................................p.45 3.1 Convergência e narrativas transmidiáticas......................................................p.46 3.2 Opinião pública na sociedade em rede............................................................p.53 3.3 Fake news e o fenômeno da curadoria.............................................................p.64 4. A cobertura internacional do terrorismo na sociedade em rede..............................p.73 4.1 Comunidades interpretativas e a construção da memória...............................p.77 4.2 O uso das fontes e a recorrência do discurso oficial........................................p.82 4.3 Jornalismo humanitário e de paz.....................................................................p.94 5. A cobertura jornalística dos ataques terroristas na França e Somália....................p.109 5.1 O ataque terrorista de Mogadíscio 2017........................................................p.114 5.1.1 Análise da forma..................................................................................p.119 5.1.2 Análise da prática................................................................................p.126 5.1.3 Análise dos recursos textuais...............................................................p.141 5.2 O ataque terrorista de Paris 2015...................................................................p.152 5.2.1 Análise da forma...................................................................................p.158 5.2.2 Análise da prática.................................................................................p.163 5.2.3 Análise dos recursos textuais................................................................p.172 5.3 Análise dos resultados...................................................................................p.183 6. Considerações finais...............................................................................................p.197 Referências.................................................................................................................p.203.
(11) SANCHES, Lilian. A cobertura de ataques terroristas na sociedade em rede: Os atos em Mogadíscio e Paris na perspectiva de cinco veículos jornalísticos. 2019. 212 f. Dissertação (Mestrado em Comunicação Social) - Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo.. Resumo: Ao considerar a complexidade da sociedade em rede, esta pesquisa investiga de que forma a representação midiática da cobertura jornalística dos ataques terroristas ocorridos na África e na Europa Central se apresenta no contexto atual, bem como suas principais consequências. Como recorte representativo dos dois continentes, foram selecionados os eventos ocorridos em Mogadíscio, na Somália, em outubro de 2017, e na capital francesa Paris, em novembro de 2015, para a composição do corpus do estudo de caso e consequente análise de conteúdo. Dessa forma, o método qualitativo descritivo norteou o desenvolvimento do trabalho, ancorado também na análise documental do consórcio START e no levantamento bibliográfico de três grandes frentes temáticas, referentes ao jornalismo internacional, à sociedade em rede e ao terrorismo. Além de revelar a desproporcionalidade da atenção midiática voltada aos ataques nos países do eixo Norte/Leste, exemplificada pela cobertura de Paris, a dissertação evidencia ainda a prevalência do discurso oficial na pauta do terrorismo, fenômeno respaldado tanto no predomínio do gênero jornalístico informativo quanto no uso de informações provenientes de agências de notícias. Ademais, expõe como a cobertura realizada pelos veículos ocidentais contribui para a propagação do pânico moral e, consequentemente, da islamofobia.. Palavras chave: terrorismo. jornalismo internacional. sociedade em rede..
(12) Resumen: Considerando la complejidad de la sociedad en red, esta investigación objetiva comprender cómo se presenta la representación de los medios en la cobertura periodística de los ataques terroristas en África y Europa Central en el contexto actual, así como sus principales consecuencias. Como corte representativo de los dos continentes, los eventos que sucedieron en Mogadiscio, Somalia, en octubre de 2017, y en la capital francesa, París, en noviembre de 2015, fueron seleccionados para la composición del corpus de estudio de caso y el consiguiente análisis de contenido. Así, el método cualitativo descriptivo ha guiado el desarrollo del trabajo, también anclado en el análisis documental del consorcio START y en la revisión bibliográfica de tres frentes temáticos principales, en referencia al periodismo internacional, la sociedad en red y el terrorismo. Además de revelar la desproporcionalidad de la atención de los medios centrada en los ataques que se pasan en países del eje Norte/Este, ejemplificada por la cobertura de París, la disertación también destaca la prevalencia del discurso oficial en la agenda del terrorismo, un fenómeno respaldado tanto por el predominio del género periodístico informativo como por el uso de informaciones de agencias de noticias. Además, expone cómo la cobertura de los vehículos occidentales contribuye a la propagación del pánico moral y, en consecuencia, la islamofobia.. Palabras clave: terrismo. periodismo internacional. sociedad en red..
(13) Abstract: Considering the complexity of the network society, this research investigates how the media representation of terrorist attacks journalistic coverage in Africa and Central Europe presents itself in the current context as well as its main effects. As a representative cut of the two continents, the events that took place in Mogadishu, Somalia, in October 2017, and in the French capital Paris, in November 2015, were selected to compose the case study corpus and consequent content analysis. Thus, the descriptive qualitative method guides the development of this work, also anchored in the START consortium documentary analysis and the bibliographic survey of three major thematic fronts, referring to international journalism, network society and terrorism. Besides revealing the disproportionality of media attention focused on attacks in North/East axis countries, exemplified by the Paris coverage, the dissertation also highlights the prevalence of official discourse on the media agenda of terrorism, a phenomenon supported by both the predominance of informative journalistic genre and the use of information from news agencies. In addition, it exposes how coverage by Western vehicles contributes to the spread of moral panic and, consequently, Islamophobia.. Key words: terrorism. international journalism. network society..
