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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE EDUCAÇÃO

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE EDUCAÇÃO

Apresentação de Seminário sobre o livro

Preconceito Linguístico: o que é, como se faz.

De Marcos Bagno.

Cristina Barcelos Dora Rufo

Guaciara Alves Leandro Paiva

Luciano João Sirlene Araújo Dias

São Paulo 2012

(2)

•Mineiro, de Cataguases, viveu em várias cidades brasileiras, como Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE), São Paulo (SP) e Brasília (DR).

•Escritor premiado, com mais de 30 livros publicados, iniciou na literatura infanto-juvenil em 1988. Desde 1997 tem se dedicado a produção de obras voltadas para educação.

•Se graduou em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde também obteve o título de Mestre em Lingüística.

•Obteve o título de Doutor em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP).

• Atualmente é professor da Universidade de Brasília (UnB)

O autor:

Marcos Bagno

Escritor, tradutor, lingüista e professor da UnB

Informações retiradas do site:

http://marcosbagno.com.br

(3)

A obra:

Preconceito Lingüístico:

o que é, como se faz.

Desde que foi publicado, em 1999, este livro se tornou referência obrigatória no meio educacional brasileiro, despertando muita polêmica em torno dos temas que aborda, não era para menos. Pela primeira vez no Brasil, alguém ousava desmentir o conjunto de idéias falaciosas sobre língua e ensino que contaminam nossa sociedade há séculos. Tomada como verdades quase sagradas, essas idéias só contribuem para a exclusão social da grande maioria da nossa população.

Excerto retirado da Orelha do livro, sem assinatura.

(4)

“A capa deste livro tem uma história que merece ser contada.”

(BAGNO, p. 21)

“As pessoas ali fotografadas são minha sogra, Alice Francisca, meu sogro, José Alexandre, e meu cunhado mais novo, Sóstenes, em 1977. (Na contra- capa, as mesmas pessoas aparecem, trinta anos depois.)” (BAGNO, p. 21)

(5)

Definição de Língua

É um conjunto de signos verbais organizados entre si através de uma gramática. A língua é homogênea, social e abstrata. É um sistema organizado de normas que é depositado na mente do indivíduo pertencente a uma determinada sociedade, produzindo seqüências gramaticais aceitáveis em sua língua.

(Saussure, p.15)

(6)

Definição de Fala

É a concretização da língua. Cada falante, ao fazer uma enunciação, concretiza a língua. A fala, por sua vez, é individual e imbuída da visão cultural, ideológica, social do falante. Ela é individual no sentido de carregar cada pensamento particularizado de cada enunciador.

(Saussure, p.19)

(7)

Definição de Preconceito

1. é o conceito formado antecipadamente e sem fundamento razoável;

2. opinião formada sem flexão;

3. convencionalismo.

(Minidicionário Antonio Olinto da língua portuguesa)

(8)

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Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno

E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco

Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso

camarada

Me dá um cigarro

Oswald de Andrade (1890-1954)

Pronominais

(9)

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Sapassado, era sessetembro, taveu na cuzinha tomando Uma pincumel e

Cuzinhando um kidicarne cumastumate pra modi fazê uma macarronada cum

galinhassada. Quascaí de Susto quanduvi um barui Vinde dendu forno

parecenum tiridiguerra.

A receita mandopô um bucadim de mio dipipoca denda galinha prassá. O

forno isquentô,o mistorô, e o fiofó da galinhispludiu!

Nossinhora! Fiquei branco Quinein um lidileite. Foi um trem doidimais! Quascaí dendapia! Fiquei sensabê

doncovim,noncotô, proncovô.

Ópceve quilocura! Grazadeus ninguém semaxucô!

Conversa de Mineiro

Autoria desconhecida

(10)

Estrangeirismo e fala desprestígiada

(11)

Vídeos relacionados

http://www.youtube.com/watch?feature=p layer_detailpage&v=Zw2dU130Jzg

(Programa Viola minha viola)

http://www.youtube.com/watch?v=RTEfYn MNNpc&feature=related

(Patativa do Assaré – Senhor Doutor)

(12)

Tipos de Variações Lingüísticas

Variação fonética: está relacionada ao som das palavras, a maneira como as pronunciamos.

