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AGUA: DIREITO FUNDAMENTAL ESSENCIAL A VIDA

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Academic year: 2022

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AGUA: DIREITO FUNDAMENTAL ESSENCIAL A VIDA

RENATO FERNANDO DA SILVA RIBEIRO

RESUMO

Com a descoberta de que a agua apesar de seu um recurso natural renovável, é um bem finito, as atitudes dos seres humanos para com esse recurso tão valioso mudou radicalmente, hoje, são muitas as discussões que asseveram o tema “Aguas”, pois sabe-se que a partir das ações humanas por muitos anos vieram degradando gradativamente os recursos hídricos e que parcela da agua que poderia ser consumida, hoje encontra-se contaminada.

Durante este trabalho será abordado os aspectos constitucionais do direito ao acesso a agua bem como suas características intrínsecas, será abordado como insumo essencial a vida com respaldo na vida humana, e as formas que o uso da agua pode ser transmitido a terceiros para que faça uso como se privada fosse.

PALAVRA CHAVE: AGUAS, DIREITO, ESSENCIAL, VIDA.

ABSTRACT

With the discovery that the water despite its a renewable natural resource, is a finite well, the attitudes of humans towards this valuable resource has changed radically today, there are many arguments that assert the theme "Aguas", because he knows is that from the human actions for many years came gradually degrading water resources and that portion of the water that could be consumed today is found contaminated. During this work the constitutional aspects of the right to access to water and its merits will be discussed, will be addressed as an essential ingredient to life with support in human life, and the ways that the use of water may be passed to third parties to make use as if it were private.

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KEYWORD: WATER, LAW, CORE, LIFE

SUMARIO

INTRODUÇÃO. 1. AGUA: BEM FINITO COM VALOR ECONÔMICO. 2. AGUA: BEM ESSENCIAL A VIDA E DIGNIDADE HUMANA. 3. CONTROLE DOS RECURSOS HIDRÍCOS E IMPORTÂNCIA PARA PRESERVAÇÃO. 4. OUTORGA E A PRESERVAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS. 5. COBRANÇA PELO USO D’AGUA.

CONCLUSÃO. REFERÊNCIAS

INTRODUÇÃO

Nas ultimas décadas os ser humano se viu vitimados por catástrofes naturais e situações de calamidade diretamente relacionadas a sua relação com o meio ambiente, fazendo surgir uma consciência ambiental como nunca havia existido antes na historia humana.

Com a descoberta de que a agua apesar de seu um recurso natural renovável, é um bem finito, as atitudes dos seres humanos para com esse recurso tão valioso mudou radicalmente, hoje, são muitas as discussões que asseveram o tema “Aguas”, pois sabe-se que a partir das ações humanas por muitos anos vieram degradando gradativamente os recursos hídricos e que parcela da agua que poderia ser consumida, hoje encontra-se contaminada.

Sabe-se a agua é um elemento essencial a manutenção da vida de todas as espécies vivas, logo se a agua é indispensável a vida, trata-se de direito fundamental inalienável e

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indisponível, dessa forma surge-se as firmações de que embora o direito ao acesso a agua em condições de potabilidade para consumo não esteja elidido no rol dos direitos humanos fundamentais, o referido direito tem todas as características de um direito fundamental, e mereceria ser estatizado de maneira mais adequada.

A partir de que se descobriu que a agua era finita, surgiu-se a necessidade de regular o acesso e inclusive se uso. Atualmente contamos com o instituto da outorga de direito de uso, que trata-se de um ato discricionário da administração publica, que atribui a um individuo o direito de usar os recursos hídricos de forma privativa.

Durante este trabalho será abordado os aspectos constitucionais do direito ao acesso a agua bem como suas características intrínsecas, será abordado como insumo essencial a vida com respaldo na vida humana, e as formas que o uso da agua pode ser transmitido a terceiros para que faça uso como se privada fosse.

1. AGUA: BEM FINITO COM VALOR ECONÔMICO

Não faz muito tempo que a população mundial começou a se questionar sobre o valor da agua. Tais discussões vieram se acentuando conforme se aumenta a escassez de agua pelo planeta, sua contaminação, fazendo-se refletir sobre a possibilidade de surgir conflitos pela disputa de agua entre povos. Sabe se que os seres humanos têm um histórico de conflitar, ao disputar algum bem valioso, que já aconteceu com metais preciosos e petróleo, pois bem, havendo a escassez essa disputa muito bem poderia se acentuar a acerca de uma jazida de agua potável. A cerca desses debates que passaram a se insurgir sobre a temática o autor Vladmir Passos de Freitas assevera que:

“o uso e a importância da água nunca foram preocupação da população brasileira.

