ABC Cardiol
Journal of Brazilian Society of Cardiology
Sociedade Brasileira de Cardiologia ISSN-0066-782X Volume Número
114
5
Maio 2020
Editor-chefe Carlos Rochitte Coeditor Internacional João Lima Editores Gláucia Moraes Alexandre Colafranceschi Ieda Jatene João Cavalcante Marcio Bittencourt Marina Okoshi Mauricio Scanavacca Paulo Jardim Pedro Lemos Ricardo Stein Tiago Senra Vitor Guerra Covid-19Efeito cumulativo da atividade física na Hipertensão Arterial Florida Shock Anxiety Scale
O coração e a COVID-19
COVID-19 e doenças cardiovasculares Anticoagulação em COVID-19 grave Implicação Cardiovascular do Covid-19 Coronavírus e o Coração
Covid-19 e miocardiopatia Figura 1 da Pág. 806.
Arquivos Brasileiros de Cardiologia - Volume 114, Nº 5, Maio 2020
Sumário - Contents
Editorial
Pandemônio Durante a Pandemia: Qual o Papel dos Profissionais da Saúde e a Ciência?
Pandemonium During The Pandemic: What Is The Role Of Health And Science Professionals?
André d’Avila, Marco F. Vidal Melo, Renato D. Lopes
...página 753
Artigo Original - Original Article
Hipertensão Arterial em Trabalhadores: O Efeito Cumulativo das Dimensões da Atividade Física
sobre esse Agravo
Hypertension in Workers: The Role of Physical Activity and its Different Dimensions
Uelito Everaldo Souza Ribeiro Junior e Rita de Cassia Pereira Fernandes
...página 755
Minieditorial - Short Editorial
Influência da Atividade Física na Hipertensão Arterial em Trabalhadores
Influence of Physical Activity on Arterial Hypertension in Workers
Cláudio L. Pereira da Cunha
...página 762
Artigo Original - Original Article
Evidências de Validade da Versão Brasileira da Florida Shock Anxiety Scale para Portadores de
Cardioversor-Desfibrilador Implantável
Validity Evidence of the Brazilian Version of the Florida Shock Anxiety Scale for Patients with Implantable Cardioverter Defibrillators
Katia Regina Silva, Roberto Costa, Giovanna Regina Garcia de Oliveira Melo, Flávio Rebustini, Marcos Sidney Benedetto, Marcia Mitie Nagumo, Samuel F. Sears
...página 764
Minieditorial - Short Editorial
Florida Shock Anxiety Scale para Portadores de Cardioversor-Desfibrilador Implantável –
Valorizando o Psicossocial
Florida Shock Anxiety Scale for Patients with Implantable Cardioverter-Defibrillator - Appreciating the Psychosocial Aspects
Eduardo Arrais Rocha e Ieda Prata Costa
...página 773
REVISTA DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA - Publicada desde 1948
ABC Cardiol
Artigo Original - Original Article
Risco de Fibrilação Atrial após Ablação de Flutter Dependente de Istmo Cavo-Tricuspídeo: Vale
a Pena Fazer a Ablação da FA Simultaneamente?
Risk of Atrial Fibrillation after Ablation of Cavotricuspid Isthmus-Dependent Atrial Flutter: Is Combined Ablation of Atrial Fibrillation Worthwhile?
Isabella Bianco, Gabriel Odozynski da Silva, Alexander Romeno Janner Dal Forno, Helcio Garcia Nascimento, Andrei Lewandowski, Elayne Pereira, André d’Avila
...página 775
Minieditorial - Short Editorial
Minieditorial: Risco de FA após Ablação de Flutter Dependente de Istmo Cavo-Tricuspídeo: Vale
a Pena Fazer a Ablação da FA Simultaneamente?
Short Editorial: Risk of Atrial Fibrillation after Ablation of Cavotricuspid Isthmus-Dependent Atrial Flutter: Is Combined Ablation of Atrial Fibrillation Worthwhile?
Alvaro Valentim Lima Sarabanda
...página 783
Artigo Original - Original Article
Conhecimento sobre a Doença e a Prática de Atividade Física em Crianças e Adolescentes com
Cardiopatia Congênita
Knowledge about the Disease and the Practice of Physical Activity in Children and Adolescents with Congenital Heart Disease
Elisandra Furlan de Lima Campos, Lisiane Perin, Melina Assmann, Fernanda Lucchese, Lucia Campos Pellanda ...página 786
Minieditorial - Short Editorial
Conhecimento sobre Atividade Física e seus Níveis em Crianças com Cardiopatia Congênita
Physical activity knowledge and levels among children with congenital heart disease
Adilson Marques e Bruna Gouveia
...página 793
Artigo Original - Original Article
Os Escores HEART, TIMI e GRACE para Predição de Eventos Cardiovasculares Adversos Maiores
no Período de 30 Dias na Era de Troponina I de Alta Sensibilidade
HEART, TIMI, and GRACE Scores for Prediction of 30-Day Major Adverse Cardiovascular Events in the Era of High-Sensitivity Troponin
Felipe Torralba, Alberto Navarro, Juan Castellanos-de la Hoz, Carlos Ortiz, Alberth Botero, Freddy Alarcón, Nicolas Isaza, Daniel Isaza
...página 795
Minieditorial - Short Editorial
Comparação dos Escores HEART, TIMI e GRACE para Predição de Eventos Cardiovasculares
Adversos Maiores na Era de Troponina I de Alta Sensibilidade
Comparison of HEART, TIMI and GRACE Scores for Predicting Major Adverse Cardiovascular Events in the Era of High-Sensitivity Assay for Troponin I
Gabriel Porto Soares
Arquivos Brasileiros de Cardiologia - Volume 114, Nº 5, Maio 2020
Artigo de Revisão - Review Article
O Coração e a COVID-19: O que o Cardiologista Precisa Saber
The Heart and COVID-19: What Cardiologists Need to Know
Isabela Bispo Santos da Silva Costa, Cristina Salvadori Bittar, Stephanie Itala Rizk, Antônio Everaldo de Araújo Filho, Karen Alcântara Queiroz Santos, Theuran Inahja Vicente Machado, Fernanda Thereza de Almeida Andrade, Thalita Barbosa González, Andrea Nataly Galarza Arévalo, Juliano Pinheiro de Almeida, Fernando Bacal, Gláucia Maria Moraes de Oliveira, Marcus Vinícius Guimarães de Lacerda, Silvio Henrique Barberato, Antonio Carlos Palandri Chagas, Carlos Eduardo Rochitte, José Antonio Franchini Ramires, Roberto Kalil Filho, Ludhmila Abrahão Hajjar
...página 805
Artigo de Revisão - Review Article
O Efeito da Doença de Coronavírus 2019 nas Doenças Cardiovasculares
The Effect of Coronavirus Disease 2019 on Cardiovascular Diseases
Lutfu Askin, Okan Tanrıverdi, Husna Sengul Askin
...página 817
Ponto de vista - Viewpoint
COVID-19: Dados Atualizados e sua Relação Com o Sistema Cardiovascular
COVID-19: Updated Data and its Relation to the Cardiovascular System
Filipe Ferrari
...página 823
Ponto de vista - Viewpoint
Exercício Físico em Pacientes Cardiopatas e na População em Tempos de Coronavírus
Physical Exercise in Patients with Heart Disease and in the General Population in Times of Coronavirus
Ricardo Stein
...página 827
Ponto de vista - Viewpoint
COVID-19 e Estado de Hipercoagulabilidade: Uma Nova Perspectiva Terapêutica
COVID-19 and Hypercoagulable State: A New Therapeutic Perspective
Jorge Henrique Paiter Nascimento, Bruno Ferraz de Oliveira Gomes, Plinio Resende, João Luiz Fernandes Petriz, Stephanie Itala Rizk, Isabela Bispo Santos da Silva Costa, Fernando Bacal, Ludhmilla Abraão Hajjar, Gláucia Maria Moraes de Oliveira
...página 829
Ponto de vista - Viewpoint
Implicações Cardiovasculares em Pacientes Infectados com Covid-19 e a Importância do
Isolamento Social para Reduzir a Disseminação da Doença
Cardiovascular Implications in Patients Infected with Covid-19 and the Importance of Social Isolation to Reduce Dissemination of the Disease
Juliana Alves Costa, Juliana de Almeida Silveira, Sara Cristine Marques dos Santos, Patrícia Pereira Nogueira ...página 834
Relato de Caso - Case Report
Coronavírus e o Coração | Um Relato de Caso sobre a Evolução da COVID-19 Associado à
Evolução Cardiológica
Coronavirus and the Heart | A Case Report on the Evolution of COVID-19 Associated with Cardiological Evolution
Arthur Rente, Delcio Uezato Junior, Karina Margareth Kunyoshi Uezato
...página 839
Relato de Caso - Case Report
Nova Pneumonia por Coronavírus e Miocardiopatia: Relato de Caso
Novel Coronavirus Pneumonia and Cardiomyopathy: A Case Report
Mustafa Ahmet Huyut
...página 843
Imagem - Image
Angioplastias da Artéria Mamária Interna Esquerda e Direita em Paciente de 3 Anos com
