Universidade do Sul de Santa Catarina
Arquitetura e Urbanismo
Gabriella Rossini da Silva
Hotel & Spa em Florianópolis/SC:
conexão cidade-natureza através de estratégias sustentáveis
Florianópolis
Gabriella Rossini da Silva
Hotel & Spa em Florianópolis/SC:
conexão cidade-natureza através de estratégias sustentáveis
Trabalho de Conclusão de Curso I apresentado ao Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do tí-tulo de Arquiteta e Urbanista.
Orientadora: Veridiana Atanasio Scalco
Florianópolis 2018/1
“Você pode sonhar, criar, desenhar e construir o lugar mais maravilhoso do mundo. Mas é necessário ter pessoas para transformar seu sonho em realidade.” - Walt Disney
AGRADECIMENTOS
Gostaria de começar agradecendo ao meu avô Antônio Rossini, que sempre foi um pai para mim, e faleceu no início deste ano. Por sempre fornecer a mim, tudo o que eu preci-sei e até o que eu não precipreci-sei e sempre acre-ditar que eu poderia alcançar qualquer coisa.
Agradeço aos meus pais Mônica e Luciano, que sempre me apoiaram em mi-nhas decisões, preocuparam-se em sempre saber o que eu estava aprendendo no curso e me ajudaram nos momentos difíceis, dan-do-me carona até o curso para levar uma maquete ou tentando ficar acordada co-migo quando eu tinha que virar uma noite.
A minha vó Maria de Lourdes, por sempre me incentivar a ir em frente, passar seus conhe-cimentos, e por me mostrar que com determi-nação conseguimos alcançar nossos objetivos.
A minha irmã Rafaella, por sem-pre estar ao meu lado, e ser uma ver-dadeira companheira. E por ser um exemplo de dedicação aos estudos.
Ao meu namorado Willian, que me incentiva a sempre sonhar alto, ter am-bição por um futuro de sucesso e que me faz acreditar no meu potencial. Sem-pre foi muito companheiro e comSem-preen- compreen-sivo com minhas obrigações como aluna.
A todos os meus amigos que participa-ram desta longa jornada, e fizeparticipa-ram dela mui-to especial. Como duplas de projemui-to, virando noites, estudando, ajudando-se e, também, vivendo muitos momentos maravilhosos que irão ficar na memória. Tenho certeza de que muitas amizades levarei comigo por toda a vida. Aos professores da UNISUL, que com-partilharam seu conhecimento e me ajuda-ram nesta trajetória de 5 anos. Especialmente a minha orientadora Veridiana, que conse-guiu me transmitir muita calma durante este momento e me guiou com muita dedicação nesta primeira parte do trabalho.
E ao Hotel Ponta dos Ganchos por me receber, sanar todas as minhas duvidas e dis-ponibilizar materiais para o Estudo de Caso.
RESUMO
Este Trabalho de Conclusão de Cur-so I (TCC) combina estudos para emba-samento e desenvolvimento do parti-do geral de um Hotel & Spa, na cidade de Florianópolis, Santa Catarina. O projeto lo-calizado na Praia dos Ingleses une a arqui-tetura, com a natureza e a sustentabilidade. Para a elaboração deste partido foram reali-zadas pesquisas teóricas ligadas ao turismo e hotelaria, turismo em Florianópolis, hotéis & spas e as normas relacionadas ao assun-to. E foram analisados referências projetuais, e também desenvolvido um diagnostico da área em questão.
Palavras chaves: Arquitetura. Hotel. Spa. Sus-tentabilidade. Praia dos Ingleses.
ABSTRACT
This Final Paper (part I) unite studies for the foundation and development of the Hotel & Spa, in the city of Florianópolis, Santa Cata-rina. The project located in Praia dos Ingleses links architecture, nature and sustainability. For the preparation of this project were re-alized theoretical research related to tourism and hospitality, tourism in Florianopolis, ho-tels & spas and regulations related to the sub-ject. And project references were analyzed, as well as a diagnosis of the area in study.
Keywords: Architecture. Hotel. Spa. Sustain-ability. Ingleses Beach.
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO 16
1.1. Apresentação do Tema e do Recorte 16
1.2. Problematização e Justificativa 18 1.3. Objetivos 21 1.3.1. Objetivo Geral 21 1.3.2. Objetivos Específicos 21 1.4. Metodologia 22 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 26 2.1. Turismo e Hospedagem 27
2.1.1. Turismo e Hospedagem em Florianópolis 29
2.2. Hotel & Spa 32
2.2.1. Normas e Certificações 35
2.2.1.1. Sistema brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem 35
2.2.1.2. ABNT NBR 15401 42 2.2.1.3. Certificação WELL 48 2.3. Considerações Finais 51 3. REFERÊNCIAS PROJETUAIS 54 3.1. Sozawe 54 3.2. 1 Hotel 56 3.3. Aigai Spa 58 4. ESTUDO DE CASO 62
4.1. Ponta dos Ganchos 62
4.1.1. Disposição dos Ambientes 65
4.1.2. Áreas Comuns 66
4.1.3. Áreas de Serviço 70
4.1.4. Bangalô 72
5. DIAGNÓSTICO DA ÁREA 80
5.1. Leitura da área 80
5.1.1. A Praia dos Ingleses 81
5.1.2. O Terreno 82 5.2. Condicionantes Legais 84 5.3. Aspectos Climáticos 86 5.4. Infraestrutura 88 5.5. Cheios e Vazios 88 5.6. Uso do Solo 90 5.7. Gabaritos 92 5.8. Sistema Viário 94 6. PARTIDO GERAL 98 6.1. Descrição do Projeto 98 6.1.1. Diretrizes 98 6.1.2. Conceito 99
6.2. Programa de Necessidades e Pré Dimensionamento 100
6.3. Fluxograma e Zoneamento 102 6.4. Implantação Esquemática 104 6.5. Plantas 106 6.6. Cortes e Fachadas 112 6.7. Volumetria 114 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS 120 8. REFERÊNCIAS 121
Figura 1. Localização do Terreno na Praia dos Ingleses 16
Figura 2. Recorte da Área 17
Figura 3. Morro da Cachoeira na Praia dos Ingleses 26
Figura 4. Votu Hotel - GCP Arquitetura & Urbanismo - Maraú, Bahia 28
Figura 5. Spa Destino - Instalações de um Spa x necessidade do hóspede 33
Figura 6. Mirvac HQ - New South Wales, Australia - Certificação Well Gold 48
Figura 7, 8 e 9. SOZAWE - NL Architects – Groninge 55
Figura 10, 11 e 12. 1 HOTEL - South Beach Miami, Arq. Meyer Davis 57
Figura 13, 14, 15 e 16. AIGAI SPA - figueroa.arq 59
Figura 17. Vista para a Ilha 62
Figura 18. Vista Aérea da Ponta dos Ganchos 64
Figura 19. Implantação do Hotel 65
Figura 20. Recepção 66
Figura 21. Estacionamento 66
Figura 22. Entrada do Hotel 66
Figura 23. Piscina Térmica 67
Figura 24. Salas para espera 67
Figura 25. Espaço das Bateiras 67
Figura 26. Caminho ao Restaurante 68
Figura 27. Praia 68
Figura 28. Restarante frente a praia 68
Figura 29. Vista da Ilha 69
Figura 30. Cantinho da Veleza 69
Figura 30. Câmara Fria 70
Figura 31. Dispensa 70
Figura 32. Lavanderia 70
Figura 33. Caixas D’água 71
Figura 34. Depósito de Lixo 71
Figura 35 e 36. Bangalô Arvoredo 73
Figura 37. Planta Baixa Bangalô Arvoredo 73
Figura 38 e 39. Bangalô Especial da Vila 74
Figura 40. Planta Baixa Bangalô Especial Da Vila 74
Figura 41 e 42. Bangalô Especial Esmeralda 75
Figura 43. Planta Baixa Bangalô Especial Esmeralda 75
Figura 44. Divisão do Bairro e Leitura da área 80
Figura 45. Mapa Mental da Praia dos Ingleses 81
Figura 46, 47 e 48. Visuais para o Terreno 82
Figura 49, 50 e 51. Visuais do Terreno 82
Figura 52. O terreno e seu entorno imediato 83
Figura 53. Zoneamento do Plano Diretor 84
Figura 54. Seção Transversal das Ruas das Gaivotas e Canto das Sereias 85
Figura 55. Mapa Mental de Aspectos Climáticos 87
Figura 56. Distâncias do Terreno 88
Figura 57. Mapa de Cheios e Vazios 88
Figura 58. Espaços Vazios e Edifícios Residenciais 90
Figura 59. Mapa de Uso do Solo 91
Figura 60 e 61. Gabarito e Linhas de Morro 92
Figura 62. Mapa de Gabaritos 93
Figura 63. Rua das Gaivotas sem Calçada para o Pedestre 94
Figura 64. Mapa de Hierarquia Viária 95
Figura 65. Linhas de Morro em Evidencia 99
Figura 66, 67, 68 e 69. Zoneamento/ Fluxograma 103
Figura 70. Implantação aérea 104
Figura 71. Implantação 105
Figura 72. Marquise demarca entrada principal 106
Figura 73. Planta Baixa Pavimento Térreo 107
Figura 74. Plantas Tipologias 108
Figura 75. Planta Baixa Primeiro Pavimento 109
Figura 76. Planta Baixa Primeiro Pavimento 110
Figura 77. Planta Baixa Terceiro Pavimento 111
Figura 78. Fachada Oeste - Escala: 1:500 112
Figura 79. Fachada Leste 112
Figura 80. Corte BB’ 112
Figura 81. Corte AA’ 112
Figura 82. Fachada Sul 113
Figura 83. Fachada Norte 113
Figura 84. Corte DD’ 113
Figura 85. Corte CC’ 113
Figura 86. Cobertura que une o espaço de eventos e o Rooftop Bar 114
Figura 87. União dos tres blocos. 115
Figura 88. Linhas de morro sempre em evidencia. 116
Tabela 1. Cinco principais Mercados de Spa na América Latina e Caribe. 32
Tabela 2. Cinco principais Mercados de Bem Estar na América Latina e Caribe. 34
Tabela 3. Infraestrutura de um Hotel 4 estrelas de Acordo com Sistema brasileiro de Classifi-cação de Meios de Hospedagem 41
Tabela 4. Diferenças entre Bangalôs 72
Tabela 5. Tabela de Análise dos Elementos Arquitetonicos 77
Tabela 6. Tabela de Limites de Ocupação 85
Tabela 7. Programa de Necessidades 101
Gráfico 1. Indice de Obesidade no Brasil 19 Gráfico 2. Índices gerais de competitividade: Brasil x Capitais x Florianópolis 31
Brasil
Santa Catarina
Florianópolis
Figura 1. Localização do Terreno na Praia dos Ingleses
Fonte: Elaborado pela autora.