Em tempos recentes a situação começou a alterar-se. Tornaram-se comum a existência de debates, programas de televisão e noticias nos jornais. É possível dizer que 1999 foi o despertar da conscientização sobre um assunto que antes só se fazia parte de círculos de técnicos altamente especializados. Com notório atraso, sem dúvida alguma1.

1FREITAS, Vladimir Passos de. Águas: Aspectos Jurídicos e Ambientais. 3ª Ed. Curitiba: Juruá, 2010. p. 3.

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A relação do homem com agua por muito tempo não foi devidamente regulada, por isso surgiram problemas de poluição, contaminação, assoreamento de leitos, desmatamento de matas ciliares e etc, que fez com que em dias atuais, nos vermos na iminência de uma escassez catastrófica. Todos os problemas já vivenciados e presumidos na iminência de ocorrer fizeram com que surgissem um arcabouço de normas visando sua proteção. Pode-se sem duvidas afirmar que o ser humano tomou ciência que é hora de cuidar melhor desse recurso pois o mesmo esta passível de se esgotar. Os países em torno de todo o mundo estão se voltando para a conscientização de jovens, crianças e adultos, de que terá que ser feita alguma coisa em prol da atual população mundial e das gerações futuras, a fim de controlar os excessos cometidos no seu uso.

O território do brasileiro é a extensão territorial com mais agua doce do mundo, estima-se que cerca de 13% da agua doce do planeta estejam concentradas em território brasileiro, isso pois o maior rio em extensão e volume d’agua esta no brasil, o Amazonas, que só para se ter uma ideia, oque o rio tamisa na Inglaterra desemboca em um mês, o rio amazonas desemboca o mesmo volume em um único dia. Isso além do Pantanal, que possui grandes extensões alagadas e os aquíferos brasileiros, como o aquífero guarani.

Apesar dessa imensa concentração de agua no território nacional, é comprovado que a agua apesar de ser renovável, pode ser um recurso finito, dependendo de condições climáticas desfavoráveis, degradação de matas ciliares, poluição dos rios e contaminações dos lençóis.

Hoje estudos aponta que uma parte da agua potável já foi contaminada tornando-se impropria para o consumo, isso se deu pois o homem na sede pelo desenvolvimento por anos e anos degradou gradativamente, o meio ambiente com os desmatamentos, com a poluição do solo por agrotóxicos com a poluição de leitos com o despejos de dejetos sem tratamento.

Conforme mencionado o território brasileiro é abundante no que diz respeito a concentração de agua doce, porem devemos também nos atentar que a nação brasileira é uma nação em constante crescimento demográfico, industrial, agrícola, e etc... devendo se observar e se avaliar esse crescimento para que não ocorra de maneira totalmente desordenada, em prejuízo ao meio ambiente, de modo que um devido planejamento com instrumentos legais eficiente possibilitem o crescimento e desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira.

Com o grande desenvolvimento econômico no qual nosso país vem passando, aliado a essa visão de preservação e proteção dos recursos naturais, surgem novos modelos, e uma nova visão de empresarialismo, nesse novo horizonte o próprio mercado se transforma e cria

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mecanismos que possam auxiliar para a economia do uso da água. Por exemplo, sistemas de edifícios que visam uma grande economia de agua em descargas, torneiras, e etc.., ou até mesmo os serviços e fornecimento de agua e tratamento de esgoto, que hoje em grande maioria são privatizados e se tornaram uma grande fonte de lucratividade para empresas que se especializaram na prestação desses serviços.

