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Bibliotecas: uma breve revisão histórica

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

CURSO DE BIBLIOTECONOMIA

LUCIANO ALAN RODRIGUES DE OLIVEIRA

BIBLIOTECAS: uma breve revisão histórica

NATAL/RN 2019

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LUCIANO ALAN RODRIGUES DE OLIVEIRA

BIBLIOTECAS: uma breve revisão histórica

Monografia apresentada a coordenação do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito para a conclusão do curso de Bacharel em Biblioteconomia.

Orientadora: Prof. Dra. Gabrielle Francinne de S.C Tanus

NATAL/RN 2019

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LUCIANO ALAN RODRIGUES DE OLIVEIRA

BIBLIOTECAS: uma breve revisão histórica

MONOGRAFIA APRESENTADA: BANCA EXAMINADORA _______________________________________________________ Professora Dra. Gabrielle Francinne de S.C Tanus – Orientadora

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

________________________________________________________ Professora Dra. Luciana de Albuquerque Moreira – 1 Examinador

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

_______________________________________________________ Professora Dra. Mônica Marques de Carvalho Gallotti – 2 Examinador

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Dedico este trabalho a minha Família, pela confiança em mim e por seu estímulo na realização desta pesquisa.

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AGRADECIMENTOS

Primeiramente quero agradecer a DEUS, por sua infinita misericórdia, em ter me ajudado nessa jornada acadêmica, me proporcionando força e discernimento para enfrentar as dificuldades. A minha família pelo estímulo e carinho para comigo, pois sem vocês não teria conseguido, o meu muito Obrigado, mãe: Sônia Maria, e as minhas irmãs: Luciana Rodrigues e Lucila Rodrigues.

Aos meus colegas de turma e em especial, Carla Custódia, Israel Cardoso, Jessica Gadelha, João Victor, Isadora Silva, Rodrigo e a Thiago José, por sua amizade e apoio mediante as ocasionalidades a qual enfrentamos durante o curso, a minhas duas colegas de estágio, Rosa Milena e Welze Rocha, pela parceria e troca de experiencias, durante o nosso estágio.

Agradeço a universidade por ter me proporcionado, a chance de estudar na mesma, me dando suporte material quanto informacional, para que eu pudesse chegar até a minha conclusão, através do apoio dos professores, em especial: a professora Gabrielle Francinne, por seu apoio e dedicação para o desenvolvimento desta pesquisa.

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“Lute. Acredite. Conquiste. Perca. Deseje. Espere. Alcance. Invada. Caia. Seja tudo o quiser ser, mas acima de tudo, seja você sempre”. Tumblr

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RESUMO

Apresentamos uma breve historiografia acerca das bibliotecas, buscando apontar suas transformações ao longo do tempo. A importância da biblioteca é vista ao longo da sua trajetória, a qual traz marcas dos momentos históricos onde se insere. O panorama deste trabalho sobre as bibliotecas perpassou a Antiguidade, Idade Média, Modernidade, e por fim, chegamos na atualidade, o que se denominou de bibliotecas contemporâneas. Os principais métodos para o desenvolvimento desta pesquisa são: método histórico, tendo como técnica a pesquisa bibliográfica e a revisão da literatura. Objetivamos ainda de maneira sucinta destacar as características das bibliotecas em cada um destes momentos supracitados, bem como apresentar as tipologias das bibliotecas. Entender a transformação histórica e conceitual ao longo do tempo é de fundamental importância para a compreensão dessa instituição social, que não está alheia às transformações sociais.

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ABSTRACT

We present a brief historiography about libraries, seeking to point out their transformations over time. The importance of the library is seen throughout its trajectory, which bears marks of the historical moments where it is inserted. The panorama of this work on the libraries crossed the Antiquity, Average Age, Modernity, and finally, we arrive at the present time, what denominates of contemporary libraries. The main methods for the development of this research are: historical method, having as a technique the bibliographical research and the literature review. We also succinctly highlight the characteristics of the libraries in each of the above mentioned moments, as well as present the typologies of the libraries. Understanding the historical and conceptual transformation over time is of fundamental importance for the understanding of this social institution, which is not foreign to the social transformations.

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ... 12 1. 2. Objetivo Geral ... 15 1.3 Objetivos específicos ... 15 1.4 Metodologia ... 15 2. BIBLIOTECAS NA ANTIGUIDADE ... 17 2.1 Biblioteca de Nínive ... 17 2.2 Biblioteca de Pérgamo ... 18 2.3 Biblioteca de Alexandria ... 19 2.4 Biblioteca grega ... 20 2.5 Bibliotecas romana ... 21

3. BIBLIOTECAS NA IDADE MÉDIA ... 24

3.1 Bibliotecas Monacais ... 24 3.2 Bibliotecas Bizantinas ... 26 3.3 Bibliotecas Particulares ... 26 3.4 Bibliotecas Universitárias ... 27 4. BIBLIOTECAS NA MODERNIDADE ... 30 4.1. Bibliotecas no renascimento ... 30

4.2 Biblioteca Nacional Britânica ... 32

4.3 Biblioteca Nacional do Congresso ... 32

4.4 Biblioteca nacional de Paris ... 33

5. BIBLIOTECAS CONTEMPORÂNEAS ... 35 5.1 Biblioteca nacional ... 36 5.2 Biblioteca pública ... 37 5.3 Biblioteca particular ... 38 5.4 Biblioteca escolar ... 39 5.5 Biblioteca Infantil ... 41 5.6 Biblioteca universitária ... 41

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5.7 Biblioteca comunitária ... 43

5.8 Biblioteca especializada ... 44

5.9 Bibliotecas digitais ... 45

5.10 Biblioteca híbrida ... 46

5.11 O papel das bibliotecas contemporâneas ... 47

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 49

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1. INTRODUÇÃO

Não se sabe exatamente quando se iniciou a primeira biblioteca, porém o processo de desenvolvimento, só foi percebido pelo homem, quando o mesmo, necessitou registrar e guardar informações, para que pudessem ser utilizadas novamente. “No momento em que o homem foi capaz de perceber isso de colocar em prática essa atividade de ordenamento estabeleceu a noção básica de biblioteca” (MILANESI, 2002, p. 21), esta instituição foi criada, portanto, na Antiguidade, em conjunto com o desenvolvimento da escrita cerca de 3.500 a.C.

A palavra biblioteca, que tem origem na forma latinizada do vocábulo grego biblioteca (de biblion, livro, e theke, o estojo, compartimento, escaninho onde se guardava os rolos de papiro ou pergaminho, por extensão a estante e, finalmente, o lugar com as estantes com livros) (BRIQUET LEMOS, 2008, p. 101-102). Ou seja, o conceito primário de biblioteca foi caracterizado como lugar de depositar os registros do conhecimento, isto é, a informação registrada, fosse ela escrita ou artística, em seguida com a explosão informacional, as mesmas se transformaram em ambientes para difundir a informação, através da interação dos seus suportes e materiais com o público, comumente designado de usuário ou leitor.

O entendimento de biblioteca como um espaço físico em que se guardam livros, dispostos ordenadamente para estudo e consulta, é visto como conceito tradicional. De modo mais amplo, a biblioteca é todo espaço, seja ele concreto ou virtual que reúne coleção de informações de qualquer tipo, sejam livros, enciclopédias, dicionário, monografias, revista, folhetos etc., ou digitalizadas e armazenadas em CD, DVD e banco de dados. Essa concepção de biblioteca pode ser visto como mais atualizado sobre a sua caracterização, porém, na Antiguidade, a visão era associada a guarda dos registros, aproximando da ideia de depósito.

A biblioteca foi assim, desde os seus primeiros dias, na Antiguidade até os fins da Idade Média, o que o seu nome indica etimologicamente, isto é, um depósito de livros, e mais o lugar onde se esconde o livro do que o lugar de onde se procura fazê-lo circular ou perpetuá-lo. (MARTINS, 2002, p. 71). Aí está a ideia mais primitiva da biblioteca: o resultado do desejo e da necessidade quase instintiva de poder utilizar várias vezes uma informação que pudesse ser significativa. (MILANESI, 2002, p. 21).

