Vai na Bíblia
Capítulo 1
Descobrindo a Verdade
O que é a verdade e o que sabemos sobre ela?
Será que ela é absoluta ou toda verdade é relativa? Como descobrimos a verdade sobre aquilo que não podemos ver?
Será que somente a ciência lida com fatos, enquanto a religião
permanece meramente no campo da fé? E, por fim, é possível
saber se aquilo em que acreditamos é de fato a verdade?
A verdade existe?
Os principais questionamentos da humanidade são quanto à nossa origem, identidade, propósito, moralidade e destino, ou seja, de onde viemos, quem somos, por que estamos aqui, como devemos viver e, principalmente, o que acontece após a morte.
ASerá que é possível conhecer a verdade sobre estas ques- tões? E se for possível, onde está a resposta? Na ciên- cia ou na religião?
Alguns vão dizer que a verdade nem sequer exis- te, porém, quem faz essa afirmação já está tentando defender uma verdade, a de que não existe verdade.
O que não faz sentido. Se a verdade não existisse, não haveria razão alguma para se aprender qualquer coisa sobre qualquer assunto na vida. Além disso, exigimos a verdade em praticamente todas as áreas, principal- mente naquelas que afetam nosso dinheiro, nossos re- lacionamentos, nossa saúde e a nossa segurança. Di- ficilmente encontraremos alguém que goste de ouvir mentiras e ser enganado. A realidade é uma só: nós precisamos da verdade!
O que é a Verdade?
Podemos dizer que verdade é uma afirmação que está conforme os fatos ou a realidade. Toda verdade é absoluta, imutável, transcultural, completa e exclusi- va. Ela não depende dos nossos sentimentos ou prefe- rências. Se alguma coisa é verdadeira, ela é verdadeira para todas as pessoas, em todos os momentos, em to- dos os lugares.
bQuem afirma que a verdade é relativa, por exem- plo, está afirmado algo verdadeiro ou relativo? Quem afirma que não existe verdade absoluta, está absolu-
A
As cinco perguntas mais importantes da vida são: (1) Origem:
de onde viemos? (2) Identidade: quem somos? (3) Propósito:
por que estamos aqui?
(4) Moralidade: como devemos viver? (5) Destino: para onde vamos?
a(GEISLER e TUREK, Não tenho fé suficiente para ser ateu, 2001)
”Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade.”
2 Coríntios 13.8 (ACF)
“‘Que é a verdade?’, perguntou Pilatos.”
João 18.38a (NVI)
aGEISLER, Norman, TUREK, Frank. Não tenho fé suficiente para ser ateu. São Paulo: Vida, 2001, p. 20
bIbid., p. 37
tamente certo disso? Quem afirma que a verdade dele é diferente da nossa, está afirmando algo verdadeiro só pra ele ou para nós também? Tais afirmações são falsas em si mesmas.
cO fato de um daltônico, por exemplo, enxergar um objeto numa cor diferente, não muda a verdade sobre a cor original daquele objeto, assim como não deixa de ser uma verdade o fato de que ele enxerga aquele ob- jeto numa cor diferente. A verdade é absoluta nos dois sentidos. Gosto, opinião ou perspectiva não muda a realidade sobre as coisas. A verdade simplesmente existe, ela não pode ser inventada, ela precisa ser des- coberta! A questão é: como isso acontece? Como des- cobrimos a verdade sobre as coisas?
Descobrindo a verdade Por meio das evidências
Um dos principais métodos para se encontrar a verdade, são as evidências. Através da observação do mundo ao nosso redor, podemos chegar a conclusões razoáveis sobre praticamente todos os assuntos.
Sabemos, por exemplo, que objetos caem por con- ta da lei da gravidade, mesmo sem fazer o teste com todos os objetos. Sabemos que todo ser humano é mor- tal, mesmo sem observar a morte de todas as pessoas.
Porém, nem sempre é possível ter este mesmo tipo de certeza em outras questões. A razão disso é que so- mos seres finitos e nem sempre conheceremos todos os particulares que envolvem uma questão. Até mesmo a ciência se utiliza de algum tipo de fé para preencher as lacunas no conhecimento.
“Os lábios que dizem a verdade permanecem para sempre, mas a língua mentirosa dura apenas um instante.”
Provérbios 12.19 (NVI)
“A glória de Deus está nas coisas encobertas; mas a honra dos reis, está em descobri-las.”
