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(Lei N.° 1.164 — 1950, art. 12, "u" )

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B0LET1MMLEIT0RAL

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

(Lei N.° 1.164 — 1950, art. 12, "u" )

ANO XXIII BRASÍLIA, SETEMBRO DE 1974 N ° 278

T R I B U N A L S U P E R I O R E L E I T O R A L Presidente:

Ministro Thompson Flores Vice-Presidente:

Ministro Antônio Neder Ministros:

Xavier de Albuquerque Márcio Ribeiro

Moacir Catunda

C. E . de Barros Barreto José Boselli

Procurador-Geral:

Dr. J . c. Moreira Alves Secretário do Tribunal:

Dr. Geraldo da Costa Manso

S U M Á R I O :

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL Atas das Sessões

Jurisprudência Atos da Presidência SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

LEGISLAÇÃO NOTICIÁRIO

ÍNDICE

TRIBUNAL SUPERIOR E L E I T O R A L

ATAS DAS SESSÕES

ATA DA 92.

a

SESSÃO, EM 12 DE NOVEMBRO DE 1973

SESSÃO EXTRAORDINÁRIA

P r e s i d ê n c i a do Senhor Ministro Thompson P i o - res. Compareceu o Professor Moreira Alves, P r o - curador-Geral Eleitoral. Secretário, Doutor Geraldo da Costa Manso.

As dezoito horas foi aberta a sessão, achando-se presentes os Senhores Ministros Antônio Neder, X a - vier de Albuquerque, Márcio Ribeiro, Moacir Catunda, Hélio P r o e n ç a Doyle e C . E . de Barros Barreto.

F o i lida e aprovada a A t a da 91» S e s s ã o . Posse

Tendo sido convocada sessão, especialmente, para dar posse aos novos Presidente e Vice-Presidente desta Corte, o Senhor Ministro Thompson Piores convida o Senhor Ministro Antônio Neder para assu- m i r a P r e s i d ê n c i a .

A seguir o Senhor Ministro Thompson Piores presta o juramento, lendo o D r . Secretário o termo de posse.

O Senhor Ministro Antônio Neder convida o Senhor Ministro Thompson Flores para assumir a P r e s i d ê n c i a .

Prosseguindo, o Ministro-Presidente empossa o Senhor Ministro Antônio Neder no cargo da Vice- P r e s i d ê n c i a e o D r . Secretário lê o termo de posse.

P a r a saudar os novos membros do Tribunal, o Senhor Ministro-Presidente d á a palavra ao Senhor Ministro Moacir C a t u n d a .

Com a palavra, o Senhor Ministro Moacir C a -

tunda faz a seguinte alocução: "Excelentíssimo Se-

nhor Presidente do Egrégio Supremo Tribunal F e -

deral, Ministro Eloy da Rocha. Senhor Ministro

da J u s t i ç a Professor Alfredo B u z a i d . Senhores P r e -

sidentes dos Tribunais Superiores. Senhores Sena-

dores. Senhores Deputados. Senhores Presidentes

dos Tribunais de J u s t i ç a do R i o Grande do S u l e

do Distrito Federal. Senhores Presidentes dos T r i -

bunais Regionais Eleitorais do Rio Grande do Sul

e S ã o P a u l o . Senhor Presidente do T r i b u n a l de

A l ç a d a . A J u s t i ç a Eleitoral, cuja c o n s a g r a ç ã o foi

feita pelo Código Eleitoral de 1932, com o claro

propósito de moralizar o processo político p a r t i d á r i o

do país, propugnado pelos diferentes surtos políticos

militares vitoriosos durante os grandes movimentos

de 1930 e 1932, adquiriu organicidade, com a a p a -

r ê n c i a exterior de perenidade, em cuja base e s t ã o

os órgãos de primeira instância, representados pelos

Juizes e Juntas Eleitorais; no centro, os Tribunais

Regionais Eleitorais, como organismos de segunda

instância, e finalmente, no ápice, o Tribunal S u -

perior Eleitoral. Relativamente aos Juizes Eleitorais,

sendo designados, e n ã o nomeados, possuem simples

funções eleitorais, decorrentes da qualidade de m a -

gistrados. A natureza h í b r i d a da J u s t i ç a Eleitoral,

esboçada n a Constituição das Juntas, repetida nas

dos Tribunais Regionais, encontra maior ênfase n a

constituição do seu órgão de cúpula, o Tribunal S u -

perior Eleitoral, do qual fazem parte dois advogados

de notável saber jurídico e r e p u t a ç ã o ilibada, e cinco

Juizes, sendo t r ê s retirados no Supremo Tribunal

Federal, mediante eleição e dois oriundos do T r i -

bunal Federal de Recursos, t a m b é m por via de es-

colha, entre pares. As singularidades respeitantes à

origem dos componentes e diversidade de graus de

hierarquia, com vista à constituição de um colegiado

onde, ao cabo de contas, todos são iguais, no to-

cante à s funções de natureza contenciosa, no en-

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430 BOLETIM ELEITORAL N? 278 Setembro de 1974 tanto, adquirem expressão mais significativa no a t i -

nente à l i m i t a ç ã o temporal dos respectivos mandatos, restrito a u m biênio, em termos obrigatórios, e a t é dois, facultativamente, ou seja, por quatro anos, de modo que dificilmente um mesmo juiz p a r t i c i p a r á dos trabalhos de preparo e julgamento de duas elei- ções, isto n a s i s t e m á t i c a atual, que inadmite c o i n - c i d ê n c i a de pleitos, para cargos pertencentes a d i - ferentes escalões hierárquicos, dos Poderes Legis- lativo e Executivo. D a aplicação da norma consti- t u c i o n a l de que os Juizes Eleitorais servem por

tempo certo, decorre a realização de solenidades iguais a esta, reiteradamente, em Curtos espaços de tempo, do que sejam exemplos as assunções à C o - lenda P r e s i d ê n c i a dos Exmos. S r s . Ministros D j a c i Alves F a l c ã o , — luminar da magistratura p e r n a m - bucana; R a p h a e l de Barros Monteiro, insígne figura da magistratura paulista, e, agora, Carlos Thompson Flores, — primeiro, entre iguais, pertencentes à nobre e vigorosa magistratura g a ú c h a , isto no curto período de pouco mais de u m ano, em que passei a integrar esta Corte, onde se acertam fatos e se aplicam normas j u r í d i c a s de direito eleitoral. A tarefa é imensa. Nas lindes derradeiras das normas de direito eleitoral, em via de regra afloram s i t u a - ções n ã o previstas por elas, a demandar soluções construtivas, que à Corte Eleitoral compete ditar, com superior espírito público, cujas c a r a c t e r í s t i c a s são a b n e g a ç ã o , comedimento, honestidade, e c o r a - gem, temperados com os atributos d a sabedoria, aurida nos livros,- n a m e d i t a ç ã o , e n a e x p e r i ê n c i a . O T r i b u n a l Superior Eleitoral, sob a P r e s i d ê n c i a do E x m o . S r . M i n i s t r o Rapnael de Barros Monteiro, desempenhou-se de atribuições que tais, como acerto excepcional, e continuara a fazê-lo, — garanto, —

:

sob o comando de seu novo Presidente, o eminente M i n i s t r o Thompson Flores, Juiz de larga e x p e r i ê n - cia em assuntos jurídicos eleitorais, com os quais começou a lidar nos idos de m ê s de outubro do j á recuado ano de 1933, como Juiz D i s t r i t a l do termo de Herval, nos confins do seu querido R i o Grande do S u l , nas proximidades das fronteiras do U r u g u a i . Como J u i z D i s t r i t a l , acumulava as funções de P r e - parador Eleitoral, de acordo com o Código Eleitoral de 1932. Posteriormente, como Juiz do Termo de , Triunfo, praticou a J u s t i ç a E l e i t o r a l . Após a re- . c o n s t i t u c i o n a l i z a ç ã o do pais, foi reinvestido de fun- . ções, n a mesma, tendo integrado o T r i b u n a l Regional