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O que define a condição de biblioteca é a existência de uma forma de organização que permita encontrar o que se deseja, mesmo que só o proprietário, ou poucos tenham êxito nessa busca. (MILANESI, 2002, p. 12). Essa ideia de organização se estabeleceu desde os primórdios, iniciando esse processo, nas práticas do homem, de registrar o cotidiano, percebendo, posteriormente, a importância de se preservar o conhecimento.

A história do homem é parte reduzida da trajetória humana uma vez que a pré-história é muito maior. Da pedra, argila, papiro, pergaminho e papel até a memória das máquinas o salto foi curto: poucos milhares de anos. Nesse período, relativamente breve, o homem em paralelo a capacidade de registrar o pensamento, aprendeu a organizar esses documentos, fazendo com que os registros precedentes fossem determinantes do pensamento subsequente. (MILANESI, 2002). Decerto,

A história da escrita é em essência uma longa tentativa para desenvolver um simbolismo mais independente com base na representação gráfica seguida da lenta e amargurada constatação de que a linguagem falada é de um simbolismo mais poderoso do que qualquer espécie de gráfico e que o verdadeiro progresso na arte da escrita repousa no abandono virtual do princípio de que originalmente partiu (MARTINS, 2002, p. 33).

As primeiras bibliotecas se diferem das contemporâneas, seja pelo seu perfil, estrutura, público, organização e material, pois, ao longo do tempo, com o desenvolvimento social o homem, estabeleceu novas técnicas de conservação, organização e armazenamento ao longo da história, o que reforça o interesse em compreender esse desenvolvimento histórico e conceitual das bibliotecas.

O conceito de biblioteca é atribuído a um espaço onde se armazena vários tipos de matérias, sendo eles classificados por diferentes mecanismos estes: físicos e digitais, no entanto, esses recursos tiveram grandes mudanças ao longo do tempo, seja por seu tipo de material e ao que se destinam, os mesmos trouxeram grandes mudanças, para o meio social, através da disseminação da informação, que só se tornou acessível, mediante a proliferação das bibliotecas, iniciada na Antiguidade, como depósitos para seus criadores, onde deram início ao armazenamento da informação, que ajudaram a preservar a memória ao longo do tempo, suas principais bibliotecas foram: Alexandria por sua grande imponência informacional, a de Nínive construída por um Rei, localizada em seu grande palácio, a de Pergámo, por seu grande acervo informacional e, por ser a

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pioneira no desenvolvimento do pergaminho, este que trouxe grandes atribuições para o armazenamento e descrição dos seus materiais (MARTINS, 2002).

Outro período que de certo modo foi importante, para a construção do saber e o desenvolvimento humano foi à Idade Média, que se caracterizou pela presença da igreja, o que não foi diferente com as bibliotecas, locais voltados para o estudo e a guarda do conhecimento, este, na sua maioria religiosa e acessível para poucos. Nessa época as principais bibliotecas foram classificadas de: monacais, particulares e universitárias, e eram regidas pela igreja, em contrapartida com esse período, as bibliotecas da Renascença chegaram para transformar o conceito de biblioteca, tornando o conhecimento mais acessível através das suas coleções diferenciadas (MARTINS, 2002).

As bibliotecas modernas foram desenvolvidas com o intuito de tornar o conhecimento acessível à população e foi estruturada mediante quatro características: laicização; democratização; especialização; e socialização, para ajudar no processo da difusão da informação, a qual foi marcado pelo desenvolvimento das bibliotecas nacionais, instituições com a finalidade de preservar a memória da social, através de suas bibliotecas específicas por país (MARTINS, 2002).

Com a transformação social e o desenvolvimento de novas tecnologias, as bibliotecas na atualidade além de preservar a memória, buscam tornar a informação acessível a todos, seja por seus recursos informacionais, acervo, materiais, estrutura física e acesso, esse meramente importante, para a sociedade atual, que busca poupar tempo e praticidade no acesso, e pesquisa da informação. As bibliotecas contemporâneas são atribuídas de acordo com as necessidades do seu público, sendo elas, especificas ao ambiente que está inserido, dentre essas bibliotecas da atualidade ressalta-se as bibliotecas digitais, que tem o papel de ajudar na interação do meio físico com o virtual, através de seus mecanismos e suportes informacionais.

Assim a biblioteca é designada a ser um local de transição do conhecimento, e não apenas um ambiente de depósito documental, ela só terá sua efetivação mediante a sua participação conjunta com a sociedade, público a que se destina. (BRIQUET LEMOS, 2008, p. 102). A biblioteca só tem a sua importância informacional, mediante a sua propagação e interação social. As bibliotecas são organizações de maior ou menor complexibilidade, em função das dimensões de seu espaço físico, de seu acervo, do

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número e diversidade de usuários, recursos humanos etc. (BRIQUET LEMOS, 2008, p. 112).

Importante destacar ainda as cinco leis da Biblioteconomia por S.R. Ranganathan: a) os livros são para usar; b) a cada leitor seu livro; c) a cada livro seu leitor; d) poupe o tempo do leitor; e) a Biblioteca é um organismo em desenvolvimento (BRIQUET LEMOS, 2008, p. 102), que reforçam que as bibliotecas, livros, documentos, em síntese, a informação e seu ambiente são para uso de todos. Inclusive prevalece hoje as preocupações com o equilíbrio entre identidade arquitetônica, funcionalidade e conforto para os usuários de modo integrativo. “Por outro lado, nota-se intenso aproveitamento dos mais avançados recursos da tecnologia da construção e da preservação do material do acervo”. (BRIQUET LEMOS, 2008, p. 116) com vistas a dar acesso à informação.

A relevância desta pesquisa está em conhecer a biblioteca ao longo dos períodos históricos, passando, assim, pelas bibliotecas na Antiguidade, na Idade Média, na Modernidade e na Atualidade, mediante a um estudo bibliográfico.

1. 2. Objetivo Geral

Apresentar sucintamente a história das bibliotecas ao longo dos distintos momentos históricos com vistas a destacar as características dessa instituição.

1.3 Objetivos específicos

 Demonstrar o papel das bibliotecas na sociedade;

 Identificar as diferentes tipologias de bibliotecas;

 Mostrar as transformações das bibliotecas ao longo da história.

1.4 Metodologia

Os principais métodos para o desenvolvimento desta pesquisa são: método histórico, tendo como técnica a pesquisa bibliográfica e a revisão da literatura. Esse método de pesquisa contribui para uma correlação entre passado e atualidade, por meio

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da análise bibliográfica que permitiu identificar o desenvolvimento das bibliotecas até os dias de hoje. Particularmente, o método histórico é caracterizado por um formato de pesquisa paradoxal, buscando através da origem do estudo, a qual está sendo trabalhado, estabelecer uma linha cronológica, para mostrar as suas características e transformações, sejam elas: social, cultural, informacional, buscando os fatores e influências ao longo do tempo, Assim o foco deste trabalho será analisar o termo referente a biblioteca, conceituando a Biblioteca, através das suas definições e visões, no decorrer da História. A pesquisa bibliográfica consiste na busca da validação e concretização do seu objeto de estudo, através de um panorama documental e linguístico, através da interação do pesquisador, com o objeto de estudo, tornando o mesmo, uma conclusão itinerária, ou seja, regida e desenvolvida de acordo com o olhar de quem o pesquisa (MARCONI; LAKATOS, 2003). Com essa analogia, pretendo nortear o conceito de biblioteca, para analisar e validar a sua importância no meio social e informacional, fazendo um panorama entre o passado e o presente, através da seleção de textos, estes por meio da leitura de livros, artigos e monografias relacionadas ao tema escolhido - Bibliotecas.

Assim, a presente pesquisa consiste numa revisão de literatura acerca das bibliotecas, tendo como foco a narrativa sobre sua história e suas características, voltada para estabelecer uma linha temporal sobre a biblioteca e a sociedade, mediante a problemática do conceito e visão da mesma, no meio social, com base no estudo da literatura, esta que ajudará a responder e validar, o seguinte problema de pesquisa: As bibliotecas por serem instituições sociais acompanham as mudanças dos tempos históricos?

