Rómulo de Carvalho / António Gedeão ( )

Texto

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Escola Básica 2,3 da Pampilhosa Ciências Físico-Química

2006-2007

Cientista Poeta Historiador

Humanista Português

Rómulo de Carvalho /

António Gedeão

(1906-1997)

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Índice:

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Rómulo Vasco da Gama de Carvalho, cientista, poeta, historiador e humanista português, possuía o pseudónimo literário de António Gedeão.

Nasceu a 24 de Novembro de 1906, na Rua do Arco do Limoeiro em Lisboa. Filho de José Avelino da Gama de Carvalho, natural de Tavira, e de Rosa das Dores Oliveira Gama de Carvalho, natural de Faro. Cresceu, numa casa modesta, no seio de um ambiente familiar tranquilo, profundamente marcado pela figura materna, cuja influência foi decisiva para a sua vida. Na verdade, a sua mãe, apesar de contar somente com a instrução primária, tinha como grande paixão a literatura, sentimento que transmitiu ao filho Rómulo, assim baptizado em honra de um protagonista de um drama lido num folhetim de jornal. Fez a instrução primária no Colégio de Santa Maria, em Lisboa. Aos cinco anos compõe o primeiro poema. Ainda antes de entrar para o liceu, tem algumas estrofes publicadas na imprensa, conhecendo-se pelo menos três composições datadas de 1911. No entanto, o jovem poeta não viria a enveredar pelo estudo das letras.

Em 1917 estudou no Liceu Gil Vicente. Nessa altura, aventura-se ainda no teatro e na canção. Em 1925 matriculou-se no Curso Preparatório de Engenharia Militar da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Escreve, em parceria com Carlos Bana, uma revista que chega a ser representada no Teatro São Carlos, com encenação de Vasco Santana.

Licenciou-se em Ciências Físico-Químicas, em 1931, na Universidade do Porto, para onde se tinha mudado em 1928. Três anos depois realizou o Exame de Estado para o Ensino Liceal, exercendo como docente no Liceu de Camões (Lisboa), continuando no Liceu D. João III (Coimbra) e por fim, no Liceu Pedro Nunes (Lisboa), sendo aqui Professor Metodólogo, isto é, estava encarregue da orientação de estágio de docentes, a partir de 1958. Foi professor no ensino secundário dessa disciplina, sendo para além de cientista, divulgador científico e investigador de história das ciências. Para ele, conhecimento científico era um factor de enriquecimento do indivíduo e ser-se simples era uma virtude.

Escreve manuais, publica artigos sobre aspectos didácticos, constrói aparelhos que demonstram vários princípios físicos e, sobretudo, marca gerações de estudantes a quem transmite o seu entusiasmo pela ciência.

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entender, mas que não confundia a compreensão das suas limitações com a conciliação com as suas insuficiências. Aposentou-se desta profissão após 40 anos exercício continuado (1974)

Fora do seu liceu, Rómulo de Carvalho tinha uma vida igualmente intensa e produtiva. Muitos dos seus alunos não sabiam que ele era também o poeta António Gedeão, com uma obra original e muito difundida, que teria traduções em várias línguas. Apesar da intensa actividade científica, Rómulo de Carvalho não esquece a arte das palavras e contínua, sempre, a escrever poesia. Porém, não a considerando de qualidade e pensando que nunca será útil a ninguém, nunca tenta publicá-la, preferindo destruí-la. Nos seus poemas, retomava assuntos e conceitos científicos e transmitia um optimismo esclarecido. Lendo-os, era possível ganhar nova confiança no progresso da humanidade e no progresso da ciência.

Só em 1956, após ter participado num concurso de poesia de que tomou conhecimento no jornal, publica, aos 50 anos, o primeiro livro de poemas, “Movimento Perpétuo”. No entanto, o livro surge como tendo sido escrito por outro, António Gedeão, e o professor de física e química, Rómulo de Carvalho, permanece no anonimato. O livro é bem recebido pela crítica e António Gedeão continua a publicar poesia, aventurando-se, anos mais tarde, no teatro e, depois, no ensaio e na ficção.

A sua obra deixa transparecer um compromisso directo, imediato e espontâneo com o drama social do Homem e do mundo que o rodeia.

Os seus poemas alcançaram grande popularidade pela linguagem simples mas emotiva e carregada de uma inteligente sensibilidade, sempre atenta aos valores humanistas.

Com o passar dos anos, Gedeão continua a sonhar, mas o fim aproxima-se e determina, em 1984, a publicação de Poemas Póstumos.

