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Casa da Música e Extensão Artística

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HADASSA OLIVEIRA LESSA DA SILVA

CASA DA MÚSICA E EXTENSÃO ARTÍSTICA

Florianópolis

2018

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HADASSA OLIVEIRA LESSA DA SILVA

CASA DA MÚSICA E EXTENSÃO ARTÍSTICA

Trabalho

de

Conclusão

de

Curso

apresentado ao Curso de Arquitetura e

Urbanismo da Universidade do Sul de Santa

Catarina como requisito parcial à obtenção

do título de Arquiteta e Urbanista.

Florianópolis

2018

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AGRADECIMENTOS

Gostaria de agradecer primeiramente a Deus,

pois sem Ele não teria sido possível a minha

chegada até aqui.

Aos meus pais Marcelo e Lourdes, por todo

apoio, paciência e carinho durante o processo de

desenvolvimento deste trabalho, além de me

proporcionarem a oportunidade de receber o

conhecimento acadêmico na área de minha escolha,

a arquitetura.

Aos meus amigos e demais membros

familiares agradeço o incentivo.

E à minha orientadora, Raquel Corbetta pelos

ensinamentos, incentivo e dedicação.

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RESUMO

O Trabalho Final de Graduação (TCC l) consiste no estudo e desenvolvimento do partido arquitetônico de um equipamento de ensino musical e artes livres localizado no aterro da Baía Sul, região central da cidade de Florianópolis.

A área de intervenção atualmente constitui-se em um vazio urbano, em estado de degradação, ociosidade e segregação em relação ao restante do bairro.

Como resultado de estudos e das análises levantadas ao longo do trabalho, foram

propostas diretrizes urbanas para

qualificação da orla e reconexão a cidade. Com princípio conceitual da proposta

procura-se trabalhar o edifício

conjuntamente com o entorno, a criação de um espaço democrático, dinâmico e atrativo.

O projeto arquitetônico busca valorizar o terreno, ofertar atividades de ensino e lazer vinculadas à música, arte e cultura, abrangendo faixa etárias, classes sociais e grupos diversificados.

A linguagem contemporânea da arquitetura visa proporcionar o protagonismo à paisagem e influenciar na apropriação dos

usuários em relação à edificação,

convidando-os à utilizá-la.

Para o desenvolvimento deste projeto serão necessários estudos para embasamento teórico, análises sobre a área, visitas ao terreno, e pesquisas de referenciais arquitetônicos e urbanos relacionados ao assunto escolhido.

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO

2. JUSTIFICATIVA

3. OBJETIVOS

4. PROCESSO METODOLÓGICO

5. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

5.1 A Música

5.2 Espaços para Música

5.3 Arte, Cultura e Lazer

5.4 Vazios Urbanos

6. REFERENCIAIS PROJETUAIS

6.1 Museu do Amanhã

6.2 Casa da Música

7. DIAGNÓSTICO DA ÁREA

7.1 Histórico da área

7.2 Paisagem

7.3 Morfologia urbana

7.4 Uso do solo

7.5 Mobilidade urbana

7.6 Equipamentos urbanos

7.7 Aspectos bioclimáticos

7.7 Condicionantes legais

8. PARTIDO GERAL

9. CONSIDERAÇÕES FINAIS

REFERENCIAIS

CRÉDITOS DAS IMAGENS

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1. INTRODUÇÃO

A Casa da Música e Extensão Artística é um centro de ensino voltado para atividades relacionadas a música, o local escolhido para abrigar o equipamento se encontra em uma área nobre e estratégica da cidade de Florianópolis. O projeto abrangerá espaços

variados para lecionar música

profissionalmente, promover espetáculos, apresentações, festivais de música, eventos artísticos, exposições sobre história musical e arte, oficinas e cursos abertos à população. A intenção é projetar um centro de cultura e ensino, polo artístico e musical dedicado ao lazer que sirva como ponto de encontro, promova a apropriação e uso coletivo do espaço, revertendo a situação de abandono e degradação em que a orla se encontra no momento atual.

2. JUSTIFICATIVA

O presente trabalho propõe a intervenção e ocupação da área subutilizada da Baía Sul, mais precisamente do terreno que se encontra entre a central de tratamento de esgoto (CASAN) e o Centro Sul, atualmente o terreno em questão serve como estacionamento para o centro de eventos. O aterro da Baía Sul se encontra em estado precário, ocioso e desconexo com o centro urbano, o projeto propõe reconectar o espaço com o tecido urbano, qualificar o espaço e implementar o projeto proposto. A CMEA pretende se tornar um refúgio multicultural e terá como objetivos conectar diferentes públicos de grupos sociais variados, atrair o turismo de diversas partes do país e trabalhar a coletividade em um mundo cada vez mais individualista, aproximando as pessoas com um espaço público de lazer e qualidade. A temática musical foi escolhida por se tratar de uma forma artística fortemente ligada à cultura humana e pouco explorada em sua totalidade, em Santa Catarina. O tema é considerado relevante por incentivar o autoconhecimento pessoal e cultural, além de motivar o telespectador intelectual e criativamente. A música é uma ferramenta significativa com infinitas possibilidades, tem impacto social, cultural e econômico na sociedade.

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01. Vista terreno e entorno

03. Vista superior do terreno

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3. OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL

Desenvolver um centro de ensino e expressão cultural com foco na propagação do conhecimento musical e artístico.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1.

Analisar o histórico da cidade para entender melhor as carências da área;

2.

Desenvolver diretrizes urbanísticas adequadas para qualificar o espaço, trabalhar os acessos e conectar o terreno com a cidade;

3.

Levantar as leis normativas vigentes para o local;

4.

Estudar as condicionantes atuantes no terreno;

5.

Pesquisar sobre arquitetura de centros de ensino musical;

6.

Elaborar programa e partido.

4. PROCESSO METODOLÓGICO

Em relação aos métodos que serão utilizados no desenvolvimento do projeto, estes serão divididos em etapas, inicialmente será realizada uma análise histórica sobre a região estudada com base em sites e livros, e uma pesquisa bibliográfica através de sites, artigos, teses, livros dos quais tenham relação com o tema proposto. Em seguida levantar dados para diagnosticar o local e seu entorno imediato com fotos, visitas ao terreno e desenhos esquemáticos. Através de estudos elaborar mapas de morfologia, uso do solo, equipamentos urbanos, sistema viário, cheios e vazios, análise de insolação, entre outros. Analisar referenciais projetuais para melhor compreensão do tipo de equipamento proposto e seus impactos no meio urbano. Organizar as informações levantadas e dar início ao desenvolvimento

do partido projetual levando em

consideração todas as informações

anteriores e dando início ao programa de

necessidades, zoneamento, desenhos

esquemáticos e volumetria proposta

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5. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

5.1 A MÚSICA

O termo vem do grego Mousiké, cujo significado aproxima-se de “Arte das Musas” originando-se na Grécia como referência a mitologia grega, inspirando-se nas filhas de Júpiter e Mnemosine, deusas da poesia e educação.