1. INTRODUÇÃO
1.1. APRESENTAÇÃO DO TEMA E DO RECORTE
A proposta consiste na elaboração de um projeto arquitetônico de um Hotel & Spa, no bairro Ingleses, (Norte da Ilha Figura 1).O terreno possui duas esquinas, situando-se en-tre a Rua das Gaivotas, Rua Canto das Sereias e a Rua Lázaro de Oliveira Souza (Figura 2).
O projeto possui como um dos objetivos, atrair as pessoas para este bairro e assim be-neficiar o turismo de Florianópolis, que possui como grande atrativo suas praias. Além disso, a Praia dos Ingleses foi escolhida neste caso, pois, muitas pessoas moram lá, deixando de ser um bairro de praia apenas sazonal. O que o diferencia dos outros é que ele possui todos os equipamentos necessários para o dia a dia próximo, para que as pessoas não necessitem fazer grandes deslocamentos, como é o caso em muitas praias.
Figura 2. Recorte da Área
Fonte: Adaptado de Google Maps
Distância do Terreno até:
Rua das Gaivotas
Aeroporto
1.2. Problemática e Justificativa
Considerando que o pico de turistas em Florianópolis concentra-se no período do ve-rão, e que o bairro possui muitos moradores, este hotel não será projetado apenas para os hóspedes, mas também contará com outros equipamentos, como centro de eventos, restau-rantes, academia, etc., que atraem não só turistas, mas também a população local, durante o ano inteiro. Segundo o Ministério do Turismo (2017):
“A indústria hoteleira é um dos agentes do ciclo virtuoso do turismo sendo respon-sável por 350 mil empregos formais e 1,5 milhão de ocupações indiretas em todo o Brasil. Além dos empregos, o segmento gera possibilidades de negócios para vários outros segmentos da economia. Um único empreendimento tem a capacidade de criar uma ampla rede onde todos os envolvidos saem ganhando MINISTÉRIO DO TURISMO 2017.”
Para que aconteça uma nova centralidade, levando em conta que comparada a re-gião Sul dos Ingleses, a parte Norte, onde encontra-se o terreno, é mais residencial e não possui tantos equipamentos que una os habitantes da região. Segundo Portal da Ilha (2018), em 2018 Florianópolis foi o segundo destino mais procurado no Brasil durante o Carna-val, depois de ter sido o mais procurado no Réveillon. A ilha recebeu um aumento de 60% de turistas em relação ao ano passado. As cinco cidades com maior número de hóspedes no carnaval foram o Rio de Janeiro, Florianópolis, São Paulo, Guarujá e São Sebastião. A escolha mostra que os destinos praianos seguem em alta na preferência dos viajantes.
Este Hotel terá a finalidade de conectar os hóspedes e as pessoas, que fizerem uso dele, com a natureza, oferecendo a eles uma melhor qualidade de vida, pois assim, nós nos desconectamos do mundo caótico e urbano que traz muito estresse. Segundo o site Clínica da Hipnose, “(...) o estresse pode desencadear outras patologias ainda mais nocivas como a
Gráfico 1. Indice de Obesidade no Brasil
Fonte: Ministério da Saúde 2014.
ansiedade e a depressão.” O Hotel & Spa terá o objetivo de tornar as pessoas mais cientes da importância de um espírito, uma mente e um corpo saudável, para que elas possam obter diversos benefícios como equilíbrio mental, prevenção de doenças até um aumento da sua perspectiva de vida. Segundo Roaf (2014):
“Pense cuidadosamente em como projetar, não apenas em relação aos aspectos de saú-de mais óbvios, mas também para ter paz saú-de espírito, tranquilidasaú-de e alegria em suas edificações. A mente e o corpo estão intimamente vinculados; uma pessoa relaxada, confortável e tranquila em uma casa provavelmente será mais saudável Roaf (2014)”.
Dessa forma pode-se observar como dedicar alguns momentos a procurar hábitos mais saudáveis, às vezes é visto como uma perda de tempo, mas na verdade estará acrescentando qualidade de vida para as pessoas e que assim elas possam realizar todas as tarefas do dia a dia com maior facilidade. Teles (2017):
“Há uma série de doenças que podem ser evitadas através de uma alimentação saudá-vel” (...) “Uma alimentação inadequada pode comprometer o desempenho no trabalho e em todas as outras atividades, pois pode causar além das patologias citadas acima o mau humor, cansaço e falta de energia, distúrbios de sono, dificuldades de concen-tração e problemas de memória. Em crianças atrapalha no desenvolvimento de seu organismo e aprendizado escolar.” Teles (2017)
Pode-se ver que a saúde não é uma prioridade para a maior parte da população atra-vés do Gráfico 1. Como este Hotel & Spa é um espaço para conscientizar as pessoas acerca de melhorar suas qualidade de vida, leva-se em consideração que segundo Heywood (2012):
“Grande parte da energia que usamos deriva de combustíveis fósseis (petróleo, carvão mineral, gás), que são recursos globais mas finitos. Ou seja: um dia eles acabarão. (...) A maneira como convertemos os combustíveis fósseis na energia que usamos para calefação, refrigeração, iluminação, e outros sistemas elétricos resulta na liberação de dióxido de carbono (CO2), um dos gases de efeito estufa. (...) Assim, já está estabele-cida a relação entre as edificações, o aquecimento global e as mudanças climáticas.”
Sendo assim, este projeto terá o propósito de gerar menos impactos ao meio ambiente, por meio do uso de estratégias sustentáveis. Para que desta forma, exista uma sinergia entre, o conceito do projeto, seu funcionamento, e as pessoas que o utilizarem, ou seja, para que esses propósitos e ideias conversem e façam sentido ao coexistir. Segundo o Relatório Brun-dtland (1987), o desenvolvimento sustentável é concebido como, “O desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades.” Segundo Roaf (2014), “nós privilegiados, devemos agir com altruísmo para reduzir nossas emissões e salvar o planeta”.
Um Hotel & Spa de frente para a praia, dará aos turistas todos os atrativos que elas buscam em Florianópolis em um só lugar, como belas paisagens, opções de lazer em meio a natureza, descanso e qualidade de vida. Além de que trará muito mais movimento para a região Norte dos Ingleses, criando uma nova centralidade e trazendo benefícios, não somen-te aos turistas, mas também aos moradores do bairro, pois o projeto faz com que essomen-tes dois polos compartilhem de um mesmo espaço.