Em 1990, já com 83 anos, Rómulo assume a direcção do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa, sete anos depois de se ter tornado sócio correspondente da Academia de Ciências, função que desempenhará até ao fim dos seus dias. Na data do seu nonagésimo aniversário, António Gedeão foi alvo de uma homenagem nacional, tendo sido condecorado, a 17 de Dezembro de 1996, com a Grã Cruz da Ordem de Mérito de Santiago da Espada. A 18 de Dezembro de 1996, foi-lhe atribuída, pelo Ministro da Cultura, a Medalha de Mérito Cultural, na Fundação Calouste Gulbenkian. Durante esta homenagem nacional, o dia 24 de Novembro foi nomeado pelo ministro da Ciência, Mariano Gago para Dia Nacional da Cultura Cientifica, por ser o dia do nascimento desta personagem singular do século 20 português.

A 19 de Fevereiro de 1997 a morte chega para Rómulo de Carvalho,

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Fotografias de modelos didácticos construídos

por Rómulo de Carvalho, cedidas pela Escola

Secundária Pedro Nunes, existentes no

respectivo Laboratório de Física.

Prensa Hidráulica

Modelo didáctico para ilustrar o Principio de Pascal

Calha ( Looping )

Modelo didáctico para ilustrar o movimento de um corpo numa

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Obras de António Gedeão:

Em 1956 publica o seu primeiro livro de poemas ”Movimento Perpétuo”. A esta viriam juntar-se outras obras, como Teatro do Mundo (1958), Máquina de Fogo (1961), Poema para Galileu (1964), Linhas de Força (1967) e ainda Poemas Póstumos (1983) e Novos Poemas Póstumos (1990). Em 1963 publicou a peça de teatro RTX 78/24.

Escreveu livros como “História dos Balões” e “Ciência Hermética”. De todas estas obras, nomeadamente em “ A Física no Dia-a-dia”, procurava demonstrar como vida diária pode ser enriquecida pelo conhecimento científico.

Durante os seus anos em Coimbra, catalogou sistematicamente o equipamento do sobrevivente do primitivo gabinete de física pombalino, que hoje se encontra exposto na universidade.

Especializando-se no século XVIII, publicou vastíssimos estudos sobre a nossa actividade científica e educativa, de que resultaram muitos artigos e resumos, tais como ” A Astronomia em Portugal no séc. XVIII” ou “ História da Educação em Portugal Desde a Fundação da Nacionalidade até ao Fim do Regime de Salazar-Caetano”.

A poesia de Gedeão é, realmente, comunicativa e marca toda uma geração que, reprimida por um regime ditatorial e atormentada por uma guerra, cujo fim não se adivinhava, se sentia profundamente tocada pelos valores expressos pelo poeta e assim se atrevia a acreditar que, através do sonho, era possível encontrar o caminho para a liberdade. É deste modo que "Pedra Filosofal", musicada por Manuel Freire, se torna num hino à liberdade e ao sonho.

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Partes de Poemas de António Gedeão:

Pedra Filosofal

Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida

Que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.

Gota de Água

Eu, quando choro, não choro eu.

Chora aquilo que nos homens em todo o tempo sofreu. As lágrimas são as minhas mas o choro não é meu.

Lágrima de preta

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Manuscrito

De

“ Pedra

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Testemunhos sobre

Rómulo de Carvalho /

António Gedeão

«…Professor e cientista, marcou gerações sucessivas de alunos, de futuros professores e de colegas com o brilhantismo da sua escrita, o rigor do seu pensamento e o gosto constante pela experimentação e pela descoberta […]»

Jorge Sampaio, Antigo Presidente da República, discurso proferido na Escola Secundária Pedro Nunes, a 17 de Dezembro de 1996.

«…Como Professor, semeou o amor da ciência e da cultura na mente de centenas, talvez de milhares de discípulos, futuros docentes e investigadores…»

José V. Pina Martins, Presidente da Academia das Ciências, homenagem a Rómulo de Carvalho,

«… Rómulo de Carvalho é, para nós, tanto aprendizes como ensinadores de física, uma figura exemplar num tempo em que as figuras exemplares não abundam. É para nós um modelo a seguir e um estímulo para prosseguir. Ensinou-nos não só o valor inquestionável da experiência mas também o valor primordial da imaginação e da inteligência. Ensinou-nos ainda a virtude pedagógica da clareza e o prazer sedutivo da linguagem…»

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Bibliografia:

www.sg.min-edu.pt/museu_5_4.htm

www.esec-antonio-gedeao.rcts.pt

www.aprende.malha.net/esag

www.cienciahoje.pt

Monteiro, Manuela; Dicionário de Biografias;

Porto Editora – 2001

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