Já foi dito que a mentalidade do homem a respeito da relação com os recursos hídricos foi se modificando ao passo que foi se apercebendo que estávamos diante de um bem finito, que poderia haver uma grande escassez caso não fosse melhor cuidado. A partir de então no ordenamento jurídico brasileiro surgiu se a ideia de que a agua teria se ser tratada com maior importância para se efetivar essa proteção. Com o advento da constituição federal de 1988, a agua tornou se um bem da união de uso comum do povo tornara-se um bem estritamente publico impossível de ser privatizada. Tal conceituação se reflete em diversos âmbitos da administração dos referidos bens, qual seja seu regime próprio diferenciado dos bens particulares; a afetação de um determinado bem quando de interesse público, ou desafetação em caso de não mais ser tal bem de interesse público;

2. AGUA: BEM ESSENCIAL A VIDA E DIGNIDADE HUMANA

No ano de 2003, no III Foro Mundial sobre a Água, realizado em Quioto, , foi preparado um documento sobre a água, intitulado: "Água, elemento essencial para a vida"2. O referido texto fez considerações que devem estar no fundamento de qualquer reflexão sobre o problema da água, tais analises partiram da prerrogativa de que a água desempenha um papel central em todos os aspectos da vida, o estudo elaborado na criação do documento analisou a água como um bem social, económico e ambiental, abordando também resumidamente um determinado número de outras problemáticas que de algum modo têm influência sobre a questão da água. Para concluir, o texto frisou o papel essencial do ser humano na administração do meio ambiente e dos seus elementos constitutivos.

2 INTERVENÇÃO DA SANTA SÉ NO IV FORO MUNDIAL SOBRE A ÁGUA .Água, elemento essencial para a vida. Obtido em:

http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/justpeace/documents/rc_pc_justpeace_doc_20060322_m exico-water_po.htm

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Segundo Beltrão, a constitucionalização do ambiente, ou seja, a elevação das normas de proteção ambiental ao status de constitucional, é considerada uma tendência mundial, irreversível, devido a crescente quantidade de incluir nas suas cartas constitucionais, as normas desta natureza, afirma ainda que a Constituição Federal de 1988 é reconhecida no cenário internacional, como merecedora de elogios quanto a preocupação ambiental que ostenta3. Fato que se deve a forma que a Magna Carta trata o direito ambiental, elevando-o em um capitulo exclusivo.

A água é um recurso natural, vital para a sobrevivência da humanidade e de todas as espécies que vivem sobre a face da terra. Os seres humanos e as comunidades em que eles vivem não podem sobreviver sem a água, uma vez que este elemento corresponde às necessidades primárias e constitui uma condição fundamental da sua existência. O acesso à água potável e ao saneamento é indispensável para a vida e para o pleno desenvolvimento de todos os seres humanos e das comunidades espalhadas pelo mundo.

O bem comum é compreendido como uma condição social que permite às pessoas alcançarem a sua plena condição digna de sobrevivência. Os seus benefícios estão destinados a todos, e não apenas aos habitantes dos países onde há água em abundância, e onde ela é devidamente controlada e bem distribuída.

Acesso a agua não é só necessidade humana, é um elemento imprescindível para assegurar a continuação da vida, está intrinsecamente unida aos direitos fundamentais do homem, como o direito à vida, à alimentação e à saúde, haja vista que se não tiver acesso a agua em condições de potabilidade, o ser humano também estará sendo privado de demais direitos constitucionais fundamentais. Numa Mensagem aos Membros da Conferência Episcopal do Brasil, em 2004, o Papa João Paulo II escreveu: "como dádiva de Deus, a água é um elemento vital, essencial para a sobrevivência; por conseguinte, todos têm direito à água4"

3BELTRAO. Antônio F.G. Direito Ambiental. 3ª.ed. Metodo. São Paulo. 2011.pg.20

4 INTERVENÇÃO DA SANTA SÉ NO IV FORO MUNDIAL SOBRE A ÁGUA .Água, elemento essencial para a vida. Obtido em:

http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/justpeace/documents/rc_pc_justpeace_doc_200 60322_mexico-water_po.html

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Os direitos humanos são resguardados internacionalmente, sendo asseguradas as liberdades fundamentais para os indivíduos e para as comunidades. Eles referem-se principalmente aos relacionamentos entre os indivíduos e o Estado. A este propósito, as obrigações governamentais em relação aos direitos podem ser, de maneira geral, classificadas como: o respeito, a salvaguarda e o cumprimento de tais direitos. Apesar de que o direito a agua já vem sendo entendido como fundamental e essencial a vida humana, o mesmo ainda não esta regulamentado, como “direito de acesso a agua”, no meu ponto de vista o mesmo poderia ser elevado por meio de Emenda constitucional, de modo que seria impossível de se negar tal direito a nenhum individuo. Constitucionalmente á agua já é um bem publico de uso difuso e coletivo, conforme Beltrão:

Os bens difusos são bens de natureza transindividuais, de natureza indivisível, de que os titulares são pessoas indeterminadas e ligadas por circunstancias de fato. Transindividual pois ultrapassa a esfera tradicional do indivíduo para contemplar uma coletividade. Indivisível pois sua titularidade não pertence especificamente a alguém, mais sim ao todo5.