De maneira que o conceito de música abrangia não apenas sonoridade, mas as artes das quais tinham o ritmo como denominador comum.

Entre muitas de suas definições a música pode ser descrita como “arte e ciência de combinar os sons de modo agradável ao ouvido” (FERREIRA, 1993), de acordo com Pannain (1975 apud BRITO, 2003, p. 26), é “Arte de combinar sons e formar com eles melodia e harmonia”, e para Koellreutter (1915 – 2005) define-se acima de tudo como um meio de comunicação, transmissão de ideias daquilo que foi pesquisado, descoberto ou inventado.

Pode-se afirmar que a música é uma manifestação artística intrínseca ao ser humano visto que os primeiros contatos se deram através dos sons da natureza e ritmo através de noções de compasso por atividades cotidianas como caminhar, correr ou cavalgar, existem registros de musicais

através de inscrições e até instrumentos feitos a partir de ossos de animais na pré-história datando aproximadamente de 30 a 40 mil anos atrás.

Em 1998, pesquisadores americanos e canadenses descobriram na Eslovênia (Balcãs, Europa) uma flauta rudimentar feita com pedaço de fêmur de uma espécie extinta de urso, com 4 orifícios [...] (FREDERICO, 1999, p. 9).

Embora tenha passado por

transformações através do tempo, a relação do homem com a música nunca foi perdida, apenas adaptado por questões econômicas,

sociais, políticas e ideológicas

impulsionadas principalmente pelo

desenvolvimento tecnológico e industrial da cultura ocidental.

01. Musas tocando instrumentos, vaso grego séc IV – A.C.

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Em âmbito nacional observa-se que a música brasileira assim como a própria cultura em si, é resultado de uma fusão de diferentes etnias, religiões, ideologias, classes sociais e diversas experiências. Nossa identidade musical é formada pela sua variedade e complexidade, esse cenário advém de uma série de variações atribuídas a contextos históricos e agentes sociais.

De acordo com Hummes (1964 apud, MERRIAM, 1964, p. 219), a música exerce diversas funções na sociedade e para isso define dez categorias principais:

Função de expressão emocional: refere-se a uma

expressão de liberação de sentimentos ou ideias, como um desabafo de emoções. (fig. 02)

Função de prazer estético: aborda a estética

tanto na visão do criador quanto do espectador.

Função de divertimento: descrito de maneira

geral, função na qual se encaixa em todas as sociedades.

Função de comunicação: no sentido de

comunicação de algo, de acordo com a cultura na qual se encontra.

Função de representação simbólica: pode ser

através de letras, emoções ou outros elementos.

Função de reação física: produz resposta física,

de acordo ao grupo ou cultura na qual se encontra.

Função de impor conformidade às normas sociais: refere-se ao controle social, tanto para

advertência direta em relação a sujeitos indesejáveis, quanto indireta ao que é considerável um sujeito desejável.

Função de validação das instituições sociais e dos rituais religiosos: pode ser utilizada em situações

sociais ou religiosas.

Função de contribuição para a continuidade e estabilidade da cultura: quando a música

permite a expressão emocional, fornece prazer estético, diverte, comunica, obtém respostas físicas, conduz conformidade às normas sociais, valida instituições sociais ou religiosas, também contribui para a continuidade e estabilidade da cultura.

Função de contribuição para a integração da sociedade: ocorre quando a música fornece um

ponto de convergência no qual os membros da sociedade se unem para participar de atividades, gerando cooperação ou coordenação.

Apesar de seu destaque por valores estéticos a musicalidade abrange infinitas possibilidades, diversos especialistas tem buscado discutir e analisar a conexão humana com a música, estudos apontam que tanto exercício quanto o ouvir possuem múltiplos benefícios.

Falar do poder da música é assinalar de algum modo a sua influência no ser humano pois, como fenômeno físico (som, ruído, silêncio – objeto da físico-acústica) e como fenômeno psicológico, seus elementos constitutivos e sua sintaxe de semântica singular induzem correspondentes movimentos biológicos, fisiológicos, psicológicos e mentais. (Sekeff, Maria de Lourdes, 2007, p. 69).

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14 Segundo Nogueira (2011), o ensino

musical potencializa a aprendizagem cognitiva, particularmente no campo do raciocínio lógico, da memória, do espaço e do raciocínio abstrato. Em 2007 na Instituição de Longa Permanência para Idosos, foi realizado o projeto de pesquisa “idosos tabagistas asilados e organização de asilos” conduzida por Prazeres e outros (2013), o grupo de pesquisa organizou um coral de canto entre os idosos e observaram-se efeitos positivos em relação à autoestima, satisfação pessoal e sociabilidade. Outras pesquisas envolvendo musicoterapia e pessoas idosas detectaram impactos benéficos ainda em casos mais graves como depressão, ansiedade e até doença de Parkinson.

02. Show de Woodstock, 1969.

Costa e outros (2011) em seu artigo de pesquisa mostram os efeitos do exercício musical em adolescentes que cumprem medidas socioeducativas de internação no Estado do Amazonas. Nesse contexto a música oferece uma possibilidade de transformação do jeito ao valorizar sua expressão criativa e espontânea, e desenvolver suas habilidades artísticas, sociais e cognitivas de maneira construtiva. Foram realizados ensaios, grupos reflexivos e apresentações resultando no melhor convívio dos adolescentes entre si e

funcionários do centro, melhor

expressividade e autopercepção. Sendo assim a música destaca-se como uma ferramenta em potencial para impactar positivamente a sociedade.

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5.2 ESPAÇOS PARA MÚSICA

ANTIGUIDADE E IDADE MÉDIA

Segundo Forsyth (1985 apud Pita, 2012, p. 100), os espaços da música são provenientes de duas origens, acústica em espaços abertos e cavernas, a primeira se coloca como prioridade a voz humana e a segunda é resultado de uma série de eventos e acontecimentos.

Os primeiros espaços dedicados à musicalidade não surgiram exclusivamente para tal, mas juntamente com outras formas artísticas como teatro, poesia ou rituais religiosos, atividades das quais possuíam papel de coletividade(fig. 03 e 04).

03. e 04. Anfiteatro de Epidauros – Grécia

03

Por volta do séc. VII com a igreja católica consolidada, igrejas românicas já apresentavam características físico-acústicas das quais devido ao tempo de reverberação que suas vedações mais espessas permitiam desta vez com foco na harmonia musical (fig.05).

O desenvolvimento da poliritmia coincidiu com a construção da escola de Notre Dame, conforme Pita (2012) as catedrais góticas são os primeiros exemplos mais bem acabados da integração entre liturgia, arquitetura e música como forma de transmissão de mensagem espiritual em igrejas. Características como grandes e altas ogivas e maiores tempos de reverberação, criavam sobreposição de sons do quais vinham do alto, indo de encontro com os ideais cristãos (fig. 06).