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2. BIBLIOTECAS NA ANTIGUIDADE

As bibliotecas da Antiguidade foram muito importantes, para a preservação da memória, pois foi por meio do desejo do homem de armazenar informação que se desenvolveu novas formas de Biblioteca. Naquele período as bibliotecas se diferenciavam de acordo com o seu acervo, pois dependia da importância que o mesmo representava.

Segundo Martins (2002), na Antiguidade as Bibliotecas caracterizaram seus materiais por: Minerais, compostos por tabletes de argila, e, posteriormente vegetais e animais, constituídos de rolos de papiro ou de pergaminhos.

Na Antiguidade o acesso as Bibliotecas, era restrito, a população comum, às informações contidas nas Bibliotecas, eram destinadas a classes de poder. As bibliotecas daquele período se caracterizaram por depósito, elas tinham como finalidade armazenar e privar, do exterior, as suas coleções, estas, que eram acessíveis a poucos, por ser um ambiente de pouca circulação e de extremo valor para aquela sociedade.

Até a Renascença, as bibliotecas não estão à disposição dos profanos: são organismos mais ou menos sagrados, ou pelo menos, religiosos, a que têm acesso apenas os que fazem parte de uma certa “ordem”, de um “corpo”, igualmente religioso ou sagrado. (MARTINS, 2002, p. 71). A seguir expomos mais detalhes sobre as bibliotecas da Antiguidade sendo elas: Nínive, Pérgamo, Gregas, Romanas e a mais conhecida, a Biblioteca de Alexandria.

2.1 Biblioteca de Nínive

Sua origem se caracterizou pelo desejo do Rei Assurbanipal, de ter um acervo particular em seu palácio, então, o mesmo ordenou a construção da Biblioteca, que tinha como matéria prima placas de argila, sendo seu acervo voltado ao estudo da geografia, astrologia, religião e matemática.

Segundo Battes (2003) a prática de escrita utilizada para compor o seu material era chamado de “cuneiforme” por conter “caracteres silábicos” O acervo de Nínive era composto por 25 mil tábuas de argila, ressaltando que, a mesma voltava-se para a lógica

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do depósito, e que continha também uma vasta coleção de profecias, fórmulas de encantamento e hinos sagrados e diversas peças literárias escritas em diferentes dialetos. Sua organização pode ser destacada como um dos elementos. As placas componentes de uma mesma obra eram reunidas num único bloco, no qual se punha um rótulo identificador do conteúdo. Havia também um catálogo registrando os títulos das obras e o número de placas de que cada uma era composta. (BATTES, 2003, p. 31). Segundo Souza (2005) a Biblioteca de Nínive pode ser considerada a primeira coleção indexada e catalogada da história.

Cabe ressaltar que a Biblioteca de Nínive era localizada nas dependências do palácio do Rei Assurbanipal, assim, o acesso às informações contidas na mesma, era de acesso restrito ao Rei, sua família, amigos da nobreza, e a seus servos (Escribas), que tinham o papel de guardião, conselheiro e organizador do acervo.

Com a morte Assurbanipal, a Biblioteca de Nínive sucumbiu, sendo esquecida, séculos depois ela foi redescoberta, por Layard, e boa parte da sua coleção, está no Museu Britânico, podendo enfim, ser mostrada ao grande público.

2.2 Biblioteca de Pérgamo

A biblioteca de Pérgamo surgiu do desejo do governador e Rei, Átalo I, juntamente com seu filho Eumenes, de converter a cidade de Pérgamo em cidade polo do conhecimento, através do ensinamento da cultura e da arte, a mesma, se situava na Ásia menor (Turquia).

Segundo Martins (2002), a biblioteca de Pérgamo tinha o intuito de confrontar com a Biblioteca de Alexandria. Naquela época a disputa por matéria prima era grande, em um certo momento, da Antiguidade, a cidade de Pérgamo ficou sem o papiro, material utilizado para armazenar seus escritos, o rei com temor em não poder da continuidade a Biblioteca, ordenou a construção de um novo suporte para registrar seus textos, surgindo o pergaminho, feito de pele de animais, sendo vantajoso para a escrita, pois se podia escrever em ambos os lados, e reutilizado novamente, apagando o que já estava registrado.

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A biblioteca de Pérgamo abrigava 200 000 volumes em seu acervo. A Biblioteca possuía uma sala de leitura central, onde se reunia um grande grupo de sábios, para o estudo da literatura e linguista. O acesso a Biblioteca era em suma voltado ao Rei e aos estudiosos, estes, conhecedores da literatura e da linguista, a qual estava voltada toda a sua coleção.

O fim dessa Biblioteca segundo Battes (2003, p. 30), foi ocasionada pelo intuito de Marco Antônio de presentear a sua amada, Cleópatra e também por rivalidades políticas, que saquearam a mesma, o que levou a perda da coleção.

2.3 Biblioteca de Alexandria

Símbolo de imponência, através da História e durante a Antiguidade, a biblioteca de Alexandria, foi construída com o propósito, de ser uma biblioteca agregadora, ou seja, que tinha a pretensão de agrupar as coleções do mundo inteiro. Seu fundador Ptolomeu gostava de estar envolvido com o intelecto, inclusive era discípulo de Aristóteles.

A biblioteca de Alexandria era dividida em duas partes: quatrocentos mil volumes foram depositados num bairro da cidade chamado Bruchium; e trezentos outros mil volumes, formaram uma biblioteca suplementar, num outro bairro chamado Serápio. (MARTINS, 2002, p. 75).

A biblioteca foi dividida em dois prédios, com a finalidade como já citado anteriormente, de agregar tudo já escrito pelo homem, de diferentes partes do mundo, uma biblioteca, de coleções antigas e a outra parte, coleções atualizadas, construindo um círculo de preservação e organização do conhecimento perante a História.

Segundo Battes,

Os rolos tinham etiquetas presas aos umbilici com os nomes dos autores e com os títulos das obras. Isso era necessário, pois os rolos, ao contrário dos códices, não ficavam em pé nas estantes. Eram simplesmente dispostos em pilhas, sem muito cuidado. Para remover um rolo, um leitor ou funcionário da biblioteca teria que mexer todos os outros que estivessem na mesma pilha. Em razão disso, só deveria ser possível manter um ordenamento muito genérico dos manucritos (BATTLES, 2003, p. 34).

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As estantes no interior do edifício eram circundadas por colunatas abertas, expostas a brisa, formando corredores cobertos que os estudiosos podiam utilizar para estudo ou discussão. (BATTES, 2003, p. 33).

Nessa época o acesso à biblioteca provinha de Reis, estudiosos, médicos, matemáticos, astrônomos, poetas e Bibliotecários, cargo esse dado exclusivamente por um Rei, que ajudava na manutenção, e organização da Biblioteca. A biblioteca de Alexandria foi a precursora na universalidade, o que mais tarde a tornou referência para as bibliotecas da era moderna (MARTINS, 2002).

O destino reservado às bibliotecas de Alexandria não teve nada de grandioso. Elas foram definhando aos poucos, século após século, à medida que as pessoas foram se tornando indiferentes, e até mesmo hostis a seus tesouros. (BATTLES, 2003, p. 37). Pela ganância dos poderosos e conflitos as bibliotecas de Alexandria desapareceram da história, através do fogo.

2.4 Biblioteca Grega

Misteriosa e paradoxal, a biblioteca da Grécia, para os historiadores foi uma incógnita, pois pouco material, das suas coleções e de sua existência, foi achado, deixando a imagem de uma biblioteca mística, de incertezas e mistério. Martins afirma “Na Grécia, a primeira biblioteca foi estabelecida por Pisístrato (560-527 a.c.), a qual, pela informação de Albert Cim, tinha o caráter de biblioteca pública e pretendia reunir as obras de Homero e outros rapsodos para realizar o que hoje chamaríamos uma primeira edição”. (MARTINS, 2002, p. 76).

A biblioteca grega foi pioneira, em desenvolver o conceito de biblioteca acessível, termo este a todas as classes, com caráter público na difusão da informação, contudo, historiadores relatam, que na sua totalidade, as bibliotecas gregas eram privadas, deixando incrédulo o seu propósito. É Aulo Gélio quem nos transmite essa tradição, nas suas noites Áticas:

Disse-se que o tirano pisistrato, tendo reunido um grande número de escritos literários e científicos, fundou em Atenas a primeira biblioteca. Os atenienses se empregaram com zelo para enriquecer essa coleção e aumentar consideravelmente [...]. (MARTINS, 2002, p. 77).