Doença de Kawasaki e Falha na Cirurgia de Revascularização do Miocárdio
Left and Right Internal Mammary Artery Angioplasties in a 3-year-old Patient with Kawasaki Disease and Failed Coronary Artery Bypass Graft Surgery
René Hameau, Daniel Springmuller, Francisco Garay, Alberto Fuensalida, Gonzalo Martinez
...página 846
Posicionamento - Statement
Posicionamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia para Gravidez e Planejamento Familiar
na Mulher Portadora de Cardiopatia – 2020
Brazilian Cardiology Society Statement for Management of Pregnancy and Family Planning in Women with Heart Disease – 2020
Walkiria Samuel Avila, Elizabeth Regina Giunco Alexandre, Marildes Luiza de Castro, Alexandre Jorge Gomes de Lucena, Celi Marques-Santos, Claudia Maria Vilas Freire, Eduardo Giusti Rossi, Felipe Favorette Campanharo, Ivan Romero Rivera, Maria Elizabeth Navegantes Caetano Costa, Maria Alayde Mendonça Rivera, Regina Coeli Marques de Carvalho, Alexandre Abzaid, Antonio Fernandes Moron, Auristela Isabel de Oliveira Ramos, Carlos Japhet da Mata Albuquerque, Claudine Maia Alves Feio, Daniel Born, Fábio Bruno da Silva, Fernando Souza Nani, Flavio Tarasoutchi, José de Ribamar Costa Junior, José Xavier de Melo Filho, Leila Katz, Maria Cristina Costa Almeida, Max Grinberg, Melania Maria Ramos de Amorim, Nilson Roberto de Melo, Orlando Otávio de Medeiros, Pablo Maria Alberto Pomerantzeff, Sérgio Luiz Navarro Braga, Sonia Conde Cristino, Tania Leme da Rocha Martinez, Tatiana de Carvalho Andreuci Torres Leal
...página 849
Diretrizes - Guidelines
Diretriz Brasileira de Reabilitação Cardiovascular – 2020
Brazilian Cardiovascular Rehabilitation Guideline – 2020
Tales de Carvalho, Mauricio Milani, Almir Sergio Ferraz, Anderson Donelli da Silveira, Artur Haddad Herdy, Carlos Alberto Cordeiro Hossri, Christina Grüne Souza e Silva, Claudio Gil Soares de Araújo, Eneas Antonio Rocco, José Antonio Caldas Teixeira, Luciana Oliveira Cascaes Dourado, Luciana Diniz Nagem Janot de Matos, Luiz Gustavo Marin Emed, Luiz Eduardo Fonteles Ritt, Marconi Gomes da Silva, Mauro Augusto dos Santos, Miguel Morita Fernandes da Silva, Odilon Gariglio Alvarenga de Freitas, Pablo Marino Corrêa Nascimento, Ricardo Stein, Romeu Sergio Meneghelo, Salvador Manoel Serra
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Conselho Editorial
BrasilAguinaldo Figueiredo de Freitas Junior – Universidade Federal de Goiás (UFG), Goiânia GO – Brasil
Alfredo José Mansur – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), São Paulo, SP – Brasil
Aloir Queiroz de Araújo Sobrinho – Instituto de Cardiologia do Espírito Santo, Vitória, ES – Brasil
Amanda Guerra de Moraes Rego Sousa – Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia/Fundação Adib Jatene (IDPC/FAJ), São Paulo, SP – Brasil
Ana Clara Tude Rodrigues – Hospital das Clinicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), São Paulo, SP – Brasil
André Labrunie – Hospital do Coração de Londrina (HCL), Londrina, PR – Brasil Andrei Carvalho Sposito – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP – Brasil
Angelo Amato Vincenzo de Paola – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP – Brasil
Antonio Augusto Barbosa Lopes – Instituto do Coração Incor Hc Fmusp (INCOR), São Paulo, SP – Brasil
Antonio Carlos de Camargo Carvalho – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP – Brasil
Antônio Carlos Palandri Chagas – Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP – Brasil
Antonio Carlos Pereira Barretto – Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP – Brasil
Antonio Cláudio Lucas da Nóbrega – Universidade Federal Fluminense (UFF), Rio de Janeiro, RJ – Brasil
Antonio de Padua Mansur – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), São Paulo, SP – Brasil
Ari Timerman (SP) – Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC), São Paulo, SP – Brasil
Armênio Costa Guimarães – Liga Bahiana de Hipertensão e Aterosclerose, Salvador, BA – Brasil
Ayrton Pires Brandão – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, RJ – Brasil
Beatriz Matsubara – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), São Paulo, SP – Brasil
Brivaldo Markman Filho – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife, PE – Brasil
Bruno Caramelli – Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP – Brasil Carisi A. Polanczyk – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS – Brasil
Carlos Eduardo Rochitte – Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (INCOR HCFMUSP), São Paulo, SP – Brasil Carlos Eduardo Suaide Silva – Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP – Brasil
Carlos Vicente Serrano Júnior – Instituto do Coração (InCor HCFMUSP), São Paulo, SP – Brasil
Celso Amodeo – Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia/Fundação Adib Jatene (IDPC/FAJ), São Paulo, SP – Brasil
Charles Mady – Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP – Brasil Claudio Gil Soares de Araujo – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ – Brasil
Cláudio Tinoco Mesquita – Universidade Federal Fluminense (UFF), Rio de Janeiro, RJ – Brasil
Cleonice Carvalho C. Mota – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG – Brasil
Clerio Francisco de Azevedo Filho – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, RJ – Brasil
Dalton Bertolim Précoma – Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/ PR), Curitiba, PR – Brasil
Dário C. Sobral Filho – Universidade de Pernambuco (UPE), Recife, PE – Brasil Décio Mion Junior – Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), São Paulo, SP – Brasil
Denilson Campos de Albuquerque – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, RJ – Brasil
Djair Brindeiro Filho – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife, PE – Brasil
Domingo M. Braile – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), São Paulo, SP – Brasil
Edmar Atik – Hospital Sírio Libanês (HSL), São Paulo, SP – Brasil Emilio Hideyuki Moriguchi – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Porto Alegre, RS – Brasil
Enio Buffolo – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP – Brasil
Eulógio E. Martinez Filho – Instituto do Coração (InCor), São Paulo, SP – Brasil Evandro Tinoco Mesquita – Universidade Federal Fluminense (UFF), Rio de Janeiro, RJ – Brasil
Expedito E. Ribeiro da Silva – Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP – Brasil
Fábio Vilas Boas Pinto – Secretaria Estadual da Saúde da Bahia (SESAB), Salvador, BA – Brasil
Fernando Bacal – Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP – Brasil
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Journal of Brazilian Society of Cardiology
Diretor Científico Fernando Bacal Editor-Chefe
Carlos Eduardo Rochitte Coeditor Internacional João Lima
Editores Associados Cardiologia Clínica Gláucia Maria Moraes de Oliveira Cardiologia Cirúrgica Alexandre Siciliano Colafranceschi Cardiologia Intervencionista Pedro A. Lemos Cardiologia Pediátrica/ Congênitas
Ieda Biscegli Jatene Vitor C. Guerra
Arritmias/Marca-passo Mauricio Scanavacca Métodos Diagnósticos Não-Invasivos
João Luiz Cavalcante Pesquisa Básica ou Experimental Marina Politi Okoshi Epidemiologia/Estatística Marcio Sommer Bittencourt
Hipertensão Arterial Paulo Cesar B. V. Jardim Ergometria, Exercício e Reabilitação Cardíaca Ricardo Stein
Primeiro Editor (1948-1953) † Jairo Ramos
Flávio D. Fuchs – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS – Brasil
Francisco Antonio Helfenstein Fonseca – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP – Brasil
Gilson Soares Feitosa – Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), Salvador, BA – Brasil
Glaucia Maria M. de Oliveira – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ – Brasil
