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Plano Estratégico de Desenvolvimento do Distrito. Índice

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Academic year: 2022

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Índice

Introdução ... 5

Descrição do processo da elaboração do PEDD ... 6

1.1 Característica do Distrito ... 8

1.1.1 Enquadramento na micro - região ... 8

1.2 Situação geográfica ... 10

1.3 Divisão Administrativa ... 10

1.4 Condições físico-naturais ... 13

1.4.1 Geologia ... 13

1.4.2 Relevo ... 13

1.4.5 Solos ... 13

1.4.6 Vegetação ... 13

1.4.7 Clima ... 13

1.4.8 Precipitação ... 13

1.4.9 Hidrografia ... 13

1.4.10 Meio ambiente ... 15

1.4.11 GRC ... 15

1.5 População ... 16

1.5.1 Distribuição da população ... 16

1.5.2 Características socioculturais ... 18

1.5.3 Aglomerados humanos ... 20

1.5.4 Estrutura dos assentamentos humanos ... 21

1.5.5 Posse da terra ... 23

1.5.6 Acesso a terra ... 23

1.6 Administração pública ... 24

1.6.1 Estrutura administrativa do Distrito ... 24

1.6.2 Estruturas de Base (Autoridades Comunitárias) ... 25

1.7 Serviços para o público ... 27

1.7.1 Registo Civil e Notariado ... 27

1.7.2 Segurança Pública ... 27

1.7.3 Instituições de Justiça ... 27

Situação sócio - económica do Distrito ... 28

1.8 Área económica ... 28

1.8.1 Infra-estruturas ... 28

1.8.1.1 Vias de comunicação ... 28

1.8.1.2 Aeródromos ... 29

1.8.1.3 Telecomunicações ... 29

1.8.1.4 Energia ... 29

1.8.1.4 Abastecimento de água ... 31

1.8.1 Agricultura ... 33

1.8.1.1 Características predominantes ... 33

1.8.1.2 Terra cultivada e principais culturas ... 34

1.8.1.3 Sector Associativo ... 35

1.8.1.4 Sector Privado ... 36

1.8.1.5 Tecnologias de produção ... 36

1.8.1.6 Rede de Extensão no Distrito ... 36

1.8.1.7 Recursos Hídricos para agricultura ... 37

1.8.1.8 Uso e aproveitamento da terra ... 37

1.8.2 Pecuária ... 37

1.8.3 Fauna bravia ... 41

1.8.4 Florestas ... 41

1.8.5 Pescas ... 42

1.8.6 Indústria ... 42

1.8.7 Comércio ... 43

(2)

1.9.1.3 HIV/SIDA ... 48

1.9.2 Educação e Cultura ... 49

1.9.2.1 Rede escolar ... 49

1.9.2.2 Distribuição dos alunos matriculados por classe e sexo ... 51

1.9.2.3 Alfabetização e Educação de Adultos ... 51

1.9.2.4 Infra-estruturas escolares ... 52

1.9.2.5 Cultura ... 54

1.9.3 Mulher e Acção Social ... 55

1.9.3.1 Educação Pré -Escolar ... 55

1.9.3.2 Pessoas portadoras de deficiência ... 56

1.9.3.3 Idosos em situação difícil ... 56

1.9.4 Juventude e Desporto ... 56

1.9.5 Parceiros de cooperação e ONG’s que operam no Distrito ... 57

1.9.6 Quadro financeiro ... 58

1.9.6.1 Receitas arrecadadas ... 58

1.10 Valores das despesas ... 58

1.9.7 Síntese dos principais problemas e potencialidades ... 59

1.9.7.1 Principais problemas identificados ... 59

1.9.7.2 Principais potencialidades identificadas ... 60

2. ESTRATÉGIAS DE DESENVOLVIMENTO DO DISTRITO ... 61

2.1 Principais problemas do distrito ... 61

2.2 Principais potencialidades do Distrito ... 61

2.3 Principais áreas criticas em termos de desenvolvimento no Distrito ... 61

2.4 Regiões de desenvolvimento ... 62

2.4.1 Principais regiões e suas características ... 62

2.4.1.1 Sub-região 1 – Zona de alta densidade populacional ... 62

2.4.1.2 Sub-região 2 – Zona de grande potencial agrícola ... 62

2.4.1.3 Sub-região 3 – Zona de grande densidade florestal ... 63

2.4.1.4 Sub-região 4 – Zona baixa susceptível a inundações ... 63

2.5 Visão de desenvolvimento ... 65

2.6 Principais actores de desenvolvimento ... 65

2.7 Principais alternativas e áreas de intervenção ... 66

2.7.1 Sub-região 1 ... 66

2.7.2 Sub-região 2 ... 66

2.7.3 Sub-região 3 ... 66

2.7.4 Sub-região 4 ... 67

2.8 A temática de HIV/SIDA ... 67

2.9 Matrizes harmonizadas por áreas de intervenção ... 68

2.9.1 Produção agrária ... 68

2.9.2 Produção agrária (Sistema de irrigação) ... 70

2.9.3 Educação ... 71

2.9.4 Saúde ... 73

2.9.5 HIV/SIDA ... 74

2.9.6 Mulher e Acção Social ... 75

2.9.7 Gestão de Risco de Calamidades Naturais ... 76

2.9.8 Abastecimento de água ... 77

2.9.9 Obras publica e habitação (Estradas e Pontecas) ... 78

2.9.10 Meio ambiente ... 79

2.9.11 Ordenamento territorial ... 81

2.9.12 Secretaria Distrital... 82

2.9.13 Matriz sintetizada de desenvolvimento do distrito ... 83

(3)

Prefácio

No âmbito das transformações que se vem registando no pais nos últimos anos, uma das prioridades definidas é o envolvimento das comunidades locais no processo de planificação e tomada de decisões em todos os aspectos que servem de base para o desenvolvimento sócio - económico e cultural a nível dos distritos. Neste contexto, o Distrito de Caia elaborou o seu Plano Estratégico de Desenvolvimento Distrital, baseado num processo de consulta e discussão nas Instituiçoes de Participação e Consulta Comunitária (IPCC’s), Comités comunitários, Parceiros de cooperação e diversos sectores de actividades.

No mesmo plano estão reflectidas as principais preocupações e alternativas que contribuíram para a solução destes contando com a contribuição de diversos actores de desenvolvimento, nomeadamente comunidades, governo, Organizações Não Governamentais (ONG’s), Sector privado e demais organizações, dentro dos princípios e objectivos de cada um destes intervenientes.

Para o sucesso do processo de elaboração deste plano, o distrito contou com o apoio de diversas instituiçoes, designadamente a Cooperação Tecnica Alemã/Programa de Desenvolvimento Rural (GTZ-Proder), Equipa Provincial de Apoio a Planificação (EPAP), Direcção Provincial do Plano e Finanças, ONG’s que actuam no distrito. A estes vão os nossos sinceros e imensuráveis

agradecimentos. Estes agradecimentos são extensivos a todas IPCC’s, Lideres comunitários, Sector privado e todos os que directa ou indirectamente contribuíram neste processo.

