UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
CRISTIAN SCHEUER DE OLIVEIRA
A RESPOSTA DO RÉU E O NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL
Santa Rosa (RS) 2015
CRISTIAN SCHEUER DE OLIVEIRA
A RESPOSTA DO RÉU E O NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL
Trabalho de Conclusão do Curso de Graduação em Direito objetivando a aprovação no componente curricular Trabalho de Curso – TC.
UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.
DCJS - Departamento de Ciências Jurídicas e Sociais.
Orientador: Especialista Helton Lamb
Santa Rosa (RS) 2015
Dedico este trabalho aos meus pais, sem os quais não estaria concluindo mais uma etapa da minha jornada. Obrigado pela dedicação, apoio e confiança depositados em mim.
AGRADECIMENTOS
A minha família e amigos, que conviveram comigo durante esta longa caminhada, sempre com muito apoio, confiança e compreensão para que eu pudesse superar os obstáculos no meu caminho.
Ao meu orientador Helton Lamb, com quem tive o privilégio de contar com sua dedicação e disponibilidade, sempre de prontidão para atender as minhas dúvidas, bem como sua capacidade e inteligência para me guiar pelos caminhos do conhecimento.
Aos meus colegas de trabalho durante meu período como estagiário na Defensoria Pública de Santa Rosa, em especial ao Defensor Público Dr. Lucas Lessa de Peixoto Pereira, quem me proporcionou a minha primeira oportunidade de estágio, e no Ministério Público, em especial aos servidores Thiago e Décio, com os quais tive a honra de trabalhar ao longo de quase dois anos, experiência enriquecedora para meu crescimento jurídico e pessoal.
“If you’re going to try, go all the way. Otherwise, don’t even start.” Charles Bukowski
RESUMO
O presente trabalho de conclusão de curso faz uma análise sobre o instituto da resposta do réu na atual e na futura legislação processual civil, a fim de propiciar um paralelo entre como se dá a entrada do requerido no processo na atualidade e como se dará a partir do Novo Código de Processo Civil. Aborda o nascimento do direito de resposta do réu em contrapartida ao direito de ação do autor, a fase processual em que compete ao réu manifestar sua contrariedade contra o processo, as modalidades previstas para isto e os efeitos da sua inércia. Estuda os instrumentos de defesa, abordando sua estrutura, forma de alegação, o procedimento e as consequências de cada defesa. Aponta as alterações ocorridas entre o atual e futuro Código de Processo Civil, bem como as razões de tais mudanças. Finaliza concluindo que não houve mudança no que diz respeito ao conteúdo em si das defesas do réu, entretanto, quanto a sua forma, restou demonstrado que o novo ordenamento processual civil, com base no princípio da instrumentalidade, objetiva diminuir o número de petições autônomas e incidentes, passando toda matéria de defesa a ser alegada conjuntamente na contestação, exceto as exceções, buscando-se, simplificar e dar maior celeridade ao processo.
Palavras-Chave: Novo Código de Processo Civil. Resposta do réu. Direito de defesa. Contestação. Reconvenção. Exceções. Impugnação ao valor da causa. Impugnação à assistência judiciária gratuita.
ABSTRACT
This term paper is an analysis of the response of defendant in currently and in the future legislation of civil lawsuit, with the aim of compare how the defendant’s entry into the process nowadays and as will with the New Civil Lawsuit Code. Talks about the rising of the right of response from defendant in contrast of the right of complaint from the plaintiff, the part of process wherein the defendant shows his annoyance with the process, the modalities for this and the effects of his inertia. Studies the forms of responses, showing their structures, how to do each allegation, the procedure and the consequences of any response. Show changes occurred between the currently and the future Civil Lawsuit Code and the reasons for these modifications. Ends concluding that there was no change in the response content, however, as its shape, made it clear that the New Civil Lawsuit Code, based on the principle of instrumentality, it aims to reduce the number of autonomous response, passing all the responses to be alleged together, in the same time, except the procedure exceptions, seeking to simplify and streamline the process.
Keywords: New Civil Lawsuit Code. Response of Defendant. Right of Response. Response. Counterclaim. Procedure Exceptions. Impugnment to the amount of the process. Impugnment to free legal assistance.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ... 09
1.O DIREITO DE RESPOSTA ... 11
1.1 Fases Processuais ... 13 1.1.1 Fase Postulatória ... 14 1.1.2 Fase Ordinatória ... 14 1.1.3 Fase Instrutória ... 18 1.1.4 Fase Decisória ... 18 1.2 Modalidades de Defesa ... 19 1.2.1 Defesa Processual ... 21 1.2.2 Defesa de Mérito ... 24 1.3 Revelia ... 24 1.1.1 Efeitos da Revelia ... 25
1.3.1.1 Presunção de Veracidade dos Fatos Alegados Pelo Autor ... 26
1.3.1.2 Prosseguimento do Processo Sem intimação do Réu-Revel ... 28
1.3.1.3 Julgamento Antecipado da Lide ... 29
1.3.2 Ingresso do Réu Revel no Processo ... 29
2 INSTRUMENTOS DE DEFESA ... 31
2.1 Contestação ... 33
2.1.1 Prazo ... 33
2.1.2 As Preliminares da Contestação ... 35
2.1.3 O Mérito da Contestação ... 41
2.1.3.1 Defesa de Mérito Direta ... 41
2.1.3.2 Defesa de Mérito Indireta... 42
2.2 Reconvenção ... 44
2.3 Exceções ... 49
2.3.1 Incompetência Relativa do Juízo ... 50
2.3.2 Arguição de Impedimento e Suspeição ... 51
2.4 Impugnação ao Valor da Causa ... 53
2.5 Impugnação à Assistência Judiciário Gratuita ... 54
CONCLUSÃO ... 57
INTRODUÇÃO
O presente trabalho apresenta um estudo acerca do instituto da resposta do réu na atual e futura legislação processual civil, a fim de se analisar as mudanças na legislação que passarão a vigorar ao fim do vacatio legis do Novo Código de Processo Civil. Tal investigação é necessária, tendo em vista a necessidade fundamental para um bom operador do direito é manter-se atualizado frente às constantes mudanças nas legislações pátrias, bem como, por se tratar de legislação que serve de base para as demais áreas processuais, logo, a entrada em vigor do novo código acarretará em reflexos em todas as matérias que dizem respeito ao direito, assim como, trata-se do ingresso do réu ao processo e a importância de tal fato processual para o desenvolvimento do processo até sua decisão final.
Para a realização deste trabalho foram efetuadas pesquisas bibliográficas, artigos, na legislação, súmulas e jurisprudência, tanto na plataforma impressa quanto na forma digital, a fim de enriquecer a coleta de informações e permitir um aprofundamento no estudo da resposta do réu nas mais variadas vias oportunizadas pelo direito, bem como a importância em dialogar entre todas essas maneiras de interação jurídica disponíveis em nossa legislação.
Inicialmente, no primeiro capítulo, foi abordado o direito de resposta, seu nascimento e justificativa, assim como os princípios que a norteiam. Segue um prévio roteiro da marcha processual do rito ordinário, bem como a identificação da fase processual em que se encontra o instituto da resposta do réu e as consequências dessa para o desenvolvimento do processo. São apresentadas e conceituadas as modalidades de defesa a disposição do réu em nossa
legislação, o qual pode atacar tanto os fatos quanto o processo e o procedimento adotado, bem como aponta os objetivos e consequências de cada modalidade. Também é explanado sobre a inércia do réu e os reflexos processuais disso.
No segundo capítulo são analisados os instrumentos utilizados para a defesa do réu, os quais são: a contestação, a reconvenção, as exceções, a impugnação ao valor da causa e a impugnação à assistência judiciária gratuita. São expostos seus conceitos, procedimentos, objetivos e consequências. Ainda, são exploradas as mudanças que ocorrerão nestes instrumentos a partir da entrada em vigor do Novo Código de Processo Civil, a razão de tais mudanças e os possíveis reflexos dessas alterações no Poder Judiciário brasileiro.