1.3. Objetivos
1.3.1. Objetivo Geral
Desenvolver um projeto de um Hotel & Spa, na Praia dos Ingleses Norte, em Florianó-polis - SC, visando proporcionar qualidade de vida por meio de estratégias sustentáveis na proposta e intervenções no cotidiano das pessoas.
1.3.2. Objetivos Específicos
- Elaborar um embasamento teórico sobre o turismo em Florianópolis e a Praia dos In-gleses.
- Conhecer estratégias sustentáveis utilizadas em hotéis e edificações de baixo impacto. - Realizar um estudo de caso com hotel que possua uma maior conexão com a natureza,
em Santa Catarina.
- Desenvolver o diagnóstico da área de estudo que se localiza no Norte da Praia dos Ingleses.
- Elaborar o projeto de um Hotel & Spa de acordo com as normas vigentes aplicadas. - Traçar diretrizes sustentáveis para consolidação da proposta do projeto arquitetônico
para o Hotel & Spa.
- Desenvolver um anteprojeto de um Hotel & Spa que faça uso de estratégias sustentá-veis.
1.4. Metodologia
- Através de consulta em livros e acervos digitais, referencias teóricas e projetuais sobre Hoteis, Spas e edificações de interesse sustentável, será proposto um projeto para Ho-tel Spa. Assim como, dados sobre o turismo de Florianópolis e o que as pessoas que visitam a cidade procuram.
- Será feita visita a um hotel, que se enquadre nos objetivos do projeto a ser elaborado, e entender seu funcionamento, para realizar um estudo de caso.
- Serão realizadas visitas ao terreno, pesquisar no cadastral, levantar e analisar dados da área Norte da Praia dos Ingleses.
- Serão pesquisadas as normas ABNT NBR 9050, ABNT NBR 15401 (Meios de hospeda-gem - sistema de gestão da sustentabilidade - Requisitos) para desenvolver um projeto de um Hotel & Spa.
- Será proposto um programa de necessidades para traçar as diretrizes do projeto de um Hotel & Spa.
- A partir dos levantamentos e estudos será proposto um partido geral de um Hotel & Spa, por meio de elaboração de organogramas, croquis, zoneamento, estudo de volu-metria, implantação, etc., e posteriormente dando continuidade e aprofundamento, se chegar a um anteprojeto (TCC II).
FUNDAMENTAÇÃO
TEÓRICA
Figura 3. Morro da Cachoeira na Praia dos Ingleses
Fonte: Fotografia disponibilizada pela autora, 2018.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Esta fundamentação teórica foi feita com o objetivo de criar um embasamento para o projeto de um Hotel & Spa na Praia dos Ingleses-SC (Figura 3), que faz uso de estratégias sustentáveis. O projeto se enquadra na categoria Hotel, pois não chega a ter todas as facili-dades que um Resort oferece, e será classificado como 4 estrelas, de acordo com o Sistema brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem (SBClass), desenvolvido pelo o Ministério do Turismo (MTur).
O Hotel levará em conta a Norma 15401 (ABNT, 2006), sobre meios de hospedagem e sistema de gestão da sustentabilidade abordado acima e também usará alguns princípios abordados na certificação WELL (IWBI, 2013), que possui objetivos similares aos que o Hotel & Spa quer trazer. Porém, não há o propósito de adquirir a certificação ou de se enquadrar completamente a norma, somente servirão como base para a elaboração de um bom projeto arquitetônico.
2.1. Turismo e Hospedagem
O turismo e a hospedagem são dois pólos diretamente conectados, pois quanto maior a quantidade de turistas em uma cidade, mais seus hotéis entram em evidência. Além disso, o turismo faz com que a economia gire mais, pela alimentação, eventos, agências, comércio, entretenimento, etc. E quanto mais uma cidade ganha visibilidade, mais investimentos para infraestrutura ela receberá, sendo bom tanto para os turistas, quanto para seus habitantes. Segundo Andrade (2001):
“A expansão da economia incorporou novos e significativos contingentes a sociedade de con-sumo, na qual o turismo se insere como um segmento importante e em contínuo crescimento. As viagens passaram a fazer parte da cultura e das aspirações das populações, fazendo com que a demanda turística passasse a ser crescente. A oferta hoteleira evoluiu em função dessa demanda.”
De acordo com o Ministério do Turismo, a hotelaria se divide em categorias, que são determinadas principalmente de acordo com o local e segmento de mercado. Dentre elas existem, Hotel, Hotel Fazenda, Hotel Executivo, Apart Hotel, Cama & Café, Hotel Histórico, Pousada e Resort. Segundo Andrade (2001), cada tipologia de hotel possui seu público alvo:
“O público que procura descanso e fortalecimento físico e mental em ambientes isolados, com paisagens ricas e características. Essa demanda é o contraponto a vida urbana moderna, que provoca tensão e estresse. Gerou o aparecimento de resorts e, como seu desdobramento, os spas, mais voltados para condicionamento físico.”
Dentro destas categorias, os hotéis ainda são classificados por estrelas, definidas pela Organização Mundial do Turismo (OMT), que são requisitos aos qual o hotel precisa atender para atingir cada categoria. Algumas das categorias listadas acima possuem um número
mí-Figura 4. Votu Hotel - GCP Arquitetura & Urbanismo - Maraú, Bahia
Fonte: ArchDaily, disponível em:https://www.archdaily.com.br/br/887431/aprendendo-com-a-natureza-conheca-o-projeto-do-votu-hotel nimo ou máximo de estrelas, por exemplo, os resorts devem possuir um mínimo de 4 estrelas, já o Cama & Café o máximo de 4 estrelas. Segundo Andrade (2017):
“Há evidências de que o mercado do turismo no Brasil vem mantendo sua tendência de ex-pansão nos últimos anos, com uma crescente taxa de ocupação dos hotéis. De 2003 a 2009, a taxa de ocupação dos hotéis no país aumentou de 52% para 62%. (...) O crescimento das taxas de ocupação nos principais destinos turísticos do país está estimado em 1,7% ao ano, havendo expectativa de que essas taxas possam ser superiores a 2% ao ano.”
Devido à crise financeira que vêm acontecendo nos últimos anos, muitos brasileiros deixaram de realizar viagens para o exterior e começaram a optar por viagens nacionais, es-timulando a economia hoteleira no país.
2.1.1. Turismo e Hospedagem em Florianópolis
O Brasil recebe anualmente diversos turistas do mundo todo, em sua maioria buscando por suas paisagens únicas. Porém os brasileiros também realizam muitas viagens pelo próprio país, pois cada estado possui atrativos distintos dos outros o que faz com que as viagens na-cionais possuam um grande fluxo.
Com a Copa do Mundo e as Olimpíadas sediadas no Brasil, à economia hoteleira teve um grande aumento e aconteceu à construção de novos hotéis, o Brasil recebeu pessoas do mundo inteiro e assim, fez com que diversos turistas tivessem a oportunidade de conhecer o país, pois talvez não teriam vindo se não fosse por um evento deste porte.
Florianópolis é conhecida por sua beleza natural, vegetação, praias, trilhas, cachoeiras, dunas, etc. A “Ilha da Magia” atrai anualmente diversos turistas, principalmente durante a temporada de verão, devido às mais de 100 praias que a capital oferece, hoje é considerada um dos principais destinos no Brasil procurados, por estrangeiros e principalmente brasileiros. Segundo Andrade (2017):
“No ano de 2012, o Brasil recebeu 5,67 milhões de estrangeiros, 4,5% mais do que em 2011, dos quais 1,2 milhão vieram da Argentina. Com poucas variações, o número de 5 milhões de turistas estrangeiros vem se mantendo desde 1998. (...) Apesar da importância dos turistas estrangeiros, principalmente no que se refere a entrada de divisas, a demanda interna é que comanda o turismo no Brasil. Segundo a Infraero, no ano de 2000, enquanto o desembarque de passageiros nos aeroportos brasileiros significou 5,4 milhões em voos internacionais, e 29 milhões em voos domésticos. No ano de 2010, esses números significaram, respectivamente, 7,2 milhões e 61,2 milhões.”
Florianópolis possui, no verão, a maior concentração de turistas Argentinos, principal-mente no Norte da Ilha. A cidade recebe milhões em todos os verões e muitos se concentram na Praia dos Ingleses, por possuir uma praia extensa e muitas opções de lazer como
restau-rantes, bares, passeios e ser um bairro que não possui um valor tão alto para se hospedar ou alugar um apartamento.