(14) 14. 1. Introdução Ataques terroristas, por sua natureza, atendem aos critérios de noticiabilidade histórica e culturalmente adotados em veículos de comunicação de várias partes do mundo, evidenciando o forte apelo midiático e o interesse coletivo gerado em torno desse tipo de acontecimento. Entretanto, o descompasso observado entre a cobertura jornalística referente a eventos de mesma magnitude, porém situados em contextos diferentes, aponta o peso da representação midiática que envolve a temática do terrorismo. A considerar alguns padrões de abordagem e as narrativas empregadas, a cobertura de ataques dessa natureza influi ativamente no processo de construção da opinião pública, especialmente no que concerne à sua relação de retroalimentação e ao reforço de preconceitos e estereótipos. É a partir dessa perspectiva que esta pesquisa foi idealizada, dando continuidade aos estudos iniciados na pós-graduação lato sensu, porém de modo mais aprofundado e amadurecido, com a investigação dos desdobramentos e das implicações travadas pela estreita relação entre terrorismo e mídia. A dissertação tem como objetivo principal averiguar em que medida e como a representação midiática da cobertura jornalística dos ataques terroristas ocorridos na África e na Europa Central se apresenta no contexto da sociedade em rede. Como recorte representativo dos dois continentes, foram selecionados os eventos ocorridos em Mogadíscio, na Somália, em outubro de 2017, e na capital francesa Paris, em novembro de 2015, para a composição do corpus do estudo de caso e consequente análise de conteúdo desta pesquisa. A escolha se justifica por ambos os acontecimentos dividirem similaridades acerca de critérios que contemplam o número de vítimas, alvos, perpetradores, métodos utilizados e representatividade histórica nos dois países. Dessa forma, o método qualitativo descritivo norteou o desenvolvimento deste estudo. Essa abordagem metodológica, de acordo com Minayo (2001), engloba nos trabalhos científicos o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos a variáveis operacionalizadas. A pesquisa bibliográfica embasa o levantamento teórico das três grandes frentes temáticas que compõem o trabalho, referentes ao jornalismo internacional, à.
(15) 15. sociedade em rede e ao terrorismo. A utilização desse mecanismo promoveu ampla consulta ao material disponível na literatura sobre os assuntos de interesse, fomentando com isso a verificação e interpretação adequada das informações (LAKATOS, MARCONI; 2001). No que diz respeito aos estudos do terrorismo, apresentados no primeiro capítulo teórico desta dissertação, o postulado do estadunidense David Rapoport atua como eixo central a partir do qual as questões referentes ao tema são problematizadas. A teoria do autor, conhecida como "The Four Waves of Modern Terrorism", sistematizou o fenômeno a partir do conceito de ondas: contextos e períodos históricos que englobam eventos terroristas com objetivos e características comuns e que podem ou não se sobrepor. O intuito dessa frente teórica consiste em traçar um panorama contextualizado dos aspectos conceituais, taxonômicos e históricos do terrorismo no mundo, com foco nos movimentos que eclodiram a partir da segunda metade do século passado, visando relacioná-los com as situações de conflito e crises sincrônicas aos respectivos períodos. Sob a luz do pensamento de autores como Bauman, Beck e Morin, foi analisada ainda a relação entre terrorismo e mídia, que culmina com a representação midiática desses acontecimentos e seus perpetradores. A produção científica acerca do tema, embasada também nos autores Jeffrey Kaplan (2008) e Brigitte Nacos (2003), abarca ainda a apreciação de dados e materiais do consórcio START, principal referência para estudos na área, que, embora não reflita a totalidade das estatísticas produzidas sobre terrorismo no mundo, é a única base de dados global atualizada periodicamente, chancelada pela Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. Para tal, a dissertação também se apoia nas premissas da análise documental que, na visão de Cellard (2008), permite acrescentar a dimensão do tempo à compreensão do social por meio da observação do processo de maturação ou de evolução. de. indivíduos,. grupos,. conceitos,. conhecimentos,. comportamentos,. mentalidades e práticas. May (2004) corrobora, alertando, entretanto, que os documentos não podem ser observados isoladamente e precisam ser situados em uma estrutura teórica para que o seu conteúdo seja entendido adequadamente. Já Richardson et al (1999) reforçam que a análise documental se diferencia da análise de conteúdo e deve ser tratada distintamente, pois enquanto a “análise de conteúdo trabalha as.
(16) 16. mensagens, a análise documental é essencialmente temática, sendo essa apenas uma das técnicas da análise de conteúdo”. Em sua segunda frente, a pesquisa analisa como a nova dinâmica e valores da sociedade em rede impactam na prática e no papel social do jornalismo, abarcando a convergência e narrativas transmidiáticas, em uma discussão abrangente dos conceitos de Manuel Castells (1999) e Henry Jenkins (2009), respectivamente. O capítulo que apresenta essa temática se propõe ainda a abordar a contribuição do jornalismo para a formação da opinião pública, com base nos fundamentos de Jürgen Habermas (1981, 1997) e Maxwell McCombs (1970, 2008), com apontamentos e contextualização do fenômeno das fake news e da curadoria, além de discutir o conceito de visibilidade e discutibilidade na esfera pública digital. Com foco nas questões específicas da cobertura do terrorismo e do jornalismo internacional (NATALI, 2005), a terceira frente teórica desta pesquisa investiga o papel dos jornalistas, como atores sociais, na construção das percepções e memórias acerca do terrorismo. Ao mesmo tempo, aborda a própria configuração desses profissionais como comunidades interpretativas, com base no conceito de Barbie Zelizer, a fim de compreender a recorrência de certos aspectos na cobertura de assuntos internacionais e, notadamente, eventos terroristas, como a reprodução extensiva dos discursos oficiais. Nesse mote, o último subcapítulo teórico explana acerca das possibilidades apresentadas pelo jornalismo humanitário e de paz à cobertura do terrorismo na sociedade em rede, com ênfase nos estudos de Martin Scott, Dov Shinar e Willem Kempf. A tomar como base o referencial teórico e documentos estudados, a dissertação se aprofunda por meio de estudo de caso (YIN, 2005) e análise de conteúdo (BARDIN, 2011), como já mencionado nesta introdução. Foram selecionadas para exame as matérias jornalísticas publicadas nos portais digitais dos veículos Al Jazeera, BBC News, El País Brasil, Folha de S.Paulo e The New York Times. Já o intervalo temporal analisado contempla a produção noticiosa em tempo real das versões online dos cinco veículos elencados, além da repercussão nos 30 dias que sucederam os eventos terroristas em Mogadíscio, 2017, e em Paris, 2015. A partir da definição do objeto e intervalos temporais a serem explorados, o método de Bardin (2011) contemplou a criação de três categorias de análise compatíveis com os.
