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PROJETO DE LEI Nº 148/2009 Deputado(a) Miki Breier

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Academic year: 2021

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PROJETO DE LEI Nº 148/2009 Deputado(a) Miki Breier

Proíbe o uso do fumo e similares, derivados ou não do tabaco, em recinto coletivo fechado em todo o Estado do Rio Grande do Sul.

Art. 1º - É expressamente proibido o uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos, ou de qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, em recinto coletivo fechado, seja público ou privado, em todo o Estado do Rio Grande do Sul.

§1º - Entende-se por recinto coletivo fechado todos os recintos destinados à utilização simultânea de várias pessoas, que compreende, dentre outros: os ambientes de trabalho, de estudo, de cultura, de culto religioso, de lazer, de esporte e de entretenimento, áreas comuns de condomínios, casas de espetáculos, teatros, cinemas, bares, lanchonetes, boates, restaurantes, praças de alimentação, hotéis, pousadas, centros comerciais, bancos e similares, supermercados, açougues, padarias, farmácias e drogarias, repartições públicas, instituições de saúde, escolas, museus, bibliotecas, espaços de feiras e exposições, veículos públicos ou privados de transporte coletivo, bem como viaturas oficiais de qualquer espécie.

§2º - O não cumprimento deste dispositivo acarretará a aplicação de multa de 30 UPFs (Unidade Padrão Fiscal do Estado do Rio Grande do Sul) ao infrator.

§3º - Excluem-se da proibição determinada no § 1º, os ambientes ao ar livre como calçadas, escadas, rampas, pátios, varandas, terraços e similares.

Art. 2º - Nos recintos discriminados no § 1º do Art. 1º é obrigatória a afixação de avisos indicativos da proibição e das sanções aplicáveis em locais de ampla visibilidade.

Parágrafo Único - O não cumprimento deste dispositivo acarretará a aplicação de multa de 30 UPFs (Unidade Padrão Fiscal do Estado do Rio Grande do Sul) ao estabelecimento infrator.

Art. 3º - O proprietário ou responsável pelo estabelecimento ou prédio, deverá zelar pelo cumprimento do disposto nesta lei, recomendando sua observância sempre que for burlado o que nela está disposto.

Art. 4º - Em recintos coletivos fechados fica facultada a criação de áreas para fumantes, devendo ser fisicamente delimitadas e equipadas com soluções técnicas que garantam, plenamente, a exaustão do ar desta área para o ambiente externo.

Parágrafo Único - É facultado ao estabelecimento o comércio de seus produtos e serviços nas áreas restritas a fumantes.

Art. 5º - Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação. Sala das sessões,

Deputado(a) Miki Breier

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Com base em estudos epidemiológicos realizados pela Organização Mundial da Saúde – OMS -, as instituições de saúde pública e governos de diversos países concluíram que pessoas expostas à Fumaça Ambiental do Tabaco (FAT) estariam mais propensas a desenvolver doenças de toda ordem.

Apesar de no Brasil já existir legislação que representa um autêntico avanço na tentativa de desestimular o consumo de cigarro – Lei Federal n°. 9.294, de 15 de julho de 1996, é possível avançar ainda mais na interpretação do texto em vigor com vistas à busca de uma conceituação precisa dos ambientes onde deva ser permitido ou não o uso de produtos fumígenos.

Este refinamento legislativo faz-se necessário uma vez que, em razão da amplitude da definição do que seja área destinada aos fumantes, presente na atual legislação, pode decorrer certo subjetivismo que, além de dificultar a fiscalização, deixa de atender ao objetivo de respeitar interesses e direitos de fumantes, bem como dos estabelecimentos de venda e consumo de produtos fumígenos.

Sob o prisma legislativo e, em razão do propósito acima exposto, este projeto de lei também não possui óbices de natureza constitucional ou legal, uma vez que a matéria nela contida se encontra entre as de competência concorrente da União e dos Estados-Membros, nos termos do art.24, inciso XII da Carta Magna. Também não incidente vício de iniciativa, já que é matéria não inclusa das de prerrogativa exclusiva do Poder Executivo.

