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(1)

JODIÊ DO AMARAL SODÁRIO

Estudo do polimorfismo genético de ADH1BR48H e suas

associações ao câncer de cavidade oral

Goiânia 2016

(2)

Estudo do polimorfismo genético de ADH1B R48H e suas

associações ao câncer de cavidade oral

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências Ambientais e Saúde da Pontifícia Universidade Católica de Goiás como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Ciências Ambientais e Saúde.

Área de Concentração: Ambiente e Saúde.

Orientadora: Prof.ª Dr.ª. Vera Aparecida Saddi.

Coorientador: Prof. Dr. Cesar Augusto Sam Tiago Vilanova-Costa.

Goiânia 2016

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/ Jodiê do Amaral Sodário.-- 2016. 94 f.; il.; 30 cm

Texto em português com resumo em inglês.

Dissertação (mestrado) -- Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Programa de Pós-Graduação STRICTO SENSU em Ciências Ambientais e Saúde, Goiânia, 2016 Inclui referências

1. Boca - Doenças. 2. Polimorfismo (Genética). 3.

Oxidorredutases. 4. Boca - Câncer. I.Saddi, Vera Aparecida. II.Pontifícia Universidade Católica de Goiás. III.

Título.

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(5)

que foram sempre a razão e o caminho. A razão pela minha luta e o caminho de afeto, apoio e abdicação para que esse sonho se concretizasse.

(6)

Agradeço primeiramente a Deus, pela saúde, fé e força para superar as dificuldades.

Aos meus pais e irmãos, não só pelo apoio e incentivo que sempre me deram durante minha trajetória, mas principalmente pela amizade, carinho e dedicação.

À minha orientadora Dr.ª Vera Aparecida Saddi, pelas suas orientações e incentivos e pelos momentos de aprendizado.

A esta Universidade, seu corpo docente, direção e administração, principalmente os professores e funcionários do Programa de Pós-Graduação Stricto Senso em Ciências Ambientais e Saúde pelas trocas de informações, conhecimentos e experiências no decorrer do curso, que oportunizaram a janela que hoje vislumbro um horizonte superior.

À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior pela bolsa de estudos sem a qual, não teria a oportunidade de me dedicar à pesquisa.

A todos os meus colegas de trabalho que se tornaram amigos de vida, gostaria de externar minha satisfação de poder conviver com eles durante a realização dessa pesquisa.

A uma pessoa que se tornou especial durante essa jornada e quero levá-lo pela vida afora: Cesar. Muito obrigado pelo apoio e dedicação e por estar sempre ao meu lado

À minha filha, razão da minha luta e alegria de viver.

Aos pacientes que participaram desse estudo, sem os quais nada disso seria possível.

(7)

Figura 1 - Anatomia da Cavidade Oral...13

Figura 2 - Epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado...14 Figura 3 - Estimativa do número de novos casos de câncer, segundo o sexo, para a região Centro-Oeste do Brasil, em 2016...17 Figura 4 - Mortalidade por câncer de cavidade oral em homens no Brasil, entre os anos de 1991 e 2010...18 Figura 5 - As várias etapas da progressão do tumor de células escamosas da cavidade oral. (Adaptado de RIVERA, 2015)...22 Figura 6 - Leucoplasia e eritroplasia de língua...24 Figura 7 - Benzopireno do tabaco formando adutos de DNA (ORELLANA, 2015)...27 Figura 8 - Proporção percentual por sexo e região, de pessoas maiores de 18 anos que consomem bebida alcoólica uma vez ou mais por semana...29 Figura 9 - Genoma do HPV com DNA circular de dupla-fita, mostrando a localização dos genes do HPV 16. (Adaptado de D'Abramo e Archambault, 2011)...32 Figura 10 - Oxidação do álcool pelas enzimas ADH e ALDH...35 Figura 11 - Via metabólica do etanol na Carcinogênese de Cabeça e Pescoço...36 Figura 12 – Sobrevida relativa geral de pacientes diagnosticados com carcinoma de

células escamosas da cavidade oral, em Goiânia, no período de 2005 e 2006...56 Figura 13 – Sobrevida relativa, por sexo, de pacientes diagnosticados com carcinoma

de células escamosas da cavidade oral, em Goiânia, no período de 2005 e 2006...57

Figura 14 - Sobrevida relativa de pacientes diagnosticados com carcinoma de células

escamosas da cavidade oral, em Goiânia, no período de 2005 e 2006, que apresentavam hábito de etilismo...

Figura 15 – Sobrevida relativa geral para pacientes diagnosticados com carcinoma de

células escamosas da cavidade oral, em Goiânia, no período de 2006 a 2006, que apresentavam hábito de tabagismo...58

Figura 16 – Sobrevida relativa, por grau de diferenciação tumoral, de pacientes

diagnosticados com carcinoma de células escamosas da cavidade oral, em Goiânia, no período de 2005 e 2006...59

Figura 17 – Sobrevida relativa para pacientes diagnosticados com carcinoma de

células escamosas da cavidade oral, em Goiânia, no período de 2006 a 2006, ajustada ao genótipo...60

(8)

ajustada ao genótipo...61

Figura 19 – Sobrevida relativa para pacientes tabagistas diagnosticados com

carcinoma de células escamosas da cavidade oral, em Goiânia, no período de 2006 a 2006, ajustada ao genótipo...62

(9)

Tabela 1 - Classificação quanto ao tamanho do tumor primário (T), linfonodos regionais (N) e metástases (M) em câncer de cavidade oral...211

Tabela 2 - Resumo dos artigos selecionados para revisão sistemática com dados

relevantes dos estudos de

caso-controle...399

Tabela 3 - Frequências genotípicas da variante polimórfica ADH1B R48H em pacientes com carcinoma de cabeça e pescoço e em controles sem câncer por estudo41

Tabela 4 - Sequência dos primers utilizados nas Reações em Cadeia da Polimerase...48 8

Tabela 5 - Enzimas de Restrição utilizadas para a genotipagem de SNIPs de ADH...48 8

Tabela 6 - Dados sociodemográficos de controles e de pacientes diagnosticados com carcinoma de células escamosas da cavidade oral em Goiânia, no período de 2005 e 2006...52 Tabela 7 - Dados histopatológicos de pacientes diagnosticados com carcinoma de células escamosas da cavidade oral em Goiânia, no período de 2005 e 2006...54 Tabela 8 - Frequência genotípica dos polimorfismos da variante ADH1B R48H da enzima álcool desidrogenase em pacientes com carcinoma de células escamosas da cavidade oral...55 Tabela 9 - Frequência genotípica dos polimorfismos da variante ADH1B R48H da enzima álcool desidrogenase em pacientes com carcinoma de células escamosas da cavidade oral e de controles saudáveis provenientes da população de Goiânia, Goiás...56 Tabela 10 - Frequência genotípica dos polimorfismos da variante ADH1B R48H da enzima álcool desidrogenase em pacientes com carcinoma de células escamosas da cavidade oral e de controles saudáveis provenientes da população de Goiânia e os hábitos de etilismo e tabagismo...56

(10)

ACCG Associação de Combate ao Câncer de Goiás ADH Álcool Desidrogenase

ALDH Aldeído Desidrogenase

CCE Carcinoma de Células Escamosas

CCECP Carcinomas de Células Escamosas de Cabeça e Pescoço CDK4 Quinase dependente de ciclina4