A partir desse estudo se verifica que o principal objetivo do Novo Código de Processo Civil, não apenas no que diz respeito à resposta do réu, mas ao processo como um todo, é buscar dar maior celeridade a ação, a fim de evitar o prolongamento do processo. Para alcançar tal fim, especificamente, no que diz respeito à resposta do réu, nota-se que as alterações são justificadas em consonância ao princípio da instrumentalidade, acarretando no aproveitamento de apenas uma peça para alegar diferentes modalidades de defesa, ao invés de se apresentar uma petição para cada uma.
1 O DIREITO DE RESPOSTA
O ato de se defender está enraizado no instinto dos seres vivos, os quais, diante de alguma ameaça, de forma involuntária, buscam se proteger, seja para garantir sua vida, seus interesses ou bens materiais. Assim como em qualquer relação social, no Direito não poderia ser diferente, diante da propositura de ação, que acarrete em um ônus ao réu, este, de forma instintiva, buscará seus meios de defesa, a fim de demonstrar que a pretensão proposta não merecer prosperar, e assim, resguardar seus direitos e bens.
Neste contexto, conforme o inciso LV do art. 5º da Constituição Federal: “Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes” (BRASIL, 2015). Tal inciso consagra o direito de resposta, o qual nasce em contraponto ao direito de ação consolidado no inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal (BUENO, 2010). No entendimento de Gonçalves (2014, p. 156) “Se, de um lado, a todos é garantido o acesso à justiça, de outro, deve ser sempre respeitado o contraditório. O réu tem o direito de saber da existência do processo, de tudo o que nele ocorre, e o de apresentar a sua defesa, os seus argumentos”. Ou seja, uma vez que o ordenamento jurídico autoriza a busca por uma tutela jurisdicional pelo autor, assegura também ao réu o direito de se defender.
Tal situação fática caracteriza um dos pilares do processo civil brasileiro, o princípio do contraditório e da ampla defesa, que de acordo com Theodoro Junior (2014) consiste no direito de as partes serem ouvidas e se manifestarem sobre todos os atos praticados no processo, antes de ser tomada qualquer decisão.
No mesmo sentido, conforme Grinover, Dinamarco e Cintra (2013, p. 64):
O princípio do contraditório também indica a atuação de uma garantia fundamental de justiça: absolutamente inseparável da distribuição da justiça organizada, o princípio da audiência bilateral encontra expressão no brocado romano audiatur et
altera pars. Ele é tão intimamente ligado ao exercício do poder, sempre influente
sobre a esfera jurídica das pessoas, que a doutrina moderna o considera inerente mesmo à própria noção de processo.
O respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa, conforme Gonçalves (2014) resulta em duas exigências processuais: a necessidade de informar o réu da existência do processo, bem como dar ciência a todos os litigantes sobre tudo que se passa nele e permitir-lhes que se pronunciem nos autos.
Nesse sentido, quando se fala em processo contencioso é necessário se ter em mente que se trata de um litígio de pelo menos duas partes, o autor e o réu, mas para que a relação processual se complete é necessário que o réu seja citado para vir a juízo (GRINOVER; DINAMARCO; CINTRA, 2013).
Por sua vez, temos a figura do juiz, o qual representa o juízo, o Estado, e a ele incumbe liderar o desenvolvimento do processo até chegar à sua sentença:
O juiz, por força de seu dever de imparcialidade, coloca-se entre as partes, mas equidistante delas: ouvindo uma, não pode deixar de ouvir a outra; somente assim se dará a ambas a possibilidade de expor suas razões, de apresentar suas provas, de influir sobre o convencimento do juiz. Somente pela soma da parcialidade das partes (uma representando a tese e a outra, a antítese) o juiz pode corporificar a síntese, em um processo dialético. É por isso que se foi dito que as partes, em relação ao juiz, não têm papel de antagonistas, mas sim de “colaboradores necessários”: cada um dos contendores age no processo tendo em vista o próprio interesse, mas a ação combinada dos dois serve à justiça na eliminação do conflito ou controvérsia que os envolve. (GRINOVER; DINAMARCO; CINTRA, 2013, p. 64).
Constata-se, portanto, fundamental para a existência da ação e do seu desdobramento o respeito ao direito de defesa do réu, o qual, a partir de suas colaborações para o processo, defendendo seus interesses, auxilia para o juízo formular sua decisão com base nos argumentos e provas angariadas tanto pelo requerente quanto o requerido.
Entretanto, apesar do réu possuir o direito de defesa, ele não é obrigado a se defender:
Intuitivamente, a primeira atitude que o réu pode adotar, quando da fase de sua resposta, é permanecer silente, sem nenhuma reação esboçar á pretensão do autor. Sua inação, então, pode determinar a incidência dó instituto dá revelia, figura tendente a punir a parte requerida que sé recusa a colaborar com o Estado no papel de conduzir o processo e compor os conflitos que lhe são trazidos. (MARINONI; ARENHART, 2010, p. 122).
Na verdade, não apresentar defesa é a forma omissiva do réu se defender, uma vez que somente se manifestará se essa for sua vontade, sendo sua inércia totalmente admissível no processo civil, vez que o réu pode não ter interesse em se defender, não discordar dos fatos
narrados na peça inicial ou simplesmente não possuir informações que complementem os fatos e ajudem na resolução do conflito (NEVES, 2014).
Veja-se, portanto, que é assegurado ao réu o direito de ser cientificado da existência de demanda contra sua pessoa, sendo, por outro lado, facultativo a ele se manifestar sobre a lide, se pronunciar e requer os meios admitidos na legislação para se defender, ou não, se mantendo inerte e assumindo as consequências de sua omissão, sendo tais possibilidades de defesa objeto do presente capítulo.
1.1 Fases Processuais
Como se sabe, para a formação do processo é necessária a provocação do Estado-juiz pelo autor, o qual busca uma tutela jurisdicional em face do réu, que é citado a se defender, sendo, por fim, emitida sentença pelo juízo. Entretanto, o processo não é tão simples quanto parece, não se resumindo a pedido, defesa e decisão. Pelo contrário, o processo é uma relação complexa, o qual possui fases a serem seguidas e respeitadas para que então se possa chegar a uma decisão da lide.
A palavra processo vem do latim, procedere, a qual significa seguir adiante. Por conta disto, entendeu-se que o processo era apenas o desencadeamento dos atos processuais. Entretanto, posteriormente, concluiu-se que dentro do processo existia uma força e razão para a prática de tais atos, os quais ligam as partes, sujeitos processuais. O processo é essencial para a função jurisdicional, uma vez que é o instrumento através do qual se opera a jurisdição, a qual visa acabar com os conflitos através da vontade da lei. (GRINOVER; DINAMARCO; CINTRA, 2013).
Por outro lado, procedimento é o meio pelo qual se inicia, desenvolve e termina um processo, tratando-se de mero aspecto formal, não sendo nada mais do que a organização e a sucessão de atos do processo, ou seja, o procedimento é o modo que a lei se manifesta referente aos atos e fórmulas de ordem do processo. (GRINOVER; DINAMARCO; CINTRA, 2013).
Nesse sentido, é importante que tal ordem procedimental seja respeitada, uma vez que é a garantia de que o processo seguiu sua marcha processual como deveria, não suprimindo
nenhuma fase, situação que pode acarretar em prejuízo para uma ou ambas as partes que compõem a lide.