A aplicação da interpretação sistemática dos dispositivos e comandos constitucionais reforça, ainda, a viabilidade e adequação do presente projeto de lei, isto porque é permitido aos Estados, no exercício da competência prevista no art. 24, §2º. da Constituição Federal, suplementar as normas gerais editadas e postas pelo legislador federal, sendo esta hipótese o que ocorre no caso presente.

Por meio deste projeto de lei, fica permitida aos estabelecimentos comerciais a destinação de espaço destinado à criação de áreas para fumantes. Não se objetiva estabelecer uma proibição absoluta à prática do tabagismo nem impor restrições maiores que as já estabelecidas, configurando um cenário em perfeita adequação à proposta de divisão de competências dos entes federativos e, ainda, em consonância com as diretrizes já hoje estabelecidas na Lei Federal n°. 9.294, de 15 de julho de 1996.

Nesse sentido, encaminho aos colegas este projeto que objetiva definir as condições físicas e técnicas de observância obrigatória nos locais destinados a fumantes, nos moldes do que ocorre em diversos países – Chile, Áustria, Itália, Portugal, Espanha – e na cidade de Buenos Aires, na Argentina, que tem adotado soluções equilibradas no que se refere aos direitos e interesses de fumantes e de não fumantes.

Tais soluções visam acomodar, ainda, os princípios da livre iniciativa e do empreendedorismo e evitar prejuízos aos setores de lazer e turismo, como hotéis, bares, restaurantes, casas noturnas, entretenimento, tabacarias, charutarias e similares.

Na busca pelo aperfeiçoamento da legislação vigente, levo à consideração desta Assembléia Legislativa, a matéria ora posta, contando com o apoio dos nobres pares para a sua aprovação.

Sala das Sessões,

Deputado(a) Miki Breier

______________________________________________ COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA

PROJETO DE LEI Nº 148/2009 Processo nº 20683.01.00/09-3 Proponente: Deputado(a) Miki Breier

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o Estado do Rio Grande do Sul. Relator(a): Deputado(a) Carlos Gomes Parecer: Favorável, c/Emenda(s).

PARECER DA COMISSÃO Nº128/2009

O Projeto de Lei nº 148/2009, ora em exame, de autoria do nobre Deputado Miki Breier, objetiva proibir o uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos, ou de qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, em recinto coletivo fechado, seja público ou privado, em todo o Estado do Rio Grande do Sul.

O deputado proponente em seu parágrafo 1º do art. 1º enumera vários exemplos de que seja recinto coletivo fechado, como sendo os ambientes de trabalho, de estudo, de cultura, de culto religioso, de lazer, de esporte e de entretenimento, casas de espetáculos, cinemas, hotéis, centros comerciais, entre outros.

Ainda no art. 4º traz a ressalva que em recintos coletivos fechados fica facultada a criação de áreas para fumantes, devendo ser fisicamente delimitadas e equipadas com soluções técnicas que garantam, plenamente, a exaustão do ar desta área para o ambiente externo.

Agora, quanto ao objetivo apresentado no projeto insere-se na competência concorrente dos entes federativos.

O art. 24 da Constituição Federal compreende a competência estadual concorrente não-cumulativa ou suplementar (art. 24, § 2º) e a competência estadual concorrente cumulativa (art. 24, § 3º).

Na primeira hipótese, existente a lei federal de normas gerais (art. 24, § 1º), poderão os Estados e o

Distrito Federal, no uso da competência suplementar, preencher os vazios da lei federal de normas gerais, a fim de afeiçoá-la às peculiaridades locais (art. 24, § 2º).

Nessa esteira, o propósito da Lei federal nº 9.294, de 15 de julho de 1996, entre outros, é o de preservar a saúde, sendo certo o cabimento de legislação estadual ou municipal mais rigorosa, de forma a garantir tal direito.

Cabe, portanto, aos Estados e Municípios, no cumprimento da norma constitucional, complementar a legislação federal, com medidas que busquem ampliar a proteção à saúde, restringindo o fumo, já que o bem jurídico tutelado – a saúde - se sobrepõe em determinados momentos à liberdade de fumar quando ocupam o mesmo ambiente.

No caso de ambientes livres de fumo, respeitado o mínimo previsto na legislação federal, pode o Estado, no exercício da competência concorrente para legislar sobre proteção e defesa da saúde, editar normas mais restritivas ao tabagismo.

