Amor-próprio
DIANA DUARTEMódulo 5. Corpo de Emoções
Lição 2. Reciclagem Emocional
Gosto da designação de reciclagem emocional para representar a forma como podes lidar com as tuas emoções, e como as podes transformar em crescimento e aprendizagem. Reciclar pressupõe converter algo que já não acrescenta nada ao teu presente e que pode estar a criar lixo mental e emocional, num produto de utilidade com poupança de energia e prima. A energia é forma como te sentes e a matéria-prima é o teu corpo que sofre sempre um determinado impacto de acordo com aquilo que vais sentindo. Ora é isto mesmo que podes fazer com as tuas emoções e com aquilo que sentes: reciclar e transformar.
É importante que neste processo percebas que não és as emoções que vais sentindo mas que apenas as sentes por algum motivo. Quando admites que apenas as sentes, é mais fácil transformar e reciclar aquilo que sentes e vives, porque não têm o peso de ser (eternas) mas de as estares (apenas no presente/agora) a sentir.
Por isso...
Exercício 23
1º Tens de começar por identificar e reconhecer o que estás a sentir (que tipo de emoção e sentimento é)
R:
2º Percebe porque te estás a sentir assim: que tipo de crença está presente, o que te está a dizer a tua voz interior?
3º Inicia um processo de reciclagem emocional com a transformação de uma emoção geradora de mal-estar numa emoção que incremente energia e amor-próprio (exercício 24).
R:
Muitas vezes este processo de reciclagem é demorado e exigente.
Começa por aceitar, identifica a emoção, identifica o que te diz a tua voz interior sobre o que estás a sentir e questiona as tuas crenças desadaptativas. Depois de questionares transforma com todo o teu amor e carinho partindo sempre da premissa de que se não estás bem, tens de transformar. .
Não parece só simples como também o é de facto.
Seguem agora alguns significados das emoções que sentes para te debruçares sobre elas e perceberes que tipo de voz te leva a sentir de determinada maneira.
1. Raiva: surge quando sentes que algo não te está a deixar avançar e sentes que
tens de gerar dentro de ti energia, para ultrapassar esse obstáculo. A energia gerada é negativa e destrutiva e por isso sentes uma grande inquietação dentro de ti.
2. Tristeza: quando sentes que perdeste parte de ti, de outros, de momentos, de
alguma coisa…associado sempre a um acontecimento de perda ou a um balanço de algum momento/episódio que consideras negativo.
3. Inveja: mostra-te aquilo que gostavas de ser ou ter em forma de frustração.
Mostra-te que tens a tendência para fazeres comparações por insegurança e que podes ter dificuldade em gerar generosidade dentro de ti.
4. Ciúme: medo, por insegurança e pela falta de amor-próprio, que a pessoa que
amas venha a amar outra pessoa. Tem por base sentimento de posse, desejo de controlo e sentimento de inferioridade.
5. Vergonha: medo de desprezo, da crítica e da rejeição. Manifesta a importância
que dás ao que os outros pensam de ti.
6. Insegurança: falta de confiança, medo intenso de falhar.
7. Medo: de sofre, de seres rejeitada, de não seres amada, de tomares decisões, de
te enganares, de seres criticada… esta emoção quando persistente e constante está grande parte das vezes enraizada no teu passado, na incerteza que sentes do presente e no negativismo que projetas no futuro.
8. Culpa: sentes-te culpada quando sabes que não estás a ser fiel ao teu sistema de
valores (que a culpa sirva para questionarmos o comportamento).
9. Preocupação: sentes-te preocupada quando te sentes em perigo, e grande parte
das vezes, esse perigo só vive dentro de ti, e não fora. Sentes preocupação quando sentes medo do futuro, quando te achas incapaz de gerir as incertezas e quando sabes que não podes controlar nada, embora o gostasses de fazer e o vás tentando. Este medo do futuro faz com que não vivas o presente e temas sem esperança o dia de amanha.
10. Alegria: podes sentir alegria por muitos motivos e por isso podes estar alegre
por te sentires a contemplar um amor, uma experiência, uma conquista, que te geram energia positiva, força e bem-estar. Sentes-te alegre quando consegues apreciar aquilo que estás a fazer e a viver.
