1.º Seminário IAS/IFRS
Luanda, 9 de Setembro de 2015
DEPARTAMENTO DE REGULAÇÃO
E ORGANIZAÇÃO DO SISTEMA
FINANCEIRO
DEPARTAMENTO DE SUPERVISÃO
PRUDENCIAL
001
Índice
•
Enquadramento
•
IFRS 1 - Adopção pela primeira vez das IFRS
•
Método da taxa de juro efectiva
•
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
Enquadramento
O Banco Nacional de Angola (doravante “BNA”) está a promover, desde Outubro de 2013, o processo de adopção
plena das Normas Internacionais de Contabilidade e de Relato Financeiro (doravante “IAS/IFRS”)
pelo sector bancário nacional.
002
Como passo prévio, procedeu-se ao levantamento das matérias mais relevantes para a actividade bancária (i) nas quais se verificava uma maior divergência entre a actual versão do CONTIF e as IAS/IFRS, ou (ii) cujo ritmo de
crescimento leve a que tais matérias estejam a assumir uma importância crescente.
O processo de adopção plena das IAS/IFRS implica a revisão dos actuais normativos, incluindo a revisão do
CONTIF e a emissão de Guias de Implementação Prática (“GIP”), sob a forma de Instrutivo, para as matérias alvo
de convergência. Estes normativos foram sujeitos a consulta pública e encontram-se disponíveis no sítio de internet
003
Desenvolver, tendo em conta o interesse público, um conjunto único de normas de relato financeiro de
elevada qualidade, compreensíveis, passíveis de ser implementadas/executadas e globalmente aceites, baseadas
em princípios claramente definidos;
Promover o uso e a aplicação rigorosa daquelas normas;
Tomar em consideração as necessidades de entidades de diferentes dimensões e tipologias, em ambientes económicos diversos; e
Promover e facilitar a adopção das IAS/IFRS, através da convergência das normas contabilísticas locais e
das IAS/IFRS.
As IAS/IFRS são emitidas pelo IASB, que tem como principais objectivos:
O IASB não dispõe de poder legislativo para exigir a adopção das IAS/IFRS, sendo necessário requerer a utilização
dos normativos contabilísticos emitidos pelo IASB através de legislação específica ou de decisões tomadas por
agentes reguladores de cada jurisdição.
Normativos IAS SIC IFRS IFRIC Definição Normas internacionais de contabilidade e de relato financeiro Interpretações às normas internacionais de contabilidade e de relato financeiro Órgão emissor IASC - International Accounting Standards Committee SIC - Standing Interpretations Committee IASB - International Accounting Standard Board IFRS Interpretations Committee Horizonte temporal 1973 até 2001 1997 até 2001 2001 até à data 2001 até à data
004
Apresentam-se de seguida os tipos de normativos existentes, conjuntamente com a indicação do órgão emissor e do respectivo horizonte temporal1:
1 Quando da criação do IASB em 2001, foi estabelecido que as novas normas a serem publicadas posteriormente teriam a
designação de “IFRS”. De igual forma, as novas interpretações passaram a ter a designação de “IFRIC”.
005
IAS 1
Apresentação de demons. financeirasIAS 10
Acontecimen. após a data do balançoIAS 12
Impostos sobre o rendimentoIAS 16
Activos tangíveisIAS 17
LocaçõesIAS 18
RéditoIAS 36
Imparidade de activosIAS 24
Divulgações de partes relacionadasIAS 28
Investimentos em associadas e empreend. conjuntosIAS 32
Instrumentos financeiros: ApresentaçãoIAS 34
Relato financeiro intercalarIAS 37
Provisões, passivos e activos contingentesIAS 40
Propriedades de investimentoIFRS 1
Adopção pela primeira vez das IFRSIFRS 3
Concentra-ções de actividades empresariaisIFRS 4
Contratos de seguroIFRS 5
Activos não correntes detidos para vendaIFRS 7
Instrumentos financeiros: DivulgaçõesIFRS 8
Segmentos operacionaisIFRS 13
Mensuração pelo justo valorIFRS 10
Demons. financeiras consolidadasIAS 38
Activos intangíveisIAS 21
Efeitos de alterações em taxas de câmbioIFRS 2
Pagamento com base em acções Apesar de existirem múltiplos impactos decorrentes da adopção das IAS/IFRS no sistema financeiro nacional, importa destacar as normas que se antecipa virem a ter uma maior relevância:
IAS 8
Políticas contabilíst., alterações nas estimativas e errosIAS 7
Demons. de fluxos de caixaIAS 27
Demons. financeiras separadasIAS 19
Benefícios dos empregadosIAS 39
1 Instrumentos financeiros: Reconheci-mento e mensuraçãoEnquadramento
1 Esta norma será substituída pela IFRS 9 – Instrumentos financeiros,
O BNA não irá emitir quaisquer normas que possam alterar de alguma forma as IAS/IFRS desenvolvidas e aprovadas pelo IASB (International Accounting Standards Board ) e as interpretações desenvolvidas pelo IFRS
Interpretations Committee e emitidas igualmente pelo IASB.
A identificação das normas/áreas de maior relevância resultou na elaboração de GIP para as seguintes matérias:
Estas matérias serão abordadas nas próximas páginas da presente Apresentação.
Enquadramento
006
Adopção pela primeira vez das IFRS
Títulos e valores mobiliários
Método da taxa efectiva Perdas por imparidade do crédito Divulgações de instrumentos financeiros Benefícios dos empregados Locações Legenda:
Enquadramento
A conversão para as IAS/IFRS não se resume a um mero exercício de cálculo e redenominação das demonstrações financeiras e aplicação de um novo plano de contas.
