UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA COLÉGIO POLITÉCNICO DA UFSM
CURSO TÉCNICO EM GEOPROCESSAMENTO
Batista Roi Cruz Rodrigues
ESPACIALIZAÇÃO DAS OCORRÊNCIAS DOS CRIMES AMBIENTAIS ATENDIDOS NA ÁREA DE ATUAÇÃO DO 1º PEL/ 1ª CIA DO 2º BATALHÃO AMBIENTAL DA BRIGADA MILITAR/RS, ENTRE 2014 A 2015
RELATÓRIO FINAL DE ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO
Santa Maria, RS, Brasil
2016
Batista Roi Cruz Rodrigues
ESPACIALIZAÇÃO DAS OCORRÊNCIAS DOS CRIMES AMBIENTAIS ATENDIDOS NA ÁREA DE ATUAÇÃO DO 1º PEL/1ª CIA DO 2º BATALHÃO
AMBIENTAL DA BRIGADA MILITAR/RS, ENTRE 2014 A 2015
Relatório de estágio profissional apresentado ao Curso Técnico em Geoprocessamento do Colégio Politécnico da UFSM, como requisito parcial para a obtenção do título de Técnico em Geoprocessamento
Orientador: Prof. Dr. Alessandro Carvalho Miola
Supervisor: Ten Cel QOEM Luiz Antonio de Oliveira Floresta
Santa Maria, RS, Brasil 2016
Batista Roi Cruz Rodrigues
ESPACIALIZAÇÃO DAS OCORRÊNCIAS DOS CRIMES AMBIENTAIS ATENDIDOS NA ÁREA DE ATUAÇÃO DO 1º PEL/1ª CIA DO 2º BATALHÃO
AMBIENTAL DA BRIGADA MILITAR/RS, ENTRE 2014 A 2015
Relatório de estágio profissional apresentado ao Curso Técnico em Geoprocessamento do Colégio Politécnico da UFSM, como requisito parcial para a obtenção do título de Técnico em Geoprocessamento
Aprovado em 28 de dezembro de 2016:
__________________________________________
Prof. Dr. Alessandro Carvalho Miola (Presidente/Orientador)
___________________________________________
Ana Caroline Paim Benedetti, Drª. (UFSM)
___________________________________________
Valmir Viera, Dr. (UFSM)
Santa Maria, 2016.
RESUMO
Universidade Federal de Santa Maria Curso Técnico em Geoprocessamento
Colégio Politécnico da Universidade Federal de Santa Maria Relatório de Estágio
ESPACIALIZAÇÃO DAS OCORRÊNCIAS DOS CRIMES AMBIENTAIS ATENDIDOS NA ÁREA DE ATUAÇÃO DO 1º PEL/1ª CIA DO 2º BATALHÃO
AMBIENTAL DA BRIGADA MILITAR/RS, ENTRE 2014 A 2015 AUTOR: Batista Roi Cruz Rodrigues
ORIENTADOR: Alessandro Carvalho Miola Santa Maria, 28 de dezembro de 2016
O Estágio Supervisionado, de 200 horas como requisito parcial para a formação no Curso Técnico em Geoprocessamento do Colégio Politécnico da UFSM, foi desenvolvido no 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar no município de Santa Maria - RS, região central do Rio Grande do Sul. Na sede deste Batalhão foram realizadas atividades que tiveram como objetivo coletar dados geográficos referentes às ocorrências de crimes ambientais, atendidas pelo efetivo do 1º Pelotão Ambiental do 2º BABM, mediante a pesquisa documental e banco de dados do Sistema de Informações Gerenciais da Brigada Militar (SIGBM). A realização do estágio supervisionado permitiu ampliar os conhecimentos sobre os fundamentos das técnicas de geoprocessamento, bem como, a dinâmica da conduta criminal dos infratores da legislação ambiental. A contínua convivência com os profissionais da segurança pública permitiram uma experiência salutar, pois houve a interação com as equipes de trabalhos de fiscalização ambiental, assim como com as equipes administrativas, responsáveis pela dinâmica de pessoal, informações, ensino – treinamento, recursos materiais e financeiros da estrutura organizacional do batalhão em trabalhos de campo e ou gabinete, aprendizados estes que nem sempre são possíveis de se obter em sala de aula. Neste sentido, o estágio supervisionado teve por objetivo realizar um diagnóstico da distribuição espacial das ocorrências Ambientais atendidas pelo efetivo do 1º Pelotão Ambiental da 1ª Cia Ambiental do 2º BABM em sua área de abrangência, ou seja, em (24) vinte e quatro municípios da Região Central e Campanha, utilizando as Tecnologias da Geoinformação. Por fim, foram aplicadas técnicas estatísticas, como a Estimativa de Densidade de Kernel, para a espacialização de dados no ambiente de SIG. A concentração desses pontos, na área de estudo evidenciou as áreas “quentes’’, onde há uma maior incidência de ocorrências, permitindo assim que fossem realizadas as análises e a identificação dos locais onde ocorrem o maior número de ocorrências ambientais. Finalmente, os mapas produzidos neste trabalho expressam a realidade da atuação do 1º Pelotão do 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar no combate aos crimes ambientais e servirão de subsídios para o planejamento estratégico das ações operacionais deste Batalhão.