O Ministério do Turismo possui um Mapa do Turismo Brasileiro, onde as cidades são categorizadas de A até E, e elas podem subir na categoria por terem aumentado o número de empregos através do turismo, ampliado os estabelecimentos formais de hospedagem ou o fluxo de turistas domésticos e internacionais. Atualmente, 3 cidades são classificadas como categoria A em Santa Catarina, sendo uma delas, Florianópolis, que é dividida em 5 regiões, Centro, Leste, Norte, Sul e Região Continental. A parte Central e Continental são as que pos-suem o maior número de moradores, já as outras 3 concentram as praias e assim, onde as atividades turísticas se encontram. A cidade é considerada o melhor lugar para se viver em Santa Catarina, com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU de 0,847.
O turismo de eventos no Brasil vem crescendo e Florianópolis está em sexto lugar entre dez capitais que mais atraem este setor de mercado, de acordo com a Associação Internacio-nal de Congressos e Convenções (ICCA), sendo uma vantagem pois atrai turistas fora da alta temporada, quando já tem muitas pessoas visitando a Ilha. De acordo com o Ministério do Turismo (2017):
“Entre 2011 e 2016, Florianópolis (SC), aumentou em 22,4% a sua rede hoteleira, passando de 254 para 311 hotéis, pousadas, pensões, apart-hotéis, albergues e motéis. (...) Os dados indicam que houve um crescimento expressivo na oferta dos meios de hospedagem no Brasil com o ciclo de megaeventos1. Além da abertura de novos hotéis, registram-se a reforma e
ampliação de estabelecimentos que já estavam em funcionamento. (...) Esse é um legado que temos de trabalhar para movimentar a economia do país. Os hotéis e similares são tipos de estabelecimentos imprescindíveis para o desenvolvimento do turismo.”
1 Acontecimento, principalmente na área do entretenimento, que envolve grandes meios de produção e suposta-mente interessa a uma grande quantidade de pessoas
“Definição ou significado de megaevento no Dicionário Infopédia da ....” https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-por-tuguesa/megaevento. Acessado em 1 mai. 2018.
Gráfico 2. Índices gerais de competitividade: Brasil x Capitais x Florianópolis
Fonte: FGV/MTUR/SEBRAE, 2015
Em termos de infraestrutura o aeroporto de Florianópolis atualmente deixa muito a desejar, com acesso limitado, possui um tamanho pequeno para a cidade. Porém, a cidade atualmente está recebendo um investimento em sua infraestrutura, com a reforma do ae-roporto, pela empresa Zurich Airports, que vai administrá-lo por 30 anos. De acordo com o presidente da FCDL/SC (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas), Ivan Tauffer (2017), “A obra traz benefícios como a injeção de dinheiro, mais empregos, novas operações no local e até a possibilidade de atrair empreendimentos com a possível ampliação das rotas.” Isto acarretará em um fluxo maior de voos para Florianópolis resultando em um número maior de turistas por ano, pois uma cidade com um aeroporto de boa estrutura pode atrair até mais eventos, palestrantes e atrativos para a cidade.
De acordo com a pesquisa sobre o Turismo de Verão em Santa Catarina da Fecomércio (2013), “87% dos visitantes da cidade foram atraídos pelas praias, dunas e recantos escon-didos da capital catarinense, eles permanecem em média 10 dias e gastam R$ 3.161,39.” Está claro que a Ilha de Santa Catarina atrai turistas de várias regiões do Brasil e do mundo que vem principalmente em busca de belas paisagens, opções de lazer em meio a natureza, descanso e qualidade de vida.
Tabela 1. Cinco principais Mercados de Spa na América Latina e Caribe.
Fonte: O raio-x do Turismo de bem-estar no Brasil, 2015. Disponível em: https://www.panrotas.com.br/noticia-turismo/pesquisas-e-estatis-ticas/2017/02/o-raio-x-do-turismo-de-bem-estar-no-brasil-veja-numeros_144242.html
2.2. Hotel & Spa
O modo de vida atual gera uma grande demanda sobre a sociedade, em relação ao trabalho, aparência, relações pessoais, a busca pela “perfeição”, tem se tornado algo cons-tante na vida das pessoas. E com essa pressão causada pela sociedade alguns problemas e doenças tornaram-se mais evidentes, como estresse, ansiedade, síndrome de pânico, depres-são, etc. Dessa forma, os Hotéis Spas começaram a ganhar um maior destaque, procurados por serem lugares vistos como um modo de “escape” dos problemas cotidianos, onde os hóspedes conseguem relaxar, e alcançar uma melhor qualidade de vida e saúde mental, por meio de cuidados com a mente, corpo e espírito.
De acordo com a Ispa - International Spa Association, existem diversos tipos de spa, são eles: Day Spa, Spa Destino, Spa Clube, Spa Cruzeiro, Spa Médico, Spa Termal e Spa Re-sort/ Hotel. Segundo Machado (2008), um Hotel Spa:
“Possui hospedagem e uma infra-estrutura destinada ao lazer, além dos tratamentos e ativi-dades físicas, com dieta balanceada e uso de terapias de relaxamento. (...) Os acompanhan-tes podem se ocupar de outras atividades, enquanto o usuário do SPA faz tratamento para emagrecer ou relaxar.”
Figura 5. Spa Destino - Instalações de um Spa x necessidade do hóspede
Fonte: Análise da Usabilidade nos Espaços de Bem Estar nos Sanus per Aquan, 2008.
Um spa consiste em um estabelecimento comercial que proporciona a pessoas trata-mentos estéticos, de saúde e de bem estar. Ele tem o objetivo de trazer equilíbrio entre os aspectos alimentares, estéticos e emocionais, com a premissa de “mente sã, corpo são”. Na figura 5 pode-se ver as instalações necessárias em um Spa Destino. De acordo com Machado (2008):
“Todo SPA, independente de sua filosofia, tem como proposta universal promover a saúde e relaxamento dos seus visitantes, existindo inicialmente dois conceitos que o classificam em: Day SPA e o SPA Destino. (...) O Day SPA é um local onde o cliente permanece algumas horas do dia, sendo destinado a realizar tratamentos faciais e corporais com programas de Half day ou Full day. (...) O SPA Destino é um local onde o cliente permanece por alguns dias, tendo como objetivo fazer tratamentos de saúde, desintoxicação e estéticos.”
Tabela 2. Cinco principais Mercados de Bem Estar na América Latina e Caribe.
Fonte: O raio-x do Turismo de bem-estar no Brasil, 2015. Disponível em: https://www.panrotas.com.br/noticia-turismo/pesquisas-e-estatis-ticas/2017/02/o-raio-x-do-turismo-de-bem-estar-no-brasil-veja-numeros_144242.html
O turismo de bem estar, tem como foco a melhoria e manutenção da saúde, cura e prevenção de doenças e também é movido pela busca por estética, e o público alvo que tem estes objetivos tende a procurar pelos Hotéis & Spas. O termo Bem-estar pode ser relacionado com, qualidade de vida, saúde, lazer, relaxamento, paz de espírito. As pessoas que praticam o turismo de Bem-estar buscam por locais que façam uso de recursos naturais e/ou artificiais como, por exemplo, o mar, conchas, sal, areia, lama, lodo, água, flores. (Tabela 2).
De acordo com um estudo da Stanford Research International, o Brasil possuía em 2007, 643 spas, entre hotéis/spas e spas urbanos, cujo público alvo era composto principalmente pela classe A, seguido pela classe B que, cada vez mais, vinha introduzindo esse estilo de turismo ao seu padrão de consumo. Santa Catarina possui tradição em relação à Spas Des-tinos, como hotéis spas, pessoas de todas as partes do Brasil se deslocam até o estado por possuir desde a beleza das praias até das montanhas na serra. Segundo Santiago (2017), “O Brasil ainda aparece em 20º maior mercado para Turismo de bem-estar, cuja liderança é dos Estados Unidos.”
2.2.1. Normas e Certificações
2.2.1.1. Sistema brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem
Para aumentar a competitividade do setor hoteleiro, o Ministério do Turismo (MTur) desenvolveu um sistema de classificação de meios de hospedagem. O Sistema brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem (Ministérios do Turismo, 2018), ou SBClass, foi ela-borado por meio de uma parceria entre o Ministério do Turismo, o Inmetro, a Sociedade Bra-sileira de Metrologia - SBM e a sociedade civil, foi adotado pelo país para atrair ainda mais turistas, aumentando a competitividade do mercado. Para solicitar esta classificação o meio de hospedagem necessita estar cadastrado no sistema Cadastur.