Hans Fernando R. Dohmann, AMIL – ASSIST. MEDICA INTERNACIONAL LTDA., Rio de Janeiro, RJ – Brasil
Humberto Villacorta Junior – Universidade Federal Fluminense (UFF), Rio de Janeiro, RJ – Brasil
Ines Lessa – Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador, BA – Brasil Iran Castro – Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul (IC/FUC), Porto Alegre, RS – Brasil
Jarbas Jakson Dinkhuysen – Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia/Fundação Adib Jatene (IDPC/FAJ), São Paulo, SP – Brasil
João Pimenta – Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (IAMSPE), São Paulo, SP – Brasil
Jorge Ilha Guimarães – Fundação Universitária de Cardiologia (IC FUC), Porto Alegre, RS – Brasil
José Antonio Franchini Ramires – Instituto do Coração Incor Hc Fmusp (INCOR), São Paulo, SP – Brasil
José Augusto Soares Barreto Filho – Universidade Federal de Sergipe, Aracaju, SE – Brasil
José Carlos Nicolau – Instituto do Coração (InCor), São Paulo, SP – Brasil José Lázaro de Andrade – Hospital Sírio Libanês, São Paulo, SP – Brasil José Péricles Esteves – Hospital Português, Salvador, BA – Brasil
Leonardo A. M. Zornoff – Faculdade de Medicina de Botucatu Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), Botucatu, SP – Brasil Leopoldo Soares Piegas – Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia/Fundação Adib Jatene (IDPC/FAJ) São Paulo, SP – Brasil
Lucia Campos Pellanda – Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Porto Alegre, RS – Brasil
Luís Eduardo Paim Rohde – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS – Brasil
Luís Cláudio Lemos Correia – Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), Salvador, BA – Brasil
Luiz A. Machado César – Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), Blumenau, SC – Brasil
Luiz Alberto Piva e Mattos – Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC), São Paulo, SP – Brasil
Marcia Melo Barbosa – Hospital Socor, Belo Horizonte, MG – Brasil Marcus Vinícius Bolívar Malachias – Faculdade Ciências Médicas MG (FCMMG), Belo Horizonte, MG – Brasil
Maria da Consolação V. Moreira – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG – Brasil
Mario S. S. de Azeredo Coutinho – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópilis, SC – Brasil
Maurício Ibrahim Scanavacca – Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP – Brasil
Max Grinberg – Instituto do Coração do Hcfmusp (INCOR), São Paulo, SP – Brasil Michel Batlouni – Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC), São Paulo, SP – Brasil
Murilo Foppa – Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Porto Alegre, RS – Brasil
Nadine O. Clausell – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS – Brasil
Orlando Campos Filho – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP – Brasil
Otávio Rizzi Coelho – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP – Brasil
Otoni Moreira Gomes – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG – Brasil
Paulo Andrade Lotufo – Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP – Brasil Paulo Cesar B. V. Jardim – Universidade Federal de Goiás (UFG), Brasília, DF – Brasil
Paulo R. A. Caramori – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, RS – Brasil
Paulo Roberto B. Évora – Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP – Brasil Paulo Roberto S. Brofman – Instituto Carlos Chagas (FIOCRUZ/PR), Curitiba, PR – Brasil
Pedro A. Lemos – Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), São Paulo, SP – Brasil
Protásio Lemos da Luz – Instituto do Coração do Hcfmusp (INCOR), São Paulo, SP – Brasil
Reinaldo B. Bestetti – Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP), Ribeirão Preto, SP – Brasil
Renato A. K. Kalil – Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul (IC/FUC), Porto Alegre, RS – Brasil
Ricardo Stein – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), Porto Alegre, RS – Brasil
Salvador Rassi – Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (FM/ GO), Goiânia, GO – Brasil
Sandra da Silva Mattos – Real Hospital Português de Beneficência em Pernambuco, Recife, PE – Brasil
Sandra Fuchs – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS – Brasil
Sergio Timerman – Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (INCOR HC FMUSP), São Paulo, SP – Brasil
Silvio Henrique Barberato – Cardioeco Centro de Diagnóstico Cardiovascular (CARDIOECO), Curitiba, PR – Brasil
Tales de Carvalho – Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Florianópolis, SC – Brasil
Vera D. Aiello – Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da (FMUSP, INCOR), São Paulo, SP – Brasil
Walter José Gomes – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP – Brasil
Weimar K. S. B. de Souza – Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (FMUFG), Goiânia, GO – Brasil
William Azem Chalela – Instituto do Coração (INCOR HCFMUSP), São Paulo, SP – Brasil
Wilson Mathias Junior – Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), São Paulo, SP – Brasil
Exterior
Adelino F. Leite-Moreira – Universidade do Porto, Porto – Portugal Alan Maisel – Long Island University, Nova York – Estados Unidos Aldo P. Maggioni – ANMCO Research Center, Florença – Itália
Ana Isabel Venâncio Oliveira Galrinho – Hospital Santa Marta, Lisboa – Portugal Ana Maria Ferreira Neves Abreu – Hospital Santa Marta, Lisboa – Portugal Ana Teresa Timóteo – Hospital Santa Marta, Lisboa – Portugal
Cândida Fonseca – Universidade Nova de Lisboa, Lisboa – Portugal Fausto Pinto – Universidade de Lisboa, Lisboa – Portugal
Hugo Grancelli – Instituto de Cardiología del Hospital Español de Buenos Aires – Argentina
James de Lemos – Parkland Memorial Hospital, Texas – Estados Unidos João A. Lima, Johns – Johns Hopkins Hospital, Baltimore – Estados Unidos John G. F. Cleland – Imperial College London, Londres – Inglaterra Jorge Ferreira – Hospital de Santa Cruz, Carnaxide – Portugal
Manuel de Jesus Antunes – Centro Hospitalar de Coimbra, Coimbra – Portugal Marco Alves da Costa – Centro Hospitalar de Coimbra, Coimbra – Portugal Maria João Soares Vidigal Teixeira Ferreira – Universidade de Coimbra, Coimbra – Portugal
Maria Pilar Tornos – Hospital Quirónsalud Barcelona, Barcelona – Espanha Nuno Bettencourt – Universidade do Porto, Porto – Portugal
Pedro Brugada – Universiteit Brussel, Brussels – Bélgica
Peter A. McCullough – Baylor Heart and Vascular Institute, Texas – Estados Unidos Peter Libby – Brigham and Women's Hospital, Boston – Estados Unidos Piero Anversa – University of Parma, Parma – Itália
Sociedade Brasileira de Cardiologia
Presidentes dos Departamentos Especializados e Grupos de Estudos
SBC/DA – Antonio Carlos Palandri ChagasSBC/DCC – Bruno Caramelli
SBC/DCC/CP – Klebia Magalhães Pereira Castello Branco
SBC/DCM – Celi Marques Santos
SBC/DECAGE – Izo Helber
SBC/DEIC – Evandro Tinoco Mesquita
SBC/DERC – Gabriel Leo Blacher Grossman
SBC/DFCVR – Antoinette Oliveira Blackman
SBC/DHA – Audes Diógenes de Magalhães Feitosa
SBC/DIC – Carlos Eduardo Rochitte
SBCCV – Eduardo Augusto Victor Rocha
SOBRAC – Ricardo Alkmim Teixeira
SBHCI – Ricardo Alves da Costa
DCC/GAPO – Danielle Menosi Gualandro
DCC/GECETI – Luiz Bezerra Neto
DCC/GECO – Roberto Kalil Filho
DCC/GEMCA – Roberto Esporcatte
DCC/GERTC – Adriano Camargo de Castro Carneiro
DEIC/GEICPED – Estela Azeka
DEIC/GEMIC – Marcus Vinicius Simões
DERC/GECESP – Clea Simone Sabino de Souza Colombo
DERC/GECN – Lara Cristiane Terra Ferreira Carreira
DERC/GERCPM – Carlos Alberto Cordeiro Hossri
GECIP – Marcelo Luiz da Silva Bandeira
GEECG – Carlos Alberto Pastore
DCC/GETA – Carlos Vicente Serrano Junior
DCC/GECRA – Sandra Marques e Silva
Presidente
Marcelo Antônio Cartaxo Queiroga Lopes
Vice-Presidente
Celso Amodeo