Palavras-chave: Estágio, crimes ambientais, geoprocessamento, fiscalização ambiental, distribuição espacial.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Sede do 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar. ... 13
Figura 2 – Articulação Operacional do Comando Ambiental da Brigada Militar... 14
Figura 3 – Articulação organizacional do 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar ... 15
Figura 4 – Articulação Operacional do 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar ... 16
Figura 5: Procedimento no Atendimento de Ocorrência ... 45
Figura 6: Estimador Kernel ... 45
Figura 7: Esquema básico do estimador de densidade Kernel ... 45
Figura 8 Área de responsabilidade territorial do 1º Pel/1ª Cia/2º BABM. ... 49
Figura 9: Mapa de Plotagem de Coordenadas Geográficas ... 52
Figura 10: Mapa de densidade de Kernel ... 53
Figura 11: Total de procedimentos realizados no período de 2014 a 2015 na área do 1º Pelotão Ambiental do 2º BABM. ... 57
LISTA DE QUADROS
Quadro 1: Tipos de ocorrências ambientais registradas e classificadas. ... 49 Quadro 2: Estimativa da população residente nos municípios da área de responsabilidade territorial do 1º Pelotão da1ª Cia Ambiental do 2º BABM. ... 55 Quadro 3: Total de procedimentos realizados pelo efetivo do 1º Pelotão Ambiental do 2º BABM ... 56
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
1º BABM – 1º Batalhão Ambiental da Brigada Militar 2º BABM - 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar 3º BABM - 3º Batalhão Ambiental da Brigada Militar 1ª Cia – 1ª Companhia
2ª Cia – 2ª Companhia 1º Pel – 1º Pelotão
APFD - Auto de Prisão em Flagrante Delito Arts - Artigos
BOCOp – Boletins de ocorrência – Comunicação de ocorrência policial BOTC - Boletins de ocorrência – Termo Circunstanciado
CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente CONSEMA – Conselho Estadual de Meio Ambiente CVMI – Corpo Voluntário de Militar Inativo
DP- Delegacia de Polícia
EIA – Estudo do Impacto Ambiental EMBM – Estado Maior da Brigada Militar
FEPAM – Fundação Estadual de Proteção Ambiental
IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis JEC - Juizado Especial Criminal
Maj - Major
ONGs – Organização não governamental QOEM – Quadro de Oficiais do Estado Maior RIMA – Relatório de Impacto Ambiental Ten Cel – Tenente Coronel
UFSM –Universidade Federal de Santa Maria
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ... 9
1.1 JUSTIFICATIVA ... 10
1.2 OBJETIVOS ... 11
1.2.1 Objetivo Geral ... 11
1.2.2 Objetivos Específicos ... 12
1.3 IDENTIFICAÇÃO DA INSTITUIÇÃO ... 12
1.3.1 Histórico ... 13
3. REVISÃO DE LITERATURA ... 17
3.1 TIPOS DE CRIMES AMBIENTAIS ... 19
3.1.1 Contra a fauna (Art. 29 a 37): ... 19
3.1.2 Contra a flora (Art. 38 a 53): ... 21
3.1.3 Poluição e outros crimes ambientais (art. 54 a 61): ... 25
3.1.4 Contra o ordenamento urbano e o patrimônio cultural (art. 62 a 65): ... 27
3.1.5 Administração Ambiental (art. 66 a 69): ... 28
3.1.6 Infração Administrativa ... 29
3.1.7 O Licenciamento Ambiental ... 32
3.1.8 A Fiscalização de polícia ... 37
3.1.9 Infrações penais de menor potencial ofensivo ... 38
3.1.9.1 Termo Circunstânciado / BO-TC ... 38
3.1.9.2 Comunicação de Ocorrência Policial BO-COP ... 38
3.1.9.3 Registro DP ... 38
4. GNSS E SUA APLICAÇÃO NA ESPACIALIZAÇÃO DE DADOS ... 40
4.1. ANÁLISE ESPACIAL DE EVENTOS ... 42
5. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS ... 47
5.1 PESQUISA DE GABINETE . ... Erro! Marcador não definido. 5.2 ORGANIZAÇÃO DOS DADOS ESTATÍSTICOS ... 47
5.3 LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO ... 49
5.4 ESTRUTURAÇÃO DE DADOS PARA A ESPACIALIZAÇÃO ... 49
6. RESULTADOS ... 51
7. CONCLUSÃO ... 58
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 59
1. INTRODUÇÃO
Atendendo as diretrizes curriculares do Curso Técnico em Geoprocessamento do Colégio Politécnico da UFSM, o presente relatório de estágio supervisionado foi realizado junto à 3ª Seção do Estado Maior do 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul.
Neste Contexto, o 2º BABM é um órgão militar que faz parte do Comando Ambiental da Brigada Militar, o qual está estruturado em 03 (três) Batalhões Ambientais, ou seja, 1º BABM com sede em Porto Alegre, 2º BABM com sede em Santa Maria e 3º BABM com sede em Passo Fundo.
No Rio Grande do Sul, assim como no município de Santa Maria, as questões ambientais, em especial as atividades relacionadas à fiscalização ambiental realizada pelo 2º Batalhão Ambiental, têm por objetivo fazer cumprir a legislação ambiental federal prevista na Carta Magna e leis ambientais estaduais e municipais.
O foco da atuação do profissional de Segurança Pública na área ambiental é fazer cumprir a legislação ambiental em todas as atividades produtivas do ser humano, orientar e participar das diversas atividades relativas à Educação Ambiental, participar de atividades de levantamento ambiental em áreas rurais e urbanas.
A fiscalização e a aplicação da legislação ambiental tem um cunho educativo, pois o infrator, após ser autuado por infração ambiental, já inicia um processo de reeducação analisando os erros cometidos e a predisposição de iniciar o controle ambiental na área de sua propriedade.
A presença humana mudou o sistema de vida no planeta, pois o homem alterou as relações das cadeias ecológicas do meio ambiente, no qual deixou de ser produto do meio e passou a ser sujeito sobre todas as coisas, marcando assim o meio em que vive como sendo o resultado de sua vontade.
Entretanto, para que atividades econômicas possam ser desenvolvidas sem comprometer a qualidade do meio ambiente as atividades potencialmente poluidoras ou degradadoras têm sido licenciadas por órgãos federais, estaduais e municipais. Cumpre referir que respaldados na Constituição Federal, as atividades de impacto local devem ser licenciadas pelos órgãos municipais.
Em síntese, o 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar, como órgão do Poder Público, vem desenvolvendo desde sua criação atividades de fiscalização ambiental, sua
principal atividade, onde através de trabalhos de campo, realiza vistorias de denúncias da população, bem como, realiza vistorias a pedido do Ministério Público e outros órgãos, como IBAMA, FEPAM, Delegacias de Polícias entre outros, referentes a delitos ambientais em toda a sua área de atuação.
1.1 JUSTIFICATIVA
O ser humano vem realizando suas relações com o meio ambiente de forma, muitas vezes, insustentáveis e sempre crescentes de utilização de recursos ambientais, como por exemplo, pode-se citar: a remoção de florestas para a utilização da madeira, para seus diversos fins; bem como a má utilização dos recursos hídricos na agricultura irrigada. A utilização do solo e da água sem a observância da legislação e práticas conservacionistas para o desenvolvimento das atividades agrícolas e pecuárias vem causando a redução do volume dos rios; das matas e florestas, estas em última instância o reduto da biodiversidade florística e faunística.
Assim sendo, a necessidade de um diagnóstico geoespacial para compreender o fenômeno de exploração e ou destruição dos componentes bióticos e abióticos do meio ambiente pelas atividades antrópicas torna-se essencial para coibir, regrar e ou impedir a ação humana.
A ação do ser humano, construindo e reconstruindo o espaço físico vem ocasionando profundas transformações nas relações do homem para com o meio ambiente. No entanto, ao utilizar os recursos naturais sem os conhecimentos técnicos e ou científicos ocasionam o colapso das relações harmônicas desse meio.
Neste sentido, instrumentos de controle foram criados a fim de colocar regras de utilização do meio ambiente, tais como o Licenciamento Ambiental. Por outro viés, a fiscalização ambiental realizada por agentes públicos municipais, estaduais ou federais têm suas atribuições e suas competências definidas em cada ente fiscalizador.
O propósito do estágio do Curso Técnico em Geoprocessamento do Colégio Politécnico da UFSM é despertar na formação de seu futuro profissional valores como ética, compromisso, aprimoramento técnico profissional, junto aos gestores administrativos de instituições públicas e empresariais.
O estagio é um ato educativo, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa a preparação do trabalho produtivo de educandos que estejam frequentando o ensino regular em instituições de ensino superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação
especial e dos anos finais do ensino fundamental, assim como, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos.
A motivação para o desenvolvimento do estágio no 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar deve-se ao fato do estagiário fazer parte da corporação Brigada Militar e fazer parte do efetivo do 2º BABM. Além disso, atuar na fiscalização dos crimes contra o meio ambiente.
O 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar, vêm atuando no combate aos crimes ambientais na sua área de abrangência desde a sua fundação e estruturação, porém necessitando espacializar as ocorrências atendidas para uma melhor gestão administrativa e operacional.
O mapeamento dos crimes como um todo, é um instrumento importante ao combate da criminalidade pelos Órgãos de Segurança Pública (Polícia, Federal, Brigada Militar, Polícia Civil, entre outros).
