icionado as reações mórbidas,
S E R V I Ç O D E N E U R O L O G I A D A F A C U L D A D E D E M E D I C I N A D A U N I V E R S I D A D E D E S. P A U L O
D e s d e 1941 v e m s e n d o r e a l i z a d a s , n e s t e S e r v i ç o , s o b a d i r e ç ã o d o P r o f . A d h e r b a l T o l o s a , r e u n i õ e s m e n s a i s d e e s t u d o n a s q u a i s s ã o r e l a t a d o s e d i s -c u t i d o s o s -c a s o s -c l í n i -c o s e a n a t o m o - -c l í n i -c o s m a i s i n t e r e s s a n t e s . E s s a s r e u n i õ e s s ã o a s s i s t i d a s p o r o u t r o s e s p e c i a l i s t a s , c o n v i d a d o s q u a n d o o a s s u n t o a d i s c u t i r o s i n t e r e s s a p a r t i c u l a r m e n t e o u q u a n d o s e j a m n e c e s s á r i o s s e u s e s c l a r e c i m e n t o s . C o n s t i t u e m , e s s a s r e u n i õ e s , e x c e l e n t e d e m o n s t r a ç ã o d a a t i v i d a d e d o S e r v i ç o d e N e u r o l o g i a d a F a c u l d a d e d e M e d i c i n a d e S. P a u l o . D a m o s a s e g u i r o s u -m á r i o d o s c a s o s d i s c u t i d o s n a s r e u n i õ e s d o s p r i -m e i r o s -m e z e s d o a n o c o r r e n t e .
Reunião realizada em 2 de Fevereiro
Observações clínicas:
1 ) C a s o O. C. ( 6 . 6 9 9 ) Encefalopatia infantil, oligofrenia, espinha bífida e outras malformações congénitas. D r . O . F . Julião.
2 ) C a s o A . P . ( 7 . 2 8 3 ) Tabo-paralisia. D r . J. A . C a e t a n o da S i l v a Jor. 3 ) C a s o J. F . ( 7 . 3 8 6 ) Atrofia ótica luética. D r . J. M . T a q u e s Bittencourt. 4 ) C a s o K. K. ( 7 . 4 0 8 ) Paralisia geral com agitação psico-motora. D r . J. M . T a q u e s Bittencourt.
5 ) C a s o J. T . ( 7 . 3 4 7 ) Hemianopsia por traumatismo occipital antigo. D r . J. A . C a e t a n o da S i l v a Jor.
6) C a s o J. P . ( 7 . 4 6 8 ) Hemiplegia, lues, arterio-esclerose. D r . J. Lamartine de A s s i s .
94 ARQUIVOS DE NEUR0-PSIQUIATR1A
Observações anátomo-clínicas ou neuro-cirúrgicas:
1 ) C a s o M . L. ( 7 . 3 8 2 ) Tumor intra-medular. T r a t a v a - s e de um paciente q u e foi i n t e r n a d o p o r t e r f i c a d o b r u s c a m e n t e p a r a p l é g i c o a p ó s r a q u i a n e s t e s i a p r a t i c a d a p a r a u m a o p e r a ç ã o d e h e r n i a i n g u i n a l : o d o e n t e f a l e c e u d i a s d e p o i s . O e s t u d o a n á t o m o - c l í n i c o d e m o n s t r o u q u e a p a r a p l e g i a , a t r i b u i d a a p r i n c i p i o à r a q u i a n e s t e s i a , era, n a r e a l i d a d e , c o n s e q u e n c i a de u m v o l u m o s o t u m o r i n t r a -- m e d u l a r , l o c a l i z a d o n a r e g i ã o c e r v i c a l . O i n t e r e s s e p r i n c i p a l d o c a s o r e s i d i a n a a u s e n c i a d e q u a l q u e r s i n t o m a t o l o g i a n e u r o l ó g i c a a t é o m o m e n t o e m q u e foi p r a t i c a d a a r a q u i a n e s t e s i a . O t u m o r , m u i t o v o l u m o s o , d e f o r m a v a i n t e i r a -m e n t e a -m e d u l a , d e s l o c a n d o a s u b s t â n c i a c i n z e n t a e b r a n c a p a r a a p e r i f e r i a . O c a s o s e r á p u b l i c a d o a p ó s a t e r m i n a ç ã o d o e s t u d o h i s t o - p a t o l ó g i c o . D r s . J M . T a q u e s B i t t e n c o u r t e W . M a f f e i .