1.1.1 Fase Postulatória
O processo se inicia com a provocação do autor por intermédio da petição inicial direcionado ao Estado-juiz. Nas palavras de Gonçalves (2014, p. 305) “É o ato que dá início ao processo, e define os contornos subjetivos e objetivo da lide, dos quais o juiz não poderá desbordar. É por meio dela que será possível apurar os elementos identificados da ação: as partes, o pedido e a causa de pedir”. Trata-se da primeira fase do processo, a fase postulatória. O nome, por si só, já demonstrar tratar do inicio da lide, uma vez que, se não há pedido ao juízo, não há como se iniciar o processo. Portanto, para que se tenha inicio, é preciso que algo seja postulado.
Entretanto, não é apenas a petição inicial que faz parte da fase postulatória, pelo contrário, nesta mesma fase nos deparamos com a resposta do réu, objeto do presente estudo. Após o recebimento da inicial pelo magistrado e a citação do réu, este pode se defender ou não dentro do prazo.
1.1.2 Fase Ordinatória
Decorrido o prazo, com a apresentação ou não da resposta, o processo caminha para sua próxima fase, denominada fase ordinatória. Nesta fase, o juízo determinará às providencias preliminares, se necessárias. Isso se dá, porque não se trata de fase obrigatória do procedimento, variando conforme o caso concreto e sua conveniência ou não (NEVES, 2014).
De acordo com Gonçalves (2014, p. 362) as possibilidades são as seguintes:
Se o réu não oferecer resposta, e a revelia produzir os seus efeitos, deverá julgar antecipadamente a lide, na forma do art. 330, II, do CPC; se o réu não oferecer resposta, e a revelia não produzir os seus efeitos, o juiz determinará as provas necessárias para a apuração dos fatos; se o réu contestar, controvertendo os fatos narrados na petição inicial, o autor terá prazo de dez dias para ajuizar ação declaratória incidental; se o réu contestar, alegando fatos impeditivos, extintivos ou modificativos do direito do autor, este terá prazo de dez dias para réplica; se o réu contestar, alegando qualquer das preliminares enumeradas no art. 301, o autor terá
prazo de dez dias para manifestar-se, e o juiz, verificando alguma irregularidade ou nulidade sanável, mandará supri-la, no prazo de até trinta dias; se o réu contestar, sem alegar os fatos acima mencionados, e a questão de mérito for exclusivamente de direito, ou sendo de direito e fato, não houver necessidade de produção de prova em audiência, o juiz promoverá o julgamento antecipado da lide (art. 330, I, do CPC); se o réu contestar, e não for o caso de julgamento antecipado da lide, o juiz designará audiência de tentativa de conciliação, fixação dos pontos controvertidos e decisão sobre as provas necessárias, na forma do art. 331, do CPC.
Inicialmente, caso o réu seja declarado revel, o próximo passo a ser seguido pelo magistrado dependerá se foram gerados ou não os efeitos da revelia. Caso presumidos verdadeiros os fatos arguidos pelo autor, o processo caminhará para o julgamento antecipado da lide1. Caso não ocorram os efeitos da revelia, será determinado ao autor que especifique as provas que pretende produzir2 (NEVES, 2014).
Por conseguinte, após a contestação do réu, se este criar questão prejudicial, o autor pode, no prazo de 10 dias de sua intimação, propor ação declaratória incidental3 (NEVES, 2014). Importante destacar, que tal instituto não fará mais parte do ordenamento jurídico brasileiro, uma vez que o Novo Código de Processo Civil excluiu a referida ação.
Por outro lado, temos a figura da réplica, a qual consiste na oportunidade de manifestação do autor quando o réu alegar em sua contestação defesa de mérito indireta ou defesa processual. Tais matérias, quando alegadas, trazem novidade ao processo, assim como quando se alega fato novo impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do requerente, bem como quando o réu alega defesa preliminar. Tal instituto é manifestação do princípio do contraditório, uma vez que é oportunizado ao autor se manifestar sobre as matérias novas do processo, as quais podem ser determinantes para a decisão judicial (NEVES, 2014).
Por sua vez, verificada a existência de vício ou irregularidades sanáveis, será determinada pelo juízo sua correção.4 Ou seja, trata-se de ponto importantíssimo para o processo, uma vez que o magistrado já estará apto a decidir a lide ou verificará a necessidade de provas, mas para que isso ocorra, o processo deve estar regularizado. Logo, encontrado algum vício, o juízo determinará a correção do mesmo. Entretanto, se insanável, o magistrado extinguirá o processo sem resolução do mérito (GONÇALVES, 2014).
1 Art. 330, II, da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 355, II, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 2 Art. 324 da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 348 da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 3 Arts. 5º e 325 da Lei n.º 5.869/1973 (BRASIL, 2015);
Contestada ou não a ação pelo réu, é comum a prática dos magistrados em determinar que as partes especifiquem as provas que pretendem produzir. Isso, porque as partes costumam manifestar-se de forma genérica na petição inicial e contestação, alegando interesse em todas as provas autorizadas pela legislação. (GONÇALVES, 2014). Entretanto, tal situação não é obrigatória em todos os casos, apenas no caso do réu ser declarado revel, mas não incorrer em seus efeitos, conforme já explanado anteriormente.
Salvo o exemplo acima, o juízo poderá de ofício determinar as provas necessárias para a formação de sua convicção. Caso não o fizer, as partes devem se pronunciar sobre as provas que pretendem produzir, bem como a necessidade delas, uma vez que o magistrado pode indeferir provas consideradas desnecessárias (GONÇALVES, 2014).
Uma vez sanadas as possíveis irregularidades, lidas as manifestações das partes, o magistrado verificará se o feito está ou não em condições de ser julgado. Dependendo do caso, finalizada a fase postulatória e saneados os vícios, já estão nos autos todos os elementos necessários para o julgamento do processo. Em outros casos, há a necessidade de produção de provas. Dispensada a fase instrutória, o magistrado poderá julgar de forma antecipada os pedidos, sendo três as possibilidades (GONÇALVES, 2014, p. 365):
De que o juiz extinga o processo, nas hipóteses dos arts. 267 e 269, II a V; de que promova o julgamento antecipado do mérito; de que, verificando a necessidade de provas, determine a abertura da fase de instrução, depois de realizar a audiência preliminar.
Inicialmente, depara-se com as hipóteses da resolução sem julgamento de mérito, ou seja, sem a apreciação pelo Magistrado do postulado pelas partes. Ocorre quando: a petição inicial é indeferida; as partes negligenciam o processo, deixando-o parado por mais de um ano; o autor deixar de praticar atos que lhe competir, abandonando a ação por mais de trinta dias; ausente os pressupostos necessários para constituição e andamento válido e regular da lide; o Magistrado acolher a perempção, litispendência ou coisa julgada; não possuir a ação qualquer das condições para a sua existência; ocorrendo a convenção de arbitragem; o autor desistir do processo; a ação foi intransmissível por dispositivo legal; ocorrer confusão entre autor e réu; e demais casos espalhados pelo Código.
Em contrapartida as hipóteses da resolução sem julgamento do mérito, encontram-se as hipóteses de extinção com resolução do mérito, quando o magistrado aprecia o litígio. São as hipóteses: da renúncia de direito; da transação; do reconhecimento jurídico do pedido ou reconhecimento da prescrição ou decadência. Importante destacar, que o juízo não está preso a fase ordinatória para declarar a extinção do processo aplicando o artigo 3295 ou artigo 3546, se estendendo a qualquer fase do processo, desde que essas causas se apresentem (GONÇALVES, 2014).
Por outro lado, uma vez que os autos possuam elementos suficientes para o julgamento dos pedidos postulados, o magistrado promoverá o julgamento antecipado do mérito, uma vez que desnecessária a produção de novas provas. Neste caso, o processo passa diretamente da fase ordinatória para a decisória. São três hipóteses em que tal fenômeno ocorre: quando a revelia presumir verdadeiros os fatos narrados na inicial; quando a questão controvertida for exclusivamente de direito; e quando a questão de mérito for de direito e de fato, mas não houver a necessidade de se produzir provas em audiência (GONÇALVES, 2014).