Entretanto, sua estrutura interna carece de uma equipe técnica para atualizar, analisar e realizar os diagnósticos geoespaciais das ocorrências em uma base cartográfica georreferenciada em um Sistema de Informações Geográficas (SIG). A construção de um SIG depende, além disso, de um conjunto de equipamentos, sistemas, pessoas e meios tecnológicos que possibilitem estudar o espaço terrestre com foco em demandas da sociedade, tais como os problemas supra expostos e que foram abordados durante o estágio.
Enfim, diversas ocorrências têm sido atendidas pelo seu efetivo do 2º BABM, entretanto, em virtude da falta de recursos materiais, financeiros e pessoal técnico especializado pouco se tem realizado em relação à espacialização das ocorrências de crimes ambientais na área de abrangência do 2º BABM.
1.2 OBJETIVOS
Diante do exposto, este trabalho pretende examinar as ações administrativas decorrentes da fiscalização ambiental efetuada pelo órgão estadual, aqui representado pelo 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul, dando ciência a quantificação de ocorrências fiscalizadas pelo referido órgão público com a consequente análise de seus resultados.
1.2.1 Objetivo Geral
Diagnosticar a representatividade espacial das ocorrências ambientais atendidas pelo efetivo do 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar no contexto do combate aos crimes ambientais na área de atuação do 1º Pel/1ª Cia/2º BABM.
1.2.2 Objetivos Específicos
1. Delimitar a área de responsabilidade territorial do 2º BABM;
2. Delimitar as frações do 1º Pel/1ª Cia/ 2º BABM;
3. Quantificar o número de ocorrências ambientais por tipos;
4. Tipificar e espacializar as ocorrências registradas no banco de dados do 2º BABM.
1.3 IDENTIFICAÇÃO DA INSTITUIÇÃO
Nome: 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar.
Endereço: Rua Antonio Gonçalves do Amaral nº. 1100, Bairro São José.
CEP: 97110070.
Município: Santa Maria – Rio Grande do Sul.
Contato (55) 32861455; (55)32217372.
Horário de Funcionamento:
Expediente Administrativo: De Segunda a Sexta-feira: Das 12:30 às 18:30 horas.
Atividade Operacional: De Segunda a Domingo: Das 07:00 às 19:00 horas.
Neste sentido, a fim evidenciar a sede do comando do 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar, a figura 01abaixo elencada, apresenta a sede do comando do 2º BABM.
Figura 01 – Sede do 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar.
Fonte: 2º BABM
1.3.1 Histórico
A atividade de Policiamento Ambiental na Brigada Militar desenvolveu-se a partir de 1989, quando foi firmado Convênio com o Instituto Brasileiro dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), através do Grupamento Ambiental, sediado no 4º Regimento de Policia Montado, em Porto Alegre.
No ano de 1997, o Decreto Estadual nº 34.440, cria o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) em Porto Alegre, com a finalidade de zelar pela segurança pública e pelo cumprimento da legislação ambiental para a proteção do meio ambiente, desencadeando ações de fiscalização e vistorias, que se traduzem no exercício do poder de polícia, e também desenvolve atividades de educação ambiental, visando sensibilizar crianças, adolescentes e adultos para uma tomada de consciência crítica no trato das questões ambientais, como fonte de solução para os problemas garantindo uma melhoria na qualidade ambiental e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida das presentes e futuras gerações (BERTOLDO, 2007 Apud GUIMARÃES, 2009, p. 15).
O Batalhão de Polícia Ambiental, sediado em Porto Alegre, passou a ter responsabilidade em desenvolver as atividades de policiamento ambiental em todo o Estado do Rio Grande do Sul, quando iniciou a sua estruturação através da instalação da 1ª Companhia de Polícia Ambiental, cuja responsabilidade seria de desenvolver a fiscalização ambiental na grande Porto Alegre e Região Metropolitana.
Em Santa Maria, no ano de 1993, foram realizados na sede do 1º Regimento de Policia Montado, o primeiro estágios de Especialização em Policiamento Ambiental, capacitando os policiais militares a desempenharem atividades de fiscalização ambiental.
Em 1994, foram criadas as Patrulhas Ambientais subordinadas as unidades operacionais, momento em que os policiais capacitados através de Estágio de Especialização em Policiamento Ambiental iniciaram a fiscalização ambiental juntamente com o combate ao abigeato, através da criação da Patrulha Rural.
No dia 15 de maio de 2001, através da Portaria nº 100/EMBM/2001, editada pelo Comandante Geral da Brigada Militar, foi criado a 2º Companhia de Polícia Ambiental (2ª Cia PA), tendo como sede o município de Santa Maria. A estrutura da 2ª Cia PA era composta por 45 (quarenta e cinco) policiais militares, com cursos e estágios em policiamento ambiental, tendo a responsabilidade pela fiscalização em municípios da região Central, Alto Jacuí, Vale do Rio Pardo e Fronteira Noroeste.
Na data de 15 de julho de 2005, através da Portaria nº 179/ EMBM/2005, editada pelo Comandante Geral da Brigada Militar, foi instalado o Comando Ambiental da Brigada Militar (CABM) e seus três Batalhões, conforme pode ser visualizada na figura 02, a seguir:
Figura 02 – Articulação Operacional do Comando Ambiental da Brigada Militar.
Fonte: http://www.intranetbm.rs.gov.br
A cerimônia de instalação do 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar (2º BABM) foi realizada no dia 30 de junho, na sede do 4º Grupamento de Combate a Incêndio no Município de Santa Maria. Na ocasião, assumiu o comando do 2º BABM o Maj QOEM Ademar Grasel, comandante da extinta 2ª Companhia do Batalhão de Polícia Ambiental.
O 2º BABM é atualmente comandado pelo Ten Cel QOEM, Sr. Luiz Antonio de Oliveira Floresta, que é o responsável pela administração da unidade. O 2º BABM está estruturado em (02) duas companhias ambientais e de (01) um Estado Maior (1ª Seção, 2ª Seção, 3ª Seção e 4ª Seção), e efetivo CVMI num total de (14) catorze policiais militares.
A estrutura organizacional do 2º BABM é composta por 02 (duas) companhias ambientais, a 1ª e 2ª Companhia Ambiental que contam atualmente com (96) noventa e seis policiais militares, é comandada pelo Capitão QOEM, Antonio Marcos Silveira Moreira.
A 1ª Companhia Ambiental está estruturada em (04) quatro pelotões, com as respectivas sedes nos municípios de Santa Maria, Rio Pardo, Santana do Livramento e Uruguaiana. A 2ª Companhia Ambiental está estruturada em (02) dois Pelotões, com as respectivas sedes nos municípios de Cruz Alta e Santo Ângelo, conforme pode ser visualizada na figura 03, a seguir:
Figura 03 – Articulação organizacional do 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar
Fonte: 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar
2º BABM Santa Maria
1ª Cia Santa Maria
1º Pelotão Santa Maria
1º GPA Santa Maria
2º GPA Santa Maria
3º GPA São Gabriel
2º Pelotão Rio Pardo
1º GPA Rio Pardo
2º GPA Cachoeira do
Sul
3º Pelotão S. do Livramento
1º GPA S. do Livramento
2º GPA Bagé
4º Pelotão Uruguaiana
1º GPA Uruguaiana
2º GPA Alegrete
2ª Cia Cruz Alta
1º Pelotão Cruz Alta
1º GPA Cruz Alta
2º GPA Salto do Jacuí (Não Instalado)
2º Pelotão Santo Ângelo
1º GPA Santo Angelo
2º GPA Santiago
3º GPA Ijuí (Não Instalado)
O 2º BABM tem sob sua responsabilidade uma área territorial de 1.240,925 km², onde atua na fiscalização de 115 (cento e quinze) municípios, abrangendo as regiões: Central, Alto Jacuí, Baixo Jacuí, Vale do Rio Pardo, Fronteira Oeste e Campanha do Rio Grande do Sul.
