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Educ. Real., Porto Alegre, v. 37, n. 2, p. 341-343, maio/ago. 2012.Disponível em: <http://www.ufrgs.br/edu_realidade>
Editorial
Dizer do que trata a Educação, saber quais os limites, as bordas que enfei-xam os saberes, os métodos, as temáticas, enfim, o que costumamos chamaro campo da Educação, não é tarefa fácil, entretanto, quando saltamos para a área da pesquisa essa tentativa se rarefaz ainda mais no vazio.
A pesquisa em praticamente todos os campos das Ciências Humanas possui um caráter eminentemente interdisciplinar. Assim, é evidente que a Educação, seja como prática, seja como campo de saber, bebe em outras áreas de conhecimento e mesmo se mistura a muitas delas. Educação & Realidade tem alimentado esse tipo de discussão na medida em que tem sido pioneira na visibilidade de temáticas, a um só tempo, candentes para a área e raras na produção brasileira.
Este número, com efeito, procura desviar, de certa forma, a atenção para os territórios da pesquisa em educação e focar as suas bordas, apresentando contribuições de pesquisadores que não são stricto sensu da área, mas que em função da excelência das suas pesquisas – e da peculiaridade, às vezes, polêmica de suas produções -, nas suas respectivas áreas, contribuem de forma superlativa e singular para as discussões que este periódico tem proposto nos últimos anos. A seção temática Temas Multidisciplinares para a Educação
tem essa característica e uma apresentação mais pormenorizada de seus tex-tos pode ser lida no texto de nossa editora associada, Nalú Farenzena, que se segue a este editorial.
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Educ. Real., Porto Alegre, v. 37, n. 2, p. 341-343, maio/ago. 2012.Como de hábito, a essa seção sucede um conjunto de textos diversificados, agrupados na seção Outros Temas.
Nela encontramos, por exemplo, o trabalho de Natália de Lacerda Gil,
Campo Educacional e Campo Estatístico: diferentes apropriações dos nú-meros do ensino, no qual a autora analisa os discursos sobre as estatísticas educacionais, em especial, os modos de apropriação da estatística escolar nas décadas de 1930 e 1940.
Em um registro bastante diferente, temos o segundo trabalho da seção, cujo título é O Percurso do Conceito de Cooperação na Epistemologia Genética, de autoria deLiseane Silveira Camargo e Maria Luíza Rheingantz Becker. Esse artigo analisa o conceito de cooperação na obra de Jean Piaget, dando visibilidade à importância desse conceito ao pensá-lo a partir de um novo ponto de vista. A cooperação é apresentada, portanto, como um percurso na obra do autor e abordado seja como produto de um tipo de relação social, seja como um método de trocas sociais.
Eliane Gomes dos Santos, Maria da Glória Schwab Sadala e Sônia Xavier de Almeida Borges escrevem o artigo intitulado Avaliação Institucional: por que os atores silenciam?,no qualas autoras, subsidiadas pela psicanálise de Jacques Lacan, problematizam a questão da avaliação institucional em insti-tuições de ensino superior no Brasil. Nesse trabalho, elas desenvolvem a noção de resistência dos atores-sujeitos ao processo avaliativo, propondo alternativas a esse sistema, bem como refletindo sobre os impasses nele articulados.
Com o objetivo de discutir os múltiplos contextos vividos pelos estudantes de uma escola pública de periferia, Pesquisar com os Cotidianos: os múltiplos contextos vividos pelos/as alunos/as, procura responder uma questão basilar para a Educação: qual a potência da escola na vida de nossos estudantes? As-sim, Angela Francisca Caliman Fiorio, Kelen Antunes Lyrio e Carlos Eduardo Ferraço fazem desfilar no texto uma série de temáticas associadas à questão em tela, dentre eles, as relações entre vida e conhecimento; a escola pública nas suas dimensões políticas e curriculares; as expectativas de estudantes.
Andréa Quirino de Luca, Daniel Fonseca de Andrade e Marcos Sorrentino apresentam a possibilidade de se pensar a pesquisa no campo da Educação Ambiental a partir da noção de diálogo. Com efeito, O Diálogo como Objeto de Pesquisa na Educação Ambiental,defende as metodologias participativas, articulando o conceito de diálogo com o de comunidades interpretativas e de aprendizagem.
Questões sobre pesquisa em Educação são abordadas por Marcos Garcia Neira e Bruno Gonçalves Lippi, no artigo Tecendo a Colcha de Retalhos: a bricolagem como alternativa para a pesquisa educacional, no qual os autores descrever a bricolagem como possibilidade de pesquisa, discutindo os pres-supostos metodológicos e epistemológicos desse tipo de prática de pesquisa.
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Educ. Real., Porto Alegre, v. 37, n. 2, p. 341-343, maio/ago. 2012.
escolar na época da corte. Temas como os limites da autoridade do professor e a intervenção da sociedade são analisados em diferentes fontes.
O Processo de Regionalização das Universidades do Mercosul: um estudo exploratório de regulação supranacional e nacional analisao processo de re-gionalizaçãoem universidades no Brasil e na Argentina. Nele,Nora Krawczyk e Salvador Antonio Mirelis Sandoval, os autores, problematizam as mudanças institucionais, sob o ponto de vista das políticas de integração regional de educação em relação às dinâmicas nacionais.
A Questão do Método e da Metodologia: uma análise da produção acadê-mica sobre professores(as) da Região Centro-Oeste/Brasil, de Solange Martins Oliveira Magalhães e Ruth Catarina Cerqueira R. de Souza, objetiva discutir as questões de método e metodologia na produção acadêmica. A análise do trabalho se circunscreve na produção dos Programas de Pós-graduação da Região Centro-Oeste, entre os anos de 1995 a 2009.
Este número encerra, ainda, com duas resenhas. A primeira de autoria de Marcelo Prado Amaral Rosa, intitulada Jovens e Cotidiano, sintetiza e apresenta o livro homônimo de Nilda Stacanela, no qual a autora pretende “conhecer e compreender as dinâmicas que envolvem os processos educativos não-escolares dos jovens de uma periferia urbana, a fim de possibilitar releitura das práticas educativas escolares”. A segunda – Repensando a Educação no Império: uma síntese provisória e incompleta –, assinada por Aline Morais Limeira e Giselle Baptista Teixeira, resume o conteúdo e a forma do livro Educação, Poder e Sociedade no Império Brasileiro,de José Gondra e Alessandra Schueler, no qual “os autores desconstruíram certas representações do Império Brasileiro que ainda ecoam na historiografia educacional”.
Toda essa diversidade de textos visa, uma vez mais, a dar continuidade num dos objetivos centrais de Educação & Realidade: divulgar a produção qualificada da pesquisa em Educação; porquanto os textos aqui apresentados representam tal empresa.
Desejamos, com efeito, uma leitura entusiasmada.