Uma vez que não ocorrer nenhuma das hipóteses anteriores e a causa versar sobre direito que admite transação, o magistrado designará audiência preliminar, também chamada de audiência de tentativa de conciliação. Não havendo acordo, o juiz saneará o processo, fixará os pontos controvertidos e determinara as provas necessárias, passando para a próxima fase do processo (GONÇALVES, 2014).
Por fim, importante destacar que a referida audiência frequentemente é dispensada pelo magistrado, sendo que, na prática, ela raramente acontece. Tal permissão esta respaldada no próprio artigo que regula a realização da audiência preliminar, sendo que o Código de Processo Civil, em artigo 331, § 3º, descreve que, se tratando de litígio que não admite transação ou as circunstâncias demonstrar que a mesma é improvável, desnecessária a realização da mesma. Por outro lado, referido instituto teve especial atenção no Novo Código de Processo Civil, em decorrência da valorização e incentivo do Judiciário pelo instituo da mediação e arbitragem, ou seja, buscar a resolução dos conflitos de forma extrajudicial e diminuir o número de processos. O novo ordenamento segue a mesma linha do ordenamento
5 Lei n.º 5.869/1973 (BRASIL, 2015); 6 Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015).
em vigência, mas passa a regular de modo mais amplo e específico tais hipóteses, em seu artigo 344. Quanto às possibilidades de dispensa da audiência de conciliação, elencadas no § 4, incisos I e II, do referido artigo, estas mantêm a desnecessidade quando não for possível a autocomposição, mas passa a inovar, de forma explícita, a não realização da referida audiência quando ambas as partes demonstrarem desinteresse pela composição consensual.
1.1.3 Fase Instrutória
Saneado o processo, o mesmo caminha para a fase seguinte do processo, a denominada fase instrutória. Como se sabe, ao apresentar sua defesa, o réu pode rebater as alegações contidas na inicial do autor, ou seja, causa controvérsia quanto aos fatos discutidos na lide. Logo, torna tais fatos controvertidos.
A instrução do processo é o momento oportuno para que ambas as partes produzam as provas que demonstrem quem possui razão em suas alegações. Nesse sentido, é o ensinamento de Gonçalves (2014, p. 370) “Provas são os meios utilizados para formar o convencimento do juiz a respeito de fatos controvertidos que tenham relevância para o processo”. Uma vez que lícita e admitida pelo ordenamento jurídico nacional, uma prova pode ser utilizada para comprovar fato que se alega.
As provas podem ser diretas ou indiretas, sendo que a primeira se liga diretamente ao fato, enquanto a segunda não se liga diretamente ao fato, mas a outro fato ligado a ele. As provas podem ser pessoais, ou seja, quando prestada por testemunha ou depoimento pessoal das partes ou reais, quando constituída através de perícia. Por fim, as provas podem ser orais, colhidas verbalmente ou escritas, redigidas, como documentos. (GONÇALVES, 2014).
1.1.4 Fase Decisória
Encerrada a instrução, nos deparamos com fase que deu causa ao início da ação: a fase decisória. Toda ação busca uma tutela jurisdicional que apenas o Estado-juiz pode proporcionar, e esta resposta vem com a sentença, a qual é conceituada por Gonçalves (2014, p. 425) como “[...] ato do juiz que implica alguma das situações previstas nos arts. 267 e 269 do CPC e que põe fim ao processo, ou à fase cognitiva condenatória”. Ou seja, a sentença põe
fim ao processo de conhecimento ou ao cumprimento de sentença, quando se executa o título judicial.
Menciona-se que, após a sentença, ainda é possível o processo se estender até a fase recursal, uma vez que ambas as partes podem não concordar com a decisão proferida pelo magistrado e manejar os recursos admitidos no ordenamento para combater a sentença que lhe é desfavorável.
Diante a explanação acima, fica evidenciada a importância de ser respeitar a marcha processual, uma vez que demonstrada a importância de cada uma das fases processuais, bem como o objetivo delas e suas consequências. No mesmo sentido, depara-se com a fase processual em que se encontra a resposta do réu, objeto do presente estudo, a qual está localizada na segunda etapa da fase postulatória, em contraposto a petição inicial, a qual define os contornos sobre os quais versam a ação, enquanto a resposta do réu é de igual importância, uma vez que para se definir o prosseguimento da lide, é necessário analisar a modalidade de defesa arguida pelo requerido.
1.2. Modalidades de Defesa
No processo existem duas relações distintas, mas que guardam entre si relação de continente e conteúdo: o mérito e o processo. Diante disto, torna-se necessário que o direito de defesa seja analisado de formas diferentes: as defesas contra o mérito e as defesas contra o processo (BUENO, 2010). Ou seja, o réu pode se defender tanto da situação fática narrada pelo autor da ação, de seus pedidos, quanto do processo em si, do método escolhido pelo requerente para provocar o judiciário, assim como do procedimento utilizado pelo Estado-juiz para prestar a tutela jurisdicional.
Ambas as defesas, processual e de mérito, salvo procedimento diverso ao ordinário, devem ser arguidas pelo réu na primeira oportunidade de se manifestar nos autos, ou seja, no prazo de resposta, após a sua citação. Isso se dá por conta do princípio da concentração de defesa ou eventualidade, o qual consolida a necessidade do réu, em sua defesa, trazer toda matéria de defesa possível, tanto do plano material quanto do plano processual.
Tal princípio não norteia exclusivamente a resposta do réu, mas também o autor da ação, o qual deve alegar tudo o que pretende em sua petição inicial e aquele todas as suas defesas em contestação:
Os litigantes devem produzir as suas alegações simultaneamente, quando a lei assim o disponha. Ainda que as alegações sejam excludentes, deve-se proceder assim na previsão, in eventum, de que uma delas seja rechaçada, cabendo então considerar a subsequente. [...] Uma expressão exagerada, mas ilustrativa do princípio de eventualidade, e da necessidade de evitar a preclusão das alegações logicamente anteriores, contém-se no seguinte dístico clássico: “Primeiro, não me deste dinheiro algum; segundo, já o devolvi faz um ano; terceiro, disseste que era um presente; e, finalmente, já prescreveu. (COUTURE apud DIDIER JUNIOR, 2008, p.473).
Entretanto, tal princípio não é absoluto, uma vez que o ordenamento jurídico enumera algumas situações em que é possível o réu se defender após a apresentação de contestação. Tais exceções estão elencadas nos incisos do artigo 303 do Código de Processo Civil7, as quais não sofreram alterações em seu sentido na nova Lei, apenas em seu texto, sendo tal dispositivo agora encontrado no artigo 342 do Novo Código de Processo Civil8.
Inicialmente, refere o inciso I do artigo 303 do Código de Processo Civil, a licitude de se produzir novas alegações que dizem respeito a direito superveniente. Logo, se nova situação até então desconhecida é levada ao processo, em consonância ao princípio do contraditório e da ampla defesa, logicamente é permitido ao réu se manifestar e impugnar fato novo.
O Novo Código de Processo Civil mantém a mesma essência, passando apenas a ampliar o texto, constando além do direito, fato superveniente. Tal acréscimo não acarreta nenhuma mudança significativa à exceção do referido inciso, apenas transcreve de forma literal o que já ocorria na prática, conforme explicação de Didier Junior (2008, p. 480) “[...] Se trata de fato ou situação jurídica que surgiu após a apresentação da defesa, e que é relevante para o julgamento da causa [...]” Portanto, em ambos os ordenamentos, diante de fato ou direito novo, é permitido ao réu se manifestar sobre os mesmo, ainda que posterior à apresentação de contestação.