Eleitoral do seu glorioso Estado, por duas vezes, em mandatos correspondentes a períodos diferentes, onde .desempenhou as funções de Corregedor, V i c e - P r e s i -

dente e Presidente. C o n t e m p o r â n e o da instituição, S . E x * a vive, e sente, quando lhe aplica os pre- . ceitos, como j u r i s t a técnico no sentido mais cons- t r u t i v o d a palavra. E t a m b é m vive a instituição,

no t r i v i a l dela, nas coisas pequenas, aparentemente pequenas, como, por exemplo, a r e m u n e r a ç ã o de u m humilde auxiliar de cartório, mas que tem grande - i m p o r t â n c i a para e l a . A s coisas pequenas n ã o podem

ser desprezadas, minimizadas, humilhadas, por isso - que, em v i a de regra, condicionam o insucesso de .. plano administrativo de maior relevo. D a a l i a n ç a dos atributos do administrador, com os predicados de j u r i s t a de larga visão, emerge a certeza de que a a d m i n i s t r a ç ã o oe S . Ex* se inicia sob o signo do .sucesso e de que s e r á marcada por empreendimentos . significativos, no largo campo em que incidem as a t r i b u i ç õ e s do Órgão Máximo d a J u s t i ç a E l e i t o r a l . Relativamente ao insígne Ministro A n t ô n i o Neder, a ] quem dedico estima pessoal, r ef o rç ada pelos ideais

concernentes à p r á t i c a de uma j u s t i ç a austera, ideais esses comuns à generalidade da classe, dese- j a r i a positivar que as qualidades de magistrado, traduzidas no gosto pelo justo, no esforço pelo co- nhecimento exato do direito, e da razão de ser da n o r m a aplicável, de que S. Ex? é portador, eu as proclamo c o m alegria e a d m i r a ç ã o . N ã o o faço por . m e r a c o n v e n ç ã o . A respeito dos seus títulos, d í - l o . o curriculum vitae — " O Ministro A n t ô n i o Neder nasceu a 22 de junho de 1911, no Município de Além P a r a í b a , M i n a s Gerais. Fez o curso p r i m á r i o nessa V i l a e o s e c u n d á r i o no Ginásio Leopoldinense, . d a cidade mineira de Leopoldina. Cursou a F a c u l -

dade Nacional de Direito d a Universidade Federal do R i o de Janeiro, perante cuja c o n g r e g a ç ã o colou

grau a 3 de dezembro de 1937. Diplomado bacharel em Direito, foi nomeado Promotor de J u s t i ç a da Comarca de Teresópolis, cargo esse que exerceu por dois anos, dele se afastando para ocupar o de P r é t o r do Termo de Sumidouro, e, depois, o de Mangaratiba, todos no Estado do R i o . Professor titular da cadeira de Direito C i v i l e Professor Subs- tituto da Cadeira de Direito Constitucional da F a - culdade de Direito da Universidade Católica de P e - trópolis, lecionou ambas as disciplinas durante oito anos consecutivos, a t é que se licenciou para exercer o cargo de Desembargador do Tribunal de J u s t i ç a do Estado do R i o de Janeiro, onde compôs a sua primeira C â m a r a C i v e l . Integrou a r e p r e s e n t a ç ã o brasileira junto ao Congresso Internacional de J u - ristas, realizado sob os auspícios d a Comissão I n - ternacional de Juristas, n a Cidade de Petrópolis.

E m setembro de 1964, no Governo Castelo Branco, veio a ser convidado para compor o Tribunal Federal de Recursos, tomando posse nessa Corte de J u s t i ç a a 27 de outubro do referido ano. A l i , integrando a primeira Turma, foi eleito para o Conselho da Jus- tiça Federal de P r i m e i r a I n s t â n c i a (1967 a 1969).

E m junho de 1969 foi eleito, no Tribunal Federal de Recursos, para o T r i b u n a l Superior Eleitoral. E m 1970, foi eleito sócio d a Sociedade Brasileira de D i - reito Internacional. Possui as seguintes condecora- ções: Mérito J u d i c i á r i o — Mérito Jurídico M i l i t a r — Mérito Naval — M é r i t o Aeronáutico — Medalha T a - m a n d a r é — M e d a l h a da Inconfidência — Medalha Kõeller — Medalha Castrioto".

Ao lado d a ciência adquirida nos livros, possui V . Ex», a outra, resultante da meditação, prudência, discreção e austeridade, exercida com simplicidade, sempre com vistas ao predomínio da regra moral da conduta.

Exmos. S r s . Ministros-Presidente e Vice-Presi- dente. O Tribunal Superior Eleitoral os saúda, por meu i n t e r m é d i o . E porque portadores, amoos, de largo tirocinio, como juristas e administradores, e s t á certo de que sua direção se acha entregue a m ã o s capazes, seguras e aptas ao conduzi-los aos seus gloriosos destinos de guarda indõmito d a verdade eleitoral. Tenho d i t o . "

E m seguida o Professor Moreira Alves, P r o c u r a - dor-Geral Eleitoral faz a seguinte s a u d a ç ã o : "Pela vez segunda, neste ano, engaiana-se o Tribunal S u - perior Eleitoral para a solenidade de posse de seus novos dirigentes. Menos de dez meses esteve à frente desta Corte o ilustre Ministro Barros Monteiro, que ora se afasta por imperativo legal. Estão ainaa bem presentes no espírito dos que assistiram à sessão de seu empossamento as palavras incisivas que proieriu sobre as dificuldades que se lhe deparavam e os esforços que pretendia envidar para v e n c ê - l a s . Quem como nós — acompanhou de perto a a t u a ç ã o de S . E x ' , n a presidência deste Tribunal, é testemunha do trabalho silencioso, mas contmuo e persistente, que desenvolveu para aplainar o terreno dos que lhe sucederiam, j á que o tempo era pouco para ver frutificar a planta cuja semente l a n ç a r a ao solo.

Seguiu S . Ex? o verso do velho poeta latino, Statius:

"Serit arbores, quae alteri saeclo prosint" (cultiva árvores que sejam úteis ao século vindouro). T r a - balho que sobremodo honra, realizado que foi n a certeza de que n ã o haveria tempo para colher os aplausos do resultado. Assumem, neste instante, a presidência e a vice-presidência da Casa dois outros eminentes magistrados — Thompson Flores e A n - tônio Neder —, ambos com notável folha de serviços prestados à judicatura, a que vêm dedicando toda sua v i d a . Aos que agora sobem, a homenagem maior que se lhes pode prestar é reconhecer que deles nada é mister dizer para exaltá-los, pois seus nomes por si mesmos se enaltecem, m e r c ê dos exemplos que traduzem, e que de todos são sobejo conhecidos. Se a incerteza do destino é dos males que muito a f l i - gem, n ã o tem este T r i b u n a l do que afligir-se: n ã o poderiam estar em m ã o s melhores as rédeas de sua d i r e ç ã o . "

E m nome d a Ordem dos Advogados do Brasil,

falou o D r . Gerardo Grossi a oração seguinte: " A

Ordem dos Advogados do Brasil, por seus Conselhos

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Setembro de Í974 B Ô L É T Í M E L E I T O R A L N? 278 431 Federal e Seccional do Distrito Federal, delegou-me

a incumbência de saudá-los, quando Vossas Exce- lências assumem a Presidência e Vice-Presidência do E g . Tribunal Superior Eleitoral. Recebo a dele- gação com a alegria que confesso e que seria com- pleta, n ã o fosse o fato de saber adoentado — e a u - sente por isso — o eminente Ministro Barros M o n - teiro, cujo mandato, como Presidente desta Corte, hoje se encerra. À Sua Excelência, pois, o eminente Ministro Barros Monteiro, presto a homenagem p r i - meira dos advogados. Presto-a, com votos de que se restabeleça brevemente e volte a sua cadeira de Juiz da Suprema Corte, onde, esperamos, continua- r á a ministrar a boa j u s t i ç a que sempre ministrou.

Os eminentes Ministros Tnompson Flores e A n t ô - nio Neder assumem a Presidência e Vice-Presidên- cia desta casa, n a oportunidade em que, por eleições ditas indiretas, e s t a r á sendo escolhido o futuro P r e - sidente d a República e em que, por eleições diretas e s t a r ã o se renovando n a C â m a r a dos Deputados e um terço do Senado Federal. Estas coincidências levam o advogado que em nome de seus colegas ho- menageia Vossas Excelências, a trazer para esta Tribuna uma preocupação que é comum a toda classe de advogados. M a no mundo de hoje, uma hipertrofia do poder executivo. Esse fenômeno m u n - dial o Brasil o experimenta, t a m b é m , e com razoável intensidade. A justificá-lo, no mundo inteiro e entre nós inclusive — invocam-se duas razões principais:

a segurança d a n a ç ã o e a necessidade de ser dar um conteúdo essencialmente técnico à condução dos destinos do P a i s . Com tais pressupostos, l o r ç a é convir, à hipertrofia do Poder Executivo corresponde um esvaziamento do Poder Legislativo. Quebra-se, com isso, a harmonia que deve reinar entre os P o - deres. É, a nosso ver, por exemplo, o que ocorre hoje com a inabalável democracia americana. A s personalidades marcantes e o excessivo individua- lismo dos Presidentes Eisenhower e Kennedy, e a teimosa d e t e r m i n a ç ã o do Presidente Johnson, vieram outorgar ao Presidente Nixon, u m poder excessivo, como chefe d a n a ç ã o . Sem pretender avaliar-lhe a conduta — e tal p r e t e n s ã o n ã o tenho, honesta- mente quero, contudo, ver, no vigor com que o C o n - gresso Americano se atira n a dissecaçao do que chama de graves faltas d a a d m i n i s t r a ç ã o Nixon e, inclusive, agora, n a tentativa de instaurar um pro- cesso de "impeachement", contra o Presidente, uma busca desesperada de reconquista de parcelas do poder que lhe foram, arrancadas gradualmente, pelo executivo. A n a ç ã o americana assiste hoje a uma luta inglória e triste entre os poderes executivo e legislativo. L u t a em que, a vitória de um ou outro lado t e r á custado sacrifícios enormes àquela a d m i - rável democracia política. No B r a s i l esta luta n ã o se instalou. N ã o me abalanço, no entanto, a firmar que nunca se i n s t a l a r á . E se se instalar, um dia, a Nação é que sofrerá seus prejuízos. Talvez esteja nas m ã o s do Poder Judiciário, o terceiro poder, nao comprometido e muito especificamente nas m ã o s desse E g . Tribunal Superior Eleitoral — evitar essa luta, amenizando os choques que j á s ã o visíveis. As decisões judiciais, no mais das vezes, tem um con- teúdo político. Este E g . Tribunal, ao decidir, por exemplo, que os casos oe inelegibilidade catalogados n a L e i Complementar n? 5 são de c a r á t e r legal e n ã o constitucional, proferiu decisão eminentemente política, fazendo com que os derrotados se confor- massem mais com o resultado das urnas. Dos e m i - nentes Ministros homenageados, um h á — o ilustre Ministro Antônio Neder — cuja vida de magistrado íntegro e inatacável, é p o n t ü h a d a de atitudes polí- ticas: como s i g n a t á r i o do Manifesto dos Mineiros e artífice d a Revolução de 64. Ao homenagear Vossas Excelências, os advogados, por m i n h a palavra, pedem que, esse Tribunal cuja direção ora lhes é entregue, empreste, cada vez mais, conteúdo político às suas decisões, para evitar que a m a n h ã , restaurada, como se espera, a plena democracia no P a í s , n ã o assista a Nação à luta inglória e inócua que o povo ame- ricano assiste hoje, entre incrédulos e estarrecido.

