THESE
APRESENTADANA
FACULDADE
DE
MEDICINA
DA
BAHIA
EM NOVEMBRO
DE
1869
PORAMERIGO
YESPUCIO
.j
lQREIRA
D
I^AmEIDA
\atural d'csta ProvínciaEX-I>TEI\NO DA CLINICA CIRÚRGICA, E ACTUAL DA CLINICA
MEDICA E DO HOSPITAL DE CARIDADE
^ãf)o fe^itimo Aiiúoiiiú Jlbauocf tíll)oteiia JbfuKiDa
PARA OBTER O GilAO
ns
DOUTOR
EM
MEDICINA.
» Nãoha,não deve haversegredosnemprivilégiosem medicina;os trabalhos scierUiCcos da nossa classesão
deun> para todosedetodos paraum;aproveite-se
d'cl-li's cada qunlconformea aptidão c os dotes intelle-cluiíes quoIne coul>crão cm partilha, ninscouilisura,
com franqueza, e semmyslcrio.
(Dr. SilvaLima).
BAHIA
TYPOGRAPHIA
DE
J. G.TODRINHO
FACULDADE
DE
MEDICINA
DA
BAHIA.
DIRECTOR
O
JFdp.""'St9»*,Conaelheh^o
I9è^.JíotioSagiiislatiosA»tJo9,^a©i-[g)3!ai©T@[a
O Ex.™oSíir. Conselheiro Dr. Vicente Ferreira de MagaILães.
ossns.DouToniís I•*ANNO. matrsias qvk lecciona»
„• . n • „^^«„„„ii.õ«c f l>hysica emgeral,epailiculariTieiilcení suas
Cons.Vicente FerreiradeMagalliaes.
\ :l^^,^i,,^^n sáMedicina.
FranciscoRodriguesdaSilva. . . . / Chiiiiica e Mini^ ralonia.
AdrianoAlvesdeLimaGordilho . . , Anatomiadoscripliva.
a.*ANNO.
Antoniodc Cerqueira Pinto Ciiiinicaorgânica.
Jeronymo SodréPereira
....
. IMiysiologia.AntonioMailiii)odoUomfim UotanicavZoologia.
AdrianoAlvesdeLimaGordillio. . . . Repetiçãode Anatomiadoscripliva.
3.*ANNO.
Cons. Elias JoséPedroza Anatomiageralcpalhologlca. iosédeGoesSequeira Palhologiageral.
JeronymoSodré Pereira Pliysiologia.
4.» ANNO.
Cons.ManoelLadisláoAranhaDantas. . Palhologia externa.
Patliologiainterna.
í'^,..„iK„!..«M,u,;,.M„.-«i..«c,^,,ni,v S Partos,111oi cs
I
íbsdemulliercs pcjadasc(IcDlciílBO
g
(conselheiroMalhias MoreiraSampaio ? recemnascidos.
5.»ANNO.
• ConlinuaráodePalhologia interna.
JoséAntonio deFreitas
.j ^•I^IISÍÍ!,.!:^^"^'^^'^'^''^''
Medicinaoperatória,e Maleria medica,etherapeutica.
6.*ANNO,
. „ Pharmacia.
Salusliano FerreiraSouto Medicinalegal.
DomingosRodriguesSeixas Hygiene,eHisloriadaMedicina. Clinicaexternado3.*e*.">anrw).
AntonioJanuáriodeFaria.
...
Clinicainternado5.*e6.' anuo. RozendoAprígio PereiraGuimarães. AIgnacio JosédaCunha
f
PedroRibeirodeAraujo )Secção Accessoria.
José IgnaciodeBarros Pimentel. . .\
VirgilioClymacoDaniazio /
Jose AíTonso Paraizode Moura, . . a
Augusto Gonçalves Martms /
DomingosCarlosdaSilva > Secção Cirúrgica^
DemétrioCyriacolourinho \ Luiz Alvares dos Santos f
SecçãoMedica.
s
O
jí(»r.Dr.CinciniintoPiutodaSilva»o
Sr*Dr.Thomaz
tl'AquinoGaspar.Á
MEMORIA
DE
MEU
SEMPRE CHORADO
PÂI
EÂMIGO
A MEMORIA
DE
MEU SEMPRE
CHORADO
IRMÃO EROM
AMIGODR.
ERNESTO MOREIRA
DE ALMEIDA
Á
MEMORIA
»E
IflElJ
PIfiOIO
E
AMIGO
PEDRO
MOREIRA
D'ALMEIDA
SattítaUe
e
MitgtntnasIÁ
MINHA
RESPEITÁVEL
E
PREZADA
MÃI
A'
mm
BOA TIA, MADRINHA E AMIGAD.
Hitta
Sabina
Neves
Sempreteus olhos mesorriramjúbilosf
Sempre teus braços meacolheram francosl
Se alguma c'roa me destina a gloria,
Cinge com ellateus cabellosbrancos.
A
MEU
ESPECIAL
E
MELHOR
AMIGO
o EXCELlEi\TlSSniO SE.MIOR
êaxào
íí^6ubal)c
Amisade e eterno reconhecimento.
A'
MEUS
IRMÃOS EBONS
AMIGOSos SEKíIOr.ES
Capitãot^biitoiúo Jllbaiioeí Jllbolelta.í)'Jbfiuel3a
ViAucule'^'Oié Jbulouioel-boícita7)'ÁiCuieiòa.
A' MIi\HAS QUERIDAS
IRMÃS
AS SR.as2). CeclfiaJâ» ííaiitod JliboteltítÇtlffo
2). Cfcmciitciiii,JbiitefiatllDotelut3'Jl)Ptiiei?c»
2). 8.i.Í5?iaâhotciiad'Jh(mei\>cí 2)otía
Sincera amisade.
Á
MEUS
CUNHADOS
E
AMIGOS
os ILLUSTRISSIMOS SENHORES
CaiBilão
FritiilkliiiiCevrels^a
liiasiaAntonio
«foaquini
Esteves
GirilloTlieniistoeles
ileHJIenezcs
Dorea
Amizade.
Á
MINHAS
CUNHADAS
AS EXCELLENTISSIMAS
SENHORAS
D. Carolina da Tâmara Paim eAlmeidaD. Maria Esteves d'Ali!icida
D. Amélia Pereirad'Araiijo e Almeida
A
mèm
mmimm
Extremosa amizade.
E
Iiarticiilarmciite ameu
amigo
o Iilm.° e Rvui.« Sr.PADRE MESTRE
FR.
LOURENCO
oDE
SANTA
CECÍLIA
Muitaamizade e eratidão.A
MEU
AMIGO
riIARMiCEUTICO EUCLIDES
EMILIO
PIRES
CALDAS
Sincera amizade.
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IfESTEE
E
iinc-0oiLL.oE Ex."»»
mim
Dr.
José de
Goes
Siqueira
Amizade e consideração.
Â'
IlliistraàCongregação
da
Faculdade
de
Medicina
Homenagem a sciencia e ao mérito.
AOS MUITO DifiPS OPOSITORES Di
FAÍULDADE
DEIDlCiM
OS ILLUSTRISSDIOS SENHORES SBè'. TÍÊ*fpilio
dímísco tímnasio
1^È\
Manado
*fosé
íiaCunha
A
MEUS
ESPECIAES
AMIGOS
DA
FACUDLADE DE
MEDICINA
Muita arnisade csaudosa lembrança
Á
TODOS
OSMEUS
COLLEGAS QUE
ME
DEDICAM ESTIMA
Um
adeus.Á
TODOS
OS
MEUS PARENTES
QUE
ME CONSAGRAM
AMISADE
OfTereço esta lhese.
,
^
o^
Á
TODAS
AS
PESSOAS
QUE
ME
ESTIMAM
E
HONRAM COM
SUA AMISADE
SECCÁO
oMEDICA.
TRATAMENTO DA
ANGINA
DIPHTHERICA.
sinonímia.
Angina diphllicríca, niccra egypcíaca, ulcus syrinco, angina maligna, angina
ganf^re-nosa ou mal dc garganta gangrcnoso, angina plástica, angina codcosa ou
pseudo-membranosa, angina diplitlieritica etc.
