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Prova Específica de Geologia

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Academic year: 2021

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PROVAS DE ACESSO AO ENSINO SUPERIOR PARA MAIORES DE 23 ANOS

Prova Específica de Geologia

5 – Junho – 2015

1 hora e 30 minutos + 30 minutos de tolerância   

Escreva de forma legível numeração das questões, bem como as respetivas respostas. As  respostas ilegíveis ou que não possam ser claramente identificadas são classificadas com zero  pontos. Para cada questão, apresente apenas uma resposta. Se escrever mais do que uma  resposta uma mesma questão, apenas é classificada resposta apresentada em primeiro  lugar. As cotações das questões encontram‐se no final do enunciado da prova. 

1) zona de subdução de Makran, limitada este oeste por duas grandes falhas, tem  mostrado baixa atividade sísmica desde os sismos de 1945 (magnitude 8,1) de 1947  (magnitude 7,3), embora estudos recentes indiquem que esta zona de subdução é capaz de  gerar sismos de magnitude entre 8,7 e 9,2. Numa zona de subdução, supõe‐se que a rotura nas  principais falhas inversas aí existentes, capazes de gerar grandes sismos, ocorra, geralmente, a  temperaturas entre 150 ºC e 450 ºC. Esta informação, conjugada com outras, essencialmente,  de índole geofísica, foi utilizada por cientistas para mapear a área potencial de rotura sísmica  na zona de subdução de Makran. Os cientistas verificaram que mesma abrange uma área  com 350 km de largura, a norte da fossa tectónica de Makran, sendo invulgarmente larga em  relação à maioria das outras zonas de subdução. enquadramento tectónico da região  encontra‐se representado, de forma simplificada, na Figura 1. 

  Figura 1. 

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Prova Específica de Geologia, 5 de Junho de 2015 

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta. Escreva, na folha de  respostas, o número do item e a letra que identifica a opção escolhida. 

 

1.1. Ao longo da falha de Ornach‐Nal, ocorrem predominantemente  (A) distensão tectónica e espessamento crustal. 

(B) estiramento crustal e formação de uma cadeia orogénica. 

(C) deslizamento lateral e manutenção da espessura crustal. 

(D) compressão tectónica e atividade vulcânica. 

1.2. Na zona representada na Figura 1, o movimento relativo entre as placas leva a que a placa  Africana se desloque para _______ e a placa Indo‐Australiana se desloque para _______. 

(A) SO … NE  (B) SO … NO  (C) SE … NE  (D) SE … NO 

1.3. De acordo com a Figura 1, comparativamente ao local X, no local Y, verifica‐se  (A) uma menor densidade das rochas. 

(B) um maior grau geotérmico. 

(C) uma menor idade das rochas. 

(D) um maior fluxo térmico. 

1.4. acentuada diminuição da velocidade de propagação das ondas P, assinalada pela  descontinuidade de _______, marca a transição entre _______. 

(A) Mohorovicic … a litosfera e a astenosfera  (B) Gutenberg … o manto e o núcleo externo  (C) Mohorovicic … a crusta e o manto 

(D) Gutenberg … a astenosfera e a mesosfera 

1.5. As correntes de convecção no interior do manto são resultantes da  (A) ascensão de magma ao nível dos riftes. 

(B) diminuição da densidade na litosfera. 

(C) variação térmica a diferentes profundidades. 

(D) subdução da litosfera nas fossas oceânicas. 

1.6. Justifique a importância da elaboração de cartas de isossistas de intensidades máximas de  uma dada região. 

1.7. Explique, de acordo com os dados, possibilidade de ocorrência de sismos de elevada  magnitude na zona de subdução de Makran. 

Na resposta deverá considerar a teoria do ressalto elástico. 

 

2) Na praia de Lavadores, a sul do rio Douro, aflora um maciço granítico, que se instalou ao  longo da falha de desligamento Porto‐Tomar, sendo visível, por vezes, seu contacto com  gnaisses. granito apresenta‐se de grão grosseiro, evidenciando fenocristais (cristais de  grandes dimensões) de feldspato potássico e encraves (fragmentos) de rochas quer gnáissicas,  quer intrusivas máficas. Os encraves apresentam‐se, por vezes, em relevo devido à erosão  diferencial. Figura representa, de forma simplificada, relação espacial entre os corpos  granitoides – graníticos e afins – e os locais de ocorrência de caulino (um recurso geológico  onde predomina a caulinite – mineral argiloso), associados a uma zona de fraturação profunda. 

(3)

  Figura 2 

 

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta. Escreva, na folha de  respostas, o número do item e a letra que identifica a opção escolhida. 

 

2.1. O maciço granítico de Lavadores apresenta fragmentos de rochas gnáissicas e é cortado  por filões. O maciço é mais _______ do que as rochas gnáissicas e mais _______ do que os  filões. 

(A) antigo … antigo  (B) antigo … recente  (C) recente … recente  (D) recente … antigo 

2.2. O maciço que aflora na praia de Lavadores 

(A) contacta com rochas características de alto grau de metamorfismo. 