Esta classificação é um modo de divulgação de informações sobre os meios de hospe-dagem, sendo um mecanismo de extrema importância para uma melhor comunicação com o mercado. Possibilita uma concorrência mais justa entre os meios de hospedagem do país e também auxilia qualquer turista, brasileiro ou estrangeiro na sua escolha, para saber que expectativa criar sobre cada estadia. Segundo o artigo 23 da Lei nº 11.771/2008, entende-se por meio de hospedagem:
“Os empreendimentos ou estabelecimentos, independentemente de sua forma de constitui-ção, destinados a prestar serviços de alojamento temporário, ofertados em unidades de fre-quência individual e de uso exclusivo do hóspede, bem como outros serviços necessários aos usuários, denominados de serviços de hospedagem, mediante adoção de instrumento contra-tual, tácito ou expresso, e cobrança de diária.”
Neste trabalho será desenvolvido um projeto de um Hotel 4 estrelas. Então serão apro-fundados os requisitos necessários apenas para esta classificação. Para o tipo Hotel, o SBClass estabelece as categorias de uma estrela no mínimo a cinco estrelas no máximo. O Hotel
Infraestrutura - Hotel 4 estrelas
Função
Áreas Comuns
Compatibilidade com a Categoria
Aspecto externo compatível com a categoria. A fachada, acessos e c a l ç a m e n t o d e v e m e s t a r c u i d a d o s e s e r c o m p a t í v e i s arquitetonicamente com a categoria.
Decoração e ambientação compatível com a categoria. A decoração e ambientação devem ser coerentes e atender às expectativas correspondentes à categoria. Simplicadamente e em caráter ilustrativo, espera-se que um hotel de 2 estrelas seja simples e um hotel de 5 estrelas seja sosticado e luxuoso.
Circulações Entrada de serviço independente.
Elevadores. 4 estrelas: elevador obrigatório para construções a partir de 2 andares.
Facilidades
Área de estacionamento. O estacionamento pode ser nas próprias dependências do hotel ou em outro local.
Área ou local especíco para o serviço de recepção. Local para guarda de bagagens.
Banheiros sociais, masculino e feminino, separados entre si, com ventilação natural ou forçada.
classificado com uma estrela deve atender os requisitos mínimos de infraestrutura, serviços e sustentabilidades. A cada estrela adicionada, o Hotel deve atender a alguns requisitos adicio-nais que diferem as categorias entre si. Por meio de comparação entre a infraestrutura e os serviços que são disponibilizados, assim como das estratégias sustentáveis executadas pelo meio de hospedagem, o consumidor poderá escolher de uma melhor forma.
nimo ou máximo de estrelas, por exemplo, os resorts devem possuir um mínimo de 4 estrelas, já o Cama & Café o máximo de 4 estrelas. Segundo Andrade (2017):
“Há evidências de que o mercado do turismo no Brasil vem mantendo sua tendência de ex-pansão nos últimos anos, com uma crescente taxa de ocupação dos hotéis. De 2003 a 2009, a taxa de ocupação dos hotéis no país aumentou de 52% para 62%. (...) O crescimento das ta-xas de ocupação nos principais destinos turísticos do país está estimado em 1,7% ao ano, ha-vendo expectativa de que essas taxas possam ser superiores a 2% ao ano (ANDRADE, 2017)”
Devido a crise financeira que vem acontecendo nos últimos anos, muitos brasileiros deixaram de realizar viagens para o exterior e começaram a optar por viagens nacionais, es-timulando a economia hoteleira no país.
1.1.1. Turismo e Hospedagem em Florianópolis
O Brasil recebe anualmente diversos turistas do mundo todo, em sua maioria buscando por suas paisagens únicas. Porém os brasileiros também realizam muitas viagens pelo próprio país, pois cada estado possui atrativos distintos dos outros o que faz com que as viagens na-cionais possuam um grande fluxo.
Com a Copa do Mundo e as Olimpíadas residindo no Brasil, a economia hoteleira teve um grande aumento, e aconteceu a construção de novos hotéis, o Brasil recebeu pessoas do mundo inteiro, e assim fez com que diversos turistas tivessem a oportunidade de conhecer o país, pois não teriam vindo se não fosse por um evento deste porte.
Florianópolis é conhecida por sua beleza natural, vegetação, praias, trilhas, cachoeiras, dunas, etc. A “Ilha da Magia” atrai anualmente diversos turistas, principalmente durante a temporada de verão, devido às mais de 100 praias que a capital oferece, hoje é considerada um dos principais destinos no Brasil procurados, por estrangeiros e principalmente brasileiros. Segundo Andrade (2017):
“No ano de 2012, o Brasil recebeu 5,67 milhões de estrangeiros, 4,5% mais do que em 2011, dos quais 1,2 milhão vieram da Argentina. Com poucas variações, o número de 5 milhões de turistas estrangeiros vem se mantendo desde 1998. (...) Apesar da importância dos turistas estrangeiros, principalmente no que se refere a entrada de divisas, a demanda interna é que comanda o turismo no Brasil. Segundo a Infraero, no ano de 2000, enquanto o desembarque de passageiros nos aeroportos brasileiros significou 5,4 milhões em voos internacionais, e 29 milhões em voos domésticos. No ano de 2010, esses números significaram, respectivamente, 7,2 milhões e 61,2 milhões. (ANDRADE, 2017)”
Florianópolis possui, no verão, a maior concentração de turistas Argentinos, principal-mente no Norte da Ilha. A cidade recebe milhões a cada verão, e muitos se concentram na Praia dos Ingleses, por possuir uma praia extensa, e muitas opções de lazer como restauran
Tabela 3. Infraestrutura de um Hotel 4 estrelas de Acordo com Sistema brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem
2.2.1.2. ABNT NBR 15401
A Norma ABNT 15401: Meios de hospedagem - Sistema de gestão da sustentabilidade - Requisitos (ABNT, 2006), possui uma perspectiva que constitui referência básica o ciclo PDCA (de Plan - Do - Check - Act), descrito pelas etapas:
- Plan (Planejar): estabelecer os objetivos e processos necessários para fornecer os re-sultados de acordo com a política do empreendimento (neste caso, política de susten-tabilidade).
- Do (Implementar): implementar os processos.
- Check (Verificar): monitorar e medir o resultado dos processos em relação à política, objetivos e metas e reportar os resultados.
- Act (Agir): tomar ações para melhorar continuamente a performance do sistema de gestão.
Segundo a Norma ABNT 15401 (2006), o turismo, que é um dos maiores segmentos econômicos do mundo, vem cada vez mais sendo objeto de atenção em relação a sua poten-cial contribuição para o desenvolvimento sustentável e ao mesmo tempo quanto aos impactos que pode provocar nos campos ambiental, sociocultural e econômico. Organizações de todos os tipos no setor de turismo estão cada vez mais preocupadas em atingir e demonstrar um de-sempenho correto em relação a sustentabilidade, gerindo o impacto de suas atividades, pro-dutos ou serviços, levando em consideração sua política e seus objetivos de sustentabilidade.
São exemplos de aspectos da sustentabilidade: consumo de energia elétrica, geração de resíduos sólidos, embalagens recicláveis, consumo de água, etc. E tem-se por política de sustentabilidade, intenções e diretrizes globais de um empreendimento, relativas a sustenta-bilidade, formalmente expressas pela Direção.
O empreendimento deve estabelecer e manter objetivos e metas de sustentabilidade, e em relação ao projeto da edificação devem incluir, entre outros (ABNT 15401, 2006):
- Emissões, efluentes e resíduos sólidos; - Conservação e gestão do uso da água; - Eficiência energética;
- Seleção e uso de insumos;
- Saúde e segurança dos clientes e dos trabalhadores; - Qualidade e satisfação do cliente;
- Comunidades locais; - Aspectos culturais;
- Áreas naturais, flora e fauna;
Segundo a Norma ABNT 15401 (2006), o empreendimento deve estabelecer e man-ter procedimentos para identificar o potencial de risco, para prevenir a ocorrência e atender acidentes e situações de emergência na área do empreendimento ou por eles causados, bem como para mitigar os impactos ambientais deles decorrentes. O empreendimento deve tam-bém testar periodicamente tais procedimentos.
Em relação às áreas naturais, flora e fauna, o empreendimento deve cumprir a legis-lação para a implementação de atividades turísticas em áreas naturais. Como parte do com-prometimento do empreendimento com a conservação de áreas naturais, o empreendimento deve, conservar área natural própria, empregando as boas práticas de proteção e manejo e conforme o previsto na legislação; e quando não possuir uma área natural própria, apoiar a proteção e manejo de áreas naturais de terceiros na região.