NGINA
diphtherica6uma
inílammaçrio especial damem-brana mucosa, que tapiza o isthmo da garganta (vco do
paladar e seus pilares) asamygdalasc o pliarynge;
inílam-mação
caracterisada poruma
exsudação fd)rinosa, que se .estende
em
camada
adlierente pela superfície destamembrana
mucosa,se reproduz após a ablação, durante
um
tempo
limitado, e possueuma
grande tendência a invadirpouco e pouco as partes atravessadas pelo ar,as fossas nasaes, e principalmente o laryngee os bronchios.
Etliiologia*
A
angina dipbthericaaccommette
a qualquer idade da vida, atacandode preferencia aos meninos de trcs, cinco e seis annos, nào ficando
incó-lumes os recem-nascidos,
como
diz Bretonneau,em
seutratado dediph-therite.
Nenhuma
influenciatem
o sexo sobre o desenvolvimentoda diphtheria,que
pareceatacar aambos
indiíferentemente.Em
quasi igualcondição seacham
as constituiçõesque sãoigualmente assaltadas;devendo-se,porém,dc-l)ilitados por moléstias graves anteriores, sao, de preferencia, atacados do
mal,
quando
reina esporadicamente; sendo provável que estasmesmas
condições favoreçam seu desenvolvimento nas epidemias.Os
climas, por mais variados que sejam, não offerecem amenor
bar-reira ao desenvolvimento da angina diphtlierica,
que
igualmente sema-nifesta
em
todas as estações; reinando, porém,em
maior escala nasesta-ções frias e húmidas.
—
As
localidades nãoparecem
offerecerinfluen-cia
alguma
sobre a manifestação do mal.Trousseau, que muito estudou e observou a diplitheria, convenceu-se de que ella se desenvolvia
em
todas as localidades, e nas condições asmais oppostas; pelo que tevede renunciara opinião queaté então nutria, de qne o frio Iiumido, que a disposição de certas localidades entretém na
atmosphera, muito concorria para o desenvolvimento da angina
dipht/ie-rica.'
A
anginapseudo-membranosa
tem
coincididocom
a existência defe-bres exanthematicas,
como
osarampo,aescarlatina, etc.A
anginadiplitheri-ca escarlatinosa
tem
reinado,por muitas vezes,epidemicamente; na plura-lidade dos casos, osindivíduos accommettidosestão isentos de outroqual-(juer mal.
Como
ascausas predisponentes,em
grande obscuridade seenvolvem as occasionaes: nestas ultimas está compreliendido o frio, principalmente ofrio húmido.Entretanto,
bem
poucassão asprovas quetem-se colhido atalrespeito; as observações são muito imperfeitas, e estas
mesmas
estãoem
completa opposição.
Os
agentes irritantes nãodeícrminam
semelhanteaffecção;ainflamma-ção, produzida por ellcs, offerece
uma
differença tão notável que éim-possívelconfundil-a
com
ainílammaçãodiphtlierica.O
resfriamentoéuma
causaverificada pormuitos.O
contagio, quetem
suscitado tão serias discussões, é hodiernamente,em
presença defactoslevadosáevidencia, incontestável.Os
factos observados por Bretonneau, Brunet, Collineau, Trousseaue outros, corroboram aopinião dos contagionistas,que admittem,com
muitarazão, a influenciadessa causaespecifica,que antes não fosse
uma
realida-de; porque, talvez, nãotivéssemosdelamentaraperda precoce deYalleix,Henri BlacheeGillette,quevictimas desua dedicação,
pagaram
seutributo á contagião detãoperigosamoléstia.—
5—
Syiit|itoiiiaiolof|ia.
A
doença,em
seu principio, sedesenha poruma
febremais oumeno5
viva, que costuma declinarno segundo dia,tornando-se quasi nulla desse dia
em
diante.Uma
tal ou qual indisposição, quesetraduzpor abatimentotristeza, fraqueza, cephalalgia, obstáculo, as mais das vezes, passageiro,
noacto dadeglutição, dor pouco intensa, dá d moléstia
um
cunho poucoassustador. É,
em
virtude destesphenomenos
geraes,poucointensos,quea moléstia
tem
um
principioquasisempre
insidioso.Continuando na suamarcha, se observa dolado do pharynge
uma
ver-melhidão mais ou
menos
viva, tumefacção das amygdalas, quese circums-creve napluralidade dos casosem
uma
d'ellas;nesta circumstancia,appa-rece sobre oórgão affectado,
uma
nódoabranca perfeitamentecircumscri-})ta, constituída,
em
principio, poruma
camada
de ridícula consistência,assemelhando-se a
muco
inteir.mientecoagulado:é porbaixodestacamada
membraniforme
que novomuco
podese reunirem
certos pontose simular as pústulasque Franck suppoz ver naanginadiphtherica.A
secreção plás-ticavaepouco epoucoseconcretando, etoma
muitas vezesuma
espessura notável.As
concreções,uma
vezformadas, offerecem,nos primeirosmo-mentos
de sua formação, pouca resistência e separam-se facilmente; aadherencia,que ellasadquirem
com
osfolíiculosmuciparos,'sefazpormeio defdamentosdelicadíssimos que facilmentese despedaçam.É, depois d'cllasseparadas, quese vê que o epilhelio, vindo
com
ellas,sua sede primitiva era entreelle c o tecido mucoso, que ficaperfeitamente são,aexcepção do epithelioquesoíírequalquer modificação
com
a separa-çãodafalsamend^rana.A
mucosa, algumasvezes,parece escavada; prestan-do-se,porém, attenção,ve-seque semelhantelacuna éo resultado datume-facção
que
sefazem
derredor da secreçãoplástica, simulandouma
sortededebrum.
A
membrana
mucosa
estásempre
intactae sóapresciita, demais saliente,uma
vascularisação mais pronunciada.Ecchimosessão, algumas vezes, observadas após a separação das con-creções membraniformes; algumas são consideráveis e dão
uma
lividezao
tumor que
se assemelha auma
excrecencia cancerosa. (Bretonneau). Estas ecchimoses são, segundo Roche, ocomeço
de novas falsasmem-branas.
A
secreção plástica, depois de horas,muda
de aspecto;seu centro tor-na-se convexo, seus bordos adelgaçados; e,nesta marcha,tomando
maior•
—
G
—
desenvolvimento, adhere-se mais intimamente aospontos primitivamente invadidos.
É
nesta quadra de sua evolução que ellatoma
a cord'um
brancoamarellado, que, passando por diversos matizes, varia do branco
amarel-lado,ao escuro e até ao negro.
É
ordinariamente nesta phase da diphtheriaque
o ve'o do paladar e a uvula se inflammam; esta, depoisde algumashoras, cobre-se, doladocor-respondente áamygdala,játapizada pelasconcreçõesplásticas,de
uma
con-creção damesma
cor, que acaba muitas vezes por envolvel-a completa-mente, imprimindo-lhe a formad'um
dedo de luva.É, ainda nesta quadra da evolução diphtherica,
que
se vê, na amygda-la, então sã,uma
nódoa damesma
naturesa, que,marchando
com
rapi-dez,acaba por envolvel-a.