Exemplo: méninu – Nordeste.

mininu – Sudeste.

Variação lexical.

Exemplo: abobora – Sudeste.

jerimum – Norte e Nordeste.

(13)

Variação sintática: está relacionada a maneira de como organizamos as frases.

Exemplo: “A gente vamos”, ao invés de

“A gente vai”.

Se tivermos como parâmetro a gramática da norma culta, a primeira expressão está

incorreta, pois sabe-se que temos de concordar o verbo com o sujeito. No

entanto, a variação lingüística depende do contexto em que está sendo empregada para ser considerada adequada ou inadequada.

(14)

I. A mitologia do preconceito

lingüístico

(15)

desconstrói a idéia preconceituosa de que somente quem fala de acordo com a norma culta, fala a nossa Língua Portuguesa.

surgem os conceitos de adequado e inadequado em relação ao contexto ou gênero escolhido pelo enunciador.

(16)

Mito n° 1: “O português do Brasil

apresenta uma unidade surpreendente”

Alimenta o senso comum sobre a existência de unidade linguística.

a Língua Portuguesa, apresenta um alto grau de diversidade e de variabilidade devido à grande dimensão territorial e à grande injustiça social. A língua é viva e o seu povo é que a faz e a transforma.

uma homogeneidade, diante dessas circunstâncias, não pode ser garantida.

(17)

Mito n° 2: “Brasileiro não sabe

português/ só em Portugal se fala bem português”

assim como uma raça não é pura, não podemos falar em uma língua pura;

o brasileiro fala um português diferente do falado em Portugal;

mito de que somente sabe falar a Língua Portuguesa quem segue a gramática normativa;

existe uma gramática internalizada. Mesmo sem seguir as regras da gramática, as pessoas seguem uma “lógica lingüística”.

(18)

Mito n° 3: “Português é muito difícil”

ênfase dada à gramática normativa é tão grande que achamos que só sabe falar e escrever quem conhece a

norma culta.

o papel da língua é o de comunicar e mostrar que existem várias formas de se fazer isso.

(19)

Mito n° 4: “As pessoas sem instrução falam tudo errado”

Elas só não usam a gramática da norma culta;

adequação do uso da língua em diferentes contextos de comunicação;

diferentes espaços e contextos sociais.

(20)

Mito n° 5: “O lugar onde melhor se fala português no Brasil é o Maranhão”

A verdade é que, se formos estabelecer como referência a língua como um fenômeno cultuado por um povo, portanto, com vida, não há um lugar específico que use a Língua Portuguesa de forma mais correta ou menos correta;

Variações de Norte a Sul do país.

(21)

Mito n° 6: “O certo é falar assim porque se escreve assim”

a língua é dividida em falada e escrita;

a fala é diferente da escrita, nem sempre o que se escreve é pronunciado da mesma forma que está escrito;

a escrita é a tentativa de imitar a fala.

(22)

Mito n° 7: “É preciso saber

gramática para falar e escrever bem”

quem nasceu primeiro a gramática ou a língua?

a língua - produzindo sequências gramaticais aceitáveis em sua língua.

a gramática veio para fixar padrões e regras das manifestações de uso da língua da classe de escritores de uma época.

(23)

Mito n° 8: “O domínio da norma- padrão é um instrumento de

ascensão social”

variantes linguísticas pode dar ao usuário da língua a possibilidade de se comunicar com mais habilidade e em contextos variados;

não é pressuposto de ascensão social;

pessoas sem instrução conseguem ascensão social;

(24)

II. O círculo vicioso do

preconceito lingüístico

(25)

1. Os três elementos que são quatro;

2. Sob o império de Napoleão;

3. Um festival de asneiras;

4. A falta de estilo de Josué;

5. Beethoven não é dançado!

(26)

1. Os três elementos que alimentam o preconceito lingüístico.

a gramática tradicional;

os métodos tradicionais de ensino;

e os livros didáticos.