Os advogados de Brasília, formulam a Vossas Exce- lências os votos de uma feliz gestão & frente desse Eg. T r i b u n a l . "

Prosseguindo as homenagens, o S r . Pedro L a i - rihoy, Vice-Presidente d a Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do R i o Grande do Sul, falou: " A 8 de m a r ç o de 1968, em sessão solene do Tribunal Pleno do Estado do R i o Grande do S u l , quando, em nome da classe dos advogados saudava Vossa Excelência pela n o m e a ç ã o para o posto de M I N I S T R O , do E g r é - gio Supremo Tribunal Federal, dizia que assomava àquela tribuna com exaltada alegria, porque a l i estava para homenagear um homem de uma casa de virtuosos, que se eievava dentre seus pares para mais enoDrecer tanto a casa oe onde saia, como a casa para onde i a . N ã o eram palavras prol é t i c a s . Eram-me ditaaas pela t r a n q ü u a certeza daqueie que, escuaauo no connecimento que t i n n a de vossa vida p r e t é r i t a a serviço oa magistratura, d a lei e da jus- tiça, saoia que outra nao poderia ser a direitura de vosso caminno, n a truna ascensional em pos ao clímax de uma carreira sem macuias e cheia oe rea- lizações, fruto o a excelência ae um espirito aprimo- rado peio estuuo e peio noDre exercício oe virtudes varonis. Costumo expressar-me muita vez fazendo, como Plutarco, comparações entre os homens. Liesta feita, veio a luz n a teia ouai ae minna mente e l i - gura do monastico M a h a t m a G a n a n i , que, j á no l i m de sua viua, parecia maior por aentro ao que por fora, n u m a aparente c o n t r a d i ç ã o entre os pianos psico-iisicos ao ser. cassara o c o n t e ú a o a ser maior e mais esaenciai do que o continente, anguranao-se à hercúiea luta ae uma larva para iugir ae seu casiuo opressor,' para desdoorar suas coiuridas asas em a i r e ç a o aos ceus, a t é as alturas estelares ao i n u - n i t o . Assim como o asceta, patriarca a a indepen- d ê n c i a a a í n d i a , propagaaor a a aoutnna do amor à veruaue e a a nao vioiencia, vejo em vossas Exce- léncias muitas oaqueias qualidades que tornaram Cianuni o verdaaeuo maior nuuicm de nosso século vinte. A l i a d a a mooestia ae vossas atituues, mesmo asseiitauo a curui presidencial vejo a beatitude mansa ao agnus em voaoos gestos, a t r a n q ü i i i u a u e uo oinar sereno, como a reiietir uma introspccçao esten- dida soore um passado ae apego ao aueito e a jus- t i ç a . Js&sa manoiucto ae vossa n g u r a se espaina ao nosso uerredor, aistuando a seiva do cauie i r u t í - leru, enrai^uao n a uoeruade de vossas memores v i r - tudes. M a s vejo tamDem um homem implacável e auro para consigo próprio, um nomem que nao se permite os IUAOS do ocio quando existe uma tarei a a ser cumpriua, um processo a ser estuaado, um voto a ser proieriao, um acórdão a ser lavraoo, uma decisão a ser tomada. Vejo um homem que nao se

arieceia do combate e que nao persegue o triunfo

para sua e x a i t a ç ã o pessoal, mas, sim, porque a v i -

toria significa o cumprimento oe um aever, ingre-

diente i n a í a s t a v e l da reaiizaçao numana. E h á mais

de quarenta anos vem vossa e x c e l ê n c i a comDatenoo

o bom combate na seara da j u s t i ç a . Hosanas lhe

elevamos porque soube dar à sua inteligência a des-

t i n a ç ã o divina, porque saoemos que a p r ó p r i a inte-

ligência torna-se uma a b o m i n a ç a o n a medida em

que se pode d o b r á - l a para coiocá-la a serviço do

c r i m e . Agora, quando se o empossa n a P r e s i a è n c i a

deste Egrégio Tribunal Superior Eleitoral, venho do

R i o Granae, representando os advogados do Estado,

lembrar-lhe que cumpriu-se a frase proferida por

Vossa Excelência em seu discurso de agradecimento

à homenagem que naquela ocasião lhe p r e s t á v a m o s .

Disse Vossa Excelência, reterindo-se ao cargo de

Ministro para o qual fora nomeaoo: "Quero ser digno

de t ã o excelsa b e n e m e r ê n c i a " . Pois f o i . F o i muito

digno. Digníssimo. Sei que hoje, com as mesmas,

ou com outras palavras que c o n t e r ã o o mesmo sig-

nificado, vai Vossa Excelência repetir o voto a que

se propusera. E sabemos que mais uma vez vai ser

digno d a investidura. Nós, advogados do R i o Grande

do S u l , confiamos em que este Egrégio Tribunal

continue, sob vossa Presidência, a ser a verdadeira

cidadela das instituições democráticas, onde a pre-

potência de eventuais tiranos ou ditadores em po-

tencial esbarrem sempre n a férrea vocação do res-

peito à lei e à ordem Institucional, para que o povo

seja sempre soberano a t r a v é s de seus representantes

eleitos. Definindo os característicos da democracia,

Justino Vasconcelos, Presidente atual do Conselho

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432 B O L E T I M E L E I T O R A L N' 278 Setembro de 1974 dos Advogados do R i o Grande do Sul, assim se

expressou: " P á r a u m regime considerar-se d e m o c r á - tico é imprescindível erigi-lo sobre o reconhecimento dos direitos do homem e a submissão a lei d i s c i p l i - nadora tanto na escolha dos governantes como do exercício do poder. A l m a da democracia demons- tra-se, assim, primeiro que tudo, a atitude de abso- luto respeito ao homem, pela sua condição de ente racional e livre, sem mais i n d a g a ç õ e s . Essa i n c l i - n a ç ã o reverenciosa ante o ser humano repudia desde logo a força, como elemento normativo do convívio, e impõe a l e i . Instaura-se, deste modo, a paz, ideal supremo em si e meio, ao mesmo tempo, de se a l c a n ç a r e m objetivos de ascensão social, dado que, pela h i s t ó r i a , é inculcada como a m á l g a m a ú n i c a d a c o n s t r u ç ã o i m p e r e c í v e l " . Isto, Senhor Ministro, é o que verdadeiramente esperamos ver realizado, para felicidade de todos. Senhor M i n i s t r o . Quando Vossa Excelência despediu-se do R i o Grande, foi mais uma d i l a c e r a ç ã o do que uma s e p a r a ç ã o . Agora, entretanto, o b á l s a m o de vosso triunfo cicatrizou-nos as feridas e j á sorrimos felizes. B e m aventurado seja, Ilustre V a r ã o Riograndense!"