Diretor Financeiro
Ricardo Mourilhe Rocha
Diretor Científico
Fernando Bacal
Diretor Administrativo
Olga Ferreira de Souza
Diretor de Qualidade Assistencial
Sílvio Henrique Barberato
Diretor de Comunicação
Harry Corrêa Filho
Diretor de Tecnologia da Informação
Leandro Ioschpe Zimerman
Diretor de Relações Governamentais
Nasser Sarkis Simão
Diretor de Relação com Estaduais e Regionais
João David de Souza Neto
Diretor de Promoção de Saúde Cardiovascular – SBC/Funcor
José Francisco Kerr Saraiva
Diretora de Departamentos Especializados
Andréa Araujo Brandão
Diretor de Pesquisa
David de Pádua Brasil
Coordenadora de Ciência, Tecnologia e Inovações
Ludhmila Abrahão Hajjar
Coordenador de Educação Médica Continuada
Brivaldo Markman Filho
Coordenadora de Acompanhamento da Gestão e Controle Interno
Gláucia Maria Moraes de Oliveira
Coordenador de Compliance e Transparência
Marcelo Matos Cascudo
Coordenador de Assuntos Estratégicos
Hélio Roque Figueira
Editor do ABC Cardiol
Carlos Eduardo Rochitte
Editor do IJCS
Claudio Tinoco Mesquita
Coordenador da Universidade do Coração
Evandro Tinoco Mesquita
Coordenador de Normatizações e Diretrizes
Paulo Ricardo Avancini Caramori
Presidentes das Soc. Estaduais e Regionais SBC/AL – Carlos Romerio Costa Ferro
SBC/AM – Kátia do Nascimento Couceiro
SBC/BA – Gilson Soares Feitosa Filho
SBC/CE – Gentil Barreira de Aguiar Filho
SBC/DF – Alexandra Oliveira de Mesquita
SBC/ES – Tatiane Mascarenhas Santiago Emerich
SBC/GO – Leonardo Sara da Silva
SBC/MA – Mauro José Mello Fonseca
SBC/MG – Henrique Patrus Mundim Pena
SBC/MS – Gabriel Doreto Rodrigues
SBC/MT – Marcos de Thadeu Tenuta Junior
SBC/NNE – Nivaldo Menezes Filgueiras Filho
SBC/PA – Dilma do Socorro Moraes de Souza
SBC/PB – Lenine Angelo Alves Silva
SBC/PE – Fernando Ribeiro de Moraes Neto
SBC/PI – Luiz Bezerra Neto
SBC/PR – Raul DAurea Mora Junior
SOCERJ – Wolney de Andrade Martins
SBC/RN – Maria Sanali Moura de Oliveira Paiva
SOCERON – Daniel Ferreira Mugrabi
SOCERGS – Mario Wiehe
SBC/SC – Amberson Vieira de Assis
SBC/SE – Eryca Vanessa Santos de Jesus
Arquivos Brasileiros de Cardiologia
Filiada à Associação Médica Brasileira
Volume 114, Nº 5, Maio 2020
Indexação: ISI (Thomson Scientific), Cumulated Index Medicus (NLM), SCOPUS, MEDLINE, EMBASE, LILACS, SciELO, PubMed
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Produção Gráfica e Diagramação
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Editorial
Pandemônio Durante a Pandemia: Qual o Papel dos Profissionais da
Saúde e a Ciência?
Pandemonium During The Pandemic: What Is The Role Of Health And Science Professionals?
André d’Avila,
1Marco F. Vidal Melo,
2Renato D. Lopes
3Serviço de Arritmia Cardíaca, Hospital SOS Cardio,1 Florianópolis, SC – Brasil
Department of Anesthesia, Critical Care and Pain Medicine, Massachusetts General Hospital, Harvard Medical School,2 Boston, MA – USA
Division of Cardiology, Duke Clinical Research Institute, Duke University School of Medicine,3 Durham, NC – USA
Correspondência: Andre d’Avila •
Hospital SOS Cardio - Serviço de Arritmia Cardíaca - SC 401.121. CEP 88030-000, Florianópolis, SC – Brasil
E-mail: [email protected]
Palavras-chave
Coronavirus; COVID-19; Pandemias; Hydroxychloroquina/ efeitos da medicação; Azitromicina/efeitos adversos; Aprovação de Drogas; Comitê de Ética em Pesquisa; Mídias Sociais.
A conduta dos comentaristas esportivos brasileiros durante a recente pandemia da COVID-19 merece destaque. Dia após dia, mesmo socialmente distantes, eles vêm à televisão dar a sua contribuição para amenizar o desconforto do público. Durante horas, discutem exaustivamente jogos do passado, problemas atuais e o futuro do esporte sobre o qual se especializaram. Em nenhum momento, no entanto, se arriscam a comentários fora da sua área. Mesmo que, como cidadãos, tenham uma opinião sobre a gravidade da COVID-19, sobre o benefício do distanciamento social ou sobre o uso de medicamentos sem comprovação científica, preferem continuar restritos às áreas de excelência nas quais são reconhecidos como especialistas, pois conhecem aquele assunto melhor que ninguém.
Mais difícil de compreender, entretanto, é a postura dos que insistem em emitir opinião não fundamentada sobre várias intervenções no tratamento da COVID-19, mesmo sabendo que não há confirmação baseada em alto nível de evidência do potencial efeito benéfico dessas recomendações. Alguns simplesmente optam pelo proselitismo médico. Outros, por não reconhecerem nem entenderem a necessidade da investigação clínica adequada, preferem a omissão: não aprovam nem desaprovam nada, deixando a população sem nenhum referencial.1 Contudo, o tipo de atitude mais comum talvez seja a do médico assustado pelo desconhecido, desesperado por seus entes queridos e pacientes, pressionado por respostas e influenciado pelo bombardeio das informações nas mídias sociais e que, por isso, agarra-se à possibilidade de um tratamento redentor. Infelizmente, a única doença tratada com essa abordagem costuma ser a ansiedade dos próprios médicos e seus pacientes.
Dentro desse panorama desolador de incertezas, informações desencontradas e ausência de lideranças, a torrente de asserções com início e eco nas inúmeras
mídias sociais transforma em verdade (ou pelo menos em expectativa) tudo o que é divulgado em primeira mão, por mais absurdo que seja. O único interesse é a notícia em si. As consequências não importam. Entretanto, ao desprezar o método científico rigoroso, com o álibi de tentar ajudar, criam um ambiente de confusão – ou pior, um ambiente que aumenta o risco daqueles que tomam tais asserções como verdadeiras.
O rigor científico e ético da pesquisa como um todo, e na área médica em especial, beneficiou milhares de pacientes em todo o mundo por meio da pesquisa criteriosa, sem atalhos, realizada sob a orientação cuidadosa da Declaração de Helsinki de 1964. O princípio básico da Declaração é o respeito ao indivíduo que deve consentir sua participação e permanência no protocolo de pesquisa, visto que seus interesses precedem os interesses da ciência e da sociedade. No entanto, se o interesse do paciente se impõe aos interesses científicos, como justificar a necessidade de randomizar alguém que possa eventualmente ter o “azar” de ser alocado no grupo controle, talvez placebo, se no outro extremo existe, ou pelo menos se supõe que exista, esperança de cura?
A resposta a essa pergunta deriva da aceitação do método científico: somente a demonstração objetiva e quantificável, acima de mera casualidade da eficácia e efetividade de qualquer intervenção, merece aceitação, ainda que várias ideias pareçam viáveis e eficazes em etapas preliminares. A existência do grupo controle é essencial nesse aspecto. Este deve oferecer ao participante do ensaio clínico uma relação benefício/risco presumivelmente equivalente (“equipoise”) àquela da intervenção baseada nas evidências disponíveis quando da implementação do estudo. Assim, uma medida objetiva de comparabilidade da intervenção é imposta e deve ser vencida. Além disso, sabe-se que pacientes que participam de ensaios clínicos evoluem melhor que aqueles que não entram em tais pesquisas, mesmo quando alocados ao grupo controle ou placebo. Lembremos, portanto, que a maneira mais segura de tratar um paciente quando não temos a resposta é incluí-lo em um ensaio clínico, pois somente assim haverá o melhor tratamento possível, sob supervisão direta, enquanto ajuda o avanço da ciência. A história da medicina é farta de exemplos de tratamentos considerados “absolutamente efetivos” que mostraram-se fúteis ou até maléficos após a realização dos ensaios clínicos randomizados, considerado o padrão-ouro para se definir eficácia e segurança de qualquer intervenção em medicina.