O Administrador do Distrito

_____________________________________________

Lucas Simão Renço (Técnico em Administração)

(4)

Abreviaturas

ANE Administração nacional de estradas

A1 Actividade1

AEA Alfabetização e educação de adultos

APE Agente polivalente elementar

BST Beneficio social pelo trabalho

CCD Conselho consultivo do Distrito

CCPA Conselho consultivo do Posto Administrativo

CDGRC Comissão distrital de GRC

CLD Conselho local do Distrito

CLPA Conselho local do Posto Administrativo

CNA Companhia nacional algodoeira

COV Criança órfã e vulnerável

DDA Direcção distrital de Agricultura DDEC Direcção distrital de educação e cultura

DDICT Direcção distrital da indústria comércio e turismo DDMAS Direcção distrital da mulher e acção social DDOPH Direcção distrital das obras públicas e habitação

DDS Direcção distrital de saúde

EN Estrada nacional

EP1 Ensino primário do primeiro grau

EPAP Equipa provincial de apoio a planificação

EPC Escola primária completa

ER Estrada regional

ESG Ensino secundário geral

ETD Equipa técnica distrital

ETP Equipa tecnica de planificação

FAO Organização das nações unidas para agricultura e alimentação

FHI Fundação contra fome

FS Família substituta

GATV Gabinete de aconselhamento e Testagem voluntária

GRC Gestão de risco e calamidades

GTZ/PRODER Cooperação técnica Alemã - programa de desenvolvimento rural

HIV Vírus de imunodeficiencia humana

INAS Instituto nacional de acção social

INGC Instituto nacional de gestão de calamidades IOV Indicador objectivamente identificável

IPCC Instituição de participação e consulta comunitária LOLE Lei dos órgão locais de Estado

MAE Ministério da Administração Estatal

MPF Ministério do Plano e Finanças

NC Não classificada

OGE/OE Orçamento do Estado

ORAM Associação rural de ajuda mútua

PA Posto Administrativo

PAV Programa alargado de vacinações

PEB Programa de educação básica

PEDD Plano estratégico de desenvolvimento do Distrito PPD Pessoas portadores de deficiência

PRM Polícia da República de Moçambique

PROAGRI Programa nacional de agricultura PTV Prevenção da transmissão vertical

PVHS Pessoas vivendo com HIV-SIDA

R1 Resultado 1

SIDA Síndroma de imunodeficiencia adquirida SISE Serviço informação e segurança do Estado

SMI Saúde materno infantil

(5)

Introdução

A base de planificação para o desenvolvimento sócio - económico e cultural do Pais é o distrito.

Assim sendo, o Governo do Distrito de Caia elaborou o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Distrito com o envolvimento das comunidades através das IPCC’s e dos parceiros de cooperação. O plano servira de orientação de todas as acções a serem realizada e que contribuirão para a redução da pobreza absoluta ate 2010.

O plano esta subdividido em quatro componentes descritos abaixo.

1- O Processo de planificação

Esta componente descreve em pormenor as diversas fases percorridas desde o lançamento ate a elaboração do presente plano.

2- O Diagnostico

Este apresenta uma imagem actualizada e um resumo dos principais problemas e potencialidades do distrito.

3- As Estratégias de desenvolvimento

Estão aqui descritas as principais vias de intervenção a serem seguidas em conformidade com as características particulares de cada uma das quatro Sub-regiões identificadas.

4- O programa de acção

As principais acções a desenvolver no distrito durante o período de implementação do plano estão aqui retractadas. E também apresentada a carteira de projectos que contem as acções que o distrito as considera prioritárias

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Descrição do processo da elaboração do PEDD

Em 2002, marcaram-se os primeiros passos do processo de elaboração do então designado Plano de Desenvolvimento do Distrito, com o lançamento do projecto e Criação da Equipa Técnica de Planificação Distrital.

Na sequência disto fez-se o levantamento de problemas e potencialidades através de consultas aos sectores e posterior apreciação pelas Autoridades Comunitárias. A Equipa Técnica de Planificação Distrital teve o seu primeiro treinamento sobre metodologias de planificação estratégica em 2004 na Vila Sede do Distrito. Em seguida foi elaborado o primeiro plano de desenvolvimento distrital que não foi aprovado devido a necessidade do seguimento de novas orientações, nomeadamente o novo guião de participação e consulta comunitária.

Para dar maior dinamismo ao processo revitalizou-se a Equipa Técnica de Planificação em 2005.

Esta, por sua vez, iniciou a revitalização de algumas e constituição de outras IPCC’s, o que decorreu de Outubro a Novembro do mesmo ano. Ainda no decurso do mês de Novembro, a ETP foi submetida a um treinamento sobre a elaboração do Diagnóstico no qual consta a situação actual do Distrito, as potencialidades e problemas levantados nas IPCC’s. O Diagnóstico, 1ª parte do plano, foi aprovado pelo Conselho Consultivo do Distrito em Dezembro de 2005.

Em Maio de 2006, a Equipa Técnica Distrital foi treinada em matéria de Metodologias de Planificação Orientada para os Objectivos (ZOPP). Após este treinamento foram elaboradas as estratégias de desenvolvimento e submetidas a discussão, de Maio a Julho de 2006, a nível dos sectores, parceiros, CLPA’s e aprovação pelo CLD .

O último treinamento da Equipa Técnica Distrital teve lugar em Agosto do ano em curso e versava sobre programa de acção e redacção final do actualmente designado PEDD. Em Outubro do ano corrente foi aprovado o programa de acção pelo CCD que, a semelhança das estratégias foi submetido a discussão.

(7)

Figura 1: Localização das IPCC´s

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1. DIAGNÓSTICO

O Diagnóstico, representa uma fotografia actualizada do Distrito. Esta imagem torna-se fundamental para poder elaborar as estratégias e desenhar acções concretas de trabalho no Distrito de Caia. O Diagnóstico foi elaborado pela Equipa Técnica Distrital com base nas informações recolhidas nas Direcções Distritais, nos Fóruns Locais, nos Conselhos Consultivos dos Postos Administrativos e do Distrito, no ano 2005.

O presente Diagnóstico é constituído por quatro sub - capítulos dos seguintes conteúdos:

Características do Distrito, Situação sócio - económica do Distrito, Quadro Financeiro e Síntese dos problemas e potencialidades.

Característica do Distrito

Enquadramento na micro - região

O Distrito de Caia, situa-se ao Norte da Província de Sofala, e dista cerca de 300 km da Cidade da Beira via estrada 213 e 475 Km via EN1, enquadrando-se num ponto estratégico ao nível da região, pois é atravessado pela estrada nacional número 1 (EN1), que liga as regiões sul, centro e norte, é também atravessado pela linha férrea de Sena que dá acesso ao Porto da Beira, à Província de Tete e ao vizinho Malawi, actualmente em reabilitação.