7 Lei n.º 5.869/1973 (BRASIL, 2015); 8 Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015).
Quanto ao disposto no inciso II, o mesmo permanece intacto, possuindo a mesma redação em ambos os ordenamentos, o qual refere quando o juiz deve apreciar de ofício. Trata-se de matérias de ordem pública, as quais, segundo Bueno (2010, p. 167) “[...] O juiz deve apreciar mesmo sem pedido das partes ou quaisquer outros sujeitos do processo”. Ou seja, trata de tópico que o magistrado pode conhecer ex officio, assim como não há preclusão decorrente da não alegação na peça de defesa (DIDIER JUNIOR, 2008).
Por fim, o inciso III trata das exceções previstas em Lei ao princípio da concentração de defesa, uma vez que, por expressa autorização legal, é licito produzir novas alegações em qualquer tempo e juízo. Diante disto, é possível aduzir questões que podem ou não serem examinadas de ofício pelo magistrado, como a decadência convencional, situada nos artigos 210 e 211 do Código Civil9 (DIDIER JUNIOR, 2008).
Ainda, importante citar as matérias de ordem pública, as quais podem ser conhecidas de ofício pelo Magistrado ou alegadas pelo réu na primeira oportunidade. São matérias de ordem pública a ausência de pressupostos de constituição e desenvolvimento válido da ação, a perempção, litispendência, coisa julgada ou falta de condições da ação. Caso não sejam alegadas no prazo de defesa, ainda é possível sua arguição, porém, o réu corre o risco de responder pelas custas de retardamento.
Portanto, evidenciada a importância de se respeitar o princípio da concentração de defesa, embora o ordenamento jurídico elenque a possibilidade de deduzir novas alegações após a contestação, trata-se de exceções especificadas, as quais devem ser invocadas apenas quando o caso concreto permitir. No mesmo sentido, importante observar a relação dupla existente na defesa do réu, o qual pode arguir defesas processuais e de mérito, elementos a serem abordados a seguir.
1.2.1 Defesa Processual
As defesas processuais são métodos indiretos de defesa, uma vez que não dizem respeito à finalidade da lide, mas sim sobre as condições da ação e pressupostos processuais:
[...] são as defesas que têm por objeto os requisitos de admissibilidade da causa [...] Dizem respeito a questões puramente processuais – ao menos em termos de direito positivo, pois o nosso sistema acolheu a tese de que as questões relacionadas às condições da ação não são questões de mérito. O objetivo do demandado é questionar a viabilidade de apreciação do mérito. A formulação de defesa contra a admissibilidade, que traz ao processo questão preliminar, impõe intimação do demandante para a réplica (art. 327 do CPC). (DIDIER JUNIOR, 2008, p.473).
Logo, a defesa processual tem por objetivo impedir a outorga da tutela jurisdicional postulada pelo requerente, mas sem que o mérito alegado por este seja apreciado pelo juízo (THEODORO JUNIOR, 2014).
Entretanto, não são todas as defesas processuais que tem por finalidade a total e imediata inutilização do processo (THEODORO JUNIOR, 2014), razão pela qual, conforme Neves (2014) é possível dividir tais preliminares de acordo com a consequência do seu acolhimento pelo juízo no caso concreto, possuindo, tradicionalmente, duas classificações: defesas peremptórias e defesas dilatórias.
São exemplos de defesas peremptórias a inépcia da inicial10, perempção11, litispendência12, coisa julgada13, convenção de arbitragem14 e carência da ação15, as quais, uma vez acolhidas, acarretam na extinção do processo (artigo 267 CPC e 354 NCPC), pois o vício existente no processo é tão grave que o torna inútil como instrumento válido para se alcançar a tutela jurisdicional pretendida (THEODORO JUNIOR, 2014).
Por outro lado, são exemplos de defesas dilatórias a nulidade da citação16, incompetência do juízo17 e conexão18, sendo que estas, quando acatadas pelo juízo, não geram a extinção do processo, apenas causam ampliação do curso do processo, ou seja, trata-se de mera paralisação temporária da lide enquanto a obstrução deduzida não é resolvida (THEODORO JUNIOR, 2014). Uma vez superado o obstáculo, o processo volta a sua marcha regular.
10 Art. 301, III, da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 337, IV, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 11 Art. 301, IV, da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 337, V, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 12 Art. 301, V, da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 337, VI, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015). 13 Art. 301, VI, da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 337, VII, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 14 Art. 301, IX, da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 337, X, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 15 Art. 301, X, da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 337, XI, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 16 Art. 301, I, da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 337, I, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 17 Art. 301, II, da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 337, II, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 18 Art. 301, VII, da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 337, VIII, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015).
Apesar disso, uma defesa inicialmente dilatória pode ganhar força peremptória e acarretar na extinção do feito. De acordo com Neves (2014) trata-se de uma terceira hipótese, a qual ele denomina de defesas dilatórias potencialmente peremptórias, as quais são defesas que, quando acolhidas pelo juízo, são passíveis de saneamento do vício ou irregularidade pelo autor, porém, caso este permaneça inerte e não efetue a diligência necessária para dar regular prosseguimento ao feito, a arguição inicialmente dilatória toma rumo peremptório, acarretando a extinção do processo sem resolução do mérito.
São exemplos de defesas dilatórias potencialmente peremptórias a incapacidade de parte, defeito de representação ou falta de autorização19 e a falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar20.
Apesar de não se enquadrar como uma defesa processual ou de mérito, importante abordar os institutos da prescrição e decadência21, os quais são chamados de prejudicial de mérito. Uma vez acolhida, acarreta em sentença de mérito, fazendo coisa julgada material.
Atualmente, é permitido ao juiz conhecer de ofício22 a prescrição na propositura da ação, sem a manifestação do réu. Caso isso ocorra, o requerido deverá ser intimado de qualquer maneira, a fim de ter ciência do desfecho da lide, bem como para apresentar contrarrazões em caso de interposição de recurso de apelação pela parte autora.
Entretanto, o Novo Código de Processo Civil altera o entendimento atualmente vigente. Com a entrada em vigor da nova legislação, o reconhecimento da prescrição ex officio pelo magistrado passa a ser uma exceção, cabível apenas nas ações que dispensam a fase instrutória23. Nos demais casos, só se reconhece a prescrição após a manifestação do réu24.
A decadência, por sua vez, é passível de ser reconhecida de ofício pelo Magistrado, quando a lei estabelecer, conforme o artigo 210 do Código Civil. Entretanto, se tratando de
19 Art. 301, VIII, da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 337, IX, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 20 Art. 301, XI, da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 337, XII, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 21 Art. 295, IV, da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 487, II, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 22 Art. 219, § 5º, da Lei n.º 5.869/1973 (BRASIL, 2015);
23 Art. 332, § 1º, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015);
decadência convencional, o juiz não pode conhecê-la de ofício, de acordo com o disposto no artigo 211, da legislação supracitada.
1.2.2 Defesa de Mérito
Diferentemente das defesas processuais, as quais visam à regularidade do processo, as defesas de mérito dizem respeito exatamente quanto ao direito material aduzido pelo autor (NEVES, 2014).
Nesse sentido, nas palavras de Didier Junior (2008, p.473), as defesas de mérito são:
[...] aquelas que o demandado opõe contra a pretensão deduzida em juízo pelo demandante (objeto litigioso), quer para neutralizar os seus efeitos, quer para retardar a produção destes mesmos efeitos (exceções dilatórias de mérito), quer para negá-los peremptoriamente.
Trata-se, portanto, da defesa do réu quanto ao mérito da causa, seus objetivos, ou seja, o requerido deve rebater as alegações do autor em sua petição inicial, a fim de convencer o juízo da improcedência da tutela jurisdicional provocada.