DOI: https://doi.org/10.36660/abc.20200320
Editorial
d´Avila et al. COVID 19
Na cardiologia, casos de futilidade e malefícios são inúmeros e gritantes. O uso de fármacos antiarrítmicos para prevenção de morte súbita em pacientes com extrassístoles ventriculares após infarto agudo do miocárdio (IAM), de magnésio para redução da área infartada e de betabloqueador na síncope vasovagal consiste em alguns exemplos da enorme diferença entre a expectativa (ou o senso comum) e o real efeito de intervenções terapêuticas. Sem esses estudos, milhares de pacientes teriam sido submetidos a procedimentos ineficazes, dos quais, em vez de benefícios, derivariam apenas complicações.
Na situação atual de enfrentamento da COVID-19, vale a pena mencionar que todas as alternativas supostamente milagrosas (desde o uso de doses maciças
de vitamina C, De zinco até o uso de macrolídios,
cloroquina e derivados, corticosteroides, antivirais e outras medicações) já foram testadas em outras viroses e epidemias, tais como HIV, Ebola e H1N1. Infelizmente, apesar da expectativa inicial, não se mostraram seguras ou eficazes nesses ensaios anteriores.
Naturalmente, o efeito de algumas dessas intervenções pode ser diferente na pandemia atual. Tal hipótese, no entanto, precisa ser avaliada e provada com todo o rigor científico que a urgência e a gravidade da situação impõem. Infelizmente, a maioria dos trabalhos iniciais utilizados para basear a indicação de diversas intervenções no combate à COVID-19 é um exemplo de pseudoevidência. São cientificamente risíveis.
Tomemos como exemplo o estudo que popularizou a hidroxicloroquina1 (aquele citado por Donald Trump como tendo “probabilidade de ser uma das maiores descobertas da história da medicina”). Os autores do trabalho investigavam se pacientes com COVID-19 teriam melhor desfecho com a hidroxicloroquina. Para tanto, teria sido mandatório que, de dois grupos semelhantes de pacientes, apenas um tivesse recebido o fármaco. Parece elementar, mas não foi isso que aconteceu: além do remédio diferente, os grupos eram de hospitais distintos, tinham idades diversas, apresentavam condições clínicas e tratamentos variados, além de cargas virais diferentes. Assim, como isolar o efeito do remédio? Além disso, os quatro pacientes que morreram ou foram à unidade de terapia intensiva (UTI) – aliás, todos tomando hidroxicloroquina – foram eliminados dos resultados, o que sugere que, para alguns, um óbito possa ser menos relevante do que a detecção de vírus na nasofaringe. Além disso, o tamanho da amostra, queixa comum de vários revisores, foi muito pequeno, não permitindo definir qualquer possível efeito de tratamento.
É decepcionante quando um estudo não consegue responder à pergunta proposta. É pior quando isso gera uma convulsão social. O mais dramático, no entanto, é saber que tal artigo passou por uma revisão de pares e por um editor que, se tivesse agido de forma responsável, abrindo mão do frenesi do aumento do número de acessos ao website da revista e da notoriedade imediata, poderia ter evitado essas consequências em bola de neve. Uma pandemia não justifica o esquecimento da ciência e os erros que criam falsas esperanças que potencialmente coloquem vidas em risco.
A atitude de médicos e cientistas no mundo varia com relação à interpretação desses dados. Muitos acham que aquela evidência sobre o uso da cloroquina justifica a prescrição do medicamento, mas essa posição está longe de ser unânime. Vários colegas médicos que contraíram a COVID-19 aceitaram participar de estudos clínicos randomizados, contribuindo para que uma resposta metodologicamente adequada fosse alcançada, com potencial benefício a milhares de pessoas. Nesse sentido, para esta e outras eventuais pandemias, vale lembrar que somente estudos clínicos rigorosos realizados com a colaboração de profissionais, hospitais e sociedades médicas do mundo todo, e liderados por especialistas em pesquisa clínica, podem oferecer as respostas corretas, nos livrando da mazela do curandeiro, que capitaliza o sucesso da eventual melhora e, no caso de um desfecho inadequado, sugere que o paciente não foi merecedor da dádiva por ele oferecida.
Médicos, outros profissionais da saúde, cientistas e as sociedades que os representam têm o dever de nos livrar do retrocesso que o não entendimento do método científico acarreta, além da obrigação de nos lembrar de que o senso comum erra e que nosso estado de humor coletivo não pode justificar deslizes metodológicos que possam impactar milhares de vidas. Espera-se que os médicos façam o que sabem fazer de melhor: agir à luz da ética, de forma pragmática, com base no melhor que a ciência pode oferecer. Sejamos realmente especialistas quando os dados de alta qualidade científica estiverem disponíveis. Afinal, a verdade sempre prevalece, e a ciência é a ferramenta que mais rapidamente nos aproxima dela. Como médicos e cientistas, nosso papel é encurtar o caminho entre a hipótese e a conclusão fundamentada, tanto para benefício dos pacientes sob nossa responsabilidade quanto para a população que anseia por uma resposta segura da ciência médica.
Agradecimentos
Os autores gostariam de agradecer o Dr. Andre Zimerman e ao sr. Julio Tude d’Avila pelas sugestões e revisão critica desse manuscrito.
1. Gautret P, Lagier JC, Parola P, Hoang VT, Medded L, Mailhe M, et al. Hydroxychloroquine and Azithromycin as a Treatment of COVID-19: Results of an Open-Label Non-Randomized Clinical Trial. Int J Antimicrob Agents. 2020 March ; In Press DOI: 10.1016/j.ijantimcag.2020.105949
Referências
Artigo Original
Hipertensão Arterial em Trabalhadores: O Efeito Cumulativo das
Dimensões da Atividade Física sobre esse Agravo
Hypertension in Workers: The Role of Physical Activity and its Different Dimensions
Uelito Everaldo Souza Ribeiro Junior
1e Rita de Cassia Pereira Fernandes
2Universidade Federal da Bahia - Programa de Pós-Graduação em Saúde, Ambiente e Trabalho,1 Salvador, BA - Brasil
Universidade Federal da Bahia - Faculdade de Medicina da Bahia,2 Salvador, BA – Brasil
Correspondência: Uelito Everaldo Souza Ribeiro Junior •
Universidade Federal da Bahia - Programa de Pós-Graduação em Saúde, Ambiente e Trabalho - Largo do Terreiro de Jesus, s/n. CEP 40110-060, Centro Histórico Salvador, BA – Brasil
E-mail: [email protected], [email protected]
Artigo recebido em 06/02/2019, revisado em 08/06/2019, aceito em 23/06/2019
DOI: https://doi.org/10.36660/abc.20190065
Resumo
Fundamento: A atividade física, em diferentes dimensões (ocupacional, doméstica e de lazer), pode ter papel relevante sobre a hipertensão arterial (HA). Praticar atividade física apenas no lazer, ou isoladamente nas outras dimensões, pode ser insuficiente para o controle efetivo da HA.
Objetivo: Analisar o efeito isolado e cumulativo das dimensões da atividade física sobre a ocorrência de hipertensão arterial em trabalhadores.
Métodos: Estudo transversal com 1.070 trabalhadores de Limpeza Urbana e Indústria de Calçados, na Bahia, utilizando questionário aplicado por entrevistador acerca de aspectos sociodemográficos, ocupacionais, de estilo de vida e morbidade hipertensiva. Foram medidos: peso, altura, circunferência abdominal e pressão arterial. Caso de HA: pressão arterial sistólica ≥140 ou diastólica ≥90, ou tratamento regular de Hipertensão. Foram investigadas as dimensões ocupacional, doméstica e de lazer da atividade física. Realizou-se análise multivariada com Regressão de Cox para estudos transversais.