Agradecendo as homenagens, o Senhor M i n i s t r o - Presidente assim se expressou: "Senhor Presidente do E g . Supremo T r i b u n a l Federal, Senhor Ministro d a J u s t i ç a — Professor Alfredo Buzaid, Senhore;

Presidentes dos Tribunais Superiores, Senhores P r e - sidentes dos Tribunais de J u s t i ç a do R i o Grande do S u l e do Distrito Federal, Senhores Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais do R i o Grande do S u l e S ã o P a u l o ; Senhores Senadores e Senho- res Deputados. Ao ser empossado n a P r e s i d ê n c i a do T r i b u n a l Superior Eleitoral, em pensamento me transporto ao meu Estado e à m i n h a gente, quando, h á quarenta anos, no exercício do primeiro posto nesta J u s t i ç a Especial, praticava ato público. E r a t a m b é m novembro. N u m a daquelas claras m a n h ã s de primavera, em plena zona rural riograndense, quando os campos, banhados de sol, só tornam mais verdes e o c é u se faz mais a z u l . F o i em Herval, lá onde o B r a s i l termina, n a fronteira com a R e - pública O r i e n t a l do Uruguai, que, como Juiz P r e - parador, e assim se chamava e n t ã o , presidia eu, a u - d i ê n c i a e x t r a o r d i n á r i a , em improvisado acampa- mento, a entrega dos títulos aos eleitores que se credenciavam perante o novo regime que se instau- rava com o Código Eleitoral de 1932. Participava, e n t ã o , a c a d ê m i c o ainda, daquele misto de entusias-

mo juvenil e timidez, entre feliz e apreensivo, — da primeira reforma política série que se processava com o advento d a Revolução de 1930. Anos passa- dos e em terras outras, mas servindo à mesma J u s - tiça, e, com igual função, fui surpreendido pelo Golpe Político de 10 de novembro, quando, e n t ã o foi ela e x t i n t a . C o m sua r e s t a u r a ç ã o em 1945, voltei a i n t e g r á - l a , compondo, como Juiz de Direito, o T r i b u n a l Regional Eleitoral, onde permaneci a t é ser promulgada a Constituição de 1946. A ele retornei e m 1954, como Desembargador, depois do exercício em juízos eleitorais do interior e da Capital, d e i - xando-o, ao f i m de dois biênios, tendo desfrutado a h o n r a de ser seu Vice-Presidente, e, por último.

Presidente. Passando ao Supremo Tribunal Federal, fui distinguido para integrar sua delegação perante esta Corte, a p r i n c í p i o como suplente, depois, como membro efetivo, desde agosto de 1972. Sou i m e n - samente reconhecido aos eminentes Ministros do S u - premo T r i b u n a l Federal que me elegeram para este Colégio J u d i c i á r i o e aos que dele participando, h o n - raram-me com sua P r e s i d ê n c i a . Atinjo, assim, ao cimo desta augusta J u s t i ç a . Animam-me hoje os mesmos sentimentos de fé que, h á quatro d é c a d a s , me empolgavam. Confio, antes como agora, n a J u s - t i ç a Eleitoral do meu P a í s . Dela podem ufanar-se todos os brasileiros. Assegurou, desde sua i n s t a l a - ção, em 1932, a verdade de que todo o poder emana do Povo e em seu nome é exercido, t a l como o ins- culpiram, em a f i r m a ç ã o estrutural, os Estatutos Maiores desde 1934, ao conferir-lhe marcante a t r i - b u i ç ã o n a c o n s t i t u i ç ã o dos Poderes Políticos d a R e - p ú b l i c a . I n s t i t u í d o o sufrágio universal, o voto o b r i - g a t ó r i o e secreto, a proporcionalidade das repre- s e n t a ç õ e s p a r t i d á r i a s , concedendo a esta J u s t i ç a ,

quase que soberanamente, a fiscalização, o reconhe- cimento e a proclamação dos eleitos, como o dispõe a Constituição em seu art. 137 — pertencem ao passado o engodo que representavam as eleições neste P a í s , nos 40 anos d a V República, com o primitivo sistema de reconhecimento dos Poderes. Aperfei- çoou-se entre n ó s o processo que a clarividência de Benjamin Disraeli, o grande Ministro da era vito- riana, fez implantar n a culta G r ã - B r e t a n h a , p a d r ã o de democracia dos povos, e cujos resultados, ao es- tatuir a supremacia do J u d i c i á r i o para dirimir eleições contestadas, assinala Adhemar Eismen, em suas clássicas lições de direito constitucional, afir- mando que jamais u m writ d a C â m a r a dos Comuns anulou veredito da J u s t i ç a sobre eleições. Tornou-se realidade no B r a s i l a lisura dos pleitos eleitorais, apurados por esta J u s t i ç a Especializada. Sobre ela escreveu eminente constitucionalista e homem p ú - blico brasileiro: "Durante quarenta anos a fraude contaminou as eleições brasileiras e n ã o obstante a fraude as conspurcasse, nunca faltaram os que insistiam na p r á t i c a , ainda que viciada, do processo eleitoral. Até chegar o d i a em que se tornou inven- cível a idéia antes maldita do voto secreto, do voto apurado pela j u s t i ç a eleitoral, da representação pro- porcional das opiniões. De uma hora para outra aquilo que parecia um sonho se tornou imperiosa reinvindicação popular e os próprios adversários de outrora n ã o tiveram mais forças para opor-se à mo- ralização dos costumes políticos. E depois disso essas coisas se tornaram t ã o naturais e incontro- versas como o ar que se r e s p i r a . " Constante tem sido o aperfeiçoamento das disposições constitucio- nais e legais n a busca do regime democrático que se afeiçoe à s nossas condições. O sistema eleitoral originário de 1932 tem procurado acompanhar esta evolução política, a qual prossegue como uma cons- tante. É mister, porém, estar atento à fase de de- senvolvimento que empolga a N a ç ã o . Certo n ã o é ele, em s i mesmo, u m fim, se n ã o um meio a t r a v é s do qual se busca o bem-estar social, anseio de todas as gerações. Somos hoje cem milhões de brasileiros que, cientes e conscientes do seu valor, e, bem assim, das suas responsabilidades, começam a tornar efe- tiva a p r ó p r i a posse do vasto território que nos lega- r a m os antepassados, de proporções continentais, mas cuja unidade tivemos a ventura de conservar e manter, aprimorando-a. Nosso contingente eleitoral e s t á a beirar a casa dos 34 milhões, dos quais, abstraídos o que compõem o Distrito Federal e a Guanabara, onde n ã o se realizaram eleições em 1972, perto de 24 milhões compareceram à s urnas em 15 de novembro. Isto significa do real propósito do Povo de participar da vida nacional, escolhendo seus dirigentes; em outras palavras, contribuindo para a p r á t i c a d a verdadeira democracia represen- tativa, nos termos previstos n a C o n s t i t u i ç ã o . Seu aprimoramento, porém, deve ser uma constante em nossa vida, num movimento que, globalmente, en- volva todos os brasileiros, integram ou n ã o os P o - deres Públicos d a R e p ú b l i c a . Só assim atingiremos o destino reservado a este grande P a í s no conserto universal reservado às grandes Nações. Com este propósito posso afirmar que a J u s t i ç a Eleitoral es- t a r á onde sempre esteve, jamais decepcionando os brasileiros. Espera porém, pela vinculação que com ela m a n t é m e em função da p r ó p r i a escolha de seus candidatos, que os Partidos Políticos, para tanto, emprestem sua relevante c o n t r i b u i ç ã o . E , nesse mister, considerando que sua destinação repousa mais em idéias e programas sadios do que nos próprios interesses eventuais em que se procuram envolver. Repita-se: "Quando os homens lutam por idéias, a disciplina que os congrega os supõe seres livres e dignos. N a elaboração do programa deve revelar o espírito criador que liberta dos erros do passado, ao se elaborar o plano do futuro".

Cabe-lhe, assim, em especial, atrair a Mocidade.

P r e p a r á - l a para que ingresse na vida pública, antes

que se desvie por outros caminhos. U m partido e s t á

fadado ao insucesso, ao próprio extermínio, se n ã o

atualiza idéias e programas, reanimado pelo sangue

jovem. Aliem-se à experiência dos velhos e entu-

siasmo dos Jovens, n a realização do ideal comum —

(5)

Setembro de 1974 B O L E T I M E L E I T O R A L N? 278 433 o bem de todos. Senhores. Cabe findar esta oração,

n a qual, perdoem-me, n ã o tive tempo de ser breve, como d i r i a o Padre V i e i r a . Reitero o meu penhor de g r a t i d ã o aos que me distinguiram com seu voto, aos que me envaideceram com suas bondosas p a l a - vras, aos que aqui compareceram, especialmente os que vieram de longe, do R i o Grande, tornando mais significativa esta sessão. E torno extensivo este agradecimento pelo eminente Ministro Antônio Neder. E , sob proteção de Deus que tudo pode, es-r pero n ã o deslustrar esta c á t e d r a , ocupada, no pas- sado, com o brilho de u m Presidente da estirpe de L u i z Gallotti, que, para alegria e honra nossa nos assiste; e, n u m presente próximo, por Juizes que só a dignificaram, trazendo para este recinto o calor de seu estímulo, e cujos nomes declino com satisfação: Eloy d a Rocha, D j a c i F a l c ã o e Barros Monteiro. M i n h a inspiração h á de ser constante, no exemplo que aqui indelevelmente deixaram. Que o Senhor guarde a J u s t i ç a de meu País, pois, sem ele tudo será em v ã o . D i s s e . "

Nada mais havendo a tratar, o Senhor M i n i s t r o - Presidente encerrou a sessão. E , para constar, eu, Geraldo d a Costa Manso, Secretário, lavrei a pre- sente A t a , que v a i assinada pelo Senhor M i n i s t r o - Presidente e demais membros do T r i b u n a l .

Brasília, 12 de novembro de 1973. — Thompson Flores, Presidente. — Antônio Neder. — Xavier de Albuquerque. — Márcio Ribeiro. — Moacir Catunda.