Possui o efetivo de 110 (cento e dez) policiais militares, distribuídos em 11 (onze) frações de Polícia Ambiental, atuando nas atividades de fiscalização e educação ambiental. A seguir, na figura 04, evidencia a articulação operacional do 2º BABM.
Figura 4 – Articulação Operacional do 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar
Fonte: Elaborado pelo autor.
A Área do 1º Pelotão da 1ª Cia Ambiental, objeto de estudo, está estruturada em (03) três Grupos de Policiamento Ambientais, com um total de 16 dezesseis policiais militares que atuam nas atividades de fiscalização e controle ambiental, em (24) vinte e quatro municípios, observando assim o fiel cumprimento da legislação ambiental em vigor.
3. REVISÃO DE LITERATURA
Observa-se que as questões ambientais vêm se destacando diariamente na mídia, bem como despertando intensa preocupação por parte de segmentos da sociedade que estão voltados à defesa e proteção ambiental, como KFW, Greenpeace, etc., visto que a forma de exploração e degradação ambiental atingiram, nos últimos tempos, patamares alarmantes devido às irresponsabilidades praticadas nas últimas décadas.
A utilização dos recursos naturais por parte do ser humano torna-se objeto de primordial importância para o levantamento das potencialidades de cada área ou região, face às transformações ambientais que ocorrem no meio urbano e rural.
Diante dessa perspectiva, a fim de regrar a utilização do espaço geográfico pelo homem, o governo brasileiro sancionou a Lei Federal 6.938/81, Política Nacional do Meio Ambiente, o qual trouxe os conceitos sobre meio ambiente, poluição, poluidor e recursos naturais, dispondo sobre questões atinentes ao licenciamento ambiental em seu art. 10.
(BRASIL, 1981).
Posteriormente a Lei Federal 7347/85, lei da ação civil pública que instrumentalizou a defesa do meio ambiente, antes restrita ao poder de polícia administrativa, ao direito de vizinhança e a ação popular. (BRASIL, 1985).
O meio ambiente, referendado no Art. 225 da Constituição Federal, revela que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para às presentes e futuras gerações”. Este reconhecimento impôs ao Poder Público e à coletividade a responsabilidade pela proteção ambiental. (BRASIL, 1989).
Crime é uma violação do direito, assim sendo, será um crime ambiental todo e qualquer dano ou prejuízo causado aos elementos que compõem o ambiente, como a flora, fauna, recursos naturais e o patrimônio cultural, etc.
Ao se violar um direito protegido, este será objeto de crime. Assim sendo, todo crime é passível de medida repressiva, pois é regulamentado por lei. O meio ambiente é protegido pela Lei Fed. 9.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais), que determina as sanções administrativas, cíveis e penais, derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente.
Com o surgimento da Lei de Crimes Ambientais, a legislação ambiental no que toca à proteção ao meio ambiente é centralizada. As penas passaram a ter uniformização e gradação
adequadas e as infrações são claramente definidas. Contrário ao que ocorria no passado, a lei define a responsabilidade das pessoas jurídicas, permitindo que grandes empresas sejam responsabilizadas criminalmente pelos danos que seus empreendimentos possam causar à natureza. Matar animais continua sendo crime, exceto para saciar a fome do agente ou da sua família; os maus tratos, as experiências dolorosas ou cruéis, o desmatamento não autorizado, a fabricação, venda, transporte ou soltura de balões, hoje são crimes que sujeitam o infrator à prisão.
Além das agressões que ultrapassam os limites estabelecidos por lei, também são considerados crimes ambientais as condutas que ignoram normas ambientais, mesmo que não sejam causados danos ao meio ambiente. É o caso dos empreendimentos sem a devida licença ambiental. Neste caso, há a desobediência a uma exigência da legislação ambiental e, por isso, ela é passível de punição por multa e/ou detenção.
As penas previstas pela Lei de Crimes Ambientais são aplicadas conforme a gravidade da infração: quanto mais reprovável a conduta, mais severa a punição. Ela pode ser privativa de liberdade, onde o sujeito condenado deverá cumprir sua pena em regime penitenciário;
restritiva de direitos, quando for aplicada ao sujeito em substituição à prisão penalidades como a prestação de serviços à comunidade, interdição temporária de direitos, suspensão de atividades, prestação pecuniária e recolhimento domiciliar ou multa.
A pessoa jurídica infratora, que viola um direito ambiental, não pode ter sua liberdade restringida da mesma forma que uma pessoa comum, mas é sujeita a penalizações. Neste caso, aplicam-se as penas de multa e/ou restritivas de direitos, que são: a suspensão parcial ou total das atividades; interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade; a proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter subsídios, subvenções ou doações.
Também é possível a prestação de serviços à comunidade através de custeio de programas e de projetos ambientais; execução de obras de recuperação de áreas degradadas; contribuições a entidades ambientais ou culturais públicas.
Diante de um crime ambiental, a Ação Civil Pública é o instrumento jurídico que protege o meio ambiente. O objetivo da ação é a reparação do dano onde ocorreu a lesão dos recursos ambientais. Podem propor esta ação o Ministério Público, Defensoria Pública, União, Estado, Município, empresas públicas, fundações, etc., com a finalidade de proteção ao meio ambiente.
Como forma de melhor esclarecer a tipificação dos crimes ambientais, a seguir é elencado os principais artigos dos crimes ambientais tipificados na Lei Fed. 9.605/98.
3.1 TIPOS DE CRIMES AMBIENTAIS
De acordo com a Lei de Crimes Ambientais (Lei n.º 9.605/98), os crimes ambientais são classificados em cinco tipos diferentes:
3.1.1 Contra a fauna (Art. 29 a 37):
São as agressões cometidas contra animais silvestres, nativos ou em rota migratória, como a caça, pesca, transporte e a comercialização sem autorização; os maus-tratos; a realização experiências dolorosas ou cruéis com animais quando existe outro meio, independente do fim.
Art. 29. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida:
Pena - detenção de seis meses a um ano, e multa.
§ 1º Incorre nas mesmas penas:
I - quem impede a procriação da fauna, sem licença, autorização ou em desacordo com a obtida;
II - quem modifica, danifica ou destrói ninho, abrigo ou criadouro natural;
III - quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire, guarda, tem em cativeiro ou depósito, utiliza ou transporta ovos, larvas ou espécimes da fauna silvestre, nativa ou em rota migratória, bem como produtos e objetos dela oriundos, provenientes de criadouros não autorizados ou sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente.
§ 2º No caso de guarda doméstica de espécie silvestre não considerada ameaçada de extinção, pode o juiz, considerando as circunstâncias, deixar de aplicar a pena.