(B) possui encraves em relevo menos resistentes à erosão do que o granito. 

(C) resulta de um magma que arrefeceu rapidamente à superfície. 

(D) apresenta uma orientação perpendicular à falha Porto‐Tomar. 

2.3.  As  plagióclases  dos  encraves  máficos  do  maciço  granítico  de  Lavadores,  comparativamente às do granito hospedeiro, são _______ cálcicas e terão cristalizado  temperaturas _______ elevadas. 

(A) mais … menos  (B) mais … mais  (C) menos … mais  (D) menos … menos 

2.4. Na região sul do Porto, ocorrem falhas inversas, as quais se caracterizam por uma  _______ do teto relativamente ao muro, em resultado de um campo de tensões _______. 

(A) subida … distensivas  (B) descida … distensivas  (C) subida … compressivas  (D) descida … compressivas   

 

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Prova Específica de Geologia, 5 de Junho de 2015 

2.5. Comparativamente às falhas, as dobras são deformações normalmente resultantes  (A) de processos lentos de atuação de tensões, em regime frágil. 

(B) de processos rápidos de atuação de tensões, em regime dúctil. 

(C) da atuação de tensões a temperaturas e a pressões mais baixas. 

(D) da atuação de tensões a temperaturas e a pressões mais elevadas. 

2.6. Explique a formação da caulinite do depósito da Telheira, tendo em conta a composição  mineralógica das rochas da região, as deformações existentes e a ação da água. 

 

3) Faça corresponder cada uma das descrições de rochas da coluna A à respetiva designação,  que consta da coluna B. Escreva, na folha de respostas, apenas as letras os números  correspondentes. Utilize cada letra e cada número apenas uma vez. 

   

4) Na ilha de Porto Santo, pertencente ao Arquipélago da Madeira e Selvagens, afloram dois  tipos de rochas – rochas magmáticas, diretamente associadas ao vulcanismo originador da  própria  ilha,  rochas  sedimentares.  corte  geológico  representado  na  Figura  3,  aproximadamente  S‐N,  mostra  os  complexos  vulcânicos, predominantemente  basálticos,  atravessados por chaminés vulcânicas. A sequência submarina integra as rochas mais antigas e  a sequência subaérea integra as rochas mais recentes. As rochas sedimentares cobrem cerca  de um terço da superfície da ilha incluem rochas calcárias com variados tipos de fósseis  marinhos. partir do Miocénico (aproximadamente, de 23 Ma 5,3 Ma) até finais da  glaciação Würm (18 000 anos), plataforma marinha que se desenvolveu à volta da ilha  deverá ter desempenhado um papel fundamental na génese destas rochas calcárias com  fósseis. Essa antiga plataforma tem, atualmente, o seu limite a 100 metros de profundidade. A  temperatura das águas e a composição em cálcio das rochas basálticas foram os fatores que  mais  contribuíram  para  desenvolvimento  de  organismos  de  concha  esqueleto  carbonatados. Estes materiais carbonatados, provenientes de tais organismos, acumulados  sobre a plataforma e atuados por correntes marinhas, fragmentaram‐se e depositaram‐se em  locais preferenciais, juntamente com blocos de rochas magmáticas, originando brechas de  cimento calcário. Por outro lado, a erosão terá, também, originado grandes quantidades de  areias bioclásticas, isto é, formadas pela fragmentação de conchas. Finalmente, vento,  principalmente soprando de norte, constituiu o meio de transporte destes sedimentos para as  regiões abrigadas da parte emersa da ilha. 

 

(5)

  Figura 3 

 

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta. Escreva, na folha de  respostas, o número do item e a letra que identifica a opção escolhida. 

 

4.1. De acordo com alguns autores, a ilha de Porto Santo terá resultado da ação de uma pluma  mantélica que se formou a uma profundidade de 125 km, no interior da _______, que é  uma zona _______. 

(A) astenosfera … atravessada só por ondas P  (B) astenosfera … de baixa velocidade sísmica  (C) litosfera … atravessada por ondas P e S  (D) litosfera … de sombra sísmica 

4.2. No complexo vulcânico mais antigo representado na Figura 3, podem ser encontradas  _______, resultantes de atividade vulcânica _______. 

(A) pillow lavas … submarina  (B) lavas encordoadas … submarina  (C) pillow lavas … subaérea 

(D) lavas encordoadas … subaérea 

4.3. Durante a glaciação Würm, ocorreu uma _______ do nível do mar, pelo que a área da ilha  era consideravelmente _______ à de hoje. 

(A) subida … superior  (B) subida … inferior  (C) descida … superior  (D) descida … inferior 

4.4. Os sedimentos marinhos posteriormente transportados pelo vento para as zonas mais  abrigadas da ilha são 

(A) mal calibrados e angulosos. 

(B) bem calibrados e angulosos. 

(C) mal calibrados e arredondados. 

(D) bem calibrados e arredondados. 

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Prova Específica de Geologia, 5 de Junho de 2015 

4.5.  As  rochas  vulcânicas  submarinas  mais  antigas  apresentam,  para  um  determinado  elemento _______, uma razão de isótopos‐pai/isótopos‐filho _______ do que as rochas  vulcânicas submarinas mais recentes. 

