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O enfermeiro educador: conhecimento técnico na formação profissional docente

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Academic year: 2021

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O enfermeiro educador: conhecimento técnico na

formação profissional docente

The nurse as educator: expertise in training teachers

El enfermero educador: conocimiento técnico en la formación profesional docente

Resumo:

A atuação do profissional enfermeiro no contexto educacional vem passando por momentos de grandes transformações no ensino caracterizado por mudanças sociais e educacionais. Este estudo teve como objetivo refletir sobre a formação profissional do enfermeiro como educador. O método utilizado para desenvolver este estudo foi através de pesquisa bibliográfica descritiva e analítica. Para a elaboração foram utilizados livros e artigos de banco de dados eletrônicos. Teoria e prática estão vinculadas pelo próprio processo de geração de conhecimento. Da prática surgem novas reflexões e novos conhecimentos, portanto amplia-se a teoria e aí resulta nova alternativa para a prática. Para uma excelente pratica educacional se faz necessário que o docente tenha conhecimento na área pedagógica e de todos os elementos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem.

Descritores: Enfermeiro, Educação, Conhecimento

.

Abstract:

The role of the professional nurse in the educational context has experienced moments of great change in education characterized by social and educational changes. This study aimed to reflect on the training of the nurse educator. The method used for this study was developed through a literature descriptive and analytical. Were used for the preparation books and electronic databases. Theory and practice are bound by the process of knowledge generation. Practice brings new ideas and new knowledge thus expands the theory and results there new alternative for practice. For an excellent educational practice is necessary that the teacher has knowledge in the area of teaching and all the elements involved in the process of teaching and learning.

Descriptors:

Nurse, Education, Knowledge.

Resumen:

El papel del profesional de enfermería en el contexto educativo ha experimentado momentos de grandes cambios en la educación se caracteriza por los cambios sociales y educativos. Este estudio tuvo como objetivo reflexionar sobre la formación de la enfermera educadora. El método utilizado para este estudio se desarrolló a través de una literatura descriptiva y analítica. Fueron utilizados para los libros de preparación y bases de datos electrónicas. La teoría y la práctica están vinculadas por el proceso de generación de conocimiento. Práctica trae nuevas ideas y nuevos conocimientos ampliando de este modo la teoría y los resultados se nueva alternativa para la práctica. Para una excelente práctica educativa es necesario que el profesor tenga conocimientos en el área de la enseñanza y todos los elementos que intervienen en el proceso de enseñanza y aprendizaje.

Descriptores:

Enfermero, Educación, Conocimiento.

Luiz Faustino dos Santos Maia

Enfermeiro. Mestre em Terapia Intensiva pela SOBRATI. Especialista em Saúde Coletiva e Saúde da Família; Gestão e Auditoria dos Serviços de Enfermagem; Enfermagem em Urgência, Emergências e Cuidados Intensivos pela UNICSUL; Programa Especial de Formação Pedagógica em Ciências Biológicas pela UNINOVE; Docência do Ensino Médio, Técnico e Superior na Área da Saúde pela FAPI. Docente de graduação em Enfermagem pela FMS e FALC. Coordenador Geral da Revista Recien. E-mail: [email protected]

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Introdução

O exercício da docência no curso de graduação em enfermagem possibilita-nos questionar a metodologia no processo ensino-aprendizagem, que vem sendo implementada tanto na academia como nos programas de aperfeiçoamento e atualização dos profissionais e nos eventos dirigidos à categoria.

A prática diária sinaliza a ocorrência de um ensino centrado na figura do professor, que detêm a autonomia do conhecimento, gerando estratégias repetitivas, geralmente com aulas expositivas, e consequentemente criando um fluxo unilateral de comunicação, dificultando o desenvolvimento do pensamento crítico por parte do aprendiz, que na maioria das vezes assimila o que lhe é imposto, sem muitos questionamentos.