Em relação à arquitetura e impactos da construção no local, a arquitetura do empreen-dimento deve ser integrada a paisagem, minimizando os impactos da implantação durante a construção, a operação e quando houver obras de reparo ampliações ou outros tipos de alterações, adequados a legislação. E devem ser tomadas medidas para (ABNT 15401, 2006):
- Minimizar alterações significativas na paisagem local, provocadas pelo projeto da edi-ficação e pelos movimentos de terra;
- Minimizar a impermeabilização do solo; - Minimizar a remoção de vegetação nativa;
- Implementar um programa para proteger a vegetação nativa, conservar os ecossiste-mas, nascentes e cursos de água, a paisagem natural e a conservação dos solos;
- Não utilizar materiais derivados de espécies ameaçadas na construção, acabamento ou decoração;
- Monitorar e mitigar a erosão;
- Assegurar uma destinação final adequada para os resíduos não aproveitados na cons-trução.
Quando existirem áreas degradadas sem uso específico pelo empreendimento, devem ser tomadas medidas para a sua recomposição. Convém que se utilizem materiais de cons-trução disponíveis na região, originados de fontes sustentáveis, que se considere o uso das técnicas tradicionais, que se evite usar materiais de construção com grande impacto ambien-tal e que se procure tomar medidas de compensação ambienambien-tal para os materiais usados no empreendimento. A arquitetura das construções deve ser compatível com o entorno físico e cultural. Para tanto, aplicam-se os seguintes requisitos (ABNT 15401, 2006):
- A volumetria deve ser harmônica com o entorno e não deve descaracterizar os ambien-tes natural e cultural;
- Devem-se manter as características do relevo local;
- Devem-se tomar medidas para diminuir o impacto visual da infra-estrutura de suporte (por exemplo, recorrendo ao uso de vegetação natural ou à topografia).
No caso de construções urbanas em locais de interesse arquitetônico, a sua arquitetura deve manter harmonia com o ambiente existente. Convém que em novos empreendimentos seja feita uma consulta prévia à comunidade.
O planejamento e a operação do paisagismo do empreendimento devem ser efetua-dos minimizando os impactos ambientais. Para tanto, cuidaefetua-dos devem ser tomaefetua-dos para que (ABNT 15401, 2006):
- O paisagismo reflita o ambiente natural do entorno, inclusive com o uso de espécies nativas, desde que não sejam provenientes de extração ilegal;
- Não haja propagação de plantas ornamentais exóticas pelo entorno; - Se maximize o aproveitamento da vegetação nativa.
Em relação aos resíduos sólidos, o estabelecimento deve dispor de um local específico e vedado para resíduos sólidos contaminantes de acordo com a legislação vigente. A gestão dos resíduos deve ser efetuada de acordo com a boa técnica, inclusive os resíduos gerados pelos clientes quando em campo, com a utilização de práticas como (ABNT 15401, 2006):
- Prevenção do uso de embalagens descartáveis; - Utilização de recipientes adequados para a coleta;
- Separação e coleta seletiva quando não existente no município;
- Reutilização dos resíduos orgânicos, inclusive como insumo de produção para as co-munidades locais.
O empreendimento deve planejar e implementar medidas para minimizar os impactos provocados pelos efluentes líquidos ao meio ambiente e à saúde pública. As medidas devem incluir o tratamento das águas residuais (seja mediante a conexão ao sistema público de coleta e tratamento, se ele existir, seja mediante a existência de instalações de tratamento próprias). Devem existir planos de contingência para prevenir e mitigar falhas dos sistemas de tratamento e coleta utilizados e medidas para prevenir a contaminação das águas residuais por produtos tóxicos ou perigosos. O empreendimento deve dar destinação adequada aos resíduos líquidos de motores à explosão.
O empreendimento deve planejar e implementar medidas para minimizar a emissão de ruídos das instalações, maquinaria e equipamentos, das atividades de lazer e entretenimento, de modo a não perturbarem o ambiente natural, o conforto dos hóspedes e das comunidades locais. O empreendimento deve planejar e implementar medidas para minimizar a emissão de gases e odores provenientes de veículos, instalações e equipamentos. As medidas devem incluir (ABNT 15401, 2006):
- Medidas para eliminação de odores provenientes da preparação de alimentos ou ou-tras operações do empreendimento;
- Utilização de combustíveis com menores impactos ambientais, como gás natural, GLP ou outros, quando possível;
- Programas de manutenção para os veículos e equipamentos com motores à explosão; - Evitar a utilização de motores de dois tempos. Os empreendimentos devem estabelecer
planos para substituição dos motores de dois tempos por alternativas menos poluentes; - Prevenção das emissões de clorofluorcarbonetos (CFC).
Segundo a norma (2006), é recomendável que o empreendimento faça uso de fontes de energia renováveis, na extensão e de acordo com as suas especificidades e tecnologias disponíveis, levando em conta os aspectos de viabilidade econômica e ambiental. Dentre es-tas convém considerar o uso de tecnologia solar ou outras de menor impacto ambiental. O estabelecimento deve ter implementado um procedimento para assegurar que a iluminação e equipamentos elétricos permaneçam ligados apenas quando necessário. Os procedimentos de aquisição de equipamentos e insumos que consomem energia (como lampadas, equipa-mentos de refrigeração, geladeiras e frigoríficos, fogões, aquecedores, lavadoras de roupa, etc.) devem incluir como critério sua eficiência energética e a possibilidade do uso de fontes de energia alternativas. O empreendimento deve planejar e implementar medidas para re-duzir o consumo de energia dos meios de transporte próprios e utilizados nas suas atividades. A arquitetura das construções deve utilizar as técnicas para maximizar a eficiência energética, tais como, por exemplo (ABNT 15401, 2006):
- Isolamento térmico de paredes e forros; - Ventilação natural;
- Otimização do uso da sombra e insolejamento2;
- Otimização do uso da iluminação natural;
2 Incidência do sol dentro de algum lugar, de modo que é algo estudado por arquitetos para ser adequado para o conforto térmico (associado a ventilação). “A palavra “ insolejamento “ e o significado - 81498 palavras e ....” http://www. achando.info/significado/81498/insolejamento.html. Acessado em 8 mai. 2018.
- Minimização das fugas e perdas de calor nas instalações hidráulicas, de aquecimento e de refrigeração;
- Utilização de equipamentos e dispositivos de aquecimento ou refrigeração com eficiên-cia energética maximizada.
Segundo a norma ABNT 15401 (2006), o empreendimento deve planejar e implemen-tar medidas para minimizar o consumo de água, controlar e registrar o consumo de fontes externas e de fontes próprias. Deve também planejar e programar medidas que asseguram que a captação e o consumo de água não comprometam a sua disponibilidade para as comu-nidades locais, flora e fauna, a vazão dos corpos d’água e o nível e proteção dos mananciais, preservando o equilíbrio dos ecossistemas. Relacionadas à arquitetura, as medidas devem incluir ações tais como (ABNT 15401, 2006):
- Utilização de dispositivos para economia de água (como, por exemplo, torneiras e vál-vulas redutoras de consumo em banheiros, lavabos, chuveiros e descargas);
- Programas de inspeção periódica nas canalizações e sua manutenção, com vistas a minimização das fugas de água. Devem ser mantidos registros dessas inspeções e re-paros;
- Captação e armazenamento de águas pluviais; - Preservação e revitalização dos mananciais de água.
O empreendimento deve promover, quando aplicável, o uso de águas residuais tra-tadas para atividades como rega lavagem de veículos e outras aplicações. Deve também estabelecer procedimentos que minimizem o consumo de água em piscinas. Esta água deve ter a sua qualidade monitorada periodicamente. E o empreendimento deve estabelecer áreas devidamente sinalizadas para fumantes.
Figura 6. Mirvac HQ - New South Wales, Australia - Certificação Well Gold
Fonte: Wellcertified, disponível em: https://www.wellcertified.com/en?_ ga=2.936049.1106604740.1527639405-187241217.1526343049 2.2.1.3. Certificação WELL
As normas englobam os objetivos arquitetônicos que o projeto possui, relacionados às estratégias sustentáveis e hotelaria, já a certificação WELL foi escolhida, porque traz os objetivos que o Hotel & Spa possuem, para as pessoas que fizerem uso deste espaço, o que a arquitetura e as atividades realizadas irão trazer como benefício aos hóspedes. Segundo a International WELL Building Institute (IWBI), fundada em 2013, O IWBI é uma empresa de utilidade pública cuja missão é melhorar a saúde humana e o bem-estar em edifícios e comu-nidades em todo o mundo através do WELL Building Standard (WELL).