11. Gratidão: sentes gratidão quando consegues sentir as benesses que a vida te vai
dando, independente dos momentos negativos que possas viver também. Sentes gratidão quando reconheces as coisas boas que vives e que te fazem avançar, crescer e ter uma vida amistosa.
12. Segurança: quando confias nas tuas capacidades e nas tuas forças. Quando
percebes que não controlas tudo na tua vida mas que há domínios onde és responsável e a personagem principal da tua história.
13. Confiança: quando acreditas nas tuas capacidades e sentes amor-próprio.
14. Tranquila: quando consegues viver no momento presente e viver o momento
com calma e serenidade.
15. Esperança: quando acreditas que o dia de amanha pode ser melhor, que novas
oportunidades vão surgir. Quando tens consciência que parte do que vives é da tua responsabilidade e fazes o que te compete fazer. Sem objetivos e um projeto de vida não há esperança.
16. Amor: quando crias e alimentas diariamente laços de afeto, de respeito, de
aceitação, de investimento e consciência para contigo mesma, e depois o consegues fazer com os outros.
Apresentei-te algumas interpretações de estados emocionais mais presentes.
Agora segue-se a questão...
Exercício 24
1. E o que fazer com aquilo que sinto?
Com aquilo que te faz sentir bem, só deves alimentar e lembrar como chegaste a esse estado de forma a que o vivas durante mais tempo e mais vezes.
Com aquilo que te faz sentir mal, seguem as seguintes sugestões:
1. Identifica a emoção.
Às vezes dizes “não me sinto bem”, “tudo me corre mal”, “sinto-me mal em tudo o que faço”… já sabemos que quando assim falas, a tua voz interior está a
sobregenerlizar e a centra-se em crenças desadaptativas. Por isso, o primeiro passo é perceberes, o que sentes, que emoção é e com que experiência ou momento poderá estar relacionada. Por exemplo: “estou triste porquê”, estou a sentir ciúmes porquê”, “estou com raiva porquê”
2. Dá a ti paciência e o tempo suficiente para perceberes porque te estás a sentir assim. Escuta com carinho e aceitação aquilo que estás a dizer para ti mesma.
3. Drena o que estas a sentir para fora de ti.
Escreve o que sentes, partilha com alguém da tua confiança.
Respira fundo e em cada expiração constrói a imagem de que sai de ti aquilo que não te faz sentir bem e quando inspiras entra aquilo que te faz sentir melhor.
4. Ocupa-te
Não é pensares obsessivamente sobre a mesma coisa, ou sobre a mesma emoção que a vais resolver. Tenta ultrapassá-la. Distrai-te com alguma coisa que te faço sentir bem por muito que não te apeteça. O teu corpo e a tua mente gostam de alimentar a passividade e a dor. Tens de o contrariar e direcionares a tua atenção e a tua energia para alguma coisa que te faca sentir melhor. Por exemplo: pintar, tricô, exercício físico, limpar…
5. Aprende a expressar o que sentes, sem medo das consequências. Muitas vezes para reciclares a emoção e o sentimento tens de o partilhar com as pessoas envolvidas na experiência que te faz sentir assim.
6. Interpreta-te, e conhece-te através daquilo que estás a sentir.
Tudo aquilo que sentes tem consequências positivas e negativas primeiro em ti. Se te sentes de determinada forma tens de perceber o porquê de te estares a sentir assim. Identifica a causa da emoção e conhece mais um pouco de ti naquilo que estás a sentir.
7. Recicla,
Depois de identificares as tuas crenças desadaptativas, Depois de identificares a emoção e o porquê de a sentires,
Está na hora de a transformares emoções que te fazem sentir mal com antídotos que te façam ultrapassar melhor a situação: amor-próprio, voz interior positiva confiança, esperança, tranquilidade e gratidão.
8. Alimenta-te de amor-próprio
Quando te amas, tens consciência de que tens de criar dentro de ti, um espaço de bem-estar para bem viveres. Quando assim é, os momentos de desconforto são aceites e interpretados como momentos de real importância mas que não podem estar muito tempo a viver dentro de ti pelo risco de intoxicação que te provocam. Os maiores e melhores antídotos serão sempre o amor, a criatividade e a consciência.