§ 3° São espécimes da fauna silvestre todos aqueles pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham todo ou parte de seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiro, ou águas jurisdicionais brasileiras.
§ 4º A pena é aumentada de metade, se o crime é praticado:
I - contra espécie rara ou considerada ameaçada de extinção, ainda que somente no local da infração;
II - em período proibido à caça;
III - durante a noite;
IV - com abuso de licença;
V - em unidade de conservação;
VI - com emprego de métodos ou instrumentos capazes de provocar destruição em massa.
§ 5º A pena é aumentada até o triplo, se o crime decorre do exercício de caça profissional.
§ 6º As disposições deste artigo não se aplicam aos atos de pesca. (BRASIL, 1998).
Art. 30. Exportar para o exterior peles e couros de anfíbios e répteis em bruto, sem a autorização da autoridade ambiental competente:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. (BRASIL, 1998).
Art. 31. Introduzir espécime animal no País, sem parecer técnico oficial favorável e licença expedida por autoridade competente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. (BRASIL, 1998).
Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.
Art. 33. Provocar, pela emissão de efluentes ou carreamento de materiais, o perecimento de espécimes da fauna aquática existentes em rios, lagos, açudes, lagoas, baías ou águas jurisdicionais brasileiras:
Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas cumulativamente.
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas:
I - quem causa degradação em viveiros, açudes ou estações de aqüicultura de domínio público;
II - quem explora campos naturais de invertebrados aquáticos e algas, sem licença, permissão ou autorização da autoridade competente;
III - quem fundeia embarcações ou lança detritos de qualquer natureza sobre bancos de moluscos ou corais, devidamente demarcados em carta náutica. (BRASIL, 1998).
Art. 34. Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados por órgão competente:
Pena - detenção de um ano a três anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem:
I - pesca espécies que devam ser preservadas ou espécimes com tamanhos inferiores aos permitidos;
II - pesca quantidades superiores às permitidas, ou mediante a utilização de aparelhos, petrechos, técnicas e métodos não permitidos;
III - transporta, comercializa, beneficia ou industrializa espécimes provenientes da coleta, apanha e pesca proibidas. (BRASIL, 1998).
Art. 35. Pescar mediante a utilização de:
I - explosivos ou substâncias que, em contato com a água, produzam efeito semelhante;
II - substâncias tóxicas, ou outro meio proibido pela autoridade competente:
Pena - reclusão de um ano a cinco anos. (BRASIL, 1998).
Art. 36. Para os efeitos desta Lei, considera-se pesca todo ato tendente a retirar, extrair, coletar, apanhar, apreender ou capturar espécimes dos grupos dos peixes, crustáceos, moluscos e vegetais hidróbios, suscetíveis ou não de aproveitamento econômico, ressalvadas as espécies ameaçadas de extinção, constantes nas listas oficiais da fauna e da flora.
(BRASIL, 1998).
Art. 37. Não é crime o abate de animal, quando realizado:
I - em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua família;
II - para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória ou destruidora de animais, desde que legal e expressamente autorizado pela autoridade competente;
III – (VETADO)
IV - por ser nocivo o animal, desde que assim caracterizado pelo órgão competente.
(BRASIL, 1998).
3.1.2 Contra a flora (Art. 38 a 53):
São as agressões cometidas contra a vegetação, matas e florestas.
Art. 38. Destruir ou danificar floresta considerada de preservação permanente, mesmo que em formação, ou utilizá-la com infringência das normas de proteção:
Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.
Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade. (BRASIL, 1998).
Art. 38-A. Destruir ou danificar vegetação primária ou secundária, em estágio avançado ou médio de regeneração, do Bioma Mata Atlântica, ou utilizá-la com infringência das normas de proteção: (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006).
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006).
Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade. (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006). (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006). (BRASIL, 1998).
Art. 39. Cortar árvores em floresta considerada de preservação permanente, sem permissão da autoridade competente:
Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. (BRASIL, 1998).
Art. 40. Causar dano direto ou indireto às Unidades de Conservação e às áreas de que trata o art. 27 do Decreto nº 99.274, de 6 de junho de 1990, independentemente de sua localização:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
§ 1o Entende-se por Unidades de Conservação de Proteção Integral as Estações Ecológicas, as Reservas Biológicas, os Parques Nacionais, os Monumentos Naturais e os Refúgios de Vida Silvestre. (Redação dada pela Lei nº 9.985, de 2000).
§ 2o A ocorrência de dano afetando espécies ameaçadas de extinção no interior das Unidades de Conservação de Proteção Integral será considerada circunstância agravante para a fixação da pena. (Redação dada pela Lei nº 9.985, de 2000).
§ 3º Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade. (BRASIL, 1998).
Art. 40-A. (VETADO). (Redação dada pela Lei nº 9.985, de 2000).
§ 1o Entende-se por Unidades de Conservação de Uso Sustentável as Áreas de Proteção Ambiental, as Áreas de Relevante Interesse Ecológico, as Florestas Nacionais, as Reservas Extrativistas, as Reservas de Fauna, as Reservas de Desenvolvimento Sustentável e as Reservas Particulares do Patrimônio Natural. (Redação dada pela Lei nº 9.985, de 2000).
§ 2o A ocorrência de dano afetando espécies ameaçadas de extinção no interior das Unidades de Conservação de Uso Sustentável será considerada circunstância agravante para a fixação da pena. (Redação dada pela Lei nº 9.985, de 2000).
§ 3o Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade. (Redação dada pela Lei nº 9.985, de 2000). (BRASIL, 1998).
Art. 41. Provocar incêndio em mata ou floresta:
Pena - reclusão, de dois a quatro anos, e multa.
Parágrafo único. Se o crime é culposo, a pena é de detenção de seis meses a um ano, e multa. (BRASIL, 1998).
Art. 42. Fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios nas florestas e demais formas de vegetação, em áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano: (BRASIL, 1998).
Pena - detenção de um a três anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.
Art. 44. Extrair de florestas de domínio público ou consideradas de preservação permanente, sem prévia autorização, pedra, areia, cal ou qualquer espécie de minerais:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. (BRASIL, 1998).
Art. 45. Cortar ou transformar em carvão madeira de lei, assim classificada por ato do Poder Público, para fins industriais, energéticos ou para qualquer outra exploração, econômica ou não, em desacordo com as determinações legais:
Pena - reclusão, de um a dois anos, e multa. (BRASIL, 1998).
Art. 46. Receber ou adquirir, para fins comerciais ou industriais, madeira, lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal, sem exigir a exibição de licença do vendedor, outorgada pela autoridade competente, e sem munir-se da via que deverá acompanhar o produto até final beneficiamento:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem vende, expõe à venda, tem em depósito, transporta ou guarda madeira, lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal, sem licença válida para todo o tempo da viagem ou do armazenamento, outorgada pela autoridade competente. (BRASIL, 1998).
Art. 48. Impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas de vegetação:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. (BRASIL, 1998).
Art. 49. Destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou meio, plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em propriedade privada alheia:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.
Parágrafo único. No crime culposo, a pena é de um a seis meses, ou multa. (BRASIL, 1998).
Art. 50. Destruir ou danificar florestas nativas ou plantadas ou vegetação fixadora de dunas, protetora de mangues, objeto de especial preservação:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. (BRASIL, 1998).