A certificação WELL pode ser classificada por interior, casca ou pela edificação como um todo. Ela é fundamentada por 7 princípios são eles: Ar; Água; Nutrição; Iluminação; Fit-ness; Conforto e Mente. Cada um destes requisitos possuem diversos aspectos que devem ser seguidos, totalizando 100 características que uma edificação com uma certificação Well deve possuir, todas são relacionados a estes 7 princípios ligados a qualidade de vida dos usuários do espaço. Para apresentar à importância destes requisitos a certificação demonstra como cada um destes princípios possui sua problemática no mundo, um modo de intervenção que pode ser feito e um impacto que esta intervenção causaria.
Em relação ao Ar, sua problemática é de que a concentra-ção de poluiconcentra-ção em ambientes internos pode ser de 2 a 5 vezes maior do que externamente, e a poluição de ar é a principal cau-sa de mortalidade mundialmente. Uma intervenção possível seria requerer nos ambientes, que promovam entradas de ar limpo e redução ou minimização da poluição internamente. E teria um impacto de uma redução estimada de 12,7% na mortalidade.
Sobre a água, sua problemática é de que apenas 2% de de-sidratação pode ter um impacto significativo no desempenho do ser humano. A intervenção que poderia ser criada é de promover água limpa e segura através da implementação de filtros de água apropriados e testes regulares. O impacto que isto causaria é de desempenho e reações mais rápidas.
A respeito da nutrição, uma problemática existente é de que mais da metade da população mundial enfrenta o sobrepeso ou obesidade. Uma intervenção possível é requerer comidas or-gânicas e limitar ingredientes altamente processados. Com isso, o impacto causado seria da promoção de uma alimentação limpa com o aumento do conhecimento nutricional e aumento do de-sempenho e produtividade.
Quanto a iluminação, sua problemática seria que uma ilu-minação insuficiente ou imprópria pode diminuir o funcionamento do sistema circadiano. E uma intervenção possível seria a redução da interrupção do sistema circadiano do corpo com a utilização de linhas de iluminação. Tendo como impacto o aumento de produti-vidade e suporte para um sono de qualidade.
Em relação às atividades físicas, ou fitness, como é colocada na certificação, a problemática atual é o fato de que a inatividade física ainda prevalece mundialmente, e com isso, um aumento do risco de mortalidade. A intervenção que poderia ser criada seria uma integração com atividades físicas, fornecendo oportunidades de ter um estilo de vida saudável. E o impacto que isto causaria é uma redução da inatividade física de 10 a 25% e assim até 1 milhão de mortes poderiam ser prevenidas por ano.
No que se refere a conforto, um problemática existente é de que desconfortos acarretam em problemas de saúde e perda de produtividade. Como intervenção pode-se ter o fornecimento de confortos térmico, ergonômico, acústico e olfativo. O impacto que se tem é a prevenção de estresse físico e o aumento da produtivida-de e redução produtivida-de erros.
E sobre a mente, uma problemática encontrada é de que im-pactos mentais podem ser causados por barulhos, iluminação ex-cessiva, entre outros. Uma intervenção possível seria a otimização da saúde emocional através do design, tecnologia e estratégias de tratamento. E como impacto possível, existiria um aumento do rela-cionamento da pessoa com a empresa em que trabalha.
De acordo com a International WELL Building Institute (IWBI), a certificação WELL pode classificar uma edificação como, Silver (Prata), Gold (Ouro) (projeto com essa certificação na figura 6) ou Platinum. Para cada classificação a edificação precisa de uma pon-tuação mínima de respectivamente, 50, 60 e 80 pontos. O processo de certificação conta com, primeiramente o registro do projeto; de-pois, a verificação da documentação e revisão do design; logo após, a verificação do desempenho e certificação; E recertificação.
2.3. Considerações Finais
Com esta fundamentação teórica pode-se ver que o turismo está diretamente ligado à hotelaria, e que a cidade de Florianópolis possui muitos atrativos conectados a natureza, porém também está crescendo no setor de turismo de eventos e negócios. Sendo um benefí-cio à cidade, pois os Hotéis durante o verão encontram-se lotados, porém, no inverno, prin-cipalmente nas Praias, eles acabam sofrendo um déficit de hóspedes. A Ilha é também muito visada pelo turismo de bem estar, que vem crescendo no país, com a grande diversificação de spas, a sociedade vem cada vez mais buscando por uma maior qualidade de vida, em virtu-de do granvirtu-de estresse que povirtu-de acarretar em doenças, que vem atingindo granvirtu-de parte das pessoas.
Em relação aos requerimentos para a classificação de meios de hospedagem, notou--se o fato de que a sustentabilidade vem sendo cada vez mais difundido entre a sociedade e se tornando mandatório para que um hotel obtenha a classificação. Hoje em dia muitas edificações já possuem pelo menos alguma estratégia sustentável, pois cada vez mais está se criando uma consciência maior a respeito dos problemas que o planeta está enfrentando, entre arquitetos, engenheiros e até os próprios usuários dos espaços.
Porém muitos requisitos da norma, a respeito da infraestrutura, são de certo modo sub-jetivos, como por exemplo, “Aspecto externo compatível com a categoria. A fachada, acessos e calçamento devem estar cuidados e ser compatíveis arquitetonicamente com a categoria.” Este item pode conter diferentes pontos de vista sobre se um projeto arquitetônico está com-patível com tal categoria ou não. Já a norma ABNT 15401 é mais objetiva ao falar sobre os requisitos necessários para que um hotel seja considerado realmente sustentável.
REFERÊNCIAS
PROJETUAIS
3. REFERÊNCIAS PROJETUAIS 3.1. SOZAWE
A NL Architects projetou um volume escalonado para o escritório da SOZAWE (Depar-tamento de Bem-Estar e Agência de Trabalho) na cidade de Groningen. Composto por escri-tórios, um grande espaço público interior e 215 lugares de estacionamento.
Segundo o escritório, o design suporta as intenções dos arquitetos de criar um “lugar aberto, convidativo e sustentável”. Uma parte crucial do programa era o “mercado” ou “qua-drado” para permitir a interação entre o departamento e seus clientes.
Figura 7, 8 e 9. SOZAWE - NL Architects - Groninge
Fonte: ArchDaily, disponível em: https://www.archdaily.com/41538/sozawe-nl-architects
De acordo com o site Arch Daily, (2009), esta praça pública permite a interação entre o departamento e seus clientes, e a condição de terraços do prédio criam relações cruzadas entre os andares. Cada um dos nove andares do escritório se abre para um terraço individual, permitindo que os funcionários aproveitem o ar fresco, as árvores e apreciem a vista da cidade.
3.2. 1 HOTEL
O hotel de 426 quartos abriu em Março de 2015, e foi uma parceria realizada com o estúdio de design Meyer Davis e a arquiteta brasileira Débora Aguiar. Restaurando um edi-fício de 1920 na área turística de South Beach. Uma escolha de design “respeitando o meio ambiente e a paisagem dos arredores em um contraste agradável com os edifícios art deco da região”, segundo o designer Davis.
Os quartos, feitos em madeira recuperada e com móveis feitos sob medida, são muito espaçosos. Tudo é criado para minimizar o impacto ambiental, as chaves dos quartos são feitas de madeira reciclada, os colchões e os conjuntos de banho são orgânicos, utilizam um sistema de purificação de água com economia de energia, os papéis são substituídos por quadrinhos para escrever, e os copos são feitos de vidro reciclável.
A atmosfera do lugar é bem aconchegante e relaxante, por exemplo, as áreas de des-canso são caracterizadas por tons mais naturais. O hotel possui quatro piscinas, muitas caba-nas, um spa e três restaurantes «farm to table” (da fazenda à mesa).
Figura 10, 11 e 12. 1 HOTEL - South Beach Miami, Arq. Meyer Davis
3.3. AIGAI SPA
Segundo o escritório de arquitetura figueroa.arq, este Spa foi projetado para ser um oásis urbano, um lugar de recolhimento, tranquilidade e relaxamento. A fachada de concreto aparente finamente ripado se organiza como pele mediadora e emoldura o grande painel cerâmico, assim como o extenso jardim vertical. Essa longa parede verde contorna a esquina, onde se torna curva e se prolonga até a extremidade oposta do terreno. A área total cons-truída, de 1 200 m², se distribui pelo pavimento térreo, um volume superior, e um pavimento semi enterrado utilizado para garagem e serviços.
De acordo com o site Arch Daily, (2015), o acesso ao Spa é feito por uma passarela, que parte do jardim de uso público de acolhimento, passa ao longo de um espelho de água, e sobe até a plataforma desenvolvida junto ao grande painel de cerâmica. Na extremidade, uma porta de vidro leva à ampla sala de recepção, onde um pequeno pátio descoberto, total-mente em espelho de água, introduz a luz necessária ao ambiente.