(17) 17. objetos pesquisados: forma, prática e recursos textuais, que serão explanadas com detalhes mais adiante neste trabalho. A investigação acerca da influência da representação midiática na percepção de importância dos acontecimentos, bem como na disseminação de vozes monofônicas, ancoradas no discurso oficial, na cobertura dos ataques terroristas na África e Europa Central, proporciona melhor compreensão de como a prática jornalística se adaptou à dinâmica da sociedade em rede. Ademais, evidencia a forma como a construção midiática em torno desses acontecimentos culmina com o desenvolvimento de uma percepção social desproporcionalmente distante da realidade dos fatos e na propagação de pânicos morais (FISH, 1980; BAUMAN, 2016). Apesar de estar presente e influenciar o cotidiano e a prática jornalística, a temática abordada na dissertação conta com referências bibliográficas e acadêmicas escassas, se comparada aos demais objetos de estudo inseridos na área comunicacional. Neste âmbito, a presente pesquisa visa também contribuir para que jornalistas, pesquisadores e entusiastas dos temas de interesse possam, com base nas análises e resultados representados, ponderar sobre as consequências trazidas pelo modelo sistematizado de cobertura jornalística do terrorismo, considerando a complexidade imposta pela sociedade em rede. Oportunamente, a dissertação ainda busca produzir dados e fundamentos que possam contribuir para alterar de modo positivo o cenário encontrado, por meio de práticas mais assertivas, que remontem ao papel e à responsabilidade social do jornalismo..
(18) 18. 2. Terrorismo no mundo O terrorismo, embora sem consenso terminológico, é um fenômeno milenar que tem sido estudado por diversos campos do conhecimento. Este capítulo se propõe a traçar um panorama contextualizado dos aspectos históricos do terrorismo no mundo, com foco nos movimentos que eclodiram a partir da segunda metade do século passado, visando relacioná-los com as situações de conflito e crises humanitárias sincrônicas aos respectivos períodos. A produção científica e bancos de dados acerca do tema também serão abordados, englobando a análise documental de materiais do consórcio START, principal referência para estudos na área. Sob a luz do postulado teórico de autores como Bauman Morin e Beck, será verificada ainda a relação entre terrorismo e mídia, que culmina com a representação midiática da violência terrorista e seus perpetradores.. 2.1 As cinco ondas do terrorismo moderno Ataques terroristas preenchem os critérios de noticiabilidade em veículos de comunicação do mundo inteiro, o que evidencia o forte apelo midiático desse tipo de acontecimento. O jornalista e pesquisador espanhol Florencio Domínguez ressalta a existência inequívoca de uma estreita relação entre o terrorismo e a imprensa, sendo que “são muitos os investigadores deste tipo de violência que colocam o acento tônico dos ataques no elemento midiático” (DOMÍNGUEZ, 1999. p. 111). A definição do conceito de terrorismo, no entanto, tem sido fonte de controvérsia nos campos acadêmico, jurídico e político. A cada estado nação é concedido o direito de conceituar legislativamente o que é terrorismo. Autores como o suíço Alex Schmid apontam a complexidade do tema e a ausência de uma definição neutra, devido aos vínculos ideológicos do termo "terrorismo", que pode ser considerado o mais politizado do vocabulário político da atualidade. “Em sua dimensão pejorativa, o destino do termo ‘terrorista’ é comparável ao uso e abuso de outros termos no vocabulário político, como racista, fascista ou imperialista” (SCHMID, 2011. p. 40)..
(19) 19. Já Brenda Lutz e James Lutz (2010) alegam que uma definição neutra seria possível apenas por meio de uma abordagem restritiva, que considerasse somente a natureza do ato em si mesmo. A caracterização de um grupo ou ato como terrorista deveria englobar seis elementos principais: (1) o uso da violência ou ameaça de utilizá-la (2) por um grupo organizado (3) para alcançar objetivos políticos. A violência (4) é dirigida contra um público-alvo que se estende para além das vítimas imediatas, que são muitas vezes os civis inocentes. Além disso (5), enquanto um governo pode ser o autor da violência ou o alvo, ele é considerado um ato de terrorismo somente se um ou ambos os atores não são um governo. Por fim (6), o terrorismo é uma arma dos fracos (LUTZ; LUTZ, 2010, p. 341).. Ao partir de uma perspectiva mais complexa, o sociólogo francês Edgar Morin (2011) considera que a noção criada ao redor do termo terrorismo é válida para organizações como a Al-Qaeda e o Daesh1, cujas ações estão centradas em atentados e assassinatos em massa que têm como alvo as populações civis. No entanto, essa definição seria insuficiente quando aplicada às formas violentas de resistência nacional, privadas dos meios democráticos para se exprimir. O autor faz um resgate histórico, lembrando que o termo já foi empregado pelos nazistas para se referir aos resistentes europeus, bem como, mais recentemente, pelo presidente russo Vladmir Putin em referência aos membros da resistência chechena que, apesar de contar com um ramo terrorista, não pode ser reduzida a ele. A violência de Estado "que ataca um povo e, ao mesmo tempo, aqueles que resistem a ela é em si mesma uma violência de terror". (MORIN, 2011). Referência na academia, o estadunidense David. Rapoport. sistematizou os. acontecimentos do terrorismo moderno recorrendo ao conceito de ondas: contextos e períodos históricos que englobam eventos e grupos terroristas com objetivos e características comuns e podem ou não se sobrepor. A teoria, conhecida como "The. 1. Optou-se por referir-se ao grupo terrorista autointitulado Estado Islâmico pela sigla Daesh. Desde junho de 2014, data de declaração do califado, o nome foi reduzido pela própria organização de Estado Islâmico do Iraque e do Levante para apenas Estado Islâmico (com as siglas "IS" em inglês e "EI" em português). A partir de então, se iniciou no mundo árabe um movimento contra a nomenclatura e solicitações formais de representantes muçulmanos em todo o mundo para o uso do termo Daesh em substituição. Daesh é a sigla para al-Daula al-Islamiya al-Iraq wa Sham (Estado Islâmico do Iraque) e também um trocadilho árabe para a palavra ‘Dahes’, que significa "aquele que semeia a discórdia". Por entender que o termo pode contribuir para a desconstrução da representação midiática nociva e a islamofobia, temas sensíveis para essa dissertação, a escolha da sigla Daesh para referências ao grupo terroristas fica aqui registrada..