A adopção plena das IAS/IFRS acarreta alterações profundas em vários domínios:
007
Sistemas
de
informação
Fiscalidade
Procedimentos
e actividades
de controlo
Formação dos
colaboradores
Enquadramento
008
A adopção plena das IAS/IFRS pelo sector bancário irá permitir que Angola esteja no grupo de países que exigem ou permitem a
aplicação das IAS/IFRS
Legenda: Países que exigem ou permitem a aplicação das IAS/IFRS
Países em convergência com o IASB ou a iniciar a adopção das IAS/IFRS
Países que não se encontram em processo de convergência para as IAS/IFRS
Fonte: Sítio da IFRS Foundation e do IASB
(www.ifrs.org/Documents/Qassimhandout.pdf), actualizado com a informação retirada do sítio do IAS Plus (http://www.iasplus.com/en/jurisdictions), com referência a Dezembro de 2013, e a publicação do perfil de Angola em Setembro de 2014.
Em Setembro de 2014, a IFRS Foundation publicou no seu sítio o perfil de Angola no que concerne à adopção das IAS/IFRS, o qual foi entretanto actualizado no início do presente mês. A publicação do perfil de Angola trata-se de um marco relevante no processo de reconhecimento
009
Índice
•
Enquadramento
•
IFRS 1 - Adopção pela primeira vez das IFRS
•
Método da taxa de juro efectiva
•
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
IFRS 1 - Adopção pela primeira vez das IFRS
Âmbito da norma
A IFRS 1 estabelece as regras para a preparação das primeiras demonstrações financeiras de uma entidade de acordo
com as IAS/IFRS, particularmente no que diz respeito à transição das políticas contabilísticas anteriormente aplicadas.
A IFRS 1 deve ser aplicada nas primeiras demonstrações financeiras de acordo com as IAS/IFRS, devendo a entidade emitir uma declaração explícita e sem reservas de que as mesmas cumprem com os requisitos das normas.
Deve ser divulgada informação financeira pró-forma reportada a 1 de Janeiro e a 31 de Dezembro do ano N-1:
Assumindo que as primeiras demonstrações financeiras de acordo com as IAS/IFRS reportam ao exercício de 2016, teríamos:
Balanço de abertura de acordo com as IFRS (pró-forma)
Demonstrações financeiras para o exercício findo em 31 de Dezembro de N-1 (pró-forma)
Data de relato das primeiras demonstrações financeiras anuais de acordo com as IFRS
Preparação de demonstrações financeiras de acordo com as IAS/IFRS
Apresentação de comparativos
01.01.N-1 31.12.N-1 31.12.N
010
Preparação de demonstrações financeiras de acordo com as IAS/IFRS
Apresentação de comparativos 01.01.2015 (Pró-forma) 31.12.2015 (Pró-forma) 31.12.2016 Exemplo
IFRS 1 - Adopção pela primeira vez das IFRS
Âmbito da norma
011
As primeiras demonstrações financeiras de acordo com as IAS/IFRS devem incluir, no mínimo:
Os relatos financeiros intercalares referentes a uma parte do período abrangido pelas primeiras demonstrações financeiras de acordo com as IAS/IFRS podem ser elaborados de acordo com: (i) as IAS/IFRS ou (ii) o normativo contabilístico em vigor.
Notas relacionadas, incluindo informação comparativa para todos os elementos apresentados. Duas demonstrações dos fluxos de caixa.
Duas demonstrações de alterações nos capitais próprios.
Duas demonstrações dos resultados e do outro rendimento integral. Duas demonstrações dos resultados.
IFRS 1 - Adopção pela primeira vez das IFRS
Âmbito da norma
Os ajustamentos resultantes da transição do normativo contabilístico anteriormente em vigor para as IAS/IFRS devem ser reconhecidos nos resultados transitados ou, se apropriado, noutra categoria de capital próprio na data de
transição para as IAS/IFRS. A título de exemplo, os ajustamentos de transição podem ser apresentados de acordo com o seguinte modelo:
As reconciliações exigidas devem incluir uma descrição suficientemente detalhada dos ajustamentos efectuados pelas instituições.
A aplicação retrospectiva apresenta um conjunto de excepções obrigatórias e facultativas. As estimativas constituem uma das excepções obrigatórias previstas pela IFRS 1:
As estimativas efectuadas pela entidade de acordo com as IAS/IFRS na data de transição não devem utilizar
informação que não estivesse disponível quando da realização das estimativas subjacentes às Demonstrações
Financeiras elaboradas de acordo os Princípios Contabilísticos Geralmente Aceites (“PCGA”) anteriores.