Esta conduta caracteriza o ensino tradicional, supondo que a pessoa que aprende é incapaz de ter controle de si mesmo, devendo ser conduzido por pessoas que sabem mais que do ele. Este tipo de educação frequentemente impede, a criatividade, a iniciativa, a autorresponsabilidade e a autodireção. Os autores Stacciarini e Espiridião1, denomina esta prática de educação bancária, onde o papel do aluno é limitado a receber depósitos, guardar e arquivar, preocupando-se basicamente com a transmissão do conhecimento e com a experiência do professor, sem atentar para os aprendizes enquanto pessoas que fazem parte de um contexto maior. Assim, gera-se um aluno passivo, memorizador de conceitos abstratos e sem preparo para resolver questões práticas, fundamentadas na realidade em que vive.

O enfermeiro é um educador por natureza, pois ele é responsável por orientar os pacientes em prol da prevenção de doenças e da promoção da saúde. Mais além de desenvolver atividades de educação em saúde atendendo necessidades sociais, atua como docente em diversos níveis de educação escolar.

Entretanto, observa-se a necessidade de uma educação que possibilite o desenvolvimento contínuo de pessoas e da sociedade. Não é mais possível formar profissionais com o ensino voltado somente para a racionalidade técnica. É necessária a busca de uma prática docente que possibilite aos alunos

desenvolverem um pensamento reflexivo através da valorização da criatividade, da reflexão e participação, condições indispensáveis para a inserção social e construção da cidadania.

Os profissionais de diversas áreas adentram para o campo da docência do ensino como decorrência natural de suas atividades e por razões e interesses variados e, na maioria das vezes nunca se questionaram sobre o que é ser professor. Dessa forma, atuam no ensino sem terem sido preparados para o desempenho da docência2.

Neste sentido é necessário repensar o papel do docente enfermeiro e como este articula sua prática pedagógica no sentido de atender as novas funções que a educação impõe. Nessa perspectiva, o papel do professor universitário deve ser repensado a partir de três competências para a docência no ensino superior: ser competente em uma área de conhecimento; possuir domínio da área pedagógica e exercer a dimensão política na prática da docência universitária. A primeira delas se refere ao domínio dos conhecimentos básicos da área e á experiência profissional do campo. A segunda envolve o domínio do conceito de processo-aprendizagem, integrando o desenvolvimento cognitivo, afetivo-emocional e de habilidades, bem como a formação de atitudes, abrindo espaços para a interação e a interdisciplinaridade. A terceira abrange a discussão, com os alunos, dos aspectos políticos e éticos da profissão e do seu exercício na sociedade, para que nela possam se posicionar como cidadãos e profissionais3.

Objetivo

Este estudo teve como objetivo refletir sobre a formação profissional do enfermeiro como educador.

Material e Método

O método utilizado para desenvolver este estudo foi através de pesquisa bibliográfica descritiva e analítica. Para a elaboração foram utilizados livros e artigos de banco de dados eletrônicos LILACS e SciELO.

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Resultados e Discussão

A Importância da Formação Docente

Partindo desse princípio, percebemos a vivência efetiva que as universidades enfrentam quando o seu corpo docente é composto, em sua maioria, de principiantes na docência e nunca tiveram contato com uma formação pedagógica que abarcasse os conhecimentos teóricos e práticos relativos às questões do ensino e aprendizagem.

A formação pedagógica, pensada em termos acadêmicos e didáticos, surge num panorama de compreensão sobre qualidade do trabalho docente no recinto da sala de aula, ou seja, no contexto da ação, que não se restringe aos saberes, mas na capacidade do docente de agir em circunstâncias previstas ou não em seu plano de ação.

É importantíssimo que as universidades invistam na formação efetiva do corpo docente para que estes possam transformar as instituições em lócus de produção de ensino, pesquisa e extensão. Enfim, despertar a consciência de uma nova identidade docente que leve e eleve a ampliação das concepções de ensino, permitindo um novo olhar e consequentemente, um novo docente.

Segundo Freire4, ensinar exige rigorosidade metódica cuja tríade ensinar/aprender/pesquisar são elementos indicotomizáveis e uma das condições indispensáveis à valorização do conhecimento pedagógico.