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05. Igreja Românica – Outeiro Seco, Portugal 06. Catedral de Notre Dame – Paris

07. Teatro Olímpico - Itália 08. Praça de San Marco - Veneza

RENASCIMENTO

O período do Renascimento foi marcado pelo resgate de valores da Antiguidade Clássica, em especial a cultura grega e romana.

Com o aumento de músicas com temas populares e mudanças no estilos originou-se a necessidade de outros espaços para performances musicais fora da igreja, desta maneira tomam forma espaços como salas de concerto e teatros.

Um espaço contido e fechado, construído para a sociedade laica, dedicado à ópera. A profundidade e organização da plateia favoreceram a escuta diretas do som omitido com imperceptível reverberação, e a ornamentação auxiliava na absorção e deflexão das ondas sonoras pela plateia (fig. 07).

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Outros espaços de apresentação surgiram também em espaços de grandes jardins de residências nobres ou praças citadinas onde grandes festas e bailes eram ofertados para oligarquias dominantes. (fig. 08)

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BARROCO

Em meio a inúmeras mudanças como descobertas de novas terras e colonização de outros povos, novas igrejas

foram construídas com intuito de

sensibilizar, impressionar fiéis e realizar trabalhos de catequese com povos indígenas, características que tiveram impactos no interior da igreja.

Com efeito, a maior importância do sermão e da voz da congregação do protestantismo exigiu um novo espaço de menores dimensões onde todos

pudessem ver e estar próximos do pregador. Assim foram erguidos púlpitos e criadas galerias para que a população pudesse estar mais próxima, e tapeçarias foram penduradas para melhor compreensão da voz (PITA, 2012, p. 164).

A Ópera é considerada a música característica do período, e da necessidade de espaços direcionados para este uso, inicialmente em salas para pequenos concertos onde a audibilidade do som e tempos mais curtos tempos de reverberação.

09. Cena cinematográfica de um típico concerto barroco, posicionamento dos assentos organizados por classes sociais.

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CLASSICO E ROMÂNTICO

Nessa época surgem as partituras e periódicos destinados também aos músicos amadores, marcando o início de uma geração nova de artistas.

Durante esse período havia o uso de espaços improvisados ou construídos com poucos critérios específicos, cabendo aos músicos à adaptação. Ao final do séc. XVlll o Teatro Alla Scala em Milão foi construído, com proporções maiores do que do que outros na época, considerado o centro de música na Itália apesar de falhas acústicas devido seu porte (fig. 10).

A influência da música e dos teatros italianos se espalhou pela Europa, gerando a construção de casas de ópera em diversas cidades.

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Outro edifício de destaque na época foi o Residenz Theater, por François Cuvilliés em Munique, decorado ao estilo francês moldado em relevo, essa estratégia ajudou a difundir o som melhorando o resultado acústico. (fig. 11)

Ao mesmo tempo, transformações construtivas e sociais fizeram com que a música passe a se tornar aos poucos domínio público e deixe de ser encomenda e patrocínio de nobres e aristocratas.

10.Teatro Alla Scala – Milão. 11. Teatro Residenz – Munique.

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NEOCLASSICISMO

Ainda um tempo de transição por motivos como, novamente a revolução industrial, o crescimento da população em deslocamento para metrópole e crescimento da burguesia, instalações públicas de uso misto também começaram a se espalhar na Inglaterra, utilizados como ponto de encontro, discussão e eventos. Dentre estes pode-se citar o St. George’s Hall em Liverpool (fig 12 e 13).

Nem sempre estes espaços alcançavam a adequação necessária para a música, mesmo os mais recentes, que ignoravam completamente, em alguns casos, necessidades básicas de posicionamento de coro e da orquestra, assim como as áreas técnicas e de retaguarda. (FORSYTH, 1985, apud, PITA, 2012, p. 220).

Devido as grandes exposições artísticas pela Europa, alguns projetos incorporaram em seus edifícios o uso de vidro e aço, assim como o Palácio de Cristal em Londres que abrigava jardins e outros atrativos além das apresentações musicais. Sob sua abóboda havia espaço para até 4.000 músicos e um órgão de 4.500 tubos, os materiais proporcionaram uma estrutura leve e sem barreiras, porém a potência sonora era relativamente mais fraca (fig. 14 e 15).

O melhor exemplo é a Vienna Grosser

Musikvereinssaal considerada, segundo

exaustiva pesquisa de Beranek, o melhor espaço para música em uso atualmente (BERANEK, 1996, apud, PITA, 2012, p. 225).

O projeto passou por diversas alterações, porém nenhuma causou impacto negativo físico, apresenta uma qualidade

acústica satisfatória em relação a

reverberação, brilho e inteligibilidade (fig. 16 e 17).

12. e 13. St. George’s Hall - Liverpool 14. e 15. Palácio de Cristal - Londres 16. e 17. Musikvereinssaal - Viena

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MODERNISMO

MODULOR DE LE CORBUSIER

Arquitetos como Frank Lloyd Wright e Le Corbusier utilizaram geometria, leis matemáticas e refinamento geométrico em suas obras, sendo assim LeCorbusier elaborou uma teoria geométrica que retomava alguns dos princípios harmônicos de Pitágoras na Antiguidade.

Observa-se o apresso do arquiteto pelas analogias musicais e o uso do homem como escala e razão nos projetos, diante disso criou seu próprio sistema de proporção o chamado “Le Modulor” (fig.18). A arquitetura do período moderno buscou uma linguagem pura e racional, e afastar da simetria e repetição da antiguidade.

IANNIS XENAKIS: A ARQUITETURA COM

QUALIDADES MUSICAIS

Durante o movimento moderno, a comunicação entre a música e o espaço é explorada nos estudos do grego Iannis

Xenakis (1922 – 2001), arquiteto,

matemático, escritor e músico. Seu envolvimento com a música e parceria com Le Corbusier durante sua carreira, resultaram em alguns projetos relevantes notáveis, como o Pavilhão Philips (fig.19) na Exposição Internacional de Bruxelas. Ao pesquisar profundamente a estrutura musical e ao aplicar cálculos abstratos em

seus desenhos, Xenakis implementa em seu projeto sua composição denominada “Metastasis” criada a partir do Modulor de Le Corbusier, e o uso de superfícies parabolóides hiperbólicas. O Pavilhão temporário foi projetado para abrigar a apresentação de “Poème Elétronique” um evento multimídia organizado por Le Corbusier simbolizando desenvolvimento da humanidade e sua relação com o conhecimento e com a tecnologia.

A fusão de ritmos, imagens, sons, cores e tecnologia geravam a sensação de imersão completa do espectador e a obra, e a relação de som e espaço.