As
concreçõesplásticas, por suavez,invadindo o pharynge, tapizam-n'oem
seusdous lados: o desenvolvimento destas sefaz,oraporstrias longitudinaes, longas,estreitas, e
d'um
vermelho carre-gado, orapor placas membraniformes, que por sua vez se reúnem. Attin-gindoamoléstiaeste gráo, as concreções diphthericastomam,
quasisem-])re,
um
aspecto sórdido,como
od'uma
ulcerademá
natureza, esão mais difíiceis de despegar-se; todavia,com
uma
pinça, ellas se separam, etra-zem, muitas vezes, o
molde
do logarem
que se achíTvam.É
assimque
Trousseau arrancou falsas
membrannas
que envolviam a uvula,com
aforma
d'um
dedal de cozer.As
concreções nesta época se espessam de diaem
dia pelaaddição denovascamadas,etomam,
como
já dissemos, oaspecto sórdido; as mais superficiaes, amollecendo,
cabem
facilmente, etingem verdadeiras escaras, o que
tem
levado muitos a crerem na exis-tênciad'uma
gangrena da uvula, das amygdalas e do pharynge, corrobo-rando-lhes a crença a respiração horrivelmente fétida;sem
considerarem que as bebidas, os alimentos, as substancias medicamentosas, as matériasvomitadas e o sangue, vindodo pharynge ou das fossas nasaes-,
devem
al-terar as exsudações plásticas, tornando-as negrase dando-lhes aforma
d'um
detrito gangrenoso, as quaes, na realidade,em
estado de putrcfac-ção,exhalam
um
cheironauseabundo: de mais, paraprovara ausência de semelhantegangrena, basta dizerqueuma
vez queas superfíciesenfermastornam-se limpas,as mucosas,recobertas
pouco
tempo
antes pelas concre-ções, se apresentamvermelhas,esem
traçoalgum
degangrena.Trousseau, que observou innumeros casos de affecção diphtherica,
somente encontrou tres exemplos de verdadeira gangrena. Yalleix cita
perfeitamente esphacelada; taes factos, além de serem raros, se
caracte-risam por tal forma que não
podem
se contundircom
as affecções pel-licularesque simulam
uma
gangrena.Quando
a doença attinge este gráo, a salivação é horrivelmente fétida^salivação, cuja matéria c constituida por
um
liquido nauseabundo,semanifestando
com
mais oumenos
aljundancia.Muitos doentesteem
uma
expuição sanguinolenta,determinadapela infiltração sanguínea,que sefaz dolado do pharynge.
Na
pluralidade doscasos, avozaltera-se profundamente, torna-se rouca e nasal,sem
comtudo
assemelhar-se á que sôesempre
manifestar-se,quando
as exsudações plásticas propagam-se aolarynge. (Crup).A
tosse éum
phenomeno
quasi constante, ebem
differente daque
se observano crup.—
segundo Yalleix, ella consiste antesem
um
movimento
bruscodeexcreçãodo que
em
um
abalo convulsivo dos órgãosrespirató-rios.
—
A
respiração, .dgumas vezes, não se executacom
toda liberdade; ainda assim, a pertubação éem
um
gráo medíocre, ebem
longe de sercomparada
a suffbcaçãodocmp.
A
angina diplithericatem
grandetendên-cia ainvadir olarynge(crup),cujos
symptomas
omittimospor estaremforada esphera de nosso ponto.
É
muitocommum
a angina dipbtherica pro-pagar-se á bocca,edeterminar astomatite codcosa;nãoérarasua invasãoá pelle, atacando de preferencia as azas do nariz, a parte posterior das orelhas, o prepúcio, a circumferencia do anus, da vulva e dos mamillos, tornando-se,porém, preciso que
uma
excoriação se façanapelle,paraquea concrecção plástica se desenvolva; esta excoriação, para muitos, é jáo
começo
do trabalho mórbido especial.—
As
pseudo-membranas, na suamarcha
devastadora, invadem,umas
vezes, as fossas nasaes, donderesulta o corrimento
d'um
ichor sanioso, etambém
epistaxis, que,em
alguns casos, é tão abundante que se tornasempre
um
signaldemáo
agouro; outras vezes propagam-se peloconducto nasal até oscanaes
lacri-maes
que ficam obstruídospelas concreções diphthericas e tumefacção damucosa
queos tapiza.As
exsudações plásticaspodem
invadir os próprios olhos e determinaruma
ophtalmia diplitherica.Quando
as concreções seestendem, portal forma, outros symptomas, denunciadores
d'uma
verda-deira intoxicação, se manifestam para caracterisar a diphtheria maligna;bem
que possam
taessymptomas
nãoexistir,não obstante asexsudaçõesplásticas seestenderem por talforma.
—
Os
ganglions dos ângulos dama-xilla, os submaxillares eos cervicaes se timiefazem.
sede, inappetencia e vómitos.
Pode
sobreviruma
diarrhéa intensa,que
éou o sigual deexsudações, que se
teem
formado na parte inferior doin-testino, ou então, o resultado
d'uma
perversão danutriçãoque sempre
se dána diphtheria maligna.As
concreções, estendendo-se aoesophago e até ao cárdia,determinam
vómitos mais oumenos
rebeldes;bem
que
estespossam
apparecersomentepelofactoda existência depseudo-membranas
no pharynge epela tumefacção dasamygdadas.
A
albiumnuria éum
accidente muito frequentena anginadiphtherica,etem
sido verificada por lodos os médicos, que teem-se occupado d'esta doença.Por muitas formas tem-se queridoexplicar a presençada albuminanas urinas. Para uns, a presença deste principio nas urinas seliga a
uma
congestão passiva e passageiranos rins,produzida pelo cnip asphyxico, e pela staze sanguíneaque
resulta damesma
congestão.É
fora de duvida (|ue a asphyxia e a congestão nosrinsproduzem
a albuminúria.Para provar, basta dizer que a estrangulação
em
cães e as congestões, artificialmentefeitasnos rins pela ligadura dasveias renaes,determinam
o o apparecimento da albumina.Entretanto, taes experiências não são sufficientes para explicar o facto
clinico.
A
albumina ainda persiste, diz o doctor Sée, nos indivíduosem
que tem
se praticado a tracheotomia, que traz consecutivamente o resta-belecimento da respiração. Sãoconstantes os factos de crupsem
albumi-na nas urinas, o quevem
ainda demonstrarque
nãoteem
rasão aquellesqueligama albuminúria á congestão passiva dosrinsdeterminada pela as-phyxia.Para outros,
que
sãoem
maior numero, a albuminúria se liga aoestado geral que
acompanha
adiphtheria,sem
que se possa, poresta for-ma, dar a razão do facto clinico.É, ainda pela
mesma
razão, que não satisfaz ao espirito,que
se explicaapresença da albumina na varíola, escarlatina e dothienenteria, moléstias sépticas,
em
que,como
naangina diphtherica, a economiaficageralmente compromettida,A
albumina,em
algunscasos, semanifestadesdeaphase ini-cial da moléstia, e sua quantidadepode
variar nomesmo
individuod'um
dia para outro, e tendo logar muitas vezes
d'um
modo
intermittente.A
albuminúriase encontra habitualmente nos casos graves de diphtheria,não faltando innumeras excepções a esta regra.
É
assimque
tem
seob-servado casos benignos
com
albumina,eoutroseminentemente
gravessem
ella. Estas diversidades pathologicas nos fazem crer,
que alem
do estadoIiiCBB
Ilação.
A
incubação da diphtheria, isto é, o periodo que decorre desde omo-mento
em
que se põeem
acção a causa morbigena, até suas primeiras manifestações, é de dous a nove dias, variando, por tanto, dentro dosmesmos
limites da incubação das febres eruptivas, e da maior parte das moléstias virulentas.A
marcha,em
seo principio, querna
diphtheriade formamaligna, quer na benigna, ó sobromodo
insidiosa.—
As
crianças, namaioria dos casos, já aífectadas do mal, nào apresentamsymptoma algum
capaz de desper-tar a attenção dos que as circulam;um
abatimento geral é o únicosi-gnal
que
muitas vezes se observa. É,em
virtude d'esta forma traiçoeira, que o medico,quando
chamado, encontra sempre o pacienteem
criticascircumstancias.
A
marcha, apezar de seo principio insidioso, torna-se continua,progri-de
sem
cessar, assimcomo
as concreções plásticas, queem
seudesenvol-vimento progressivo estendem-se e
ganham
terreno.Em
grandenumero
de indivíduos, a doença attinge omaximum
de intensidadeem
cinco ou seis dias; ao contrario,em
outros, são precisos dez ou doze dias, para que ella attinja o seo mais alto ponto.Iliiração*
A
duração ésummamente
variável;com
tudo, apezar desta variedade,nos casosordinários, e
quando
a cura se faz, se atem
fixado entre doze e quinzedias.Nos
casos contrários,quando
as falsasmembranas
não se limitam aopharynge e se estendem
com
rapidez ás vias respiratórias, amortepode
sobrevir
em
24
horas. Alguma"S vezes, as concreções plásticasmarcham
com
lentidão e nãoganham
o larynge senão depois decinco ou seis dias*A
duração pode ser,em
alguns casos, muito considerável ees-—
10—
pecifica seestende á superfíciecutânea, deixando illesas as vias
respira-tórias.
