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A mulher e o mundo do trabalho: caracterização da mulher servidora pública da Prefeitura Municipal de Itaituba-PA

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UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL – UNIJUÍ

COORDENADORIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – EAD

DEPARTAMENTO DE HUMANIDADES E EDUCAÇÃO

A MULHER E O MUNDO DO TRABALHO: CARACTERIZAÇÃO DA MULHER SERVIDORA PÚBLICA DA PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAITUBA-PA

Kelly Fernanda Martins 2014

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Kelly Fernanda Martins

A MULHER E O MUNDO DO TRABALHO: CARACTERIZAÇÃO DA MULHER SERVIDORA PÚBLICA DA PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAITUBA-PA

Monografia apresentada no curso de Graduação em História da Universidade do Regional do Noroeste do estado do Rio Grande do Sul – UNIJUI, como requisito parcial para obtenção do Grau de Licenciatura Plena em História.

Orientadora: Profª. Dra Sandra Maria do Amaral.

IJUÍ 2014

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Kelly Fernanda Martins

A MULHER E O MUNDO DO TRABALHO: CARACTERIZAÇÃO DA MULHER SERVIDORA PÚBLICA DA PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAITUBA-PA

Monografia apresentada no curso de Graduação em História da Universidade do Regional do Noroeste do estado do Rio Grande do Sul – UNIJUI, como requisito parcial para obtenção do Grau de Licenciatura Plena em História.

BANCA EXAMINADORA

________________________________________________ Profª. Dra. Sandra Maria do Amaral

Orientadora

_________________________________________________ Profª. Dra. Vera Lucia Trennepohl

2º Examinador: ______________________________________ Prof(a): ________________________________________

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Afetividade e Sexualidade

Tentaram nos convencer que éramos divinas E nos negaram os bens da terra. Tentaram nos convencer que éramos santas E nos negaram o prazer da vida. Tentaram nos convencer que éramos escravas E nos negaram a liberdade. Agora tentam nos convencer que somos mais competentes E no entanto ganhamos menos por trabalho igual. Insistem que somos poderosas E brigamos com os nossos companheiros que não aceitam isto. Somos simplesmente mulheres E só isto já é uma imensidão Mulheres do ventre a mente Unidas e consciente . É preciso juntar nossa luta A luta de toda esta gente.” (Poema escrito por uma militante do MST).

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AGRADECIMENTOS

Para meus pais, Aucir e Maria Aparecida, pelo carinho e compreensão.

Para meu filho e meu marido, pela paciência e por me motivarem a sempre buscar mais.

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MARTINS, Kelly Fernanda. A mulher e o mundo do trabalho: caracterização da mulher servidora pública da Prefeitura Municipal de Itaituba-PA. Íjui, 2014. 39. Monografia (Licenciatura em História). Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul - UNIJUI.

RESUMO

A mulher sempre foi objeto de discriminação quando analisado o percurso histórico das sociedades ao redor do mundo. Superar séculos de opressão tem sido uma árdua tarefa para os movimentos feministas nas últimas décadas. Buscando avaliar a condição da mulher atualmente, este trabalho realizou uma pesquisa com mulheres servidoras públicas da Prefeitura Municipal de Itaituba-PA onde foram levantadas informações sobre as servidoras para buscar caracterizá-las, criando um perfil, a partir de dados como: posição familiar, escolaridade, renda, números de filhos, idade e etc. A pesquisa foi realizada com 30 servidoras de vários setores do órgão entre fevereiro e março de 2014 por meio de um questionário. A pesquisa tem uma abordagem quantitativa com caráter exploratório e descritivo. Com os dados obtidos pode-se constatar especificamente que as servidoras concentram-se principalmente entre 18 e 40 anos, 70%, convivem com seus companheiros ou cônjuges, 60%, e possuem filhos, 93%. Essas mulheres possuem alto grau de instrução, metade delas com ensino superior completo, e recebem em média 2,58 salários mínimos, ou, R$ 1.867,62 e em 37% dos casos elas são a pessoa com maior renda na família. Essas servidoras além do trabalho assalariado assumem responsabilidades domésticas, 65%, e estão presentes na tomada de decisões no âmbito familiar em 57% dos casos. A partir destes dados definiu-se o perfil das servidoras com as seguintes características: independentes, escolarizadas, ambiciosas, líderes, participativas e multitarefas.

Palavras-chave: Mulher no mercado de trabalho. Mulher em Itaituba. Servidoras de Itaituba. Mulher trabalhadora.

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SUMÁRIO Lista de figuras ... 8 Lista de tabelas ... 9 Lista de gráficos... 10 Lista de abreviaturas ... 11 Introdução ... 12

1. A mulher e o mercado de trabalho: um levantamento histórico ... 14

1.1. Partição da mulher no mercado de trabalho atual brasileiro ... 22

2. Metodologia ... 25

2.1. Caracterização do município de Itaituba e do órgão público pesquisado... 25

2.2. População e amostra ... 26

2.3. Materiais e métodos ... 27

3. Caracterização da mulher servidora pública da Prefeitura Municipal de Itaituba-PA ... 29

Considerações finais ... 37

Bibliografia ... 38

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Lista de figuras

Figura 1 – Trabalhadora na indústria de armamentos no Reino Unido em 1914. ... 19 Figura 2 - Eva Herzberg and Elve Burnham esposas de marinheiros que foram para a guerra na fábrica do Laboratório Baxter, Illinois, Estados Unidos – Outubro de 1942. ... 19 Figura 3 – Mapa com posição geográfica da cidade de Itaituba-PA ... 25

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Lista de tabelas

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Lista de gráficos

Gráfico 1.1.1 - Distribuição da população feminina por grupo de atividade ... 22

Gráfico 3.1 – Distribuição percentual de idade entre as servidoras ... 29

Gráfico 3.2 - Distribuição percentual do estado civil das servidoras ... 30

Gráfico 3.3 - Distribuição percentual do número de filhos ... 30

Gráfico 3.4 - Distribuição percentual das entrevistadas por escolaridade ... 31

Gráfico 3.5 - Relação escolaridade X número de filhos ... 32

Gráfico 3.6 - Distribuição percentual por rendimento mensal ... 32

Gráfico 3.7 - Relação escolaridade X rendimento médio das servidoras de Itaituba ... 34

Gráfico 3.8 - Distribuição percentual dos responsáveis pela tomada de decisões no âmbitofamiliar ... 35

Gráfico 3.9 - Distribuição percentual do responsável pela realização das atividades domesticas em suas residências ... 36

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Lista de abreviaturas

FCC Fundação Carlos Chagas

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística OIT Organização Internacional do Trabalho PEA População Economicamente Ativa

SEMDAS Secretária Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social de Itaituba

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Introdução

A história das mulheres é escrita baseada em relatos repletos de condições de submissão e desigualdades. A figura da mulher nas mais diversas sociedades sempre desempenhou uma função muito característica: cuidar dos filhos e do lar.