CDK6 Quinasedepentende de ciclina6 DNA Ácido Desoxiribonucléico

DST Doença Sexualmente Transmissível E2 Oncoproteína viral precoce 2

E6 Oncoproteína viral precoce 6 E7 Oncoproteína viral precoce 7 E2F Fator de Transcrição

EUCAN Agência Européia de Câncer

Fase G1 Fase pré-síntese de DNA no ciclo celular Fase S Fase de síntese de DNA no ciclo celular GAPDH Gliceraldeído-3-fosfato desidrogenase HAJ Hospital Araújo Jorge

HPV Papilomavírus humano

IARC Do inglês: InternationalAgency for ResearchonCancer (Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer)

INCA Instituto Nacional do Câncer L1 Oncoproteína viral tardia 1 L2 Oncoproteína viral tardia 2 p53 Proteína 53

pb Pares de bases

PCR Do inglês: Polymerase Chain Reaction (Reação em cadeia da Polimerase)

pRb Proteína retinoblastoma

SNP Single Nucleotide Polymorphism UICC União Internacional Contra o Câncer UVB Ultra Violeta B

(11)

1. INTRODUÇÃO ... 14

1.1. O câncer de cavidade oral, aspectos gerais ... 14

1.2. Epidemiologia do câncer de cavidade oral ... 17

1.3. Neoplasias suas nomenclaturas e classificação ... 19

1.4. A carcinogênese ... 22 1.5. Fatores de risco ... 26 1.5.1 Carcinógenos químicos ... 27 1.5.1.1. Tabagismo ... 27 1.5.1.2. Etilismo ... 29 1.5.2. Carcinógenos físicos ... 31

1.5.3. Carcinógenos virais e o Papiloma vírus Humano (HPV) ... 32

1.6. Fatores PROGNÓSTICOS E preditivos ... 34

1.7. Metabolismo do Álcool e o Câncer de Cavidade Oral ... 35

2. JUSTIFICATIVA ... 43 3. OBJETIVOS ... 44 3.1. Objetivo Geral ... 44 3.2. Objetivos específicos ... 44 4. METODOLOGIA ... 45 4.1. Delineamento metodológico ... 45 4.2. População de estudo ... 45

4.3. Seleção dos casos para determinação genotípica de ADH1B por PCR/RFLP... ... 46

4.4. Extração de DNA genômico ... 47

4.5. Detecção e Genotipagem dos Polimorfismos ... 48

4.6. Metodologia de Análise de Dados ... 49

4.7. Critérios de Inclusão ... 49

4.8. Critérios de Exclusão ... 49

5. RESULTADOS ... 51

5.1. Avaliação sociodemográfica de pacientes diagnosticados com CEC de cavidade oral ... 51

5.2. Avaliação clinicopatológica de pacientes diagnosticados com CEC de cavidade oral ... 53

5.3. frequência do polimorfismo R48H no gene ADH1B em portadores de CEC de cavidade oral em goiânia... 54

(12)

goiânia. ... 57

6. DISCUSSÃO ... 64

7. CONCLUSÕES... 70

8. REFERÊNCIAS ... 71

(13)

Os cânceres de cavidade oral são considerados um problema de saúde pública em todo o mundo e representam a sexta neoplasia mais comum. Os principais fatores de risco incluem o tabaco, álcool, deficiência de micronutrientes e o Papilomavírus humano (HPV). O metabolismo do álcool depende da álcooldesidrogenase (ADH), uma família de enzimas com alta frequência de polimorfismos genéticos, que conferem aos diferentes indivíduos uma grande variação de suscetibilidade aos seus metabólitos. Assim, diferentes polimorfismos genéticos na ADH podem interferir no risco individual ao câncer associado ao etilismo. O objetivo deste estudo caso-controle foi avaliar a frequência de polimorfismo de nucleotídeo único (SNP: single nucleotide polymorphism) no gene ADH1B em 61 pacientes com câncer de cavidade oral e em 66 controles saudáveis. O estudo empregou métodos moleculares incluindo a reação em cadeia da polimerase (PCR) associada à análise de fragmentos de restrição (RFLP). As frequências obtidas para os polimorfismos genéticos foram calculadas e comparadas nos dois grupos, bem como as possíveis associações entre esses polimorfismos e as características dos tumores. Os resultados mostraram uma maior prevalência desses tumores na população masculina (85,2%), em idades acima de 45 anos (88,5%), tabagistas (85,2%) e etilistas (82,0%). Dentre os fatores prognósticos avaliados, o estádio avançado (III e IV) foi observado em 73,8% dos casos e o comprometimento de linfonodos regionais em 39,3% dos casos. As frequências alélicas para o polimorfismo ADH R48Hno grupo de casos foram G=82,8 e A=17,2%, enquanto no grupo controle foram G=79,4% e A=20,6%. As frequências genotípicas obtidas para o grupo de casos foram AA=16,0%; GA=2,0% e GG=81,0%, enquanto que para o grupo controle, as frequências genotípicas foram AA=15,0%; GA=12,0% e GG=74,0%. A sobrevida global avaliada para o grupo foi de 49,9%. Diferenças significativas nas frequências alélicas e genotípicas não foram observadas entre os grupos e nem entre os aspectos prognósticos avaliados. Dados epidemiológicos do câncer de cavidade oral têm mostrado tendências preocupantes, alertando para a importância de se promover maiores estudos relacionados a este tipo particular de câncer.

Palavras-chaves: Câncer de cavidade oral; etilismo; polimorfismo de nucleotídeo único, álcool desidrogenase.

(14)

Oral cavity cancers are considered a public health problem throughout the world and represent the sixth most common cancer. The main risk factors include tobacco, alcohol, micronutrient deficiency and the human papillomavirus (HPV). The metabolism of alcohol depends on the alcohol dehydrogenase (ADH), a family of enzymes with high frequency of genetic polymorphisms that give different individuals a wide range of susceptibility to metabolites. Thus, different genetic polymorphisms in ADH can interfere with the individual risk of cancer associated with alcohol consumption. The aim of this case-control study was to evaluate the frequency of SNP (SNP: single nucleotide polymorphism) in ADH1B gene in 61 patients with cancer of the oral cavity and in 66 healthy controls. The molecular study employed methods including polymerase chain reaction (PCR) associated to restriction fragment analysis (RFLP). The frequencies obtained for the genetic polymorphisms were calculated and compared in both groups, as well as the possible association between these polymorphisms and the characteristics of tumors. The results showed a higher prevalence of these tumors in the male population (74.3%), at ages above 45 years (88.5%), smokers (85.2%) and alcoholic (82.0%). Among the prognostic factors evaluated, the advanced stage (III and IV) was observed in 73.8% of cases and the involvement of regional lymph nodes in 39.3% of cases. Allele frequencies for ADH polymorphism R48H on group of cases were L = 82.8 and A = 17.2%, while in the control group were 79.4% and G = A = 20.6%. The genotypic frequencies obtained for the case group were AA = 16.0%; GA = 2.0% and GG = 81.0%, while for the control group, genotype frequencies were AA = 15.0%; GA = 12.0% and GG = 74.0%. The overall survival evaluated for the group was 49.9%. Significant differences in allele and genotype frequencies were observed between the groups or between the prognostic aspects evaluated. Epidemiological data from the oral cavity cancer have shown worrying trends, stressing the importance of promoting more studies related to this particular type of cancer.