Por outro lado, alerta-se sobre a existência de exceção quanto à defesa de mérito se tratar exclusivamente de matéria de fato, uma vez que nosso ordenamento jurídico evidência a possibilidade da matéria de mérito de uma ação judicial ser exclusivamente processual, como ocorre, por exemplo, na ação rescisória25 (DIDIER JUNIOR, 2008).
As defesas de mérito ainda podem ser classificadas em diretas e indiretas, ais quais serão abordadas no momento oportuno.
1.3 Revelia
Como vimos, anteriormente, o réu possui o direito de se defender, mas ele não é obrigado a apresentar defesa, podendo, portanto, permanecer inerte. Ocorrendo isso, estamos diante do fenômeno da revelia26.
25 Art. 485, II e IV da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 966, II e IV da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 26 Arts. 319-322 da Lei n.º 5.869/1973 e Arts. 344-346 da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015).
De acordo com Didier Junior (2012, p. 541):
A revelia é um ato-fato processual, consistente na não apresentação tempestiva da contestação. Trata-se de espécie de contumácia passiva, que se junta a outras, como, por exemplo, a não-regularização da representação processual (art. 13, II, CPC). Há revelia quando o réu, citado, não aparece em Juízo, apresentado a sua resposta, ou comparecendo ao processo, também não apresenta sua resposta tempestiva. Não se pode confundir revelia, que é um ato-fato, com a confissão ficta, que é um dos seus efeitos. A revelia não é um efeito jurídico; a revelia encontra-se no mundo dos fatos.
Importante não confundir a revelia com a contumácia, uma vez que a revelia é uma espécie de contumácia. A primeira consiste na inação específica do réu em rebater os pedidos postulados pelo autor da ação; enquanto a segunda é a inércia de qualquer uma das partes diante de algum comando judicial. Destaca-se, também, que o que caracteriza a revelia é a ausência de contestação do réu, não havendo no direito brasileiro a figura da revelia superveniente, ou seja, decretar a revelia pela inércia do requerido após sua defesa (MARIONI; MITIDIERO, 2013).
Uma vez incidente no instituto da revelia, o réu é punido por não colaborar com o Estado-juiz na condução e composição do conflito, acarretando ao requerido as consequências quanto aos seus direitos no processo (MARIONI; ARENHART, 2010).
1.3.1 Efeitos da Revelia
A decretação da revelia do réu gera efeitos de ordem material e processual (MARIONI; MITIDIERO, 2013):
[...] presunção de veracidade dos fatos afirmados pelo demandante (efeito material); [...] prosseguimento do processo sem intimação do réu-revel (efeito processual); [...] possibilidade de julgamento antecipado da lide, acaso se produza o efeito substancial da revelia (art. 330, II, CPC). (DIDIER JUNIOR, 2010, p. 541).
Ou seja, o efeito material da decretação dos efeitos da revelia é o reconhecimento dos fatos alegados pelo autor na inicial como verdadeiros, enquanto os efeitos processuais são a não intimação do réu revel aos atos do processo, caso não possua procurador nos autos e a possibilidade do julgamento antecipado do processo (MARIONI; MITIDIERO, 2013).
Nota-se, portanto, que uma vez eficaz, a revelia gera efeitos drásticos para o réu revel, razão pela qual foram criados mecanismos para controlar tais efeitos, tratando com menos rigor o réu revel.
1.3.1.1 Presunção de Veracidade dos Fatos Alegados Pelo Autor
No que diz respeito à presunção de veracidade dos fatos alegados na inicial, tal entendimento é decorrente da ausência de resistência jurídica do réu diante da pretensão exposta no pedido do autor (NEVES, 2014).
Contudo, tal presunção é relativa, uma vez que não há fundamento para que o magistrado presuma como verdadeiros fatos que não aparentam ser verdadeiros, unicamente por conta da revelia do réu. Tal redação foi acolhida no Novo Código de Processo Civil, no inciso IV do artigo 345, diferentemente do Código de Processo Civil atualmente em vigência, que não contempla de forma explicita tal situação fática. Entretanto, uma vez deparado com esta situação, o juiz deverá exigir do autor a produção da prova, afastando no caso concreto os efeitos da revelia (NEVES, 2014).
Ainda, a Lei prevê outras três hipóteses em que a revelia não produz seus efeitos: quando houver pluralidade de réus e algum deles contestar a ação27; quando o litígio versar sobre direitos indisponíveis28; e quando a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável para a prova do ato29.
Na primeira hipótese, quando se tratar de litisconsórcio unitário, ou seja, a decisão obrigatoriamente terá o mesmo efeito para todos os litisconsortes, não há dúvida que quando um deles contestar será aproveitado por todos. Por outro lado, se tratando de litisconsórcio simples, o qual a decisão judicial poderá gerar efeitos diferentes aos litisconsortes, dependerá do caso concreto para serem afastados os efeitos da revelia ou não (NEVES, 2014).
A fim de materializar as hipóteses e facilitar o entendimento, Neves (2014, p. 456-457) apresenta o seguinte exemplo:
27 Art. 320, I, da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 345, I, da Lei n.º 13.105/201. (BRASIL, 2015); 28 Art. 320, II, da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 345, II, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 29 Art. 320, III da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 345, III da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015).
Marilena ingressa com demanda de reparação de danos contra Garzia & Munte e seu funcionário Nelson, alegando que Nelson dirigia caminhão da empresa e que, durante o exercício de suas funções, passou no farol vermelho e a atropelou. São dois os fatos, portanto, alegados por Marilena: Nelson dirigir um caminhão da Garzia & Munte durante seu expediente e ter passado no farol vermelho, o que causou o acidente. Nelson é revel, tendo sido apresentada contestação somente pela Garzia & Munte, sendo que a aplicação do art.320, I do CPC dependerá do teor dessa defesa. A Garzia & Munte contestou o fato de que Nelson estivesse em seu horário de expediente, acusando-o de furtar o veículo do pátio no dia de sua folga, e, além disso, alegou eu o farol estava verde no momento do acidente, acusando Marilena de ter se jogado na frente do veículo. É óbvio que nesse caso a defesa da Garzia & Munte favorece Nelson e o art. 320, I do CPC deve ser aplicado tão somente que o veículo foi furtado de seu pátio, essa defesa em nada favorece Nelson, o réu revel. Será, nessa hipótese legítimo reputar como verdadeiro o fato de o farol estar vermelho no momento do acidente.
Portanto, quando o réu apresentar contestação com tese de defesa que comporiam a defesa não apresentada pelo revel, é possível o afastamento dos efeitos. Entretanto, se o réu alegar em contestação matéria de defesa unicamente de seu interesse, os fatos que prejudicam o réu revel poderão ser presumidos verdadeiros (NEVES, 2014).
Noutro aspecto, não serão reputados verdadeiros os fatos na revelia quando o litígio versar sobre direitos indisponíveis. Isso se dá por se tratar de alguns direitos de natureza não patrimonial, não sendo autorizado ao magistrado dispensar o ônus do autor comprovar o alegado mesmo quando o réu é revel. Para tanto, encontra-se justificativa diante da revelia da Fazenda Pública, sendo aplicado o princípio da prevalência do interesse coletivo diante do individual e a indisponibilidade do interesse público (NEVES, 2014).
Por fim, serão afastados os efeitos do réu revel quando a petição inicial não acompanhar instrumento público que a lei considere indispensável à prova do ato. Nesse sentido, segue o exemplo apresentado por Neves (2014, p. 457):
Guilherme ingressa com ação de inventário em razão do falecimento de Jonas, sendo indispensável à propositura dessa demanda a juntada da certidão de óbito, sem o que o inventário não poderá prosseguir. Circunstância diferente verifica-se quando Guilherme ingressa com demanda indenizatória contra Jussara e argumentação fática alega que Jonas faleceu. Nesse caso, o julgamento de mérito poderá ser feito sem a prova do fato, mas, para que o juiz considere em suas razões do decidir que Jonas realmente faleceu, é indispensável a juntada ao processo da sua certidão de óbito.
