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GUIMARÃES ROSA: DIPLOMATA

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Academic year: 2021

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(1)

G UIMARÃES R OSA : D IPLOMATA

(2)

M

INISTÉRIODAS

R

ELAÇÕES

E

XTERIORES

Ministro de Estado

Embaixador Celso Amorim

Secretário-Geral

Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães

F

UNDAÇÃO

A

LEXANDREDE

G

USMÃO

Presidente

Jeronimo Moscardo

A Fundação Alexandre de Gusmão, instituída em 1971, é uma fundação pública vinculada ao Ministério das Relações Exteriores e tem a finalidade de levar à sociedade civil informações sobre a realidade internacional e sobre aspectos da pauta diplomática brasileira. Sua missão é promover a sensibilização da opinião pública nacional para os temas de relações internacionais e para a política externa brasileira.

Ministério das Relações Exteriores Esplanada dos Ministérios, Bloco H Anexo II, Térreo, Sala 1

70170-900 Brasília, DF

Telefones: (61) 3411 6033/6034/6847

Fax: (61) 3322 2931, 3322 2188

Site: www.funag.gov.br

(3)

2007

G UIMARÃES R OSA : D IPLOMATA

H ELOÍSA V ILHENA DE A RAÚJO

Reedição revista

(4)

Capa: Rosina Becker do Valle, Floresta, 135 x 116 cm, OST - Ass. PI e Dat. 1969

Direitos de publicação reservados à Fundação Alexandre de Gusmão Ministério das Relações Exteriores Esplanada dos Ministérios, Bloco H Anexo II, Térreo

70170-900 Brasília – DF

Telefones: (61) 3411 6033/6034/6847/6028 Fax: (61) 3411 9125

Site: www.funag.gov.br

E-mail: [email protected]

Impresso no Brasil 2007

Depósito Legal na Fundação Biblioteca Nacional conforme Decreto n° 1.825 de 20.12.1907 Araújo, Heloísa Vilhena de.

Guimarães Rosa: diplomata/Heloísa Vilhena de Araújo.— Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2007.

234 p.; 15,5 x 22,5 cm Inclui bibliografia.

ISBN 85-60123-01-8

1. Rosa, João Guimarães, 1908-1967. 2. Diplomatas – Brasil – Biografia I. Fundação Alexandre de Gusmão. II. Título.

CDU7 923 (Rosa, J.G.)

(ED. 1997)

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“De qualquer modo, o que entendemos e amamos num trabalho é uma existência humana... (...) Pois, quando compreendemos o passado, o que compreendemos é a personalidade humana e é através da personalidade humana que compreendemos tudo o mais. E compreender uma existência humana significa redescobri- la em nossa própria experiência potencial” (Erich Auerbach - A Língua Literária e seu Público).

“... só é possível o que em homem se vê, o que por homem

passa” (Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas).

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A GRADECIMENTOS :

É com prazer que agradeço os depoimentos do Ministro Arthur Gouvêa Portella, Chefe do Serviço de Demarcação de Fronteiras do Itamaraty, e do Senhor Tenente Raymundo Alberto Faria de Araújo, encarregado do Arquivo do mesmo Serviço, ambos companheiros de trabalho do Embaixador João Guimarães Rosa durante muitos anos.

Sem a colaboração e a orientação da Senhora Maria Augusta de Camargos Rocha, Chefe do Serviço de Publicações do Itamaraty entre 1961 e 1971, que generosamente colocou à minha disposição os documentos funcionais, separados pelo próprio Embaixador Guimarães Rosa, não teria sido possível realizar o presente estudo nos moldes em que foi feito. Agradeço, igualmente, as valiosas indicações fornecidas pela Senhora Aracy Moebius de Carvalho, esposa do Embaixador Guimarães Rosa. À sua filha, Vilma, agradeço a oferta de seu livro, Relembramentos:

João Guimarães Rosa, meu Pai.

Devo ao Embaixador Sérgio Paulo Rouanet e ao Secretário Gerson Machado Pires Filho comentários pertinentes e esclarecedores sobre o texto da primeira versão deste estudo.

É com satisfação que menciono a prestimosa colaboração que tive do Ministro Flávio Moreira Sapha, Chefe do Arquivo do Itamaraty, e dos funcionários Senhor Jorge R. Teixeira, do Arquivo de Confidenciais;

Senhoras Nadyr Duarte Ferreira e Esther Guitmann e Senhores Luiz Augusto Soares da Silva e Carlos de Souza, do Arquivo Histórico do Itamaraty.

Recebi, igualmente, valiosa ajuda do Secretário Nilo Barroso Neto,

da Secretaria de Relações com o Congresso do Itamaraty e dos Senhores

Heyderne Coelho e Lusinaldo Maurício, da Sinopse da Câmara dos

Deputados.

(8)

As fotografias do Embaixador João Guimarães Rosa foram fornecidas amavelmente pela Senhora Luzia Féo, do Serviço fotográfico do Itamaraty.