De par com isto, cuida o projeto de efetivar também a defesa do consumidor, garantia fundamental afirmada no inciso XXXII do artigo 5º e princípio inscrito no inciso V do artigo 170, ambos da Constituição Federal, materializada no Código de Proteção e Defesa do Consumidor (Lei federal nº 8.078, de 11 de setembro de 1990).

Na leitura do artigo 6º, inciso I, do diploma acima referido, que dispõe sobre a proteção da vida e saúde nas relações de consumo de produtos e serviços, percebe-se que a proibição do tabagismo em recintos fechados vem ao encontro da preservação do bem-estar geral do consumidor por ocasião da sua presença, forçosa ou voluntária, em ambientes de uso coletivo, públicos ou privados, objeto da restrição imposta pelo projeto.

Sob este aspecto, mostra-se imprescindível a edição de normas que assegurem ao consumidor a defesa do seu direito de não ser exposto ao tabagismo passivo, notoriamente nocivo e grave.

A medida representa, portanto, um passo decisivo no sentido de propiciar melhores condições da saúde à população Gaúcha, não prejudicando direitos dos fumantes que terão espaços reservados.

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Da mesma forma, importa lembrar que o projeto proposto acompanha a evolução e o Estado Democrático de Direito, que teve o cuidado de tratar os não fumantes e fumantes de forma igualitária que ao contrário da Lei Paulista que proibiu expressamente o direito de fumar em locais coletivos, não respeitando o livre arbítrio de quem fuma.

Não obstante o presente projeto em seu parágrafo 2º do art. 1º e o parágrafo único do art. 2º determina multa de 30 UPFs (Unidade Padrão Fiscal do Estado do Rio Grande do Sul), respectivamente, ao infrator e ao estabelecimento infrator, com isso acaba invadindo a competência do Poder Executivo que é o responsável por fiscalizar e aplicar a multa.

Assim, para corrigir a inconstitucionalidade, apresento anexo emenda suprimindo o parágrafo 2º do art. 1º e parágrafo único do art. 2º do referido projeto.

Na mesma linha apresento na emenda referida a criação de outro artigo para excluir deste projeto: I –

os locais de culto religioso em que o uso de produtos fumígeno faça parte do ritual, para assegurar o direito constitucional ao culto; II – às residências.

Face ao exposto, não denoto impedimentos de natureza legal, constitucional ou jurídica a sua tramitação, razão pela qual apresento parecer FAVORÁVEL com emendas.

Assembléia Legislativa, Sala Maurício Cardoso, em 29 de setembro de 2009.

Deputado(a) Alceu Moreira, Presidente.

Deputado(a) Luiz Fernando Záchia, Vice-Presidente.

Deputado(a) Carlos Gomes, Relator(a).

Deputado(a) Adilson Troca (Suplente) Deputado(a) Adroaldo Loureiro Deputado(a) Elvino Bohn Gass Deputado(a) Fabiano Pereira Deputado(a) Giovani Cherini Deputado(a) Iradir Pietroski Deputado(a) Pedro Westphalen Deputado(a) Francisco Appio Deputado(a) Marquinho Lang

______________________________________________ PROJETO DE LEI Nº 148/2009

EMENDA Nº 1

Comissão de Constituição e Justiça

Suprime e altera dispositivos e acrescenta artigo ao Projeto de Lei nº 148/2009

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Art. 2.º - É dada nova redação ao § 3.º do art. 1.º do PL n.º 148/2009, conforme segue: “Art. 1.º ...

... § 3º Excluem-se do disposto nesta Lei:

I - os ambientes ao ar livre como calçadas, escadas, rampas, pátios, varandas, terraços e similares; II – as residências; e

III - os locais de culto religioso em que o uso de produtos fumígenos faça parte do ritual.”

Art. 3º - O art. 5.º do PL n.º 148/2009 é remunerado para art. 6.º, e fica incluído um novo art. 5.º, com a seguinte redação:

“Art. 5.º Esta Lei poderá ser regulamentada para garantir a sua execução”

JUSTIFICATIVA

A presente emenda busca ajustar o Projeto de Lei 148/2009 para sanar sua inconstitucionalidade, bem como preservar os locais de culto religioso que utilizam em seus rituais produtos fumígenos, assegurados na Constituição Federal

Referências

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