— Hélio Proença Doyle. — C . E. de Barros Barreto.

— Professor Moreira Alves, Procurador-Geral E l e i -

toral, i

JURISPRUDÊNCIA

ACÓRDÃO N.° 5.528

Recurso n.° 3.674 — Classe IV — Paraná (Curitiba)

Não se conhece ão recurso especial, guando não há infringência de lei nem dissídio juris- pruãencial. Recurso não conhecido.

Vistos, etc.

Acordam os Ministros do Tribunal Superior E l e i - toral, por unanimidade de votos, n ã o conhecer do recurso, na conformidade das notas taquigráficas em apenso, que ficam fazendo parte integrante da decisão.

Sala das Sessões do Tribunal Superior Eleitoral.

Brasília, 30 de maio de 1974. — Thompson Flores, Presidente. — Lustosa Sobrinho, Relator. — J. C.

Moreira Alves, Procurador-Geral E l e i t o r a l .

(Publicado no D.J. de 2-9-74).

RELATÓRIO

O Senhor Ministro Lustosa Sobrinho (Relator)

— Robison Eugênio Toscano Leinig, Oficial J u d i c i á r i o P J - 5 , do Quadro dos F u n c i o n á r i o s d a Secretaria do Egrégio T R E do P a r a n á , percebendo, além dos ven- cimentos do seu cargo, as vantagens referentes à função gratificada, Símbolo 2-F, de Secretário de Procurador Regional, pediu o seu aproveitamento no cargo de Diretor-Administrativo d a Secretaria do mesmo T r i b u n a l .

Alega que, segundo a L e i n? 4.769, de 9-12-65, que dispõe sobre o exercício d a profissão de Técnico de A d m i n i s t r a ç ã o , a r t . 4?, é obrigatória, n a A d m i - n i s t r a ç ã o Pública, a a p r e s e n t a ç ã o de diploma de B a - charel em A d m i n i s t r a ç ã o , para o provimento e exer- cício de cargos técnicos d a a d m i n i s t r a ç ã o .

Por outro lado, sustenta que n a forma do D e - creto n? 61.934, de 1967, que regulamenta a referida Lei, a r t . 5?, no caso de insuficiência de Técnico de A d m i n i s t r a ç ã o , comprovada por falta de insçriT

ção em recrutamento ou seleção pública, p o d e r ã o os cargos públicos, a u t á r q u i c o s ou sociedade de eco- nomia mista, bem como quaisquer empresas priva- das, solicitar ao Conselho Regional de sua j u r i s d i - ção licença para o exercício d a profissão de Técnico de A d m i n i s t r a ç ã o por pessoa n ã o habilitada, por- tadora de diploma de curso superior.

Entende que, muito embora o cargo de Diretor do Serviço Administrativo da Secretaria do T r i b u n a l estivesse ocupado, tal ocupação n ã o constituia óbice ao seu aproveitamento, porque para ele foi nomeada a funcionária. D* Heny de Sousa Leão, que n ã o e r á portadora do título de Técnico em A d m i n i s t r a ç ã o . Ademais, sua n o m e a ç ã o foi feita pelo Presidente do T R E sem a prévia aprovação deste, como determina o a r t . 30, inciso I I , do Código Eleitoral, e o a r t . 12, V , do Regimento Interno.

O acórdão recorrido, confirmando a P o r t a r i a de nomeação d a atual ocupante do cargo de Diretor do Serviço de Administração, acentua que ao seu Quadro Funcional n ã o se aplica o Decreto-lei n? 200, de 25-2-67, e s i m a L e i n? 4.049, de 23-2-62, que encontra apoio no § 2?, do a r t . 97, da vigente C a r t a M a g n a . A n o m e a ç ã o em apreço fundamenta-se, pois, no a r t . 3 ' d a prefalada L e i n ' 4.049-62. E s t a l e i trata especialmente dos servidores das Secretarias dos Tribunais Regionais Eleitorais. S u a tabela X I X estabelece que o cargo de Diretor de Serviço é em comissão e de nível P J - 1 .

Inconformado com essa decisão, o recorrente i n - terpôs apelo com fundamento no a r t . 167 d a L e i n? 1.711, de 28-10-52 (Estatuto dos F u n c i o n á r i o s P ú - blicos Civis d a U n i ã o ) , no a r t . 176 do Decreto-lei n? 200, de 1967, no a r t . 276 do Código Eleitoral e no a r t . 138, d a Constituição Federal.

Neste Colendo Tribunal, a ilustrada Procuradoria G e r a l Eleitoral, f l s . 94-7, opina pelo n ã o conheci- mento do recurso: (lê nos autos).

É o r e l a t ó r i o .

* * »

(Falou pelo recorrente o D r . Custódio Toscano).

VOTO

O Senhor Ministro Lustosa Sobrinho (Relator)

— O recorrente n ã o tendo feito referência a ne- nhuma das alíneas do a r t . 276 do Código Eleitoral, e n t e n d e r - s e - á que alega ser a decisão impugnada proferida contra expressa disposição de l e i e divergir da i n t e r p r e t a ç ã o que em caso análogo tem sido dada por dois ou mais Tribunais Eleitorais.

Quanto à divergência jurisprudencial n ã o trouxe ao processo elementos com que possa ser aferida.

Não me parece haver a decisão recorrida violado o a r t . 4? da L e i n? 4.769-65, nem o art. 5? do D e - creto n ' 61.934-67, porque tenho ainda como vigente o a r t . 8? d a L e i n? 4.049, de 22-2-62, o qual dispõe:

"Os cargos em comissão e as funções g r a - tificadas das Secretarias dos Tribunais de que se ocupa esta lei serão providos por funcionários dos respectivos Quadros, escolhidos livremente pelo Presidente do T r i b u n a l . "

Por outro lado, a L e i n

1

? 486, de 14-2-48, que cria os Quadros das Secretarias do Tribunal Supe- rior Eleitoral e dos Tribunais Regionais Eleitorais, dispõe no a r t . 2?:

"Os cargos isolados, em comissão ou efe- tivos, serão de livre n o m e a ç ã o , exigida p o r é m quanto ao de redator de debates, a condição de jornalista profissional, com mais de t r ê s anos de exercício n a profissão, devidamente comprovado pela respectiva c a r r e i r a . "

O Decreto-lei n? 200-67 n ã o ampara a p r e t e n s ã o

do recorrente quanto à exigência de somente ser

nomeado para Diretor do Serviço Administrativo

funcionário técnico em A d m i n i s t r a ç ã o , porque o D e -

creto-lei n? 900-69, deu n o v a r e d a ç ã o ao a r t . 101.

(6)

434 B O L E T I M E L E I T O R A L N ' 278 Setembro de 1974 dispondo que o provimento em cargos em comissão

e funções gratificadas obedecerá a critérios a serem fixados por ato do Poder Executivo. Portanto, a d m i - tindo-se como aplicável o Decreto-lei n? 200-67 ao Poder J u d i c i á r i o por imposição do art. 108 da Cons- t i t u i ç ã o Federal, a exigência d a condição de Técnico em A d m i n i s t r a ç ã o para o cargo em discussão de- pende de critérios que serão oportunamente esta- belecidos .

N ã o me parece que a L e i n? 4.049-62, sob cuja égide se fez a n o m e a ç ã o de D . Heny de Sousa Leão para o cargo de Diretor do Serviço de A d m i n i s t r a - ção d a Secretaria do Tribunal Regional Eleitoral do P a r a n á , esteja alterada, quer pelo Decreto-lei n ú m e - ro 200-67, quer pela L e i n? 4.769, de 1970.

Quando se editou a Portaria n ' 198, de 10-6-70, o recorrente n ã o possuía ainda o título de Técnico de A d m i n i s t r a ç ã o , somente conquistado em 3-2-72.

Portanto, tal n o m e a ç ã o n ã o podia ferir direito algum seu, tanto mais em se tratando de cargo em con- fiança, de livre n o m e a ç ã o , regido por lei específica.

P o r outro lado. n ã o causa espécie a n o m e a ç ã o de uma f u n c i o n á r i a que, além de iá haver percorrido tantos postos n a Secretaria do Tribunal, de natureza administrativa, foi sempre promovida por mereci- mento . Esse reconhecimento n ã o importa em de- m é r i t o ao recorrente. De ambos os autos apontam boa folha de s e r v i ç o .

O recorrente pediu seu aproveitamento no cargo de Diretor-Administrativo, invocando t a m b é m o ar- tigo 65 d a L e i n? 1.711-52. considerando ser obri- g a t ó r i o o seu aproveitamento, sob o fundamento de que o cargo em a p r e ç o está ilegalmente ocupado.