Teritiiiiaçãi>»
Quando
aspseudo-membranas
se limitam aojjharynge;quando
ossym-ptomas
geraesdenunciam
que adoença cbenigna,suaterminação ésem-pre feliz, se principalmente os meios therapeuticos são postos
em
acção;se, porém, a inílammação especificaganhao larynge, então, sua
termina-ção é muitas vezes funesta, apezar dos meiosenérgicos
que soem
serem-pregados.
Ha
casos que, apezar das concreções se limitarem ao pharynge,osten-tam
uma
rebeldia ás medicações, por mais enérgicas que sejam. Sãoes-tes que infelizmente não fazemmais do que ostentar a impotência daarte e o desespero do medico, que, muita vez,
tem
diante de si sêresque
lhesão caros, e que não
podem
mais ser absolvidos da fatal sentença, quelhes está lavrada,
uma
vezquesuaeconomiaestáenvenenada,e nãoha
mo-lécula de seo organismo que não esteja saturada deste principio séptico,
que
nunca
perdoa áquelle dequem
por tal forma se apodera.É
a diphtheria maligna,que
zomba
assim do paciente,que
traz-lhesempre
amorte precedidaporum
abatimentogeral e completo das forças.Coa&iiilicações*
A
enterite, a pneumonia, oemphisema pulmonar
interlobular e aspa-ralysias são consequências da angina diphtherica; as paralysias,
porém
bem
raras vezes, se manifestam nodecurso damoléstia; geralmente se de-senvolvem no periodo de perfeita convalescençaou
de cura apparente,quando
osphenomenos
locaes caracteristicos da doençateem
desappare-cido. N'estas condições, ellasmerecem
ser consideradascomo
accidentes consecutivos, e,como
taes,vamos
fazerum
Hgeiro esboço.As
paralysias diphthericas, assimdenominadas
por Trousseau, que,com
seo proverbial talento esaber profundo,asdescreveoem
suas lecçõesde clinica medica,
começam
geralmente pelo véo do paladar epharynge.A
deglutição se embaraça; ha refluxo de Hquido para as fossasnasaes; os alihientos, algumas vezes, insinuando-se pelo larynge,provocam
suffoca-—
11—
çào e accessos de tosse; e a morte é muitas vezes odesfeixo final de tão desastroso accidente.
A
impossibilidade de apagaruma
vela accesa, deexercer a sucção, degargarejar
tem
sido verificada por alguns médicos.Os
accidentesque
dimanam
da innervação nãoparam
ahi: os músculos posteriores do pes-coço, perdendo sua acção,poem
em
actividade os seos antagonistasque
determinam
a llexão da cabeça para diante.—
Os
braços e as pernas seenfraquecem; a
marcha
torna-se titubeante ou impossível.Amaurose, dilatação das pupillas, paralysias do recto e da bexiga são
phenomenos
que hão sido observados por muitos.Algumas
vezes, as paralysias são incompletas e se traduzem mais poruma
diminuição do que poruma
perda absoluta da potencia muscular. Pery, que observouo2
casos deparalyzia dyplilherica, offereceum
quadro, quedeixa vercomo
são desíribuidas as paralysias.
Paralysias dos
membros
inferiores—
ÍG vezes» )) superiores
—
1) »)) do véo do paladar
—
10 »Paralysia incompleta dos músculos da parte
posterior do pescoço e do dorso 5 »
Strabismo 2 »
Paralysia da lingoa 1 »
)) da bexiga 1 »
)) do recto 1 »
A
sensibilidade táctil é dimimiida ou completamente abolida,(anes-thesia) outras vezes, ha analgesia.
Os
músculos da vida orgânicapodem
igualmente ser aífectados; nãosão raros os casos de paralysia do diaphragma, do intestino, da bexiga,
do recto e dos esphincteres,
dando
em
resultado, segundo o órgãoaffec-tado, constipação rebelde ou dysuria.
A
incontinência das matériasfe-caes e da ourina
tem
sido algumas vezes observada na paralysia dos sphincteres. Trousseau observou a paralysia das faculdades viris levadaa ponto de produzir a anaphrodisia a mais completa. Finalmente os sen-tidosespeciaes
podem
ser igualmente affectados.Qual é a causa real dasparalysias diphthericas?
Não
o sabemos,e nos contentamosem
referir aspalavrasde Trousseau: «A
causa real das pa-ralysias diphthericas está no envenenamento, naintoxicação daeconomiapelo principio
mórbido
que dá logar á moléstia da qual estes accidentes—
12—
nervoso, á modalidade que elle
tem
soffrido, modalidadeque
nãoconhe-cemos
até o presente, e que talvez nãoconheçamos
nunca».licsões
anatómicas*
O
tecido mucoso, desnudado de seu epithelio, oífereceuma
infiltraçãosanguinea que o penetra mais ou
menos
profundamente.As
exsudaçõespelliculares ora são adherentes, ora separam-se facilmente, e são
cons-tituidas, ordinariamente, por muitas folhas, que apresentam
em
sua faee adherentepequenospontos vermelhos, queresultam dasmanchas
desan-gue situadas nos pontos
em
que se fizeram pequenas ecchymoses.As
concreções
membraniformes
são muitas vezes encontradas no esophago no cárdia, nos intestinos, e atémesmo
no estômago; as vias aerias são o theatro constante de suas manifestações: não éraro vel-as estendidas so-bre diversas regiões da superficie cutânea.Millard e Peter foram os primeiros
que
chamaram
a attenção sobre as alterações do sangue;este apresentacommummente uma
coloração,asse-melhando-se ao sueco de ameixas passadas, ou de alcaçús.
—
Os
coágulosque
ha formados são molles e assemelham-se ao arrobe de uvas muitocosido.
As
artériastrazem tanto sangue quantoasveias, o contrario doque
ge-ralmente se vê nos outros cadáveres.
Por
um
exame
microscópico se vê,nafíúsa
membrana,
grandequantidadedesubstanciaamorpha,granulações moleculares, glóbulos granulosos de inflamaçãoque
são as cellulas de pusmal
formadas, alguns glóbulos sanguíneos e fibrillas parallelas, emais ou
menos
tortuosas de fibrina coagulada (Bouchut).Pelos caracteres chimicos se nota
que
a falsamembrana
écomposta de fibrina coagulada, além de sulfato decal e corbonatodesoda, obtidosde-pois da incineração.—Ella é insolúvel
nagoa
em
todas as temperaturas,nos ácidos sulfúrico,azotico e chlorhydrico, os quaes a endurecem,
enru-gam
e despegam-na.É
solúvel no acido acético, nas soluções alcalinas eno
ammoniaco—
(Valleix).A
glycerina converte-anuma
substanciaque
—
13—
gnóstico.
A
questão de diagnostico é a que sobresalta ao espirito de qualquéi'medico
consciencioso,quando
em
presença de qualquer enfermo;sem
elle, desapparece sua mais sublime missão, e verdadeiro nauta
sem
bús-sola, entrega-se ao empirismo cego, e applica tudo quanto lhevem
ámente
ao encalço domomento
em
que porum
feliz accaso possadomi-nar o mal, ou então dar-lhe maior vigor,
empecendo
a naturezaem
suamarcha
salutar,que,com
seus únicosesforços,muitasvezes, rehabilitasuaautonomia e sopita as potencias morbigenas.
Felizmente nãoémuito difíicil, geralmentefatiando,o diagnosticoda an-gina diphtherica, principalmente se jáhá formação defalsa
membrana.