Provérbios 25.2 (ACF)
cGEISLER, Norman, TUREK, Frank. Não tenho fé suficiente para ser ateu. São Paulo: Vida, 2001, p. 40-41
Por meio da lógica
Outro importante método para se descobrir a ver- dade, são os princípios autoevidentes da lógica.
BO primeiro deles é a lei da não-contradição, ela ensina que informações contraditórias não podem ser verdades ao mesmo tempo. Se algo é verdadeiro, o seu oposto é falso. Um exemplo disso é a própria existên- cia de Deus, enquanto alguns afirmam que Deus exis- te, outros afirmam que Ele não existe. Os dois não po- dem estar certos ao mesmo tempo. Se um estiver certo, o outro está errado!
Já o segundo princípio é a lei da exclusão do meio- -termo. Significa que, ou algo é verdadeiro ou não é, não existe uma terceira opção. Mesmo quando alguém afirma que não é possível conhecer a verdade sobre um determinado assunto, essa verdade continua existindo, independente do conhecimento que se tem sobre ela.
Por meio da ciência e da lógica
Por fim, o método mais eficaz para se conhecer uma verdade sobre qualquer assunto, é a combinação da ciência com a lógica. Quando formulamos um ar- gumento a partir de premissas verdadeiras, a conclu- são sempre será verdadeira.
Exemplo:
Todo animal é mortal.
Os cachorros são animais.
Logo, todos os cachorros são mortais.
Enquanto a ciência identifica que as duas premis- sas são verdadeiras, “todo animal é mortal” e “os ca- chorros são animais”; a lógica nos dá a conclusão ver- dadeira de que “todos os cachorros são mortais”, ou seja, verdades nos conduzem a outras verdades.
B
Qualquer pessoa conhece intuitivamente esses princípios, mesmo que não tenha parado para pensar especificamente sobre eles.
d(GEISLER e TUREK, Não tenho fé suficiente para ser ateu, 2001)
“Compre a verdade e não abra mão dela, nem tampouco da sabedoria, da disciplina e do discernimento.”
Provérbios 23.23 (NVI)
“A verdade é inconvertível, a malícia pode atacá-la, a ignorância pode zombar dela, mas no fim;
lá está ela.”
Winston Churchill
dGEISLER, Norman, TUREK, Frank. Não tenho fé suficiente para ser ateu. São Paulo: Vida, 2001, p. 63
Existe verdade na religião?
E quanto à religião? Será que somente a ciência lida com fatos, enquanto a religião permanece mera- mente no campo da fé?
Realmente, muitas das crenças que as pessoas pos- suem não são apoiadas por evidências ou baseadas em provas, mas apenas na preferência e naquilo que elas acham atraente. Muitos possuem crenças baseadas na religião dos pais, dos amigos ou da cultura em que vi- vem. Outros formulam suas crenças com base em von- tades e sentimentos. E, por mais que os sentimentos sejam sinceros, querer que algo seja verdadeiro não faz com que aquilo se torne verdadeiro.
A questão principal é que qualquer ensinamento, religioso ou não, só é digno de confiança se apontar para a verdade
e, caso contrário, ele deve ser completa- mente rejeitado.
Mas será que é possível descobrir se existe verda- de na religião? Afinal, embora as religiões tenham al- gumas semelhanças, elas discordam em praticamente todas as questões principais, como a natureza de Deus, a natureza do homem, criação, pecado, salvação, céu e inferno. As religiões possuem mais crenças contra- ditórias do que complementares. E, como as verdades excluem seus opostos, significa que não é possível que todas as crenças religiosas sejam verdadeiras.
Deus é um ser pessoal como afirmam os cristãos, ou uma força impessoal como afirma a Nova Era?
fSe um está certo, o outro está errado. Jesus morreu e res- suscitou dos mortos como a Bíblia afirma, ou isso não aconteceu, como afirma o Alcorão?
gMais uma vez, se um está certo, o outro está errado.
“Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim; Adoram-me, porém, em vão, ensinando doutrinas que são
preceitos de homens.”
Mateus 15.8-9 (TB)
“Porque os guias deste povo são enganadores, e os que por eles são guiados são destruídos.”
Isaías 9.16 (ACF)
“A pior punição para o mentiroso não é que deixem de acreditar nele, mas que ele não consiga acreditar em mais ninguém.”