[...] Le Corbusier e Xenakis fazem uso de todas as possibilidades fornecidas pela tecnologia da época: eletrônica; iluminação artificial colorida sendo direcionada para as paredes e ressaltando sua forma; sistemas de automação para projeção de imagens coloridas e monocromáticas nas paredes e no teto; e a acústica, que deveria criar efeitos de estereofonia, reverberação e eco, dando a impressão do som estar se movendo entre o público (COMUNE, 2010, p. 50).

18. Homem vitruviano, croqui de Le Corbusier de seu “Modulor” 19. Pavilhão Philips, 1958.

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O início do séc. XX foi marcado por mudança de paradigmas culturais e sociais, e teve impacto global.

Com a mudança de tendências da música contemporânea através do tempo, os edifícios precisavam atender novas

necessidades e acompanhar certas

tendências, que modificaram as

características espaciais tradicionais.

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Em meio às novas tendências,

surgiram instalações e pavilhões

temporários com propósito de ser tornarem espaços de experimentação, no Pavilhão da Alemanha na feira mundial de Osaka em 1970, Stockhausen auxiliou no processo de

criação do auditório circular com

capacidade para 500 pessoas, o que influenciou na espacialização do som (fig. 20 e 21).

Fica clara a vontade de desfazer a localização estática e a organização espacial aceita como correta por parte do compositor. Stockhausen ainda faria uma apresentação no mesmo conceito de Bonn, em sua obra Musik fur ein

Hau, apresentada em 1968. Aqui os

músicos estavam distribuidos em diversas salas, ou se ouvia algum grupo de músicos, através de auto-falantes ou nenhum deles. (FORSYTH, 1985, apud, PITA, 2012, p.270).

Descobriu-se então que espaços

adaptáveis às diferentes condições

apresentadas pelo artista eram

interessantes, do ponto de vista que exercia algo além da sua função, como ocorreu com a sede da Filarmônica de Berlim (fig. 22) projeto por Hans Scharoun, considerado

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24 controverso por sua forma externa, e sua

sala de concertos configurada pelo palco que é cercado por todos os lados pela plateia, a configuração dos assentos é independente entre si, fazendo com que pudesse ser vista a reação da plateia e o espetáculo simultaneamente, e também pode ser utilizada da maneira tradicional visto que há uma frente e organização de orquestra.

Outra característica é a visão do público ao fundo e nas laterais do quadro da câmara transmite a sensação de imersão, a disposição possibilitou o enquadramento de maneira interessante caso houvesse algum tipo de gravação da orquestra. Por outro lado existem projetos construídos “de fora para dentro”, como o caso da Ópera de Sydney (fig.22 e 23) projetado por John Utzon, de maneira semelhante ao anterior passou por controvérsias. Entretanto oferece espaços funcionais para apresentações de teatro, música, cultura e lazer.

20. e 21. Pavilhão da Alemanha, feira mundial de Osaka, 1970.

22. Sede da Filarmônica de Berlim, 1963. 23. e 24. Ópera de Sydney, 1973.

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Através do tempo houveram

mudanças no processo de criação e projeto de edifícios com finalidades musicais, características como elementos internos,

forma volumétrica, proporção do

equipamento, e materiais utilizados

influenciam diretamente no resultado obtido, e diante disto conclui-se que devem ser consideradas desde a concepção do projeto.

Preceitos como os princípios de harmonia e escala, eram levados em consideração desde a Antiguidade. Embora a simetria e harmonia tenham sido tenham se tornado características opcionais e não mais padrão, relações entre proporção e escala humana ainda são levados em consideração até hoje.

Do mesmo modo entende-se que como resultado da evolução tecnológica e da sociedade em si, o programa de necessidades flexível e multifuncional, no qual englobe atividades variadas, se encaixe melhor com as novas necessidades e contexto urbano atual.

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5.3 ARTE, CULTURA E LAZER

A falta acesso aos espaços públicos de lazer, desordem, adensamento e segregação são problemas que atingem refletem diretamente na qualidade de vida urbana.

O lazer no contexto do espaço público possui o papel de humanizar a cidade, contribui para a democratização, revitalização e recupera hábitos e culturas.

Segundo Castelli (2001 apud SILVA 2005), o lazer pode ser dividido da seguinte forma:

1. Descanso - o lazer é reparador das deteriorações físicas e nervosas

provocadas pelas tensões resultantes das obrigações cotidianas e do trabalho; 2. Divertimento - as atividades do divertimento, da recreação e pelo entretenimento favorecem a ruptura com o ritmo de vida oprimido do homem contemporâneo, e podem ser: jogos, esportes, viagens, teatro, cinema […]; 3. Desenvolvimento - trata-se do desenvolvimento da personalidade através da participação em diversas atividades livremente escolhidas. (CASTELLI, 2001, apud, SILVA, 2005, p. 13).

Espaços livres ou construídos de lazer devem incentivar a participação social lúdica e possibilitar a adequação de atividades

assimiláveis pela cultura local. O

planejamento destes espaços devem levar

em consideração as práticas de lazer diversificadas com propósito de gerar interação entre usuários, sustentabilidade e inclusão social visando resgatar e garantir a cidadania.

A Arte sempre esteve presente na relação humana com o mundo, de acordo as manifestações culturais específicas, em proporções diferenciadas as expressões artísticas são o reflexo do “sentir, pensar e fazer” do homem.

Dente as distintas áreas em que a arte está presente na sociedade, o espaço urbano não é exceção.

[...] Assim, os contextos urbanos, que sempre foram palcos de transformações e interações sócio-políticas, econômicas e culturais, se vêem envoltos em uma teia complexa de relações da qual a arte é parte constitutiva e construtora, podendo ser um importante agente estimulador e fazedor das mudanças dentro de uma sociedade. (FREITAS, 2005).

Entretanto alguns pontos são

discutidos no assunto, como a produção artística puramente visual gerada muitas vezes com propósitos econômicos, em contraponto com a produção artística que propõe vínculos com a cidade, do ponto de vista estético e social.

Quando articulada coerentemente, a arte pode ser uma ferramenta de transformação do meio urbano capaz

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evidenciar a diversidade através do redimensionamento do espaço público, e conectar fronteiras de diferentes identidades na sociedade contemporânea. A cidade é palco de transformações sociais e culturais, e é importante permitir que o indivíduo possa assumir um papel atuante neste contexto, estimulando a dinâmica e interação das relações socioculturais.

A arte inclusive pode ser incorporada na arquitetura, tal como no caso da Ópera de Oslo (fig. 25) em que o projeto possui

uma forma artística monumental e expressiva, e foi elemento de transformação na cidade. A Ópera influenciou na conexão paisagem e cidade, e possibilita a integração direta do público com a obra.