2 ) C a s o W . B . ( 6 . 9 0 2 ) Tumor intracraniano cuja l o c a l i z a ç ã o n ã o poude s e r d e t e r m i n a d a p e l o s r e c u r s o s n e u r o l ó g i c o s h a b i t u a i s e p o r falta de c o o p e r a ç ã o d o d o e n t e , e m v i r t u d e d o s e u p r e c a r i o e s t a d o g e r a l . O e x a m e a n a t o m o -p a t o l ó g i c o m o s t r o u t r a t a r - s e de u m t u m o r d o 3.° v e n t r í c u l o , -p r o v a v e l m e n t e u m e p e n d i n o m a . D r s . V . V e n t u r i e W . M a f f e i .
3 ) Caso C. N . G. ( 7 . 5 0 1 ) Falsa garra cubital dupla produzida por ferim e n t o s l o c a i s n a s ferim ã o s . O p a c i e n t e , d e n a c i o n a l i d a d e p a r a g u a i a , fora a t i n -g i d o e m v a r i a s p a r t e s d o c o r p o , d u r a n t e a -g u e r r a d o C h a c o , p o r e s t i l h a ç o s d e g r a n a d a . U m d e l e s a l o j a d o n o c r a n i o p r o d u z i u o s t e o m e l i t e f r o n t a l e s e c u n d a r i a m e n t e , c r i s e s e p i l e p t i f o r m e s , o q u e e x i g i u i n t e r v e n ç ã o c i r ú r g i c a , praticada a q u i e m S. P a u l o , p e l o D r . C a r l o s G a m a . O u t r o s f r a g m e n t o s l e s a r a m , e m a m b a s a s m ã o s , a r e g i ã o p a l m a r , d e t e r m i n a n d o , s e c u n d a r i a m e n t e , r e t r a ç õ e s a p o n e v r ó t i c a s e f i b r o t e n d i n ó s a s q u e p r o d u z i r a m g a r r a c u b i t a l b i l a t e r a l . F o r a m d i s c u t i d o s o d i a g n ó s t i c o d i f e r e n c i a l , a p a t o g e n i a e a s p o s s i -b i l i d a d e s da t e r a p e u t i c a c i r ú r g i c a p a r a m e l h o r a r a s c o n d i ç õ e s d a s m ã o s d o p a c i e n t e . D r . R. T e n u t o .
Reunião realizada em 2 de Março
Observações clinicas:
1) C a s o V . G. ( 7 . 5 1 9 ) Espinha bífida oculta e perturbações da micção. D r . O. F . Julião.
2 ) C a s o M . F . ( 7 . 5 8 5 ) Síndromo epilético. D r . J. A . Caetano da S i l v a J o r . 3 ) C a s o C. F . ( 7 . 5 8 8 ) Psicastenia e lues. D r . C. V . S a v o y .
4 ) C a s o S. A . ( 7 . 1 0 3 ) Encéfalo-mielite de natureza indeterminada instalada bruscamente. O s varios e x a m e s subsidiarios n ã o e s c l a r e c e r a m a e t i o l o g i a do processo. C o m o o estado p e r m a n e c e s s e e s t a c i o n a r i o durante os dois m e z e s de internação foi o paciente r e m o v i d o para o A s i l o de I n v a l i d o s onde continuará sob o b s e r v a ç ã o . D r . J. L a m a r t i n e de A s s i s .
5 ) C a s o A . M . ( 7 . 5 8 7 ) Tumor intra-craniano, p r o v a v e l m e n t e l o c a l i z a d o n o terceiro ventriculo, de a c o r d o c o m os dados n e u r o l ó g i c o s e ventriculográficos. E m virtude d o a g r a v a m e n t o d o s í n d r o m o h i p e r t e n s i v o intracraniano, foi praticada craniotomia d e s c o m p r e s s i v a . C o m o terapeutica, foi iniciada a radioterapia p r o -funda. N í t i d a s m e l h o r a s permitiram a o doente pedir alta e continuar a m e d i c a ç ã o e m ambulatorio. D r . J. M . T a q u e s Bittencourt.
6 ) C a s o N . M . ( 6 . 1 5 7 ) Aracnoidite espinhal que produziu u m s i n d r o m o p a r a p l é g i c o de e v o l u ç ã o ascendente, o r i g i n a n d o e m certo p e r i o d o da e v o l u ç ã o da m o l é s t i a uma tetraplegia completa. O p e r a d o , f e z s e o debridamento das a d e r e n
-cias meningéas e, em seguida, a radioterapia. O interesse maior do caso reside na evolução, que só se tornou satisfatória após um ano de radioterapia. O doente saiu da enfermaria quasi completamente bom, locomovendo-se com auxilio
Reunião de 6 de Abril
Observações clínicas:
1 ) C a s o F . G. ( 7 . 4 3 5 ) Taboparalisia medicada pela malaria. D r . J. L a -•
martin e de A s s i s .