É certo aue houve irregularidade n a mencionada n o m e a ç ã o , poraue n ã o se fez com a prévia apro- v a ç ã o do T r i b u n a l . P a r a coonestá-la, reformou-se o Regimento Interno, eliminando a expressão "com a p r o v a ç ã o do T r i b u n a l " . A época dessa n o m e a ç ã o , como tfito, o recorrente n ã o era Técnico de A d m i -

n i s t r a ç ã o , i N ã o vejo, pois, desorezo frontal e inegável, como

se aleea no bem elaborado memorial que me foi apresentado, ao disposto no art. 4 ' da L e i n

1

? 4.769, de 9-9-65, e arts. 2?, 3'. letra d, e 7? do Decreto n? 61.934, de 22-12-67. porque, como j á disse, entendo aplicáveis ao caso sub judice a L e i n? 4.049. de 23 de fevereiro de 1962, e a L e i n ' 486. de 14-2-48, aue criou os Quadros das Secretarias dos Tribunais R e - gionais Eleitorais.

Desse modo, n ã o posso acolher a p r e t e n s ã o do recorrente, de afastar do cargo a atual ocuuante, para dar-lhe o lugar quando, em verdade, direito algum lhe assiste a ele. como elucida com o costu- meiro acerto o P r o f . Moreira Alves no parecer a que j á me referi. Além disso, na Secretaria referida n ã o existe a função específica de Técnico de A d m i - n i s t r a ç ã o , f l s . 25 do apenso, nem o recorrente de- monstrou comprovadamente que as funções da atual ocupante do cargo de Diretor do Serviço A d m i n i s - trativo d a Secretaria do Tribunal Regional. Eleitoral correspondem às que caracterizam a profissão de T é c n i c o de A d m i n i s t r a ç ã o .

Ademais, a douta Procuradoria-Geral Eleitoral observa:

" . . . n ã o h á como conceber que funcio- n á r i o possa exigir o seu aproveitamento para exercer cargo em comissão. C o m efeito, o t i - tular de t a l cargo apenas tem condição de exercê-lo enquanto merecer a confiança do ó r g ã o competente para o seu provimento. D a í ser demissível ad nutum. A d m i t i r o seu apro- veitamento forçado implicaria desnaturar a índole de que o mesmo se reveste."

E m face do exposto, na inocorrênci.a de decisão proferida contra direito expresso ou de divergência jurisprudencial justificada, n ã o conheço dó presente recurso.

Decisão unânime.

EXTRATO DA ATA

Recurso n ' 3.674 — P R — Relator: Ministro Lustosa Sobrinho — Recorrente: Robison Eugênio Toscano Leinig, Oficial J u d i c i á r i o P J - 5 . agregado à função gratificada 2-F do quadro do T R E (Advo- gado: D r . Custódio Toscano) — Recorridos: T R E e Heny de Leão, Diretora do Serviço Administrativo.

Decisão: N ã o conheceram do recurso, unanime- mente.

Presidência do Senhor Ministro Thompson F l o - res. Presentes à sessão os Senhores Ministros A n - tônio Neder, X a v i e r de Albuquerque, P e ç a n h a M a r - tins, Moacir Catunda, C . E . de Barros Barreto, Lus- tosa Sobrinho e o P r o f . J . C . Moreira Alves, P r o - curador-Geral Eleitoral.

(Sessão de 30-5-74).

P A R E C E R

Cargo em comissão — Provimento.

O sistema de classificação de cargos pre- visto no Decreto-lei n? 200-67, aplica-se aos quadros das Secretarias dos Tribunais Regio- nais Eleitorais.

Enquanto não regulamentado o art. 101 do Decreto-lei 200-67, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto-lei n? 900-69, o preen- chimento dos cargos em comissão se dá na conformidade da legislação anterior.

Parecer pelo desprovimento do recurso.

1. Robison Eugênio Toscano Leining, Oficial Judiciário, PJ-5, do Quadro d a Secretaria do T r i - bunal Regional Eleitoral do Estado do P a r a n á , teve assegurado o direito de continuar a receber, além dos vencimentos do seu cargo, o valor da função gratificada, símbolo 2-F, nos termos do art. 1? e

§ 2? da L e i n? 4.465, de 11-2-64, e com fundamento no art. V da L e i n? 1.741, de 22-11-52. c/c o art. 109, parágrafo único, do Decreto-lei n? 200, de 25-2-67.

P o r ter obtido o título de Técnico em A d m i - n i s t r a ç ã o , insurgiu-se contra o ato de nomeação da atual Diretora-Administrativa da Secretaria, sob a alegação de que a mesma n ã o preenche as exigên- cias legais para o exercício do cargo, dentre as quais as estabelecidas pela L e i n? 4.769, de 9-9-65, regulamentada pelo Decreto n? 61.934, de 22-12-67.

Pretende, em conseqüência, que a referida D i - retora seja afastada do cargo e seja o recorrente nele aproveitado, à vista do disposto no art. 94 o incisos do Decreto-lei n? 200-67.

Contra o acórdão de f l s . 53-55, que indeferiu sua pretensão, manifestou recurso especial.

2. Parece-nos que nenhum direito assiste ao re- corrente .

Efetivamente, o Decreto-lei n» 200-67, por força do art. 108 e seu § 1

?

, da Constituição da R e p ú - blica, é aplicável aos Tribunais, o que, aliás, é re- conhecido no próprio Regimento Interno do Tribunal a quo (art. 3?, fls. 20).

Ocorre, porém, que o art. 101 do referido D e - creto-lei, na redação que lhe foi dada pelo Decreto- lei n? 900, de 29-9-69, n ã o foi, ainda, regulamentado.

Eis o texto em vigor:

" A r t . 101. O provimento em cargos em comissão e funções gratificadas obedecerá a critérios a serem fixados por ato do Poder E x e - cutivo que:

a) definirá os cargos em comissão de livre escolha do Presidente da República;

o) estabelecerá os processos de recru-

tamento com base no Sistema do M é -

rito; e

(7)

Setembro de 1974 B O L E T I M E L E I T O R A L N? 278 435 c) fixará as demais condições ne-

cessárias ao seu exercício.

§ V E m conseqüência do disposto no i n - ciso i n deste artigo, os funcionários que aten- derem às condições estipuladas ficam sujeitos ao regime de 40 (quarenta) horas semanais de trabalho e perceberão gratificação pelo regime de tempo integral e dedicação exclusiva.

§ 2 ' É inerente ao exercício dos cargos em comissão e funções gratificadas diligenciar seu ocupante no sentido de que se aumente a produtividade, se reduzam os custos e se d i - namizem os s e r v i ç o s . "

Ora, nesse preceito legal, conforme se vê, nao h á nenhuma exigência para que o provimento de cargo em comissão dependa d a prova de curso s u - perior. A r e g u l a m e n t a ç ã o do mesmo é que especi- ficará os requisitos a serem exigidos para o seu preenchimento.

Nesse ponto, o parecer d a douta Procuradoria Regional Eleitoral (fls. 49-50) n ã o merece prevalecer, eis que se fundou em disposição legal derrogada, ou seja, o texto originário do Decreto-lei n ' 200-67, que assim dispunha:

" A r t . 101. Ressalvados os cargos em c o - missão definidos em ato do Poder Executivo como de livre escolha do Presidente da R e p ú - blica, o provimento em cargos em comissão e funções gratificadas obedecerá a critérios que considerem, entre outros requisitos, os se- seguintes:

I I — comprovação de que o funcionário possui experiência adequada e curso de espe- cialização apropriado ao desempenho dos e n - cargos da comissão, considerando-se satisfeito o requisito se o funcionário se submeter a processo de aperfeiçoamento nas condições e ocasiões em que for estipulado";

D a í ser procedente, a t é a r e g u l a m e n t a ç ã o do Decreto-lei em causa, a conclusão do v . a c ó r d ã o impugnado (fls. 54):

"Acontece, porém, que ao Quadro F u n c i o - n a l deste Tribunal Regional Eleitoral aplica- se, n ã o o pretendido Decreto-lei n? 200 e sim, a L e i n? 4.049. de 23 de fevereiro de 1962, qus cuidou especificamente dos servidores das Se- cretarias dos Tribunais Regionais Eleitorais e c u i a Tabela X I X estabelece o cargo de D i - retor de Serviço, contudo, em Comissão, de nível P J - 1 " .

Inaplicável t a m b é m à espécie as regras con- substanciada no art. 94 do mencionado Decreto-lei, uma vez que se trata de normas p r o g r a m á t i c a s .

A q u e s t ã o de que a atual Diretora teria sido nomeada por autoridade incompetente, qual seja o Presidente do Tribunal, quando deverá sê-lo pelo próprio Tribunal, se encontra superada, pois o órgão competente retificou o anterior provimento, con- validando-o.

De outra parte, n ã o h á como conceber que fun- cionário possa exigir o seu aproveitamento para exercer cargo em comissão. Com efeito, o titular de tal cargo apenas tem condição de exercê-lo enquanto merecer a c o n f i a n ç a do órgão competente para o seu provimento. D a í ser demissível ad nutum. A d - m i t i r o seu provimento forçado implicaria desna- turar a índole de que o mesmo se reveste.

Isto posto, manifestamo-nos pelo n ã o conheci- mento do presente recurso.

B r a s ü i a , D F , em 19 de dezembro de 1973. — José Carlos Moreira Alves, Procurador-Geral E l e i - toral.