A ligação rodoviária com a Província de Tete, faz-se através da Ponte Dona Ana e perspectiva-se para este ano 2006 o início das obras do Projecto de construção da Ponte sobre o Rio Zambeze na EN1, ligando assim com a província da Zambézia através da Localidade Administrativa de Chimuara. Nesta Localidade situa-se uma Subestação eléctrica cujo o ramal de transporte de energia provém da Barragem de Cahora Bassa e já beneficia a Vila de Sena.

O Distrito de Caia situa-se na Bacia do Rio Zambeze com um potencial de terras húmidas que lhe oferece condições propícias para o seu desenvolvimento em particular e do país no geral.

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Figura 2: Enquadramento regional do Distrito de Caia

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1.2 Situação geográfica

Distrito de Caia, localiza-se entre as coordenadas 17º 00´ a 18º 30´ de latitude Sul e 34º 30´ a 35º 30´ de longitude Este, é limitado ao Norte e Nordeste pelo Rio Zambeze, Noroeste pelo Distrito de Chemba, Sul Cheringoma, Sudeste Marromeu e Sudoeste/Oeste Marínguè e ocupa uma superfície de cerca de 3.477 Km2 .

1.3 Divisão Administrativa

O Distrito de Caia é constituído por 3 Postos Administrativos, 5 Localidades e 23 Regulados, como ilustram as tabelas a seguir.

Tabela 01: Divisão Administrativa

DISTRITO POSTOS ADMINISTRATIVOS LOCALIDADES

CAIA

Caia - Sede Sede

Nhamatanda

Murraça Murraça Sede

Sena Sena Sede

Licoma Fonte: Secretaria Distrital de Caia – 2006

(11)

Figura 03: Mapa da divisão Administrativa

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Tabela 02: Povoações e autoridade tradicional

Posto Administrativo Localidade Regulado

Caia - Sede

Caia Sede

Chandimba Chipende Chipuazo Gumançanze1 Camba Marra Njedzera Phaza Sombe Sumbuleiro Tanga-Tanga Zimbaue

Nhamatanda N’topa

Mangane

Murraça Murraça Sede

Chatala Chibongoloa Inharugue N’Sona Nhacuecha Sachombe Sena

Licoma Candeia

Sena Sede Murrema

Muanalavo Fonte: Secretaria Distrital, 2006.

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1.4 Condições físico-naturais

1.4.1 Geologia

Sob ponto de vista geológico as rochas são sedimentares do fanerozóico (grés conglomerado e calcário com falhas e fracturas).

1.4.2 Relevo

O Distrito, fisiogeográficamentel, assenta sobre uma planície fluvial (0 -100 m), elevando-se à medida que se caminha de Este para Noroeste. O ponto mais alto do Distrito é o Monte Balamuana que se situa na Localidade Sede de Sena e não possui mais de 500 metros de altitude.

1.4.5 Solos

Os Solos, são fluviais de alta fertilidade no vale do Rio Zambeze, assim como, franco - argilosos acastanhados evoluídos de fertilidade intermédia e boa em partes delgadas para a parte interior do Distrito.

1.4.6 Vegetação

A vegetação dominante é a floresta de miombo de densidade média e alta, extensas áreas de pradarias e pântanos, dominadas por gramíneas e vegetação herbácea ao longo dos rios Zambeze, Zangue e no limite com Marínguè.

1.4.7 Clima

O clima, predominante no Distrito de Caia é tropical, com duas estações distintas, quente e chuvosa de Novembro à Abril, fresca e seca de Maio à Outubro.

1.4.8 Precipitação

A precipitação média anual oscila entre 600 a 1000 mm. Os ventos mais frequentes são do leste para oeste e a Temperatura Média Anual varia entre 28,7º e 35,7ºC.

1.4.9 Hidrografia

O Distrito de Caia, é atravessado por vários cursos de água dos quais os principais rios são:

(14)

Figura 4: Rede hidrográfica

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1.4.10 Meio ambiente

Devido à proximidade do rio Zambeze e de altitude baixa por ser uma zona de planície a região é susceptível a inundações e a erosão, o que contribui de certa forma para a destruição de infra- estruturas, recursos naturais, culturas diversas, intransitabilidade das vias de acesso.

Alguns factores estão a influenciar negativamente a gestão dos recursos naturais, nomeadamente as queimadas descontroladas, a desmatação, a erosão e asseio do meio inadequado (fecalismo a céu aberto).

As queimadas descontroladas são feitas para a prática da agricultura e caça. A desmatação, caracterizada pelo abate indiscriminado de árvores, destina-se à abertura de novas machambas e produção de carvão. A erosão tem assolado principalmente as Vilas de Sena, Caia e interior do Distrito na época chuvosa. Caia é ciclicamente afectado por cólera e outras doenças diarreicas e um dos factores que para isso tem concorrido é o hábito de defecar a céu aberto.

Entretanto, o distrito não dispõe de um plano de gestão do meio ambiente e apenas a Comunidade de Mangane possui um título comunitário de uso e aproveitamento da terra (maneio comunitário).

1.4.11 GRC

Dada a localização geográfica do Distrito, este é susceptível a ocorrência de desastres naturais com destaque para as inundações e seca.

As comunidades ribeirinhas, ao longo dos rios Zambeze e Zangue são particularmente vulneráveis as inundações. Por conseguinte esta calamidade tem constituído o centro das atenções da comissão distrital de GRC e dos seis comités locais, constituídos em 2005, nomeadamente Sombreiro, Chipuzo, Marra e N´Djezera, no Posto Administrativo Sede, Nharúngue e Sachombe, no Posto Administrativo de Murraça.

Estes comités tem levado a cabo principalmente actividades de sensibilização para a prevenção das calamidades naturais.

Os efeitos da estiagem tem se feito sentir em todo o Distrito, porem com maior realce no Posto Administrativo de Sena, cujas condições do clima favorecem a ocorrência deste fenómeno.

Entretanto, para fazer face a estas calamidades, o Distrito tem elaborado anualmente o

seu plano de contingência e dispõe de sete centros de reassentamento, designadamente

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1.5 População

1.5.1 Distribuição da população

Em 1997, a população do Distrito de Caia era avaliada em cerca de 86.001 habitantes com uma densidade populacional de 24 Hab./Km². A população encontra-se repartida de modo desigual, pois a maior concentração verifica-se junto ao vale do Zambeze em detrimento do interior onde encontramos povoações dispersas e isoladas, como ilustra a figura.

De acordo com as projecções do censo de 1997, a população do Distrito de Caia, em 2006, é estimada em cerca de 92.233 habitantes e uma densidade populacional de 25 hab./Km².