Superar o estigma de reprodutora e dona de casa tem sido uma árdua tarefa para as mulheres, afinal o preconceito e o machismo criaram grandes barreiras pelo decorrer da história. Entretanto a partir do século XVIII elas conseguiram dar passos largos para conquista de sua independência, ainda não completamente atingida, mas com vitórias importantes. Entre as principais certamente destaca-se a inserção no mercado de trabalho, que a livrou da total dependência econômica do homem e pôde torna-las senhoras do próprio destino.

A partir do momento em que as mulheres deixaram o ambiente doméstico para buscarem uma fonte de renda própria no mercado de trabalho, observou-se um maior poder de organização e articulação que aos poucos levaram-nas a ganhar mais espaço na sociedade, sempre cercadas de olhos curiosos e discriminatórios.

Este trabalho tem por objetivo compreender a condição das mulheres servidoras públicas da Prefeitura Municipal de Itaituba-PA, buscando identificar se elas conseguiram vencer o preconceito e a discriminação sofrida pelas mulheres em geral ao longo da história. Na pesquisa foram levantadas informações sobre as servidoras para buscar caracterizá-las, criando um perfil, a partir de dados como: posição familiar, escolaridade, renda, números de filhos, idade, entre outros.

A pesquisa foi realizada no município de Itaituba-PA com 30 servidoras de vários setores do órgão entre fevereiro e março de 2014 por meio de um questionário. A pesquisa tem uma abordagem quantitativa com caráter exploratório e descritivo.

A ideia para este tema partiu do meu local de trabalho, voltado para o serviço público, onde devido o contato com as servidoras do município estive a par da realidade e das lutas que as servidoras travam dia a dia.

O trabalho foi organizado em 3 capítulos, sendo que no primeiro deles é realizado um levanto histórico sobre a participação da mulher no mercado de trabalho, seguindo de informações sobre a participação da mulher no mercado de trabalho brasileiro atualmente. No

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segundo capítulo encontra-se detalhes sobre a cidade de Itaituba e a metodologia utilizada na pesquisa. No terceiro capítulo são apresentados os resultados da pesquisa.

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1. A mulher e o mercado de trabalho: um levantamento histórico

A maioria das sociedades humanas foi alicerçada em princípios desiguais, em uma lógica onde alguns sempre detinham vantagens materiais, culturais e políticas sobre outros. Com segurança, pode-se afirmar que praticamente toda matriz ideológica das sociedades contemporâneas são baseadas em princípios desiguais, seja em aspectos raciais, étnicos ou de gênero.

No livro sagrado indiano, as Leis de Manu, de 1.280 antes de cristo, encontra-se as seguintes referências a mulher:

Livro V. Regra no 148 - Durante a infância, uma mulher deve depender de seu pai; durante a juventude, de seu marido; se este morrer, de seus filhos; se não tiver filhos, dos parentes mais próximos do marido e, na sua falta, dos de seu pai; se não tiver parentes paternos, do seu soberano; uma mulher não deverá nunca governar-se ao seu bel-prazer.

(...)

Regra no 154 - Mesmo que a conduta do marido seja censurável, mesmo que este se dê a outros amores e careça de boas qualidades, deve a mulher virtuosa reverenciá-lo como a um Deus.

(...)

Regra no 156 - Uma mulher virtuosa que deseje para si a mesma morada de felicidade de seu marido, não deve fazer nada que possa desagradá-lo, durante a sua vida ou após a sua morte. (LEIS DE MANU apud LOI, 1988)

No Código de Hamurabi, o mais antigo código de leis escrito do mundo, cunhado por volta de XVII A.C, da sociedade babilônica, previa que quando uma mulher tivesse conduta desordenada e deixasse de cumprir suas obrigações do lar, o marido poderia submetê-la à escravidão. Esta servidão poderia, inclusive, ser exercida na casa de um credor de seu marido e, durante o período em que durar, poderia o marido por lei contrair novo matrimônio. (CONSTITUIÇÃO NACIONAL DA BABILÔNIA apud XAVIER; XAVIER, 2010)

Até mesmo a moderna sociedade grega não travava a mulher como cidadão, mas sim como um mero ser desprovido de direitos. Para Aristóteles, uma dos maiores filósofos gregos e de toda história, “a natureza só faz mulheres quando não pode fazer homens. A mulher é, portanto, um homem inferior”. (ARISTÓTELES apud XAVIER; XAVIER, 2010).

Já o Código de Conduta Moral e Costumes da França, Le Ménagier de Paris, do século XIV, previa explicitamente ações violentas contra as mulheres, como neste trecho: “Quando um homem for repreendido em público por uma mulher, cabe-lhe o direito de

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derrubá-la com um soco, desferir-lhe um pontapé e quebrar-lhe o nariz para que assim, desfigurada, não se deixe ver, envergonhada de sua face. E é bem merecido, por dirigir-se ao homem com maldade de linguajar ousado.” (FERRANDE, 2013)

Exemplos como os anteriores demostram o tamanho do sistema repressor criado para ignorar, humilhar e desprezar a mulher nas mais diversas sociedades ao longo da história. O espaço de atuação das mulheres quase sempre ficou restrito as práticas domésticas, seus sonhos e aspirações eram sumariamente reprimidos, não podendo jamais ultrapassar a zona de influência doméstica. O papel da mulher sempre retratou um mero coadjuvante, oferecendo a elas apenas atribuições de baixa relevância quase sempre ligadas exclusivamente aos cuidados com filhos e marido.

Esta estrutura de organização social/familiar de repressão contra mulher é conhecida como Patriarcal. Este é um modelo baseado em uma hierarquia bem estabelecida dentro do âmbito familiar e social onde os papeis do homem e da mulher estão bem definidos, cabendo a elas a execução de atividades afetivas, organização do lar e cuidado com filhos e esposo. Aos homens a realização de as tarefas instrumentais e intelectuais. (REZENDE; PEREIRA, 2014)

Para Oliveira (2007, p. 124) “(...) o modelo de família com núcleo patriarcal – homem/provedor e mulher dona-de-casa em tempo integral – é calcado em uma estrutura hierárquica que pressupõe um conjunto de práticas e de valores. Esse modelo baseia-se na dicotomia dos papéis sexuais familiares”.