Keywords: oral cavity cancer; alcohol consumption; single nucleotide polymorphism, alcohol dehydrogenase.

(15)

1. INTRODUÇÃO

1.1. O CÂNCER DE CAVIDADE ORAL, ASPECTOS GERAIS

A cavidade oral estende-se desde a mucosa dos lábios até as dobras

do palato grosso e o vestíbulo exterior, inclui a mucosa dos lábios e as

bochechas. O espaço delimitado pelas gengivas e dentes é a cavidade oral

propriamente dita (Figura 1). Ela também é composta na porção superior, pelo

palato duro e na porção posterior pelo o palato mole. Na porção inferior, estão

a língua e o assoalho da boca. Nas laterais, a porção que se estende desde a

comissura dos lábios até a região retromolar (GALBIATTI et al., 2013).

Figura 1 - Anatomia da Cavidade Oral

(16)

A cavidade oral é revestida por epitélio pavimentoso estratificado não

queratinizado na maioria dos sítios anatômicos, mas que mostra queratinização

nas áreas de mucosa aderida e especializada (gengiva, palato duro e dorso

lingual). O tecido conjuntivo subjacente pode estar associado a presença de

tecido muscular estriado esquelético, tecido adiposo, vasos sanguíneos e

nervos (Figura 2). Glândulas salivares menores são frequentemente

observadas no tecido conjuntivo, exceto na gengiva e no terço anterior do

palato duro (GALBIATTI et al., 2013).

Figura 2 - Epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado.

Fonte: RANGEL, 2004.

Todas as áreas da cavidade oral apresentam drenagem linfática para o

pescoço, sendo que a primeira estação de drenagem inclui os linfonodos

júgulo-digástricos, júgulo-omo-hioideos, submandibulares e submentonianos

(ou seja, níveis I, II e III). A maior parte dos tumores malignos da cavidade

bucal é constituída pelo carcinoma epidermóide, que se classifica em

histologicamente bem diferenciado, moderadamente diferenciado e pouco

diferenciado (GROPPI, BEGUERET e IRON, 1990).

O câncer de cavidade oral tem um diagnóstico mais tardio,

(17)

sintomas imediatos. Grande parte dos cirurgiões-dentistas não se sente segura

para diagnosticar as lesões iniciais de câncer bucal, refletindo uma deficiência

de treinamento adequado. Considerando-se que 10% das malignidades que

ocorrem no corpo humano estejam localizadas na boca (DEDIVITIS et al.,

2004; GALBIATTI et al., 2013), é de grande relevância a conscientização

profissional para o diagnóstico precoce e correto encaminhamento (MARSH,

SUCHAK E MOUTTASIM et al., 2011; WITTEKINDT et al., 2012).

O câncer de cavidade oral pode ser facilmente detectado por exames

relativamente simples e o prognóstico da doença está ligado à fase em que ela

é detectada. A visualização do câncer oral é facilitada pelas características

anatômicas e pela localização da cavidade oral, de forma a dispensar o uso de

instrumentos de alta complexidade tecnológica e dificilmente gerar desconforto

ao paciente (WEI et al., 2010; MARSH, SUCHAK e MOUTASIM et al., 2011).

Pacientes com câncer de cavidade oral são tipicamente homens com

idades acima de 40 anos, com histórico de exposição regular a fatores de risco

como tabaco, álcool, deficiência de micronutrientes e também com história de

infecções pelo Papilomavírus humano (VU e FARAH, 2014).

O tratamento após a confirmação do diagnóstico pode ser muitas vezes

invasivo e causar deformidades faciais, justificando baixa adesão dos

pacientes. O tratamento para essas neoplasias é a cirurgia, associada ou não à

radioterapia. Cirurgia e radioterapia são formas de tratamento para a doença

localizada ou regional (JHAM e FREIRE, 2006). A maioria dos pacientes que

apresentam câncer de cavidade oral é submetida a altas doses de radioterapia

em extensos campos de radiação que podem incluir a cavidade bucal, maxila,

(18)

associada a diversas reações adversas como, cáries, mucosite e necrose de

tecidos (SPTCHE, 2002).

A quimioterapia adjuvante ou paliativa é indicada quando as lesões se

apresentam muito grandes ou irressecáveis e tem sido indicada sem que se

tenha verificado redução na taxa de mortalidade ou melhora no prognóstico.

Considerando-se que a quimioterapia apresenta resultados imprevisíveis, no

Reino Unido ela é indicada somente para câncer de cavidade oral no estádio

IV, inoperável ou recorrente (BRENER et al., 2007).

1.2. EPIDEMIOLOGIA DO CÂNCER DE CAVIDADE ORAL

O câncer de cavidade oral é considerado um problema de saúde pública

em todo o mundo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a previsão é

de 596 mil novos casos de câncer no Brasil para o ano de 2016. Desses, o

câncer de cavidade oral representa a quinta incidência entre os homens (11,27

para cada 100 mil) e a décima segunda entre as mulheres (3,92 casos para

cada 100 mil), o que corresponde, no total, a 6,7% de todos os casos de câncer

(INCA, 2015).

Estima-se que, em 2016, sejam diagnosticados cerca de 15 mil casos

novos de carcinoma de cavidade oral no Brasil, dos quais 70% a 80% dos

diagnósticos ocorrem em fase já avançada da doença (GALBIATTI et al., 2013;

INCA, 2015).Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer da

cavidade oral em homens é o quarto mais frequente nas regiões Sudeste e

Nordeste, enquanto na região Centro-Oeste, é o quinto (Figura 3). Nas regiões

Sul e Norte, o sexto. Para as mulheres, o tumor é o nono mais frequente nas

(19)

Centro-Oeste, o câncer de cavidade oral é o 12º mais frequente e, na região

Sul, o 15º (INCA, 2015).

A taxa de incidência do câncer de cavidade oral está aumentando e a

OMS prevê a continuidade desse aumento nas próximas décadas (DASGUPTA

et al., 2012). Dos tumores de boca, 95% são carcinomas espinocelulares

(CEC) e os outros 5% correspondem a sarcomas, linfomas e tumores de

glândulas salivares. Apesar de todos os avanços no diagnóstico e,

principalmente, na terapêutica, com técnicas cirúrgicas radicais, novas drogas

quimioterápicas e radioterapia hiperfracionada e conformacional, o câncer de

cavidade oral continua com um prognóstico desfavorável e com altas taxas de

mortalidade (da SILVA et al., 2011; DASGUPTA et al., 2012).

Figura 3 - Estimativa do número de novos casos de câncer, segundo o sexo, para a região

Centro-Oeste do Brasil, em 2016.

Fonte: INCA, 2015.

No Brasil, a mortalidade, em homens, é representada graficamente por

uma linha ascendente (Figura 4). Na primeira década do século 21, as taxas de

(20)

e 0,70 para cada 100.000 mulheres e o incremento da mortalidade tende a

aumentar em uma taxa anual de 0,72% (MELO et al, 2010, AQUINO et al.,

2015). A sobrevida em cinco anos para o câncer de cavidade oral continua

baixa, em torno de 48% para a sobrevida global e 57% para a sobrevida

específica por sexo (BONFANTE et al., 2014).