Tabela 03: Distribuição da população

Local Homens Mulheres Total

Posto Administrativo de Caia (Sede)

18.637 20.516 39.153

- Vila de Caia 5.059 5.414 10.473

- Localidade de Caia 13.578 15.102 28.135

Posto Administrativo de Murraça 8.467 9.668 18.135

Posto Administrativo de Sena 13.379 15.334 28.713

Distrito de Caia 40.483 45.518 86.001

Fonte: Censo do 1997

Figura 5: Densidade populacional

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Tabela 04: Distribuição da população por Regulado – 2004

Posto Administrativo Regulado (Nome do Régulo) Habitantes Homens Mulheres

Caia – Sede

Chandimba 1114 536 578

Chipende (Felisberto Pita Manuel) 2283 1109 1174

Chipuazo (António João Chipuazo) 1091 538 553

Mangane (Fernando Raposo Mangane) 3347 1714 1633

Marra (Francisco Alfredo Marra) 1729 830 899

N’topa (Fermino N'topa Thicamambo) 3035 1458 1577

Njedzera (Francisco Andrade) 638 311 327

Phaza (Possi Chico Phaza) 3237 1509 1728

Gumançanze (Joaquim Capece Sacatúcua) 5705 2789 2916

Sombe (António Bizeque Sombe) 469 231 238

Sumbuleiro (Mariano Bitone Raposo) 2979 1465 1514

Tanga-Tanga (Domingos Nicolau Tanga-Tanga) 9548 4804 4744

Zimbawe (Helena Zimbawe) 4749 2229 2520

Murraça

Camba (Vasco Augusto Rabeca Camba) 5704 2727 2977

Chatala (Miguel Tomocene Passalambapo) 2300 1094 1206

Chibongoloa (Augusto José Chibongoloa) 3534 1725 1809

Murrema (Inácio Alberto Cardoso Murrema) 6431

N’Sona (Tomé Fernando) 2215 1015 1200

Nhacuecha (João Nhacuecha) 3740 1797 1943

Nharugue (Armando Monteiro Nharugue) 3032 1051 1981

Sachombe (Baptista F. Njanje Sachombe) 3905 1864 2041

Sena

Candeia (Caetano N'galo Candeia) 7444

Muanalavo (Liva Bobo Muanalavo) 23232

TOTAL 101.461

Fonte: Secretaria Distrital , 2004

• Dados não disponíveis

Piramide etária do Distrito

1 - 40 5 - 9 10 - 14 15 - 19 20 - 24 25 - 29 30 - 34 35 - 39 40 - 44 45 - 49 50 - 54 55 - 59 60 - 64 65 - 69 70 - 74 75 - 7980 e +

Mulheres Homens

Fonte: Censo de 1997

Observando a pirâmide etária referente ao censo de 1997, pode-se concluir o seguinte:

- A população do Distrito é muito jovem, com uma mortalidade infantil acentuada e uma esperança

(18)

1.5.2 Características socioculturais

Breve Roteiro Histórico

Vários autores apresentam opiniões quanto, a origem do povo Sena por vezes, divergentes , por exemplo, A. Rego Martinho diz-nos o seguinte:

Descendem os “Senas” de um grupo de indígenas conhecidos por Ba-Sengas oriundos dos Mucaranjas que, vindo do Norte desceram até as margem do rio Zambeze onde se fixaram e vivem.

Um outro autor anónimo, narra o seguinte:

- (…), foi-nos afirmado que os Sena começaram na Muala ua Sena - Pedra Sena - localizada junto a um monte denominado Baramuana, em Sena.

Com o formato de um arco, tinha umas “letras” que ninguém sabia ler porque foram escritas por Deus.

(…) a Muala ua Sena é lugar de romagem obrigatória para quantos Senas passam por Sena; muitos ali se deslocam propositadamente, para “verem onde começaram”.

Alguns depoimentos como, o discurso do Régulo Faria Jasse Kamalazene:

Este grupo Sena surgiu da pedra chamada Sena. Essa pedra, consoante aquilo que ouvi dizer, existia muito antes da chegada dos portugueses. Quando chegaram, encontraram a pedra e começaram a cavar com o fim de transportá-la para a Vila de Caia, mas nunca conseguiram. (…)

Os nossos bisavôs é que nos disseram que aquela pedra chama-se Sena, e que Sena não é nome de uma pessoa, mas a raça que vive nesta zona chama- se A-Sena.

Um outro chefe local, o Régulo Murrema, falando sobre o mesmo assunto, disse o seguinte:

Os povos Sena saíram de Sena. Esse nome surgiu de uma pedra que se chama Sena e tem a configuração de uma porta, mas ninguém sabe dizer quem a colocou naquele local e naquela posição.

O Régulo Luís Afonso Tchetcha, parece ir mais longe quanto ao sentido da inscrição que se encontra sobre a pedra:

O grupo Sena surgiu da pedra chamada Sena. O nome de Sena apareceu da escrita que está sobre a pedra de Muala ua Sena. A pedra não foi colocada por alguém; ela surgiu como um fenómeno natural, como qualquer outra montanha. Todos os nossos antepassados encontraram esta pedra, no mesmo local.

(…) todos os Sena reconhecem e localizam a sua origem mítica no Mualaua Sena, este local não serve de santuário para os rituais de Sembê (cerimónias aos espíritos ancestrais), como é frequente em outras comunidades, na medida em que é desconhecido o nome do seu dono - ancestral (Ázimo). Em resumo, os Sena encontram-se distribuídos pelos seguintes principais grupos:

Senas Chuezas - (os que se encontram do lado de “onde vem a água”). Povoam os territórios do actual distrito de Tambara, exceptuando as áreas de Lundo, Chiramba e Catulene;

Senas “Próprios” - Assim se auto-designam os que se consideram residentes na parte central do território Sena, onde se encontram as suas origens; são os casos de Chemba, Sena incluindo Caia;

Senas “Podzo” - (são assim designados os que se situam do lado “para onde corre a água”). Habitam essencialmente as terras de Marromeu e na parte da Província da Zambézia, encontram-se em Mopeia, Campo, Luabo e umas partes de Namacurra, Nicoadala e Quelimane.

Etimologia do nome Sena

Enquanto a história oral remete as origens do nome Sena ao mito de Muala ua Sena, certos documentos escritos relacionam este vocábulo com a história dos árabes, a quem se atribui a introdução do nome. (…) alguns extractos desses escritos:

- Sena, segundo A. Augusto Pereira Cabral, 1924, é a corrupção de Siona, Siuna ou Shona. Os árabes designaram Sena por Seyuna. Será curioso notar que no Iêmen, a capital de Hadramant era conhecida por Saiyun, que será uma corrupção de Sana. A capital dos árabes Emozaid era em Sena e que foi originalmente escrito por Siyonna.