(20) 20. Four Waves of Modern Terrorism", foi publicada pela primeira vez em dezembro de 2001, na revista científica Current History (p. 419-425). Desde a década de 1880, quatro ondas de terror sucessivas e sobrepostas acometeram o mundo, cada uma com suas características, objetivos e táticas. As três primeiras duraram aproximadamente uma geração, estimada pelo autor em, aproximadamente, 40 anos; a quarta teve início em 1979 e, embora sem consenso acadêmico, Rapoport defende sua vigência até os dias atuais. Apesar da teoria de Rapoport (2001) focar nos movimentos distribuídos no período referente à modernidade, é necessário considerar que o fenômeno social do terrorismo teve presença significativa ao longo de toda a história, desde o berço das civilizações humanas. O conceito de terrorismo como é apreendido atualmente, contudo, foi introduzido ao vocabulário e ao imaginário social em 1795, quando a violência terrorista era considerada uma ferramenta indispensável para manter a ordem democrática e tornou- se uma característica distintiva da Revolução Francesa (RAPOPORT, 2001). O autor considera como o primeiro movimento rebelde de terror da modernidade, o Narodnaya Volya (A vontade do povo), que surgiu um século após a Revolução Francesa em 1879 e suas atividades perduraram por cerca de quatro décadas com o objetivo de atingir uma transformação radical da sociedade russa, o que nunca foi alcançado. Responsáveis pela criação da "cultura do terror" na Rússia, o grupo considerava a violência terrorista como uma necessidade temporária para a conscientização das massas e tinha como tática a escolha de vítimas por razões simbólicas, emocionais ou políticas. Rapoport (2001) enfatiza a singularidade do Narodnaya Volya como precursor da primeira onda de terrorismo moderno. Assim, a partir da década de 1880, o mundo observou a insurgência de diversos grupos anarquistas – Internal Macedonian Revolutionary Organization, Young Bosnia, e Serbian Black Hand – que definiram como estratégia principal o assassinato de políticos e militares, visando afetar e provocar mudanças ou a queda do regime político vigente. Invenção recente na época, a dinamite tornou-se a arma caracterizante dos grupos que atuaram na onda, também conhecida como terrorismo anárquico. As bombas produzidas pelos terroristas "os distinguiam de criminosos comuns, pois também acabavam por.
(21) 21. matar o terrorista, um ponto dramático efetivo em um tempo que havia acabado de popularizar os jornais diários de massa" (RAPOPORT, 2001). O início da Primeira Guerra Mundial foi o marco do fim súbito dessa onda. Todavia, logo após o final do primeiro conflito global, na década de 1920, a segunda onda de terrorismo irrompeu com a luta anticolonial na Ásia e na África, que tem como característica o nacionalismo e ações de guerrilha contra os exércitos e representantes dos colonizadores. Ao longo dessa onda, que teve seu ápice e declínio nos anos 1960, o termo terrorista acumulou tantas conotações abusivas e desvantagens políticas que os grupos deixaram de classificar suas atividades como atos de terrorismo (RAPOPORT, 2001). O paramilitar sionista Irgun foi o primeiro a deixar de usar o termo terrorista e passar a se definir como “freedom fighters”, que lutavam contra o terrorismo de Estado, uma definição utilizada pelas demais organizações subsequentemente. Em retaliação, os governos envolvidos nos conflitos decretaram que todos os rebeldes contra hegemônicos que usassem violência seriam considerados terroristas. Como na primeira onda, uma guerra – desta vez do Vietnã – enfraqueceu os movimentos do período e propiciou a origem de uma nova etapa no terrorismo internacional. Inserida no contexto da Guerra Fria, a terceira onda foi denominada de New Left e teve seu auge registrado entre os anos 1960 e 1980, época marcada pelos atos de organizações como a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), as Brigadas Vermelhas, ETA (Pátria Basca e Liberdade) e o grupo Baader-Meinhof. A onda foi fortemente influenciada pelo êxito dos vietcongs contra as Forças Armadas estadunidenses durante a guerra do Vietnã. A expressão "terrorismo internacional" começou a ser utilizado de forma corriqueira para descrever os atos perpetrados durante a terceira onda. A grande parte dos grupos focava suas atividades em territórios estrangeiros. Uma das organizações mais icônicas do período, a Organização de Liberação da Palestina (OLP), concentrava a maioria de seus ataques na Europa em detrimento da Cisjordânia e, de acordo com Rapoport (2001), era mais ativo no continente europeu do que os próprios grupos originários de países da região. Alvos nacionais eram escolhidos apenas se tivessem relevância internacional. A internacionalização também passou a acontecer entre grupos, que cooperavam para a realização de atos terroristas em outros países, como no que ficou.