Art. 50-A. Desmatar, explorar economicamente ou degradar floresta, plantada ou nativa, em terras de domínio público ou devolutas, sem autorização do órgão competente: (Incluído pela Lei nº 11.284, de 2006).
Pena - reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e multa. (Incluído pela Lei nº 11.284, de 2006).
§ 1o Não é crime a conduta praticada quando necessária à subsistência imediata pessoal do agente ou de sua família. (Incluído pela Lei nº 11.284, de 2006).
§ 2o Se a área explorada for superior a 1.000 ha (mil hectares), a pena será aumentada de 1 (um) ano por milhar de hectare. (Incluído pela Lei nº 11.284, de 2006). (BRASIL, 1998).
Art. 51. Comercializar motosserra ou utilizá-la em florestas e nas demais formas de vegetação, sem licença ou registro da autoridade competente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. (BRASIL, 1998).
Art. 52. Penetrar em Unidades de Conservação conduzindo substâncias ou instrumentos próprios para caça ou para exploração de produtos ou subprodutos florestais, sem licença da autoridade competente:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. (BRASIL, 1998).
Art. 53. Nos crimes previstos nesta Seção, a pena é aumentada de um sexto a um terço se:
I - do fato resulta a diminuição de águas naturais, a erosão do solo ou a modificação do regime climático;
II - o crime é cometido:
a) no período de queda das sementes;
b) no período de formação de vegetações;
c) contra espécies raras ou ameaçadas de extinção, ainda que a ameaça ocorra somente no local da infração;
d) em época de seca ou inundação;
e) durante a noite, em domingo ou feriado.
A competência legislativa em matéria ambiental é concorrente entre a União, os Estados e o Distrito Federal. No art. 24 da Constituição Federal, enuncia que compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:
(...) VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição;
VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico;
VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico.
(...) Cabe à União estabelecer normas gerais, ou seja, fixar parâmetros mínimos de proteção ao meio ambiente que deverão ser observados pelos demais entes federativos.
(BRASIL, 1998).
Aos Estados e ao Distrito Federal incumbe legislar supletivamente, adaptando as normas jurídicas às peculiaridades regionais. Observa-se que no art. 24 da constituição federal, exclui dos municípios a competência legislativa em matéria ambiental.
A interpretação do Art. 30 da Constituição Federal, deixa claro que cabe aos municípios legislar sobre assuntos de interesse local (inciso I) e de forma suplementar a legislação federal e estadual no que couber (inciso II), não especificando a matéria.
Ademais, mesmo em matéria de meio ambiente, caberá aos municípios legislar sobre temas de interesse local. Portanto, conclui-se, que todos os entes federativos poderão legislar sobre meio ambiente. Ressalta-se, no entanto, que os estados, o Distrito Federal e os municípios não poderão legislar de modo a oferecer menor proteção ao meio ambiente do que aquela prevista nas normas federais.
Os municípios brasileiros têm competência administrativa e legislativa em matéria de meio ambiente, bem como o dever de protegê-lo. No entanto a ausência de critérios claros na definição das competências vem trazendo conflitos na aplicação dos instrumentos da gestão ambiental, como a sobreposição de ações de entes federados ou mesmo a omissão destes no cumprimento de seus deveres constitucionais de proteção ao meio ambiente.
Assim sendo, o art. 225 da Constituição Federal, deixa claro que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para às presentes e futuras gerações”.
3.1.3 Poluição e outros crimes ambientais (art. 54 a 61):
Todas as atividades humanas produzem poluentes (lixo, resíduos, e afins), no entanto, para ser considerado crime ambiental passível de penalização, a poluição emitida deve estar acima dos limites estabelecidos em lei.
Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 1º Se o crime é culposo:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.
§ 2º Se o crime:
I - tornar uma área, urbana ou rural, imprópria para a ocupação humana;
II - causar poluição atmosférica que provoque a retirada, ainda que momentânea, dos habitantes das áreas afetadas, ou que cause danos diretos à saúde da população;
III - causar poluição hídrica que torne necessária a interrupção do abastecimento público de água de uma comunidade;
IV - dificultar ou impedir o uso público das praias;
V - ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou substâncias oleosas, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
§ 3º Incorre nas mesmas penas previstas no parágrafo anterior quem deixar de adotar, quando assim o exigir a autoridade competente, medidas de precaução em caso de risco de dano ambiental grave ou irreversível. (BRASIL, 1998).
Art. 55. Executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a competente autorização, permissão, concessão ou licença, ou em desacordo com a obtida:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem deixa de recuperar a área pesquisada ou explorada, nos termos da autorização, permissão, licença, concessão ou determinação do órgão competente. (BRASIL, 1998).
Art. 56. Produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar, fornecer, transportar, armazenar, guardar, ter em depósito ou usar produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou nos seus regulamentos:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem: (Redação dada pela Lei nº 12.305, de 2010).
I - abandona os produtos ou substâncias referidos no caput ou os utiliza em desacordo com as normas ambientais ou de segurança. (Redação dada pela Lei nº 12.305, de 2010).
II - manipula, acondiciona, armazena, coleta, transporta, reutiliza, recicla ou dá destinação final a resíduos perigosos de forma diversa da estabelecida em lei ou regulamento. (Redação dada pela Lei nº 12.305, de 2010).
§ 2º Se o produto ou a substância for nuclear ou radioativa, a pena é aumentada de um sexto a um terço.
§ 3º Se o crime é culposo:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. (BRASIL, 1998).
Art. 58. Nos crimes dolosos previstos nesta Seção, as penas serão aumentadas:
I - de um sexto a um terço, se resulta dano irreversível à flora ou ao meio ambiente em geral;
II - de um terço até a metade, se resulta lesão corporal de natureza grave em outrem;
III - até o dobro, se resultar a morte de outrem.
Parágrafo único. As penalidades previstas neste artigo somente serão aplicadas se do fato não resultar crime mais grave. (BRASIL, 1998).
Art. 60. Construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar, em qualquer parte do território nacional, estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes, ou contrariando as normas legais e regulamentares pertinentes:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. (BRASIL, 1998).
Art. 61. Disseminar doença ou praga ou espécies que possam causar dano à agricultura, à pecuária, à fauna, à flora ou aos ecossistemas:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. (BRASIL, 1998).
3.1.4 Contra o ordenamento urbano e o patrimônio cultural (art. 62 a 65):
O meio ambiente é um conceito amplo, que não se limita aos elementos naturais (solo, ar, água, flora, fauna). Na verdade, o meio ambiente é a interação destes, com elementos artificiais, aqueles formados pelo espaço urbano construído e alterado pelo homem e culturais que, juntos, propiciam um desenvolvimento equilibrado da vida. Desta forma, a violação da ordem urbana e/ou da cultura também configura um crime ambiental.
Art. 62. Destruir, inutilizar ou deteriorar:
I - bem especialmente protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial;
II - arquivo, registro, museu, biblioteca, pinacoteca, instalação científica ou similar protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena é de seis meses a um ano de detenção, sem prejuízo da multa. (BRASIL, 1998).
Art. 63. Alterar o aspecto ou estrutura de edificação ou local especialmente protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial, em razão de seu valor paisagístico, ecológico, turístico, artístico, histórico, cultural, religioso, arqueológico, etnográfico ou monumental, sem autorização da autoridade competente ou em desacordo com a concedida:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. (BRASIL, 1998).