A
angina pultacea nãopode
confundir-secom
a angina diphtherica;na primeira, as amygdalas
teem
um
volume
muito mais considerável e são tapizadas poruma
exsudação branca caseiforme, que muito differe da falsamembrana
que é escura e tenaz, a ponto de não receber aim-pressão dos corpos duros, que
actuam
sobre ella; entretanto que, cara-cteres oppostosse encontramna exsudação caseiformeda anginapultacea,em
que
uma
vermelhidão muito viva precedesempre
a formação da ex-sudação, ao envez do que se dá na angina diphtherica, onde avermelhi-dão é simplesmente inílammatoria.
Os
symptomas
geraes da angina pultacea sãosempre
mais oumenos
violentos: agitação,perturbações digestivas, acceleração d^i circulação são o apanágio da angina pultacea, que é precedida
sempre
dossymptomas
geraes da escarlatina, porcuja coUigaçãoella é
também
chamada
pharin-gite escarlatinosa.Na
angina diphtherica apseudo-membrana
apparecenas amygdalas, para depois se estender além.
Na
pharingite escarlatinosa as exsudaçõesinvadem
simultaneamente asamygdalas, a cavidade da bocca posterior e das narinas,
com
grande ten-dência a ganhar as vias digestivas, oque não se observano iilciisegypcia-co, onde as falsas
membranas
soem sempre
invadir as vias respiratórias.É
sempre
fácil distinguir-se a pharingite ulcerosa da angina diphterica;na primeira, as partes affectadas apresentam
um
ponto deprimido,com
bordos mais
ou
menos
elevados eum
detrito amarellado irregular esem
saliência
em
sua circumferencia:—
na segunda os caracteres sãointeira-mente
oppostos; as falsasmembranas
são ordinariamente espessase,logoque
cahem
ou são separadas, nãodeixam
amenor
perda de substancia.—
14—
São
mui
sallientes os signacs distinctivos da angina diphtlierica e dapharingite gangrenosa: placasnegras deprimidas, de aspecto gangrenoso
desde o principio, deixando, após a sua eliminação,
uma
perda de subs-tancia mais oumenos
considerável, são caracteres infalliveis da pharingi-te gangrenosa.No
ulcus egypciaco, as falsasmembranas
espessas e escuras sótomam
o aspecto gangrenoso depoisd'uma
epocha mais oumenos
adiantada damoléstia, deixando, porém,
sempre
apósa suaqueda
amucosa
intacta, ou apenas escoriada.De
todas asespécies deaffecções codeosas da gargantaque
teem
sidoconfundidascom
aanginadiphtherica, aquetem
dadologar, 6 que dá as mais das vezes a erro de diagnostico éa angina codeosacom-mum.
Entretanto, o diagnostico, entre estasduas espécies de angina, nãooíferecc difficuldadealguma, quando, na anginacodeosa
commum,
a erup-ção herpetica se faz discreta do lado do pharinge e sobre outros ponto» damembrana
mucosa
boccal; então, os caracteresque são propios ao her-pessemanifestam portalforma que é impossível omenor
engano.A
erup-ção herpeticapode serconfluente e produzir sobreasamygdalas e véo dopaladar
uma
exudaçãopseudo-membranosa
larga e espessa, enem
por isso tornar-se difficil o diagnostico, si se der a coexistênciad'um
herpes do lábio ou daface, quevem
então esclarecer aomedico
sobre a naturezadaangina.
Ha
casos, porém,em
que a duvida é o único batelem
que
navega o medico. Infelizmente, na pratica sãomui
frequentes os casos deaffecções codeosas da gacgantasem
omenor
traçodos caracteres peculiares ao her-pes; a lesão anatómica ulcero-membranosa, que muito nos auxilia,não
se manifesta claramente; de mais, ainda
que
os caracterespossam
forne-ceralguma
luz, acontece que tracta-sc muitas vezesd'uma
criançaque
difficilmente sepresta ao exame; todavia,a falta de diagnostico não deve
desacoroçoar ao medico,
que nunca
deve cruzar os braços ante o quadro do soffrimento.Em
taes casosconvém que
sua intervenção seja enérgicacomo
se tivesse diante de sium
doente de angina demá
natureza. Estaéa forma de pensar de Trousseau, que na sua clinica
medica
diz: Agisscz avecd'aiUant moins de crainte que, suivant la juste remarque de Breton-neati, lesapplications topiqiies propres à arreter lesprogrès de laphlegma-sie diphtherique loin d'aggraver Vernption couenneuse propre à Vangine
—
15—
Prognostico.
Quando
a angina diphtherica affecta a forma benigna, e asmanifesta-(,'òes locaes selimitam ao pharynge,a cura quasi
sempre
serealisa; se, po-rem, as falsasmembranas
se estendem ás vias respiratórias, suapropa-gação determina accidentes mortaes, e
imprime
á aífecção o caracter degravidade que é devido antesáasphyxia produzidapelasua invasãoao
la-rynge,do queáprópriamoléstia.
A
diphtheria malignaésummamente
gra-ve; nesta forma, a morte sobrevem,sem
que seja mister apseudo-mem-brana propagar-se ao larynge; o principio séptico de que se acha impre-gnado o organismo, o envenenamento geral da economia, basta para ex-plicarsua gravidade.
IVafureza.
Já muito antes de Bretonneau escrever seu tractado de diphtherite, se discutia sobre a natureza da diphtheria; e esta discussão já
começava
aderramar
alguma
luz para o esclarecimento daverdade,quando
surgio a cschola physiologica,em
que a theoria da inílammação dominava toda pathologia, enão se vianas moléstias, quaesquer quefossem, se nãooele-mento
inílammatorio.Bretonneau achou,portanto, todamedicina
dominada
pelophysiologis-mo
broussasiainno que, não exeptuando a angina diphtherica, collocou-ana classe das inflammações.
Era necessário
que
nova luz se derramasse sobre a historia das molés-tias e desseum
novo impulso ao espirito de observação. Pinel haviaditoque
a inflammação, segundo os tecidos orgânicos invadidos, apresentava caracteres muito assignalados—
Bretonneaufez mais do queoillustreau-thor da nosographia philosophica,
demonstrou
que a duração, agravida-de e o perigoda maiorpartedas pyrexiastinham mais que ver
com
a es-pecificidade da inflammação, do quecom
a natureza do tecido.O
auctordo tractado de diphtherite, guiado por seus princípios, considerou a
an-gina diphtherica
como
uma
inflammação, por concorrerem os caracteres das phlegmasias; porém,uma
inflammação especifica porser contagiosa,como
as doençaschamadas
especificas, e por se desenvolver—
IG—
Nào
negando a cathegoriaque
deve representar o elemento inílamma-torio na angina diphtherica, lheconcedemos
todaviaum
papel muito se-cundário, que por si não indica os meios antiphlogisticos,como
absolu-tamente necessários para combater a moléstia,
que
consideramosespe-cifica, eque, por isso
mesmo,
estáno
mesmo
casoque
a variola, osa-rampão
e a syphiles, ondeoelemento phlegmasicose subordina ánaturesada causa
que
lheimprime
sco caracter especial.Uma
differença, porém,essencial
devemos
estabelecer entre as moléstiasque acabamos
derefe-rir e a angina diphtherica,
que
vem
a ser:amaiorattençãoque
i)restamos ámanifestação localdestaem
relação a d'aquellas.—
Na
verdade, omedico
deve muito se occupar, naangina diphtherica, das determinações
mórbi-das locaes,
embora
a moléstia seja primitivamente geral.—
Reproduzimos
textualmente as palavras do Trousseau,que pensa porigual forma.
—
«0/^ peut comparcr, en cffct ce qui sepasse ici avec ce qid sepasse dans la .pustule malígne, ou, en attaquant directement Vaffection locale, nousen-raijons la
marche
de la maladie generale dontcette affection etait une pre-mièremanifesíatíon.De
meme,
dansladiphfherieen intervenant energiqiie-ment pour combattre lapremière manifestation nous pouvons qiielquefoisen arreter lesprogrès, enempecher les manifestations ulterieures.
—
Escudado
com
aauthoridade de grandes vultos nasciencia,vamos
porem
relevo algumas razões valiosas, queveem
comprovar
a opiniãoque
fazemos sobre a natureza da angina diphtherica.