Para Toledo (1985):

Vivemos em uma sociedade de estrutura patriarcal, que consciente ou inconscientemente tem sido concebida à imagem da família burguesa, o homem como provedor e a mulher devendo permanecer em casa atendendo aos afazeres domésticos e cuidando das crianças. [...]. A mulher permanece à margem destes processos esperando que o homem se ocupe de sua sobrevivência e da prole.

Na Idade Média, entre os séculos V e XV, a maioria das sociedades também conviveram com o modelo patriarcal, com total submissão das mulheres a seus maridos. Alguns registros, entretanto relatam casos de mulheres em diversas profissões, como professoras, médicas, boticárias, tintureiras, copistas, miniaturistas, encadernadoras e

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arquitetas. Neste período algumas mulheres chegaram a ocupar cargos importantes dentro da Igreja, como a administração de territórios. (PERNOUD, 1989)

Apesar destes relatos, o fato é que a maioria das mulheres tinha acesso somente à vida religiosa ou a bruxaria, neste último caso um problema sério, pois muitas mulheres foram queimadas em praça pública pela inquisição da igreja católica, por algumas vezes apenas receitar remédios caseiros. (PINTO, 2013)

Os primeiros papéis da mulher no mercado de trabalho estiveram mais ligados a atividades que exigiam maior delicadeza, sensibilidade e cuidados, fazendo com que elas ocupassem cargos como de professoras, enfermeiras e domésticas. Segundo Freitas (2007):

(...) isso é explicado pelo fato de o “cuidado’ ser considerado um atributo tipicamente feminino, adquirido na esfera doméstica, ou seja, os saberes são aprendidos na socialização da mulher. Desse modo [...] as mulheres aparecem como mais propensas a certas profissões por serem consideradas “naturalmente” qualificadas para elas.

As mudanças mais simbólicas em relação a posição da mulher na sociedade começam a ocorrer a partir da adoção do modelo de produção capitalista industrial adotado por alguns países, principalmente, após a Revolução Industrial Inglesa no século XVIII. A partir deste momento as mulheres são levadas as fábricas e se tornam uma mão-de-obra fundamental para os objetivos das novas indústrias. Esse fato alterará de maneira significativa o modelo de família tradicional e consequentemente provocará também mudanças nos valores e costumes sociais.

Inicialmente milhares de mulheres operárias eram expostas a longas jornadas de trabalho, condições sub-humanas, além de salários muito baixos. Em alguns países europeus, como na Alemanha, algumas mulheres enfrentavam jornadas de até 17 horas por dia: das 3 da manhã até a noite, sendo que os salários pagos para elas chegavam a ser de um terço do masculino. (SALATINI, 2014) Além disso, muitas delas também continuam com o dever de cuidar do lar, exercendo o papel de mãe, esposa e dona-de-casa, ficando a mulher agora com uma dupla jornada de trabalho.

No Brasil, as mulheres eram empregadas em número crescente nas indústrias brasileiras, principalmente no setor têxtil, contudo com salários consideravelmente inferiores a mão de obra masculina. Havia a ideia entre os empregadores de que as mulheres deviam ser sustentadas por seus maridos e dessa forma não faria sentido elas receberem o equivalente ou mais que eles. (HAHNER, 1978)

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As condições sub-humanas das fábricas ao redor do mundo faz surgir também os primeiros protestos contra a exploração de mão-de-obra feminina, provocando levantes que questionavam os baixos salários e as condições de trabalho insalubre e perigosas.

Em 22 de novembro 1909 costureiras que trabalhavam em fábricas de Nova Iorque fizeram uma longa greve, que durou até 15 de fevereiro de 1910, reivindicando melhores condições de trabalho e aumento salarial. Entretanto, mesmo com o fim da greve pouco havia mudado quanto as condições de segurança nas fábricas, sobretudo nas fábricas de pequeno e médio porte, e os movimentos reivindicatórios retornaram. A reação dos patrões mantinha-se a mesma: portas fechadas durante o expediente, relógios cobertos, controle total, baixíssimos salários, longas jornadas de trabalho. No ano seguinte, mais exatamente 25 de março de 1911, um incêndio em fabrica matou 146 trabalhadoras, em sua maioria costureiras. Este foi considerado como o pior incêndio da história de Nova Iorque, até 11 de setembro de 2001. As causas do incêndio foram atribuídas as más condições de segurança do edifício. (FONTES, 2013)

Em 1917 na cidade russa de Petrogrado mulheres deliberaram por uma greve devido a fome, baixos salários, autoritarismo do governo e contra participação do país na primeira guerra. O movimento foi um dos principais atos que precederam a revolução russa de 1917. A data de inicio deste movimento é hoje oficialmente reconhecida como a origem do Dia Internacional da Mulher. (UNITED NATIONS, 2009)

Muito além da data para ser lembrada, aquela greve, que desencadeou a revolução, deixou como legado uma mudança radical no tratamento para mulheres, em apenas alguns meses os revolucionários criaram uma nova legislação que tratava a mulher em real igualdade de direitos e deveres com os homens. O estado aboliu todas as leis que colocava as mulheres em situação de desigualdade com os homens, foram emitidos decretos garantindo a proteção legal para mulheres trabalhadoras, seguro social e igualdade de direitos no matrimônio. Outras conquistas importantes foram o direito ao divórcio e ao aborto legal e gratuito. (TOLEDO, 2007)

Para uma das principais lideranças da revolução, Vladmir Lenin, o trabalho doméstico era uma das principais causas da opressão a mulher. Segundo Lenin (1981):

Independentemente de todas as leis que emancipam a mulher, esta continua sendo uma escrava, porque o trabalho doméstico oprime, estrangula, degrada e a reduz à cozinha e ao cuidado dos filhos, e ela desperdiça sua força em trabalhos improdutivos, que esgotam seus

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nervos e a idiotizam. Por isso, a emancipação da mulher, o comunismo verdadeiro, começará somente quando e onde se inicie uma luta sem quartel, dirigida pelo proletariado, dono do poder do estado, contra essa natureza do trabalho doméstico, ou melhor, quando se inicie sua transformação total, em uma economia a grande escala. Para livrar a mulher do trabalho doméstico o governo criou imediatamente uma vasta rede de escolas, creches, moradias, restaurante e lavanderias públicas. As moradias dignificavam a mulher, as escolas davam educação às crianças, e os refeitórios e lavanderias públicos livravam a mulher das tarefas domésticas. (TOLEDO, 2007)

Lenin (1980) acreditava também que o trabalho nas fábricas faria ampliar os horizontes das mulheres operárias, conquistando sua independência e elevando sua instrução e finalmente se libertando do modelo de família patriarcal. Desta forma o modelo industrial seria fundamental para plena emancipação feminina.