Figura 4 - Mortalidade por câncer de cavidade oral em homens no Brasil, entre os anos de

1991 e 2010.

Fonte: IARC, 2012.

1.3. NOMENCLATURAS DAS NEOPLASIAS E CLASSIFICAÇÃO

A forma de se nomear as neoplasias malignas obedece à origem

embrionária do tecido. Os tecidos originários do folheto mesodérmico são, por

convenção, acrescidos do sufixo -sarcoma, provavelmente por seu aspecto

carnoso e com pouquíssimo tecido estromal de sustentação (HAMPERL,

2013). O aspecto macroscópico lembra muito carne de peixe por sua

(21)

de gordura, os lipossarcomas; neoplasias malignas de tecido muscular liso, os

leiomiossarcomas, e assim por diante (RIVA et al., 2015; KAINSBAK, HANSEN

e DUEHOLM, 2015).

O folheto ectodérmico origina os tecidos de revestimento externo e o

sistema nervoso central, assim como o folheto endodérmico, o tecido de

revestimento interno do organismo. Dessa forma, neoplasias derivadas de tais

folhetos são chamadas de carcinomas. Por exemplo, adenocarcinomas

(adenos: glândula) e carcinoma espinocelular (espinos: epitélio estratificado).

Normalmente, os carcinomas são acompanhados pela designação dos órgãos

de origem, como, por exemplo, adenocarcinoma do cólon, carcinoma

espinocelular do colo do útero, carcinoma de células transicionais da bexiga,

carcinoma espinocelular de hipofaringe, etc (DEVITA, HELLMAN e

ROSENBERG, 2009).

A União Internacional Contra o Câncer (UICC) juntamente com outros

orgãos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde, juntaram

esforços a partir de 1950 para uniformizar e disseminar a classificação de

tumores malignos. Em 1982, chegou-se a um consenso para a publicação do

Suplemento da Classificação TNM, que uniformizou a classificação através de

explanações detalhadas com exemplos práticos (EISENBERG, 2004).

A classificação pelo Sistema TNM apresenta uma descrição precisa da

extensão anatômica aparente da doença. Um tumor com quatro graus de T,

três graus de N e dois graus de M terá 24 categorias TNM. Com a finalidade de

tabulação e análise, exceto em grandes séries, é necessário condensar essas

categorias em número conveniente de estádios TNM (Tabela 1). Onde T é

(22)

(no caso do câncer de cavidade oral, os linfonodos são os cervicais) e M à

metástase a distância (outros órgãos e tecidos adjacentes). Para se chegar ao

diagnóstico T, é necessário exame físico e diagnóstico por imagem, assim

como em N e M (EISENBERG, 2004).

Tabela 1 - Classificação quanto ao tamanho do tumor primário (T), linfonodos regionais (N) e

metástases (M) em câncer de cavidade oral.

T1 < 2 cm

T2 > 2 até 4 cm

T3 > 4 cm

T4a Invasão cortical óssea, músculos profundos extrínsecos da língua, seios maxilares, pele

T4b Invasão espaço mastigador, lâminas pterigóides, base do crânio, artéria carótida interna

N1 Homolateral, único, < 3 cm

N2

(a) Homolateral, único, > 3 até 6 cm

(b) Homolateral, múltiplo, < 6 cm

(c) Bilateral, contralateral, < 6 cm

N3 > 6 cm

MX Presença de metástase à distância não pôde ser avaliada

M0 Ausência de metástase à distância

(23)

1.4. A CARCINOGÊNESE

A partir da década de 70, pesquisas genética vieram mostrar o que

realmente acontece no interior do núcleo celular e, em especial, de uma célula

neoplásica. Genes que regulam a proliferação celular e o desenvolvimento das

células normais (protoncogenes) começaram a ser identificados e estudados

mais profundamente. Atualmente, muitos deles já estão fortemente

relacionados à gênese de neoplasias (ALAMA et al., 2009; ALBERTS et al.,

2010)

Muitos modelos foram propostos, buscando explicar os primeiros passos

da carcinogênese. O modelo da iniciação/promoção é o que mais têm se

mostrado confiável. Neste modelo, uma única célula, ou raramente mais

células, em meio a um tecido aparentemente normal, são alteradas

genotipicamente por fatores preditivos ou de risco (FRESHSNEY, 2007;

ALBERTS et al., 2010).

Atualmente, sabe-se que grande parte das neoplasias resulta da

interação entre fatores genéticos e ambientais, sendo a contribuição

exclusivamente genética responsável por apenas 5% de todos os tumores e o

restante pode ser atribuído a fatores ambientais que atuam em conjunto com a

suscetibilidade genética (FERREIRA e ROCHA, 2010).

A carcinogênese oral é um processo complexo, em que estão envolvidas

várias alterações que se iniciam nos queratinócitos. Essas alterações, se

devem a processos citogenéticos, nos cromossomos e epigenéticos, no DNA,

que modificam o controle do ciclo celular, bem como a expressão dos fatores

(24)

proliferação celular (NOCHT 1, CDKN2A, STAT3) e apoptose (p53) (RIVERA,

2015).

O epitélio oral normal possui uma camada basal com células

proliferativas e outras camadas de células mais diferenciadas (Figura 5). Os

fatores de risco como o álcool, o tabaco e o HPV atingem a camada basal

levando a lesões celulares que podem ser reparadas ou então levando essas

células a apoptose. No entanto, há situações em que essas células não

morrerão e irão acumular mutações. Essas mutações incidem principalmente

nos oncogenes e genes supressores de tumor, que irão alterar as

características das células (BURKHART e SAGE, 2008;DESHPANDE et al,

2005) .

Figura 5 - As várias etapas da progressão do tumor de células escamosas da cavidade oral.

(Adaptado de RIVERA, 2015).

Os principais supressores tumorais são as proteínas RB e TP53; eles

operam como chaves complementares que regulamas decisões celulares para

(25)

integra sinais extracelulares diversificados e as fontes intracelulares, em

resposta, decidem se a célula deve prosseguir através do seu ciclo de

crescimento e divisão, assim como TP53 sinaliza para apoptose

celular(HANAHAN, 2011).

As células epiteliais alteradas, ou mutadas, se tornam instáveis, com

uma alta taxa de replicação e disformidade. Essas células se acumulam em

regiões chamadas campos de pré-cancerização, levando a lesões neoplásicas

malignas. Nessa etapa, elas passam a ser autossuficientes e ilimitadas, com

capacidade de evadir a apoptose e infiltrar tecidos adjacentes. Esse processo

de metástase ocorre principalmente devido a perda de E-caderina, moléculas

de aderência, que ligam uma célula a outra (FELLER et al., 2013).

As lesões neoplásicas ou desordens potencialmente malignas são

divididas em dois tipos de lesões precursoras, as leucoplasias e as eritroplasias

(Figura 6) (TANAKA, TANAKA e TANAKA, 2011). A Organização Mundial de

Saúde (OMS) define leucoplasia como uma placa branca e é um termo

puramente clínico. A leucoplasia é mais frequente em homens na meia idade.