A Formação dos Professores nas Universidades

O saber que a universidade produz não pode ser visto como algo mágico, algo dado, sem história. Trata-se de um saber produzido por sujeitos situados e datados historicamente, na medida em que o desenvolvimento de uma sociedade passa necessariamente pela formação de homens. Daí a ser a função formadora uma das finalidades da universidade e que engloba todas as outras5.

A universidade é parte de uma realidade concreta, por isso sua função deve ser pensada e trabalhada de acordo com as exigências da sociedade. Portanto, o saber produzido na universidade é histórico e transforma-se ao longo do tempo.

A questão da formação de professores tem sido um grande desafio para as políticas educacionais. Com a grande expansão das redes em curto espaço de tempo e a ampliação consequente da necessidade de docentes, formação deste não logrou, pelos estudos e avaliações disponíveis, prover o ensino com profissionais com qualificação adequada. Por outro lado, e como componente fundamental deste quadro de carências, até aqui, os administradores públicos, em diferentes níveis, não tem contemplado a educação e a carreira dos professores com políticas coerentes com as necessidades de um país que se quer socialmente avançado. Ainda é baixa a consciência política em relação à importância social dos professores no quadro do desenvolvimento do país e de seu enquadramento na conjuntura mundial5.

Pouca ação se vê em relação à formação e carreira de professores, ao salário e às condições de trabalho. O resultado é o analfabetismo funcional em todos os níveis e formação de várias gerações comprometidas por baixa inserção cultural. Então, para correr atrás do prejuízo criam-se programas compensatórios, supletivos ou de formação em serviço, gastam-se muitos recursos tentando refazer o que deveria ter sido feito na educação básica e não foi.

A transformação e o aprimoramento do cotidiano escolar dependem inteiramente de quem faz educação nas salas de aulas, pois existem aspectos que fogem a qualquer legislação, portanto é necessário que os educadores tomem consciência de seu poder e da responsabilidade que dele provem.

O educador consciente deve ter percepção da complexidade da sua prática, assim enfrentaria com mais disposição à desigualdade social e as diferentes condições de escolarização com que tem que lidar perante o nosso desestruturado sistema.

O educador é um ser complexo e limitado, mas sua postura pode contribuir para reforçar que vale a pena aprender, que a vida tem mais aspectos positivos que negativos, que o ser humano está evoluindo, que pode realizar-se cada vez mais. Pode ser luz no meio de visões derrotistas, negativistas, muito enraizadas em sociedades dependentes como a nossa6.

Somente a formação acadêmica não é suficiente e nem garante a formação de um educador competente. O

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conhecimento, quando usado de forma inadequada, não tem nenhum significado para a vida profissional e pessoal.

O importante como educadores é acreditarmos no potencial de aprendizagem pessoal, na capacidade de evoluirmos, de integrar sempre novas experiências e dimensões do cotidiano, ao mesmo tempo em que compreendemos e aceitamos nossos limites, nosso jeito de ser, nossa história pessoal6.

Assumir a grande responsabilidade que um educador tem e ter consciência do poder de transformação que está em suas mãos não é fácil.

Para que realmente o professor assuma seu papel e viva sua profissão pautada na ética e na realidade, é preciso ter uma base sólida, da qual grande parte deve ser construída na universidade.

Cabe ao professor reconhecer sua capacidade de julgar e entender suas próprias ações, libertando-se de paradigmas formados por um modelo já ultrapassado.

O professor é especialista em conhecimento, em aprendizagem. Como especialista, espera-se que ao longo dos anos aprenda a ser um profissional equilibrado, experiente, evoluído; que construa sua identidade pacientemente, equilibrando o intelectual, o emocional, o ético e o pedagógico6.

O professor é um profissional que auxilia no desenvolvimento pessoal e intersubjetivo do educando; facilita o acesso do aluno ao conhecimento; um ser cultural que possui profundo domínio de sua área; um crítico social, mas que, porém, interfere na sociedade através de sua prática profissional.

O Professor no Contexto Social

Nas últimas décadas tem-se questionado a importância do professor no processo ensino aprendizagem, principalmente pelo fácil acesso às informações fora da sala de aula proporciona pelo avanço cientifico e tecnológico que ocorre de forma avassaladora e atingi todas as classes sociais7.