012
Capitais próprios 31/12/n-1 01/01/n-1
Saldos de acordo com os PCGA anteriores - -
-Ajustamento 1 a)
Ajustamento 2 b)
Ajustamento 3 c)
Ajustamento n n)
Total dos ajustamentos - -
-Saldos de acordo com as IAS/IFRS - -
-Notas
Resultado líquido do exercício n-1
013
IFRS 1 - Adopção pela primeira vez das IFRS
Aplicação prática
Divulgação dos ajustamentos decorrentes da adopção plena das IAS/IFRS:
AJ UST AM ENT O S DE T RAN SIÇÃO Exemplo prático
Seguidamente apresentamos um exemplo de ajustamento resultante da transição do normativo contabilístico anteriormente em vigor para as IAS/IFRS, considerando que o Banco ABC adoptou as IAS/IFRS em 2016:
31/12/2015 01/01/2015 200.000 1.000.000 180.000 800.000 Provisões Capitais próprios Resultados transitados Resultado líquido em 2015 PCGA anteriores 175.000 75.000 100.000 n.a. 31/12/2015 01/01/2015 200.000 250.000 180.000 225.000 Provisões (PCGA) Imparidade (IAS/IFRS) Diferença
Adopção das IAS/IFRS
50.000 45.000
014
IFRS 1 - Adopção pela primeira vez das IFRS
Aplicação prática
Divulgação dos ajustamentos decorrentes da adopção plena das IAS/IFRS:
AJ UST AM ENT O S DE T RAN SIÇÃO Capitais próprios 31-12-2015 01-01-2015
Saldos de acordo com os PCGA anteriores 1.000.000 800.000 100.000
Imparidade do crédito (50.000) (45.000) (5.000)
Total dos ajustamentos (50.000) (45.000) (5.000) Saldos de acordo com as IAS/IFRS 950.000 755.000 95.000 Resultado líquido do exercício 2015 (Valores expressos em milhares de kwanzas) Exemplo prático
015
IFRS 1 - Adopção pela primeira vez das IFRS
Aplicação prática
AJ UST AM ENT O S DE T RAN SIÇÃO(Valores expressos em milhares de kwanzas) Registos contabilísticos do ajustamento de transição nas demonstrações financeiras pró-forma em
01.01.2015 Exemplo prático Resultados transitados Si 75.000 Ajust. 45.000 1 30.000 Sf
Imparidade para crédito
Si 180.000 Ajust. 45.000 225.000 1 Sf Capitais próprios 31-12-2015 01-01-2015
Saldos de acordo com os PCGA anteriores 1.000.000 800.000 100.000
Imparidade do crédito (50.000) (45.000) (5.000)
Total dos ajustamentos (50.000) (45.000) (5.000) Saldos de acordo com as IAS/IFRS 950.000 755.000 95.000 Resultado
líquido do exercício
2015
IFRS 1 - Adopção pela primeira vez das IFRS
Aplicação prática
No âmbito do processo de adopção plena das IAS/IFRS, foram disponibilizados às instituições os modelos de cada
demonstração financeira em base individual e em base consolidada, nomeadamente:
• De seguida, apresentamos os modelos
das demonstrações financeiras em base consolidada respeitantes ao Balanço e à Demonstração dos resultados e do outro rendimento integral. Balanço Demonstração dos resultados Demonstração dos resultados e do outro rendimento integral Demonstração de alterações nos capitais próprios Demonstração dos fluxos de
caixa demonstrações Modelos de financeiras
IAS/IFRS
Esta demonstração financeira não é aplicável na versão actual do CONTIF
IFRS 1 - Adopção pela primeira vez das IFRS
Aplicação prática
Três balanços, incluindo o balanço de abertura de acordo com as IFRS (1/3):
BAL ANÇO DE M ONS T RA ÇÃ O DE A L T E RA ÇÕE S NOS CA P IT A IS P RÓP RI OS D E M ON S TR A Ç Ã O D OS R E S U L TA D OS DE M ONS T RA ÇÃ O DOS RE S ULT A DOS E DO OUT RO RE ND IM E NT O INT E GRA L
Caixa e disponibilidades em bancos centrais Disponibilidades em outras instituições de crédito
Aplicações em bancos centrais e em outras instituições de crédito Activos financeiros ao justo valor através de resultados
Activos financeiros disponíveis para venda Investimentos detidos até à maturidade Derivados de cobertura
Crédito a clientes
Activos não correntes detidos para venda Propriedades de investimento
Outros activos tangíveis Activos intangíveis
Investimentos em associadas e empreendimentos conjuntos Activos por impostos correntes
Activos por impostos diferidos
Provisões técnicas de resseguro cedido Outros activos Total do activo - - -Activo Notas 31/12/n 31/12/n-1 (Pró-forma) 01/01/n-1 (Pró-forma) DE M ONS T RA ÇÃ O DOS F L UX OS DE CA IX A
017
IFRS 1 - Adopção pela primeira vez das IFRS
Aplicação prática
BAL ANÇO D E M ON S TR A Ç Ã O D OS R E S U L TA D OS DE M ONS T RA ÇÃ O DOS RE S ULT A DOS E DO OUT RO RE ND IM E NT O INT E GRA LTrês balanços, incluindo o balanço de abertura de acordo com as IFRS (2/3):
Recursos de bancos centrais e de outras instituições de crédito Recursos de clientes e outros empréstimos
Responsabilidades representadas por títulos
Passivos financeiros ao justo valor através de resultados Derivados de cobertura
Passivos financeiros associados a activos transferidos Passivos não correntes detidos para venda
Provisões
Provisões técnicas
Passivos por impostos correntes Passivos por impostos diferidos Passivos subordinados Outros passivos Total do passivo - - -01/01/n-1 (Pró-forma) Passivo Notas 31/12/n 31/12/n-1 (Pró-forma) DE M ONS T RA ÇÃ O DE A L T E RA ÇÕE S NOS CA P IT A IS P RÓP RI OS DE M ONS T RA ÇÃ O DOS F L UX OS DE CA IX A
018
IFRS 1 - Adopção pela primeira vez das IFRS
Aplicação prática
BAL ANÇO D E M ON S TR A Ç Ã O D OS R E S U L TA D OS DE M ONS T RA ÇÃ O DOS RE S ULT A DOS E DO OUT RO RE ND IM E NT O INT E GRA LTrês balanços, incluindo o balanço de abertura de acordo com as IFRS (3/3):
Capital Social
Prémios de emissão Acções próprias
Outros instrumentos de capital Reservas de reavaliação
Outras reservas e resultados transitados Dividendos antecipados
Resultado líquido consolidado do exercício atribuível aos accionistas do Banco Capital próprio atribuível aos accionistas do Banco
Interesses que não controlam
Total do capital próprio - -
-Total do passivo e do capital próprio - -
-Capital próprio Notas 31/12/n 31/12/n-1
(Pró-forma) 01/01/n-1 (Pró-forma) DE M ONS T RA ÇÃ O DE A L T E RA ÇÕE S NOS CA P IT A IS P RÓP RI OS DE M ONS T RA ÇÃ O DOS F L UX OS DE CA IX A
019
Duas demonstrações dos resultados e do outro rendimento integral:
IFRS 1 - Adopção pela primeira vez das IFRS
Aplicação prática
BAL ANÇO D E M ON S TR A Ç Ã O D OS R E S U L TA D OS DE M ONS T RA ÇÃ O DOS RE S ULT A DOS E DO OUT RO RE ND IM E NT O INT E GRA L DE M ONS T RA ÇÃ O DE A L T E RA ÇÕE S NOS CA P IT A IS P RÓP RI OS1 As situações identificadas não constituem uma lista exaustiva.