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5.4 VAZIOS URBANOS

Os impactos negativos em relação aos espaços vazios no contexto urbano podem ser diversos, desde a degradação pela falta de cuidados, depreciação do entorno, e até a possibilidade de atividades ilícitas.

Segundo Meneguello (2009 apud FORTUNA; LEITE, 2009), os vazios urbanos

são associados a processos de

desindustrialização, devido a

transformações na indústria, na ocupação do espaço e na alteração das formas de produção, vastas áreas anteriormente voltadas a produção ou escoamento da produção transformam-se em amplos espaços, não engendram novos usos.

[...] A existência de tais espaços é uma doença a ser sanada, um erro a ser corrigido, um dano urbano. Todos criticam o sub-aproveitamento do

espaço urbano, e propõem grandes “gestos” que re-simbolizem esses lugares. São áreas de oportunidade de desenvolvimento econômico, de reestruturação urbana, de transformação da imagem da cidade, de locais possíveis para investimentos (MENEGUELLO, 2009, p. 131).

Diante disso, vê-se a necessidade da recuperação e restauração dessas áreas, através de espaços verdes ou novos usos sustentáveis, que estimulem a apropriação de usuários, o turismo, o lazer e a situação socioeconômica da cidade.

O Museu Guggenheim (fig. 26) se destaca como um projeto cujo intuito contemplou o processo de revitalização urbana da zona portuária degradada da cidade Espanhola Bilbao. O museu impulsionou a economia e o turismo da cidade, criou uma conexão com a cidade e a paisagem.

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6. REFERENCIAIS PROJETUAIS

6.1 MUSEU DO AMANHÃ

Portador do selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) e projetado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o Museu do Amanhã está situado no Rio de Janeiro em uma zona portuária da cidade, da qual passou por um processo de revitalização.

Dividido em dois pavimentos, o

projeto totaliza 15.000m² e abrange espaço

01. Planta baixa em perspectiva

de exposições temporárias, áreas

administrativas e técnicas, espaços

educacionais, auditório, loja e restaurante no térreo. O pavimento superior abriga a exposição permanente e possui vista panorâmica da Baía de Guanabara. Percebe-se ainda a adequação da altura total da edificação em relação ao seu entorno, cujo limite não passou de 18m. Desta maneira a visibilidade do Mosteiro de São Bento (Patrimônio Mundial da UNESCO) com a Baía não é interferida.

A edificação busca a proximidade de elementos naturais, cercada por espelhos d’água, possui acessos por meio de

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30 caminhos entre as águas. Da mesma

maneira os passeios públicos para pedestres

e vegetações circundam o perímetro do cais.

Em relação a sua estrutura, constitui-se basicamente de concreto e cobertura metálica.

Embora o projeto possua diversas características das quais podem ser

consideradas notáveis destaca-se a

sustentabilidade, a eficiência energética se dá pela cobertura possui um mecanismo do qual o permite movimentar-se de acordo com a trajetória solar e painéis fotovoltaicos para captação de energia. Também pelo sistema de climatização e iluminação de baixo consumo, bombas e motores de alta

eficiência. A racionalização de água é feita através da reutilização da água da Baía para climatização, captação da água da chuva pelas calhas, reutilização da água depois de tratada, pisos permeáveis e claros para diminuição do efeito de ilhas de calor. Os materiais escolhidos foram escolhidos de acordo com critérios ambientais, além da reutilização de materiais da obra, o que reduziu a produção de entulhos.

O referencial foi escolhido principalmente pelas suas estratégias sustentáveis, relação com a área e edificações históricas próximas, a forma de implantação que valoriza o

pedestre e o uso de vegetação nativa.

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6.2 CASA DA MÚSICA

Localizado na cidade do Porto em Portugal, na parte histórica de Rotunda da Boa Vista e realizado pelo Grupo OMA (Office for Metropolitan Architecture), o projeto foi ganhador do concurso realizado com iniciativa do Ministério da Cultura de Portugal.

Com área total de 22.000m² e concluído em 2005, a Casa da Música funciona como Sede da Orquestra Nacional do Porto. A proposta da obra era se tornar um organismo vivo dentro da cidade, buscar a relação interno/vazio e externo/ público.

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O edifício apresenta uma forma isolada, sólida e multifacetada no terreno em concreto branco e algumas aberturas estrategicamente posicionadas em vidro corrugado.

De acordo com o site Archdaily, o auditório principal toma partido da forma “caixa de sapatos”, cujo o uso é tradicional pelo efeito acústico favorável e emprega o uso de transparência em suas extremidades.

04. Acesso principal 05. Terraço funcional

06. Perspectiva relação com entorno e a praça tradicional

05 06

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33 07 PROGRAMA 1. Ensaios 2. Camarim 3. Restaurante para músicos 4. Escritório 5. Doca para carregamentos 6. Entrada para músicos 7. Solistas 8. Foyer 9. Bilheteria/chapelaria 10. Auditório principal (capacidade 1.300) 11. Entrada pública 12. Gravações 13. Bar 14. Auditório secundário (capacidade 350) 15. Educacional 16. Espaço VIP 17. Restaurante 18. Terraço 08 09

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O Projeto apesar de ser focado no uso de Sede da Orquestra Nacional do Porto, também possui um programa de necessidades no qual abrange usos para a comunidade local.

Sua forma geométrica complexa requereu diversos estudos e protótipos estruturais para solução aplicada no

edifício. A “casca” exterior possui

aproximadamente 400mm de espessura, enquanto as paredes do auditório cerca de 1m, estes bem como pilares e paredes inclinados em pontos estratégicos são importantes na sustentação, em relação aos materiais estruturais, foram optados os usos de concreto autoportante, concreto armado e estrutura metálica.

As características que influenciaram na escolha deste projeto como estudo de caso, foram o programa de necessidades que se encaixa aproximadamente com a proposta e o resultado volumétrico pretendido no final deste trabalho, fora do padrão tradicional e ainda assim valoriza o entorno em que está inserido.

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7. DIAGNÓSTICO

7.1 HISTÓRICO

A formação da região central da Ilha de Florianópolis é resultado de diversos fatores juntamente com a evolução natural houve aspectos geográficos, econômicos,

colonização de imigrantes europeus,

ocupação dispersa e políticas urbanas. Segundo VEIGA (2008), as ruas e praças evoluíram a partir do centro histórico, de onde partia os principais vetores do crescimento urbano.

Antes do aterramento, o centro histórico, o Mercado Público, o Miramar, clubes de regata e atracadouros ficavam junto à orla, e a população desfrutava de sua relação direta com o mar.

Até a década de 30 a cidade possuía um vínculo comercial com base no porto e a indústria artesanal.

Com o desenvolvimento das

indústrias e do comércio, do mesmo modo o aumento populacional acompanhou o processo.

A construção do aterro da Baía Sul teve início na década de 40 e perdurou até 70. Em 75 houve a construção da Ponte Colombo Salles, e posteriormente a construção viária do aterro proporcionando uma nova conexão continente e Ilha.