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Ademais, a oralidade era muito importante para a transmissão do conhecimento por meio das leituras compartilhadas, a saber:

O caráter, sobretudo oral da literatura grega_peripatética e teatral por excelência, literatura de ginásio, mais para ser olvidada boca dos próprios autores, sob o azul do céu e o outro do sol, do que para ser lida em gabinetes fechados e frios, literatura do diálogo e não do monólogo, da discussão e não da meditação, que amava mais o entrechoque das ideias do que o virtuosismo da ideia, literatura de poetas olímpicos, cantores de estádio, e de oradores políticos, mestres da ágora poderá, talvez essa inexistência de bibliotecas que, à primeira vista, nos parece absurda. (MARTINS, 2002, p. 77).

O que de fato levou o fim das bibliotecas gregas e onde foi parar as suas coleções, é incerto, assim como foi toda, a sua história, um fascínio de incertezas.

2.5 Bibliotecas Romana

Os romanos tiveram um papel importante na história das bibliotecas, convivendo nesse momento dois tipos de bibliotecas: as bibliotecas particulares e as bibliotecas públicas, sendo estas consideradas as primeiras bibliotecas públicas da história. É atribuída a essas bibliotecas inclusive uma certa mudança em relação ao livro, que: “Com os romanos, o livro passa de categoria sagrada para categoria profana, deixa de ser intocável para ser condutor, e posto ao alcance de todos, é o veículo por excelência das ideias, dos projetos e dos empreendimentos”. (MARTINS, 2002, p. 77). As bibliotecas em Roma sofrem essa mudança, de formato e função, com o intuito de superar as de Alexandria, fazendo com que os livros e suas coleções, em sua boa parte, ficassem acessíveis à população.

2.6 Bibliotecas Particulares

As bibliotecas privadas de Roma, não se distinguiam das de outras civilizações, pois elas eram comuns na Antiguidade, tinham a função de mostrar poder, e status,

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perante o núcleo, mais abastado, assim, as casas dos mais cultos, era um ambiente obrigatório, de acesso restrito a poucos. Historiadores relatam, que uma dessas bibliotecas privadas foi construída por Marco Túlio Cícero, homem público, de família prestigiada, com o propósito de resguardar a memória da sociedade romana, visto que as principais famílias de renome, eram ignorantes, em relação a história de seu povo. Em Roma, muitas tarefas associadas a erudição, tais como o ensino, à produção de cópias, a edição de livros e a organização de bibliotecas, eram feitas por escravos cultos, em geral vindo da Grécia. Eles estavam entre os mais apreciados membros de qualquer família da elite. (BATTES, 2003, p. 55).

Podemos caracterizar as bibliotecas particulares de Roma, citado anteriormente, como uma forma, de demostrar, a superioridade, ou seja, era constituída, para disputar e demonstrar a grandeza, perante as famílias mais bastadas, bibliotecas como símbolos de poder.

2.7 Bibliotecas Públicas

Não deixa de ser significativo o fato de ter sido Júlio César, o homem de ação por excelência, quem primeiro teve a ideia de instalar uma biblioteca pública. “Não foi um filosofo idealista, repleto de sonho de difundir os conhecimentos; não foi um professor, imbuído de desejo de criar uma clientela. Foi o general, o general do império, o general “da província”; foi o conquistador, mas o conquistador que sabia escrever a sua conquista”. (MARTINS, 2002, p. 77).

Júlio César foi o idealizador da biblioteca pública de Roma, porém, não conseguiu realizar esse projeto, por decorrência de seu assassinato, morrendo consigo, a ideia de biblioteca, para todos, até o momento, em que Assírio Pólio, um de seus partidários, deu continuidade a seu projeto, o que concretizou a construção da primeira biblioteca pública de Roma.

Em consonância com o desejo de César, dotaram a biblioteca de dois salões de leitura, um para livros em latim, outro para livros em grego, cada um deles decorado com estátuas que homenageavam poetas e oradores dos dois idiomas. O padrão iria repetir-se em todas as bibliotecas de Roma construídas a partir de então, desde os grandes repositórios imperiais de Augusto e de Trajano até as bibliotecas

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públicas mais modestas e as pequenas coleções das cidades provincianas. (BATTES, 2003, p. 52).

Depois da criação da primeira biblioteca pública em Roma, outras no decorrer do tempo foram construídas, tendo como protótipo a idealizada por César, o que levou Roma, a ter 28 bibliotecas públicas, naquele período. As duas bibliotecas mais importantes da época foram: Ulpiana e Palatina, é interessante ressaltar, que ambas bibliotecas, já utilizavam do serviço de empréstimo. As bibliotecas públicas de Roma, também eram encarregadas, de armazenar documentos públicos, em suas dependências. As bibliotecas de Roma, na sua maioria, foram construídas dentro ou anexadas aos templos, sendo elas, cuidadas por sacerdotes. O acesso a essas bibliotecas, não se difere das demais mencionadas anteriormente, pois, mesmo com a criação de bibliotecas públicas, no seu meio, as mesmas, não tinham o acesso livre, só era acessível a alta nobreza, a sacerdotes, estudiosos e pessoas públicas, o que podemos perceber, que as bibliotecas de Roma, diferiam apenas pelo seu nome: pública e particular, pois, tinham em comum, o acesso restrito, a classes dominantes. O fim das bibliotecas romanas, naquele período, foi decorrente de guerras, incêndios e disputas políticas.

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3. BIBLIOTECAS NA IDADE MÉDIA

Pode- se dizer que que a Idade Média conheceu três espécies diferentes de bibliotecas, se a considerarmos pelo que chamaríamos hoje a “entidade mantenedora”: as bibliotecas monacais (e entre elas incluiremos, não só por afinidade como por suas origens históricas, a Vaticana), as bibliotecas das universidades e as bibliotecas particulares. (MARTINS, 2002).

As bibliotecas medievais, mesmo sendo regidas pela igreja, tiveram um papel importante na história, pois foi na Idade Média que se constitui, algumas classes de bibliotecas, mesmo estas, sendo de acesso restrito a poucos na época. Como na Antiguidade, as bibliotecas da Idade Média, serviam de depósito, apenas, para guardar o conhecimento, não era para todos, se restringia ao alto clero e a igreja.

O conhecimento era visto como “profano”, assim, o conhecimento era caracterizado como perigoso, aos olhos de Deus, era a destruição do homem, foi assim, resguardado em seus mosteiros, seguro, do alcance dos leigos, livros eram acorrentados durantes estes séculos do medievo.

3.1 Bibliotecas Monacais

As bibliotecas monacais foram desenvolvidas, dentro dos mosteiros, regida pela igreja católica, e, era de grande importância para o clero, por serem consideras, um local sagrado, elas, se concentravam, em locais, de difícil acesso, dentro dos mosteiros, e de uso restrito a poucos. As bibliotecas nos mosteiros tinham a função de depósito, onde se armazenava toda a produção desenvolvida pelos monges e algumas literaturas, essas, muitas das vezes, consideradas “pagãs”, perigosas para o homem.

O acesso a esses acervos guardados nos mosteiros limitava-se aos que pertencia a ordens religiosas ou eram aceitos por elas. Ler e escrever eram habilidades quase exclusivas dos religiosos e não se destinavam a leigos. (MILANESI, 2002, p. 23). Eles liam e escreviam, para aprimorar, as suas técnicas, linguísticas e religiosas, o que ajudava, a aprimorar, seus conhecimentos, e interação com a espiritualidade e seu criador.

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Segundo Martins, todas as grandes abadias possuíam um scriptorium, oficina de copistas, onde se desenvolvia todo o processo de construção, das suas coleções, desde a preparação do pergaminho, escrita, pintura e encadernação, atribuídas aos monges, papel este, importantíssimo no desenvolvimento e preservação da informação. (MARTINS, 2002, p. 84).