DE M ONS T RA ÇÃ O DOS F L UX OS DE CA IX A
020
31/12/n 31/12/n-1 (Pró-forma) Atribuíveis a Atribuíveis a Notas Accionistas do Banco Interesses que não controlam Accionistas do Banco Interesses que não controlam TotalResultado líquido consolidado do exercício - - - -
-Outro rendimento integral
Itens que não serão reclassificados subsequentemente para resultados do exercício:1
Desvios actuariais e financeiros relativos a planos de pensões de
benefício definido: - - - -
-Valor bruto Impacto fiscal
- - - -
-Itens que serão reclassificados subsequentemente para resultados do exercício:1
Activos financeiros disponíveis para venda: - - - -
-Variações no justo valor
Transferência para resultados por alienação
Transferência para resultados por imparidade reconhecida no período Impacto fiscal
- - - -
-Resultado não incluído na demonstração dos resultados - - - -
-Rendimento integral consolidado do exercício - - - -
-Total
Nova demonstração
021
Índice
•
Enquadramento
•
IFRS 1 - Adopção pela primeira vez das IFRS
•
Método da taxa de juro efectiva
•
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
022
A taxa de juro efectiva corresponde à taxa de desconto que iguala o valor líquido de um determinado instrumento
financeiro ao valor actual dos seus fluxos de caixa futuros estimados.
A taxa de juro efectiva é calculada de acordo com a seguinte fórmula:
No cálculo do método da taxa de juro efectiva, é necessário: (1 + TJE)1
FC1
+
(1 + TJE)2 + (1 + TJE)3 + + (1 + TJE)n
FC2 FC3
… FCn
FC0 =
Legenda:
FC - Fluxo de caixa atribuível a cada período TJE - Taxa de juro efectiva
Método da taxa de juro efectiva
Âmbito de aplicação e definições
Estimar os fluxos de caixa considerando a totalidade das condições contratuais do instrumento financeiro, mas sem ter em consideração perdas de crédito futuras que não foram incorridas. Incluir todas as comissões que são parte integrante da taxa de juro efectiva, custos de transacção e todos os outros prémios ou descontos enquadráveis na taxa de juro efectiva.
023
O método da taxa de juro efectiva deve ser aplicado aos seguintes instrumentos financeiros: Empréstimos concedidos e contas a receber;
Investimentos detidos até à maturidade;
Activos financeiros disponíveis para venda, no que se refere aos rendimentos e/ou gastos a título de juros ou similares;
Todos os passivos financeiros que não sejam:
• passivos financeiros ao justo valor através de resultados; • Outras situações pontuais previstas na IAS 39.
Método da taxa de juro efectiva
024
Rendimentos e gastos a considerar no cálculo da taxa de juro efectiva de um instrumento financeiro
O reconhecimento de rendimentos e gastos de instrumentos financeiros
depende da finalidade/ objectivo subjacente a esses rendimentos e gastos e da base
de contabilização do instrumento financeiro em
causa.
Os rendimentos e gastos referidos ao lado devem ser considerados no cálculo da taxa
de juro efectiva de um instrumento financeiro.
Comissões recebidas relativas à aquisição ou criação de
um activo financeiro que não seja classificado ao justo
valor através de resultados, de acordo com a IAS 39 (ex.:
comissões de dossier/ abertura de crédito e de montagem de operações).
1
Comissões recebidas pelo compromisso de originar uma operação de crédito (caso seja provável que ocorra aquela
operação de crédito).
2
Comissões recebidas/pagas na emissão de passivos financeiros mensurados ao custo amortizado.
3
Comissões recebidas pela concessão de crédito a uma taxa de juro inferior à taxa de juro observada no mercado.
4
Método da taxa de juro efectiva
025
Comissões recebidas associadas a serviços prestados
(As comissões são reconhecidas como proveito à medida que os serviços são prestados)
Comissões associadas à execução de um acto significativo
(As comissões são reconhecidas como proveito quando o acto significativo tiver sido concluído)
Comissões pelo compromisso de originar uma facilidade de crédito (caso não seja provável que
ocorra aquela originação).
Comissões pela gestão de investimentos.
Comissão sobre a atribuição de acções a um cliente.
Comissões de montagem de um financiamento entre um mutuário e um investidor (em que a entidade não assuma o papel de mutuário e/ou de
investidor).
Comissões de sindicação de um financiamento.
Rendimentos e gastos a não considerar no cálculo da taxa de juro efectiva de um instrumento financeiro
Método da taxa de juro efectiva
A aplicação prática do método da taxa de juro efectiva apresenta um conjunto de desafios, de entre os quais se destacam:
Principais
desafios
Recolha de informação histórica sobre comissões recebidas e/ou pagas e análise da
fiabilidade dos dados recolhidos.