ACÓRDÃO N.° 5.530

Recurso n.° 4.081 — Classe IV — Minas Gerais (Belo Horizonte)

Constituição de 1967, Emenda n? 1, art. 97,

§ V. A primeira investidura em cargo público depende de concurso, excetuados os casos indi- cados em lei. Dito concurso deve ser feito para o cargo a ser provido e não outro. É nula, por ser inconstitucional, a nomeação para o cargo de auxiliar judiciário de quem foi apro- vado em concurso para oficial judiciário. Le- gitimidade para impugnar a referida nomeação.

Vistos, etc.

Acordam os Ministros do T r i b u n a l Superior E l e i - toral, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, n a conformidade das notas taquigráficas em apenso, que ficam fazendo parte integrante da de- cisão .

Sala das Sessões do Tribunal Superior E l e i t o r a l . B r a s ü i a , 6 de junho de 1974. — Thompson Flores, Presidente. — Antônio Neder, Relator. — J. C. Mo- reira Alves, Procurador-Geral Eleitoral.

(Publicado n ó D.J. de 2-9-74).

RELATÓRIO

O Senhor Ministro Antônio Neder (Relator) — Julgando m a t é r i a administrativa, o E g . T r i b u n a l R e - gional Eleitoral de Minas Gerais editou, em 1971. o a c ó r d ã o que v a i transcrito em seguida:

"Vistos, relatados e discutidos estes autos de Feitos Diversos n? 83-70, de Belo Horizonte, em que são interessadas Elizabeth Penzim e outras,

Acordam os Juizes do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, unanimemente, In- deferir o pedido.

Elizabeth Penzim, M a r i a das G r a ç a s P o n i Monteiro de Castro e M a r i a I n ê s Foscanini de Almeida, candidatas aprovadas no último concurso realizado pela Secretaria deste T r i - bunal, para a classe inicial d a carreira de Oficial Judiciário, requereram fosse estudada a possibilidade de serem aproveitadas n a carrei- r a de AuxUiar J u d i c i á r i o .

E m abono d a petição, alinharam os fun- damentos constantes do requerimento de fls. 3, dirigido à E . P r e s i d ê n c i a d a Casa, verbis:

"1 — Embora bem classificadas, n ã o vêem possibilidade de aproveitamento no cargo de Oficial, em virtude do pequeno n ú m e r o de vagas, de acordo com informação obtida;

2 — T ê m conhecimento d a existência de vagas n a classe inicial da carreira de A u x i l i a r J u d i c i á r i o ;

3 — Apesar de serem duas carreiras dis- tintas, uma é seqüência da outra, pois, Oficial J u d i c i á r i o começa em P J - 7 e A u x i l i a r J u d i - ciário termina em P J - 8 ;

4 — N a prática, as atribuições dos funcio- n á r i o s de ambas as carreiras são as mesmas;

5 — O concurso a que se submeteram foi realizado para a carreira hierarquicamente s u - perior, presumindo-se que tenha sido exigido maior conhecimento dos candidatos;

6 — O Tribunal de J u s t i ç a do Estado, em situação idêntica, aproveitou na carreira de Oficial Datilografo os candidatos aprovados para ó cargo de Oficial Judiciário e que n ã o lograram aproveitamento neste cargo".

O processo foi Informado pelas seções a d -

ministrativas da Secretaria deste Tribunal, r e -

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436 B O L E T I M E L E I T O R A L N ' 278 Setembro de 1974 cebendo pareceres c o n t r á r i o s à p r e t e n s ã o das

requerentes, ao fundamento capital de que:

a) n ã o foram postas em concurso as vagas existentes n a carreira de Auxiliar J u d i c i á r i o ; essa carreira, pois, n ã o foi objeto do último concurso realizado neste Tribunal;

b) n ã o h á necessidade do preenchimento desses cargos, aspecto que t a m b é m ficou bem salientado, principalmente n a informação do Senhor D i r e t o r - G e r a l .

Realmente, os concursos são específicos, s ã o feitos para determinadas carreiras. Nessas condições, se as requerentes fizeram concurso para o cargo de Oficial Judiciário, n ã o podem ser aproveitadas em carreira diferente, ainda que inferior.

P o r outro lado, é de se esclarecer que a C o n s t i t u i ç ã o Federal, no capitulo próprio dos funcionários públicos, em seu art. 97, declara que os cargos públicos são acessíveis a todos os brasileiros que preencham os requisitos esta- belecidos em l e i . Ora, se os cargos públicos s ã o acessíveis a todos os brasileiros e se se admitir, agora, o preenchimento do cargo de uma carreira a possibilidade daqueles que, n ã o podendo almejar o mais, poderiam disputar o m í n i m o . A carreira de Oficial J u d i c i á r i o é de nível superior. E n t ã o , os candidatos que po- deriam disputar lugar na carreira de A u x i l i a r J u d i c i á r i o n ã o teriam, possivelmente, condições de disputar, t a m b é m , n a de Oficial J u d i c i á r i o . A d m i t i r , portanto, tal p r e t e n s ã o seria frus- t r a r uma d e t e r m i n a ç ã o constitucional, de tornar os cargos públicos acessíveis a todos os bra- sileiros.

P o r outro lado, h á que observar uma c i r - c o n s t â n c i a que à primeira vista, pode impres- sionar; a Constituição de 1946, em seu art. 186, estabelece:

" A primeira investidura em cargo de carreira ou outro que a lei determinar e f e t u a r - s e - á mediante concurso preceden- do inspeção de s a ú d e " .

A C o n s t i t u i ç ã o vigente, no i 1?, do art. 97, alterou essa regra, estabelecendo que a p r i - meira investidura em cargo público d e p e n d e r á de a p r o v a ç ã o .

N ã o fala mais em cargo de carreira.

T a l c i r c u n s t â n c i a poderia levar, e n t ã o , ao entendimento de que o funcionário, tendo feito concurso para ingresso no serviço público, po- deria, depois, passar de uma carreira para outra, independentemente de concurso.

Esse dispositvo, porém, com nova redação, deve ser considerado em face de dois outros, constantes do mesmo capítulo d a C o n s t i t u i ç ã o F e d e r a l :

"§ 2? do art. 108. Os Tribunais F e - derais e Estaduais, assim como o Se- nado Federal, a C â m a r a dos Deputados, as Assembléias Legislativas Estaduais e as C â m a r a s Municipais somente p o d e r ã o admitir servidores mediante concurso p ú - blico de provas, ou provas de títulos, a p ó s a c r i a ç ã o dos cargos respectivos, por lei aprovada pela maioria absoluta dos m e m - bros das casas legislativas competentes."

Assim, ficou aqui bem explicitado o sen- tido daquela norma anterior: só se pode a d - m i t i r funcionário mediante concurso, após a c r i a ç ã o dos cargos respectivos. Vale dizer, o concurso seria específico para aqueles cargos criados previamente; teria uma d e s t i n a ç ã o .

E o art. 109, ainda da Constituição, prevê:

" L e i Federal, de iniciativa exclusiva do Presidente da República, respeitado o

disposto no art. 97 e seu § 1» e no § 2»

do art. 108, d e f i n i r á :

I — o regime jurídico dos servidores públicos d a União, do Distrito Federal e dos T e r r i t ó r i o s ;

I I — a forma e as condições de pro- vimento dos cargos públicos; e

m — as condições para aquisição de estabilidade".

A L e i Federal definirá, pois, a forma e as condições de provimento dos cargos públi- cos. Chega-se, assim, à conclusão de que a Constituição, com exclusão do que ficou esta- belecido para os Tribunais Federais, deixou que- a lei federal estabelecesse a forma e as con- dições de provimento dos cargos públicos. E como L e i Federal deve ser entendida, n ã o so- mente aquela específica dos Tribunais, como o próprio Estatuto dos F u n c i o n á r i o s Públicos Civis da União, aplicável, subsidiariamente, na espécie, e que t a m b é m exige o concurso para provimento de cargo inicial de carreira. F i n a l - mente, deve ser esclarecida referência feita em- uma das informações constantes do pro- cesso; a de que recentemente foi dispensado o exame psicológico para candidatos aprovei- tados, por força de concurso, n a carreira de Oficial J u d i c i á r i o . Trata-se de questão intei- ramente diferente d a que e s t á sendo focali- zada. No caso citado, os candidatos aprova- dos j á eram, anteriormente, funcionários deste Tribunal; apenas, em virtude do concurso rea- lizado, e a que voluntariamente se submete- ram, mudaram de categoria, foram elevados à categoria superior, mas o exame psicológico j á havia sido feito. N ã o havia, pois, como trazer essa circunstância à p r e t e n s ã o das re- querentes, Já que se trata de diferentes s i - tuações .

A vista do exposto, indefere-se o pedido."

2. Posteriormente, em 1972, reconsiderando o que julgara no acórdão acima transcrito, o referido e nobre Tribunal veio a editar estoutra decisão:

"Vistos, relatados e discutidos estes autos de Feitos Diversos de n? 35-72, desta Capital, em que s ã o interessados Elizabeth Penzim e outras,

Acordam os Juizes do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, por maioria de votos, acolher a r e p r e s e n t a ç ã o d a Diretoria-Geral, re- considerar a decisão anterior e admitir o apro- veitamento, nas vagas de A u x i l i a r Judiciário, dos concursados para Oficial Judiciário, de acordo com a ordem de classificação e desde que, por decisão desta Corte, foi prorrogado por um biênio a validade do respectivo con- curso. F i c a m vencidos os eminentes Juizes D i l - vanir Costa e Fernandes F i l h o .