Para as trabalhadoras russas a revolução garantiu legalmente o direito de salários iguais aos dos homens, a proibição de discriminação por gênero, a criação de programas de qualificação e, após o fim da guerra, a proibição da demissão de mulheres que substituíram homens na indústria.

Alias durante as duas grandes guerras mundiais a mulher desempenhou um papel de grande destaque. Com boa parte da população masculina presente nos fronts de batalha, elas assumiram a responsabilidade pela produção industrial e agrícola de muitos países, ocupando vários cargos dentro das indústrias, principalmente da indústria bélica, e assumindo novas tarefas no meio rural, garantindo a continuidade da produção de ambos setores.

Para Falcão (2014):

(...) de fato com a I e II Guerras Mundiais (1914-1918 e 1939-1945, respectivamente), quando os homens iam para as frentes de batalha e as mulheres passavam a assumir os negócios da família e a posição dos homens no mercado de trabalho. Mas a guerra acabou. E com ela a vida de muitos homens que lutaram pelo país. Alguns dos que sobreviveram ao conflito foram mutilados e impossibilitados de voltar ao trabalho. Foi nesse momento que as mulheres sentiram-se na obrigação de deixar a casa e os filhos para levar adiante os projetos e o trabalho que eram realizados pelos seus maridos.

Para Belém (2011) “A mão de obra feminina teve uma participação fundamental na indústria bélica americana durante a Segunda Guerra Mundial. Com os pais e maridos indo lutar na Europa e Pacífico, as linhas de produção de aviões, motores, munição e trens foram ocupadas por mulheres”. As imagens a seguir retratam essa questão.

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Figura 1 – Trabalhadora na indústria de armamentos no Reino Unido em 1914. Fonte: BELÉM, 2014

Figura 2 - Eva Herzberg and Elve Burnham esposas de marinheiros que foram para a guerra na fábrica do Laboratório Baxter, Illinois, Estados Unidos – Outubro de 1942.

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Na Rússia, durante a primeira guerra, o número de mulheres no trabalho industrial saltou de 26% para 46%. Na Áustria cerca de um milhão de mulheres passaram a trabalhar nas fábricas, e na França, onde já havia um grande número de mulheres na indústria, houve um aumento de 20%, setor agrícola francês 800 mil mulheres cuidavam de propriedades agrícolas. Durante a segunda guerra, nos EUA houve um aumento de 50% da força de trabalho feminino na indústria em geral, especificamente na indústria bélica o aumento foi de 452%.

Neste mesmo período de grande conflito elas também assumiram tarefas importantes para exércitos, como a execução de rotinas administrativas, apoio logístico e serviços médicos. No exército russo, entretanto, as mulheres chegaram a participar diretamente das batalhas, sendo que cerca de 120.000 mulheres se alistaram como combatentes, se destacando principalmente na aviação aonde elas chegam a ter regimentos exclusivamente femininos e conquistaram importantes vitórias para o exército vermelho. (MELLO, 2012)

No Brasil e no mundo, nas décadas de 60, 70 e 80 com o surgimento da pílula e outras técnicas contraceptivas, como a esterilização feminina, as famílias tiveram a possibilidade de realizar o planejamento familiar e com isso houve uma queda significativa na taxa de fecundidade da população. Segundo o IBGE (2012a), no Brasil, em 1940 a taxa de fecundidade da população brasileira era de 6,16, subindo para 6,28 em 1950 e caindo para 4,35 em 1980. Em 2010 essa taxa ficou em apenas 1,90. Segundo dados do Banco Mundial (2014) a taxa de fecundidade mundial em 1960 era 5, caindo para 3.72 em 1980, e em 2010 reduziu novamente para 2.49.

Foi a partir da década de 70, do século XX, que se deu uma grande transformação desta conjuntura com a inserção das mulheres no mercado de trabalho no Brasil. Dentro desse novo contexto social, a mulher passa a transpor novos horizontes e começa a competir com o homem pelo externo de trabalho. O papel social feminino se altera através das mudanças da sociedade, pelos meio de produção, e principalmente pelas transformações econômicas. (FRANÇA; SCHIMANSKI, 2009)

Com o planejamento familiar as mulheres puderam se dedicar mais aos estudos, adiaram a maternidade, tiveram menos filhos, se profissionalizaram mais e consequentemente melhoraram suas posições no mercado de trabalho.

Outro aspecto interessante da pílula é que ela ajudou a derrubar o tabu do sexo antes do casamento. Com mais liberdade nas relações a importância do casamento diminui e a

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atenção à relação homem e mulher cede mais espaço para questões relacionadas a profissionalização das mulheres.

Para Ardaillon (1997):

Desde os primórdios da Revolução Industrial, mulheres trabalhavam fora de sua casa para assegurar o sustento dos seus filhos e tiveram cotidianos angustiados pelos problemas de casa levados para o emprego. A situação nova com a profissionalização das mulheres é que o seu cotidiano não se resume ao agora, mas é um projeto. Profissionalizar-se é adquirir outra identidade, outro modo de sociabilidade. Além do exercício de uma profissão e além do significado de sua remuneração, o trabalho fora de casa é, para as mulheres de classe média, um projeto individualizador.

Entre 1990 até os dias atuais o que se observou foi a ampliação e consolidação da mulher no mercado de trabalho mundial, onde elas passaram a ocupar cargos de diretorias, avançaram na equiparação salarial com homens e ampliaram direitos trabalhistas como o salário maternidade.

No Brasil, por exemplo, segundo a Fundação Carlos Chargas – FCC, em 1970 as mulheres representavam apenas 18,2% da População Economicamente Ativa – PEA, sendo que em 2007 esse número saltou para 43,6%. A taxa de atividade também aumentou de 28,8% em 1976 para 52,4% em 2007. Outro dado aponta ainda que entre os trabalhadores empregados formalmente, as mulheres representavam 30,3% em 1976 passando para 37,5% em 2007. (FUNDAÇÃO CARLOS CHARGAS, 2010)

Segundo o Relatório de Tendências de Emprego no Mundo para as Mulheres de 2012 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, o desemprego mundial para mulheres em 2012 era de 6.4% enquanto dos homens ficou em 5.7%. O relatório também aponta que 47% das mulheres estão no setor de serviços, principalmente na saúde e educação, 36% na agricultura e 16% na indústria. (ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO, 2012)

Esse mesmo relatório também revelou que 39,9% das mulheres estão inclusas no mercado de trabalho, contudo observa-se diferenças significativas entre alguns países. Enquanto na Jordânia apenas 16% das mulheres trabalham, na Tanzânia esse número chega a 90%. Como ambos são países em desenvolvimento, o órgão acredita que o estado econômico de cada nação não é suficiente para explicar essa diferença. No Brasil, 60% das mulheres estão no mercado de trabalho. (ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO, 2012)

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Para Castells (1999) com a mulher cada vez mais presente dentro do mercado de trabalho, alcançando sua autonomia financeira, associado alguns outros fatores como a diminuição do número de casamentos e autonomia das mulheres em relação a seu comportamento reprodutivo, têm levado a uma crise do patriarcalismo, cujo modelo é baseado na relação autoridade/dominação exercida pelo homem.