Diante de profundas mudanças que a modernidade desencadeou, onde a sociedade encontra-se em crise de valores e princípios, no qual somos levados a refletir e repensar nossas posições e atitudes, o papel do profissional de educação precisa ser analisado. Partindo da premissa de que a educação e o ensino

fazem parte do contexto social e, como este se modifica, a educação e ensino também se tornam dinâmicos. Dessa forma é que educador precisa estar sempre se atualizando8.

O trabalho do professor é parte primordial do processo educativo mais amplo e global pelo qual os membros da sociedade são preparados para a participação ativa na vida social. Para o funcionamento de uma sociedade é necessário que haja a prática educativa, ou seja, a educação9.

Um computador nunca poderá substituir um professor pelo fato de que lhe falta o privilégio humano de gesticular, de falar, de passar emoção, de vibrar com as conquistas dos alunos, de ser interrompido fazendo-lhe refazer sua linha de discussão, de debater e abrir-se ao diálogo10. Portanto o professor é fundamental ao aluno, assim como o aluno é fundamental ao professor, é dessa interação que nasce o processo de ensino aprendizagem, que se constroem conhecimentos, que nascem cidadãos críticos e atuantes na vida social.

Os educadores e educadoras necessitam ser a ponte entre o aluno e a sociedade, percebendo as possibilidades da ação social e cultural na luta pela transformação do meio, através do encontro do aluno com o conhecimento11.

Didática e Metodologia na Formação do Professor

Em todas as esferas da vida social existe a atividade educativa de formas diferentes de organização. A educação escolar é um sistema de instrução diferenciado porque possui propósitos intencionais, práticas sistematizadas e alto grau de organização. O conhecimento é democratizado, formando a capacidade de pensar criticamente os problemas e desafios postos pela sociedade. Dessa maneira, a formação profissional do professor visa à atividade específica de docência, sendo a didática e as metodologias específicas das matérias contribuintes para formação técnico-prática necessária a atuação profissional9.

A didática é definida como a ciência e a arte do ensino. Considera ao mesmo tempo a aprendizagem por parte do aluno e o ensino por parte do professor. Pode-se afirmar que a didática é o estudo da situação instrucional, ou seja, do processo de ensino aprendizagem que enfatiza esta relação8.

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Nessa direção, Veiga12 diz que a didática é, essencialmente, compreendida e analisada do ponto de vista da concepção do ato de ensinar que coloca em evidencia a atuação do educador transmitindo diretamente conhecimentos específicos, conduzindo e estimulando democraticamente a aprendizagem do aluno, como também, no planejamento de atividades, almejando alcançar objetivos.

A Didática é como a arte de ensinar, como uma disciplina que fornece receitas sobre como ensinar e agir em sala de aula ou como utilizar técnicas para dinamizar o ensino, resolver problemas de disciplina, de desinteresse do aluno no cotidiano escolar.

Ser Professor Educador

O ensino formal é um processo interativo, interpessoal e intencional, que utiliza a comunicação verbal, o discurso dialógico orientado e a demonstração como meios de provocar, favorecer e levar ao êxito a aprendizagem em determinadas situações. O professor é agente ativo nesse processo, sendo um indivíduo que exerce ações sobre outro (o aluno), com finalidade de introduzi-lo na arte e na ciência de algum conhecimento ou profissão e o capacitar para o exercício desta. Ensinar é uma atividade complexa, e os fatores que envolvem o ensino são também complexos e múltiplos13.

Professor e aluno buscam o atendimento de seus objetivos individuais; são dotados de amadurecimento, necessidades, expectativas, experiências, formação, valores e fatores culturais distintos, estes influindo diretamente em sua vida, em seu comportamento, seu desempenho profissional e no relacionamento que estabelecem consigo próprio (autoconceito) e com os outros (relações sociais)13.