(27)

Ele se forma por meio da gramática tradicional, que acaba por influenciar as práticas de ensino e fazendo com que a indústria do livro didático, faça uso dela constantemente como único meio viável à comunicação.

Para mudar esta situação, é necessário que se reconheça a prática normativa que afeta o ensino da língua portuguesa e começar a mudá-la;

A escola, precisa mudar o conceito de que a norma culta é absoluta e mostrar que ela não tem relação com a linguagem falada pela maioria da população brasileira, mostrando que outras variáveis são possíveis.

(28)

III. A desconstrução do

preconceito lingüístico

“A língua sem arcaísmos, sem erudição.

Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.”

(Manifesto Pau-Brasil, Oswald de Andrade)

(29)

1. Reconhecimento da crise;

2. Mudança de atitude;

3. O que é ensinar português?

4. O que é erro?

5. Então vale tudo?

6. A paranóia ortográfica;

7. Subvertendo o preconceito lingüístico.

(30)

Afirma que a norma culta é reservada, por questões de ordem política, econômicas, sociais e culturais, a poucas pessoas no Brasil.

Propõe mudanças na atitude dos professores diante da aceitação da norma padrão da língua;

Professor deve ser crítico e reflexivo;

Mostrar aos alunos as diferenças entre língua formal e informal, bem como seus usos.

(31)

Livro distribuído pelo MEC

causa polêmica

(32)

IV. O preconceito contra a

lingüística e os lingüistas

(33)

1. Uma “religião” mais velha que o cristianismo;

2. Português ortodoxo? Que língua é essa?

3. Devaneios de idiotas e ociosos;

4. A quem interessa calar os lingüistas?

(34)

discute o ensino da gramática normativa;

retorna a questão de mudanças na forma de uso e aceitação da língua.

mostra que o novo assusta é coloca em dúvida as o que é colocado como correto;

além de compromete as estruturas de poder e dominação há muito vigentes.

(35)

Conclusão

o uso da norma culta como única língua precisa ser pensada;

todos nascem com uma gramática internalizada;

a fala vem bem antes do que a escrita;

não existe o conceito de erro, mas sim o que é adequado e inadequado ao contexto de comunicação;

a escola precisa mudar suas práticas de ensino da língua portuguesa;

o professor deve ser reflexivo em relação a sua prática docente;

contextualizar as diferentes variáveis lingüísticas aos diferentes contextos de comunicação social e a realidade dos seus alunos.

(36)

Sugestão de leitura sobre o tema

Marcos Bagno argumenta que falar

diferente não é falar errado e o que pode parecer erro no português não-padrão tem uma explicação lógica, científica (lingüística, histórica, sociológica, psicológica). Para explicar essa

problemática, o autor reúne então n’A LÍNGUA DE EULÁLIA as universitárias Vera, Sílvia e a esperta Emília, que vão passar as férias na chácara da professora Irene. Sempre muito dedicada, Irene se reúne todos os dias com as três

professoras do curso primário,

transformando suas férias numa espécie de atualização pedagógica, em que as

“alunas” reciclam seus conhecimentos lingüísticos.

(37)

Referências bibliográficas

BAGNO, M. Preconceito linguístico: como é, e como se faz. São Paulo: Loyola, 2001.

____ A língua de Eulália. São Paulo: Contexto, 2008.

____ Quem é Marcos Bagno. Disponível em: <http://marcosbagno.com.br/site/>.

Acesso em: 05, outubro, 2012.

ESCOLA DE FORMAÇÃO. Programa curricular e prática docente. Disponível em:

<http://efp-

ava.cursos.educacao.sp.gov.br/Frame/Component/CoursePlayer?enrollmentid=32216 9>. Acesso em: 04, outubro, 2012.

OLINTO, A. Minidicionário Antonio Olinto da língua portuguesa. – 2 ed. ver. e ampl. – São Paulo: Editora Moderna, 2001.

SAUSSURE. F. Curso de linguística geral. São Paulo: Editora Cultrix, s/d.

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