A independência da mulher talvez deva ser plenamente concretizada com o fim da dupla jornada que acarreta um grande desgaste físico e psicológico. Segundo Cartolo (1998) as mulheres que somam serviços domésticos com serviços externos, não conseguem se recuperar da fadiga e do desgaste, e ficam mais sujeitas a dores, doenças e vários tipos de sofrimento físico e mental.

Para França e Schimanski (2009) as mulheres são as principais responsáveis pelas atividades domésticas, pelo cuidado com os filhos e demais familiares, além de suas atividades no trabalho externo, gerando assim uma sobrecarga de responsabilidades sobre elas.

Para superar esse desafio é preciso criar políticas de estado para ampliar a oferta de creches e escolas, dentro do âmbito familiar, buscar o equilíbrio das responsabilidades entre homens e mulheres, além de melhorar os direitos trabalhistas voltados exclusivamente para as mulheres.

1.1.

Partição da mulher no mercado de trabalho atual

brasileiro

Em levantamento realizado pelo IBGE no ano 2011, divulgado em 2012, observou-se que apesar da população feminina ser maior, 53,7%, essas eram apenas 45,4% da População Economicamente Ativa - PEA, ou seja, apesar das mulheres serem a maioria da população os homens representam quase 10% a mais trabalhadora. (IBGE, 2012c)

As mulheres representam hoje 13% da mão-de-obra da indústria, 1% do setor de construção e 18% do comércio. No setor de serviços em geral, incluindo administração pública, elas representam 68% do total da mão-de-obra. (IBGE, 2012c)

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Fonte: IBGE, 2012c

Somente no setor público a população feminina representa 22,6%, enquanto que os homens representam apenas 10,5%. Se analisado apenas os empregados do setor público, as mulheres representam 55,3% do total da mão-de-obra contra 44,7% dos homens. Para as mulheres com ensino superior, 40,3% delas estão no setor público, enquanto os homens representam apenas 32%. (IBGE, 2012c) A explicação para maior participação das mulheres no setor público se deve principalmente por elas estarem mais inseridas no setor de serviços, como saúde e educação, que em sua maioria são oferecidos pelo poder público.

Outro dado interessante da mesma pesquisa, IBGE (2012c), mostra que o rendimento médio das mulheres era de R$ 1.343,81 enquanto que o dos homens ficou em R$ 1.857,63 em 2011, ou seja, a mulher recebe em média 27% a menos que os homens, mostrando que a força de trabalho delas ainda é vitima de preconceito e subvalorização. (IBGE, 2012c)

A mulher negra brasileira apresenta os piores índices de inclusão social, tornando a situação delas mulheres particularmente dramática. Elas representam 31% das empregadas domésticas em Belo Horizonte, mais que o dobro de mulheres brancas, 14,2%. No Distrito Federal 45% das negras estão em ocupações consideradas vulneráveis. Em Salvador 36,2% das mulheres brancas concluíram o ensino universitário, contra apenas 10,9% das mulheres negras. (SANTOS, 2007) A taxa de desocupação para as mulheres pretas ou pardas em 2011 era de 9,1% enquanto que para as mulheres brancas esse percentual ficou em 6,1%. (IBGE, 2012c)

Quanto à legislação para a mulher trabalhadora no país, observaram-se avanços significativos, como por exemplo, a proibição da demissão sem justa causa desde a

13% 1% 18% 15% 22% 15% 16% Indústria Construção Comércio Serviços prestados a empresas Administração pública Serviços domésticos Outros serviços

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confirmação da gravidez até o quinto mês após o parto. A legislação também prevê o salário maternidade durante 120 dias para as trabalhadoras podendo ser prorrogado por mais 60 dias em determinados casos. Nossa legislação ainda garante as mulheres o direito de se aposentar cinco anos mais cedo que os homens, ou, com cinco anos a mesmo de tempo de contribuição. Outra importante lei, 2.848 de 2001, protege as mulheres de assédio sexual, incluindo a caracterização de assédio sexual, aquele constituído no trabalho por questão de superioridade hierárquica.

A carta magna da legislação brasileira também contêm citações importantes para tratamento igualitário entre homens e mulheres, segundo o artigo 5º, caput e inciso I da Constituição Federal de 1988 que trata “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza...” e que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição”. Ainda está presente no artigo 7º, inciso XXX, o qual dispõe da “proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil".

O fato é que as mulheres estão cada vez mais presentes no mercado de trabalho brasileiro e mundial, sempre superando grandes barreiras derivadas da opressão e discriminação que enfrentaram ao longo da história.

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2. Metodologia

2.1.

Caracterização do município de Itaituba e do órgão público

pesquisado

Itaituba é uma cidade localizada no oeste do estado do Pará, com a decima quinta maior população, 97 mil habitantes, e o decimo terceiro maior Produto Interno Bruto – PIB do estado, sendo um dos principais centros econômicos da região oeste do Pará. A cidade é considerada de médio porte, e uma das cidades que apresentam crescimento econômico acelerado no interior do Brasil. (GOMES, 2010) O mapa a seguir refere-se a localização geográfica da cidade.

Figura 3 – Mapa com posição geográfica da cidade de Itaituba-PA Fonte: WIKIPÉDIA, 2014

A cidade é conhecida pela intensa atividade de mineração de ouro no Vale do Rio Tapajós, a grande diversidade de paisagens naturais como as praias de rio que se formam durante a época de seca, e também as corredeiras d’água localizadas próximas ao distrito de São Luiz do Tapajós e o pelo Parque Nacional da Amazônia. Possui também como grande atrativo turístico o Rio Tapajós, um dos maiores rios da bacia amazônica.