Menos de 1% dos homens com idade inferior a 30 anos têm leucoplasia, mas a

prevalência aumenta consideravelmente, chegando a 8% em homens com

idade superior a 70 anos (WARNAKULASURIYA e JOHNSON et al., 2007) A

eritroplasia, assim como a leucoplasia, é um termo puramente clínico e se

refere a manchas vermelhas na cavidade oral (também é empregada em

lesões do pênis). Ela não está relacionada a condições inflamatórias e sua

frequência é maior em homens mais velhos (WARNAKULASURIYA e

(26)

Figura 6 - Leucoplasia e eritroplasia de língua.

(Adaptada de Secretaria Estadual de Saúde da Paraíba,2015).

Quando essas lesões apresentam alterações nos queratinócitos basais e

parabasais são chamadas de displasias leves, a atipia em nível médio é

chamada de displasia moderada; quando as alterações são estendidas para a

camada mais superficial, é denominada displasia avançada e carcinoma in situ

(a atipia compreende a região da base do tecido à superfície). Cerca de 1%

das lesões evolue para a malignidade. Isso ocorre principalmente na

eritroplasia (NEVILLE, 2009).

Quer seja por polimorfismos em um único nucleotídeo (SNP) ou

deleções cromossômicas múltiplas e mutações gênicas, uma única célula

alterada, que adquire propriedades de proliferação e imortalidade, é capaz de

dar início à formação de um tecido tumoral (OLIVIERI et al., 2009).

Estima-se que mais de 80% das neoplasias malignas tenham origem à

partir de estímulos ambientais. Dentre estes estímulos, podemos destacar a

exposição aos carcinógenos químicos, representando a grande maioria;

carcinógenos físicos e vírus associados ao câncer, como o caso do HPV, o

(27)

1.5. FATORES DE RISCO

Exposições ocupacionais, tabagismo, ingestão de álcool, hábitos

dietéticos e microrganismos parecem influir na incidência de aberrações

cromossômicas, neoplasias e câncer. Os fatores de risco mais envolvidos na

etiologia do câncer de cavidade oral são o fumo e o consumo excessivo de

álcool (HASHIBE et al., 2008; LIANG et al., 2012).

Existem evidências substanciais de que os carcinomas de células

escamosas (CEC) são etiologicamente relacionados com o uso de tabaco, de

betel ou com o consumo excessivo de álcool ou destilados. Porém, alguns

pacientes desenvolvem CEC mesmo sem terem hábitos de tabagismo ou

etilismo, ou predisposição genética ao câncer. Há aproximadamente três

décadas, foram descobertas as primeiras evidências de que agentes

infecciosos poderiam também ser agentes etiológicos para o câncer. A

presença de genoma do Papilomavirus humano (HPV) em associação com

CEC, demonstrou o efetivo envolvimento viral no desenvolvimento de

determinados cânceres, principalmente dos carcinomas ano-genitais e de

cabeça e pescoço (MARRON et al., 2010; PINTO et al., 2011, LIANG et al.,

2012).

Além da significativa incidência e mortalidade, o câncer oral pode

originar impactos negativos na qualidade de vida dos indivíduos, acarretando

problemas na deglutição, fala, bem como, desfigurações faciais relevantes que

podem gerar sérios problemas na vida social dos indivíduos (CONWAYet al.,

2010).

As condições socioeconômicas são muitas vezes ignoradas na

(28)

situação socioeconômica (SSE) e a doença. Mesmo após ajuste para fatores

de risco como tabagismo e etilismo, ainda há um efeito residual das condições

sociais sobre o risco de câncer oral (CONWAYet al., 2010; MELO et al., 2010).

1.5.1 CARCINÓGENOS QUÍMICOS

Os carcinógenos químicos podem agir como agentes iniciadores,

promotores ou ambos, dependendo das propriedades químicas de cada um ou

de seus metabólitos, assim como o seu mecanismo de lesão celular. Existe a

necessidade de se salientar que a fase de iniciação é conhecida por sua

irreversibilidade, enquanto a subsequente fase de promoção pode se reverter

ou não. Temos como exemplos de carcinógenos químicos os nitritos,

benzopirenos, aflotoxina B1, benzeno, asbestos, nitrosoaminas, medicamentos

(muitos quimioterápicos e hormônios), além do fumo ou tabaco e do álcool

etílico, quando utilizado cronicamente (GONSEBATT, 2007; FEDMAN, 2013).

1.5.1.1. TABAGISMO

A fumaça do cigarro é uma mistura complexa composta de mais de 4000

substâncias, das quais, pelo menos, 150 são os principais componentes que

podem formar adutos advindos da adição direta de duas ou mais moléculas

diferentes (Figura 7)resultando em um único produto de reação contendo todos

os átomos de todos os componentes iniciais com o material genético

(REZENDE et al., 2008; CHEDID et al., 2008).

Existem dois tipos de tabagismo, o ativo e o passivo. Sendo que o ativo

é caracterizado pelo uso direto de derivados do tabaco. Já o passivo é

(29)

derivados do tabaco, por indivíduos não fumantes que convivem com fumantes

(HASHIBE et al., 2008).

Figura 7 - Benzopireno do tabaco formando adutos de DNA (ORELLANA, 2015).

O tabagismo é um fator de risco independente, apresentando risco

relativo até oito vezes maior do que nos não fumantes. Segundo a Organização

Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo passivo é a terceira maior causa de

morte evitável do mundo, subsequente ao tabagismo ativo e ao consumo

excessivo de álcool (MARRON et al., 2010).

Os efeitos mutagênicos resultantes do uso de tabaco apresentam

resultados contraditórios. Embora alguns autores tenham observado aumento

na frequência de aberrações cromossômicas estruturais em fumantes,

resultados negativos também foram documentados. A técnica de citogenética

com hibridização (in situ Hybridization) se mostrou útil na detecção de

(30)

técnica de citogenética molecular observou-se aumento significativo na

frequência de translocações cromossômicas em fumantes (FEDMAN, 2013).

Em um estudo recente de caso controle, feito com a população

brasileira, foi inferido um aumento do risco para câncer de cavidade oral de

7,8% para homens e 5,8% para mulheres fumantes, quando comparados com

não fumantes (MOURA et al., 2014).

1.5.1.2. ETILISMO

O uso do álcool vem aumentando consideravelmente em toda a

população. Trazendo consequências primárias, na vida do indivíduo que

ingere, e secundárias, entre familiares e amigos e terciários para a sociedade,

com o aumento dos custos com cuidados de saúde e perda de produtividade.

Para alguns, essas consequências são somente leves desconfortos associados

a dores de cabeça, falta e atenção, vermelhidão. Para outros, especialmente

para os que bebem excessivamente, as manifestações são mais severas,

incluindo danos teciduais. O mais oneroso desses efeitos adversos é o

desenvolvimento de câncer (PÖSCHL e SEITZ, 2004).

Nem todos os cânceres têm promoção e progressão idênticas e muitas

hipóteses têm sido propostas para explicar os mecanismos que relacionam o

consumo de álcool e o desenvolvimento de câncer, principalmente de cabeça e

pescoço. Relacionando sinergicamente fatores enzimáticos, alterações na

microbiota da cavidade oral que pode aumentar a quantidade de acetaldeído e

(31)

Figura 8 - Proporção percentual por sexo e região, de pessoas maiores de 18 anos que

consomem bebida alcoólica uma vez ou mais por semana.