1
Associação das comissões recebidas e/ou pagas às operações a que respeitam. 2
Realização de desenvolvimentos necessários nos sistemas de informação. 3
Método da taxa de juro efectiva
Principais desafios
Seguidamente apresentamos um exemplo de uma obrigação emitida a desconto e de taxa fixa: • Investimento inicial = 74.000.000 AOA
• Reembolso = 75.000.000 AOA • Data de aquisição: 31-12-2014 • Data de reembolso: 31-12-2019
• Taxa do cupão: 1%
• Periodicidade de pagamento de cupão: anual • Pagamento do cupão: postecipado
Método da taxa de juro efectiva
Aplicação prática
027
TJE = 1,28% (1 + TJE) 1 750.000 + 750.000 (1 + TJE) 2 (1 + TJE) 3 750.000 + 750.000 (1 + TJE) 4 + 75.750.000 (1 + TJE) 5 + 74.000.000 = (1 + TJE)1 FC1 +(1 + TJE)2 + (1 + TJE)3 + (1 + TJE)n
+
FC2 FC3
… FCn
FC0 =
Legenda:
FC - Fluxo de caixa atribuível a cada período TJE - Taxa de juro efectiva
Conforme referido anteriormente, taxa de juro efectiva é calculada de acordo com a seguinte fórmula:
Com base nos dados disponibilizados anteriormente efectuam-se os seguintes cálculos:
Método da taxa de juro efectiva
Aplicação prática
028
Datas Valor nominal Taxa do cupão Fluxos de caixa Custo amortizado no final do período (a)Proveitos reconhecidos (b) = (a) x (TJE) Variação no custo amortizado(1) 31-12-2014 75.000.000 - (74.000.000) 74.000.000 - - 31-12-2015 75.000.000 1,00% 750.000 74.194.957 944.957 194.957 31-12-2016 75.000.000 1,00% 750.000 74.392.403 947.446 197.446 31-12-2017 75.000.000 1,00% 750.000 74.592.371 949.968 199.968 31-12-2018 75.000.000 1,00% 750.000 74.794.893 952.521 202.521 31-12-2019 75.000.000 1,00% 75.750.000 - 955.107 205.107
(1) Decorrente do reconhecimento gradual do prémio/(desconto).
Seguidamente apresentamos um exemplo de uma obrigação de taxa variável adquirida a desconto:
Com base nos dados disponibilizados:
Datas Valor nominal Taxa de juro Fluxos de caixa Custo amortizado no final do período (a) Proveitos reconhecidos (b) = (a) x (TJE) Variação no custo amortizado(1) 31-12-2014 90.000.000 - (88.000.000) 88.000.000 - - 31-12-2015 90.000.000 10,00% 9.000.000 88.255.847 9.255.847 255.847 31-12-2016 90.000.000 10,00% 9.000.000 88.538.605 9.282.757 282.757 31-12-2017 90.000.000 10,00% 9.000.000 88.851.103 9.312.498 312.498 31-12-2018 90.000.000 10,00% 9.000.000 89.196.469 9.345.366 345.366 31-12-2019 90.000.000 10,00% 9.000.000 89.578.161 9.381.692 381.692 31-12-2020 90.000.000 10,00% 99.000.000 - 9.421.839 421.839
• Investimento inicial = 88.000.000 AOA • Valor nominal = 90.000.000 AOA • Data de aquisição: 31-12-2014 • Data de reembolso: 31-12-2020
• Taxa de juro: 10% (Luibor + spread)
• Periodicidade de pagamento de cupão: anual • Pagamento do cupão: postecipado
Método da taxa de juro efectiva
Aplicação prática
029
TJE = 10,52%
(1) Decorrente do reconhecimento gradual do prémio/(desconto).
Em 31 de Dezembro de 2015, a Luibor aumenta e a taxa de juro do instrumento em causa passa para 11,75%. Face à mudança na taxa de referência, de acordo com a IAS 39, existe a necessidade de re-estimar os fluxos de caixa.
Face à mudança ocorrida assiste-se então ao aumento da taxa de juro efectiva para o valor de 12,29%.
Datas Valor Nominal Taxa de Juro Fluxos de caixa Custo amortizado no final do período (a) Proveitos reconhecidos (b) = (a) x (TJE) Variação no custo amortizado(1) 31-12-2015 90.000.000 - - 88.255.847 - - 31-12-2016 90.000.000 11,75% 10.575.000 88.528.809 10.847.961 272.961 31-12-2017 90.000.000 11,75% 10.575.000 88.835.321 10.881.512 306.512 31-12-2018 90.000.000 11,75% 10.575.000 89.179.508 10.919.187 344.187 31-12-2019 90.000.000 11,75% 10.575.000 89.566.001 10.961.493 386.493 31-12-2020 90.000.000 11,75% 100.575.000 - 11.008.999 433.999
Método da taxa de juro efectiva
Aplicação prática
030
(1) Decorrente do reconhecimento gradual do prémio/(desconto).