Ser professor é ser agente ativo de transformações; é promover mudanças na forma de sentir, pensar e agir das pessoas em relação a si mesmas e aos outros; é estar atento ao seu próprio processo de desenvolvimento; é lidar com a gestão de conflitos educacionais; é buscar equilíbrio entre a satisfação das necessidades do aluno, da instituição e as suas próprias; é levar os alunos a aprender a aprender, a ser, a fazer, a conviver e a conhecer13.

A Docência em Enfermagem

O ensino da graduação em Enfermagem é conduzido pelas Diretrizes Curriculares Nacionais, que propiciam uma formação contemporânea, contextualizada e dinâmica, pautada na indissociabilidade de ensino, pesquisa e extensão, gerando um enfermeiro generalista, crítico e apto a atuar em todas as dimensões do cuidado como promotor da saúde do cidadão, da família e da comunidade.

As Diretrizes Curriculares dos Cursos de Graduação em Enfermagem (Resolução CNE/CES Nº 1133), afirma que estes cursos devem ter um Projeto Pedagógico, construído coletivamente, centrado no aluno como sujeito da aprendizagem e apoiado no professor como facilitador e mediador do processo ensino aprendizagem. Afirma ainda que a estrutura dos cursos de graduação em Enfermagem deverá assegurar a implementação de uma metodologia no processo ensinar-aprender que estimule o aluno a refletir sobre a realidade social e aprenda a aprender14.

Dessa forma, as diretrizes curriculares assegura que o egresso do curso de enfermagem deve ter uma formação generalista, humanista, critica e reflexiva regulada por princípios éticos. Para tanto, além de ser um profissional com uma formação com base no rigor técnico e cientifico deve desenvolver competências éticas e políticas14.

Tendências Atuais na Formação Docente de Enfermagem

A formação, o desempenho e o desenvolvimento profissional do professor tem sido objeto de análise e estudos a partir do movimento de transformação do ensino superior no Brasil. Atualmente, espera-se do docente universitário que ele forme profissionais competentes e comprometidos socialmente. Deste modo, Faria e Casagrande15 afirmam que deve haver condições de capacitação, qualificação e desenvolvimento do corpo docente, para que o processo de ensino aprendizagem seja mais efetivo, no que diz respeito à área pedagógica, à perspectiva político-social e à pesquisa (2004).

Dessa forma, a reflexão acerca da formação pedagógica do docente enfermeiro é essencial devido à complexidade da prática profissional inserida na tarefa da educação. Em geral, a docência em saúde é considerada secundária deixando de reconhecer a existência de uma relação entre ensino, aprendizagem e assistência bem como de serem

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discutidas as especificidades dos cenários do processo ensino-aprendizagem e seus atores: professor, aluno, pacientes, profissionais de saúde e comunidade16.

A formação do docente em enfermagem deve ser consolidada com base no domínio de conhecimentos científicos e na atuação investigativa no processo de ensinar e aprender, recriando situações de aprendizagem por investigação do conhecimento de forma coletiva com o propósito de valorizar a avaliação diagnóstica dentro do universo cognitivo e cultural dos acadêmicos como processos interativos. Afirmam Pimenta e Anastasiou17, que a sua tarefa é garantir que se apropriem do instrumento científico, técnico, tecnológico, de pensamento, político, social e econômico, de desenvolvimento cultural, para que sejam capazes de pensar e gestar soluções.

Nesse sentido, Freire18 afirma que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua própria produção ou sua construção. Diz ainda que a educação deva ser feita em profunda interação educador-educando, voltada especialmente para a reelaboração dos conhecimentos e habilidades aprendidas e a produção de novos conhecimentos.

A prática docente deve superar o ato de transmitir informações. O professor precisa assumir um lugar de mediador no processo ensino-aprendizagem de forma que os alunos ampliem suas possibilidades humanas de conhecer, duvidar e interagir com o mundo através de uma nova maneira de educar.

A formação docente é um processo complexo, pois sofre interferência das questões sociais, econômicas e políticas, é preciso superar a forma tradicional voltada somente para a formação de profissionais técnicos, somente o dispositivo legal não é suficiente para alterar a prática pedagógica19.