Art. 64. Promover construção em solo não edificável, ou no seu entorno, assim considerado em razão de seu valor paisagístico, ecológico, artístico, turístico, histórico, cultural, religioso, arqueológico, etnográfico ou monumental, sem autorização da autoridade competente ou em desacordo com a concedida:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. (BRASIL, 1998).
Art. 65. Pichar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento urbano: (Redação dada pela Lei nº 12.408, de 2011).
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. (Redação dada pela Lei nº 12.408, de 2011).
§ 1o Se o ato for realizado em monumento ou coisa tombada em virtude do seu valor artístico, arqueológico ou histórico, a pena é de 6 (seis) meses a 1 (um) ano de detenção e multa. (Remunerado do parágrafo único pela Lei nº 12.408, de 2011).
§ 2o Não constitui crime a prática de grafite realizada com o objetivo de valorizar o patrimônio público ou privado mediante manifestação artística, desde que consentida pelo proprietário e, quando couber, pelo locatário ou arrendatário do bem privado e, no caso de bem público, com a autorização do órgão competente e a observância das posturas municipais e das normas editadas pelos órgãos governamentais responsáveis pela preservação e conservação do patrimônio histórico e artístico nacional. (Incluída pela Lei nº 12.408, de 2011). (BRASIL, 1998).
3.1.5 Administração Ambiental (art. 66 a 69):
São as condutas que dificultam ou impedem que o Poder Público exerça a sua função fiscalizadora e protetora do meio ambiente, seja ela praticada por particulares ou por funcionários do próprio Poder Público.
Art. 66. Fazer o funcionário público afirmação falsa ou enganosa, omitir a verdade, sonegar informações ou dados técnico-científicos em procedimentos de autorização ou de licenciamento ambiental:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. (BRASIL, 1998).
Art. 67. Conceder o funcionário público licença, autorização ou permissão em desacordo com as normas ambientais, para as atividades, obras ou serviços cuja realização depende de ato autorizativo do Poder Público:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
Parágrafo único. Se o crime é culposo, a pena é de três meses a um ano de detenção, sem prejuízo da multa. (BRASIL, 1998).
Art. 68. Deixar, aquele que tiver o dever legal ou contratual de fazê-lo, de cumprir obrigação de relevante interesse ambiental:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
Parágrafo único. Se o crime é culposo, a pena é de três meses a um ano, sem prejuízo da multa. (BRASIL, 1998).
Art. 69. Obstar ou dificultar a ação fiscalizadora do Poder Público no trato de questões ambientais:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa. (BRASIL, 1998).
Art. 69-A. Elaborar ou apresentar, no licenciamento, concessão florestal ou qualquer outro procedimento administrativo, estudo, laudo ou relatório ambiental total ou parcialmente falso ou enganoso, inclusive por omissão: (Incluído pela Lei nº 11.284, de 2006).
Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. : (Incluído pela Lei nº 11.284, de 2006).
§ 1o Se o crime é culposo: : (Incluído pela Lei nº 11.284, de 2006).
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos. : (Incluído pela Lei nº 11.284, de 2006).
§ 2o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se há dano significativo ao meio ambiente, em decorrência do uso da informação falsa, incompleta ou enganosa. (Incluído pela Lei nº 11.284, de 2006). (BRASIL, 1998).
3.1.6 Infração Administrativa
São infrações administrativas quaisquer ações ou omissões que violem regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente. A Lei de Crimes Ambientais disciplinou as infrações administrativas em seus artigos. 70 a 76, e foi regulamentada pelo Decreto Federal nº. 6.514/08.
Art. 70. Considera-se infração administrativa ambiental toda ação ou omissão que viole as regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente.
§ 1º São autoridades competentes para lavrar auto de infração ambiental e instaurar processo administrativo os funcionários de órgãos ambientais integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente - SISNAMA, designados para as atividades de fiscalização, bem como os agentes das Capitanias dos Portos, do Ministério da Marinha.
§ 2º Qualquer pessoa, constatando infração ambiental, poderá dirigir representação às autoridades relacionadas no parágrafo anterior, para efeito do exercício do seu poder de polícia.
§ 3º A autoridade ambiental que tiver conhecimento de infração ambiental é obrigada a promover a sua apuração imediata, mediante processo administrativo próprio, sob pena de co- responsabilidade.
§ 4º As infrações ambientais são apuradas em processo administrativo próprio, assegurado o direito de ampla defesa e o contraditório, observadas as disposições desta Lei.
(BRASIL, 1998).
Art. 71. O processo administrativo para apuração de infração ambiental deve observar os seguintes prazos máximos:
I - vinte dias para o infrator oferecer defesa ou impugnação contra o auto de infração, contados da data da ciência da autuação;
II - trinta dias para a autoridade competente julgar o auto de infração, contados da data da sua lavratura, apresentada ou não a defesa ou impugnação;
III - vinte dias para o infrator recorrer da decisão condenatória à instância superior do Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, ou à Diretoria de Portos e Costas, do Ministério da Marinha, de acordo com o tipo de autuação;
IV – cinco dias para o pagamento de multa, contados da data do recebimento da notificação. (BRASIL, 1998).
Art. 72. As infrações administrativas são punidas com as seguintes sanções, observado o disposto no art. 6º:
I - advertência;
II - multa simples;
III - multa diária;
IV - apreensão dos animais, produtos e subprodutos da fauna e flora, instrumentos, petrechos, equipamentos ou veículos de qualquer natureza utilizados na infração;
V - destruição ou inutilização do produto;
VI - suspensão de venda e fabricação do produto;
VII - embargo de obra ou atividade;
VIII - demolição de obra;
IX - suspensão parcial ou total de atividades;
X – (VETADO);
XI - restritiva de direitos.
§ 1º Se o infrator cometer, simultaneamente, duas ou mais infrações, ser-lhe-ão aplicadas, cumulativamente, as sanções a elas cominadas.
§ 2º A advertência será aplicada pela inobservância das disposições desta Lei e da legislação em vigor, ou de preceitos regulamentares, sem prejuízo das demais sanções previstas neste artigo.
§ 3º A multa simples será aplicada sempre que o agente, por negligência ou dolo:
I - advertido por irregularidades que tenham sido praticadas, deixar de saná-las, no prazo assinalado por órgão competente do SISNAMA ou pela Capitania dos Portos, do Ministério da Marinha;
II - opuser embaraço à fiscalização dos órgãos do SISNAMA ou da Capitania dos Portos, do Ministério da Marinha.
§ 4° A multa simples pode ser convertida em serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente.
§ 5º A multa diária será aplicada sempre que o cometimento da infração se prolongar no tempo.
§ 6º A apreensão e destruição referidas nos incisos IV e V do caput obedecerão ao disposto no art. 25 desta Lei.
§ 7º As sanções indicadas nos incisos VI a IX do caput serão aplicadas quando o produto, a obra, a atividade ou o estabelecimento não estiverem obedecendo às prescrições legais ou regulamentares.
§ 8º As sanções restritivas de direito são:
I - suspensão de registro, licença ou autorização;
II - cancelamento de registro, licença ou autorização;
III - perda ou restrição de incentivos e benefícios fiscais;
IV - perda ou suspensão da participação em linhas de financiamento em estabelecimentos oficiais de crédito;
V - proibição de contratar com a Administração Pública, pelo período de até três anos.