A arquitetura das bibliotecas, dentro dos mosteiros, relatada por historiadores, descrevem-na, sendo, o seu interior, cercada de várias estantes, estas embutidas nas paredes, de diferentes formatos, e utilizações, o que facilitava, o manuseio das coleções, sua localização, como já mencionado anteriormente, era situada em lugares de pouco fluxo e de importância para o clero religioso, com salas, de poucas ou nenhuma janela, e de entrada única. O acervo dessas bibliotecas era composto por: literatura religiosa, escrituras e textos em latim e literaturas gerais, estas, com poucas coleções e de uso, monitorado, por superiores dos mosteiros e conventos.

O suporte utilizado nos mosteiros, a principio eram de papiro e pergaminho, mas, devido a disputa por matéria prima, se desenvolve na Idade Média os códices, suporte este, que ao longo da Idade Média, é muito utilizado. O formato e a matéria prima utilizada na construção, dos códices são caracterizados por: folhas, que se prendiam uma a uma, através da costura e em seguida encadernavam, forma uma espécie de livro, parecido com o que conhecemos hoje. É interessante ressaltar, que na Idade Média, duas bibliotecas, tiveram um papel muito importante, no desenvolvimento da biblioteconomia, no decorrer do tempo, por sua forma de organização e mecanismos utilizados, para o armazenamento, e a busca pela informação, sendo elas: a biblioteca de Cassidoro e a biblioteca dos beneditinos.

Ao longo do tempo, com a vasta produção de materiais, as bibliotecas monacais, tiveram que desenvolver uma forma de organizar as suas coleções, então, foi criado o catálogo, este, que, inicia a transformação da visão de biblioteca, como depósito, para disseminadora da informação, ao longo da história.

“Com maior ou menor interesse profano, como maior ou menor penetração leiga, são os mosteiros que salvam, para o mundo moderno, a riqueza literária da Antiguidade. Um provérbio então corrente afirmava que “mosteiro sem livros, praça de guerra sem armas” (MARTINS, 2002, p. 83). Assim foi marcada, a era medieval, um lugar paradoxal, onde se permeava o controle do homem e do seu conhecimento.

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3.2 Bibliotecas Bizantinas

As bibliotecas bizantinas eram administradas pelos monges, assim, como as monacais, no entanto, seu acervo não era apenas de cunho religioso, pois, os monges bizantinos, eram ortodoxos, e tinham interesse na literatura geral, intitulada “pagã” na Idade Média. Foi esse desejo, de consumir o proibido, que mais a frente, marcou a Idade Média, distinguindo a mesma, e dando, início a Renascença, e “Ora sem o helenismo não haveria igualmente a Renascença, e as bibliotecas bizantinas concorreram, assim, com a parcela mais importante nessa revolução de ideias”. (MARTINS, 2002, p. 87). As bibliotecas bizantinas, por estarem inseridas em mosteiros, assim como as bibliotecas monacais, tinham muitas características em comuns, estas: por sua estrutura física, organização, funcionamento e acesso, esse, voltado para poucos. As coleções dessas bibliotecas, era variada, fugia do cunho empregado pela igreja católica, por ter em seu núcleo, obras consideradas profanas, mas, que nutriram grande importância, para o estudo das ciências.

Martins (2002) destaca as mais importantes instituições e bibliotecas bizantinas sendo: Studion, com a sua oficina de copistas e a sua biblioteca, e o claustro de santa Catarina, junto ao monte Sinai. (MARTINS, 2002, p. 87). Foi a curiosidade e desejo, pelo proibido, que tornou possível, o desenvolvimento do estudo das ciências, e do homem, o que, ajudou a desmistificar, o conhecimento e as bibliotecas futuras.

3.3 Bibliotecas Particulares

Como em outros períodos da história as bibliotecas particulares também faziam parte da sociedade medieval, e tinham o propósito, de mostrar poder e riqueza perante os mais nobres, a sua localização, era limitada, as grandes casas, feudais e aos palácios, por seus imperadores. As principais bibliotecas particulares da época foram: a de Constantino, que possuía as escrituras de Homero, e do concilio de Nicéia, a de Fócio que tinha mais de 280 obras, de literatura clássica, e a de Carlos V, que reuniu segundo historiadores, mil e duzentos volumes, algo grandioso para a época.

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O curioso que os livros desses grandes senhores constituindo em geral, coleções pouco numerosas eram por eles carregados em suas viagens e expedições militares, como parte normal da bagagem, da mesma forma que suas roupas e a sua prataria. [...]. (MARTINS, 2002, p. 88).

O acesso a essas bibliotecas era de cunho restrito aos seus senhores, amigos do clero e os seus empregados, estes, que desempenhavam papeeis, específicos, na organização, dessas bibliotecas, desde copistas, até o bibliotecário, cargo de extremo prestigio e respeito para a sociedade, e suas coleções até hoje, nutrem de valor importante para os historiadores, por conter, muitos registros do cotidiano daquela sociedade, através das pinturas e de suas coleções.

3.4 Bibliotecas Universitárias

Em um período, em que se, predominava a cultura religiosa, de preceitos rigorosos, devido ao crescente desenvolvimento social, e pela vasta demanda, de materiais, produzidos por estudiosos, na sociedade, medieval, surge as Universidades, e com elas, as bibliotecas universitárias, trazendo mudanças no desenvolvimento informacional, em relação a sua organização e disseminação da informação. Esse fato caracterizou-se como o inicio de um novo momento para os povos cristãos do ocidente: os livros extravasam o âmbito da religiosidade e avançam por outros territórios temáticos, em paralelo ao desenvolvimento dessas primitivas universidades. (MILANESI, 2002, p. 23).

As bibliotecas, universitárias na Idade Média, a principio eram um prolongamento das ordens religiosas, fosse por sua estrutura física, coleções, organização e o seu acesso, mas, com o desenvolvimento das ciências, as bibliotecas universitárias, se desvinculam do controle religioso, e passam a ter prédios distintos, por área, do conhecimento: bibliotecas jurídicas, médicas e entre outras, que ajudaram a estabelecer, um propósito para as bibliotecas, mudando, seu protótipo. De depósito, pra mediadora da informação, e ajudando, a desenvolver, novos tipos de literatura.

As bibliotecas universitária da Idade Média ganham o seu grande desenvolvimento no decorrer do século XV, quando, na observação de Stephen’ Irsay,

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as riquezas materiais das universidades aumentam. Assim, em particular, no que se refere aos prédios para as aulas e para as bibliotecas” dos quais não existe sinal no século XIII” (MARTINS, 2002, p. 91).

Em relação ao acervo, e a sua organização, as bibliotecas universitárias, em sua maioria, era composta de estantes alinhadas no centro das salas, suas coleções em boa parte, ficavam acorrentadas. Segundo Martins (2002) é interessante ressaltar, que diferente da grande sala, mencionada anteriormente, existia uma outra sala para consulta, sendo menor e que tinha a função de depósito ,com grandes janelas. O acesso as essas bibliotecas, era permitido apenas, a entrada, no horário da manhã e à tarde. Veremos a seguir algumas regras, estipuladas, para entrar nas bibliotecas universitárias, e como, era regido o acesso, ao acervo e a sua circulação nas suas dependências. Segundo Martins (2002, p. 90-91) as bibliotecas universitárias em seus primórdios:

1- Qualquer pessoa que entre na biblioteca deve imediatamente fechar a porta; igual obrigação lhe incumbe se nela introduzir um ou mais visitantes. Ao sair, deve igualmente fechar a porta, mesmo que outros continuem-na biblioteca; tudo sobre multa de seis tostões;

2- Qualquer pessoa que se tenha servido de um livro deve fechá-lo, antes de se retirar. Assim se decidiu porque diversas pessoas tinham o hábito de deixar os livros abertos, o que os expõe a todos os acidentes e ao pó. Da mesma forma, quando alguém introduz visitantes na biblioteca, verificará que os livros por eles usados fiquem fechados, sob a mesma pena que lhe seria imposta se deixasse pessoalmente os livros abertos, Essa pena será de multa de seis tostões por volume deixado aberto; se diversos volumes forem deixados abertos, multiplica-se a multa pelo número de volumes, à razão de multiplica-seis tostões cada um;

3- Se alguém introduzir um estranho na biblioteca, não poderá afastar-se dele, salvo se deixar alguém com o visitante. Mas, se o que introduzir um estranho na biblioteca se afastar sem estar certo de que uma pessoa da casa consente em acompanhar o visitante, o introdutor incorrerá na multa de seis tostões.