Resultados: A prevalência de HA foi de 24%, sendo 37% dentre pacientes com idades entre 35 e 44 anos, e 51% entre 45 e 54 anos. O modelo multivariado evidenciou que ativos em uma dimensão ou em nenhuma tiveram 62% mais HA, e um valor 25% mais elevado de HA foi observado dentre aqueles trabalhadores ativos em duas das três dimensões, na comparação com os ativos nas três dimensões. Sexo masculino, maior idade (> 31 anos) e excesso de peso se associaram à HA, com razões de prevalência de 1,62, 2,10 e 2,26, respectivamente.
Conclusões: Verificou-se efeito cumulativo das dimensões da atividade física sobre a ocorrência de HA. Classificar sujeitos ativos no trabalho ou no ambiente doméstico como inativos ao se basear apenas na dimensão do lazer pode implicar em erro metodológico. (Arq Bras Cardiol. 2020; 114(5):755-761)
Palavras-chave: Hipertensão; Trabalhadores; Serviço de Limpeza Urbana; Atividade Motora; Antropometria; Esforço Físico; Trabalho; Fatores Socioeconômicos; Estilo de Vida.
Abstract
Background: Physical activity, each type in its own manner, whether occupational, domestic or leisure, can play a significant role regarding high blood pressure (HBP). However, practicing physical activity only at leisure time, or in specific situations, can be insufficient to achieve the effective control of HBP.
Objective: To analyze the isolated and cumulative effect of different types of physical activity and the prevalence of HBP among workers.
Methods: A cross-sectional study with 1,070 Urban Cleaning and Footwear Industry workers in Bahia, who answered a survey, conducted by an interviewer on sociodemographic, occupational, lifestyle and hypertensive morbidity aspects. Weight, height, waist circumference and blood pressure were measured. Case of HBP: Systolic blood pressure ≥140 or diastolic blood pressure ≥90, or regular treatment for HBP. The occupational, domestic and leisure aspects of Physical Activity were studied. A multivariate analysis with Cox Regression was performed for cross-sectional studies.
Results: The prevalence of HBP was 24%, being 37% among workers aged between 35-44 years, and 51% among workers aged between 45-54 years. The multivariate model showed that workers who were active in one form of physical activity only or no forms had 62% higher BP levels and that these levels were 25% higher among workers who were active in two out of three physical activity forms. Being a male, being older (> 31 years old) and being overweight were characteristics associated with HBP, with prevalence ratios of 1.62, 2.10 and 2.26, respectively.
Conclusions: There was a cumulative effect of the form of physical activity on the occurrence of HBP. Classifying active subjects at work or at home as inactive persons by relying only on the leisure form can lead to methodological errors. (Arq Bras Cardiol. 2020; 114(5):755-761)
Keywords: Hypertension; Workers; Urban Cleaning Service; Motor Activity; Anthropometry; Physical Exerton; Work; Socioeconomic Factors; Life Style. Full texts in English - http://www.arquivosonline.com.br
Artigo Original
Ribeiro Junior e Fernandes Efeito cumulativo da atividade física na Hipertensão Arterial
Introdução
Hipertensão arterial (HA) é uma doença crônica definida por níveis pressóricos maiores ou iguais a 140/90 mmHg, representando um dos fatores de risco para doenças cardiovasculares. Por outro lado, sabe-se que a atividade física (AF) ausente ou insuficiente é risco modificável nesse agravo.1,2
Todo movimento produzido pela musculatura esquelética que gere energia maior que o estado de repouso é AF. Considera-se ativo o indivíduo que pratica no mínimo 30 minutos de AF com intensidade moderada, cinco dias por semana. Isso não inclui apenas o lazer, ao contrário, a literatura ressalta a importância de se abordar a AF em diferentes dimensões: lazer (AFL), ocupacional (AFO), doméstica (AFD) e de deslocamento.3,4
O Brasil, signatário do Plano de Prevenção das Doenças Crônicas não Transmissíveis da Organização Mundial da Saúde, comprometeu-se com a redução relativa de 25% da prevalência de HA e 10% de AF insuficiente, até o ano de 2025. Esse desafio explicita a relevância da HA como problema de saúde.5,6
Embora a associação negativa entre AF e Hipertensão seja conhecida - mais ativos fisicamente têm menor prevalência de HA -, há recentemente o interesse pelo papel das dimensões da AF. Nesse sentido, evidências acerca das dimensões têm sido mostradas: indivíduos ativos no trabalho, lazer e em práticas esportivas apresentam menor prevalência de HA;7 ademais, a insuficiência de AFO e AFL aumenta significantemente o risco de HA.8 Entretanto, as atividades físicas ocupacionais, consideradas pesadas, também têm sido associadas à maior prevalência de hipertensão. No entanto, a associação positiva da AFO mais alta com a hipertensão tem sido atribuída, por alguns, ao papel de confundidores não avaliados, dentre eles, as demandas psicológicas.9-11 Além disso, tem sido discutido o chamado “paradoxo da AF”, segundo o qual os benefícios da atividade no lazer poderiam ser minimizados pela alta AFO.12-14 Portanto, há confluências e lacunas acerca do papel das diferentes dimensões da AF para a ocorrência de HA.
Assim, o objetivo deste estudo foi verificar como se dá a associação das dimensões da AF (AFO, AFL e AFD) isoladamente e de forma cumulativa na ocorrência de HA.
Método
Delineamento e população do estudo
Estudo de corte transversal com trabalhadores da Indústria de Calçados (n=446) e trabalhadores da Limpeza Urbana (n=624), totalizando 1.070 participantes. No conjunto dos dois inquéritos, a taxa de resposta foi de 97%. O plano amostral na Indústria de Calçados foi de uma amostra aleatória estratificada proporcional ao sexo e número de trabalhadores de cada uma das duas fábricas no interior da Bahia; na Limpeza Urbana fez-se um censo na empresa municipal em Salvador. A coleta dos dados foi realizada em 2012 e 2010, respectivamente. Como critério de inclusão, todos os trabalhadores entrevistados
deveriam estar empregados durante a coleta de dados, que foi conduzida por equipe treinada, composta por profissionais da saúde, segurança e acadêmicos do curso de Fisioterapia. Todos estavam cientes da necessidade de esclarecer dúvidas sobre as perguntas, para obterem respostas as mais fidedignas possíveis. As entrevistas foram realizadas em cada empresa participante, durante o dia de trabalho regular, em local reservado, assegurando a privacidade dos trabalhadores.
Questionário
O questionário aplicado pelo entrevistador incluiu perguntas sobre: fatores sociodemográficos, características do trabalho e hábitos de vida. Fatores sociodemográficos: sexo, idade, situação conjugal, escolaridade, cor ou raça, e ter ou não filhos. Características do trabalho: demandas físicas, avaliadas através do manuseio de cargas: levantar, empurrar e puxar; aspectos psicossociais do trabalho, medidos por meio do Job Content Questionnaire (JCQ), instrumento que mede as dimensões do Modelo Demanda-Controle;15 horário de trabalho e tempo de trabalho na empresa estudada. Hábitos de vida: tabagismo atual ou pregresso e frequência de uso de bebida alcoólica. Foram realizadas medidas diretas da PA, peso, altura e circunferência de cintura.
Variável dependente
A variável dependente é a HA, definida por duas medidas da PA: a primeira, no início da entrevista, com os participantes sentados durante cinco minutos antes da aplicação do questionário e, a segunda, ao final do preenchimento do questionário aplicado pelo entrevistador, com intervalo médio de 20 minutos entre essas tomadas. Foi utilizado um esfigmomanômetro aneroide devidamente calibrado e um estetoscópio. As medidas foram realizadas conforme recomendações da 6ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Foram considerados casos de hipertensão arterial aqueles com pressão arterial sistólica ≥ 140 e ou pressão arterial diastólica ≥ 90, bem como indivíduos em tratamento regular para a hipertensão. As informações foram dicotomizadas, classificando os indivíduos como aqueles que apresentavam ou não um fenômeno hipertensivo.
Variável independente principal
A variável independente principal é a AF em três dimensões: ocupacional (AFO), doméstica (AFD) e de lazer (AFL).
A AFO foi obtida por meio do autorrelato do trabalhador sobre suas demandas físicas ocupacionais de manuseio de cargas: levantar, empurrar e puxar, utilizando-se uma escala de duração de 0 a 5, onde 0 representou a ausência de exposição (nunca) e 5, a exposição máxima (o tempo todo). As três variáveis foram somadas e esse valor dividido por três, obtendo-se a média dos escores. Os que atingiram escore ≤ 2 (menos ativos) foram os considerados expostos e os não expostos tiveram escore 3 até 5 (mais ativos).