(22) 22. conhecido como Massacre. das. Olimpíadas. de. Munique.. Refletindo. a. intenção de atos espetaculares e midiáticos, a tática peculiar dessa onda foi o sequestro de aviões que, na década de 1970, foram realizados mais de 100 no mundo. Com a virada da década, no início dos anos 1980, os revolucionários terroristas sofreram derrotas consecutivas, enfraquecendo a New Left. A vitória da Revolução Islâmica no Irã e a derrota soviética no Afeganistão, em 1979, provocaram uma reviravolta política que produziu as condições necessárias para a formação da quarta onda de terrorismo, que se intensificou após o final da Guerra Fria. Ambos eventos, afetados profundamente pela participação de voluntários muçulmanos, "evidenciou que a religião agora promovia mais esperança do que a corrente revolucionária" (RAPOPORT, 2001). As circunstâncias permitiram a ascensão de novas organizações baseadas em concepções fundamentalistas, que buscaram o suporte dos três estados religiosos recentemente estabelecidos com base no islã: o já mencionado Irã, o Sudão – após o golpe de Estado perpetrado por militares fundamentalistas – e o Afeganistão com a vitória do Talibã em 1996. Na análise de Rapoport, o fato de o islã ter um ideal unificador idealizado no passado como o estabelecimento de um Estado único para os muçulmanos, governado pela sharia, foi crucial para a ascensão do movimento. O autor afirma que o islã está no "coração da quarta onda" devido aos grupos islâmicos que vêm conduzindo os mais significativos ataques terroristas internacionais deste período. Além disso, os eventos políticos que possibilitaram a quarta onda se originaram no islã e seu sucesso incentivou a criação de grupos religiosos em outros lugares (RAPOPORT, 2013). Se a quarta onda de terrorismo teve seu início na década de 1980, o mundo ocidental só teve a percepção da real dimensão do movimento na virada do milênio. Reivindicados pela Al-Qaeda, os ataques conduzidos em 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, colocaram o terrorismo em pauta em três importantes esferas sociais, midiática, política e econômica. Foi a primeira vez que o país sofreu um ataque terrorista em território nacional. Na ocasião, 19 terroristas sequestraram quatro aviões comerciais de passageiros. Dois deles foram guiados para atingir as duas torres símbolo da cidade de Nova York, que compunham o complexo comercial World Trade Center e desmoronaram duas horas após os impactos. O terceiro avião colidiu com o Pentágono,.
(23) 23. sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, situado nos arredores da capital Washington, D.C. A quarta aeronave caiu em um campo na Pensilvânia, após passageiros e tripulantes terem supostamente tentado retomar o controle. A série de atos coordenados matou 2.753 pessoas, número oficial divulgado pelo governo estadunidense. Para Morin (2011), os atentados constituíram um "eletrochoque decisivo para o devir da sociedade-mundo e, com a desintegração das duas torres de Manhattan, propagou no globo o sentimento de uma ameaça planetária". Em decorrência do acontecimento, em um primeiro momento, foi descoberta uma rede clandestina político-religiosa ramificada em todos os países com uma capacidade e objetivos destrutivos nunca antes imaginados, o que, na visão do sociólogo, provocou a necessidade da criação de uma polícia e de um corpo militar específicos. "A Al-Qaeda constituiu uma nova etapa do terrorismo. A mundialização tecnoeconômica permitiu a mundialização terrorista, transformando-se nessa mundialização e, por meio dela, em ameaça mundial" (MORIN, 2011). Na visão do linguista e ativista político Noam Chomsky, o 11 de Setembro pode ser considerado um evento histórico não por suas dimensões, pois houve ataques terroristas com efeitos muito mais duradouros e extremos, mas o 11 de Setembro foi um evento histórico, pois ocorreu uma mudança: a direção em que as armas estão apontadas mudou. E isso é algo novo, radicalmente novo" (CHOMSKY, 2002). A dinâmica oriunda do 11 de setembro alterou a percepção do terrorismo no imaginário social, principalmente no que concerne à ameaça gerada por grupos terroristas, antes percebida como distante por acometer apenas países "distantes e subdesenvolvidos" (MORIN, 2011). Consequentemente, a resposta a essa nova ameaça, batizada de "guerra ao terror", direcionou seus esforços contra os grupos fundamentalistas, baseados em uma agenda historicamente preconceituosa referente à construção orientalista de que o islã seria "um mal a ser combatido por apresentar um perigo sem precedentes para o Ocidente" (GOLDBERG, 2009). Nenhuma outra das três ondas anteriores registrou ações globais coordenadas de contraterrorismo como a desencadeada pelos ataques de 11 de setembro. A guerra ao terror deflagrada pelo então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, é considerada um notável exemplo do processo de securitização pelos estudiosos do campo das relações internacionais. Postulada pelos teóricos da Escola de.