O projeto teve resultado inverso a sua proposta, embora tenha possibilitado um amplo espaço livre próximo ao mar, o espaço caiu em abandono e ociosidade. O centro perdeu a conectividade com a orla marítima, e voltou-se para o próprio núcleo.

No decorrer do tempo alguns projetos foram propostos para a área do aterro da Baía Sul, porém nenhum até o momento foi concretizado.

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36 01 02 03 04 01. Florianópolis, 1928. 02. Florianópolis, 2006.

03. Vista da Baía Sul a partir da Rita Maria. 04. Vista aérea da Baía sul.

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7.2 PAISAGEM

Através de visitas ao local de intervenção foram feitas análises feitas a partir de observações. A visita revelou algumas dificuldades desde o trajeto ao terreno, o caminho se mostrou impróprio devido ao longo caminho entre espaços vazios e ocupados irregularmente por alguns moradores de rua, que deve ser percorrido até a passarela de acesso ao aterro Baía Sul. A passarela embora sirva seu propósito, possui algumas falhas no piso que podem dificultar a passagem de pessoas idosas ou pessoas com deficiência, além da degradação visual da mesma. Na chegada ao local notou-se potencial visual do terreno, a paisagem é composta pela vista privilegiada da Baía Sul e do Morro da

05. trajeto até passarela 06. Trajeto até a passarela

Cruz, aspectos que chamam atenção em

primeiro plano. Aos poucos são revelados outros pontos visuais de relevância como a ponte Hercílio Luz, importante símbolo da cidade de Florianópolis.

Algumas características negativas, porém também foram percebidas, a orla e o terreno não apresentam relação com o mar ou a cidade, pelo contrário, devido à falta de espaços verdes e de lazer, bloqueio visual causado por equipamentos do local, e a barreira física causada pela Rodovia Gustavo Richard tornam o espaço desabitado, ermo e inseguro. O terreno em especial, no momento é utilizado como estacionamento para o Centro Sul, sofre com alagamento em dias de chuva, e acumulo de entulhos e lixo descartados na borda juntamente com a Baía.

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08. Vista a partir da passarela 09. Terreno

11. Terreno 12. Terreno

14. Vista do mar a partir do terreno 15. Vista do mar

10. Terreno

13. Terreno

16. Vista do mar a partir do terreno

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De acordo com o mapa de cheio de vazios, é possível compreender a formação do tecido urbano da parte central da cidade de Florianópolis. O centro apresenta uma diferenciação na forma de ocupação do solo em partes distintas, em função de

condicionantes históricos, legais,

econômicos e sociais.

A porção histórica da cidade retrata um período em que a posição das edificações se voltava em direção ao mar, o aproveito máximo do terreno delimitando a rua, e a configuração característica, eram levadas em consideração. O traçado ortogonal, adensamento, e a baixa permeabilidade do terreno devido à falta de recuos das edificações no terreno, formaram lotes quase totalmente ocupados.

A parte da porção construída posteriormente, já em conformidade com leis de urbanização mais modernas, possui ocupações com aproveitamento um pouco menor em relação ao terreno.

Por outro lado, existem extensas áreas que se encontram vazias e subutilizadas, a orla da baía sul faz parte desta realidade.

Da mesma maneira, o traçado urbano se diferencia na base do Morro da Cruz, decorrente de transformações urbanas e sociais. Nessas áreas as ocupações são dispostas de maneira irregular, gerando lotes desordenados e menores, embora não apareça no recorte em análise, a área tem proximidade e fica em área central.

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7.4 USO DO SOLO

Ao analisar o mapa, de maneira geral nota-se o predomínio majoritário do uso comercial e institucional por toda a parte central da cidade.

Em relação às edificações históricas, embora tenham sido destinadas ao uso residencial, o uso posteriormente foi convertido em comercial e serviço.

Devido a setorização estabelecida, os usos residencial e misto são relativamente minoria em relação ao restante.

A falta de diversificação de usos gera impactos negativos na cidade, o centro de Florianópolis se torna um exemplo claro neste aspecto. Em horário comercial durante o dia o movimento de pessoas é indiscutivelmente intenso, ao entardecer por outro lado a área apresenta uma face totalmente diferente, o local se torna um ambiente inóspito, com pouca circulação de pessoas, resultado em áreas inseguras e sem vida.

JACOBS (2000) determina quatro condições para indispensáveis para gerar uma diversidade em ruas ou distritos, a primeira delas sendo:

1. O distrito, e sem dúvida o maior número possível de segmentos que o compõe, deve atender a mais de uma função principal; de preferência a mais de duas. Estas devem garantir a presença de pessoas que saiam de casa em horários diferentes e estejam nos lugares por motivos diferentes, mas sejam capazes de utilizar boa parte da infra-estrutura.

A proposta para a área de estudo pretende revitalizar o espaço e oferecer serviços diversificados em diferentes horários para os moradores da região central, desde áreas nobres até precárias. O resultado esperado é gerar vitalidade para a região, integração social e incentivo econômico.

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7.5 M

OBILIDADE URBANA

Um dos problemas principais na cidade de Florianópolis atualmente é questão da mobilidade urbana, que vêm se agravado através dos últimos anos devido ao aumento da população e falta de intervenção do poder público.

O terreno de estudo situado na orla da baía sul tem proximidade com três terminais de ônibus, o Terminal rodoviário Rita Maria, o TICEN e o Terminal antigo. Ainda assim essa relação de acesso direto é dificultada devido a Rodovia Gustavo Richard, cujo trajeto passa pela orla. A rodovia faz a ligação entre o Sul da Ilha de Florianópolis e Continente, o fluxo de veículos é intenso e rápido, possuindo poucas faixas ou passagens de pedestres.

Se levarmos em conta as demais vias, observam-se calçadas estreitas, conflito de pedestres, ciclistas e veículos.

Também a falta de transportes públicos de qualidade, novas variações de

transportes e ciclovias, influencia no uso prioritário do carro causando problemas como engarrafamentos e poluição no meio ambiente.

Como diretrizes serão propostas algumas melhorias na mobilidade, em especial direcionadas ao acesso do público em relação ao terreno de estudo. Além disso, pretende-se implementar ciclovias e passeios, bem como melhorias em ruas existentes.

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7.6 EQUIPAMENTOS URBANOS

No centro da cidade se encontram alguns dos principais pontos de interesse histórico dos quais são destinos turísticos na Ilha de SC.

Alguns incluem a Catedral

Metropolitana, o Mercado Público, o Museu Victor Meirelles e o Palácio Cruz e Souza.

Do mesmo modo alguns espaços livres igualmente possuem valor tais como o Parque da luz, a Praça XV de novembro, a Praça Getúlio Vargas e o Largo da Alfândega.

