ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA
“LUIZ DE QUEIROZ”
COMPARAÇÕES MÚLTIPLAS
Josiane Rodrigues Lilian Emerick Fernandes
2009
INTRODUÇÃO
Comparação entre médias de tratamentos ou dos níveis de um fator de tratamentos;
Hipóteses:
Teste F – Necessidade de continuar a análise estatística
dos dados;
Níveis do fator são quantitativos: análise de regressão;
Níveis do fator são qualitativos: comparações
múltiplas;
COMPARAÇÕES MÚLTIPLAS
A técnica de comparações múltiplas permite testar hipóteses do tipo:
onde:
é a média populacional do i-ésimo tratamento ou nível do fator, com i = 1, ..., I;
é o número de repetições referente ao i-ésimo nível do fator ou tratamento, podendo = J para todo i;
é o coeficiente associado a , podendo assumir valores positivos ou negativos;
Impondo a restrição de que , a função linear Y denomina-se contraste.
Um estimador não tendencioso de Y é
cuja estimativa é dada por tal que:
Sob a hipótese de que
Como
com cuja a
Se é um contraste quando
estimativa é obtida através de:
MÉTODO DOS CONTRASTES ORTOGONAIS
APLICAÇÃO DO TESTE F
O método dos contrastes ortogonais consiste em:
Definir um conjunto de (I -1) contrastes ortogonais, representados por Y(h), com h = 1,…,(I -1).
Obs.: Define-se que dois contrastes:
e para
Decompor os (I - 1) graus de liberdade associado à SQTratamentos, em (I - 1) componentes com um grau de liberdade, referente a soma de quadrados devido a Y(h), representada por SQY(h), de tal forma que:
onde:
Seja um estimador não viezado de , cuja estimativa é dada por:
tal que e independentes.
Se para todo i = 1,…,I então:
E a soma dos quadrados para Y(h) é:
como , então:
Este método permite testar as seguintes hipóteses:
através da aplicação do teste F (Snedecor), da seguinte maneira:
Assim, pelo teste F, rejeita-se H0, ao nível α de significância,
quando Fh ≥ F(α,1,n) onde n é o número de graus de liberdade do resíduo.
Exemplo - teste F
Os dados apresentados a seguir referem-se ao enchimento de latas por seis máquinas, obtidos de um experimento instalado segundo o delineamento inteiramente casualisado.
Testemos o seguinte conjunto de contrates:
A B C D E F
11,95 12.18 12,16 12,25 12,1 12,24
12 12,11 12,15 12,3 12,04 12.5
12,25 12,30 12,08 12,1 12,02 12,69
12,10 12,5 12,1 12,25 12,02 12,33
Que podem ser escritas da seguinte maneira:
As suas estimativas são obtidas de:
Hipóteses:
Temos que:
h
1 -0,55
2 -0,79
3 -0,55
4 -0,41
5 -1,58
Assim:
Análise de Variância com Aplicação de Contrastes Ortogonais para as Maquinas
Como não há evidências para aceitar e e concluindo-se que:
De e de
h SQY(h)
1 0,006
2 0,078
3 0,0189
4 0,021
5 0,312
Causas de Variação
GL SQ QM F
Y(1) 1 0,006 0,390
Y(2) 1 0,078 4,844
Y(3) 1 0,0189 1,174
Y(4) 1 0,021 1,304
Y(5) 1 0,312 19,379
Maquinas 5 0.439
Resíduo 18 0,289 0,0161
APLICAÇÃO DO TESTE T
Este método é recomendado, também, quando se deseja testar:
para h = 1,…,(I - 1).
E, ainda, os contrastes de interesse devem ser ortogonais.
Um estimador não tendencioso de é:
e independentes.
Além disso:
Para o caso de para todo i, então:
A estatística do teste é:
Que segue distribuição “t” de Student com n graus de liberdade.
Se , rejeita-se H0, ao nível α de significância, e conclui- se que o valor obtido para é significativo.
Exemplo - teste T
Consideremos o conjunto de contrastes do exemplo do teste F. Vamos testar as hipóteses:
Pela aplicação do teste t:
Como , não há evidências para aceitar
e e conclui-se que:
De e de
h
1 0.63
2 2.20
3 1.08
4 1.14
5 4.41
MÉTODO DE SCHEFFÉ
O Método de Scheffé, utilizado para testar contrastes, mesmo que estabelecidos “a posteriori” deve ser aplicado apenas nos casos em que o valor de F for significativo.
É indicado para testar as hipóteses:
Onde:
Um estimador não tendencioso de Y é:
Onde é um estimador não tendencioso de e independentes. Temos que:
Para o caso de para todo i, então:
Os intervalos de confiança para todos os contrastes Y, com coeficiente de confiança 100(1- α)%, são obtidos de:
Quando para todo i, então:
Rejeita-se H0, ao nível α de significância quando
Exemplo - teste de Scheffé
Um experimento completamente casualisado foi conduzido para investigar o efeito da vitamina b12 e antibióticos na alimentação de suínos. A resposta foi a média de ganho de peso diário.