Fonte: INCA, 2015.

Estudos realizados em diferentes populações dos Estados Unidos, Ásia

e Europa demonstram um aumento do risco para desenvolvimento de câncer

de cavidade oral, relacionado ao consumo do álcool (LIPPMAN e HONG, 2001;

BOEING et al., 2002; BIAZEVIC et al., 2006, BOEHM et al., 2010, DASGUPTA

et al., 2012).

O alto consumo de álcool pela população brasileira, principalmente na

região Centro-oeste que tem uma média maior que a média brasileira (Figura

8), tem sido relacionado a diferentes tipos de câncer e com o aumento,

estatisticamente significante, na frequência de linfócitos com aberrações

cromossômicas numéricas e estruturais. Isso ocorre mesmo após longos

períodos de abstinência sugerindo uma ação do álcool na capacidade de

(32)

O alcoolismo é um dos mais bem estabelecidos fatores etiológicos do

câncer da faringe e da laringe. O consumo deste pode causar problemas

agudos e crônicos, distúrbios psicossociais, doença hepática crônica,

neuropatias periférica ou central, distúrbios da coagulação, síndrome de

abstinência, que inclui tremores, distúrbios visuais, taquicardia, ansiedade e

agitação. Sendo assim é importante uma avaliação cuidadosa dos itens

referidos e da possibilidade do afastamento do paciente do álcool impedindo

um pós-operatório tumultuado e a trágica cumplicidade da infusão alcoólica

parenteral ou enteral que, sem dúvida, favorece a formação de fístulas nos

pacientes submetidos às cirurgias na faringe, na laringe e na hipofaringe

(GARCIA et al, 2010; da SILVA et al., 2011; CHUANG et al., 2012).

1.5.2. CARCINÓGENOS FÍSICOS

Os carcinógenos físicos são mais bem representados pelas radiações,

que agem como iniciadoras do processo neoplásico, por causarem lesão direta

no DNA da célula exposta. A medula óssea é o maior alvo dos efeitos

deletérios das radiações, acompanhado pela tireoide. A exposição aguda ou

contínua à radiação pode provocar leucemias, linfomas e neoplasia maligna da

tireoide, entre outras patologias. A exposição à radiação solar, além de

provocar queimaduras na pele, pode provocar alterações pré-neoplásicas e

neoplásicas na mesma, principalmente pela ação dos raios UVB (LIANG et al.,

(33)

1.5.3. CARCINÓGENOS VIRAIS E O PAPILOMA VÍRUS HUMANO (HPV)

Acredita-se que os carcinógenos virais são responsáveis por cerca de

30% das neoplasias malignas humanas induzidas por fatores ambientais. Tais

vírus produzem rotineiramente quadros infecciosos, mas também podem levar

a um processo de iniciação de uma ou de toda uma população de células em

um determinado tecido indiretamente. Eles podem produzir a supressão de

mecanismos de defesa imunológica contra tumores, como no caso, provável,

do HIV. Está claro para a medicina que a maior incidência de alguns tipos de

linfoma, sarcoma de Kaposi e lesões malignas de canal anal em portadores

desse vírus (BISHT e BIST, 2011).

A infecção pelo HPV resulta em hiperplasia, papilomatose e lesões

verrucosas em células escamosas que podem evoluir para tumores primários

benignos, autolimitados. Existem aproximadamente 160 tipos conhecidos de

HPV, alguns deles, porém, são conhecidos como de alto risco oncogênico,

incluindo os HPVs 16, 18, 33 e 52, que induzem lesões com elevado risco de

progressão ao Carcinoma Cervical. Adicionalmente, estudos recentes apontam

especificamente a relação entre a infecção por HPV de alto risco e o

desenvolvimento de câncer cervical (BOSH et al., 2012).

Os HPVs são pequenos vírus de DNA circular, dupla fita, pertencentes à

família Papoviridae que infectam células de pele e mucosas (Figura 9). O

genoma do HPV está organizado em três segmentos gerais de diferentes

tamanhos. Uma região longa de controle, uma região de expressão precoce E

(do inglês, early) e a região de expressão tardia L (do inglês, late) (LIM et al.,

2007). A oncoproteína viral E6 pode formar um complexo com a proteína

(34)

dos pontos de checagem da fase G1/S mesmo em células com dano em seu

DNA. Por sua capacidade de manipular reguladores transcricionais, a proteína

E2 do vírus permite a transcrição e replicação do genoma viral a despropósito

da integridade do genoma do hospedeiro. Isso leva a alterações na expressão

de genes vitais e ao estado mutado da célula. Tem-se relacionado a questão

da existência de HPV em tumores de cabeça e pescoço e sua relevância

prognóstica (FERRAZ et al., 2012).

Figura 9 - Genoma do HPV com DNA circular de dupla-fita, mostrando a localização dos genes

do HPV 16. (Adaptado de D'ABRAMO e ARCHAMBAULT, 2011).

A infecção persistente por papilomavírus humano (HPV) de alto risco

tem sido associada ao carcinoma cervical. Uma fase obrigatória no

desenvolvimento deste câncer é a integração do DNA viral ao DNA das células

hospedeiras (LIMBERGER et al, 2012). A integração viral promove a

degradação do gene E2 do papilomavírus humano e leva a um aumento

descontrolado das oncoproteínas E6 e E7. Estas proteínas virais de

(35)

Rb. Inativação da proteína p53 é o resultado de vários fatores incluindo

mutação no gene para p53 (HONG, 2010).

A proteína E7 promove a degradação do pRb (proteína do

retinoblastoma), gene supressor de tumores, causando uma desregulação no

controle do ciclo celular, e consequentemente, o aumento da proliferação

celular (HONG, 2010).

1.6. FATORES PROGNÓSTICOS E PREDITIVOS

Fatores prognósticos são parâmetros possíveis de serem mensurados

no momento do diagnóstico e que servem como preditor da sobrevida do

paciente. O conhecimento dos fatores prognósticos é de fundamental

importância na determinação dos programas terapêuticos. Uma terapia

baseada em uma avaliação prognóstica possibilita a aplicação das diferentes

modalidades terapêuticas utilizadas no tratamento do câncer com a intensidade

e a efetividade adequadas e individualizadas para aquele paciente específico

(ABREU e KOIFMAN, 2002).

O comportamento biológico do CEC de cavidade oral é incerto, pois há

um grande número de tumores que em estádio inicial mostram um

comportamento biológico agressivo com metástase regional precoce e morte.

Ao contrário, tumores em estádio avançado podem lentamente metastizar-se e

esses pacientes, depois do tratamento, obtêm longos períodos livres de doença

(MONTORO et al., 2008).

Devido a essa incerteza de evolução, novas pesquisas passaram a

buscar fatores que pudessem influenciar o prognóstico. Esses fatores podem

(36)

e hábitos, como tabagismo e etilismo), ao tumor (sítio, estádio, espessura do

tumor, histopatologia e expressão de certos marcadores moleculares) e ao

tratamento (tipo de tratamento, terapia adjuvante). O estudo desses fatores

prognósticos visa a um melhor entendimento do comportamento biológico do

tumor, com isso, será possível traçar uma estratégia específica de tratamento

para cada paciente, sendo que receberão tratamento mais agressivo aqueles

que tiverem piores evoluções (CONWAY et al., 2010).