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Bibliotecas universitárias posteriores, seguem dispostas, como afirma Martins (2002, p. 90-91):

1- Nenhum membro da sociedade entrará na biblioteca sem becas e sem boné; 2- É proibido a entrada de crianças e aos iletrados;

3- Se pessoas recomendáveis e instruídas solicitarem a entrada, um dos membros da sociedade deverá servir-lhes de introdutor, mas os seus criados permanecerão à porta;

4- Cada membro conservará a sua chave da biblioteca com todo o cuidado e não poderá empresta-la a ninguém;

5- Em tempo algum será permitido trazer á biblioteca fogo ou luz;

6- Nenhum volume será retirado da biblioteca sem o consentimento da sociedade; 7- Antes de colocar um volume na estante, para a leitura, deve-se começar por

limpa-lo do pó; deve-se manuseá-lo com cuidado e depois recolocá-lo fechado no seu lugar;

8- É proibido escrever nos volumes, fazer-lhes rasuras ou dobrar-lhes as folhas; 9- Que se escreva ou que se leia, não se deve interromper ninguém, seja

conversando, seja andando;

10- Tanto quanto possível, o silencio deve reinar na biblioteca, como num lugar augusto e sagrado.

Podemos analisar, que as bibliotecas universitárias, trouxeram grande avanço, para a organização das bibliotecas, inserindo mecanismos e diretrizes para um bom funcionamento, utilizados até hoje, no entanto, o acesso era para poucos, assim, como na Antiguidade. As principais bibliotecas daquele período foram caracterizas por: a Biblioteca Jurídica de Orléans, a Biblioteca Médica de Paris, a Biblioteca de Oxford e a de Cambridge, que ajudaram a mudar, a visão, a respeito das bibliotecas, perante a sociedade, surgindo com esse avanço organizacional o conceito de bibliotecário, como um agente mediador da informação. Também foi com o desenvolvimento das bibliotecas universitárias, que se desenvolve o catálogo unificado, onde se armazenava os nomes dos autores e de suas obras, marcando assim uma nova era para as bibliotecas posteriores.

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4. BIBLIOTECAS NA MODERNIDADE

O termo biblioteca moderna, foi inserido, por meio do desenvolvimento e transformação social, posterior a Renascença, a qual, teve um papel crucial, para a transformação do conceito e desenvolvimento organizacional, das mesmas. Essa definição de biblioteca moderna, foi instituída através de quatro características: laicização, democratização, especialização e socialização, que juntas, cooperaram para dar início, a um novo formato de biblioteca, esta, voltada ao seu público, como foco principal, e não, apenas, as suas obras informacionais.

Assim como pouco a pouco foram desaparecendo as monarquias de direito divino e as universidades monásticas (que sob caráter diferente, reaparecem modernamente);assim como o livro perde o seu caráter de objeto sagrado e secreto para se transformar num instrumento de trabalho posto ao alcance de todas as mãos; assim como toda a vida social submete-se cada vez mais a “documentos” e não a “dogmas” a “contratos” e não a “mandamentos”, á “crítica” e não a “revelações”_ assim também a biblioteca passa a gozar, nos tempos modernos, do estatuto de instituição leiga e civil, pública e aberta ,tendo o seu fim em si mesma e respondendo a necessidades inteiramente novas. (MARTINS, 2002, p. 323).

As bibliotecas na modernidade chegam para ajudar, no processo de socialização, através do grande fluxo de circulação dos livros, estes, que passam a ter um conteúdo variado, de múltiplas opções e gostos, deixam de ser, obras meramente didática e de cunho religioso e passa a cumprir o papel de universalismos, obras, que atuam para o crescimento e desenvolvimento geral da sociedade, a biblioteca deixa de ser um mero depósito, e passa a exercer, influencia para a sociedade. A seguir, veremos algumas das mais importantes bibliotecas da era moderna.

4.1. Bibliotecas no Renascimento

O período da Renascença, mudou completamente a sociedade medieval, seja no âmbito religioso, social, material, econômico, intelectual, organizacional, pois, trouxe

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consigo, a popularização do conhecimento, tornando acessível, em suas várias frentes, a interação do homem, para com o saber.

O quase monopólio do saber escapou das mãos dos religiosos, permitindo que todo e qualquer alfabetizado pudesse ter a disposição um volume inimaginável de informações na sociedade pré-Gutenberg (MILANESI, 2002, p. 26).

Com a chegada da imprensa de Gutenberg, com os tipos móveis de metal e mais o papel como suporte possibilitou o desenvolvimento de mais obras, e tornou o acesso, a esses materiais, antes, disponível apenas para o clero e a classes abastadas, acessível à população comum, o que era para poucos, passa a ser para todos paulatinamente. O livro passa a ser um instrumento fundamental para a circulação da informação e de ideias, criando interesse da população, para o estudo, e tornando efetiva a participação da sociedade, no desenvolvimento do conhecimento.

A partir da imprensa, a disseminação da leitura e o acesso à informação motivaram o receio da dispersão do rebanho. Em outras palavras, o barateamento e a difusão do livro quebraram o monopólio do conhecimento que poucos na sociedade detinham. (MILANESI, 2002, p. 26).

Com o crescimento informacional de materiais, foi preciso estruturar as bibliotecas, tanto, no meio físico, e organizacional, para melhorar o seu acesso, período que solidifica o papel do bibliotecário, como mediador da informação.

Se antes, os manuscritos eram separados por língua, depois os impressos foram ordenados por assunto. O aumento progressivo de impressos exigiu dos bibliotecários a invenção de novos meios para vencer o caos que ameaçava confundir de vez os que precisam encontrar nos livros respostas para suas dúvidas ou, simplesmente, elevar-se. (MILANESI, 2002, p. 27).

Com esse caos informacional, o papel do bibliotecário, foi primordial, para o desenvolvimento das bibliotecas, seja no seu âmbito organizacional, operacional, estrutural e intelectual, ajudou a popularizar, o conhecimento. Não se sabe muito sobre como eram essas bibliotecas renascentistas, no entanto, podemos associar, que eram de grande prestigio para a sociedade, pois trouxeram, uma nova visão, para a mesma, de depósito, para agregadora da informação, o acesso, tornou-se acessivo a todos, as

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produções literárias, se diversificaram, desenvolvendo novas perspectivas informacionais, intelectuais e sociais para a sociedade.

4.2 Biblioteca Nacional Britânica

A origem da biblioteca nacional britânica, na verdade, foi iniciada como um museu de antiguidades, nomeado British Museum, com o passar do tempo se transformou na biblioteca geral de estudos, com seu enfoque, na literatura francesa e na conservação da história, a biblioteca é uma entidade autônoma, de livre acesso, com cerca de cinco milhões de livros, das mais diversas áreas do conhecimento, sua estrutura física é grandiosa, com grandes pátios e salas, com grandes estantes, é interessante destacar, que dentro da biblioteca em uma ala especifica nomeada: biblioteca do rei onde se armazena uma vasta obra particular do rei George III, dispostos por uma grande torre, revestida de vidro, onde contêm 65 mil obras.

A biblioteca física é composta de: livros, revistas, manuscritos, mapas, selos, música, patentes, fotografias, jornais e som, e dispõe também do catálogo online, onde são disponibilizados alguns materiais digitalizados, de acesso gratuito. O acesso à biblioteca nacional britânica é de cunho geral, no entanto, em sua totalidade, o seu acervo é de cunho restrito apenas para pesquisadores e historiadores, por se tratar de uma instituição, que preza pela conservação da memória, o seu acesso, é regido por visitas monitoradas.