Itaituba antes de ter sido desmembrada para criação dos municípios de Jacareacanga, Novo Progresso e Trairão, em 1991, era considerado o maior município do Brasil e do mundo com área de 165. 578 km². Mesmo após o desmembramento, Itaituba ainda possui 62.041 km², sendo considerado o 12º maior município do Brasil em extensão territorial. (SEMDAS, 2014)

Atualmente a cidade vive a expectativa de se tornar um dos maiores polos portuários do país para escoamento de grãos, produzidos principalmente no norte de mato grosso. O projeto total envolvendo iniciativa privada e governo federal, estadual e municipal prevê que

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26

nos próximos 05 anos mais de 20 milhões de toneladas de grãos sejam escoados pelo Rio Tapajós a partir da construção de estações de transbordo, armazéns e terminais portuários em Itaituba, com investimentos que podem chegar R$ 3 bilhões. (JUNIOR, 2013)

O município também tem se tornado tema de debates nacionais em razão do projeto para construção da Hidroelétrica de São Luiz do Tapajós no Rio Tapajós1 que seria a quarta maior do país. O projeto está em fase de estudos e vem sendo muito debatida devido aos dilemas envolvendo questões sócio/ambientais e econômicas com sua construção.

O órgão público pesquisado, a Prefeitura Municipal de Itaituba, é a sede do poder executivo do município e conta com 3.833 funcionários ao todo, dados de fevereiro de 2014, sendo 1.380 homens, 37%, e 2.453 mulheres, 63%.

2.2.

População e amostra

Para elaboração deste trabalho foi aplicado um questionário com 30 servidoras entre fevereiro e março de 2014. As servidoras ocupam tanto cargos efetivos como temporários, de variados setores do órgão. O objetivo de entrevistar várias servidoras de diferentes setores foi para obter uma amostra ampla para que os resultados se aproximem ao máximo possível de toda população de servidoras da Prefeitura. As mulheres entrevistadas são lotadas nos setores conforme tabela a seguir:

Quadro 2.2-1 – Lista com nome de setores e número de entrevistas

Setores Pesquisados Quantidade de

entrevistadas

Secretaria Municipal de Administração 03 Secretaria Municipal de Agricultura e abastecimento 03 Secretaria Municipal de Assistência Social 03

Secretaria Municipal de Educação 03

1 A Hidroelétrica de São Luiz do Tapajós trata-se de um projeto do Governo Federal que pretende

construir a quarta maior hidroelétrica do país, atrás apenas de Itaipu, Belo Monte e Tucuruí. A usina deverá ficar localizada a 65km da zona urbana de Itaituba. Os custos estimados dos investimentos chegam a casa R$ 30 bilhões. Apesar do leilão para construção ainda não ter acontecido, o governo estima que a usina começará a gerar energia a partir de 2020.

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Secretaria Municipal de Infra Estrutura 03 Secretaria Municipal de Mineração, Meio Ambiente Produção 03

Procuradoria 03

Secretaria Municipal de Saúde 03

Coordenadoria Municipal de Defesa Civil 03 Coordenadoria Municipal de Trânsito de Itaituba 03

Total 30

Fonte: Dados de pesquisa, 2014

As entrevistadas ocupam os mais variados cargos, como: Técnica Ambiental, Auxiliares Administrativas, Chefe de Gabinete da Prefeitura, Administradora, Agente de Transito, Técnica Administrativa, Fiscal, Técnica Pecuarista, Secretária, Telefonista, Auxiliar de Serviços Gerais, Assistente Social, Conselheira Tutelar, Engenheira Civil, Enfermeira, Agente de Saúde, Professora, Diretora Escolar, Merendeira e Auxiliar de Secretaria.

2.3.

Materiais e métodos

O procedimento utilizado na pesquisa para coleta de dados foi o levantamento, com uso especifico de um questionário estruturado com 09 perguntas objetivas, conforme apêndice A.

Para Gil (2002) as pesquisas por levantamento:

[...] caracterizam-se pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Basicamente, procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para, em seguida, mediante análise quantitativa, obterem-se as conclusões correspondentes aos dados pesquisados. A pesquisa possui uma abordagem quantitativa onde traduz-se numericamente as informações coletadas sobre as servidoras participantes da pesquisa. Segundo Richardson (1989), este método caracteriza-se pelo emprego da quantificação, tanto nas modalidades de coleta de informações, quanto no tratamento dessas através de técnicas estatísticas, desde as mais simples até as mais complexas.

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28

O objetivo da pesquisa é de caráter exploratório e descritivo, sendo o primeiro porque busca-se caracterizar, definir um perfil de uma determinada população objeto da pesquisa, buscando mais informações sobre ela. Segundo Köche (1997) na pesquisa exploratória é desencadeado “um processo de investigação que identifique a natureza do fenômeno e aponte as características essenciais das variáveis que se quer estudar”. O caráter descritivo da pesquisa encontra-se no fato da realização de descrição de características de determinada população, realizando a relação entre variáveis sem manipulá-las.

Para Heerdt e Leonel (2007) “os estudos por levantamentos, por serem de natureza descritiva quantitativa, pouco se aproximam de estudos explicativos, bem pelo contrário, podem estar muito mais próximos de estudos exploratórios.”.

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29

3. Caracterização da mulher servidora pública da Prefeitura

Municipal de Itaituba-PA

As mulheres servidoras da Prefeitura de Itaituba estão em sua maioria na faixa etária dos 41 aos 50 anos, 40%, conforme pode ser observado pelo gráfico 4.1, seguidas pela faixa etária dos 18 aos 30 e dos 41 aos 50, sendo que apenas 7% delas possuem mais de 50 anos. O baixo percentual desta última classe etária pode ser explicado pelo fato de que após os 50 anos grande parte das mulheres, e também dos homens, optam pela aposentadoria. Segundo a InfoMoney (2012) a média de idade para aposentadoria dos brasileiros é de apenas 53 anos.

Gráfico 3.1 – Distribuição percentual de idade entre as servidoras

Fonte: Dados de pesquisa, 2014

A pesquisa revelou que 60% delas convivem com companheiro ou cônjuge, mas apenas 33% oficializaram a vida conjugal. Atualmente grande parte dos casais acaba optando por não formalizar suas uniões devido as dificuldades burocráticas da formalidade, tanto para iniciar quanto para desfazê-la. Também já não se observa mais tanto preconceito, contra as mulheres principalmente, aos que vivem apenas em união estável, situação quase inconcebível nas famílias até década de 60 e 70 do século passado devido aos padrões comportamentais da época. Segundo o IBGE (2012a) essa é a modalidade de união conjugal que mais cresce no país atualmente, sendo que já representa 36% do total de mulheres que vivem em união conjugal. Em 2000 este número era de apenas 28%. No estado do Pará esse número chega a 55,6%. 30% 40% 23% 7% 18-30 31-40 41-50 mais de 50

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Gráfico 3.2 - Distribuição percentual do estado civil das servidoras

Fonte: Dados de pesquisa, 2014

Em relação ao número de filhos, 81% das entrevistas possuem filhos, sendo que 54% delas possuem 02 ou mais filhos. De acordo com a pesquisa do IBGE (2013) no Brasil 61% das mulheres com idade entre 15 e 49 anos possuem filhos, sendo que 41% destas possuem 02 ou mais filhos. Na região norte estes números são de 66% e de 49% respectivamente.