Definir o acesso à água potável como um direito humano constitui um importante passo no processo de transformação deste acesso numa realidade na vida das pessoas, ao passo que o direito de ter acesso a agua em condições dignas de potabilidade é uma reivindicação legal, e não um serviço ou uma comodidade oferecida a nível humanitário, não trata-se de um simples serviço, mas sim de um serviço de utilidade publica que implica diretamente na qualidade de vida das pessoas, a partir de tal regulamentação menos servidas podem ser mais bem reconhecidas e, ao mesmo tempo, podem diminuir muitas das práticas e desigualdades discriminatórias. Considerando-se todos os argumentos apontados,, uma abordagem que se fundamentasse nos direitos levaria a acelerar o processo de alcance de níveis básicos mais elevados de acesso à água potável..

Ao se tratar de direitos fundamentas, estamos falando de todas as condições e elementos mínimos e necessários para que um individuo possa efetivamente viver com dignidade. Os direitos fundamentais da pessoa humana, é uma criação jurídica, que estão em constantes evoluções, tem como marco a revolução francesa e primordialmente a revolução industrial, todavia, o no que diz respeito a positivação temos de apontar a Declaração

5BELTRAO. Antônio F.G. Direito Ambiental. 3ª.ed. Metodo. São Paulo. 2011.pg.20

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Universal dos Direitos Humanos de 1948, pois foi o referido dispositivo internacional que positivou grande parte dos direitos essenciais a condição humana.

Quanto aos direitos fundamentais, podemos verificá-los no art. 5º da Constituição da República de 1988, mas, trazendo a matéria constitucional para o cerne do presente trabalho.

A Constituição Federal de 1988 inovou ao dedicar um capítulo exclusivo para o meio ambiente, demonstrando a importância de sua conservação e ressaltando que trata-se de um bem coletivo sendo dever do Estado, bem como da população defendê-lo e preservá-lo:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondose ao Poder Público e à coletividade o dever de defendêlo e preserválo para as presentes e futuras gerações.

A verdadeira relevância no art. 225, que assegura a todos o direito ao Meio Ambiente ecologicamente equilibrado, assim considerando que á água integra o meio ambiente e que é imprescindível para a existência da vida, cabe ao poder público e à coletividade o dever de defendê-la não só para a presente, mas também para as gerações futuras.

No que diz respeito a agua, sem duvidas podemos afirmar que não há vida sem agua, logo, podemos classifica-la como direito humano fundamental. Ademais, além dessa função básica de insumo essencial a vida, temos de considerar que a agua é essencial para higiene, na produção de alimentos, dessedentação de animais, e etc..

Logo, como mensurado anteriormente, a agua tem além de uma importância fisiológica para o ser humano, tem ainda uma importância socioeconômicas, pois da qualidade e quantidade de agua presentes em uma região, é que deriva seu progresso econômico, o que de fato modifica as estruturas sociais do lugar. Por tal prerrogativa o Estado desenvolve mecanismos para controlar seu uso. Dentre outras normatizações, podemos citar a Lei 9.4233 editada e, 1997, comumente chamada de Lei das Aguas, que através de seu advento instituiu a política Nacional de Recursos Hídricos(PNRH) e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos(SNGRH). Outro dispositivo legal que merece atenção devido sua importância na regulação dos recursos hídricos é a lei 9.984 que instituiu a criação das ANA(s), que são as responsáveis por implementar a política Nacional de Recursos Hídricos(PNRH).

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3. CONTROLE DOS RECURSOS HIDRÍCOS E IMPORTÂNCIA PARA PRESERVAÇÃO

Sem sombra de duvidas os grandes problemas e calamidades envolvendo o tema aguas esta diretamente relacionado com a má gestão dos recursos hídricos, por conseguinte, o controle é provavelmente a maneira mais fácil de se resolver os problemas relacionados ao acesso à água potável e ao saneamento. Tais problemas e desafios devem ser tidos em consideração por todos: governos nacionais, pelas agências internacionais, setores privados e pelas população de modo geral. É necessário ressaltar que para que um processo de preservação seja efetivado de maneiro homogênea imprescindível a interação de todos os responsáveis nesse processo (interação entre setor publico, privado e população).