(24) 24. Copenhagen, o conceito se refere à atuação de agentes estatais para a transformação de determinado assunto em matéria de segurança pública. Esse processo de construção e classificação de um problema, por meio da linguagem, em ameaça existencial tende a legitimar o emprego de medidas extraordinárias para sua resolução. O terrorismo, por exemplo, apesar de ser classificado como prioridade na agenda de segurança dos países ocidentais do Norte, não pode ser considerado uma ameaça emergencial, visto que há mais chances da população desses países morrem em decorrência de acidentes de trânsito do que de ataques terroristas. Assim, com base nas ideias de Buzan e Waever (1998), a institucionalização da securitização do terrorismo após o 11 de Setembro teria sido aplicada a fim de viabilizar, internacionalmente, as invasões militares no Afeganistão e Iraque, que atuaram para fortalecer as investidas contra o programa nuclear iraniano. Em âmbito nacional, o Ato Patriota foi assinado em 26 de outubro do mesmo ano, decreto que permitiu agências de inteligência interceptar ligações telefônicas sem autorização judicial (HOFF, 2017). Baseado na teoria de Rapoport, que defende a continuidade da quarta onda até o presente, o especialista Jeffrey Kaplan (2008) afirma ter identificado o surgimento de uma quinta onda de terrorismo, caracterizada pelo "utópico intuito de criar, de forma radicalizada, uma sociedade aperfeiçoada no nível local” (2008, p. 12). De acordo com o teórico, o objetivo de grupos pertencentes à nova onda é a criação de uma sociedade étnica ou tribal para reconstituir o "modelo de uma 'Era de Ouro' perdida ou um mundo inteiramente novo em apenas uma geração" (2008, p. 12). Movimentos com esse intuito teriam emergido de forma dissidente a partir das ondas estudadas na teoria de Rapoport e, apesar do localismo radical e xenofobia, compartilhariam zeitgeist suficiente para formar sua própria onda. Apesar da ausência de consenso acerca da ideia postulada por Kaplan (2008), o conceito pode ser aplicado a grupos como o nigeriano Boko Haram e o Daesh, conforme o quadro abaixo, que esquematiza os critérios que delimitam a inclusão de grupos na quinta onda de terrorismo moderno..
(25) 25. Tabela 1 - Características de grupos da Quinta Onda 1. Radicalização e quebra com a onda terrorista estabelecida. 2. Nascidos na esperança extremista: alguns emergem após toda a esperança ter sido perdida, outras por um sonho. 3. Isolamento em áreas desertas. 4. Afirmação de estabelecer alguma forma de novo calendário (Ano zero). 5. Missão radical de purificação - racial, tribal, ecológica, etc. 6. Acordos internos impossíveis, resultando em rixas mortais e violência interna constante. 7. Crença na perfeição humana e utopia milenarista nesta geração. 8. Ênfase em criar novos homens e mulheres faz com que os antigos modelos sejam dispensáveis. 9. Obsessão em criar um habitat para a nova raça. 10. Crianças são a vanguarda da quinta onda, pois são os menos contaminados pela antiga sociedade. 11. Estupro é a principal tática da quinta onda. 12. Violência é tão penetrante que o conteúdo da mensagem se perde nos atos. 13. Os efeitos do estupro e assassinato ritualizados tem como objetivo de vincular os perpetradores ao grupo, eliminando as possibilidades de membros voltarem para a família e a sociedade. 14. Grupos da quinta onda são localistas e particularistas, renegando as organizações internacionais das quais eles surgiram. 15. Porém, se necessárias para sobrevivência, alianças internacionais são cultivadas. 16. Autoritários em natureza com líderes carismáticos. 17. Profundamente religiosos com tropas fortemente armadas e apoiadas pelos líderes a fim de atingir o sonho milenarista por meio de uma violência apocalíptica. Fonte: KAPLAN, 2008. Tradução livre feita pela autora.. Segundo o estudioso Anthony Celso (2015), o processo de conversão em massa e a agitação revolucionária, praticados por organizações como Daesh e Boko Haram, “requerem isolamento psicológico da sociedade moderna e isso pode se relacionar às.
(26) 26. dinâmicas utilizadas pela quinta onda islamista”, o que atende aos demais critérios postulados por Kaplan (2008), mesmo se distanciando da utopia a nível local. Sem a presença de autoridades estatais fortes em áreas rurais, os grupos mencionados conquistam território com o objetivo de criar "micro comunidades ideais" e levam os membros a ter uma percepção irreal do mundo a partir da repressão brutal e do isolamento originário das operações na clandestinidade. Enquanto Kaplan admite similaridades, embora relutante, Celso (2015) defende que grupos como Daesh e Boko Haram possuem tendências da quinta onda, o que os diferencia de outras organizações terroristas fundamentalistas da quarta onda, como a Al-Qaeda. O autor argumenta que as duas organizações citadas possuem uma agenda sectária radical baseada no takfirismo2, descolando seus objetivos dos movimentos islâmicos mais amplos, que sempre pleitearam a criação de uma comunidade unificada, a ummah. No foco das atenções midiáticas e sociopolíticas desde o 11 de Setembro, a Al Qaeda Central, historicamente, sempre rejeitou a violência de seus afiliados contra muçulmanos. Por diversas vezes, em correspondência com líderes regionais, o próprio Osama bin Laden, líder e fundadora da Al-Qaeda, expressou preocupação e emitiu ordens para tentar inibir a brutalidade sectária da Al Qaeda Iraque (AQI) e as tendências fanáticas do Al Shabaab, ambas organizações associadas também com raízes no takfirismo (CELSO, 2015). Enquanto Rapoport defende que uma quinta onda só terá início por volta de 2025, Simon (2013) considera que esse novo movimento no terrorismo pode não apresentar formas características de dominação perpetradas por grupos específicos, mas ser definida pela interconectividade tecnológica que permite a ação de operadores solitários, popularmente conhecidos como “lone wolves”. Como a dinamite para a primeira onda anarquista, o autor argumenta que a internet é a "energia da quinta onda". Dilatando essa ideia, Post (2007) corrobora e sugere que o próximo período do terrorismo será cada vez mais marcado por atos perpetrados por terroristas solitários. A radicalização, principalmente de jovens, seria realizada por meio das redes e mídias sociais que propagam e mantêm uma "verdadeira comunidade virtual de ódio". 2. Corrente política mais radical do islã, proveniente da palavra takfir, que significa herege. Defendem a pureza do islã da linha wahabista; todos que não a seguem são considerados hereges e infiéis, justificando suas mortes..