Como citado em capítulos anteriores, nas últimas décadas o Brasil acompanha uma grande queda na taxa de fecundidade da população, muito em virtude da ampliação do acesso a informação sobre métodos anticonceptivos, como preservativos e pílulas, possibilitando um melhor planejamento familiar dos casais. A frenética rotina de trabalho e os altos custos de vida são também fatores que desestimulam os casais a terem mais filhos.

Gráfico 3.3 - Distribuição percentual do número de filhos

Fonte: Dados de pesquisa, 2014

A maioria das entrevistadas possuem ensino superior, 50%, seguido do ensino médio completo, ensino superior incompleto e ensino fundamental incompleto com 27%, 20% e 3% respectivamente. Segundo Freitas (2007) o alto número de trabalhadoras com ensino superior completo, ou cursando ensino superior, dar-se em função de um aumento das taxas de

33% 33% 27% 0% 7% Solteira Casada União Estável Divorciada Viúva 20% 27% 27% 20% 7% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 1 Não Sim, um filho Sim, dois filhos, Sim, três filhos Sim, quatro ou mais filhos

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escolaridades que as mulheres têm atingindo nos últimos anos, chegando a superar o grau de instrução da população masculina.

Gráfico 3.4 - Distribuição percentual das entrevistadas por escolaridade

Fonte: Dados de pesquisa, 2014

A pesquisa revelou ainda que 97% das entrevistadas desejam continuar seus estudos para elevar seu nível escolar, mostrando que as servidoras estão motivadas para melhorar sua qualificação profissional.

Outro aspecto interessante está na relação quantidade filhos e nível escolar, observa-se que quanto maior o nível escolar das entrevistadas, menor o número de filhos. Na pesquisa ficou constatado que mulheres com ensino médio completo possuem 3,08 filhos em média, enquanto aquelas com nível superior possuem apenas 1,13. Observando a nível nacional, a média de filhos para mulheres com até sete anos de estudo é de 3,07, para mulheres com oito anos ou mais essa taxa cai para apenas 1,69. (IBGE, 2012b)

3% 27% 20% 50% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 1 Ensino fundamental incompleto Ensino fundamental completo Ensino médio incompleto Ensino médio completo Ensino superior incompleto Ensino superior completo

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Gráfico 3.5 - Relação escolaridade X número de filhos

Fonte: Dados de pesquisa, 2014

Conforme o gráfico 3.6, a maioria das servidoras, 50% do total, possuem rendimento mensal de um até dois salários mínimos, enquanto que apenas 13% possuem rendimentos acima de quatro salários mínimos, as demais, 37%, possuem rendimentos acima de dois até quatro salários mínimos. A média salarial das servidoras ficou em 2,58 salários, ou R$ 1.867,92.

Gráfico 3.6 - Distribuição percentual por rendimento mensal

Fonte: Dados de pesquisa, 2014

Quando relacionado o nível escolar e o rendimento médio das servidoras, observa-se que quanto maior o nível escolar, maior o salário destas trabalhadoras, ficando constatado que os maiores salário ficam entre as mulheres com nível superior completo, com média de 3,37 salários mínimos, ou, R$ 2.439,38.

Para fins do cálculo das médias de salários, considerou-se 1,5 salários para aquelas que informaram renda entre um e até dois salários mínimos, três salários para aquelas que

5,00 3,80 1,83 1,13 0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 Ensino Fund. Incomp. Ensino Médio Comp. Ensino Sup. Incomp. Ensino Sup. Completo Número médio de filhos 50% 37% 13% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 1 De um a dois salários mínimos De dois a quatro salários mínimos Acima de quatro salários mínimos

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informaram mais de dois até quatro salários mínimos e cinco salários para as que informaram ganhar mais de quatro salários. O valor do salário mínimo considerado foi de R$ 724,00, valor vigente do salário mínimo no mês de fevereiro de 2014.

Na pesquisa do IBGE (2012c) o valor obtido para rendimento médio das mulheres ocupadas em 2011 no Brasil foi de R$ 1.343,81. Quando considerado apenas o rendimento das mulheres lotadas no setor público essa média sobe para R$ 1.926,99, aumentando substancialmente para R$ 2.860,00 se considerado apenas aquelas do setor público e com nível superior completo. Estes números do IBGE são próximos aos encontrados junto as servidoras de Itaituba, mostrando que o salários das mulheres de Itaituba estão semelhantes a média nacional, sendo levemente inferiores.

Os números apontam para importância da qualificação para obter maiores vantagens salariais, visto que a conjuntura do mercado de trabalho diante do modelo econômico vivido pelo país, impõe níveis de escolarização superiores para todos aqueles que almejam melhores salários.

Para Orletti (2007, apud PAIVA, 1998 e LEITE, 1996) a qualificação intelectual esta entre as principais fontes de competência do mundo moderno. Ultrapassando simplesmente o mercado de trabalho, há consensos sociais sobre o caráter geral e intelectual da formação exigida no mundo competitivo e moderno que emergiu com o fim da era keynesiana. Habilidades e qualificações, como elevada capacidade de abstração, de concentração e de exatidão ao lado da capacidade de comunicação verbal, oral e visual, são cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho.

Para Moretto (1997) e Lino (2009) aqueles que mais se educam possuem maior remuneração e são capazes de produzir mais, ao mesmo tempo em que há elevação de nível cultural de cada indivíduo.

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Gráfico 3.7 - Relação escolaridade X rendimento médio das servidoras de Itaituba

Fonte: Dados de pesquisa, 2014

Em relação a liderança destas mulheres dentro do ambiente familiar, 13% afirmaram serem as responsáveis por tomadas de decisões dentro do ambiente familiar, enquanto outras 44% afirmam dividir essa tarefa com seus companheiros e 17% compartilha essa tarefa com toda família. Esses dados mostram que em pelo menos 74% das famílias das entrevistas elas estão presentes com poder de decisão nas questões importantes para envolvendo sua família, mostrando que as entrevistadas também ocupam papel de liderança no âmbito familiar e opinam e decidem naquilo que lhes interessam, situação muito improvável 40 anos atrás nas maiorias das famílias brasileiras.