Em relação à AFL, foi perguntado: “O que você faz quando não está trabalhando na empresa ou em casa?”, com quatro opções de resposta: (I) Conversa com os parentes ou
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amigos, lê jornal ou revista, vê televisão e vai ao culto (ou missa); (II) caminha, pesca, cuida da horta ou do quintal; (III) corre, faz ginástica, nada, joga bola e anda de bicicleta; (IV) treina para competições. Consideraram-se indivíduos com respostas “I” e “II”, (portanto, com AFL mais baixa), os expostos; e os que responderam positivamente às afirmativas “III” e “IV” foram os considerados ativos no lazer, ou seja, os não-expostos.
Sobre o domínio da AFD, perguntou-se sobre horas semanais dedicadas ao trabalho doméstico. A classificação empregada foi a de expostos e não expostos, ausência de horas dedicadas aos trabalhos domésticos e presença, respectivamente.
Na análise multivariada, utilizou-se a variável principal AF, reunindo as três dimensões em três estratos. Os trabalhadores que tinham alta AF nas três dimensões, ou seja, ativos no lazer, no trabalho e em casa, foram considerados os não expostos, e dois estratos de exposição foram utilizados: o primeiro deles incluiu indivíduos ativos em duas dimensões e, ao segundo estrato, foram incorporados indivíduos inativos ou ativos em apenas uma dimensão.
Covariáveis
Para a variável idade, adotou-se, como exposto, aqueles trabalhadores com idades acima da mediana. Cor ou raça foi estratificada em “não preta” que incluía branca, parda, amarela e indígena, classificados como não-expostos, e os indivíduos de cor ou raça “preta” foram classificados como expostos. Quanto à escolaridade, os expostos foram os que não tinham o Ensino Médio completo. Para estado civil, foram considerados expostos os que tinham parceiro estável, mesmo que não casados formalmente.
A variável “tipo de jornada” consiste em turno rotativo, grupo exposto, e horário administrativo, os não-expostos. Para os aspectos psicossociais do trabalho, foram utilizadas questões das dimensões demanda psicológica e controle sobre o trabalho, do JCQ. Os indivíduos expostos foram os que possuíam alta demanda e baixo controle sobre o trabalho. Para a variável tempo de trabalho na empresa, os expostos foram os que apresentavam valor acima da mediana.
Considerou-se exposto o indivíduo que fuma ou já foi fumante no passado. Para “frequência do uso de bebida”, os que consumiam álcool mais de uma vez por semana foram os expostos.
O indicador antropométrico utilizado para verificar a associação com HA, na análise multivariada, foi o Índice de Massa Corporal (IMC), calculado a partir das medidas diretas de altura e peso dos indivíduos. Classificou-se o excesso de peso a partir do ponto de corte de ≥ 25 kg/ m2, e esses foram os expostos, incluindo, portanto, aqueles com sobrepeso e obesidade.16
Análise estatística
Todas as variáveis passaram por uma etapa descritiva e suas frequências foram verificadas. Nas variáveis contínuas,
foram feitas medidas de tendência central, de dispersão e posição. Cálculos das razões de prevalência para a HA, segundo as variáveis independentes, foram conduzidas inicialmente na etapa univariada da análise. Na análise multivariada, as covariáveis entraram nos modelos por blocos, tendo como variável independente principal a AF com três estratos: ativos nas três dimensões, ativos em duas, e inativos ou ativos em uma dimensão. O grupo de referência foram os ativos nas três dimensões da AF. A seleção das covariáveis para entrada nos modelos multivariados baseou-se na plausibilidade teórica e biológica e na força de associação bruta da análise univariada. Utilizou-se a Regressão de Cox para estudos transversais.17 Testou-se a interação em modelo aditivo das três dimensões da AF para a ocorrência da HA.
A população de estudo, constituída de um pool de inquéritos, não foi aleatória. Assim, as análises não utilizaram inferência estatística; ao contrário, o modelo final na análise multivariada é apresentado com todas as variáveis selecionadas, com suas respectivas medidas de associação (Razões de Prevalência) e, portanto, foram todas mantidas no modelo final. Assim, no presente estudo, foram adotados procedimentos compatíveis com a natureza não aleatória da população investigada, de acordo com a ampla literatura sobre o tema.18,19 Utilizou-se o programa SPSS 24 (Statistical Package for Social Sciences) para todas as análises. Vieses
Com o intuito de minimizar o efeito do trabalhador sadio, trabalhadores selecionados que estavam sob licença médica foram convidados a participar, exceto quando o afastamento estava relacionado à licença maternidade ou decorria de agravo supostamente não relacionado à exposição ocupacional. Nesses casos, o próximo da lista era selecionado em substituição. Vieses de informação foram minimizados com o esclarecimento aos trabalhadores de que os questionários ficariam sob responsabilidade da Universidade Federal da Bahia. Consequentemente, o acesso às informações individuais seria impossibilitado tanto para as empresas como para os gestores.
Aspectos de ética em pesquisa
Este estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal da Bahia e aprovado, sob parecer n°1.621.917. Aos participantes foram esclarecidos os objetivos da pesquisa e todos assinaram o Termo de Consentimento Livre e esclarecido.
Resultados
Ao todo, 1.070 trabalhadores foram incluídos no estudo, sendo que 842 (78,7%) eram homens. A prevalência de HA foi de 24%. Trabalhadores que não concluíram o ensino médio correspondiam a 46% da população, 82% tinham parceiros estáveis e 63% possuíam jornada diária de trabalho com horário de turno. Os que fumam ou já fumaram representaram 26%, e 42% da população consumia bebida alcoólica mais de uma vez por semana. Excesso de peso esteve presente em 43% dos participantes. Nas variáveis
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da AF, 47% e 61% da população tinham baixa AFO e baixa AFL, respectivamente; 28% não faziam AFD. Idade e IMC apresentaram a maior força de associação com a HA na etapa univariada (RP=2,9 e RP =2,8, respectivamente). Também apresentaram forte associação: sexo (RP=1,95), AFD (RP=1,62) e tipo de jornada (RP=1,60) (Tabela 1).
A prevalência de HA por faixa de idade foi: < 35 anos (n=713 indivíduos) 16% de HA, de 35 a 44 anos (n= 262) 37%, de 45 a 54 anos (n=81) 51%, e para > 54 anos (n=7 indivíduos) a prevalência foi de 43% (N= 7). A frequência de HA para cada um dos estratos de AF foi: 16% para indivíduos ativos em três dimensões, 39% para ativos em duas e 45% para inativos ou ativos em apenas uma dimensão (dados não mostrados).
Na tabela 2, está a análise multivariada, com a variável independente principal (AF) em suas combinações. O modelo 1 traz a associação bruta entre AF e HA; no modelo 2, a variável independente principal é ajustada pelas variáveis sociodemográficas e, no terceiro modelo, faz-se ajuste adicional pelas variáveis de estilo de vida, quando se observa um ajuste de 11% na associação principal. A entrada das variáveis ocupacionais no quarto modelo praticamente não alterou a RP da associação principal. Os ativos em duas das três dimensões e os inativos ou ativos em apenas uma dimensão da AF tiveram RP de 1,25 e 1,62, respectivamente. As covariáveis excesso de peso (RP: 2,26), idade > 31 anos (RP: 2,10) e sexo masculino (RP:1,62) mantiveram sua associação com a HA, no modelo final. Não foi encontrada interação no modelo aditivo entre as três dimensões da AF para ocorrência da HA.