Os espaços de cunho cultural, bem como os espaços verdes e de lazer

localizados na cidade interferem

diretamente na qualidade e vitalidade do meio urbano.

[...] Quanto mais a cidade conseguir mesclar a diversidade de usos e usuários do dia-a-dia nas ruas, mais a população conseguirá animar e sustentar com sucesso e também naturalidade (e também economicamente) os parques bem localizados, que assim poderão dar

em troca à vizinhança prazer e alegria, em vez de sensação de vazio. (JACOBS, 2000, p. 121).

Infelizmente parte considerável destes espaços sofre com a falta de manutenção e cuidados, o que influencia no afastamento dos usuários e resulta em espaços ociosos e inseguros.

Em boa parte da área do aterro da baía sul estão alocados equipamentos institucionais, embora necessários, não possibilitam a relação entre o centro e a orla marítima, e a integração dos usuários com o espaço.

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7.7 ASPECTOS BIOCLIMÁTICOS

Em relação ao clima da região, em escala nacional o predomínio é subtropical. O terreno encontra-se na orla da Baía Sul, e a temperatura média na Ilha varia entre 16º durante o inverno e 25º no verão.

A proximidade com o mar influencia diretamente nos ventos predominantes vindo da orientação sul e nordeste, e umidade do ar. O contato direto com o mar faz com que o impacto do vendo sul se torne mais intenso, enquanto o Morro da Cruz influencia na desaceleração do vendo nordeste.

A insolação atinge o local de maneira intensa, e os ruídos provenientes principalmente do fluxo intenso de veículos

na Rodovia Gustavo Richard, são

características notáveis que atuam sobre o aterro da Baía Sul, e consequentemente na área de estudo proposta.

O terreno ocasionalmente também sofre alagamento devido as estações

chuvosas características do clima de Florianópolis.

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7.8 CONDICIONANTES LEGAIS

O Plano Diretor de Florianópolis – Lei Complementar nº 482/2014, indica que o terreno de análise está inserido em uma AVL e OUC - 5 simultaneamente.

A AVL (Área Verde de Lazer) indica que a área deve ser destinada ao uso público para prática de atividades de lazer

privilegiando a implementação ou

preservação de espaços verdes.

Em relação ao parcelamento de AVL, deve ter superfície contínua de no mínimo 2.000 m² e relação máxima de testada e comprimento de ¼.

A Área também é prioritária para OUC (Operação Urbana Consorciada), portanto, projetos de intervenção devem ser autorizadas pelo Poder Público Municipal e de preferência com participação de

moradores, proprietários, usuários

permanentes e investidores.

O intuito é que as transformações estruturais ou urbanas nestes espaços

possam ter impactos sociais e ambientais positivos

São passíveis de mudanças

características como, índice, parcelamento, uso e ocupação do solo e subsolo, considerando o impacto no meio ambiente e a infraestrutura ofertada.

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8. PARTIDO GERAL

O Aterro da Baía Sul apesar de estar inserido na porção central da cidade de Florianópolis, está claramente desconectado do restante da região. Essa separação ocorre por motivos diversos, dentre eles nota-se a barreira física criada pela Rodovia Governador Gustavo Richard, via rápida da qual dificulta o acesso ao aterro. Embora haja uma passarela de pedestres como eixo de ligação que atravessa a rodovia, a mesma apresenta estado de degradação e o trajeto até seu acesso ermo e inseguro.

01. Bloqueio entre o aterro e o centro

A orla apresenta escassez de equipamentos com atividades voltadas ao público, apenas o Centro Sul e a passarela Nego Quirido ambos com programações apenas eventuais, consequentemente não atrai ou gera rotatividade de pessoas no local.

Foram estabelecidos dois eixos de ligação entre o aterro e a cidade, e espaços verdes de lazer não apenas no aterro, mas no Parque Metropolitano Dias Velho e o espaço utilizado como estacionamento do TICEN.

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O terreno escolhido é

ocasionalmente alagável, como estratégias de melhoria foram propostas a drenagem, nivelamento do terreno, e uso de piso drenante em placas.

Em meio às problemáticas do local, contudo a proposta tem intenção de tirar partido dos potenciais do lugar. A vista privilegiada da paisagem alcança desde o mar até os morros, desta forma serão propostas diretrizes para a valorização dos aspectos naturais da região.

03. Croqui esquemático problema x solução

A proximidade com os terminais de transportes públicos é um fator facilitador para o alcance de públicos variados, e de diversas regiões.

Levando-se em consideração a localização, a região central é o polo comercial da cidade e também histórico da cidade, o bairro possui fluxo intenso de movimentação de pessoas e turistas durante dias de semana no período do dia, diante disto o projeto visa atrair o público e manter a movimentação de constantemente.

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DIRETRIZES GERAIS

Para que o projeto seja

bem-sucedido, foram propostas algumas

melhoras para o entorno, abrangendo a recuperação de áreas em estado de ociosidade, e a valorização de aspectos ambientais, sustentáveis e sociais.

As modificações têm o objetivo de humanizar, qualificar e trazer a memória a proximidade da qual a cidade já obteve com o mar em tempos passados.

Foram elaboradas as seguintes diretrizes:

1. Qualificar o Parque

Metropolitano Francisco Dias Velho;

2. Remover parte do

estacionamento adjacente ao TICEN e transformar em praça 3. Implementar duas passarelas de

pedestres, a primeira partindo da nova praça ao lado do TICEN, e

a segunda dando continuidade ao passeio da Av Hercílio Luz; 4. Revitalizar orla da Baía Sul;

5. Criar espaços verdes de

qualidade ao longo do aterro; 6. Criar espaços de lazer ao longo

do aterro;

7. Introduzir um passeio ao longo da orla que se conecte com a Beira Norte e José Mendes; 8. Estabelecer novos espaços de

convívio, descanso e

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06

07 08

As passarelas para pedestres

atribuem valor funcional, criativo e social ao espaço, a intenção é que o pedestre possa não apenas chegar ao destino ao que se pretende, mas aproveitar o trajeto e usufruir da vista de maneira atrativa e agradável. O método construtivo e estilo da passarela impactam na espacialidade da cidade, deste modo quanto maior a simplicidade da estrutura e leveza da forma, melhor fluidez visual.

Os amplos decks de madeira possuem mobiliários e sombreamento de vegetações, com intuito de proporcionar maior conforto ao usuário e complementar o passeio adjacente.

As reentrâncias dos córregos em alguns pontos da orla foram mantidas, e foram adicionadas pequenas ligações das quais funcional como pontos de descanso ou passagem.

05. Croqui passarela de pedestres 06. Croqui deck de madeira 07. Croqui passarela de madeira

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PROJETO

O projeto consiste no

desenvolvimento de um equipamento de ensino e lazer, voltado ao mundo da música e das artes livres, com localização em uma área vazia e privilegiada da cidade.