(A) instável … maior  (B) instável … menor  (C) estável … maior  (D) estável … menor 

4.6. A inferência das condições ambientais que existiam no passado, a partir do conhecimento  do conteúdo fóssil dos depósitos pararrecifais, baseia‐se no princípio 

(A) do atualismo. 

(B) da identidade paleontológica. 

(C) do catastrofismo. 

(D) da sobreposição dos estratos. 

4.7. Ordene as frases identificadas pelas letras de A a E, de modo a reconstituir a sequência  cronológica dos acontecimentos que, no ciclo das rochas, podem conduzir à formação de  uma rocha plutónica a partir de uma rocha vulcânica. 

A. Deposição de sedimentos, originando estratos. 

B. Meteorização da rocha devido à atuação dos agentes de geodinâmica externa. 

C. Cristalização de minerais a partir de magma. 

D. Fusão da rocha em ambiente de pressão e de temperatura elevadas. 

E. Recristalização de minerais, associada ao aumento da pressão litostática. 

4.8. Explique, tendo em conta o teor em gases do magma, o tipo de atividade vulcânica que  esteve na origem de cada uma das litologias com idade superior a 19,3 Ma representadas  na Figura 3. 

4.9. Uma parte significativa da ilha de Porto Santo está coberta por dunas, tanto consolidadas  como móveis, sendo as primeiras formadas por areias ligadas por carbonato de cálcio e as  segundas formadas por areias soltas. 

Explique a formação das dunas consolidadas, tendo em conta a origem dos sedimentos e do  cimento que as constituem. 

 

5) As rochas da orla marítima da cidade do Porto são das mais antigas em Portugal  constituem um património geológico de elevado interesse científico e pedagógico, o Complexo  Metamórfico da Foz do Douro, classificado como Património Natural Municipal. Figura  traduz um esboço geológico da praia do Castelo do Queijo, na orla marítima da cidade do  Porto. maciço, onde assenta forte vulgarmente conhecido por Castelo do Queijo (FCQ),  data do final do Paleozoico e é constituído por um granito biotítico, por vezes porfiroide, de  grão médio grosseiro, que apresenta diaclases. granito do Castelo do Queijo exibe  frequentemente encraves microgranulares de rochas melanocráticas. Os encraves podem ter  surgido a partir de uma cristalização, mais ou menos simultânea, de dois magmas imiscíveis e  com diferentes viscosidades. A sul do forte, dá‐se o contacto do granito do Castelo do Queijo  com o Complexo Metamórfico da Foz do Douro. Trata‐se de uma formação gnáissica, anterior  ao Paleozoico. gnaisse leucocrático apresenta aglomerações esferoidais de cristais de  quartzo e de feldspato potássico, bem desenvolvidos (ocelos). 

Baseado em Vieira da Silva, J.C. e Flores, D., «Viagem ao Património Geológico da Faixa Litoral da Cidade do Porto», 

(7)

  Figura 4 

 

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta. Escreva, na folha de  respostas, o número do item e a letra que identifica a opção escolhida. 

 

5.1) A falha presente nos metassedimentos 

(A) tem direção N‐S e é anterior ao filão de gnaisse. 

(B) é uma falha de desligamento posterior ao filão de gnaisse. 

(C) tem direção E‐W e é anterior ao filão de gnaisse. 

(D) é uma falha inversa posterior ao filão de gnaisse. 

 

5.2) Os encraves microgranulares, em comparação com o granito onde estão inseridos,  (A) resultaram de um magma mais ácido. 

(B) têm maior quantidade de minerais ferromagnesianos. 

(C) cristalizaram a temperaturas mais baixas. 

(D) são mais ricos em minerais félsicos. 

 

5.3) Na faixa litoral do Castelo do Queijo, há uma clara tendência para a formação de blocos  arredondados, de tamanhos variados, designados caos de blocos. 

Explique, tendo em conta as condições da dinâmica litoral, a formação de caos de blocos na  zona do forte do Castelo do Queijo. 

 

5.4) Ao longo do seu curso, o rio Douro apresenta um elevado número de barragens. 

Relacione os efeitos da existência de barragens num rio com o recuo da linha de costa. 

     

FIM 

(8)

Prova Específica de Geologia, 5 de Junho de 2015 

COTAÇÕES   (0 – 200 pontos) 

     

Questões Pontos Sub‐total 

1.1   

1.2   

1.3   

1.4   

1.5   

1.6  10   

1.7  10  45 Pontos 

2.1   

2.2   

2.3   

2.4   

2.5   

2.6  15  40 Pontos  25  25 Pontos 

4.1   

4.2   

4.3   

4.4   

4.5   

4.6   

4.7  10   

4.8  10   

4.9  10  60 Pontos 

5.1   

5.2   

5.3  10   

5.4  10  30 Pontos  Total  200 Pontos  

Nota: na questão 3, cada correspondência correta, num total de correspondências  estabelecer, vale 5 pontos. 

Referências

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