Seguidamente apresentamos um exemplo de uma operação de crédito de taxa fixa, com reembolso de capital no vencimento e comissão de abertura de 1,5%:
Com base nos dados disponibilizados efectuam-se os seguintes cálculos:
TJE = 14,63% Datas Comissão de abertura Fluxos de caixa Capital em dívida Juros do Período Capital amortizado Custo amortizado no final do exercício (a) Proveitos reconhecidos (b) = (a) x (TJE) Reconheci-mento da comissão de abertura 31-12-2014 150.000 (9.850.000) 10.000.000 - - 9.850.000 - - 31-12-2015 - 2.912.835 8.487.165 1.400.000 1.512.835 8.378.400 1.441.235 41.235 31-12-2016 - 2.912.835 6.762.532 1.188.203 1.724.632 6.691.478 1.225.913 37.710 31-12-2017 - 2.912.835 4.796.451 946.754 1.966.081 4.757.728 979.086 32.331 31-12-2018 - 2.912.835 2.555.119 671.503 2.241.332 2.541.035 696.143 24.640 31-12-2019 - 2.912.835 0 357.717 2.555.119 - 371.800 14.083
Método da taxa de juro efectiva
Aplicação prática
031
• Empréstimo concedido = 10.000.000 AOA • Data de concessão: 31-12-2014
• Data de vencimento: 31-12-2019 • Taxa de juro nominal: 14%
• Periodicidade de pagamento de prestações de capital e juros:
anual
Departamento de Regulação e Organização do Sistema Financeiro e Departamento de Supervisão Prudencial – 1.º Seminário IAS/IFRS
Seguidamente apresentamos os diversos cenários para o reconhecimento em resultados do exercício da comissão
referente ao exemplo apresentado na página anterior:
Com base nos dados disponibilizados teremos:
Método da taxa de juro efectiva
Aplicação prática
032
0 10 20 30 40 50 60 0 1 2 3 4 5 Anos E m m il h ar es d e K w an zas … 150Reconhecimento imediato no momento inicial Reconhecimento gradual linear Reconhecimento gradual pelo método da taxa de juro efectiva
Reconhecimento gradual pelo método da taxa de juro efectiva Reconhecimento gradual linear
Índice
•
Enquadramento
•
IFRS 1 - Adopção pela primeira vez das IFRS
•
Método da taxa de juro efectiva
•
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
•
Considerações finais
A IAS 39 define que em cada data de reporte financeiro deve-se avaliar a existência de evidência objectiva de que
um activo financeiro (ou um grupo de activos financeiros) está em imparidade.
No âmbito do apuramento de perdas por imparidade, a IAS 39 define que as perdas por imparidade devem:
Relativamente aos activos financeiros registados ao custo amortizado, nos quais está incluído o crédito a clientes, temos que:
Imparidade Valor de Balanço Valor actual dos fluxos de caixa futuros estimados
(descontados à taxa de juro efectiva do activo)
ser reconhecidas quando incorridas1;
ser consideradas como ocorridas se e só se existe evidência objectiva de imparidade como resultado
de um ou mais eventos que ocorreram após o reconhecimento inicial do activo; e
ter um impacto nos fluxos de caixa futuros esperados do activo, possível de ser estimado de forma fiável.
1 A IAS 39 tem subjacente que a imparidade deve ser estimada através de um modelo de perda incorrida. A IFRS 9 (norma que irá substituir a IAS 39) baseia o apuramento de perdas por imparidade no conceito de perda esperada. A IFRS 9 será de
aplicação obrigatória a partir de 1 de Janeiro de 2018.
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
Âmbito da norma
De acordo com a IAS 39, a aferição de evidência objectiva de imparidade deverá ser efectuada:
Se um activo analisado individualmente não apresentar indícios objectivos de imparidade, é incluído num grupo de activos com características de risco similares para efeitos de realização de uma análise
colectiva.
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
Âmbito da norma
Individualmente, para activos financeiros significativos; e
Individual ou colectivamente, para activos financeiros que não são individualmente significativos.
Os indícios objectivos de que um activo financeiro ou grupo de activos financeiros está em imparidade incluem dados observáveis com que o detentor daquele activo ou grupo de activos se depara, e de que constituem exemplos:
Indícios de imparidade Dificuldades financeiras significativas do devedor;
Incumprimento no pagamento de capital ou juros;
Dificuldades financeiras do devedor que resultam em condições de financiamento ao mesmo que de
outra forma não seriam oferecidas;
Probabilidade de o mutuário entrar em processo de insolvência ou reorganização financeira;
Desaparecimento de um mercado activo para o activo financeiro devido a dificuldades financeiras
do emitente; e
Dados observáveis indicando que há uma redução mensurável nos fluxos de caixa futuros esperados de um grupo de activos financeiros, incluindo:
a) Alterações adversas na capacidade de pagamento dos devedores incluídos no grupo; ou b) Condições económicas nacionais ou locais que se correlacionam com os incumprimentos
relativos aos activos do grupo.
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
Indícios de imparidade
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
Processo de apuramento de perdas por imparidade
O processo de apuramento de perdas por imparidade por análise individual e por análise colectiva pode ser sintetizado da seguinte forma: Montante total de perdas por imparidade A ná li se indi v idua l Realização de ficha de análise individual para cada cliente/ contrato Cálculo de imparidade em base individual Segmentação da carteira de crédito A ná li se co lecti v a Consideração da experiência de perdas históricas Cálculo de imparidade em base colectiva
037
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
Análise colectiva
A IAS 39 evidencia critérios que podem ser tidos em consideração no processo de determinação de grupos
homogéneos de risco da carteira de crédito (segmentação):
A norma define ainda várias indicações sobre o processo de análise colectiva, nomeadamente: Tipologias dos produtos Comportamento actual e passado das operações Classificação interna de risco de crédito Tipo de contraparte Localização geográfica Tipo de garantia prestada Dias de atraso no pagamento das responsabilidades IAS 39 Análise colectiva
O valor dos fluxos de caixa futuros estimados deve ser baseado em informação histórica
sobre a perda incorrida em activos com características de risco de crédito semelhantes. 1
As entidades que não dispõem de dados históricos de perda devem utilizar dados de
entidades equiparáveis para grupos de activos financeiros comparáveis. 2
A experiência de perdas históricas deve ser ajustada às condições actuais (“point-in-time”).
3
A metodologia e pressupostos utilizados para estimar fluxos de caixa futuros devem ser revistos regularmente.
4
Existência de créditos reestruturados
A aplicação prática das metodologias de perdas por imparidade apresenta um conjunto de desafios, de entre os quais se destacam:
Principais
desafios
Identificação e marcação dos créditos reestruturados por dificuldades financeiras
dos clientes.