Veja-se que, no primeiro caso, o instrumento público é imprescindível para a admissibilidade da ação, pois a certidão de óbito é o documento comprobatório do
falecimento, indispensável para a ação de inventário, enquanto no segundo caso, o falecimento do indivíduo citado no exemplo supra não impede o juiz de julgar o mérito da ação, uma vez que indenização cobrada por Guilherme é contra Jussara e não o falecido Jonas (NEVES, 2014).
1.3.1.2 Prosseguimento do Processo Sem Intimação do Réu-Revel
O segundo efeito da revelia é a desnecessidade de intimação do réu revel. Entretanto, tal situação não pode ser interpretada de forma literal, pois não basta apenas a revelia do requerido, mas também que este não tenha patrono lhe representando nos autos. Tal situação não é difícil de imaginar, uma vez que o réu pode juntar a procuração nos autos no prazo da contestação, mas apresentar a referida defesa intempestivamente. O réu será considerado revel, mas como possui advogado constituído no processo, será intimado rigorosamente de todos os atos processuais (NEVES, 2014).
Caso gere o referido efeito, as intimações por meio da imprensa oficial não serão feitas, inclusive da sentença, sendo que o prazo recursal passa a contar no momento em que a sentença se torna pública. Ressalta-se, ainda, que determinados atos, em que pese o efeito em comento, o réu deve ser intimado pessoalmente, como para prestar depoimento pessoal e exibir documentos (NEVES, 2014).
O presente efeito torna-se de suma importância para o réu, se este se encontrar em processo em que a fase de conhecimento e de execução constituírem parte de um único processo. Pois, se tratando de processo sincrético, não há necessidade de que o executado, quando revel, seja intimado na fase de execução. Se o réu permaneceu revel na fase de conhecimento e sem procurador nos autos, continuará a não ser intimado dos atos processuais na fase de execução. Não se pode esquecer, entretanto, que o réu revel pode ingressar no processo a qualquer tempo e participar dos atos processuais posteriores, passando a ser intimado dos atos quando constituir advogado (MARIONI; MITIDIERO, 2013).
1.3.1.3 Julgamento Antecipado da Lide
Trata-se do terceiro efeito da revelia, o qual é mera consequência do efeito principal da revelia, pois uma vez que reconhecidos como verdadeiros os fatos alegados na petição inicial pelo autor, a consequência é o julgamento antecipado da lide (NEVES, 2014).
Isso se dá, pois, uma vez que presumidos verdadeiros os fatos do autor, torna-se desnecessária a produção de provas, logo, o processo passa direto para a fase decisória, suprimindo a fase instrutória da ação.
1.3.2 Ingresso do Réu Revel no Processo
Apesar de revel, o réu poderá participar do processo a qualquer momento, mas recebendo os autos no estado em que se encontra30, pois devem ser respeitadas as regras da preclusão, ou seja, uma vez que o réu não praticou ato no momento oportunizado por Lei, quando ele vir ao processo não poderá fazer este ato em momento posterior, uma vez que não se admite retrocesso procedimental. Portanto, o réu terá participação apenas a partir do momento que passa a intervir no processo, daí em diante e não nos atos passados (NEVES, 2014).
Uma vez no processo, é permitido ao réu revel a produção de provas, entretanto, tal produção está condicionada ao momento probatório da ação. Logo, é necessário que ao processo chegue até fase para que o réu possa produzir suas provas. Tal limitação encontra-se fixada pela Súmula 231 do Supremo Tribunal Federal31, a qual impõe o respeito à marcha processual, ou seja, estar na fase probatória para produzir suas provas.
Nesse sentido, ficam evidentes os perigos que rondam o réu, quando este, não apresenta defesa em favor, seja por estratégia de defesa, seja por apresentar de forma intempestiva, uma vez que, se declarado os efeitos da revelia em seu desfavor, as consequências podem alterar todo o rumo da ação, além de causar prejuízos processuais ao
30 Art. 322, Parágrafo Único, da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 346, Parágrafo Único, da Lei n.º 13.105/2015
(BRASIL, 2015);
réu. Portanto, de suma importância a atenção do requerido neste momento processual, para que não tenha que arcar com as consequências posteriormente.
Diante do exposto, fica evidente o tema centralizado do presente trabalho, o qual se propõe estudar a resposta do réu, tanto à luz do Código de Processo Civil e do Novo Código de Processo Civil. O presente capítulo tratou de introduzir o assunto a ser estudado, bem como questões preliminares de suma importância para o instituto da defesa do réu. Uma vez concluída esta etapa, passa-se para a próxima fase do estudo, a qual consiste em adentrar especificamente nos instrumentos de defesa, os quais o presente trabalho passará a abordar no próximo capítulo, com o estudo da contestação, reconvenção, exceções, impugnação ao valor da causa e impugnação à assistência judiciária gratuita.
2 INSTRUMENTOS DE DEFESA
Uma vez que a petição inicial é recebida, o magistrado determinará a citação do réu para que venha integrar a relação processual e, querendo, defender-se. Trata-se da materialização do princípio do contraditório, o qual, conforme análise anterior, abre a possibilidade de reação do réu diante da existência de demanda processual em seu desfavor (NEVES, 2014).
Nesse sentido, na nova legislação processual civil, o legislador acrescentou a audiência preliminar, a qual ocorre após o recebimento da inicial, com o fim de evitar o andamento da ação judicial e buscar uma solução preliminar ao processo. Apenas após a ocorrência da citada audiência, em caso de não haver autocomposição, o réu já é citado na mesma para, enfim, se defender.
Ressalta-se, entretanto, que a referida audiência não é obrigatória, sendo dispensada em caso de expressa manifestação de desinteresse por ambas as partes ou se o caso não admitir autocomposição.
Concluída a citação do réu, o qual toma ciência do processo, esse possui diversas formas de respostas a serem apresentadas em sua defesa. A legislação processual civil brasileira consolidou três espécies principais de resposta do réu: a contestação, as exceções rituais e a reconvenção. Em que pese a inegável importância destas espécies de respostas, é fundamental destacar que existem outras formas de defesa a serem abordadas. Além das três defesas já citadas, o presente estudo abordará o instituto da impugnação ao valor da causa e a impugnação à assistência judiciária gratuita (NEVES, 2014).
Entretanto, o tema não se esgota por aqui, sendo oportuno citar os demais institutos que podem ser utilizados como forma de defesa pelo réu, os quais são: as preliminares32; a nomeação à autoria33; o chamamento ao processo34; e a denunciação da lide35 (NEVES, 2014).
32 Art. 301, incisos da Lei n.º 5.869/1973 e 337, incisos da Lei n.º 13.105/2015.(BRASIL, 2015); 33 Art. 62 a 69 da Lei n.º 5.869/1973 (BRASIL, 2015);
34 Art. 77 a 80 da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 130 a 132 da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 35 Art. 70 a 76 da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 125 a 129 da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015);
Por fim, ainda é possível apontar o reconhecimento jurídico do pedido e ação declaratória incidental36 como formar de defesa do réu. Porém, tais institutos não serão objetos do presente trabalho. Isso se dá, pois, o reconhecimento jurídico do pedido nada mais é do que a concordância do réu com os aspectos fáticos e jurídicos narrados na inicial, situação rara na prática forense. Por outro lado, a ação declaratória incidental, a qual se encontra vigente no Código de Processo Civil, tem seus dias contados com o advento do Novo Código de Processo Civil, uma vez que a nova legislação processual não contemplará tal possibilidade, acarretando a exclusão da referida ação após o vacatio legis do novo código (NEVES, 2014).