(…) atribuição do nome Mualo ua Sena, prevalece a dúvida, se terão sido os visitantes árabes a influenciar a adopção do topónimo Sena, ou se estes terão, tentado deformar a designação local, por analogia com os nomes conhecidos em Iêmen e noutros cantos do mundo.

A presença árabe

Os árabes fundaram Sofala, que foi o seu primeiro ponto de partida para as terras auríferas do Muenemutapa, para onde seguiam guiando-se pela direcção dos vales dos rios Buzi e Revuè. Tendo explorado a navegabilidade do rio Cuama (Zambeze), os Swahili-árabes fundaram Sena, que lhes servia de base de partida para as expedições comerciais do ouro produzido na região norte do Estado do Mwenemutapa.

Em Sena, o movimento comercial árabe aumentou com a chegada dos portugueses em Sofala no século XV, que logo trataram de escorraçar, pela força, os muçulmanos, no intuito de manter o monopólio do controlo do comércio do ouro do Mwenemutapa.

A presença e fixação portuguesa

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A Vila de Sena

A Vila de Sena encontra-se a escassos quilómetros da margem direita do rio Zambeze, nas terras da povoação de Inhamioyo e a cerca de 60 quilómetros da sede distrital, a Vila de Caia. Funcionou inicialmente, como uma simples feitoria de comerciantes Árabes que por ali passaram por volta do ano 1313 ou mesmo antes e a denominaram-lhe por Siyuna.

A então povoação de Sena foi elevada à categoria da Vila em 9 de Maio de 1761. Nessa altura, Sena era uma Vila estratégica e de grande importância no comércio de ouro e marfim saído do Império do Mwenemutapata em que a Siyuna (Sena) fazia parte.

É de crer que a mudança de nome Siyuna à Sena foi operada muito mais tarde, depois da chegada dos portugueses nesta área em 1571, e construíram nela o Forte (...).

Criação da Circunscrição de Sena

O território da então circunscrição de Sena estava constituída por uma faixa marginal do rio Zambeze desde a sua embocadura até ao Luenha, sendo limitado ao sul pelos então grandes prazos de Cheringoma e Gorongosa, depois pelo Báruè.

A povoação de Sena foi elevada à categoria de Vila, em 9 de Maio de 1761, passando a ser designada por “Vila de Sena”. O distrito de Caia, teve como ponto de partida, a então circunscrição de Sena.

O distrito de Caia possuía inúmeras infra-estruturas agro-industriais que se dedicavam a produção de algodão, milho, gergelim e também a pecuária.

Entre estas e outras culturas, o cultivo do algodão detinha as prioridades. A antiga Sociedade Agrícola de Magagade que se dedicava à produção em grande escala de milho e gergelim, a criação de gado bovino e caprino.

Havia também centenas de colonos que trabalhavam sob a orientação do Instituto de Algodão de Moçambique. Esta instituição, promovia os princípios básicos de cooperativismo, sustentados por um sistema de autofinanciamento. Este programa culminou com a fundação da União Cooperativa do Vale do Zambeze (UNICOOP), que mais tarde veio a montar a fábrica de descaroçamento e prensagem de algodão em Murraça.

A Empresa “The Sena Sugar Factory, Ltd.”

A fábrica começou a funcionar em 1908, com uma capacidade de produção de 17.500 toneladas de açúcar por ano. Além de produção de açúcar, a empresa dedicava-se também a produção de algodão e a criação de gado bovino. O encerramento definitivo da fábrica de Caia ocorreu em 1935.

(20)

A tradição Sena no âmbito familiar

A tradição Sena baseia-se no sistema patrilinear e a poligamia è muito difundida a nível do distrito de Caia.

Na organização da família Sena, os filhos tem a obrigação de respeitarem os seus parentes; devem ouvir os conselhos dos pais prestando-lhes um profundo respeito. O respeito deve também se estender a todas pessoas da zona, especialmente, aos velhos e velhas. Quando saudar uma pessoa duma idade superior a sua, a iniciativa de dar a mão pertence ao mais velho. Quando recebe-se alguma coisa è preciso receber com as duas mãos em gesto de agradecimento.

Os filhos devem ajudar os pais nos trabalhos de casa: cozinhar os alimentos, buscar água ou lenha, varrer o quintal. As meninas devem também aprender pilar milho e outros produtos. Os rapazes devem aprender a construir a cabana (Geero). Devem acompanhar os pais a trabalhar na machamba, pois a fome não se foge pelos pés mas pelas mãos!

A coisa mais importante è que os pais eduquem os filhos na fase da infância para melhor acompanhamento, pois quando crescidos, se torna difícil: a arvore endireita-se quando pequenina (Muti unadzongolwa mbuchiri ung’ono, ungakula unagwandika)!

Antigamente, quando os filhos atingiam a idade da puberdade, os pais chamavam o padrinho ou a madrinha para educa-los através dos ritos de iniciação.

A iniciação è um tipo de retiro, hoje quase desaparecido, onde os jovens recebiam educação nos valores tradicionais para uma boa passagem de criança a homem/mulher. Estes ritos eram feitos num lugar distante da aldeia dos iniciados. O rito de iniciação das meninas tem nome de MASESETO. O namoro pode ser iniciado pelos pais ou pelo rapaz. Quando a iniciativa è do rapaz, ele pode falar directamente com a menina preferida ou colocar a sua preocupação a uma mãe de sua confiança (madrinha) para lhe ajudar na escolha. Mafungula mulomo è uma cerimonia (“de abre a boca”): trata-se dum dinheiro que se entrega à menina para ela autorizar a conversa. Se a menina ama o rapaz, recebe o que o jovem traz para ela como símbolo de pedido de namoro.

O acordo entre os pais (kumutsa) acontecia depois do filho ter informado os próprios pais que a menina aceitou: eles se dirigiam em casa dos futuros sogros, levando cinco litros de nipa. Os pais da menina encontravam-se também com uma garrafa de nipa nas mãos. Dai, trocavam-se os copos.

O Lobolo (chuma) è um gesto monetário entregue pelos pais do rapaz aos pais da menina. Este valor è marcado pelo conselho da família da menina, sempre tendo em conta do comportamento da sua filha. No acto de entrega do Lobolo, a menina è insistentemente perguntada pelos membros do conselho familiar se quer o não recebe-lo para não força-la a um casamento indesejado. Para a entrega do Lobolo, os pais do rapaz levam de novo cinco litros de nipa, tabaco moído e tabaco para cigarros destinados à sogro e ao sogro. Tudo isto è colocado dentro duma capulana nova que vai ficar com a mãe da menina.

Em resposta ao gesto feito pelos pais do rapaz, os pais da menina matam um cabrito. Depois da cerimonia do Lobolo, o namoro considera-se oficial, o que em chisena diz-se kusembiwa; a partir de ai, os pais acordam a data do casamento para melhor preparação do evento. O casamento è a união entre o rapaz e a menina com o objectivo de procriação e engrandecimento da geração familiar (dzindza).