A
incubação doprincipio morbifico, que varia noslimites de 2 a9dias,pouco mais ou menos,como
nas febres exanthematicas e nas moléstiasinfectuosas, offerece, incontes-tavelmente,
um
ponto de contacto ou de semelhança com.asmoléstiasge-raes, e
vem
provar,uma
vez quetambém
está provada a existência daincubação, que a moléstia é primitivamente geral.
O
modo
porque principia a moléstia e suamarcha
veem
corroborar ainda nossa opinião.Toda
vez que porum
exame
escrupuloso se surprehende omodo
pelo qual a angina diphtherica desenvolveo sua phase inicial, chega-se quasisempre
aoconhecimento de que as primeiras manifestações locaes foram precedidasdum
certonumero
desymptomas
geraes,como
febre mais oumenos
forte, precedida ou não de calefrios, quebrantamento de corpo,tristeza,fraqueza,pouco appetite ou fastio, e muitas vezes cephalalgia, ra-ras vezes perda dos sentidos, tontura, epistaxis. Taes
symptomas,
que
precedem
as manifestações locaes, são as vezes tãopouco
intensosque
passam
completamente desapercebidospelas pessoas da familia, cuja at^—
17tenção só é despertada pelos
symptomas
locaes,como
dôr de garganta e difficuldade na deglutição.É em
virtude desta forma inicial da moléstiaque
muitos médicos, poucoescrupulososem
suas observações,considerama moléstia
como
primitivamentelocal, porque foram tãosomente ossymp-tomas
locaes que lhes despertaram a attenção.Esta é a forma geral dainvasão do mal;
mas
pode acontecerque ossymptomas
geraes semani-festem ao
mesmo
tempo
queosphenonemos
locaes; estes,porém, são tãobenignos
que
nãopodem
ser aorigem dosprimeiros. É, depois,por tanto,(los
symptomas
que caracterisam o período inicial da angina diphtherica<[ye ;;.íparecem os
phenomenos
locaesque são para aanginamembranosa,
!'omo a pústulaé paraavaríola,
como
aerupção intestinal cpara a dothíc-nenterla,com
asmanchas
vermelhas e irregulares da pelle são para osarampão.
Sua marcha
nos patenteia, portanto, asemelhança que ella affectacom
as doenças geraes agudas, desenvolvendo,
como
ellas,um
certonumero
de
symptomas
que são a expressão da luta, que estabelecco a naturesa para eliminar o principio morl)iíico.A
angina diphtherica apresentasymptomas
que estãoem
perfeitahar-monia
com
a ideia, que nutrirmos dc ser ellauma
moléstiaprim.iti-vamente
geral:queremos
fatiar domovimento
febril que precede eacompanha
osphenomenos
locaes, dasfalsas-membranas que semanifes-tam
nas diversasmucosas
e na pelle excoriada, dossymptomas
deinfe-cção, da albumimuria e dos accidentes consecutivos,
como
as paralysiasque
se manifestamcm
partes que estão fora da acçãodainfluencia local,como
osmembros
inferiores, os órgãos sexuaes etc.O
movimento
febriljamaispodo ser consideradocomo
eíFeito dosphe-nomenos
locaes, que nocomeço
de sua evolução,eno decursodamolés-tia, são as vezes tão diminutos que
deixam
claramente ver que o estadofebril é antes a causa do que o effeito d'elles, ou para melhor dizer,
am-bos os estados sao o eífeito simultâneo de
uma mesma
causa.A
albumi-núria, que é tãofrequentenamoléstia, é
uma
prova de nãopequeno
valor,e que
vem
realçar as demais, que já temos apresentado; provando, por t;mlo, que a íuigina diphtherica éuma
moléstia geralem
que o sangueestá alterado
em
sua crase. Já tivemos occasião de mostrar que a albu-minúria, nãopodendo
ser explicada somente pela congestão dos rins,havia misterfazer appcllo para o estado geral tUimoléstia, que sendo in* fectuosa, está nas
mesmas
condições dacscartalína, variola,—
18—
bus c febre amarella, nas quaes a all)umina salic pelas urinas
cm
um
certo período de sua evoluçfio.A
anginapseudo-membranosa quando
reveste a forma maligna é acom-panhada de symptomas, que, caracterisando o estado adynamico,deixam
ver claramente que ella é
uma
moléstia diathesica determinada porum
principio séptico desconhecido
em
sua essência,e que, actuando sobre o sangue, altera-o,como
o faz na febreamarella na escarlatina,nu febre ty-pboide etc.A
angina diphthericatem
coincididocom
oapparecimento deoutras moléstias geraes, que
tem
com
ellauma
grande analogia.A
forma cpidemica que affccta a moléstia não será aindauma
provaem
auxilio do quehemos
dito?Cremos
que sim.A
vista por tanto, do que temos ennunciado cremos,com
o eminente clinico do Hotel-Dieu que a angina diphí/ierica éuma
moléstia geral, especifica por excelleiícia,cujas diversas maneiras de ser locaes e geraes, constituindo somente varie-dades na espécie, dcvem-se referir a acção d'uni principio
mor
bifico único,dum
virus especial; c,em
uma
palavra,uma
moléstia pestilencial.Como
todas as moléstiasespoeificaspor cxcellencia,ella écontagiosae talvez
inno-culavcl.
Sendo
innegavel a transmissão da moléstia por contagio ou infecção, torna-se necessário que digamos algumas palavras, queservem
ain-da para elucidar a opinião,
que
professamos sobre a natureza damo-léstia, que
considmimos
geral eanálogaás febresexanthematicas,que
setransmittem por tal forma.
É
fora de duvida que a angina diphthericapode
desenvolver-se espontaneamente, e sob o império das causasge-raes, que já tivemos occasião de mencionar; maneira esta porém, de de-senvolver-se não é a única, e está muitolonge deser? maisfrequente; por
quanto, é de observação, que a angina diphtherica se transmitte as mais
das vezes por contagioou por infecção.
Não
são rarasas vezesem
que
sevê
um
individuo,em
tempo
de epidemia diphtherica,sem
causa aijrecia-vel, ser affectadoduma
forma qualquer da diphtheria;em
taes condi-ções, é necessário crer que a moléstia se desenvolveo sob a influencia destas condições geraes desconhecidas,quesesuppõeinfectarem aathmos-phera, isto é, á infecção.
É
incontestávela trammissão da angina diphtherica pelo contagio;em
algumas circumstancias, podendo-se remontar a origem do mal, é então
que
a observação reflectida chega a trazer ao espirito domedico
a con-vicção sobrea contagiosidade do mal.—
19—
É
innegavel o caracter contagioso da angina diplitlierica epidcmica,como
o c igualmente na diphtheria esporádica, ainda a mais benigna.Não
sãoraros os casos de anginas codeosas simples, que,por sedesen-volverem espontaneamente, e se curarem
em
pouco tempo, nãodes-pertama
menor
desconfiança; entretanto que,por serem deessênciadiph-tlierica, são contagiosas e propagam-se a outros indivíduos, determinando
a angina diphtherica benigna ou maligna, ou qualquer outra moléstia
di[)btherica, como: crup, ophtalmia diphtherica, ou diphtheria cutânea.
Henri
Uoger
e Michel Peter citam os casos seguintes:Um
menino
contrahio de sua irmã, que estava affectada de anginaco-deosa simples, aophtalmiae a corysa diphthericas;poreste duplo
mal
foilevado ao hospital dos meninos e ahi curou-se; mas,
um
menino
quees-tava ao lado de seo leito, e soíFria de syphilide ulcerosa,foi acommettido nove dias depois pelo
mesmo
mal, que apresentava os caracteresseguin-tes:
uma
placa codeosa por detrás de cada orelha,uma
outra sobreuma
das ulcerações especificas do pescoço,uma
ulceração codeosaem
cadacommissura
labial, e vermelhidãocom
tumefocção notável das palprebasdo olho direito.