Ser Enfermeiro e Professor é se apaixonar pela profissão, pela educação, aproximar-se das pessoas, independentemente de seu nível social, crença e raça. Agir e ser uniforme com sua essência, solidez e conhecimento. Deixar-se por momento de lado para se dedicar ao outro, ter muitas faces de ações e um leque de possibilidades para zelar pelo bem estar da saúde e educação20.

Conclusão

Ao pensar em educação e sua relação com o processo de trabalho, observo a importância a respeito da efervescência de novas práticas de saúde e de cuidar no mundo profissional de enfermagem, que marcam os tempos atuais, permitindo visualizar o efeito de transição entre o ensino e a prática. De um lado, esses efeitos de transição, situados na saúde e na educação em enfermagem impõem aos enfermeiros educadores um ritmo desgastante de incertezas, de insegurança quanto ao seu destino nas instituições de saúde, de ensino e na sociedade, marcados pela dificuldade de inserção e pela exclusão no mercado de trabalho. Por outro lado, esses efeitos de transição, mostram as implicações ao reconhecimento dos próprios exercentes de enfermagem, uma vez que eles são determinados e ratificados em lei pela estratificação dos diversos níveis da categoria.

Ser enfermeiro exige mais do que o simples saber e do que saber fazer. O enfermeiro pode também desenvolver o seu saber ser, tanto consigo próprio como com a interação com o paciente.

A formação do docente enfermeiro precisa ser redirecionada de forma que esteja baseada na reflexão sobre a prática cotidiana considerando o professor como um pesquisador da própria prática, com formação permanente na perspectiva da ação-reflexão-ação e que considere o coletivo, o saber experiencial, o ciclo de vida do professor e a universidade como o lócus de formação.

Referências

1. Stacciarini JMR, Esperidião E. Repensando estratégias de ensino no processo de aprendizagem. Ribeirão Preto: Revista Latino-Americana de Enfermagem. 1999; 7(5). 2. Pimenta SG, Anastasiou LGC. Docência no ensino superior. São Paulo: Cortez. 2002.

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4. Freire P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra. 2002.

5. Gatti B. Formação de professores e carreira: problemas e movimentos de renovação. Campinas: Autores Associados. 2000.

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6. Altet M, Charlier E, Paquay L, Perrenoud P. Formando professores profissionais. Quais estratégias? Quais competências? Porto Alegre: Artmed Editora. 2001.

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9. Chalita G. A importância do professor. 2002. Disponível em: <http://www.chalita.com.br>. Acesso em: 25 Jun 2009.

10. Libâneo JC. Didática. São Paulo: Cortez. 2003. 11. Ruiz MJF. O papel social do professor: uma contribuição da filosofia da educação e do pensamento freuriano à formação do professor. Revista Ibero Americana de Educação. 2003; 33. Disponível em: <http://www.rieoei.org>. Acesso em: 20 Jul 2009. 12. Veiga IPA. Repensando a didática. São Paulo: Papirus. 2005.

13. Ferreira EM, Friedländer MR. Satisfação profissional do enfermeiro educador: uma revisão da literatura. UFPE: Revista de Enfermagem. 2007; 1(1):72-81.

14. Brasil. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação em enfermagem. Resolução CNE/CES nº 3/2001. Brasília: Ministério da Educação e Cultura. 2001.

15. Faria JIL, Casagrande LDR. A educação para o século XXI e a formação do professor reflexivo na Enfermagem. Ribeirão Preto: Revista Latino-Americana de Enfermagem. 2004; 12(5).

16. Batista NA. Desenvolvimento docente na área da saúde: uma análise. São Paulo: Trabalho, Educação e Saúde. 2005; 2(3):283-294.

17. Pimenta SM, Anastasiou LGC. Docência no ensino superior. São Paulo: Cortez. 2005.

18. Freire P. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra. 1996.

19. Rodrigues MTP, Sobrinho JACM. O enfermeiro professor e a docência universitária. UFPI. Disponível em: <www.ufpi.br>. Acesso em: 27 Jun 2009.

20. Maia LFS, et al. II Antologia confraria dos poetas. São Paulo: Editorama. 2008; 2: 108-118.

Referências

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