No pavimento principal, após passar pela área de vestiário de clientes, chega-se aos pátios internos, confortáveis áreas de espera e relaxamento, com jardins e espelhos de água. O maior desses pátios é ocupado por uma longa piscina, um amplo espaço de relaxamento, protegido e sombreado. Ao todo, são sete salas de tratamento, sendo seis no térreo e uma no piso superior (com entrada independente), onde são oferecidos massagens e banhos es-peciais. Também importante para os tratamentos, a relação com o exterior e com a natureza, foi possível no Aigai graças aos 12 pátios projetados, com espelhos d´água e vegetação, ne-nhum pátio é igual ao outro.
Figura 13, 14, 15 e 16. AIGAI SPA - figueroa.arq
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4. ESTUDO DE CASO
4.1. Ponta dos Ganchos
O estudo de caso foi realizado no Hotel Ponta dos Ganchos - Exclusive Resort, loca-lizado em Governador Celso Ramos – SC (Figura 17), onde foi analisada a disposição dos ambientes, assim como suas áreas comuns, áreas de serviço, bangalôs e elementos arquite-tônicos.
Figura 17. Vista para a Ilha
O Hotel Ponta dos Ganchos, foi escolhido para este estudo pois possui objetivos simi-lares aos do Hotel & Spa, com a natureza sempre bem presente. O complexo tem o propósito de trazer ao hóspede uma experiência de bem estar, tranquilidade, sempre focando na qua-lidade de vida e exclusividade nos serviços oferecidos.
A Ponta dos Ganchos fica na extremidade de Governador Celso Ramos (Figura 18), localizado a 3,7 km da Praia de Palmas, sendo uma área extremamente arborizada e cercada por água e vegetação. O complexo possui 84.000 m2, e as instalações não são todas conec-tadas entre si, ele é composto por pequenos blocos, onde cada um possui uma função.
O complexo começou com apenas a parte da esquerda, com 15 bangalôs da categoria Anhatomirim e Arvoredo. Depois foi adquirido o lado direito, com uma quadra, um heliponto e uma horta orgânica, além de que vieram outros bangalôs que trazem algumas estratégias sustentáveis, como o telhado verde, que são da categoria Da Vila e Esmeralda.
Outras estratégias sustentáveis que o hotel traz são: utiliza energia solar, separação do lixo; todos os resíduos orgânicos são destinados para a Horta retornando ao jardim em forma de compostagem; o esgoto da lavanderia é tratado; e a água é reutilizada para a irrigação do hotel; 80% da mão de obra é local e praticamente todo o fornecimento para o hotel também é local.
O hotel possui 18 anos e funciona durante o ano inteiro, no decorrer do verão nor-malmente todos os bangalôs ficam ocupados, sendo eles 25, tem-se a capacidade máxima de 52 hóspedes, pois todos os quartos são para apenas 2 pessoas, com exceção de um que comporta 4.
A média de ocupação anual do hotel é de 50%, contando que durante o verão 60% dos hóspedes são estrangeiros e, na média e baixa temporada, este dado se inverte, tendo apenas 30% de pessoas que residem fora do Brasil, hospedando-se lá. Em relação aos fun-cionários, no verão existe uma média de 100 funfun-cionários, já na baixa temporada, o hotel foi visitado em Abril, o espaço estava contando com 84 funcionários. Durante o inverno, são realizadas todas as manutenções necessárias e, a cada 2 anos, é feita uma reforma.
São apenas permitidos maiores de 18 anos, existindo uma exceção no Dia das Mães, Dia dos Pais e Natal, onde maiores de 12 anos também podem vir. E também não são permi-tidos animais. O público que se hospeda lá, geralmente possui mais de 30 anos. O Resort faz parte da rede Leaders Club - The Leading Hotels of the World, na qual os associados pagam uma anuidade e ganham algumas regalias em todos os hotéis que fazem parte deste pro-grama. O que faz com que muitas celebridades se hospedem lá, pela alta exclusividade que o espaço traz ao hóspede.
Figura 18. Vista Aérea da Ponta dos Ganchos
4.1.1. Disposição dos Ambientes
Foram pedidas as plantas baixas de todos os ambientes, porém o hotel só pode dispo-nibilizar as plantas de três bangalôs e uma implantação (Figura 19), para um entendimento da disposição dos ambientes no espaço.
Figura 19. Implantação do Hotel
4.1.2. Áreas Comuns
Um hotel que tem como foco que os hóspedes fiquem mais tempo dentro dele, des-frutando de suas instalações, faz com que suas áreas comuns tenham um grande peso na estadia destas pessoas.
Ao entrar no complexo (Figura 22) o hóspede, se estiver de carro, dirige-se ao estacio-namento (Figura 21) e direciona-se para recepção (Figura 20) ao lado, que conta com uma boutique de roupas, o hotel também disponibiliza o serviço de transfer. O deslocamento pelo hotel pode-se dar a pé ou por carros elétricos que são disponibilizados às pessoas. Logo após pode-se encontrar o Espaço das Bateiras, onde é realizado o café da manhã e o chá da tarde (Figura 25),o resort não possui horário de café da manhã, cada hóspede faz suas refeições na hora que desejar, porém não tem Buffet em nenhuma refeição apenas a “la carte”. Neste espaço também está localizada a sala de jogos, com sinuca, e a sala multiuso que pode ser cinema ou sala de convenções. Boa, para reuniões que utilizem equipamentos audiovisuais, possui tela de 150 polegadas, data show, DVD, wi-fi, etc. O hotel trabalha com eventos, para empresas ou casamentos. Como possuem apenas 25 bangalôs, eles fecham o hotel inteiro apenas para determinado evento.
Figura 20. Recepção
Ao lado do Espaço das Bateiras pode-se ver o Fitness Center, que acomoda cerca de 10 hóspedes, no qual é disponibilizado o serviço de personal trainer. E a piscina interna aqueci-da (Figura 23), que é a única piscina localizaaqueci-da nas áreas comuns. Neste bloco também são oferecidas salas (Figura 24), com sofá, televisão e chuveiro, para o caso de algum hóspede chegar antes do seu horário de check-in, ele possua um espaço para descansar e se acomo-dar, até seu bangalô ficar pronto para uso. O hotel possui alguns móveis feitos de material resgatado morto, por exemplo, um pedaço de uma árvore, e transformado em peças únicas, unindo o design e a sustentabilidade.
Ao se aproximar do litoral, pode-se encontrar o spa, ou como é chamado lá, o centro de bem estar. São 3 tendas, localizadas no extremo da península do Hotel, cada uma possui uma vista diferente. Os serviços disponibilizados são: Purificante Facial, Hidratação Facial, Massagem Desintoxicante, Massagem Relaxante, Massagem com Pedras Quentes, Massagem Oriental e Massagem Profunda. Também é oferecida a possibilidade de fazer a massagem no próprio bangalô, onde se pode contratar o serviço para o casal, como Hidratação Corporal e Cuidados para as pernas.
Figura 23. Piscina Térmica
A direita do spa chega-se a praia (Figura 27), com um restaurante em frente (Figura 28), onde são realizados os almoços e jantares. Lá, qualquer hóspede que possuir alguma restrição alimentar sendo avisada com antecedência é disponibilizado menus que tem op-ções, vegetarianas, intolerância a glúten e lactose, etc. Caso seja necessária uma sala de jantar privada, o restaurante possui dois andares e então, eles reservam o andar de cima.
Logo após, está o Cantinho da Veleza (Figura 30), um espaço ao ar livre, onde são realizados happy hours e confraternizações, com capacidade para 20 pessoas sentadas, conta com um bar de apoio e também com uma área coberta com mesas e cadeiras para mais 16 pessoas. E por fim, em frente a praia pode-se ver uma Ilha (Figura 29), onde são realizados eventos, como happy hours, coquetéis, casamentos ou até mesmo jantares exclusivos para um casal.
Figura 26. Caminho ao Restaurante
Na Ponta dos Ganchos são oferecidas atividades que conectem os hóspedes com a na-tureza, como; Curso de culinária com o chef, onde são colhidos temperos na horta orgânica do hotel, e depois na ilha é ensinado como escolher frutos do mar; Jantar na praia, feito para até três casais, onde a praia fica reservada para eles; Trilha dentro e fora do resort acompa-nhadas de guia; Quadra de tênis de saibro, onde é possível também contratar um professor; Passeio de Helicóptero, ele sai do heliponto existente no Hotel; Passeio em Barco de Pescador; O hotel também disponibiliza canoas, SUP (Stand Up Paddle), Snorkeling e pesca; Passeio de Lancha pela Baía dos Golfinhos; Além de outros passeios fora da região do hotel, como Mer-gulho na Ilha do Arvoredo.
Figura 29. Vista da Ilha