Tabela 1 - Fatores associados à hipertensão arterial em trabalhadores da Limpeza Urbana e Indústria de Calçados
Variável FrequênciaN % Prevalência (%) RP*
HA sim não 256812 23,876,2 Sexo mulher homem 228842 21,378,7 13,626,6 1,951 Idade (anos) ≤ 31 anos > 31 anos 575491 53,946,1 12,736,9 2,901 Cor ou raça não preta preta 578489 54,245,8 24,023,8 0,991 Escolaridade ≥2º grau completo < 2º grau completo 576490 5446 22,525,6 1,141 Vive junto não sim 188880 17,682,4 23,523,9 1,021 Trabalho de alta exigência
não exposto exposto 714326 68,731,3 23,425,6 1,091 Tempo de ocupação ≤3 anos >3 anos 506562 47,452,6 19,427,8 1,431 Tipo de jornada horário administrativo turno rotativo 392676 36,763,3 17,327,6 1,591 Fuma ou já fumou não sim 779270 74,325,7 31,121 1,481 Frequência uso de bebida
≤ 1 vez por semana
> 1 vez por semana 616438 58,441,6 18,728,8 1,441 Excesso de peso não sim 612455 57,442,6 13,537,4 2,7751 AF ocupacional alta baixa 567501 53,146,9 22,025,9 1,181 AF lazer alta baixa 413655 38,761,3 20,925.7 1,231 AF doméstica faz não faz 761300 71,728,3 20,333 1,621
*RP: razão de prevalência; HA: hipertensão arterial; AF: atividade física.
Tabela 2 – Razões de prevalência entre a AF, combinando as três dimensões, e HAS, em modelos ajustados por variáveis
sociodemográficas, de estilo de vida e ocupacionais
Variáveis mod 1*RP mod 2*RP mod 3*RP MOD 4*RP
AF
Ativo em 3 dimensões Ativo em 2 dimensões Inativo ou ativo em 1 dimensão
1,00 1,22 1,76 1,00 1,26 1,80 1,00 1,24 1,60 1,00 1,25 1,62 Sexo feminino masculino Idade ≤ 31 anos > 31 anos 1 1,94 1 2,63 1 1,66 1 2,22 1 1,62 1 2,10 Excesso de peso não sim Fuma ou já fumou não sim Frequência de bebida ≤ 1 vez por semana > 1 vez por semana
1 2,24 1 1,11 1 1.18 1 2,26 1 1,11 1 1,18 Tipo de jornada horário administrativo turno Tempo de trabalho ≤3 anos >3 anos 1 1,05 1 1,17
*MOD 1: associação bruta; MOD 2: ajustado por sexo e idade; MOD 3: ajustado por excesso de peso, se fuma ou já fumou e frequência de bebida; MOD 4: ajustado por tipo de jornada e tempo de trabalho; RP: razão de prevalência. AF: atividade física
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Discussão
O acúmulo de AF nas dimensões da AFO, AFD e AFL pode resultar em melhorias da HA. Ser ativo em uma ou nenhuma das três dimensões da AF demonstrou maior associação positiva com o desfecho: 62% mais HA comparados àqueles ativos nas três dimensões. Esses achados contribuem com a literatura sobre o papel da AF insuficiente como fator de risco modificável para HA, e coloca em questão o papel isolado da AFL como estratégia para o controle desse agravo.
No que diz respeito à cor ou raça, a forte miscigenação da população na Bahia pode estabelecer limites para investigar sua associação com a HA. Conforme descrito por outros autores,20 a provável homogeneização dos grupos, pela forte miscigenação, deve ter um papel no resultado que revelou prevalências de HA praticamente iguais entre os grupos “pretos” e “não pretos”, nessa população.21,22 Em consonância com essa hipótese explicativa, um estudo multicêntrico sobre HA que, além de servidores da Universidade Federal da Bahia, incluiu servidores de mais cinco instituições do Brasil, de diferentes estados da Federação,23 encontrou forte associação dessa variável com a HA, cujas prevalências são maiores em pretos, seguidos dos pardos, sendo a menor prevalência observada entre os brancos. A associação da HA com idade e sexo foi bem consistente com a literatura.11,23-26 Essa população é composta por 79% de homens jovens, com 32 anos de idade média. É visto que, nessa fase da vida, os homens apresentam mais HA quando comparados às mulheres.1 Estudos que revelam maior prevalência entre mulheres são baseados em autorrelato ou populações em faixas etárias mais elevadas, nas quais o sexo feminino supera o masculino com maior prevalência.27 Quanto aos estudos baseados em autorrelato,1 a predominância de HA entre mulheres pode ser decorrente da maior busca de serviço por essas e, consequentemente, maior conhecimento do estado hipertensivo.
No Brasil, em 2016, a prevalência de HA aumentou com a idade, sendo de 19,1% naqueles indivíduos entre 35 e 44 anos.1 Comparando com os resultados do presente estudo, viu-se que, dentre indivíduos na faixa etária de 35 a 44 anos, a prevalência de HA é de 37%. Portanto, entre os aqui estudados, a HA foi mais alta do que a média nacional. Em comparação com Chor et al.,23que estudaram servidores de universidades, os estratos por idade deste estudo com operários apresentaram prevalências mais altas.
Operários com excesso de peso tiveram 2,3 vezes maior prevalência de HA quando comparados com aqueles sem excesso de peso. Esse resultado é consistente com outros estudos, demonstrando associação da HA com maior densidade corporal.28,29 As demais variáveis que se associaram na etapa univariada reduziram muito suas associações com HA na análise multivariada.
A variável independente principal associou-se consistentemente com a HA na análise multivariada, constatando-se efeito cumulativo da baixa AF nas três dimensões sobre a prevalência da HA.
Explorou-se a associação independente entre atividade física ocupacional (AFO) e HA por meio de análises que contemplaram AFO tanto com escala de duração quanto de intensidade do manuseio de carga. Os trabalhadores mais ativos
nessa dimensão foram mais protegidos para HA, mesmo com ajustes para idade, sexo e excesso de peso. A motivação para essas análises com a AFO baseou-se na recente discussão da literatura acerca do “efeito paradoxal” da AFO sobre a pressão arterial.30 Segundo pesquisadores, indivíduos submetidos à alta AFO apresentariam maior risco para níveis pressóricos elevados.14,31 É possível que ocupações que se caracterizam por recrutamento de grandes grupos musculares, a exemplo da coleta de lixo, embora possam determinar fadiga física, não parecem representar associação com HA, como proposto no efeito paradoxal. No presente estudo, o trabalho ativo foi sempre protetor para esse agravo, particularmente, quando associado à AFD e AFL.
Embora discuta-se a AFL como um dos principais tratamentos não farmacológicos contra a HA,32-34 de acordo com o presente estudo, a AFL isolada pode não suprir a insuficiência de AF para o melhor controle da HA: ser ativo em apenas uma dimensão, e inativo nas duas demais dimensões, apresentou associação positiva com a HA.
Poucas pesquisas exploram a AFD de forma isolada e resultados com essa dimensão parecem não mostrar associação com HA. Porém, quando combinada com a prática de AF nas outras dimensões, a AFD pode produzir efeitos benéficos no controle da HA.
Embora no presente estudo tenha sido observado efeito cumulativo da baixa AF nas diferentes dimensões para a ocorrência da HA, não foi encontrada interação entre essas dimensões (nem no modelo aditivo). Fato semelhante foi observado em outro estudo, que também revelou efeito cumulativo das diferentes dimensões, mas não interação entre essas.7 Análise de interação para explorar o comportamento sedentário e ou tempo de inatividade em frente à TV na determinação de doenças crônicas em adultos parece uma abordagem promissora.35
Além do acúmulo de AF nas diversas dimensões ser um fator de proteção, o acúmulo durante os vários estágios da vida pode melhorar ainda mais os indicadores de saúde.36
Neste estudo, a AF foi obtida pelo autorrelato, e não medida de forma direta, através de monitores cardíacos, acelerômetros, pedômetros ou frequencímetros. Apesar da tendência em se considerar que medidas diretas sejam mais válidas do que o autorrelato, essas têm sido questionadas enquanto padrão-ouro na Epidemiologia Ocupacional. Devido ao seu custo e exigências de calibração de instrumentos, medidas diretas são obtidas, em geral, durante pequenas amostras de tempo e, no caso da AFO, em uma pequena amostra da jornada de trabalho. Isto é particularmente relevante, limitando a validade das medidas diretas, em estudos com populações cujas atividades ocupacionais apresentem grande variabilidade durante a jornada de trabalho e, nesse caso, a amostra de tempo da jornada no qual se fazem as medidas diretas não é representativa do tempo total de trabalho.37
No delineamento do estudo de corte transversal, o principal viés é o de prevalência e, portanto, não se pode descartar a causalidade reversa, ou seja, não se pode afirmar rigorosamente se a maior prevalência de HA dos menos ativos é decorrente do estilo de vida sedentário ou se eles já eram hipertensos antes de passarem a ter uma vida mais sedentária. Porém,