Por oportuno, destaca-se que, no atual Código de Processo Civil, nem todos os instrumentos de defesa supracitados se manifestam da mesma forma. Quando se trata da apresentação de contestação, exceções, reconvenção, da impugnação ao valor da causa ou a impugnação à assistência judiciária gratuita, estes são apresentados em instrumentos autônomos, ou seja, se apresentam de forma apartada das demais, enquanto as preliminares, a nomeação à autoria, o chamamento ao processo e a denunciação a lide devem ser arguidas juntamente ao instrumento da contestação.
Em contrapartida, o Novo Código de Processo Civil inova, possibilitando, por exemplo, a cumulação da Contestação e da Reconvenção na mesma peça, dispensando a necessidade de apresentar a Reconvenção em petição autônoma. Nota-se, portanto, a grande influência no novo ordenamento jurídico do princípio da economia processual, o qual tem por objetivo buscar o resultado máximo na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais:
Se o processo é um instrumento, não pode exigir um dispêndio exagerado com relação aos bens que estão em disputa. E mesmo quando não se trata de bens materiais deve haver uma necessária proporção entre fins e meios, para equilíbrio di binômio custo-benefício. É o qe recomenda o denominado princípio da economia, o qual preconiza o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais. (GRINOVER; DINAMARCO; CINTRA, 2013, p. 83).
Portanto, uma vez que o primeiro capítulo do presente estudo abordou com destaque as modalidades de defesa, resta a análise dos instrumentos de defesa utilizados pelo réu.
2.1 Contestação
De acordo com Didier Junior (2015, p. 637) “A contestação está para o réu como a petição inicial está para o autor”. No mesmo sentido, a contestação, conforme entendimento de Gonçalves (2014, p. 331) “É por excelência, a peça de defesa do réu”. Isso tudo se dá, pois se trata da peça que demonstra a contrariedade do réu contra a ação movida pelo autor. É a oportunidade de o réu alegar toda matéria de defesa em seu favor, ressalvando aquela que necessita meio diverso de alegação (MARINONI, 2013). Nota-se, portanto, a importância do referido instituto:
Entre os quatro institutos fundamentais do processo civil figuram a ação e a exceção, o direito de formular pretensões em juízo e o de defender-se e resistir às pretensões alheias. Se a petição inicial é a peça que veicula o direito de ação, a contestação é a que se contrapõe àquela, ao apresentas resistência, a defesa do réu. (GONÇALVES, 2014, p. 331).
Sendo assim, necessária a devida atenção na elaboração da contestação, diante da importância do instituto.
2.1.1 Prazo
Via de regra, o prazo de resposta, no procedimento ordinário, é de quinze dias37. Tal prazo começa a correr a partir da data da juntada aos autos do aviso do recebimento ou do mandado cumprido, quando feito por oficial de justiça. Caso a citação ocorra por edital, o prazo começa como fim do prazo fixado no edital (GONÇALVES, 2013).
Caso haja mais de um réu no processo, o prazo para a apresentação de resposta começa a correr apenas quando juntado aos autos o último aviso de recebimento ou mandado cumprido. Logo, enquanto todos os réus não tiverem sido citados, o prazo não começa38. Por outro lado, caso ocorra a desistência do autor com relação a um dos réus, o qual ainda não foi citado, a fim de que o réu já citado não seja surpreendido, uma vez que este aguardava a citação do outro réu para apresentar sua contestação, ele será intimado da desistência do autor, momento em que o prazo de resposta passa a correr39 (GONÇALVES, 2013).
37 Art. 297 da Lei n.º 5.869/1973 e Art. 335 da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015). 38 Art. 241, III, da Lei n.º 5.869/1973 (BRASIL, 2015);
Importante destacar, ainda, que o prazo de quinze dias para apresentação de resposta sofre alterações dependendo de quem figurar como parte ré na ação:
O prazo de resposta será quadruplicado, se o réu for a Fazenda Pública ou o Ministério Público (art. 188); dobrado, se houver polo passivo litisconsortes com advogados diferentes (art. 191); é também dobrado, se o réu for defendido por órgão público de assistência judiciária, como a Defensória Pública ou a Procuradoria do Estado (art. 5º, § 5º, da Lei n.º 1.060/50). (GONÇALVES, 2014, p. 331).
No que diz respeito a contagem de prazos no Novo Código de Processo Civil, é importante destacar que a referida legislação sofreu algumas alterações em relação ao modelo atualmente vigente.
De plano, nota-se a primeira diferença na contagem de prazo da nova legislação, a qual, uma vez que recebida a petição inicial, será designada audiência de conciliação. Diante disso, o prazo inicial para apresentação da contestação começa a correr apenas após a audiência de conciliação ou mediação em que não houver autocomposição40. Não sendo caso de autocomposição ou se não for interesse da parte a realização da audiência de conciliação, o prazo começa a correr do protocolo do pedido de cancelamento da audiência41. Por fim, o prazo começa a correr na forma das hipóteses previstas no artigo 321, conforme o modo que foi realizada a citação42.
Havendo litisconsórcio passivo, bem como o desinteresse das partes pela audiência de conciliação43, a data que começa a correr o prazo de resposta do réu é a da apresentação do pedido de cancelamento da audiência44.
No caso de litisconsórcio e o autor desistir da ação contra um dos réus, a contagem do prazo para apresentação de defesa por parte do réu remanescente segue o modelo da legislação em vigência, devendo esse ser intimado do despacho que homologou a desistência, passando, então, a correr o prazo.
40 Art. 335, I, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 41 Art. 335, II, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 42 Art. 335, III, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 43 Art. 334, § 6º, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 44 Art. 335, § 1º, da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015).
No mesmo sentido, quanto aos prazos diferenciados, anteriormente citados, o novo ordenamento mantém a contagem em dobro para litisconsortes com procuradores distintos45, alterando, entretanto, o antigo prazo quádruplo que possuía a Fazenda Pública46 e o Ministério Público47, os quais passam juntamente com a Defensória Pública48 e a Advocacia Pública49 a ter prazo em dobro.
O Novo Código de Processo Civil trás inovações na contagem dos prazos processuais. Atualmente, os prazos processuais se iniciam no primeiro dia útil após a intimação ou citação, observando a data da juntada do mandado aos autos e a publicação da nota de expediente. Além disso, os prazos correm de maneira contínua, ou seja, não interrompidos nos feriados e finais de semana50.
A nova legislação mantém a contagem inicial dos prazos processuais no primeiro dia útil após a intimação ou citação da parte. Entretanto, os prazos deixam de correr de forma contínua, computando-se apenas os dias úteis51. Ou seja, a contagem interrompe-se nos finais de semana e feriados, retomando-se a contagem no dia útil subsequente.
2.1.2. As Preliminares da Contestação
De acordo com o item 1.2.1 do presente trabalho, encontramos a definição de defesa processual, suas espécies e as consequências de cada um dos institutos.
As referidas defesas processuais estão elencadas nos incisos do artigo 301 da legislação atual e 337 do Novo Código de Processo Civil, sendo possível classificá-las em defesas peremptórias e dilatórias.
Inicialmente, a inexistência ou nulidade da citação52, a qual é considerada matéria de ordem pública, ou seja, é possível ser alegada a qualquer momento do processo. Tal situação ocorre quando o réu, por alguma forma diversa da citação válida, ser informado da existência
45 Art. 229 da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 46 Art. 183 da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 47 Art. 180 da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 48 Art. 186 da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 49 Art. 182 da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015); 50 Art. 178 da Lei n.º 5.869/1973 (BRASIL, 2015); 51 Art. 219 da Lei n.º 13.105/2015 (BRASIL, 2015).