(27) 27. Após a morte de bin Laden e a decadência da Al Qaeda em nível global, o terrorismo internacional tem, de fato, apresentado mudanças significativas no modus operandi por meio da ascensão de organizações radicalizadas, entretanto, a dinâmica de mudanças constantes e contemporâneas ainda não permitiu a teorização irrefutável da quinta onda do terrorismo moderno.. 2.2 Terrorismo em números A popularização das plataformas digitais gerou inúmeras possibilidades de armazenamento e gerenciamento de dados que podem beneficiar todas as áreas do conhecimento, facilitando e ampliando oportunidades para criação de bancos de dados mais eficientes. Entretanto, considerando os múltiplos propósitos que um banco de dados serve, Schmid (2014) afirma ser "surpreendente que existam tão poucos na área de pesquisa sobre terrorismo". O estudioso ressalta que o pouco uso de dados estatísticos não é um reflexo das ciências sociais em geral, mas típico da pesquisa sobre terrorismo. A partir de um estudo conduzido em 2001, o especialista Andrew Silke averiguou uma discrepância na utilização de estatísticas em artigos sobre terrorismo e áreas correlatas. Enquanto cerca de 86% de artigos sobre psicologia forense e 60% na área de criminologia conta com alguma forma de análise estatística, artigos sobre terrorismo raramente incorporam estatísticas e quando citadas, há cinco vezes mais chances de serem apenas estatísticas descritivas. Em trabalhos posteriores, Silke (2009) observou e destacou os ataques terroristas de 11 de setembro como um divisor de águas na produção científica sobre terrorismo. O interesse e financiamento de pesquisas bem como o número de pesquisadores especializados aumentaram "enormemente" após os eventos ocorridos em Nova York. Como consequência, a quantidade de publicações sobre o tema também subiu. O gráfico abaixo ilustra o aumento expressivo de livros de não ficção com a palavra "terrorismo" no título, publicados a partir de 2001..
(28) 28. Figura 1 – Livros de não ficção publicados sobre terrorismo a partir de 2001. Fonte: SILKE, 2009. p. 93.. Em paralelo, achados concomitantes apontam que a publicação de artigos científicos sobre a temática acompanhou o mesmo ritmo de aumento significativo dos livros (SILKE, 2009). Um dos poucos consensos nesse campo do conhecimento, é o fato de o terrorismo não ser um fenômeno recente e vir ocorrendo, de uma forma ou outra, ao longo da história da humanidade (ASPREY, 1994). No entanto, as pesquisas realizadas sobre o tema são, majoritariamente, instigadas pela necessidade de promover uma avaliação imediata de grupos e ameaças atuais, deixando de lado esforços para a realização de trabalhos mais contextualizados e que utilizem estatísticas analíticas com critérios estáveis e bem definidos (SILKE, 2009). Além da falta de consenso acadêmico e sociopolítico para o termo terrorismo, outra questão que dificulta a coleta e, consequentemente, a aplicação de dados são as particularidades acerca das fontes de informação. Para LaFree (2007), o levantamento de dados sobre terrorismo é especialmente desafiador, porque informações sobre atos ilegais são disponibilizadas, tradicionalmente, por meio de apenas três fontes: "dados.
(29) 29. 'oficiais' coletados por órgãos governamentais, declarações de vítimas e população em geral e dados divulgados diretamente pelos terroristas". Ao dilatar a problemática, Schmid (2004) alerta que a grande parte dos bancos de dados é profundamente dependente de materiais open source, o que gera uma problemática em torno da credibilidade das informações publicadas. De acordo com o especialista, como a mídia não é um observador neutro em um conflito político, a cobertura de eventos terroristas contribui para a construção de diversos problemas, pois é frequentemente influenciada, senão manipulada, pelos setores interessados. Na área de estudos sobre terrorismo, há preocupação recorrente sobre a dependência de dados governamentais e midiáticos, principalmente em localidades onde há censura ou ausência de liberdade de imprensa. Nessas circunstâncias, não é impensável que o número de eventos terroristas não reflita fidedignamente a quantidade de ataques realizados nem mesmo as estatísticas sobre vítimas. Crítico dessa interdependência, Schmid (2004) aponta ainda que "quando não há jornalistas corajosos ou correspondentes internacionais", o número de incidentes relatados tende a diminuir ainda mais abruptamente. Destacada por diversos estudiosos (SCHMID, SILKE) como ponto de atenção, a presença simultânea de distintas formas de violência na localidade atingida por um ato terrorista, como situações de guerra civil, ocupação estrangeira ou intervenção militar, dificulta a delimitação dos incidentes dentro dos critérios de inclusão adotados pelos bancos de dados sobre terrorismo. A natureza e complexidades específicas desse fenômeno fizeram com que o National Consortium for the Study of Terrorism and Responses to Terrorism, conhecido pela sigla em inglês START, adotasse uma metodologia3 rigorosa de checagem para a criação e ampliação da Global Terrorism Database. Principal fonte de dados estatísticos desta dissertação, o START analisa cada ataque individualmente. Primeiro, por meio do uso de algoritmos e inteligência artificial que levanta, em média, um milhão de matérias de veículos de comunicação disponíveis na internet em todos os idiomas. Posteriormente, a equipe de pesquisadores do consórcio analisa de forma manual todos potenciais ataques selecionados para serem incluídos no GTD. Para que isso aconteça, o 3. Ver metodologia utilizada pelo START em https://www.start.umd.edu/gtd/using-gtd/.
