Grupo Focal
Minayo (2004) refere que o Grupo Focal pode ter uma função em si mesma ou pode ser utilizado como técnica complementar. De acordo com Cruz Neto, Moreira e Sucena (2002, p.5) Grupo Focal é:
“uma técnica de Pesquisa na qual o pesquisador reúne, num mesmo local e durante um certo período, uma determinada quantidade de pessoas que fazem parte do público-alvo de suas investigações, tendo como objetivo coletar, a partir do diálogo e do debate com e entre eles, informações acerca de um tema específico”.
De acordo com esses mesmos autores, a principal característica da técnica de Grupos Focais reside na reflexão expressa por meio da “fala” dos participantes. Permitindo que eles apresentem, simultaneamente, seus conceitos, impressões e concepções sobre determinado tema.
A técnica de Grupo Focal permite o registro que se produz não apenas a fala dos indivíduos que se alternam na verbalização de seus pensamentos decorrentes das questões provocadas pelo moderador, mas trata-se de um produto coletivo, de sentido mais amplo. A relevância da técnica está na interação entre o grupo, em que as perspectivas individuais se convergem e divergem de posicionamento sobre as questões, permitindo identificar não apenas as diversas visões de determinado assunto, mas também a interação dos diferentes olhares. A técnica de Grupo Focal apresenta importância e singularidade, na medida em que esta dinâmica, entre as diferentes perspectivas do fenômeno, poderia ser menos acessíveis sem a comunicação e interação na forma de grupo (Morgan,1997). É uma técnica que cria uma atmosfera informal de maneira intencional, encorajando os sujeitos a falarem sem restrições sobre comportamentos, atitudes e opiniões que possuem sobre um determinado fenômeno (Berg, 2004).
Do ponto de vista operacional, para Debus (1997), Dall’agnol e Trench (1999), Lervolino e Pelicione (2001), Meier e Kudlowiez (2003), o número de participantes deve variar de oito a dez pessoas. Para Minayo (1996),Chiesa e Ciampone (1999) e Morgan (1997), o ideal é que o total oscile entre um mínimo de seis e um máximo de doze pessoas. Os participantes são
escolhidos a partir de um determinado grupo, cujas idéias e opiniões são do interesse da pesquisa (Minayo, 1996). Em relação ao número de encontros, varia de acordo com a complexidade da temática e o interesse da pesquisa, podendo ser alterado após análise conjunta (do moderador e observador) dos dados coletados. O pesquisador não deve esquecer-se de que, por ser uma técnica que visa à coleta de dados qualitativos, o número de Grupos Focais a ser realizado não é rigidamente determinado por fórmulas matemáticas, mas pelo esgotamento dos temas, não se prendendo, portanto, a relações de amostra probabilística. A abrangência do tema pode exigir uma ou várias sessões de discussão (Cruz Neto, Moreira e Sucena, 2002; Minayo, 1996).
Essa estratégia de coleta de dados é geralmente usada para: focalizar a pesquisa e formular questões mais precisas; complementar informação sobre conhecimentos peculiares a um grupo em relação a crenças, atitudes e percepções; desenvolver hipóteses de pesquisa para estudos complementares. O grupo focal consiste numa técnica de inegável importância para se tratar das questões da saúde sob o ângulo do social, porque se presta ao estudo de representações e relações dos diferenciados grupos de profissionais da área, dos vários processos de trabalho e também da população (Minayo, 1996).
O local deve ser neutro, isto é, fora do ambiente de trabalho e/ou convívio dos participantes e de fácil acesso. Livre de ruídos, com isolamento acústico, possibilitando a captação das falas (Meier e Kudlowiez, 2003).
Para a utilização da técnica de Grupo Focal é necessário a participação de um Mediador e um Observador. De acordo com Cruz Neto, Moreira e Sucena (2002), o mediador é responsável pelo início, pela motivação, pelo desenvolvimento e pela conclusão dos debates. A qualidade dos dados e das informações levantados no Grupo Focal está intimamente vinculada ao seu desempenho, que se traduz: no favorecimento da integração dos participantes; na garantia de oportunidades equânimes a todos; no controle do tempo de fala de cada participante e de duração do Grupo Focal; no incentivo e/ou arrefecimento dos debates; na valorização da diversidade de opiniões; no respeito à forma de falar dos participantes; e na abstinência de posturas influenciadoras e formadoras de opinião. O Observador tem a função de analisar e avaliar o processo de condução do Grupo Focal, atendo-se aos
participantes isoladamente e em suas relações com o Mediador. Suas anotações devem ter como meta a constante melhoria da qualidade do trabalho e a superação dos problemas e dificuldades enfrentados, adotando como ponto de partida se cada participante sentiu-se à vontade diante dos profissionais; se houve integração entre os participantes; se eles compreenderam corretamente o intuito da pesquisa e a forma como as funções do Mediador foram exercidas. O estímulo ativo à interação do grupo está relacionado, a discussão do grupo focal, garantindo que os participantes conversem entre si em vez de somente interagir com o moderador (Barbour, 2009).
Para Cruz Neto, Moreira e Sucena (2002) deve haver um Operador de Gravação que tem como função destinada à gravação integral – de acordo com o equipamento disponível - dos debates.
Entretanto, Barbour (2009) refere que o melhor é posicionar o gravador em uma mesa no centro do grupo, e quanto menos complicado for o equipamento, menos chance de ter problemas. Hoje no mercado, há equipamentos modernos, compactos e discretos de gravação, porém é importante que o pesquisador esteja familiarizado com o equipamento antes de usá-lo com um Grupo Focal.
Geralmente o tempo de duração de uma reunião não deve ultrapassar de uma a uma hora e meia para o debate (Schrimshaw,1986). Para Dawson et al (1992) o tempo de duração dos Grupos Focais, deverá oscilar entre uma a duas horas.
O roteiro de temas é de extrema importância na investigação por meio dos Grupos Focais. Consta de uma lista de temas e questões qualitativas e abrangentes, que favoreçam a discussão, servindo de roteiro para o moderador, facilitando a condução do trabalho grupal ao encontro dos objetivos da pesquisa. A elaboração desse instrumento requer do moderador habilidade, dedicação e clareza dos objetivos do estudo (Meier e Kudlowiez, 2003).
REFERÊNCIAS
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Berg, BL. Qualitative research methods for the social sciences. Long Beach- California: Pearson; 2004
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Cruz Neto, O; Moreira, MR; Sucena, LFM. Grupos Focais e Pesquisa Social Qualitativa: o debate orientado como técnica de investigação. Trabalho apresentado no XIII Encontro da Associação Brasileira de Estudos Populacionais, realizado em Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil de 4 a 8 de novembro de 2002.
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