Hoje, é muito comum observar pessoas que atribuem responsabilidade exclusiva do estado em promover a preservação dos recursos, todavia, a participação da sociedade é um elemento essencial a efetiva gestão com qualidade dos recursos hídricos, pois se a “agua é um bem publico de uso comum”, a comunidade precisa ser consultada a cerca de soluções a serem tomadas e de como os recursos hídricos da comunidade serão utilizados. Dessa forma o respeito pelo princípio de subsidiariedade (integração da sociedade) deveria constituir uma parte integrante de toda a política de administração hídrica.

A participação pública e particular pode desempenhar um papel importante na oferta do acesso à água potável, contanto que os diferentes investidores trabalhem em conjunto, em benefício de uma finalidade comum, que consiste em garantir o acesso à água potável e ao saneamento para todos. Isto não contradiz o papel fundamental do Estado na promoção da realização do direito ao acesso à água potável e ao saneamento. Os vínculos entre as estratégias de desenvolvimento e as problemáticas relativas à distribuição, ao abastecimento e à participação nas questões hídricas devem ser entendidos com clarividência pelos responsáveis, uma vez que as suas decisões têm dissimuladas implicações para as pessoas que vivem na pobreza.

4. OUTORGA E A PRESERVAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS

Conforme já dito anteriormente, a agua é um bem de publico de uso coletivo, logo com a constituição federal de 1988, extinguiu-se o conceito de aguas privadas, atribuindo

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competência legislativa exclusiva á União, e possibilitando que um particular fizesse uso desses recursos como se privado fosse por meio das outorgas. Nesse diapasão Luciano Meneses Cardoso da Silva e Roberto Alves Monteiro afirmam que:

No que tange à exploração dos recursos hídricos, segundo o artigo 22, IV da Constituição de 1988, é de competência da União legislar sobre águas e energia, viabilizando a exploração dos “serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos d’água, em articulação com os Estados onde se situam os potenciais hidroenergéticos”, de forma direta ou por meio de concessão, permissão ou autorização (art. 21, XII,b). O artigo 176, §1º, veda autorizações ou concessões a estrangeiros ou sociedades organizadas fora do país. É nesse ponto que o instrumento da Outorga se mostra necessário, pois é possível, com ele, assegurar, legalmente, um esquema de alocação quali-quantitativa da água entre os diferentes usuários, contribuindo para um uso sustentável dos mananciais.6

A agua é um recurso natura com usos bem diversificados (abastecimento humano, dessedentação animal, irrigação, indústria, geração de energia elétrica, aquicultura, preservação ambiental, paisagismo, lazer, navegação, etc.) podem ser concorrentes, gerando conflitos entre setores usuários e impactos ambientais.

Nessa linha de pensamento, gerir recursos hídricos é uma necessidade que tem o objetivo regular demandas econômicas, sociais e ambientais por água em níveis sustentáveis, de forma permitir a convivência dos usos atuais e futuros da água.

No que diz respeito as características da Outorga, os autores Luciano Meneses Cardoso da Silva e Roberto Alves Monteiro, aduziram que:

A outorga deve ser vista como um instrumento de alocação de água entre os mais diversos usos dentro de uma bacia. Essa alocação (distribuição) de água deve buscar os seguintes objetivos mínimos: atendimento das necessidades ambientais, econômicas e sociais por água; redução ou eliminação dos conflitos entre usuários da água e possibilidade de que as demandas futuras também possam ser atendidas.

A alocação mencionada refere-se aos aspectos quantitativos, qualitativos e de distribuição temporal e espacial da água7.