4.3 Biblioteca Nacional do Congresso

Inicialmente era um prédio, destinado a armazenar matérias da assembleia legislativa americana, mas, perante uma decisão tomada pelos membros do congresso, de mudar o prédio de estado, por terem disponível, uma verba para novas aquisições, de livros, foi construída a biblioteca nacional britânica, que a princípio, não tinha grande importância para o seu país, mas, com o desenvolvimento da lei Copyright, ou depósito legal, a biblioteca cresceu rapidamente. Uma característica distinta da biblioteca, interessante de ser ressaltada, é atribuída, pela sua forma organizacional, esta, que

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consiste, no depósito de materiais enviados, que por uma avalição, só um terço deles, é armazenado na biblioteca e os demais, são destinados a outras instituições ou devolvidas aos próprios depositantes.

Segundo Martins, as coleções da biblioteca nacional são compostas por 15 milhões de livros, 39 milhões de manuscritos, 13 milhões de fotografias, 4 milhões de mapas. Mais de 3,5 milhões de peças de música, meio milhão de filmes, com mais de 5 600 incunábulos, sua coleção é considerada a maior do hemisfério ocidental, por ter uma vasta quantidade de materiais, que vai da literatura americana, política, até a coleção de obras luso-hispânica, já armazenada do mundo. (MARTINS, 2002, p. 350).

Sua arquitetura é em estilo renascentista, com suas paredes adornadas por belíssimas figuras e ornamentos, com grandes salões e belíssimas salas de leitura, estas que são caracterizadas por grandes colunas e estátuas magníficas, o que possibilita uma boa disposição para seus materiais. O acesso à biblioteca é restrito a seus funcionários, a membros do congresso americano, da suprema corte, e a membros oficias do estado, no entanto, a mesma, pode ser visitada em seu prédio físico, mediante a um cadastramento, com acesso através de um cartão específico, ou através de visitas monitoradas, apenas em alas comuns da biblioteca, e também através do catálogo online da mesma. A biblioteca do congresso é a instituição cultural mais antiga dos Estados Unidos, e tem como propósito perpetuar a memória da história do seu país.

4.4 Biblioteca Nacional de Paris

Sua origem foi atribuída a Luís XI, que tinha uma pequena coleção de obras valiosas, da Antiguidade e Idade Média, compostas de: manuscritos, documentos políticos, coleções principescas e entre outras, que inicia o desenvolvimento da biblioteca nacional de Paris, esta, que sofre grandes transformações ao longo da sua fundação. Foi em meados a revolução francesa, que a biblioteca nacional, desenvolve o formato que conhecemos, sua estrutura foi construída de ferro e alvenaria, em sua maioria, as salas tem grandes colunas e claraboias envidraçadas que criam um ambiente de muita luminosidade, o que a tornou, referência para a arquitetura francesa moderna. A biblioteca nacional da França dispõe de um sistema, intitulado dispositivo legal, que foi desenvolvido para armazenar todos os tipos de obras produzidas na

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França, sendo que dois exemplares de cada título, deve ser encaminhado, um para a biblioteca nacional, e o outro, é armazenado em outra biblioteca, de prestígio no país. O acervo da biblioteca nacional é composto: de manuscritos, coleções particulares, de personalidades históricas, livros, fotos, pinturas, mapas, partituras, moedas, documentos sonoros, partituras, plantas, vídeos, multimídia e entre outros, que ajudam a biblioteca, em seu desenvolvimento organizacional e cultural.

O acesso físico à biblioteca nacional é dedicado ao público em geral, estudantes, empresas, e pesquisadores, no entanto, algumas coleções consideradas raras, são de acesso restrito a historiadores e pesquisadores. Suas obras podem ser consultadas também, através do catálogo online, da biblioteca. A missão da biblioteca nacional da França nutre em preservar obras de publicações do país, e também, se destina a difusão da informação, através da cooperação cultural. Atualmente a biblioteca, é auxiliada por anexos, que ajudam no auxílio do armazenamento das coleções, estas, que vem crescendo gradativamente ao longo dos anos.

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5. BIBLIOTECAS CONTEMPORÂNEAS

Em meio ao grande desenvolvimento intelectual e ao grande acúmulo informacional, as bibliotecas contemporâneas se estabelecem, para garantir a satisfação do seu público, diferentemente das bibliotecas do passado, que foram caracterizadas pelo armazenamento da memória. Pensando só no material como prioridade, as bibliotecas atuais, nada se assemelham, com as do passado, pois com o surgimento da tecnologia, as instituições se transformaram, diminuíram em termos estruturais, mais cresceram em variedades de suportes e formatos, além do físico, hoje, temos as bibliotecas virtuais, que agregam, novas formas de acesso à informação a distintos usuários com suas necessidades informacionais.

As bibliotecas atuais têm como propósito unificar o conhecimento, para tornar acessível à informação, a qualquer pessoa, de qualquer classe econômica, e por isso, em sua maioria, são instituições especializadas, por seu campo de estudo, esta, que fornece suporte, para o desenvolvimento social e cultural da sociedade, graças ao surgimento de instrumentos tecnológicos e de redes informacionais.

Com o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação é que se percebeu que a informação é a razão da Biblioteconomia e da Ciência da Informação, e que os computadores são máquinas que possibilitam a informação mais acessível e que informática e informação não só têm a mesma raiz etimológica como são indissociáveis. (MILANESI, 2002, p. 49).

Com a popularização da informação, a biblioteca deixou de ser meramente um depósito e passa a exercer o papel de disseminadora da informação, ou seja, está destinada a oferecer serviços, mudando a visão imposta do passado, em relação as suas funcionalidades e a de seus matérias, que deixam de ser exclusivos, para se tornarem materiais de consumo, seja no âmbito econômico ou intelectual. Toda essa transformação só foi possível, graças a nova concepção do homem, de entender que a busca pelo conhecimento é um direito de todos, pois, de alguma maneira ajudará em seu desenvolvimento pessoal e intelectual. “Em qualquer paisagem social a relação do individuo com a informação pode definir o seu papel e status na sociedade em que está integrado”. (MILANESI, 2002, p. 34).

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O meio em que o indivíduo está inserido é o espelho das suas ações, ou seja, o ambiente e seus mecanismos, são os fatores principais, para o desenvolvimento pessoal e intelectual de uma pessoa, mas, é preciso oferecer oportunidades, para se desenvolver o interesse pela leitura e pelo estudo, e foi através das bibliotecas contemporâneas que o aceso à informação tornou-se mais acessível, por trazer consigo, novos formatos informacionais. “A oferta de informação foi além das páginas dos livros e dos corredores das bibliotecas para se colocar em toda parte”. (MILANESI, 2002, p. 54). Na atualidade as bibliotecas são caracterizadas por: Biblioteca Nacional, Biblioteca pública, Biblioteca Particular, Biblioteca escolar, Biblioteca Infantil, Biblioteca Universitária, Biblioteca Comunitária, Biblioteca especializada, Biblioteca digital e Biblioteca hibrida, elas passam a ser geridas mediante o tipo de público e por suas funcionalidades e necessidades. Assim, veremos a seguir o conceito de cada uma, mostrando o papel que as mesmas exercem na sociedade.

5.1 Biblioteca Nacional

São instituições regidas pelo governo, e buscam preservar o patrimônio do seu país, através do armazenamento de materiais, estes, de vários formatos informacionais, seja livros, revistas, jornais, CDS e entre outros, para preservar a memória social, do seu povo, por conter em seu acervo, obras únicas, de valor cultural inestimável. Sua organização envolve o controle bibliográfico, mediante a lei do depósito legal, que dispõe sobre a entrega de pelo menos um exemplar impresso do material publicado em território nacional.

As bibliotecas nacionais disponibilizam, geralmente, o Catálogo de Autoridades, Hemeroteca Digital, Biblioteca Nacional Digital e Acervos Raros, estes, que antes era de acesso restrito. São instituições que atuam por meio de catalogação cooperativa, através do protocolo de intercâmbio, que ajudam na aquisição e permuta de materiais, padronização das fichas catalográficas, tornando as mesmas, acessíveis a todos os países vinculados a rede nacional de bibliotecas.

O acesso a essas instituições é em sua maioria limitado, do ponto de vista do acesso ao seu acervo, por sua grande importância, é aberto apenas para os pesquisadores e historiadores, o público em geral, fica limitado apenas, nas áreas autorizadas, é uma

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biblioteca que busca a preservação de sua cultura, porém com agendamento prévio tem acesso aos itens informacionais, pois as bibliotecas contemporâneas focam no acesso e não mais exclusivamente na posse.

