2 3
C
iê
n
ci
a
&
S
aú
d
e
C
o
le
tiv
a
, 1
2
(1
):1
5
-2
4
, 2
0
0
7
traponto fundamental a essa questão, demons-trando o necessário debate sobre o modelo de desenvolvimento agrícola brasileiro e a conside-ração efetiva de seus impactos sociais, econômi-cos e ambientais, em um país reconhecido como um dos mais desiguais do planeta10.
Na carta final do II Encontro Nacional de Agroecologia – – – – – ENA11 (2006), os movimentos sociais analisam e denunciam as “formas como o agronegócio se instala nas diferentes regiões, apropriando-se dos recursos naturais, expropri-ando muitas vezes os trabalhadores e a socieda-de socieda-de seus direitos mais básicos”, como os esta-belecidos na constituição brasileira (Art. 225º, inciso V), onde cabe ao poder público “controlar a produção, a comercialização e emprego de téc-nicas, métodos e substâncias que comportem ris-co para a vida, a qualidade de vida e o meio am-biente”12. Ao final, a carta conclama ainda à for-mulação de um projeto democrático, popular e sustentável para o campo brasileiro, ancorado na produção familiar e na agroecologia.
Nesta perspectiva, se coloca para o debate as estratégias a serem desenvolvidas para o desen-cadeamento de ações visando a construção de um novo modelo agrícola, baseado em valores como o da sustentabilidade e da biodiversidade, des-concentrando a propriedade da terra e a riqueza.
Referências
Simon F. A construção de biomarcas globais: levando a biotecnologia ao mercado. Porto Alegre: Ed. Bookman; 2004.
UNCTAD, 2006. Tracking the trend towards market concentration: the case of the agricultural input in-dustry. Study prepared by the UNCTAD secretariat. [ acessad o 2006 Ago 20] . Disp o n ível em : h t t p :/ / www.unctad.org/en/docs/ditccom200516_en.pdf Associação Brasileira da In dústria Quím ica (ABI-QUIM) 2006. Indústria Química – Estatísticas. [aces-sado 2002 Ago 19] . D isp on ível em : h t t p :/ / www. abiquim.org.br/conteudo.asp?princ=ain&pag=estat Ministério da Agricultura 2006. Estatísticas. [acessa-d o 2006 Ago 19] . D isp o n ível em : h t t p :/ / www. agricultura.gov.br/pls/portal/docs/PAGE/MAPA/ES-TATISTICAS/MEIOS_PRODUCAO/1.4.XLS IBAMA. Diretoria de Licenciamento e Qualidade Am-biental. [Documento não publicado].
Delgado GC. Expansão e modernização do setor agro-pecuário no pós-guerra: um estudo da reflexão agrá-ria. Estud. av., São Paulo, v. 15, n. 43, 2001. [acessa-do 2006 Ago 19 ]. Disponível em: http://www.scielo. br/scielo.php?script=sci_arttext& pid=S0103 Câmara dos Deputados. Projetos de Lei e outras pro-posições. [acessado 2006 Ago 19]. Disponível em: http:/ /www2.camara.gov.br/proposicoes
ANVISA. Áreas de Atuação – Toxicologia – Câmara Setorial. [acessado 2006 Ago 19]. Disponível em: http:/ / www.an visa.gov.b r / t oxico lo gia/ cst ox/ d o c_esp / consenso_090306.htm
Carvalho I, Scotto G, organizadores. Conflitos socio-ambientais no Brasil... Rio de Janeiro: Graphos/IBASE/ Fundação Heinrich-Böl-Istifung; 1995.
PNUD. Relatório de Desenvolvimento Humano. [aces-sad o 2006 Ago 19] . D isp o n ível em : h t t p :/ / www.pnu d.org.br/arqu ivos/rdh/rdh2005/rdh2005_ resumo.pdf
ENA. Encontro Nacional de Agroecologia, Carta Polí-tica. [acessado 2006 Ago 19].Disponível em: http:// www.agroecolo gia.o r g.b r / m od u les/ tin ycon t en t 3/ index.php?id=26
BRASIL. Constituição Brasileira. [acessado 2006 Ago 19]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/cci-vil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
O autor responde The author replies
Agrotóxicos, saúde e ambiente: tema fértil, per-tinente, relevante, atual e necessário. Mais que ne-cessário: urgente.
A riqueza e multiplicidade de olhares presen-tes nos debapresen-tes de Stotz, Porto, Waissmann e Car-neiro & Almeida sobre o artigo de nossa autoria são indicativos do acima observado. Se no artigo nos propusemos a discutir o mais amplamente possível as conseqüências de um modelo políti-co-econômico sobre o perfil do uso de agrotóxi-cos no país – e suas decorrências à saúde e ao ambiente –, mantendo consistência mínima para não tornar superficial a discussão, os debates nos mostram que ainda há muito mais a ser incluído. Para não frustrarmos nossos colegas debatedores e vocês, nossos leitores, fazemos logo a ressalva que não será possível abarcar todas essas lacunas nesse espaço de réplica, onde nos permitiremos, apenas, dialogar um pouco – mais uma vez man-tendo minimamente uma consistência –, com vocês, debatedores e leitores, sobre o artigo e os debates.
Se devemos estabelecer um ponto de partida para nossa breve discussão, talvez este seja a op-ção da política agrária brasileira pela monocul-tura exportadora, mais evidenciada, nos últimos anos, pelo incentivo ao plantio de soja – natural e transgênica –, commodity agrícola essa que
cor-responde – conforme anteriormente apresenta-do – a 42% das exportações apresenta-do país. As implica-ções dessa opção político-econômica são diver-sas, algumas das quais apropriadamente men-cionadas nos debates. Destacamos, aqui, algumas:
8.
9.
10.
11.
2 4
S
to
tz
, E
.
et
a
l.
1. Em seu debate, Porto nos lembra da insus-tentabilidade am biental da produção agrícola monocultora de larga escala, fenômeno esse as-sociado à degradação dos solos, desertificação, contaminação química de solos e mananciais hí-dricos, queimadas etc. Este modelo de produção agrícola é responsável, ainda, pela franca expan-são da fronteira agrícola no país, seja pela remo-ção de áreas naturais para o plantio da soja, seja por ‘empurrar’ a pecuária cada vez mais para den-tro da Amazônia, reflexo observado em vários estados das regiões Norte e Centro-Oeste. Fato este lembrado, também, por Stotz, quando men-ciona a “conquista capitalista da Amazônia” pela soja, em particular a soja transgênica;
2. Não obstante a insustentabilidade ambien-tal, também é possível evidenciar a insustentabi-lidade social, lembrada por Porto na associação entre o modelo de produção agrícola monocul-tor e a concentração de renda, redução de em-pregos etc. E também por Stotz, quando afirma que a soja “pressiona os camponeses desta região (amazônica) a buscar trabalho léguas distantes, nas colheitas de cana-de-açúcar, café e laranja no Estado de São Paulo”. Dentre tantas outras im-portantes decorrências desse fenômeno,
destaca-mos a fragmentação da lógica “campesina” na agricultura – substituída cada vez mais pela em-presa rural fundamentada no agrobusiness.