Sejam os contrastes e as hipóteses a serem testadas são:
A tabela de análise de variância é:
Vitamina B12
0 5
1,30 1,26
0 1,19 1,21
1,08 1,19
Antibióticos
1,05 1,52
40 1,00 1,56
1,05 1,55
Causas de Variação GL SQ QM F p-valor
Antibiotico 1 0.020833 0.020833 5.6818 0.0442922
Vitamina 1 0.218700 0.218700 59.6455 0.00005622
Antibiotico:Vitamina 1 0.172800 0.172800 47.1273 0.0001290
Residuo 8 0.029333 0.003667
Para o primeiro contraste temos que:
Assim, um intervalo de confiança para Y é:
E, portanto:
Então, a um nível de significância de 5%, não há evidências para rejeitar , ou seja, não se identificou diferença entre o tratamento sem antibiótico dentre os tratamentos com ou sem vitamina.
,
Para o segundo contraste temos que:
Assim, um intervalo de confiança para Y é:
E, portanto:
Então, a um nível de significância de 5%, não há evidências para aceitar , ou seja, se identificou diferença entre o tratamento com antibiótico dentre os tratamentos com ou sem vitamina.
Para o terceiro contraste temos que:
Assim, um intervalo de confiança para Y é:
E, portanto:
Então, a um nível de significância de 5%, não há evidências para rejeitar , ou seja, não se identificou diferença entre o tratamento sem antibiótico e sem vitamina com o tratamento com antibiótico e sem vitamina.
Portanto, a combinação do tratamento com antibiótico e do tratamento com vitamina foi o que produziu
melhores resultados.
MÉTODO DE TUKEY
É recomendado quando se deseja testar todos os contrastes
do tipo , para , cujas hipóteses são:
ou ou
Considerando um estimador não tendencioso de , tal que e independentes, demostra-se que :
para os contrastes.
2 ) 1 (I I
' i
Y i 1i i' I 0
: '
0 i i
H
0 : i i' Ha
'
0 : i i
H : i i'
Ha
2 ) 1 (I I
ˆ( )]] 1
2 ) 1
[(
] ) ˆ(
2 ) 1
[[(yi yi' q( ,1,n) V yi yi' i i' yi yi' q( ,1,n) V yi yi' P
Onde é a amplitude total estudentizada, encontrada na
tabela de Tukey, com nível α de significância, I médias envolvidas e n graus de liberdade associado a .
A diferença mínima significativa (DMS) obtida para o teste, ao nível α de significância é:
Rejeita-se H0, ao nível α de significância, quando
) ˆ(
' i
i y
y V
DMS y
y
Yˆ i i'
Exemplo - Teste de Tukey
Os dados apresentados a seguir referem-se a produção (Kg/100 m2), de 4 variedades de milho, obtidos de um experimento instalado segundo o delineamento em blocos ao acaso.
Fazendo a análise de variância:
Como p-valor é significativo a um nível de 5%, temos, pelo teste de Tukey:
Variedade
Blocos A B C D Totais
I 34 26 37 23 120
II 26 37 45 28 136
III 33 42 39 30 144
IV 36 34 41 37 148
V 31 36 53 32 152
Totais 160 175 215 150 700
Causas de variação
GL SQ QM F p-valor
Blocos 4 160 40
Variedades 3 490 163,33 6,5333 0.007219
Resíduo 12 300 25
Fazendo a diferença entre as médias dos tratamentos vem que:
Assim, temos que as médias dos tratamentos A e D são significativamente diferentes da média do tratamento C a um nível de significância de 5%.
Ou seja, a variedade C é a mais produtiva.
Tratamento Média
A 32
B 35
C 43
D 30
Médias comparadas Diferença entre as médias
A-D 2
B-D 5
C-D 13
B-A 3
C-A 11
C-B 8
MÉTODO DE DUNCAN
É indicado para testar qualquer contraste entre duas médias de tratamentos, ou seja:
ou ou
Leva em consideração o número de médias ordenadas em ordem crescente ou decrescente e abrangidas pelo contraste,
representado por k.
0
:
'0 i
i
H
0 :
i
i' H
a
'
0
:
i iH
:
i i'H
a
A diferença mínima significativa (Dk) obtida para o teste, ao nível α de significância é:
onde é a amplitude total estudentizada, a nível de proteção α, para k médias abrangidas e n graus de liberdade
associado ao QMResíduo, obtida nas tabelas do teste de Duncan.
Rejeita-se H0, ao nível α de significância quando
Onde e são estimadores não tendenciosos de e respectivamente, além de serem independentes.
i i'
Exemplo - teste de Duncan
Consideremos os dados apresentados na tabela abaixo, para comparar o efeito de cinco drogas na diminuição da pressão arterial:
Para fazer esse experimento um médico tomou 30 pacientes e dividiu-os ao acaso em seis grupos: o grupo controle recebeu um placebo e os outros grupos receberam, cada um, uma das drogas. Os valores apresentados na tabela são a diminuição da pressão arterial, dada pela diferença entre a pressão arterial no início e no fim do experimento.