A Biblioteca Nacional é o órgão responsável, como biblioteca depositária da produção bibliográfica brasileira, pela coleta, organização, preservação e difusão de nossos bens culturais de natureza bibliográfica. É uma biblioteca de último recurso, ou seja, em princípio, recorre-se a ela depois de esgotadas as possibilidades das outras bibliotecas. (BRIQUET LEMOS, 2008, p. 110).

5.2 Biblioteca pública

O conceito de público é destinado ao livre acesso, disponível a todos, assim, as bibliotecas públicas são estabelecidas, para garantir a todos o direito à informação, seu propósito é garantir que toda a população, tenha o direito a leitura, ajudando na formação educacional da sociedade. “Enfim, ela servirá aos interesses da comunidade e aos nobres valores humanos; ela despertará a consciência social do indivíduo e do grupo, contribuirá para o desenvolvimento das atividades criados nos povos e orientará as aspirações altruístas dos melhores elementos da sociedade”. (MARTINS, 2002, p. 326).

A biblioteca pública é uma instituição de cunho popular, e são criadas e mantidas pelo estado e município, e tem como missão, aproximar a sociedade ao meio literário, através do vasto material, que se encontra em seu acervo, seja por área, gênero informacional, ajuda a estimular o interesse pela leitura. Os objetivos das bibliotecas públicas segundo Martins (2002) são:

1- Fornecer ao público informações, livros, material e facilidade diversos em vista de melhor servir seus interesses e de satisfazer às suas necessidades intelectuais; 2- Estimular a liberdade de expressão e favorecer uma crítica construtiva dos

problemas sociais;

3- Dar ao homem uma formação que lhe permita exercer uma atividade criadora no quadro da coletividade e trabalhar no aperfeiçoamento da compreensão entre os indivíduos, entre os grupos e entre as nações;

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4- Completar a ação dos estabelecimentos de ensino oferecendo a população a possibilidade de continuar e se instruir.

Esses objetivos que regem a biblioteca pública, só irão ser úteis, mediante a uma organização informacional, através do estudo, das necessidades e desejos da população, pertencente aquele núcleo, que contribuirão para o reconhecimento de seus materiais, e de suas atividades. As bibliotecas públicas, não tem apenas um público alvo, ela é aberta a toda a população, sem se preocupar com seu meio social, religioso e profissional, assim, seu acesso é livre, o acervo dessas bibliotecas é variado por suas especificidades, podendo conter em suas coleções literaturas estrangeiras, obras em braile, literatura geral, quadros, mapas, filmes, CDS, slides estereoscópicos e entre outros materiais, que ajudam na integração da informação no meio social.

No Brasil, as bibliotecas públicas têm atuado como bibliotecas escolares, uma vez que a maioria das escolas públicas não possuem bibliotecas. Algumas escolas possuem salas ou oficinas de leitura, contudo não contemplam os requisitos essenciais do que se considera ser uma biblioteca escolar. Dessa maneira, as bibliotecas públicas são requisitadas por estudantes do ensino fundamental e médio que, por sua vez, ao atenderem essa demanda da sociedade, não desenvolvem plenamente a função para a qual de fato existem. (VALENTIM, 2016, p. 23).

5.3 Biblioteca Particular

Na atualidade com a explosão da informação, as pessoas podem ter uma gama de recursos e suportes informacionais, dando a elas, facilidade em acessar o que se busca, criando em muitas das vezes, um excesso de informação presente em nosso cotidiano. As bibliotecas particulares ajudam a armazenar e conservar materiais específicos, de um determinado indivíduo, seja, pelo seu gosto literário, cultural, religioso, profissional, são desenvolvidas para facilitar o acesso a essas informações pelos seus criadores.

Essas bibliotecas em sua maioria, estão interligadas ao escritório, seja ele residencial ou no ambiente de trabalho, podem ser simples salas ou grandes locais de estudo, que buscam a interação do homem com a leitura. O acervo dessas bibliotecas é diversificado, pelo gosto do seu proprietário, onde pode ser encontrado literatura geral,

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mapas, folhetos, objetos de decoração, esculturas, pinturas, documentos, partituras, CDS, filmes e entre outros, armazenados de acordo com a necessidade do proprietário. Finalmente, nesse elenco de tipos de bibliotecas não se podem deixar de citar as bibliotecas particulares. Hoje não têm a mesma envergadura e riqueza que ostentavam há alguns anos, em grande parte devido ao custo do espaço físico em áreas urbanas mas também devido a mudanças nas formas de busca e obtenção de informação e, quem sabe, a mudanças nos critérios que valiam para a conquista de reconhecimento social em certas camadas ditas de elite. Mas, existem bibliotecas de excelente qualidade, ainda que, na maioria das vezes, fechadas ao acesso do público. Quando morrem seus detentores, o destino que lhes é dado pelos herdeiros podem ser os sebos e antiquários, quando então se dispersam, ou algumas poucas instituições que as adquirem em bloco e as tornam disponíveis para um público maior. (BRIQUET LEMOS, 2008, p. 111).

O acesso a essas bibliotecas, está direcionado a familiares, amigos, membros de empresas e a seu organizador, é interessante ressaltar que muitas destas bibliotecas para serem desenvolvidas é preciso o auxílio de um bibliotecário, pois como já citado anteriormente, podem conter, um vasto acervo, onde é indispensável o trabalho de um profissional da informação. Essas bibliotecas, nada mais é do que, desejos íntimos e pessoais, que através do seu acervo, nos mostra a nossa intimidade, nossos anseios, medos, e inspirações pessoais e sociais.

5.4 Biblioteca Escolar

Tem como finalidade dar suporte ao ensino, sendo uma ponte da sala de aula e do núcleo pedagógico, a qual faz parte, são instituições de cunho bibliográfico, que ajudam no desenvolvimento pessoal e intelectual dos seus usuários, através, do ensino. Essas bibliotecas são constituídas em unidades escolares, de ensino, pré - escolar fundamental e médio, e sua estrutura organizacional é especifica a seu público, este: crianças, adolescentes, professores, e funcionários da instituição, através de mecanismos didáticos e lúdicos, através de contações de histórias, mini teatro cultural e pela

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organização do seu acervo, que é estruturado de acordo com sua possibilidade e também por cores, ou assunto literário.

A biblioteca escolar representa o primeiro contato formal do estudante com a leitura, principalmente se a leitura não for uma prática familiar. Quando a leitura não ocorre no ambiente familiar, a biblioteca escolar passa a ser determinante para promover o gosto pela leitura, atividade que fará diferença na formação do indivíduo (VALENTIM, 2016, p. 25).

Além da leitura variada de livros, revistas, jornais e gibis, a biblioteca deverá oferecer os recursos de multimídia, atraentes para os mais jovens. O espaço para um público dos doze aos dezessete anos dificilmente terá frequência se não for além da leitura convencional. (MILANESI, 2002, p. 63). Essas bibliotecas devem ser atrativas e não apenas um local de estudo, mas sim, um ambiente de ensino, de múltiplas possibilidades, para estabelecer uma boa integração com seus usuários, tornando os mesmos, participativos, no desenvolvimento da sua unidade, seja, no âmbito estrutural, bibliográfico, informacional ou intelectual.

Se as bibliotecas públicas são as instituições mais pobres do universo bibliotecário, as bibliotecas escolares são paupérrimas. Relegadas a um canto, sob a custódia de um professor afastado da função docente (como se a função da biblioteca não fosse por si só essencialmente educacional), sobrevivendo às custas de doações de livros muitas vezes inadequados, levam uma existência vegetativa. É claro que há exceções, tanto no setor público quanto no privado, mas são tão poucas no quadro geral do país, que se torna dispensável procurar mencioná-las. (BRIQUET LEMOS, 2008, p. 108-109).

As bibliotecas escolares devem girar em torno da comunidade, assim é interessante ressaltar, que as bibliotecas se diferem entre si, por suas condições culturais, sociais e sócio econômicas, o que acaba afetando em sua estrutura organizacional, a qual será desenvolvida de acordo com as possibilidades e recursos disponíveis em cada escola onde ela se insere.

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