1
Recolha de informação histórica sobre o comportamento das carteiras de crédito e análise da fiabilidade dos dados recolhidos.
2
Sistematização dos colaterais recebidos e sua correcta valorização. 3
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
Principais desafios
Realização de desenvolvimentos necessários nos sistemas de informação. 4
039
Recolha de informação mais completa e sistematizada sobre os clientes e o seu comportamento perante a instituição.
O exemplo seguinte pretende ilustrar o cálculo de perdas por imparidade em base individual para um determinado empréstimo:
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
Aplicação prática – Apuramento de perdas por imparidade em base individual
O cliente não cumpre com as suas obrigações
creditícias desde Junho de 2014.
Condições da operação:
(Valores expressos em Kwanzas)
040
Valor do crédito contratado 100.000.000
Exposição a 31-12-2014 86.000.222
Taxa de juro nominal 13,5%
Data de início 01-01-2014
Data de reembolso 01-12-2016
Garantias prestadas:
• 1.ª Hipoteca sobre imóvel
situado na Samba 51.000.000
Taxa de juro efectiva 14,42%
Notas adicionais:
• Recuperação do crédito baseada apenas na execução de garantias prestadas;
• De acordo com o relatório de avaliação de
Novembro de 2014, o valor de mercado do imóvel é de 51.000.000 AOA (deduzido de custos de venda); e
Cálculo da imparidade :
Fluxos de caixa futuros estimados1 Factor de actualização 1 (1+TJE) Valor recuperável 51.000.000 92,47% 47.161.640 Hipoteca
Onde n se refere ao período temporal entre a data de reporte e o momento em que é expectável a recuperação (em anos).
1 Referente à execução da garantia prestada (1.ª Hipoteca de imóvel situado na Samba). Os fluxos de caixa futuros estimados constituem a melhor expectativa de realização do valor do activo em causa.
041
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
Aplicação prática – Apuramento de perdas por imparidade em base individual
Imparidade por análise individual = Valor de balanço – Valor recuperável
Com base nas características descritas no exemplo anterior, de seguida procede-se ao cálculo das provisões que deveriam ser constituídas, de acordo com o estabelecido no Instrutivo n.º 9/2015, de 4 de Junho:
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
Aplicação prática – Provisões Vs Imparidade
O cliente não cumpre com as suas obrigações
creditícias desde Junho de 2014.
Condições da operação:
(Valores expressos em Kwanzas)
042
Valor do crédito contratado 100.000.000
Exposição a 31-12-2014 86.000.222
Taxa de juro nominal 13,5%
Data de início 01-01-2014
Data de reembolso 01-12-2016
Garantias prestadas:
• 1.ª Hipoteca sobre imóvel
situado na Samba 51.000.000
Taxa de juro efectiva 14,42%
Atraso superior a 180 dias – Risco de Nível G
Dependendo do atraso verificado no cumprimento das responsabilidades associadas ao empréstimo tomado como
exemplo, os níveis de provisionamento de acordo com o Instrutivo n.º 9/2015, de 4 de Junho, e a respectiva comparação com as perdas por imparidade anteriormente calculadas seriam conforme se apresenta de seguida:
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
Aplicação prática – Provisões Vs Imparidade
043
Data de entrada em atraso Classificação da posição em risco Taxa de provisionamento Provisões a constituir Perdas por imparidade Diferencial apurado 30-06-2014 31-07-2014 30-09-2014 Nível G Nível F Nível E 100% 60% 30% 86.000.222 51.600.133 25.800.067 38.838.582 47.161.640 12.761.551 -13.038.515Para efeitos ilustrativos, foi assumido que a informação existente de suporte ao apuramento de imparidade é equivalente nos diferentes cenários, resultando por
conseguinte na mesma estimativa de perda por imparidade para a operação de crédito.
O apuramento de perdas por imparidade para cada exposição creditícia pode levar ao apuramento de défices ou
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
Aplicação prática – Apuramento de perdas por imparidade em base colectiva
Enquadramento
O apuramento dos factores de risco que suportam o cálculo de imparidade em base colectiva baseia-se na recolha de informação histórica de comportamento das operações de crédito.
Tipicamente, são apurados dois factores de risco que suportam o cálculo de imparidade:
Perda por imparidade = Exposição × PD × LGD
044
Probabilidade de incumprimento (“PD”)
Perda dado o incumprimento (“LGD”)
Probabilidade de uma operação após a contratação observar o incumprimento
O exemplo seguinte pretende ilustrar o cálculo da probabilidade de incumprimento, tomando por base um período temporal de 12 meses:
Tempo desde o início da operação Operaçao 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 A B C D E F G H
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
Aplicação prática – Apuramento de perdas por imparidade em base colectiva
Factores de risco: Probabilidade de incumprimento
045
Sem Incumprimento Com Incumprimento
A probabilidade de incumprimento apura-se pela proporção de créditos, pertencentes a um determinado segmento, que após a respectiva contratação registam
uma observação em situação de incumprimento.
Neste caso específico, a proporção de créditos, de forma simples, é de 25%.
Total de operações: 8
Total de operações com incumprimento: 2 Probabilidade de incumprimento = = 25% 2
Para o cálculo da LGD, são consideradas todas as recuperações após a data de incumprimento (t0), descontadas para o momento de análise à taxa de juro efectiva do contrato.