(30) 30. incidente tem de se enquadrar em três critérios: o incidente deve ser intencional - o resultado de um cálculo consciente por parte dos perpetradores; o incidente deve envolver algum nível de violência ou ameaça direta de violência - incluindo violência material bem como contra pessoas; os perpetradores dos incidentes devem ser atores subnacionais – a base de dados não inclui atos de terrorismo de Estado. Em uma próxima etapa, para fazer parte do banco de dados do START, é necessário atender, pelo menos, mais dois dos três critérios metodológicos listados abaixo: . o ato deve tentar atingir um objetivo político, econômico, religioso ou social. Em termos de objetivos econômicos, a busca exclusiva de lucro não atende esse critério. É necessária a busca de uma mudança econômica mais profunda e sistêmica;. . deve haver evidência da intenção de coagir, intimidar ou transmitir alguma mensagem para uma audiência maior que as vítimas imediatas. É o ato em sua totalidade que é considerado, independentemente se todos os indivíduos envolvidos na execução do ato estavam conscientes de sua intenção. Contanto que qualquer um dos organizadores e decisores por trás do ataque tivesse intenção de coagir, intimidar ou divulgar, a intencionalidade do critério está preenchida;. . a ação deve ter ocorrido fora do contexto de atividades de guerra legítimas4. Ou seja, o ato deve estar fora dos parâmetros permitidos pelas leis internacionais humanitárias (especialmente a proibição contra deliberadamente atacar civis ou não combatentes). (START, 2018; online. Tradução livre feita pela autora). Contudo, todo o procedimento que garante a credibilidade do consórcio implica na atualização da base de dados apenas anualmente, o que é considerado demorado para os padrões de velocidade impostos pela dinâmica da sociedade em rede. A ausência de fontes relativamente isentas – ou seja, não envolvidas diretamente no conflito – para a divulgação de dados sobre eventos terroristas em tempo real contribui para a homogeneidade de discurso e a ausência de polifonia nas matérias publicadas nos veículos de comunicação, bem como a dependência das informações divulgadas pelos órgãos governamentais, como será discutido no terceiro capítulo desta dissertação.. 4. Ver Convenção de Genebra aplicada à legislação brasileira em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/D0849.htm.
(31) 31. Devido ao padrão estabelecido para cobertura de eventos terroristas, é possível observar também a ausência de dados históricos para a contextualização dos ataques, tanto na imprensa nacional quanto internacional, principalmente no que se refere ao número de atos perpetrados globalmente e aos fatores sociopolíticos envolvidos. Raramente, são utilizadas estatísticas para corroborar informações – muitas vezes, generalistas – divulgadas pela mídia e até mesmo por fontes indicadas como especialistas no tema (BUTLER, 2015). O gráfico abaixo mostra o número de ataques terroristas registrados no mundo, dividido por regiões, a partir da década de 1970. Até 2017, a América do Norte havia sofrido apenas 3.456 ataques, se comparados com os 16.639 atos registrados na Europa Central. No entanto, devido a fatores históricos e sociopolíticos, o maior número de ataques está concentrado, no território composto pelo Oriente Médio e Norte da África, que juntos somaram 50.474 eventos terroristas nas últimas quatro décadas. O sul da Ásia também registra índices elevados: 44.974 nesse mesmo período. Esses números não se equiparam a nenhuma outra região – ou regiões – do mundo ocidental: mesmo se considerados os atos perpetrados em toda a Europa (Central e Leste Europeu) e América do Norte, a quantidade de ocorrências chega a 25.239. Figura 2 – Número de ataques terroristas por região. Fonte: START - Global Terrorism Database (GTD)..
(32) 32. Com base nos números de ataques terroristas abaixo, é possível observar a crescente exponencial dos atos realizados na África Subsaariana e Oriente Médio e Norte da África, representados pelas linhas vinho e verde claro, respectivamente, a partir de 2003. Em comparação, a linha laranja, referente à Europa Central tem se mantido estável dentro da média histórica, contabilizada desde a década de 1970. Pela desproporcionalidade estatística em quantidade de ataques, a linha representativa da América do Norte não pode ser visualizada no gráfico. Figura 3 – Número de ataques na África Subsaariana e Europa Central. Fonte: START - Global Terrorism Database (GTD).. Com relação aos ataques perpetrados na Europa Central, especificamente, nota-se a presença de uma tendência de alta iniciada em 2011. Contudo, o número anual de atentados nunca superou 350 até o momento, conforme indica a figura abaixo. Figura 4 – Número de ataques na Europa Central. Fonte: START - Global Terrorism Database (GTD)..
(33) 33. O final da década de 1970 e meados dos anos 1980 representam o pico de eventos terroristas na história recente da Europa Central, coincidindo com a terceira onda de Rapoport (2001), conhecida como New Left, que teve seu auge registrado entre os anos 1960 e 1980. O período conta com uma média de mais de 500 ataques por ano, tendo seu ápice em 1979 com 1018 ocorrências, incluindo a série histórica de atentados de julho de 1979 perpetrada pelo ETA em três modais de transporte em Madri e o ataque que ficou conhecido como Emboscada de Warrenpoint, de autoria do IRA. Outro aumento acentuado no número de ataques na Europa Central ocorreu durante a década de 1990, acompanhado posteriormente por uma tendência de queda que, até o momento, ainda não voltou a superar a marca de 400 atentados por ano. Por outro lado, as estatísticas da África Subsaariana, outro ponto de interesse desta dissertação, revelam uma escalada sem precedentes históricos dos ataques terroristas na região a partir de 2005. Tendência que pode ser explicada pela crescente atividade de grupos terroristas locais, como Boko Haram e Al-Shabaab, e também a presença cada vez mais efetiva do Daesh. O pico recente na localidade atingiu a marca de 2308 atentados registrados em um único ano, 2014. A quantidade representa mais que o dobro do ápice anual europeu (1018), registrado em 1979. Figura 5 – Comparativo entre número de ataques na África subsaariana e Europa Ocidental. Fonte: START - Global Terrorism Database (GTD).
Outline
Crítica à representação midiática do terrorismo
Convergência e narrativas transmidiáticas
Fake news e o fenômeno da curadoria
Comunidades interpretativas e a construção da memória
Jornalismo humanitário e de paz
Análise da forma
Análise da prática
O ataque terrorista de Paris
Comparativo Mogadíscio x Paris
Considerações finais
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