À Fundação Alexandre de Gusmão e a seu Presidente, Embaixador Marcos Castrioto de Azambuja, agradeço a confiança em mim depositada, na realização deste projeto de seu programa de recuperação da memória do MRE, bem como o apoio que me dispensaram.

Brasília, 1987

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I - Introdução ... 11

II - Diplomacia: Filologia e Hermenêutica ... 15

III - Diplomacia: Eternidade e História ... 33

IV - Diplomacia: Justiça e Direito ... 49

V - Diplomacia: Formação e Técnica ... 53

VI - Diplomacia: Construção e Crítica ... 59

VII - Diplomacia: o diplomacia e o homem ... 65

VIII - Conclusão: Nacional e Internacional... 71

Bibliografia ... 77

Anexos ... 81

S U M Á R I O :

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(11)

P ARTE I

I NTRODUÇÃO

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(13)

Há vinte anos da morte de João Guimarães Rosa, a literatura crítica relativa à sua obra literária é considerável. Nada foi feito, entretanto, sobre outro aspecto de sua atividade - a carreira de diplomata. A linguagem e a criação literária de Guimarães Rosa estão amplamente estudadas, conquanto ainda não se tenha esgotado o manancial que sua obra representa para a crítica. Longe disso. A redação e a atuação diplomática de Guimarães Rosa, entretanto, esperam sua vez.

Tendo em vista o 20º aniversário de sua morte, em 1987, e pensando em começar a preencher esta lacuna nos estudos sobre a vida e a obra de Guimarães Rosa - homenagem que o Itamaraty deseja prestar à memória de um de seus mais singulares diplomatas - o Presidente da Fundação Alexandre de Gusmão, Embaixador Marcos Castrioto de Azambuja, encomendou pesquisa nos arquivos da Casa e junto a pessoas que conheceram e serviram com o Embaixador Guimarães Rosa, o que resultou na presente monografia.

Logo na leitura inicial dos primeiros documentos - entre eles, aqueles que o próprio Embaixador Guimarães Rosa entregou a Maria Augusta de Camargos Rocha, então Chefe do Serviço de Publicações do Itamaraty, para reunir, pensando em utilizá-los posteriormente

1

- salta à vista uma atitude básica diante da vida e do trabalho, que mantém estreita relação com traços marcantes de sua obra literária. Refiro-me a uma atitude platônica - a atitude do homem justo, conforme descrita por Platão na República, no Sofista e no Político.

É claro que a obra literária de Guimarães Rosa suporta interpretações de outras perspectivas que não a platônica e foi estudada, com resultados fecundos, de vários pontos de vista. Pode-se notar, por

1

Em anexo à presente monografia.

13

P ARTE I - I NTRODUÇÃO

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exemplo, um nítido tomismo de Riobaldo, na sua apreciação do Bem e do Mal, em Grande Sertão: Veredas. As próprias epígrafes utilizadas por Guimarães Rosa em seus livros - de Plotino, Ruysbroeck, Sextus Empíricus, Sêneca, Tolstoi e Schopenhauer

2

- indicam outros pontos de vista de onde estudar sua obra.

O fio condutor platônico, entretanto, a par de surgir com insistência ao longo de toda a obra - desde Sagarana (1946) até Tutaméia (1967) - pareceu-me reger, igualmente, extravasando o plano literário, sua vida e sua atuação em outras áreas, como a medicina e a diplomacia.

Assim, não excluindo interpretações possíveis de outros pontos de vista, a interpretação “platônica”, em sentido lato, da vida e da obra de Guimarães Rosa permitiu, em vista do material pesquisado, esclarecer maior número de áreas de sua personalidade, fornecendo, ao mesmo tempo, um arcabouço que sustenta e integra a atividade multifacetada do autor, em vários níveis de sua existência.

“Eu, quando escrevo um livro, vou fazendo como se o estivesse ‘traduzido’, de algum alto original, existente alhures, no mundo astral ou no ‘plano das idéias’, dos arquétipos, por exemplo. Nunca sei se estou acertando ou falhando nessas ‘traduções’.” (Guimarães Rosa, 1981: 63/64).

O presente estudo seguirá, nessas circunstâncias, o fio condutor do platonismo, que surgiu, não só do exame da obra literária

3

, mas também do material encontrado nos arquivos do Itamaraty. Tentar-se-á remediar, na medida do possível, a simplificação inevitável, decorrente da escolha de um tal fio condutor, indicando os momentos em que o platonismo é modificado - alargado, estreitado, ultrapassado -, enriquecido por contribuições de outras posturas filosóficas e culturais - como o Cristianismo, por exemplo -, transformado numa existência concreta: a de João Guimarães Rosa.

2

As epígrafes de Plotino e Ruysbroeck estão em Corpo de Baile; as demais, em Tutaméia.

3

Temas platônicos, tais como o modelo (paradigma) e o reflexo (eikon), a viagem (período),

a natureza da alma e da memória, a pauta da ação humana, foram estudados em outros

ensaios intitulados “O Direito e o Avesso”, “Mnemosyne”, “Pégaso” e “Collegium

Trilingue”.

Referências

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