O seguinte exemplo ilustra a forma de cálculo da perda dado o incumprimento, assumindo uma conjunto de empréstimos com uma taxa efectiva de 10% e uma exposição global de 1.000 u.m. no momento do incumprimento:
1 2 3 4 5 6 7 8 150 110 90 70 50 50 40 30
Valor recuperável (Valor Actual
Líquido)
N.º meses após o incumprimento Recuperações 1 10% /1.000 42,55% 30 % 10 1 40 % 10 1 50 % 10 1 50 % 10 1 70 % 10 1 90 % 10 1 110 % 10 1 150 1 LGD 12 8 12 7 12 6 12 5 12 4 12 3 12 2 12 1
046
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
Aplicação prática – Apuramento de perdas por imparidade em base colectiva
Factores de risco: Perda dado o incumprimento
Apresentamos de seguida dois exemplos adicionais de cálculo da perda dado o incumprimento:
047
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
Aplicação prática – Apuramento de perdas por imparidade em base colectiva
Factores de risco: Perda dado o incumprimento
Considerando os seguintes pressupostos para a operação A:
Taxa de juro efectiva de 10%;
Montante em dívida de 10.000 AOA; e
Execução de garantia que cobre 95% do montante em dívida, sendo expectável o recebimento deste valor decorridos 5 anos.
A LGD da operação A será igual a:
Considerando os seguintes pressupostos para a operação B:
Taxa de juro efectiva de 12%;
Montante em dívida de 10.000 AOA; e
Recuperação de 2.500 AOA no primeiro ano e de 1.500 AOA no segundo ano. A LGD da operação B será igual a:
𝑳𝑮𝑫 = 𝟏 − 𝟗. 𝟓𝟎𝟎 𝟏 + 𝟏𝟎% 𝟓 𝟏𝟎. 𝟎𝟎𝟎 = 𝟒𝟏, 𝟎% 𝑳𝑮𝑫 = 𝟏 − 𝟐. 𝟓𝟎𝟎 𝟏 + 𝟏𝟐% 𝟏 + 𝟏. 𝟓𝟎𝟎 𝟏 + 𝟏𝟐% 𝟐 𝟏𝟎. 𝟎𝟎𝟎= 𝟔𝟓, 𝟕%
Uma vez apresentada a metodologia de cálculo dos factores de risco, procede-se à apresentação de um exemplo para cálculo de perdas por imparidade em base colectiva. Considerando as seguintes operações:
Operação A:
1.000.000 AOA com reembolso no final de um prazo de cinco anos;
Garantia hipotecária associada.
Operação B:
1.000.000 AOA com reembolso no final de um prazo de cinco anos;
Sem nenhuma garantia associada.
Operação sem incumprimento 𝐼𝑚𝑝𝑎𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 𝐸𝑥𝑝𝑜𝑠𝑖çã𝑜 × 𝑃𝐷 × 𝐿𝐺𝐷 𝐼𝑚𝑝𝑎𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 1.000.000 × 25% × 41% 𝐼𝑚𝑝𝑎𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 102.500 Operação em incumprimento 𝐼𝑚𝑝𝑎𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 𝐸𝑥𝑝𝑜𝑠𝑖çã𝑜 × 𝐿𝐺𝐷 𝐼𝑚𝑝𝑎𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 1.000.000 × 41% 𝐼𝑚𝑝𝑎𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 410.000
PD 12 meses = 25%, LGD oper. com garantia = 41%
Operação sem incumprimento 𝐼𝑚𝑝𝑎𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 𝐸𝑥𝑝𝑜𝑠𝑖çã𝑜 × 𝑃𝐷 × 𝐿𝐺𝐷 𝐼𝑚𝑝𝑎𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 1.000.000 × 25% × 65,7% 𝐼𝑚𝑝𝑎𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 164.250 Operação em incumprimento 𝐼𝑚𝑝𝑎𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 𝐸𝑥𝑝𝑜𝑠𝑖çã𝑜 × 𝐿𝐺𝐷 𝐼𝑚𝑝𝑎𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 1.000.000 × 65,7% 𝐼𝑚𝑝𝑎𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 657.000
PD 12 meses = 25%, LGD oper. sem garantia = 65,7%
% 𝐼𝑚𝑝𝑎𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 10,25%
% 𝐼𝑚𝑝𝑎𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 41%
% 𝐼𝑚𝑝𝑎𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 16,43%
% 𝐼𝑚𝑝𝑎𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 65,7%
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
Aplicação prática – Apuramento de perdas por imparidade em base colectiva
O apuramento da probabilidade de incumprimento deverá atender à evolução histórica do estado de uma determinada operação de crédito (i.e., aos seus comportamentos actual e passado).
Desta forma, poderemos ter, a título exemplificativo, os seguintes cenários:
Nunca teve indícios Já teve indícios Já esteve em incumprimento Comportamento Actual Comportamento Anterior Sem indícios Probabilidade de incumprimento 25% 40% 50% Perda dado o incumprimento 60% Perda por imparidade (%) 15% 24% 30%
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
Aplicação prática – Apuramento de perdas por imparidade em base colectiva
050
Índice
•
Enquadramento
•
IFRS 1 - Adopção pela primeira vez das IFRS
•
Método da taxa de juro efectiva
•
Perdas por imparidade para a carteira de crédito
Considerações finais
051
É essencial que as instituições financeiras bancárias assegurem o cumprimento das datas reportadas nos planos de acção globais para a adopção plena das IAS/IFRS,
remetidos para o BNA.
As instituições financeiras bancárias que cumpram com os critérios definidos pelo BNA deverão proceder à adopção plena das IAS/IFRS a partir de 1 de Janeiro de 2016, devendo as restantes
instituições proceder à adopção plena das IAS/IFRS até 1 de Janeiro de 2017.
O processo de adopção plena constitui um desafio relevante para o sector bancário nacional. Este processo acarretará alterações profundas em vários domínios, nomeadamente (i) normativo
contabilístico e prudencial, (ii) sistemas de informação, (iii) procedimentos e processos, (iv) formação dos quadros bancários e (v) fiscalidade.