A Casa da Música e extensão artística tem o intuito de oferecer conhecimento artístico à população da cidade, e ofertar aos moradores do entorno um espaço de lazer e convívio.

Embora as atividades de ensino sejam direcionadas aos alunos, serão ofertadas bolsas de estudo e oficinas gratuitas para a abrangência de públicos com perfis sociais diversificados.

Além do mais, foram adicionadas atividades de uso público das quais podem ocorrer em horários variados ao longo do dia, incluindo um auditório para eventos musicais e artísticos para fins didáticos e externos, restaurante, midiateca, espaço de exposições, café e espaço interativo.

Os conceitos empregados vão de encontro às necessidades do local, a

linguagem e volumetria da obra foram concebidas de forma que o indivíduo possa se apropriar como uma espécie de mirante, podendo acessar através de rampas, sua cobertura e deleitar-se com a vista em sua totalidade.

A forma e a apelo visual do projeto buscar o destaque sem desfocar ou sobrepor a paisagem, de maneira que esta deve ser a protagonista.

Escolheu-se trabalhar sua

funcionalidade a partir do volume principal do auditório, fazendo com que o restante do edifício organize-se em sua volta, buscando-se um maneira de explorar o terreno, visual do entorno, clima da região.

Também são incorporadas métodos de sustentabilidade, como o uso de vegetação nativa no entorno, cobertura verde e reutilização da água nos espelhos d’água.

O centro musical busca valorizar a orla da Baía Sul, proporcionar tipos de usos criativos, sociabilidade e integração dos usuários e incentivar a atração turística.

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PROGRAMA DE NECESSIDADES

O programa foi elaborado de

maneira que os espaços fossem

aproveitados não apenas por alunos do centro ou usuários frequentes, mas para o público em geral.

Portanto boa parte do pavimento térreo foi utilizado para atividades abertas

para a comunidade, visitantes ou quem passa pelo local.

Os ambientes e circulações foram pré dimensionados de modo que sejam generosos e confortáveis, afim de que mesmo em dias de grandes eventos não haja conflitos de lotação extrema.

ESPAÇO

ÁREA

Lobby 807 m²

Café 332 m²

Chapelaria 30 m²

Recepção centro musical 624 m²

Café 283 m²

Restaurante 315 m²

Lojas 127 m²

Exposições 315 m²

Midiateca 160 m²

Estar / Sala de jogos 221 m²

Sala de espetáculos 934 m²

Espaços de ensino musical 1780 m²

Espaços de ensino artístico 1400 m²

Administração 140 m² Circulação vertical 760 m² Circulação horizontal 480 m² Sanitários 420 m² Áreas Técnicas 255 m² Depósitos 75 m² TOTAL 9.458 m²

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09. Croquis de concepção volumétrica 0

10. Zoneamento esquemático

11. Croqui do fluxograma inicialmente proposto

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60 O entorno imediado do projeto

compreende uma praça seca composta de placas porosas e permeáveis que compõe uma pavimentação em cores variadas, com eventuais porções de pisos em grama e vegetações nativas de portes variados. A composição formou um piso com carácter descontraído e dinâmico para o espaço, em contraste com a edificação.

Foram dispostas ciclovias junto à Rodovia, ao longo das passarelas de pedestres e um amplo passeio ao longo da orla.

Foram demarcados os principais eixos de passagem, porém o projeto pode ser acessado por todas os lados, o intuito o foi a permeabilidade, para que o pedestre sinta liberdade de acesso por onde for conveniente. Quanto à edificação, buscou-se desenvolver a funcionalidade do nível térreo com fluidez, e trabalhar a espacialidade de maneira clara e racional. Os ambientes são relativamente amplos e se posicionam nas nos limites da planta, com exceção do grande auditório ao centro. Ao redor doauditório, estendem-se as circulações horizontais que

direcionam o pedestre de um lado ao outro do edifício.

A malha estrutural estabelecida de 10 x 8m, possibilita um térreo mais livre e proporciona layout adaptável e flexível.

Estruturalmente foi definido o uso de concreto armado em pilares e lajes, e estruturas metálicas em situações específicas, como na cobertura do grande auditório.

Assim como em referênciais projetuais utilizados, foi optado pela não construção de subsolo ou extensas áreas de garagem, pois a área já situa-se próxima de estacionamentos e de terminais urbanos de transporte público, desta maneira incentiva-se o uso do transporte público e meios de deslocamento dos quais envolvem atividade físicas.

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13. Planta Térreo ESC. 1:750

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14. Planta 1º pvto ESC. 1:750

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15. Planta 2º pvto ESC. 1:750

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16. Planta 3º pvto ESC. 1: 750

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17. Planta 4º pvto ESC. 1:750

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18. Planta Cobertura ESC. 1. 750

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19. Cortes ESC. 1: 750

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20. Corte longitudinal e transversal do terreno ESC. 1: 1000

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21. Vistas ESC. 1000

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22. Croquis PERSPECTIVAS

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23. Maquete eletrônica, perspectiva aérea.

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25. Perspectiva aérea.

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27. Perspectiva e entorno

29. Visual a partir do terraço.

31. Perspectiva e entorno.

28. Visual a partir terraço.

30. Via de passagem.

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32. Perspectiva edificação e passeio. 33. Perspectiva edificação e passeio.

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9. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A escolha pelo terreno localizado no aterro da Baía Sul para a implementação da proposta arquitetônica, foi motivada não apenas por suas qualidades, mas também pelos seus desafios. Diante disso, foram feitos estudos das condicionantes do local, aspectos legais, análises bibliográficas e visitas ao terreno, para melhor compreensão de suas carências e deficiências, além da procura de referenciais

projetuais bem-sucedidos. Os estudos

evidenciaram que o vazio urbano possui escassez de serviços ou atividades atraentes para a população, restringindo-se apenas à ocasionais eventos que ocorrem no Centro sul e na passarela Nego Quirido, o aterro encontra-se segregado do restante da região principalmente pela via rápida que o

circunda. Foram desenvolvidas propostas urbanísticas em forma de diretrizes que possam contribuir para a conexão da orla com

o entorno e qualificar o espaço, através de passarelas de pedestres que conectam o terreno e cidade, implementação de passeios, ciclovias, áreas arborizadas, espaços de convívio e contemplação. Em seguida, foi elaborado o programa e partido arquitetônico para a área, o projeto visou ofertar atividades de lazer e cultura à população, incentivar a integração social entre os usuários, criar espaços atrativos e gerar vitalidade à área. Os usos propostos além das aulas para alunos, incluem espaços abertos ao público, como o auditório para eventos, restaurante, cafés, exposições artísticas e midiateca. Visto que procurou-se atingir os objetivos estabelecidos previamente neste trabalho, a próxima etapa consiste no amadurecimento do partido arquitetônico da Casa da Música e Extensão artística, e no aprofundamento de questões técnicas mais complexas.

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Referências

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