A B C D E Controle
25 10 18 23 11 8
17 -2 8 29 23 -6
27 12 4 25 5 6
21 4 14 35 17 0
15 16 6 33 9 2
Os dados da tabela foram submetidos à análise de variância:
Temos que p-valor é menor que 0,05 (nível de significância).
A ordem dos tratamentos, segundo a grandeza das médias apresentadas é:
Controle B C E A D (2) (8) (10) (13) (21) (29)
Para comparar a média do controle com a média do tratamento D temos:
Como , então a média de D é significantemente maior que a média do controle ao nível de 5%.
Causas de Variação
GL SQ QM F p-valor
Tratamentos 5 2354,17 470,83 13,08 0.000003318
Resíduo 24 864,00 36,00
Total 29 3218,17
79 , 5 8
276 36 ,
3
k D
27 29 2
Podem ser feitas agora as comparações entre controle e A, e entre B e D:
Como e , então a média de A é significantemente maior que a média do controle, e a média de D também é significantemente maior que a média de B.
Podem ser testadas agora as diferenças de médias entre controle e E, entre B e A e entre C e D:
As diferenças de médias entre controle e E(11), entre B e A(13) e entre C e D(19) são todas significantes ao nível de 5%.
66 , 5 8 226 36 ,
3
k D 19
21
2 829 21
48 , 5 8
160 36 ,
3
k D
Podem ser então comparadas as médias de tratamentos
correspondendo a intervalos que abrangem três médias. Nesse caso:
As diferenças de médias entre controle e C(8), e entre B e E(5) não são significantes. Esses resultados são indicados sublinhando os respectivos intervalos:
Controle B C E A D __________________
_____________
As diferenças de médias entre C e A(11) e entre E e D(16) são significantes.
Para comparar médias duas a duas calcula-se:
que pode ser utilizada para comparar E com A e A com D. As diferenças entre médias são, nos dois casos, iguais a 8, e são, portanto, significantes.
O resultado final da aplicação do teste de Duncan é representado da seguinte maneira:
Controle B C E A D ________________
_____________ ____ ___
83 , 5 7
919 36 ,
2
k D
MÉTODO DE DUNNETT
Este método é recomendado quando se deseja testar um contraste do tipo:
Onde: é a média populacional do tratamento testemunha ou controle e é a média populacional do i-ésimo tratamento ou nível do fator.
As hipóteses são do tipo:
Para i = 1,…, p; sendo p o número de tratamentos excluindo o controle ou a testemunha.
i
Y
c
c
i0 :
0
0 :
i c
a
i c
H H
Para a totalidade dos contrastes Y tem-se:
Onde:
sendo e estimadores não tendenciosos de e respectivamente, além de serem independentes.
associadas a n graus de liberdade.
Rejeita-se H0, ao nível α de significância quando:
onde é obtido nas tabelas do teste de Dunnett.
ˆ( ˆ)] [ ˆ ˆ( ˆ)]] 1 [[Yˆ t( ; , ) V Y Y Y t( ; , ) V Y
P p n p n
Exemplo - teste de Dunnett
Suponhamos que queremos comparar, no mesmo exemplo do teste de Duncan, as médias dos tratamentos apenas com a média do controle. A análise de variância está, mais uma vez, apresentada na tabela abaixo:
Temos que p-valor é menor que 0,05 (nível de significância).
As médias dos grupos tratados podem ser comparadas com a média do grupo controle através do teste de Dunnett. Para isso, temos que :
Causas de Variação
GL SQ QM F p-valor
Tratamentos 5 2354,17 470,83 13,08 0.000003318
Resíduo 24 864,00 36,00
Total 29 3218,17
25 , 5 10
70 72 , 5 2
) 72 (ˆ
ˆ (0.05,5,24) )
, ,
( V Y t
t pn
As médias dos grupos tratados e a média do grupo controle estão apresentados na tabela abaixo:
Fazendo os valores absolutos das diferenças entre as médias dos grupos tratados e a média do grupo controle:
Controle e A:
Controle e B:
Controle e C:
Controle e D:
Controle e E:
Temos que as médias dos tratamentos A, D e E diferem, a um nível de significância de 5%, da média do grupo do controle.
Assim, podemos concluir que os tratamentos A, D e E apresentaram, em média, resultados melhores que o do controle.
19 21
2
6 8
2 8 10 2
27 29
2
11 13
2
Tratamento Média
A 21
B 8
C 10
D 29
E 13
Controle 2
Bibliografia
NOGUEIRA, M. C. S., Experimentação Agronômica I – conceitos, planejamentos e análise estatística.
Piracicaba. São Paulo. 2007.
PIMENTEL GOMES, F. Curso de Estatística Experimental, Livraria Nobel. São Paulo. São Paulo. 1990.
VIEIRA, Sonia. Estatística Experimental.- 2ª ed. ATLAS – São Paulo. São Paulo. 1999