(BRASIL, 1998).
Art. 73. Os valores arrecadados em pagamento de multas por infração ambiental serão revertidos ao Fundo Nacional do Meio Ambiente, criado pela Lei nº 7.797, de 10 de julho de 1989, Fundo Naval, criado pelo Decreto nº 20.923, de 8 de janeiro de 1932, fundos estaduais ou municipais de meio ambiente, ou correlatos, conforme dispuser o órgão arrecadador.
(BRASIL, 1998).
Art. 74. A multa terá por base a unidade, hectare, metro cúbico, quilograma ou outra medida pertinente, de acordo com o objeto jurídico lesado. (BRASIL, 1998).
Art. 75. O valor da multa de que trata este Capítulo será fixado no regulamento desta Lei e corrigido periodicamente, com base nos índices estabelecidos na legislação pertinente, sendo o mínimo de R$ 50,00 (cinqüenta reais) e o máximo de R$ 50.000.000,00 (cinqüenta milhões de reais). (BRASIL, 1998).
Art. 76. O pagamento de multa imposta pelos Estados, Municípios, Distrito Federal ou Territórios substitui a multa federal na mesma hipótese de incidência. (BRASIL, 1998).
O Poder Público, no exercício do poder fiscalizador, ao lavrar o auto de infração e de apreensão, indicará a multa prevista para a conduta, bem como, se for o caso, as demais sanções estabelecidas no decreto, pela análise da gravidade dos fatos, dos antecedentes e da situação econômica do infrator. A aplicação de sanções administrativas não impede a penalização por crimes ambientais, se também forem aplicáveis ao caso.
Qualquer pessoa, ao tomar conhecimento de alguma infração ambiental, poderá apresentar representação às autoridades integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA). A autoridade ambiental, uma vez ciente, deverá providenciar na fiscalização da infração ambiental sob pena de corresponsabilidade.
3.1.7 O Licenciamento Ambiental
A fim de regrar a utilização do espaço geográfico pelo ser homem, o governo brasileiro sancionou a Lei Federal 6.938/81, Política Nacional do Meio Ambiente, o qual trouxe os conceitos sobre meio ambiente, poluição, poluidor e recursos naturais, dispondo sobre questões atinentes ao licenciamento ambiental em seu art. 10 e sancionando posteriormente a Lei Federal 7347/85, lei da ação civil pública que instrumentalizou a defesa
do meio ambiente, antes restrita ao poder de polícia administrativa, ao direito de vizinhança e a ação popular.
Assim sendo, visando dar continuidade ao referido controle ambiental, foi editada a Resolução do CONAMA nº. 001 de 1986, que dispõe sobre critérios básicos e diretrizes gerais para a Avaliação de Impacto Ambiental Significativo (EIA RIMA). (BRASIL, 1986).
No ano seguinte, entra em vigor a Resolução do CONAMA nº 237 de dezembro de 1997, onde em forma de lista enumeram sugestões as atividades sujeitas ao licenciamento ambiental no País, dentro do Sistema Nacional do Meio Ambiente. (BRASIL, 1997).
Neste sentido, no intuito de regular as atividades lesivas ao meio ambiente, a carta magna sancionada em 1988, revela em seu artigo 225, que "todos têm direito ao Meio Ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações".
Conforme pode ser verificado, a Constituição Federal passou a dar uma maior importância às questões ambientais, sendo uma legislação moderna e avançada em relação aos demais países do 1º mundo, pois estabelece o direito das "futuras gerações", evidenciando a responsabilidade de todos os brasileiros em proteger e resguardar o meio ambiente contra qualquer forma de interferência.
Em 1988, foi editado o Decreto 38.355, que regulamentou o uso dos recursos florísticos no Estado do Rio Grande do Sul e criando novamente no ano de 1999 a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, alterando assim de forma concreta a estrutura do setor ambiental do Estado.
Neste interim, no estado do Rio Grande do Sul a consolidação do sistema de proteção ao meio ambiente ocorreu a partir de 1989 com a promulgação da Constituição Estadual que seguindo as regras estabelecidas na Constituição Federal, elaborou um capítulo exclusivo em referência ao Meio Ambiente, regrando assim, vários procedimentos que deveriam ser adotados para a consecução dos objetivos propostos.
As regras instituídas pela Constituição Estadual de 1989, estão contidas nos artigos 250 ao 259, abordando temas de ações ambientais e determinando ao Poder Público estadual a implementação da Política Estadual de meio ambiente. Esta investida dada pela Constituição Federal e Constituição Estadual, foi possível a partir da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano, realizada no estado do Rio de Janeiro em 1992.
A partir do ano de 1992, o estado do Rio Grande do Sul, passou a editar várias leis e sancionou decretos regulamentadores que formaram a legislação básica de proteção ao meio ambiente no Rio Grande do Sul.
Concomitantemente a essa preocupação em proteger o meio ambiente, o governo rio- grandense, sancionou a Lei Estadual nº 10.330, de 27 de dezembro de 1994, que criou o Sistema Estadual de Proteção Ambiental, no artigo 26 determinando que: "A Polícia Ostensiva de Proteção Ambiental será exercida pela Brigada militar, nos estritos limites da lei"; no Decreto Estadual nº 34.974, de 23 de novembro de 1993, art. 2º que diz: “Compete à Brigada Militar a proteção da fauna silvestre e aquática, a fiscalização da caça e da pesca e a colaboração na educação ambiental em todo o território estadual”.
Já no ano de 2000, a edição do Código Estadual do Meio Ambiente, foi divulgada a nível nacional como o primeiro estado a sancionar um Código que trata exclusivamente das questões ambientais. É nesse aspecto que pode ser considerado como o divisor de águas da legislação ambiental brasileira, pois colocou em evidência nacional a política ambiental que estava sendo implementada no território gaúcho, com seu reconhecimento anterior a Lei Estadual 10.350/94, que já instituía o Sistema Estadual de Recursos Hídricos, regulamentando assim o art. 171 da Constituição do Estado do Rio Grande do Sul.
Na mesma vertente relacionada a questão da competência sobre a questão do licenciamento ambiental, o mesmo preceito já estava previsto no art. 69 da Lei Estadual nº 11.520/2000, Código Estadual do Meio Ambiente. O qual enuncia que a caberá ao aos municípios o licenciamento ambiental dos empreendimentos e atividades consideradas como de impacto local, bem como aquelas que lhe forem delegadas pelo Estado por instrumento legal ou convênio. Porém, restrita às atividades e empreendimentos de impacto ambiental local, que constam na Resolução 102/2005 do CONSEMA, com as consequentes alterações já incorporadas as novas competências.
Na relação das atividades que podem ser licenciadas pelo município constam as atividades agropecuárias, como irrigação, criação de animais confinados, segmentos da indústria (cerâmica, cimento vidro, estamparia, máquinas eletro-eletrônicos, material de transporte, madeira e móveis, borracha e couros, plásticos, tecidos, calçados, processamento de alimentos e bebidas), algumas atividades com resíduos sólidos, loteamentos, obras civis, terminais e depósitos, dentre outras. A competência local em cada uma dessas atividades é limitada a um determinado porte.
Outro ponto a ser considerado, foi à edição da Lei Estadual nº 11.730, de 09 de janeiro de 2002, onde refere-se em seu art. 3º que diz: “Como parte do processo educativo