No
fim de dous dias todas asulcerações syphiliticasesta-vam
cobertas depseudo-membranas;
eníim o olho e a gargantacomeça-vam
a soífi-er,quando
succumbio no fim de 48 horas.Ainda citaremos outros factos, e nos contentamos
com
elles, vistose-rem
innumeros, e por si sósbastarem paraformarum
grande volume.Em
uma
familia, o maridod'uma
criada, a 8 de Setembro, foi atacadod'ma angina diphtherica benigna contrahida
em
consequênciad'um
res-friamento; sua mulher, que o tractava., c accommettida damesma
an-gina 4 dias depois; a 10, ella estáem
convalescença e por fim curada,como
seu marido.Dez
dias mais tarde,uma
criança, de que ella era aama, apparece
com
febre, depoisangina,quevem
atornar-sepseudo-mem-branosa.
Os
symptomas
aggravam-se, aoprincipio,lentamente;entretanto,no fim de dez dias a situação torna-se perigosa; o larynge c acommettido,
c o
menino morre
de crup no dia seguinte á operação, ecom
ossymp-tomas
d'uma
verdadeira intoxicação—
Estemenino
recebia os cuidadosdo Dr. Gillete, que apresenta no dia seguinte á operação os
symptomas
dangina diphtherica e
morre
do crup quatro dias depois de seopequeno
doente.
Nesta serie lamentável de factos,
vemos
uma
angina diphtherica, evi-dentemente espontânea e benigna, produzir pelo contagiouma
anginacon-~
20
—
tacto certo,
uma
outra angina,porém
maligna,em
que
a morte não podeser explicada somente por
um
obstáculo á hematose—
O
quarto, final-mente, é do infeliz Dr. Gillete,em
que aangina era maligna, e d'aquellasque trazem a morte, mais por
uma
intoxicação geral doque
porum
obs-táculo á respiração.Destes factos tiram-se as conclusões seguintes: a propriedade conta-giosa da angina, ainda a mais benigna, e a transformação possível da
an-gina benigna
em
angina grave, segundo a disposição actual do organismocontaminado; e
como
corollario, a identidade de natureza entre aan-gina diphtherica a mais simples e a angina diphtherica a mais maligna.
TratiiBiicnto.
*Sendo
a angina diphthericauma
moléstia geralcom
manifestações lo-caes, e aomesmo
tempo
contagiosa debaixo detres pontos de vistava-mos
considerar seu tratamento que abrange o tratamento preventivo,lo-cal e geral.
Trataiiieiiio
preYeiitivo.
As
medidas de precaução constituem exclusivelmente o tratamentopreventivo; o afastamento é a precaução a mais efficaz, e que deve ser tida
em
grande consideração.O
affastamento,sem
detrimento dosde-veres sagrados da sociedade e das ternuras que não
devem
ser olvi-dadas pela fomilia, deve serpostoem
^«'atica, tanto quanto permittem as condições de cadahum.
Os
meninos sendo os que mais frequentemente são accommettidos, d sobre elles que de preferenciadevem
serapplicados os meis preventivos;por isso,
cumpre
queelles sejamseparadosimmediatamente
da casaque
se achar contaminada
—
Afora estas precauções, todasas mais são inúteis; a inefficacia preventiva de certos medicamentos, administradosinterna-mente, ou por outra qualquer forma, está sanccionada pelos próprios factos.
—
21—
Tratamento
loeal.
É
sobre asdeterminaçõesmórbidaslocaes que se dirigeexchisivamente o tratamento local.A
medicação tópicatem
proselytos dedicados; poraquelles
mesmos,
queencaram
a moléstia,como
primitivamente geral, ella é consideradacomo
a líiedicação por excellencia.Trousseau, seo apologista, diz: « Ella é tão
bem
indicada nestamolcs-lia, como o é na piisHila malignay>.
Sua
applicação remonta-se a tempos immemoriaes. Bretonneau, nas suas judiciosas observações, mostra claramente,que na epocha,em
que
a moléstia era denoniinada
mal
egypciaco já se applicava o unguento egypciaco. Areteo,em
suas obras, não sórecommendava
as loçõescom
medicamentos
acres (nillitioj/es acriorunimedicamentonm
faciendo^ sunt.i>como
mandava
atacar as falsasmembranas,
nãocom
o fogo. cuja appli-cação era difícile imprudente; porem,com
medicamentos semelhantes aofogo.
O
alumem,
anox
de galha e a calamina jaeram
medicamentos co-nhecidos por elle.Os
meiostópicos que nãoteem
o cunho da novidade, eque
jáeram
conhecidos e applicados pelos médicos os mais antigos,teem
hojeuma
vasta acceitação.Os
cáusticos os mais enérgicosteem
sido applicados segundo agravi-dade do mal.
Entre elles, citamos o acido chlorhydrico, quese
emprega
em
naturesaou misturado
com
mel, oucomo
Trousseau o empregava, fumegante, absolutamente puro. Modificando,dizem os clinicos, as superfíciesenfer-mas
é superior ao nitrato de prata, aos ácidos-sulphurico e nitrico, por não estendercomo
elles sua acção tão profundamente; entretanto que elle não deixa de seracompanhado
d'alguns inconvenientes que serão relatados,quando
tractarmos do valor das cauterisações.O
acido sulphurico, o acido nitrico, o sulfato acido de aluminateem
sido aconselhados;
nenhum
delles, porem, está na cathegoria do nitratode prata, que alem de serde fácil applicação, offerece a
vantagem
de ser trazidoem
qualquerpequeno
estojo de cirurgia.Apesar destas vantagens, o lápis de nitrato de prata
tem
alguns incon-venientes práticos.Um
menino
indócil pode mordel-o, quebral-o e en-gulil-o, e grandes inconvenientesdevem
resultar.O
nitrato de prata,apphcado
por tal forma, offerece ainda a desvantagem de produsir, sobre—
22
—
as partes sans, escaras siiperficiaes, de baixo da forma de largas nódoas l)rancas,
podendo
poresta forma illudir aomedico
sobre amarcha
ulte-rior da moléstia.
Taes inconvenientes
podem
desapparecer, fazendo-se uso de sal lunarem
solução; a exsudação,que neste caso elle produz, éuma
nódoa
super-ficial,
que
muitofacilmentese distingue da concreção diphtherica.A
solução forte de nitrato de prata, na proporçãod'uma
parte para tres d'agoa,empregada
por Trousseau e outros, offerecc avantagem
deattin-gir partes, que seriam inaccessiveis, sepor outra forma fosse
empregado
osal lunar.
Com
uma
esponja, collocada naextremidaded'uma
barbatanarecurvadae
embebida
na solução, pode-sc attingira epiglotte, todaa bocaposterior, a trompa de Eustáquio e a aberturaposteriordas fossas nasacs; o que seria impossivel conseguir-se
com
o lápis denitrato de prata.A
soda cáusticaem
dissolução, na proporção de25
por 100, foi appli-cada pelos.Drs.Roger
e Peter; sua acção dissolvente,sobreasfalsasmem-branas, se faz maravilhosamente,
mas
não dáamenor
garantia contrasuareproducção; limitando-se,por tanto,
como
todos osttpicospreconisados, a modiíicar ossymptomas
locaes,sem
combater a aífecção geral.A
tintura de iodo e o perchlorureto de ferro estão na cathegoria doscáusticos
menos
enérgicos emenos
dolorosos; por isso mesiuo, são dealgum
uso paracom
os meninos queacabam
afinal por aborrecel-os,em
virtude deseu sabor desagradável;alemdestehiconveniente,ellesdetermi-nam
uma
repugnância invencivel aos alimentos.—
O
Sor. Jodin,em
suamemoria
impressaem
1859, suppõe que as concreções diphthericas são constituídas por vegctaes parasitas, cogumelos microscópicos,que
sere-produzem
facilmente, e são ogérmen
do contagiodiphtherico; parades-truir os quaes, aconselha o perchloruretode ferro,
como
tópico.Não
tem
fundamento a theoriade Jodín,
quando
vemos que
outrosmycrographos
de mais authoridade, entre os quaes citaremos Ch. Robin, não
acharam
taes cryptogamas, ou só os
teem
notado accidentalmeníe.As
producções diphthericas, sobre as quaes se desenvolvem,algumas
vezes, os cryptogamas, offerecem as melhores condições á sua
germina-ção; não sendo ellespor consequênciasenão
um
effeito accidental eremo-to.