2 ) C a s o G. P . ( 7 . 1 9 2 ) Sindromo hipertensivo intracraniano produzido, pos-sivelmente, por cisticercose encefálica. O estudo ventriculográfico m o s t r o u bloqueio d o aqueduto de S y l v i u s . F o i feita a craniotomia d e s c o m p r e s s i v a . O e x a m e do liquido céfalo-raquidiano foi o u n i c o dado para o d i a g n ó s t i c o de cisticercose. D r a . M . E . B i e r r e m b a c h K h o u r y .
3 ) C a s o J. R. ( 7 . 7 0 2 ) Sindromo epiléptico em doente portador dr afecção cardiaca ( m o l e s t i a m i t r a l ) , c o m aura olfativa e psíquica d o tipo d o s " uncinated f i t s " de J a c k s o n ( d r e a m y s t a t e ) . O caso será publicado posteriormente. D r . R. M e l a r a g n o .
4 ) Caso A . S. ( 7 . 6 8 4 ) Diabéte e neuropatia. N u m a n t i g o diabético de difícil controle pela insulina, instalou-se uma neurite d o ciático poplitêo e x t e r n o n o lado esquerdo e mioclonias n o pé esquerdo e na m ã o direita. F o i discutida a p a t o g e n i a d o s disturbios mioclônicos. O c a s o será publicado. D r . J. M . T a q u e s Bittencourt.
5 ) C a s o A . C. ( 6 . 6 5 5 ) C a s o c o m p l e x o n o qual n ã o foi possivel d i a g n ó s t i c o p r e c i s o . T r a t a - s e de u m e x - j o g a d o r de futebol c u j a m o l é s t i a se iniciou c o m um s i n d r o m o de W e b e r , instalado paulatinamente, a c o m e t e n d o o m o t o r ocular c o m u m à direita e hemiplegia esquerda. P o s t e r i o r m e n t e o o l h o esquerdo sofreu u m p r o c e s s o de atrofia global c o m infecção secundária, sendo enucleado. I n t e r n a d o na enfermaria, apresentava um estado psíquico especial c o m euforia e mória, l e v a n d o a o d i a g n ó s t i c o de t u m o r frontal. N o entanto, o estudo v e n t r i c u l o g r á f i c o m o s t r o u d e f o r m a ç ã o dos pólos occipitais dos ventriculos. O s i n d r o m o de W e b e r diminuiu de intensidade, permanecendo as perturbações psíquicas. F o r a m discutidas v a r i a s h i p ó t e s e s d i a g n ó s t i c a s , n e n h u m a plenamente satisfatória. D r . A . L e f è v r e .
Observações anátomo-clínicas e neuro-cirúrgicas:
1) C a s o A . L. O . ( 7 . 4 9 6 ) Paraplegia espasmódica por compressão medular, c o m discordância entre os sinais clínicos e a mielografia. O s disturbios s e n s i t i v o s l o c a l i z a v a m a l e s ã o e m D 3 a o p a s s o que a iodipina, injetada por v i a s u b --occipital, parou na altura de C3. F o r a m praticadas duas i n t e r v e n ç õ e s : a pri-meira, a o nivel das primeiras vertebras dorsais, nada m o s t r a n d o de a n o r m a l ; a segunda, a o nivel de C3 e C4, m o s t r o u paquimeningite h e m o r r a g i c a e aracnoidite. Grandes melhoras a p ó s esta ultima intervenção. D r s . C. G a m a e J. L a m a r t i n e de A s s i s .
2 ) C a s o J. R. ( 7 . 4 6 7 ) Amolecimento protuberuncial por arterite e trombose da arteria basilar. T r a t a v a - s e de u m doente que repentinamente t e v e um ictus, sendo internado e m estado de c o m a , falecendo 24 horas depois. F o r a feito o d i a g n ó s t i c o de h e m o r r a g i a intra-encefálica pela g r a v i d a d e da s i n t o m a t o l o g i a : c o m a , hipertermia, hipertonia precoce, sinal de B a b i n s k i bilateral e perturbações respiratórias. D r s . R. T e n u t o e W . Maffei.
3 ) C a s o E . S. M . ( 6 . 7 4 0 ) Medulo-ependimoma do 4.° ventriculo com cistos hemáticos na calota protuberancial. C a s o o b s e r v a d o durante l o n g o tempo. O
doente, ao ser internado, apresentava facies de Hutchinson, lesão dos nervos oculares e disturbios cerebelares que levaram ao diagnóstico de polioencefalite superior. Varios exames de liquor, fornecendo sempre liquido hemorrágico e