Sabe-se que a presença de metástase cervical é o fator mais importante

para o prognóstico em CEC de cavidade oral, provocando uma redução de

50% na sobrevida dos pacientes. O estadiamento TNM, o grau histológico, as

margens de segurança, entre outros fatores para prognósticos têm papel

incerto. Até mesmo o estadiamento TNM, ferramenta muito utilizada para

indicar prognóstico, não seria capaz de predizer o comportamento biológico

individual. O grau histológico tem valor prognóstico controverso, existindo, no

entanto, trabalhos que mostram que o carcinoma pouco diferenciado é mais

propenso a gerar metástase cervical, a ter maior probabilidade de apresentar

margens comprometidas e a associar-se à diminuição na sobrevida

(MONTORO et al., 2008, CONWAY et al., 2010)

1.7. METABOLISMO DO ÁLCOOL E O CÂNCER DE CAVIDADE ORAL

O álcool pode atuar como um cofator cancerígeno solubilizando outras

substâncias cancerígenas, como as encontrados no tabaco. Como também o

seu metabólito acetaldeído pode atuar diretamente como um agente

cancerígeno por ser um componente altamente reativo e tóxico, capaz de

(37)

reparação de DNA que provocam mutações genéticas. O acetaldeído é o

primeiro produto do metabolismo do etanol e o principal carcinógeno envolvido

no câncer relacionado ao uso de álcool. O etanol é oxidado para acetaldeído

por vários caminhos e que a álcool desidrogenase desempenha o papel

principal nesse processo (GARCIA et al. 2010).

A biotransformação de xenobióticos (substâncias estranhas ao nosso

organismo como o álcool) consiste no processo de conversão lipofílica para

hidrofílica. Quando essas substâncias se tornam hidrofílicas, elas podem ser

excretadas facilmente através da urina. Essa reação é catalisada por várias

enzimas através da hidrólise, redução e oxidação. O mecanismo da

metabolização ou biotransformação do álcool (Figura 10) se inicia com a

oxidação para aldeídos pela álcooldesidrogenase (ADH), que é oxidado

posteriormente, para ácido acético pela aldeído desidrogenase (ALDH).

Figura 10 - Oxidação do álcool pelas enzimas ADH e ALDH.

(Adaptados de PARKINSON e OGILVIE, 2008).

A mucosa bucal não é o principal local para a degradação do álcool, mas

alguma quantidade é absorvida e metabolizada em nível tecidual durante a

deglutição. O álcool é convertido pela enzima álcool desidrogenase (ADH) em

acetaldeído, e este em acetato pela enzima aldeído desidrogenase (ALDH)

(Figura 11). Posteriormente, o acetato chega até diferentes partes do

organismo, onde pode ser utilizado para produzir energia ou outras moléculas

(38)

promoveria uma maior produção de acetaldeído, pois permite um maior

acúmulo microbiano em que algumas bactérias conseguem degradar o álcool

para acetaldeído (HOMANN et al., 2006).

A capacidade individual de metabolizar o álcool para acetaldeído é

determinada principalmente pelos genes que codificam as enzimas ADH. O

acúmulo de acetaldeído pode ser devido a um aumento da atividade da ADH

conferida por polimorfismos presentes nessa enzima (CHANG, STRAIF E

GUHA et al. 2012).

Figura 11 - Via metabólica do etanol na Carcinogênese de Cabeça e Pescoço

(Adaptado de CHANG, STRAIF e GUHA, 2012).

A família de ADH é composta por sete isoenzimas que são codificadas

por diferentes genes, sendo elas distribuídas em 5 classes. (Classe I: ADH1A,

AD1B, AD1C; Classe II: ADH4; Classe III: ADH5; Classe IV: ADH7; Classe V:

ADH6). Todos os genes ADH estão localizados no braço longo do cromossomo

(39)

arginina pra histidina no aminoácido 48 (R48H) resulta em haplótipos com

diferentes taxas de metabolização. A ADH1B é expressa principalmente nas

glândulas suprarrenais e no fígado (BOEING et al, 2002).

Em 1968, Wartburg e Schuerch descreveram uma ADH atípica em

fígados humanos, a diferença observada foi a atividade da enima com pH 10,8

e pH 8,8. Em 1975, Stamatoyannopoulos e colaboradores encontraram uma

frequência de 85% para a isoforma atípica do ADH1B em japoneses através da

migração mais rápida durante eletroforese. Essa variante tinha seis vezes mais

atividade no pH 8,8 levando a conclusão de que os japoneses tinham mais

sensibilidade ao álcool devido ao aumento da formação de acetaldeído pela

isoforma atípica de ADH1B. Em 1984, Jornvall e colaboradores mostraram que

as formas típica e atípica de ADH1B se diferenciam somente por um único

aminoácido substituído no éxon 3 do gene numa posição em que o grupo

pirofosfato se liga na coenzima NAD(H), em que a forma típica contém arginina

no aminoácido 48 e a forma atípica contém histidina no aminoácido 48.

O fígado é um dos principais prejudicados pelo consumo de álcool, que

provoca determinados tipos de esteatoses, cirroses e hepatites. Estando o

fígado incapacitado de depurar toxinas, estas se manteriam no sangue e

poderiam afetar outros tecidos a distância, por exemplo, a mucosa bucal.

Existe ainda a possibilidade de uma menor disponibilização de vitaminas, pois

essas são processadas no fígado (CARRARD et al, 2007).

Estudos realizados em diferentes populações dos Estados Unidos, Ásia

e Europa (Tabela 2) demonstram um aumento do risco para desenvolvimento

(40)

GARFINKEL, 1990; CHYOU et al., 1995; KJAERHEIM et al., 1998; MURATA

et al., 1996; BOEING H. et al.,2002).

Tabela 2 - Resumo dos artigos selecionados para revisão sistemática com dados relevantes

dos estudos de caso-controle.

Referência País Ano

Nº de casos cabeça/ pescoço Nº de casos Cavidade oral/orofaringe Nº de controles Metodologia utilizada Asakage Japão 2007 96 53 642 PCR/RFLP Hashibe Europa e América Latina 2008 3800 1790 5200 PCR/Taqman Garcia Brasil 2010 207 157 244 PCR/RFLP Wei Texas 2010 1110 893 1129 PCR/RFLP Ji Coréia do Sul 2011 225 68 301 PCR/Taqman Chung Taiwan 2014 258 21 276 PCR/ Sequenom MassARRAY

Os valores para as frequências genotípicas variaram principalmente

entre as populações caucasianas e asiáticas. O genótipo GG variou de 13, 3%

para população asiática a 95,4% para caucasianos. Em relação ao genótipo

heterozigoto GA a frequência oi de 38,7% a 4,6%, sendo a menor frequência

na população caucasiana e a maior na população asiática. O estudo feito com

a população brasileira de Garcia, os padrões de frequências seguem o mesmo

dos achados na população caucasiana. O genótipo AA é mais frequente na

população asiática (60,1%) quando comparado aos estudos com população

(41)

A variante rs1229984 (ADH1B) A/A é conhecida por metabolizar o etanol

40 vezes mais rápido do que o rs1229984 comum (ADH1B) G/G, fornecendo

suporte para erradicação mais rápida de etanol e, portanto, menor exposição, o

que pode explicar ser fator protetivo (GARCIA et al., 2010). O álcool

metabolizado rapidamente para acetaldeído, esta relacionado a diminuição de

seu consumo, justamente por aumentar a quantidade de acetaldeído sistémico

que pode causar sintomas adversos, tais como náuseas, rubor facial e

aumento de frequência cardíaca (IARC., 2011).