5. COBRANÇA PELO USO D’AGUA.

6SILVA. Luciano Meneses Cardoso e MONTEIRO. Roberto Alves. OUTORGA DE DIREITO DE USO DE RECURSOS HÍDRICOS: UMA DAS POSSÍVEIS ABORDAGENS.pg.02. Artigo Cientifico Obtido em:

http://sigrh.sp.gov.br/sigrh/cobranca/pdf/leitura_04.pdf

7SILVA. Luciano Meneses Cardoso e MONTEIRO. Roberto Alves. OUTORGA DE DIREITO DE USO DE RECURSOS HÍDRICOS: UMA DAS POSSÍVEIS ABORDAGENS. Pg.03. Artigo Cientifico Obtido em:

http://sigrh.sp.gov.br/sigrh/cobranca/pdf/leitura_04.pdf

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A constituição Federal de 1988 inovou ao classificar a agua como bem d domínio publico e passível de cobrança pela sua utilização anormal, tal utilização refere-se a usos a destarte do que normalmente se usa. Ressalta-se que a agua é um insumo indispensável para a manutenção da vida humana e de todos os seres vivos, por isso que nem todo o uso é cobrado, pois, o que é passível de cobrança são as utilizações principalmente de cunho econômico, em processos produtivos desde a captação até o despejo de efluentes nos leitos de rios.

Devido o fato do Brasil ser um pais com uma elevadíssima carga tributaria, muitas pessoas tendem a confundir a tarifa de fornecimento de agua ou tratamento de esgoto com tributação, porem as tarifas não se assemelham em nada com as tarifas tributarias. Ocorre que com o advento da Constituição Federal de 1988, a “agua” passa a ser considerado um recurso natural finito, logo, passível de valoração econômica. Tais considerações tem por fundamento a preservação dos recursos hídricos para as futuras gerações, e também uma função didática, pois através da cobrança de uma tarifa pela prestação dos serviços, tende-se a estimular os indivíduos a racionalizar os consumo de agua.

No tocante dos serviços de saneamento básico, cabe novamente ressaltar que não é cobrado a agua que chega a residência, nem o despejo dos dejetos da residência em leitos de agua, mas sim os serviços necessários utilizados para possibilitar o fornecimento de agua e tratamento de esgoto. Como por exemplo a captação, tubulação, transporte, tratamento de dejetos, etc.

A agua é um bem publico de uso difuso e coletivo, logo qualquer cobrança está claramente relacionada com o fornecimento dos serviços de saneamento. É em caso de uso em atividades produtivas, está relacionada com a “democracia”, pois se um cidadão faz uso além da normalidade de um bem publico visando lucro financeiro, é pois justo pagar por isso.

CONCLUSÃO

A agua sempre foi e sempre será um elemento natural essência não só para a manutenção da vida humana, mais para toda forma de vida no planeta, ocorre que os seres

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humanos só se atentaram para a importância de se preservar esse recurso após anos de degradação.

Hoje vários instrumentos já tendem a dar maior proteção aos recursos hídricos, hoje o uso da agua já vem sendo regulado conforme sua finalidade, a partir dai atrbui-se uma valoração econômica e o individuo que for fazer uso diversificado dos recursos hídricos terão de pagar mais por isso.A participação pública e particular pode desempenhar um papel importante na oferta do acesso à água potável, contanto que os diferentes investidores trabalhem em conjunto, em benefício de uma finalidade comum, que consiste em garantir o acesso à água potável e ao saneamento para todos. Isto não contradiz o papel fundamental do Estado na promoção da realização do direito ao acesso à água potável e ao saneamento. Os vínculos entre as estratégias de desenvolvimento e as problemáticas relativas à distribuição, ao abastecimento e à participação nas questões hídricas devem ser entendidos com clarividência pelos responsáveis, uma vez que as suas decisões têm dissimuladas implicações para as pessoas que vivem na pobreza.

REFERÊNCIAS

BELTRAO. Antônio F.G. Direito Ambiental. 3ª.ed. Método. São Paulo. 2011.pg.20

FREITAS, Vladimir Passos de. Águas: Aspectos Jurídicos e Ambientais. 3ª Ed. Curitiba:

Juruá, 2010. p.3.

INTERVENÇÃO DA SANTA SÉ NO IV FORO MUNDIAL SOBRE A ÁGUA .Água, elemento essencial para a vida. Obtido em:

http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/justpeace/documents/rc_pc_ju stpeace_doc_20060322_mexico-water_po.html

SILVA. Luciano Meneses Cardoso e MONTEIRO. Roberto Alves. OUTORGA DE DIREITO DE USO DE RECURSOS HÍDRICOS: UMA DAS POSSÍVEIS ABORDAGENS.pg.02. Artigo Cientifico Obtido em:

http://sigrh.sp.gov.br/sigrh/cobranca/pdf/leitura_04.pdf

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