George Bernard Shaw
eGEISLER, Norman, TUREK, Frank. Não tenho fé suficiente para ser ateu. São Paulo: Vida, 2001, p. 53
f Ibid., p. 46
gIbid., p. 56
A questão é: com tantas religiões no mundo, como saber qual delas diz a verdade? Como saber se existe uma religião verdadeira?
A grande notícia é que, além da investigação cien- tífica e lógica, muitas das afirmações feitas pelas reli- giões, também podem ser avaliadas por meio de uma investigação histórica, afinal, nenhuma crença reli- giosa séria, pode ignorar a história. Quando este tipo de investigação é feita, algumas crenças se mostram perfeitamente aceitáveis, enquanto outras, claramente improváveis.
É possível conhecer a verdade sobre Deus?
O primeiro e mais importante passo no processo da busca pela verdade na religião, é investigar a prin- cipal afirmação feita por ela: a existência de Deus. É óbvio que, como seres humanos limitados, não pos- suímos o tipo de conhecimento que vai nos dar uma prova absoluta da existência de Deus, porém, como tudo o que veio a existir possui uma causa, podemos observar se os efeitos apontam ou não para a existên- cia de um ser superior.
Contudo, antes de investigar a verdade sobre Deus e sobre as questões religiosas, é preciso pontuar algo muito importante: será que nossa resistência para acreditar em algo, é apenas intelectual, ou também é volitiva e emocional? Quais seriam as implicações se a verdade sobre Deus é que Ele, de fato, existe? Se aqui- lo que a Bíblia ensina é a verdade, será que estaríamos dispostos a rever nossas atitudes e nossas crenças?
O grande problema é que quando se trata de ques- tões religiosas, que envolvem moralidade, muitos não querem a verdade. Afinal, verdades morais constran- gem nossa consciência. Por essa razão, muitos tentam ajustar a verdade para que ela se encaixe em suas pró- prias convicções, ao invés de ajustar suas convicções
“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.”
João 17.17 (TB)
“Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.
Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.”
1 Timóteo 2.3-5 (ACF)
“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”
João 8.32 (ACF)
“Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.”
João 8.36 (ACF)
“Respondeu Jesus:
Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.“
João 14.6 (NVI)
“A pessoa honesta altera suas ideias a fim de que se adaptem à verdade; a pessoa desonesta altera a verdade para ajustá-las às suas ideias.”
John Mason
para que elas estejam conforme a verdade.
Conclusão
Se queremos a verdade sobre tudo, inclusive na moralidade e na religião, precisamos estar dispostos a suportar as consequências desta verdade. Se Deus não existe, também não existe uma maneira certa ou errada de se viver. Não importa o que fazemos ou no que acreditamos, pois o destino de todos é o pó. Por outro lado, se Deus existe, então é bem provável que também exista um significado e um propósito para a vida
C. E que as escolhas que faremos hoje, nos afetarão não somente aqui, mas também na eternidade.
Será que se tivéssemos respostas satisfatórias so- bre Deus e sobre a Bíblia, estaríamos dispostos a rever nossos conceitos e, se preciso, abandonar nossas cren- ças atuais? Se a resposta honesta é não, talvez a nossa busca não seja pela verdade.
E a verdade é que existem muito mais evidências que apontam para a existência de Deus, do que o con- trário. Nos próximos capítulos nós veremos como é possível ter uma alto grau de certeza nessa questão.
Porém, já sabemos que nem mesmo as provas mais evidentes podem convencer quem não está disposto a acreditar.
C
O absurdo da vida sem Deus pode não provar que Deus existe, mas na verdade mostra que a questão da existência de Deus é a pergunta mais importante que alguém pode fazer.
h(CRAIG, Em Guarda, 2011)
“De tempos em tempos, os homens tropeçam na verdade, mas a maioria deles se levanta e segue adiante como se nada tivesse acontecido.”
Winston Churchill
“Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.”
João 5.24 (ARA)
“‘Então, você é rei!’, disse Pilatos. Jesus respondeu:
‘Tu dizes que sou rei. De fato, por esta razão nasci e para isto vim ao mundo:
para testemunhar da verdade. Todos os que são da verdade me ouvem’.”
João 18.37 (NVI)
hGRAIG, William Lane. Em guarda. São Paulo: Vida Nova, 2011, p. 32