O
parasitismo vegetal,como
causa mórbida,tem
tido grandedesen-volvimento n'estes últimos tempos,
maxime
na Allemanha e nos EstadosUnidos.
É
de esperarque mais tarde o futuro da medicina se engrandeçacom
a solução de tão esperançoso problema; por emquanto, nosso—
23
—
iiào forem accordes
em
suas observações; ainda assim, nos fica o direito de perguntarmos se os parasitas vegetaes são causa ou effeito.O
sulfato de cobre, cuja acção é considerada por alguns tão enérgicaComo
a do nitrato de prata, oííerece avantagem de não deixar,como
o sallunar, nódoasesbranquiçadas, que
podem
confundir-secom
asfalsasmem-branas: Trousseau o empregava, de preferencia, debaixo da forma de
so-lução saturada.
O
sueco de limão, deemprego
remoto, é ainda hoje preconisado; sua applicação se fazd'um
modo
quasi continuo, dedezem
dez minutos.É
um
modificador, que oflfcrece a vantagem de ser encontrado facil-mente, ede não terum
gosto desagradável.O
cautério actualtem
merecido, infelizmente, a attenção d'algunsmé-dicos.
O
Dr. Bonsergent,em
18128, se sérvio deste cautério notracta-mento
das crianças. Srs. Valeritin e Davin muito se esforçaram, por ge-neralisar seo uso. Por nossa parte, não lheachamos
nenhuma
vanta-gem, sondo principalmente
um
meio, que muito devehorrorisar aspessoasem
que se tentar applical-o; ocondemnamos,
portanto, por acharmo-loinútil e bárbaro.
Os
adstringentesoccupam
uma
grande cathegoria entreos meiostópi-cos.
Em
primeira linha, está oalumem,
que Areteo prescrevia incorpo-rado ao mel.Sua
efíicacia, negada por Brelonnéau, foi verificada por Trousseau,quando
descobrio o segredod'uma
mulher, quegrandes resultadosobtevecom
o seuemprego, na epidemia que reinouem
1828 na França,Foi de então para cá que seu uso generalisou-se.
O
alúmen
é de fácilapplicação, e .pode ser
empregado
encorporado ao mel,em
soluçãoouem
pó; neste estado, clle pode ser levado ás partes enfermas, por
meio d'um
canudo de papel espessoou cartão,ou o que mais apropriado se acharna
occasião
—
A
quantidade deveser considerável,duasgrammas
tres e mais.O
taninotem
quasi asmesmas
propriedades do alúmen;em
dose con-siderável pode ser applicadoem
collutorio ou gargarejo.As
insuflações são preferíveis, e sua efíicacia se mostracom
maisevidenciaquando
se o alternacom
as insuflações de alúmen.O
bórax éum
medicamento, que algunscrêem
teruma
acçãoespeci-fica;
pondo
de parte sua acção especifica que é inteiramente duvidosa,pode
serempregado
como
adstringente.O
bromuretode
potássiotem
sidorecommendado
pelaacçãodissolvente^
24—
Alguns médicos, que o
tem
empregado, nãotcem
encontrado tacs van-tagens.Outros muitos medicamentos que, além da acção tópica, se lhes attri-l)ue
uma
acção especifica,teem
sidoigualmente gabados. Seusresultadosteem
sido negativos; todaviafaremosmenção
do calomelanoseda tinturade iodo e de bromo.
O
perchlorureto de ferro perde seu valor especifico,uma
vezque
nãotem
se podido provar a existência dos cryptogamas, e por consequênciasua acção sobre elles.
A
ideia nosologica da moléstia infecciosa devia necessariamente des-pertar,em
certos médicos, a ideiatherapeuticad'uma
medicaçãoanti-se-l)tica; na verdade,elles,guiados por taes princípios,
poseram
cm
pratica,sem
colher as vantagens que almejavam, o licor de Labarraque, oper-manganato
de potassae o acido phenico.As
injecções e as irrigaçõesgosam
desumma
importâncianotracta-mento
local da angina diphtherica.As
injecções sãofeitaspormeio d'uma
forte seringa, guardados os preceitos necessários.
Apparelhos pulverisadores, o irrigador ordinárioprestam-se
bem
apra-ctica das irrigações, estas, sendo feitas muitas vezes por dia, oíTerecema
vantagem
phisica e therapeutica de refrigerar as partes inflammadas, e anão
menos
importantede,niecanicamente, separar as concreçõesdiphthe-ricas;
pondo
em
boas condições de asseioa garganta,onde asfalsasmem-branas
tendem
a se putrefazer sob a influencia do calor ehumidade
daregião.
Os
Srs.Roger
e Peter afiançam que a agoa de cal saturada,em-pregada por tal forma,
tem
o poder de dissolver as falsasmembranas.
Ultimamente, a flor de enxofre
tem
sido applicadad'uma
maneiraen-thusiastica; sua applicação
tem
sido, na verdade, coroadados maisfelizesresultados.
Não
duvidamos collocal-a na frente dos primeiros tópicos,uma
vez que clínicosde
grande mérito e elevado critério attestam suaefficacia.
Dous
dos mais distinctos clinicos desta capital, os Illm.os Srs.Drs.Silva
Lima
e Faria ja tiveram occasião de apreciar seusmaravilho-soseffeitos.
Qual é a acçãodo enxofre sobre asfalsas
membranas?
Gosará do poderespecifico de destruir os suppostoscryptogamasconsiderados tão
injusta-mente
como
ogérmen
do contagio diphtherico?Não
o cremos.Por
oraem
quanto novasluzesnão sederramarem
sobre aquestão,nos contentaremosem
dizerque
o enxofreéum
excellente tópico, cuja acção—
25
—
parece compreliender a própria falsa
membrana,
facilitando sua elimina-ção, modificando ossymptomas
locaes,sem
combater a aífecçào geral.Trataiiieiilo
geral*
Sem
nosoccuparmos
minuciosamente dos medicamentos e remédiosaconselhados na angina diphtherica; sendo muitos dentre elles conse-(juencias das doutrinas medicas da epocha ou da ideia errónea que cada
um
formava da naturesa da moléstia, passamos, todavia, a fazeruma
ligeira analyse dos que são ainda boje aconselhados; dando maior impor-tância aos
que
tiverem maiorsomma
de razões a seu favor.O
tractamento geral de qualquer moléstia deve necessariamentecor-responder á ideia,que sefazsobre suanatureza.
A
anginadiphtherica,sen-do
uma
moléstia especifica por excellencia, contagiosa e pestilencial,em
uma
palavra,uma
moléstia geral, paraser combatida racionalmente, seriamister a applicação
dum
modificadorgenérico,que combatesseo elemen-tomórbido
em
todo o organismo.Os
meios antiphlogisticos, queexclusi-vamente occupavam
o primeiro logar, durante o período broussaisiano, estãohoje inteiramente proscriptos.INào contestamos a existência do elemento inflammatorio, na angina diphtherica; não lhe prestamos, porém, a importância que ha merecido d'alguns; sua cathegoria, longe de ser a principal, é completamente se-cundaria;
uma
vez que elle está subordinado á natureza da causaque
odomina, lheimprimindo seu caracter especial. Considerando, pois, o
ele-mento
inflammatoriocomo
inteiramenteespecifico, é claro que nãopode-mos
sanccioiíar a praticaabusivadosantiphlogisticos directosouindirectos,A
pratica ainda confirma nossos princípios: se a especificidade phlegma-sica não fosse o apanágio da angina diphtherica, facilmente poderíamoscom
as sangrias geraes e locaes combaterum
mal
local circumscripto,em
principio,em
que a inflammação é pouco vehemente e moderada.É
justamente o contrario; os meiosantiphlogisticos,quetão heroicamentecombatem
as phlegmasias francas,ahidamesmo
asmais extensas,na an-gina diphtherica de todo baqueiam.As
sangrias geraes são inúteis ees-sencialmente prejudiciaes na anginapseudo-membranosa,moléstiaséptica e susceptível delançar o organismo