1,50 1,88 1,75 3,37 2,58 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 4,00 Rendimento médio

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Gráfico 3.8 - Distribuição percentual dos responsáveis pela tomada de decisões no âmbito familiar

Fonte: Dados de pesquisa, 2014

A pessoa de referência, aquela com maior renda, nas famílias das servidoras, como era de se esperar, são seus companheiros, 50%. Contudo observa-se um elevado percentual destas trabalhadoras como referencia em seus lares, 37%. Rezende e Pereira (2014), em pesquisa realizada também com mulheres servidoras públicas, encontraram percentuais semelhantes para este item, sendo que em sua pesquisa identificaram que 31% das mulheres eram as principais fontes de renda da família, enquanto os companheiros representavam 46%.

Tabela 3.1 - Pessoa de referência nas famílias das servidoras

Pessoa de referência da

família Total Percentual

Entrevistada 11 37%

Companheiro 15 50%

Pais 3 10%

Filhos 1 3%

Fonte: Dados de pesquisa, 2014

Comparando com pesquisas mais amplas observa-se que os dados obtidos nesta pesquisa estão alinhados ao cenário nacional, segundo o IBGE (2012b) em 2012, 38% dos arranjos familiares brasileiros tinham mulheres como pessoa de referência, quando em 2002 esse percentual era de apenas 28%. Com dados semelhantes, o IBOPE (2013) apresentou números de 35% e 29% para mulheres que se diziam chefes de família em 2012 e 2002 respectivamente. Estes números demostram que a mulher ganha cada vez mais importância dentro do ambiente familiar assumindo mais responsabilidades e ampliando sua renda pessoal e da família. 13% 13% 3% 10% 44% 17% Entrevistada Companheiro Filhos Os pais Companheiro e entrevistada Compartilhada entre toda família

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Ainda foi possível constatar na pesquisa que mesmo desempenhando papel de fonte de recursos financeiros, grande parte destas mulheres ainda são responsáveis pelas tarefas domésticas de seus lares, 65% delas. Os números mostram os múltiplos papeis assumidos pela servidora de Itaituba, que assim como a maioria das mulheres modernas, não simplesmente trocou de função, mas acumulou novas.

Na pesquisa de Rezende e Pereira (2014) 62% das entrevistadas afirmaram realizar atividades domésticas, cuidar dos filhos, trabalhar e estudar, evidenciando os múltiplos papeis da mulher moderna. Segundo Mambrini (2014 apud INSTITUTO DE PESQUISA ECONOMICA APLICADA, 2010) “a mãe com filhos dedica 25,9 horas semanais aos cuidados com a casa, contra 15,5 horas dos homens com filhos. A carga horária de dedicação ao mercado de trabalho é mais parecida entre os gêneros: mulheres trabalham fora 36,8 horas semanais, contra 41,4 dos homens”.

Gráfico 3.9 - Distribuição percentual do responsável pela realização das atividades domesticas em suas residências

Fonte: Dados de pesquisa, 2014

65% 32% 29% 12% 12% 15% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 1 Entrevistada Companheiro Filhos Pais Irmãos Empregada doméstica

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Considerações finais

Observou-se ao longo da história duras batalhas travadas pelas mulheres em busca da ampliação de sua participação na sociedade e pelo fim de ideias machistas dominantes. A modernização e o progresso das sociedades ao redor do mundo ajudaram as mulheres nessa batalha, pois diversificou as bases sociais e possibilitaram o ingresso da mulher no mercado de trabalho. As mudanças continuam ocorrendo e a cada dia caminha-se um pouco mais na direção da igualdade de direitos sem distinção de gênero em todo o mundo.

As servidoras públicas da Prefeitura Municipal de Itaituba evidenciam os avanços alcançados pelo trajeto de conquistas dos movimentos feministas, elas são o retrato da mulher moderna:

• independente, afinal possuem sua própria fonte de renda e não depende de terceiros;

• escolarizada, metade das entrevistadas possuem ensino superior;

• ambiciosa, pois se preocupam em melhorar sua qualificação profissional; • líder, mais de 1/3 das famílias das entrevistas possuem as servidoras como

pessoa de referência dentro da família;

• participativa, em mais de 70% de suas famílias elas ocupam posições de decisão;

• multitarefa, além do trabalho ainda assumem tarefas no lar; e

• mãe, com mais de 80% das entrevistadas possuindo filhos, conclui-se que mesmo acumulando tantas responsabilidades elas ainda encontram tempo e disposição para esta tarefa sublime da vida.

A consolidação do trabalho para mulher é fundamental para garantir a emancipação feminina e essa pesquisa mostrou o quanto as mulheres avançaram. Contudo apesar de grandes vitórias, ainda há questões importantes a serem superadas, como a busca pela equidade salarial entre os gêneros, uma vez que atualmente as mulheres com mesmo nível de escolaridade que os homens recebem cerca de 30% a menos que eles. É preciso também superar a barreira do trabalho doméstico, que associado ao trabalho externo leva a exaustão física e psicológica das mulheres. Infelizmente, apesar de demonstrar sua capacidade e competência em várias áreas, a mulher ainda carrega a concepção de provedora do lar e incumbida de dar conta de todos os aspectos a ela associados.

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APÊNDICE A – Questionário aplicados as servidoras

01: Qual sua idade?

( ) 18 – 30 ( ) 31 – 40 ( ) 41 – 51

02: Qual seu Estado Civil?

( ) Solteira ( ) Casada ( ) Divorciada ( ) Viúva

03: Tem filhos?

( ) Não ( ) Sim, um filho ( ) Sim, dois filhos ( ) Sim, três filhos ( ) Sim mais de quatro filhos

04: Quem é o responsável pelas tomadas de decisões no âmbito familiar?

( ) Não depende de ninguém ( ) O companheiro ( ) Os filhos ( ) Os pais

05: Qual sua escolaridade?

( ) Ensino Fundamental Incompleto ( ) Ensino Fundamental Completo ( ) Ensino Médio Incompleto ( ) Ensino Médio Completo

( ) Ensino Superior Incompleto ( ) Ensino Superior Completo

06: Pretende elevar seu nível de escolaridade?

( ) Sim ( ) Não

07: Qual seu rendimento Mensal?

( ) De um a dois salários mínimos ( ) De dois a quatro salários mínimos ( ) Acima de quatro salários mínimos

08: Em sua residência quem tem a maior remuneração mensal?

( ) Entrevistada ( ) Companheiro ( ) Pais ( ) Filhos

09: Em sua residência quem realiza as atividades domesticas? Obs.: Pode ser marcada mais de uma opção.

( ) Entrevista ( ) O companheiro ( ) Os filhos ( ) Os Pais ( ) Os irmãos ( ) Empregada Doméstica ( ) Outro:_____________________

Referências

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