Quando morre uma pessoa, deve permanecer na sua casa pelo menos 24 horas como forma de despedida da sua própria casa e da família. Acredita-se que a pessoa falecida possa voltar dentro de 24 horas. E’ indicado um homem, chamado nyarumbi mais próximo da família para dirigir todas cerimonias até ao fim do luto (chiriro). Toda família e todos vizinhos estão enlutados até o 7° dia. A cerimonia de Kupita Kufa è a realização do acto sexual pela viuva ou viuvo no caso da morte de um dos cônjuges, ou pelos pais no caso da morte duma criança. O objectivo principal desta cerimonia è de garantir a continuidade da família na procriação e educação das crianças que ficam órfãs. Hoje esta pratica tem consequências muito perigosas para a rápida difusão do HIV.

Na cultura Sena, como em muitas outras culturas africanas, a morte não è o fim da vida. Quando morre uma pessoa, o seu espirito continua a viver. A bondade ou maldade do espirito dependo do comportamento da pessoa durante a sua vida terrena. A vida na terra prejudica portanto a vida depois da morte. A morte è portanto o fim da vida terrestre e o começo da vida no mundo dos antepassados (makholo).

Fonte: Alguns usos e costumes na Tradição Sena – Programa de Formação Humana da Juventude – Grupo de Jovens “Nzeru Mbawiri”, Padre Boaventura, Murraça-Caia 2006

1.5.3 Aglomerados humanos

O assentamento da população no Distrito de Caia, historicamente segue os costumes tradicionais dos Senas, caracterizado pela dispersão e pelo nomadismo.

(21)

As deslocações periódicas das famílias no território é um fenómeno ainda muito comum, especialmente nas famílias do interior que praticam agricultura de subsistência e a criação de animais.

1.5.4 Estrutura dos assentamentos humanos

Os principais assentamentos humanos no Distrito de Caia, estão dispostos principalmente ao longo do rio Zambeze, na estrada regional 213, de Caia a Sena, o que facilita o surgimento e desenvolvimento dos aglomerados humanos, devido a facilidade de circulação de pessoas e bens, onde se destacam a Vila de Caia, Murraça e Sena.

Estas são também sedes de Posto Administrativo, onde se concentram os serviços básicos para a população e os principais mercados de produtos agrícolas e de primeira necessidade.

Geralmente as construções nestes lugares são caracterizadas por serem de material convencional (bairro cimento) e de material local, que são construídas na maior parte das vezes de forma desordenada, em espaços não parcelados.

O bairro de cimento é constituído principalmente de edifícios da época colonial e de construções recentes que na maior parte são habitadas por funcionários públicos e para o funcionamento dos diversos serviços representados no Distrito.

Os bairros suburbanos ou da periferia, são caracterizados normalmente por um assentamento que não segue uma regra básica, sendo um conjunto de palhotas a serviço da vida familiar. Normalmente estas palhotas (incluindo as construções acessórias como cozinha, latrinas, casas de banho, currais, pombais, capoeiras...) dispõem-se de forma semicircular e ocupam assim de maneira diferente o território, em relação as construções convencionais que se organizam de forma ortogonal.

A Vila de Caia, é o ponto de referência do Distrito, por ser a sede e onde estão concentrados a maior parte dos serviços públicos, Sena constitui uma Vila em franca expansão, pois têm como um catalisador a energia eléctrica permanente, é caracterizado ainda por ser um centro comercial de grande importância na região e a presença da Ponte Dona Ana que facilita sobremaneira a ligação com Mutarara e o vizinho Malawi.

Murraça, é uma referência no Distrito, por se encontrar entre as duas vilas e têm como pólos de atracções a Missão Nª Senhora de Fátima, um grande centro educacional da região e a zona da antiga fábrica de descaroçamento de algodão.

Uma boa parte da população do interior do Distrito utiliza o Posto Administrativo de Murraça como ponto de referencia, para o tratamento de assuntos ligados aos serviços públicos e comercio, pois este não possui níveis mais baixos de administração pública ( localidade ).

Na zona do interior, as aldeias são de pequenas dimensões e com um modelo de assentamento disperso, os aglomerados familiares situam-se a uma certa distancia entre si, com tendência natural de fixar residência nas bermas dos cursos de água.

(22)

A população procura de certa forma os serviços mais que se situam mais próximos, mas mantendo suas casas em posições isoladas para poder ocupar suas machambas e criar seus animais de forma independente.

No mapa de distribuição dos aglomerados humanos é possível observar como a maior parte da população está concentrada na zona ao longo do rio Zambeze, na estrada de Caia - Sena.

Figura 06: Mapa da distribuição dos assentamentos humanos no território do Distrito de Caia

(23)

1.5.5 Posse da terra

A posse da terra no distrito é geralmente caracterizado pelo uso costumeiro que as famílias adquirem através da ocupação continua das áreas onde assentam-se e cultivam.

Nos centros urbanos como nas áreas rurais a ocupação por boa fé, é a pratica de posse de terra mais difundida. Existem também terras ocupadas através de títulos de uso e aproveitamento, emitidos pelo Serviço de Geografia e Cadastro do Serviço Distrital de Agricultura.

Estos últimos casos verificam-se sobretudo em relação aos investimentos económicos de meio e grande porte (agricultura de rendimento, aproveitamento de madeira, complexos turísticos, coutadas...) ou em casos de construções em materiais convencionais nas vilas abrangidas por planos de urbanização.

Um exemplo de uma forma de obtenção do direito de uso e aproveitamento de terra, é do regulado Mangane, na zona sul do Distrito, onde a comunidade se organizou para obter um titulo comunitário de uso e aproveitamento da terra, em colaboração com diversos parceiros ORAM e o GTZ/

PRODER.

Na mesma área existem também duas coutadas de caça e uma concessão florestal, na zona da Vila estão a se multiplicar os pedidos para exploração de actividades de hotelaria, em previsão do grande afluxo que se prevê que vá acontecer durante a construção da Ponte sobre o Rio Zambeze.

1.5.6 Acesso a terra

No Distrito, todos tem acesso a terra, por isso, não se tem verificado grandes conflitos de uma maneira geral, existindo no entanto alguns problemas no início de cada campanha agrícola devido a procura de zonas mais férteis.

No geral a posse da terra é transmitida por herança, podendo também indivíduos provenientes de fora do Distrito adquirir a mesma bastando para o efeito, contactarem com os líderes comunitários para a identificação e ocupação da mesma.

O pequeno constrangimento existe na vila sede devido a falta de espaço para novas atribuições, sendo esta garantida pela Administração do Distrito em coordenação com o sector Distrital da Agricultura, para minimizar este problema já foi identificada uma área para a expansão da vila, dentro do plano de ordenamento territorial e urbanização em elaboração, para se ultrapassarem estes constrangimentos.

