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Rev. adm. empres. vol.49 número1

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Academic year: 2018

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FÓRUM • APRESENTAÇÃO

8 • ©RAE • São Paulo • v. 4 9 • n.1 • jan./ m ar. 2 0 0 9 • 0 0 8 - 0 0 9 ISSN 0 0 3 4 - 7 5 9 0

APRESENTAÇÃO

Thomaz Wood Jr.

FGV-EAESP [email protected]

Pedro F. Bendassolli

FGV-EAESP

[email protected]

Charles Kirschbaum

IBMEC-SP

[email protected]

M iguel Pina e Cunha

Universidade Nova de Lisboa [email protected]

O termo “indústrias criativas” surgiu nos anos 1990 na Austrália, ganhando em seguida impulso na Inglaterra. Associado originalmente ao contexto das políticas pú-blicas de cultura, ele designa hoje os setores nos quais a criatividade é uma dimensão essencial. As indústrias criativas se destacam das demais pela sua ênfase na di-mensão simbólica. Do ponto de vista institucional, as indústrias criativas compreendem, entre outras, as ativi-dades relacionadas a teatro, cinema, publicidade, arqui-tetura, mercado de artes e de antiguidades, artesanato, design, design de moda, softwares interativos para lazer, música, indústria editorial, rádio, TV, museus, galerias e as atividades vinculadas às tradições culturais.

Além de ser visto como um fenômeno econômico, relacionado a políticas públicas de desenvolvimento, o fenômeno das indústrias criativas deve também ser asso-ciado à “virada cultural”, uma transformação de valores sociais e culturais, ocorrida no fi nal do século XX. Essa mudança veio associada a uma nova retórica, que res-salta os imperativos da originalidade e da criatividade e celebra o culto das mudanças, das rupturas e da inova-ção. Alguns autores advogam que os indivíduos estão se afastando de modelos tradicionais de comportamento, tais como foco no salário pelo salário, consumo padro-nizado, trabalho duro ao longo de toda a vida,

submis-são e resignação, e adotando atitudes e comportamentos que refl etem um desejo de controlar de forma integral a própria vida.

Ao lan çarmos a ch amada de trabalh os para este Fórum, estabelecemos como objetivo contribuir para a compreensão do fenômeno das indústrias criativas à luz de duas diretrizes gerais: em primeiro lugar, por meio da construção de um variado painel de trabalhos de cunho teórico que esteja sintonizado com a produção internacional recente sobre o tema; e em segundo lugar, por meio de estudos empíricos, capazes de captar e tra-duzir o estado de desenvolvimento dos setores criativos. Buscamos trabalhos de natureza inovadora e crítica, e incentivamos a apresentação de artigos de diferentes perspectivas epistemológicas, abordagens metodológi-cas e níveis de análise.

Recebemos mais de 30 trabalhos, de todo o país, o que refl ete o interesse pelo tema. Foram-nos enviados ensaios críticos, trabalhos teóricos e pesquisas. Inicialmente, es-colhemos 17 artigos, que passaram por um processo de blind review, realizado pelos próprios autores do Fórum.

Formamos, assim, uma verdadeira comunidade virtual de pesquisadores das indústrias criativas.

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THOM AZ WOOD JR. • PEDRO F. BENDASSOLLI • CHARLES KIRSCHBAUM • M IGUEL PINA E CUNHA

0 0 8 - 0 0 9 • jan./ m ar. 2 0 0 9 • n. 1 • v. 4 9 • São Paulo • ©RAE • 9 ISSN 0 0 3 4 - 7 5 9 0

Felizmente, graças a uma parceria da RAE-publicações com a Editora Atlas, este Fórum será acompanhado do lançamento de um livro, com todos os artigos que pas-saram pelo processo de blind review.

Para compor esta edição, o Fórum apresenta um artigo convidado, um artigo traduzido e dois submetidos pelos autores e aprovados tanto pelos organizadores quanto pelos editores da RAE.

Assim, o primeiro artigo, “Indústrias Criativas: de-fi nição, limites e possibilidades”, de autoria de Pedro F. Bendassoli, Thomaz Wood Jr., Charles Kirschbaum e Miguel Pina e Cunha, introduz o tema, situa-o his-t or icam en his-t e e exp lor a qu eshis-t ões con ceihis-t u ais e d e terminologia.

O segundo artigo, “Equilíbrio em Cena: o que apren-der com as práticas organizacionais das indústrias cul-tu rais”, de au toria de Joseph Lampel, Th eresa Lan t e Jamal Shamsie, originalmente publicado na revista Organization Science, trata dos desafi os enfrentados por gestores nas indústrias em que criatividade e conheci-mento são fatores-chaves para o sucesso.

O terceiro artigo, “Cidade de Deus e Janela da Alma: um estudo sobre a cadeia produtiva do cinema brasilei-ro”, de autoria de João Paulo Rodrigues Matta e Elizabeth Regina Loiola da Cruz Souza, revela os desafi os enfrenta-dos pela indústria cinematográfi ca local e as estratégias utilizadas para a realização daqueles projetos.

O quarto artigo, “O processo de criação das teleno-velas”, de autoria de Lúcia Maria Bittencourt Oguri, Marie Agnes Chauvel e Maribel Carvalho Suarez, mos-tra o peculiar modo de criação dos roteiros e produção de telenovelas em uma estação de TV, tendo em vista o caráter de planejamento e improviso existente nesse processo.

Desejamos que este Fórum chame a atenção de mais pesquisadores brasileiros para um campo emergente e de alto impacto, cheio de desafi os do ponto de vista da gestão, e capaz de prover temas para estudos instigantes e interessantes.

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