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Ciênc. saúde coletiva vol.12 número1

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Academic year: 2018

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traponto fundamental a essa questão, demons-trando o necessário debate sobre o modelo de desenvolvimento agrícola brasileiro e a conside-ração efetiva de seus impactos sociais, econômi-cos e ambientais, em um país reconhecido como um dos mais desiguais do planeta10.

Na carta final do II Encontro Nacional de Agroecologia – – – – – ENA11 (2006), os movimentos sociais analisam e denunciam as “formas como o agronegócio se instala nas diferentes regiões, apropriando-se dos recursos naturais, expropri-ando muitas vezes os trabalhadores e a socieda-de socieda-de seus direitos mais básicos”, como os esta-belecidos na constituição brasileira (Art. 225º, inciso V), onde cabe ao poder público “controlar a produção, a comercialização e emprego de téc-nicas, métodos e substâncias que comportem ris-co para a vida, a qualidade de vida e o meio am-biente”12. Ao final, a carta conclama ainda à for-mulação de um projeto democrático, popular e sustentável para o campo brasileiro, ancorado na produção familiar e na agroecologia.

Nesta perspectiva, se coloca para o debate as estratégias a serem desenvolvidas para o desen-cadeamento de ações visando a construção de um novo modelo agrícola, baseado em valores como o da sustentabilidade e da biodiversidade, des-concentrando a propriedade da terra e a riqueza.

Referências

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Carvalho I, Scotto G, organizadores. Conflitos socio-ambientais no Brasil... Rio de Janeiro: Graphos/IBASE/ Fundação Heinrich-Böl-Istifung; 1995.

PNUD. Relatório de Desenvolvimento Humano. [aces-sad o 2006 Ago 19] . D isp o n ível em : h t t p :/ / www.pnu d.org.br/arqu ivos/rdh/rdh2005/rdh2005_ resumo.pdf

ENA. Encontro Nacional de Agroecologia, Carta Polí-tica. [acessado 2006 Ago 19].Disponível em: http:// www.agroecolo gia.o r g.b r / m od u les/ tin ycon t en t 3/ index.php?id=26

BRASIL. Constituição Brasileira. [acessado 2006 Ago 19]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/cci-vil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm

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O autor responde The author replies

Agrotóxicos, saúde e ambiente: tema fértil, per-tinente, relevante, atual e necessário. Mais que ne-cessário: urgente.

A riqueza e multiplicidade de olhares presen-tes nos debapresen-tes de Stotz, Porto, Waissmann e Car-neiro & Almeida sobre o artigo de nossa autoria são indicativos do acima observado. Se no artigo nos propusemos a discutir o mais amplamente possível as conseqüências de um modelo políti-co-econômico sobre o perfil do uso de agrotóxi-cos no país – e suas decorrências à saúde e ao ambiente –, mantendo consistência mínima para não tornar superficial a discussão, os debates nos mostram que ainda há muito mais a ser incluído. Para não frustrarmos nossos colegas debatedores e vocês, nossos leitores, fazemos logo a ressalva que não será possível abarcar todas essas lacunas nesse espaço de réplica, onde nos permitiremos, apenas, dialogar um pouco – mais uma vez man-tendo minimamente uma consistência –, com vocês, debatedores e leitores, sobre o artigo e os debates.

Se devemos estabelecer um ponto de partida para nossa breve discussão, talvez este seja a op-ção da política agrária brasileira pela monocul-tura exportadora, mais evidenciada, nos últimos anos, pelo incentivo ao plantio de soja – natural e transgênica –, commodity agrícola essa que

cor-responde – conforme anteriormente apresenta-do – a 42% das exportações apresenta-do país. As implica-ções dessa opção político-econômica são diver-sas, algumas das quais apropriadamente men-cionadas nos debates. Destacamos, aqui, algumas:

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1. Em seu debate, Porto nos lembra da insus-tentabilidade am biental da produção agrícola monocultora de larga escala, fenômeno esse as-sociado à degradação dos solos, desertificação, contaminação química de solos e mananciais hí-dricos, queimadas etc. Este modelo de produção agrícola é responsável, ainda, pela franca expan-são da fronteira agrícola no país, seja pela remo-ção de áreas naturais para o plantio da soja, seja por ‘empurrar’ a pecuária cada vez mais para den-tro da Amazônia, reflexo observado em vários estados das regiões Norte e Centro-Oeste. Fato este lembrado, também, por Stotz, quando men-ciona a “conquista capitalista da Amazônia” pela soja, em particular a soja transgênica;

2. Não obstante a insustentabilidade ambien-tal, também é possível evidenciar a insustentabi-lidade social, lembrada por Porto na associação entre o modelo de produção agrícola monocul-tor e a concentração de renda, redução de em-pregos etc. E também por Stotz, quando afirma que a soja “pressiona os camponeses desta região (amazônica) a buscar trabalho léguas distantes, nas colheitas de cana-de-açúcar, café e laranja no Estado de São Paulo”. Dentre tantas outras im-portantes decorrências desse fenômeno,

destaca-mos a fragmentação da lógica “campesina” na agricultura – substituída cada vez mais pela em-presa rural fundamentada no agrobusiness.

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