T r a t a a espécie de pedido de reconsideração formulado por Elizabeth Penzim, candidata aprovada para Oficial J u d i c i á r i o da Secretaria deste Tribunal, em 17? lugar. Através de pro- curador, pede a interessada o reexame da m a - téria, alegando:

1 — a constitucionalidade do aproveita- mento, em nada ofensivo do art. 97, § 1?, da Constituição Federal. As funções de Auxiliar e Oficial Judiciários são semelhantes, afins, com- paráveis, somente variando o grau de respon- sabilidade e o nível de conhecimento exigido;

que, por isso mesmo, é que se compreende o provimento por acesso à carreira de Oficial Judiciário, princípio consagrado, h á longos anos, com melhor técnica, pelo art. 34, § 2?, da L e i n.? 3.780-60;

2 — que o Egrégio Tribunal Federal de R e -

cursos, como bem salientou o Senhor Diretor-

Geral, no interesse d a própria J u s t i ç a , autori-

zou o aproveitamento de concursados de outra

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• Setembro de 1974 B O L E T I M E L E I T O R A L N» 278 437 r e p a r t i ç ã o n a sua Secretaria, assinalando, ainda,

que a J u s t i ç a Federal reconheceu validade de concurso para ingresso, por contrato, n a c a r - reira especifica de suas secretarias, aproveitando assim os contratados;

3 — que o Decreto-lei n ' 797, de 27-8-69, permite no § 2? do seu art. 2?, que "candi- dato habilitado em concurso sob jurisdição do D A S P p o d e r á ser, com a a n u ê n c i a do interes- sado, indistintamente indicado para a d m i s s ã o na A d m i n i s t r a ç ã o D i r e t a ou em Autarquia, caso n ã o haja remanescente de concurso específico para determinado órgão ou entidade", c o n - víndo invocar-se t a m b é m o parecer publicado no Diário Oficial, de 29-6-72;

4 — que incorpora a seus argumentos os eruditos fundamentos dos respeitáveis votos vencidos proferidos pelos ínclitos magistrados D r . José Pereira de Paiva e José Norberto Vaz de M e l o .

O eminente Procurador Regional Eleitoral m a n t é m seu parecer de fls., persistindo n a tese de que o deferimento infringiria o art. 97 da Constituição Federal, eis que a n o m e a ç ã o vincula-se rigorosamente ao cargo submetido a concurso público, n ã o podendo falar-se de descricionaridade para aproveitamento em cargo diverso, o que lesaria o direito subjetivo de quantos reunam os requisitos legais para a conquista de cargos em competição p ú b l i c a . Aduz que as funções de Oficial e A u x i l i a r são semelhantes, mas n ã o iguais, tanto que desútil teria sido, por lei, a criação das duas. O apro- veitamento será sempre no cargo posto em concurso, ainda que os provimentos sejam para cargos de Poderes diferentes, ou da A d m i n i s - t r a ç ã o centralizada para a a u t á r q u i c a , tal o permissivo invocado no pedido (art. 2?, § 2', Decreto-lei n? 797-69).

Atendendo á pedido da E . P r e s i d ê n c i a deste Tribunal o Senhor Ministro-Presidente do Colendo Tribunal Superior Eleitoral enviou o telex de fls. 95. Nele se lê que "em con- curso público realizado para preenchimento de cargos da carreira de Auxiliar Judiciário, ho- mologado pela Presidência do Tribunal Supe- rior Eleitoral em dezesseis de dezembro de m i l novecentos e sessenta e oito, tendo sido veri- ficado que duas vagas deveriam ser preenchi- das n a classe inicial da carreira de Oficial J u - diciário, tendo em vista que n a Secretaria do Trisupelei, de acordo com o artigo segundo da L e i n? 1.814, de 14 de janeiro de 1953. as vagas d a classe inicial da carreira de Oficial Judiciário são. preenchidas mediante concurso de que participam unicamente os ocupantes da classe final da carreira de A u x i l i a r J u d i c i á - rio, foi considerada desnecessária a realização de novo concurso interno, do qual participa- riam ú n i c a e exclusivamente os primeiros co- locados do concurso que acabara de ser rea- lizado, considerando-se a classificação no con- curso público para o preenchimento das citadas vagas. Esse critério foi adotado levando-se em consideração que n ã o haveria prejuízo para terceiros, uma vez que as vagas d a classe inicial da carreira de Oficial Judiciário n ã o estariam abertas para concurso público, uma vez que o ingresso no quadro é feito exclusivamente a t r a v é s da carreira de Auxiliar J u d i c i á r i o " .

A fls. 96 e s t á o pronunciamento do Senhor Diretor-Geral, assim: "ao que se depreende do telex do E x m o . S r . Ministro-Presidente do E . Tribunal Superior Eleitoral, funcionários de lá ingressaram n a carreira de A u x i l i a r J u d i - ciário, mediante concurso público.

O acesso à carreira de Oficial J u d i c i á r i o daquela Corte se faz por promoção e por c o n - curso de segunda e n t r â n c i a , assim denominado o critério seletivo, interno, no qual concorrem,

"exclusivamente, os titulares da classe final da carreira de a u x i l i a r " ,

Tendo os interessados ingressado n a car- reira de A u x i l i a r por concurso público, tive- ram dispensada a exigência de outro concurso para acesso à carreira principal — Oficial J u - diciário. Vale dizer, portanto, que um con- curso para Auxiliar J u d i c i á r i o foi considerado válido para ingresso n a carreira de Oficial J u - diciário .

Ê, em princípio, o inverso da tese aqui su- gerida".

Diante disso, defere o Tribunal o pedido, reconsiderando decisão anterior, porque:

a) n ã o há, absolutamente inconstituciona- lidade na p r e t e n s ã o do Senhor D i r e t o r - G e r a l desta Casa. pois será obedecida, rigorosamente, a ordem de classificação dos aprovados;

b) o concurso para Oficial foi a t é mais pesado exigida mais conhecimentos, os apro- vados provaram que sabiam mais que o exigido para o concurso primitivo, o de A u x i l i a r :

c) o concurso foi feito em obediência ao preceito constitucional e com todos os pressu- postos ordinários concursais; a separação entre os dois concursos é uma ficção d a adminis- t r a ç ã o , para n ã o se exigir mais do que o ne- cessário nem menos do que o indispensável;

d) quer no campo do direito, quer no d a moral, n ã o h á motivo para impedir a validação do concurso mais pesado para o cargo imedia- tamente inferior;

e) caso mais ou menos idêntico ocorreu na J u s t i ç a Federal, quando a L e i n? 5.677, de 19 de julho de 1971, permitiu o aproveitamento, nos seus quadros, de servidores contratados sob o regime da C L T , se a c o n t r a t a ç ã o tivesse sido precedida de concurso público, homo- logado pelo Conselho d a mesma J u s t i ç a ;

/) no E . Tribunal de J u s t i ç a de Minas, foi aproveitado na carreira de Oficial D a t i l o - grafo candidato aprovado para o cargo de Oficial Judiciário e que n ã o lograra aprovei- tamento neste cargo (fls. 3, processo n ' 83);

g) em parecer da lavra do festejado j u - rista Clenício da Silva Duarte, Consultor J u - rídico do D A S P , em caso absolutamente i d ê n - tico à espécie se vê que:

"Ementa: candidatos habilitados mas n ã o classificados dentro do n ú m e r o de vagas, no concurso para Procurador d a Fazenda Nacional, pleiteiam n o m e a ç ã o como Procurador do Instituto do Açúcar e do Álcool.

— impossibilidade do acolhimento da pretensão, pela diversidade de atribuições que.seriam exigidas do ocupante de cargo de Procurador a u t á r q u i c o " .

O ilustre consultor n ã o invocou uma só vez qualquer inconstitucionalidade do pedido, que só n ã o foi deferido em razão da diferenciação de funções, isto é, porque a função específica dos Procuradores autárquicos (IAA) é a re- p r e s e n t a ç ã o do I A A em juízo, nas causas em que a autarquia funciona como autora, ré. assis- tente, opoente, ao passo que as atribuições do cargo de Procurador da Fazenda. Nacional são alheias ao contencioso, sendo fundamental e especificamente de assessoria j u r í d i c a .

h) o caso ocorrido no Colendo Tribunal Superior Eleitoral, em substância, proclama a possibilidade de aproveitamento de um con- curso, feito com determinada finalidade, para preenchimento de outros cargos, numa forma a t é mais generosa que a pretendida a q u i .

F i c a m vencidos no julgamento:

a) o eminente Juiz Dilvanir Costa, com o seguinte fundamento: o precedente citado não é idêntico, conforme parecer constante dos autos, em que se afirma ser o caso inverso.

Se n ã o existe ofensa direta à Constituição,

pelo menos existe ofensa indireta ao princípio

da igualdade. E m se tratando de concurso, de-

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