Em quase todo o Distrito, a posse da terra é ainda garantida através de usos e costumes devido à fraca divulgação da Lei de Terra no seio das comunidades.

(24)

1.6 Administração pública

1.6.1 Estrutura administrativa do Distrito

A Administração do distrito é constituída por uma Secretaria Distrital, pelos Postos Administrativos Sede, de Murraça e Sena e pelas Localidades Administrativas de Licoma, Sena Sede, Murraça - Sede, Caia Sede e Nhamatanda. A Secretaria è dirigida por uma Secretaria permanente, os postos por chefes de postos e as localidades por chefes de localidades. Entretanto, a chefia do posto administrativo de Caia - Sede, Localidade Caia - Sede e localidades de Murraça e Sena - Sede è exercida pela Secretária Permanente e os Chefes dos Postos respectivamente. Todas estas estruturas são legitimadas por nomeação.

O Governo Distrital è constituído pelas seguintes instituições:

Secretaria Distrital;

Serviço Distrital de Educação e Cultura;

Serviço Distrital de Saúde;

Serviço Distrital de Agricultura;

Serviço Distrital da Mulher e Acção Social;

Conservatória dos Registos e Notariado;

Comando Distrital da P.R.M;

Representação Distrital de Industria, Comércio e Turismo;

Delegação do I.N.G.C.

Delegação Distrital dos S.I.S.E.

Representação Distrital das Obras Publicas e Habitação;

Tabela 05: Número de Funcionários Existentes

SECTOR PÚBLICO

(INSTITUIÇÕES)

TOTAL POSTO CHEFIA

VÍNCULO LABORAL GÉNERO FORMAÇÃO ACADÉMICA Quadro Contratado M F Elem Básico Méd. Sup

01 Secretaria Distrital 80 7 57 23 70 10 10 07 04 01

02 S. D. Educação e Cultura 374 83 139 235 311 63 26 210 87 11

03 S. D. de Saúde 40 06 11 29 29 11 06 26 07 01

04 S. D. De Agricultura 20 05 05 15 19 01 06 02 10 02

05 S. D. Indústria e Comércio

02 01 01 01 02 00 01 01 00 00

06 S.D. Acção Social 02 01 02 00 02 00 01 00 01 00

07 Registo Civil e Notariado 03 02 02 01 03 00 02 00 01 00

08 Tribunal Judicial 07 01 04 03 06 01 01 05 01 00

09 PRM* 00 00 00 00 00 00 00 00 00 00

10 INGC 01 01 01 00 01 00 00 01 00 00

11 S. D. Obras Públicas e 02 01 01 01 02 00 02 00 00 00

(25)

1.6.2 Estruturas de Base (Autoridades Comunitárias)

Ao nível da Base, existem 23 régulos, 20 secretários de bairro, 56 Saphandas, 147 N’fumos que exercem o poder tradicional e comunitário, complementando as estruturas governamentais. Estes lideres são legitimados pela comunidade e reconhecidos pelo governo local. Este poder è geralmente transmitido por herança, secundo um padrão patrilinear com a excepção dos secretários dos bairros cuja ascensão ao poder é através de escolha pelas Comunidades.

Tabela 06: Distribuição da autoridade tradicional

Nr P/Adm. Nome Completo Designação Sexo Área de Jurisdição Data de

Reconhec.

Outros Lideres Obser Localidade Regulado/

Aldeia/Bairro

Sapha ndas

N’fum os

1

Caia Sede

António Bizeque Sombe Regulo M Sede Sombe 13.06.03 1 2

2 António João Chipuazo Regulo M Sede Chipuazo 12.06.03 1 4

3 Domingos Nicolau Tanga-Tanga Regulo M Sede Tanga-Tanga 19.07.02 2 6

4 Fernando António R. Mangane Regulo M Nhamatanda Mangane 29.06.02 2 6

5 Francisco Andrade Regulo M Sede Ndjezera 18.04.03 1 3

6 Felizberto Pita Manuel Regulo M Sede Chipende 01.08.03 2 3

7 Fermino N’topa Regulo M Nhamatanda N’topa 17.09.02 4 5

8 Helena António Zimbawe Rainha F Sede Zimbawe 10.04.03 3 4

9 Fernando Alfredo C. Marra Regulo M Sede Marra 09.07.03 1 6

10 Ines Artur Agostinho Rainha F Sede Chandimba 12.05.05 2 4

11 Mario Bitone Raposo Regulo M Sede Sombreiro 26.06.02 1 4

12 Posso Chico Phaza Regulo M Sede Phaza 26.10.02 2 5

13 Vasco Augusto Rabeca Camba Regulo M Sede Camba 08.10.02 3 7

14 Joaquim Capece Sacatucua Regulo M Sede Gumançanze

15 Chimica B. Juliasse Secretario M Sede Chirimba II 19.07.03 Regulado

Gumanç.

16 Ernesto Luís Sebastião Secretario M Sede Chirimba I 03.05.03 Regulado

Zimbawe

17 Gimo João Secretario M Sede Amilcar Cabral

“B” 14.09.02 Regulado

T. Tanga

18 Ines Isabel Waite Secretario F Sede Vila de Caia 25.06.03 Regulado

Zimbawe

19 João Tomo Semente Secretario M Sede DAF 12.10.02 Regulado

Zimbawe

20 Joaquim Andrade Secretario M Sede Nhampunga 11.04.03 Regulado

T. Tanga

21 Joaquim Inácio Singano* Secretario M Sede Nhamomba 04.05.03 Regulado

T. Tanga

22 Jorge Américo José Secretario M Sede Malocotera 27.06.02 Regulado

T. Tanga

23 Lino Tomas João* Secretario M Sede Amilcar Cabral

“A” 01.07.03 Regulado

T. Tanga

24 Manuel Franque Cuamboca Secretario M Sede Chirimba II “B” 27.06.02 Regulado

Gumanç.

25

Murraça

Armando Monteiro Nharugue Regulo M Sede Nharugue 13.03.03 3 6

26 Augusto José Chibongoloa Regulo M Sede Chibongoloa 03.05.03 2 5

27 Baptista Francisco Sachombe Regulo M Sede Sachombe 08.04.03 2 4

28 Joaquim João Nhacuecha* Regulo M Sede Nhacuecha 07.10.02 3 7

29 Miguel T.P. Chatala Regulo M Sede Chatala 04.07.02 2 5

30 Tomé Fernando Regulo M Sede N’sona 04.07.02 2 6

31 Domingos José Jofinal Secretario M Sede 3° Bairro 21.09.02 Regulado

Nharugue

32 Geronimo Faria Missire Secretario M Sede 2° Bairro 16.05.03 Regulado

Nharugue

33 João Caetano Clementino * Secretario M Sede 5° Bairro 08.04.03 Regulado

Nharugue

34 José Joaquim Comane Secretario M Sede 1° Bairro 21.09.02 Regulado

Nharugue

35 Novaz Manuel Njange Secretario M Sede 4° Bairro 16.05.03 Regulado

(26)

36

Sena

Jorge Caetano Candeia Regulo M Licoma Candeia 23.11.04 7 12

37 Inacio Alberto Cardoso Regulo M Sede Murrema 19.05.03 5 12

38 Liva Bobo Muanalavo Regulo M Sede Muanalavo 01.07.02 6 26

39 Benjamim Joaquim Secretario M Sede Tchola 10.03.03 Regulado

Muanalavo

40 Costa Cipriano Candeia Secretario M Sede Bairro CFM 02.07.02 Regulado

Muanalavo

41 Januario Campira Chipoca Secretario M Sede 25 de Setembro 01.10.05 Regulado

Muanalavo

42 Jone Ngenge João Secretario M Sede Bairro Chipanga 11.03.03 Regulado

Muanalavo

43 Lancerda António Nsossoto Secretario M Sede Bairro Nhamioio 30.12.02 Regulado

Muanalavo

* Falecido ainda não substituído.

Fonte: Secretaria Distrital, 2006

Figura 07: Distribuição das Autoridades Tradicionais

(27)

1.7 Serviços para o público

1.7.1 Registo Civil e Notariado

A conservatória dos Registos Civil e Notariado não cobre todo o Distrito, abarcando apenas a Sede do Distrito e a de Posto Administrativo de Sena. Por conseguinte, a população do Distrito percorre grandes distancias para estes dois locais para se beneficiar dos seus serviços. Actualmente a conservatória funciona em instalações pertencentes à Administração do Distrito tanto na sede do Distrito como no Posto Administrativo de Sena.

1.7.2 Segurança Pública

Na sede do distrito funciona o Comando Distrital da P.R.M. com os seguintes sectores: Identificação Civil, Operações, Transito e Investigação Criminal.

Em cada um dos postos Administrativos de Sena e Murraça funciona um posto policial. Em Murraça, a Policia não tem instalações próprias funcionando na sede da Administração. Nas Localidades de Licoma e Nhamatanda não existe representação Policial.

1.7.3 Instituições de Justiça

O Tribunal Judiciário Distrital que julga casos de competência do direito civil funciona na sede do Distrito de Caia. Os conflitos de menor dimensão são resolvidos nos três tribunais comunitários existentes na Sede, em Murraça e em Sena.

Na Vila Sede do Distrito existe uma cadeia, em reabilitação, constituída por 3 celas masculinas, sendo uma considerada relativamente de máxima segurança e 1 feminina. Esta cadeia tem uma capacidade de absorver 60 reclusos.

(28)

Situação sócio - económica do Distrito

1.8 Área económica

1.8.1 Infra-estruturas 1.8.1.1 Vias de comunicação

O Distrito é privilegiado por ser atravessado pela estrada nacional número 1 e faz a principal ligação com a Província da Zambézia (corredor centro nordeste ), também pela estrada regional 213 (Caia – Sena), mas de salientar que no interior do Distrito a comunicação rodoviária encontra grandes limitações devido ao seu Estado de manutenção, que torna a transitabilidade deficiente principalmente na época chuvosa, e a limitada cobertura da mesma. A rede rodoviária do Distrito, é composta por 60 Km de estradas secundárias e 400 Km de estradas terceária.

Da rede de estradas principais, destaca-se como já foi referido, a Estrada Nacional n.º 1, que atravessa o Distrito desde a ponte de Fudza na Localidade de Nhamatanda até ao ponto de travessia no rio Zambeze ( Centro - Nordeste ).

A Estrada Regional n.º 213, parte de Dondo, via Muanza, Cheringoma, atravessa o Distrito indo até ao Distrito de Chemba, Localiza-se ao longo do rio Zambeze e constitui a principal estrada que liga o Norte e o Sul do distrito.

A Estrada Regional n.º 577, situa-se na região sul do Distrito perto da Vila de Caia e constitui a ligação entre o Distrito de Caia e o de Marromeu.

Tabela 07: Rede rodoviária

LOCALIZAÇÃO ( início – fim )

EXTENSÃO (KM)

CLASSIFICAÇÃO TRANSITÁVEL REABILITADA (S/N)

Caia - Gorongosa 234 EN 1 Sim Sim

Caia - Sena 60 ER 213 Sim Sim

Vila de Caia - Sombreiro 15 NC Sim Não

Caia - Marra 20 NC Sim Não

Deve - Ntopa 43 NC Parcial Não

Chandimba – Gumançanze 16 NC Parcial Não

Camba - Chipende 6 NC Parcial Não

N’Sona – Chatala 15 NC Parcial Não

N’topa – Nhacerossero 60 NC Parcial Não

(29)

A ligação do Distrito de Caia com a Província da Zambézia, é feita pela travessia do rio Zambeze por batelão a motor gerido pela ANE, assim como através de pequenas embarcações de privados a motor e a remo.

A ligação do Distrito com a Província de Tete é feita através da ponte Dona Ana, antigamente uma ponte ferroviária, que liga o Posto Administrativo de Sena e a Vila de Mutarara, hoje utilizada no sentido único alternado somente pelo transporte rodoviário.

1.8.1.2 Aeródromos

Existem no Distrito três Aeródromos:

O aeródromo da Vila de Caia, que possui uma pista asfaltado, com 800 metros de comprimento e 100 de largura, este oferece as melhores condições de utilização;

Na Vila de Sena, existe um aeródromo com dimensões de 1.000 metros de comprimento e 100 metros de largura, de terra batida, não utilizado devido ao seu Estado actual e outro na sede do Posto Administrativo de Murraça, possuindo 550 metros de comprimento e 100 de largura, também não utilizado, devido as suas condições precárias de manutenção.

1.8.1.3 Telecomunicações

O sistema de telecomunicações no Distrito, encontra-se em franca expansão, possuindo já uma rede fixa e de certa forma também uma rede móvel em processo de instalação. A rede fixa resume-se a uma cabine telefónica da Empresa Telecomunicações de Moçambique (TDM) na Vila sede de Caia e cerca de 8 linhas distribuídas entre instituições e particulares.

Existem igualmente no Distrito nove (9) rádios de comunicação de propriedade de instituições do Estado e de outras organizações não governamentais. De referir que o sistema de comunicação ainda não é abrangente, havendo previsão de instalação de rádio nas localidade de Licoma e Nhamatanda.

1.8.1.4 Energia

O sistema de distribuição de energia eléctrica no Distrito, ainda não é abrangente, embora haja uma grande necessidade, somente a vila de Sena possui energia permanente, através de uma ligação com o Distrito de Mutarara, o que lhe da um certo destaque em relação a outros pontos do Distrito, na Sede a energia é fornecida por um tempo limitado através de um grupo gerador das 18 as 24 horas.

Referências

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