Essa relação de rubor facial e aumento da frequência cardíaca é

conhecida como efeito Bohr e representa um fator crucial para a maior

descarga de oxigênio pela hemoglobina. Ela ocorre devido a presença de

níveis mais altos de CO2 e prótons (H+) nos capilares de tecidos em

metabolismo ativo promovendo a liberação de O2 da hemoglobina, o efeito

recíproco também ocorre nos capilares dos alvéolos do pulmão, a alta

concentração de O2 libera CO2 e H+ da hemoglobina. Essa intensificação na

liberação de oxigênio pela hemoglobina em razão de maior acúmulo de

coprodutos do metabolismo tecidual, assim como maior produção de calor por

unidade de músculo levam à maior vasodilatação das arteríolas que irrigam os

músculos ativos aumentando a perfusão sanguínea muscular (PRADO, DIAS E

TROMBETTA, 2006).

ADH1B pode influenciar também o consumo de álcool, podendo ser um

fator de risco para o desenvolvimento de dependência de álcool. Em que o

polimorfismo, leva ao rubor induzido pelo álcool através de mecanismos

moleculares que incluem acúmulo de acetaldeído e liberação de histamina.

(42)

dopaminérgica e do sistema límbico cortical, em que uma ampla gama de

neurotransmissores modulam pra a liberação desses fatores de recompensa

(MAYIELD, HARRIS e SCHUKUIT, 2008).

Tabela 3 - Frequências genotípicas da variante polimórfica ADH1B R48H em pacientes com

carcinoma de cabeça e pescoço e em controles sem câncer por estudo

Referência

Casos Controles

Resultados encontrados G/G G/A A/A G/G G/A A/A

Asakage

(2007) 19,8 29,2 51 1,8 34,7 60,1

Alelo GG mais prevalente no grupo casos que nos controles, aumenta o risco para câncer quando relacionado aos que consomem muito álcool.

Hashibe

(2008) 86,5 6,2 0,3 84 11 0,5

O modelo codominante foi significativamente associado ao menor risco para câncer nos três estudos que o artigo engloba, efeito protetor quando associado ao alto consumo de álcool.

Garcia

(2010) 94,2 5,8 - 87,3 11,9 0,8

Alelo AA foi associado com diminuição do risco para câncer (fator de proteção).

Wei

(2010) 95,4 4,6 - 95,2 4,6 0,2

Não houve associação entre os genótipos e o risco para câncer de cavidade oral e orofaringe.

Ji

(2011) 13,3 38,7 48 5 37,2 57,8

Alelo GG aumentou

significativamente o risco para câncer, principalmente para o grupo que consumiu elevada quantidade e com idade entre 45-60 anos.

Chung

(2014) 27,2 30,4 42,4 9,6 42,5 47,9

Maior risco de câncer para indivíduos que possuem alelo GG e consomem álcool.

(43)

Assim como, as enzimas mutadas podem produzir níveis mais elevados

de acetaldeído, diminuindo o risco para dependência. As enzimas que

metabolizam o álcool mais rapidamente aumentam os níveis de acetaldeído,

que está relacionado a dores de cabeça, náuseas e rubor facial. O que faz com

que o individuo pare de ingerir o álcool mais rapidamente (WALL et al., 2005 e

JI et al., 2011).

Tendo em vista a alta mortalidade por câncer de cavidade oral e poucos

estudos relacionados aos polimorfismos nos genes que metabolizam o álcool, e

os seus mecanismos de ação, principalmente na população brasileira, que é

extremamente heterogênea. Este estudo torna-se relevante para traçar novas

(44)

2. JUSTIFICATIVA

A relação do polimorfismo em ADH1B R48H, com carcinomas de

cavidade oral vêm sendo demonstrada por diversos estudos no mundo. No

Brasil e nos demais países da América do Sul, esses estudos ainda são raros e

não demonstram claramente a frequência desses polimorfismos, bem como

seu total mecanismo de ação. No que concerne à região Centro-Oeste, não há

estudo desta natureza publicado. Assim, compreender melhor a relação das

alterações genéticas, principalmente nas enzimas responsáveis por

metabolizar os xenobióticos e o álcool, e carcinomas de cavidade oral é

fundamental para estratégias de prevenção, bem como o estabelecimento de

(45)

3. OBJETIVOS

3.1. OBJETIVO GERAL

• Avaliar as possíveis associações entre o polimorfismo do gene ADH1B

R48H e o câncer de cavidade oral em pacientes de atendidos em

Goiânia – GO.

3.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS

• Descrever os principais aspectos sociodemográficos, clínicos e

histopatológicos dos casos de carcinomas de cavidade oral.

• Comparar a frequência do polimorfismo ADH1B R48H em um grupo de

pacientes com câncer de cavidade oral e em um grupo controle sem

histórico de câncer de cavidade oral.

• Avaliar a sobrevida de pacientes com o câncer de cavidade oral em 60

meses.

• Avaliar as possíveis associações entre as frequências do polimorfismo

ADH1B R48H e o prognóstico dos pacientes com carcinomas de

cavidade oral.

• Avaliar as possíveis associações entre as frequências do polimorfismo

(46)

4. METODOLOGIA

4.1. DELINEAMENTO METODOLÓGICO

Estudo epidemiológico retrospectivo e analítico, tipo caso-controle, que

comparou a frequência dos polimorfismos no gene ADH1B R48H em amostras

tumorais de pacientes com câncer de cavidade oral e amostras de sangue

periférico de indivíduos saudáveis sem histórico de câncer de cavidade oral.

Para o grupo casos, foi realizada análise de sobrevida e usado blocos de

parafina de pacientes diagnosticados em 2005 e 2006 para o seguimento total

de 60 meses. E para o grupo controle foi usado sangue periférico de usuários

do Laboratório de Análises Clínicas da PUC-Goiás que já fariam exame de

sangue. Não conferindo nenhum risco adicional tanto para o grupo caso,

quanto para o grupo controle.

4.2. POPULAÇÃO DE ESTUDO

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres

Humanos do Hospital Araújo Jorge (HAJ), sob o nº CAAE

45582615.5.0000.0031. As variáveis clínicopatológicas e sociodemográficas

potencialmente associadas à sobrevida dos pacientes, em cinco anos, foram

analisadas, incluindo idade ao diagnóstico, estadiamento TNM (tamanho

tumoral, presença e número de metástases linfonodais e aparecimento de

metástases à distância) e o grau nuclear do tumor. As curvas de sobrevida

foram geradas usando o método de Kaplan-Meier e comparadas pelo teste de

Log-rank. Todos os cálculos estatísticos foram realizados por meio do software

GraphPad Prism 4.02 para Windows (GraphPad Software, San Diego, CA,

(47)

diagnóstico e foi concluído na data do óbito ou quando completados 60 meses

após o diagnóstico.

4.3. SELEÇÃO DOS CASOS PARA DETERMINAÇÃO GENOTÍPICA DE

ADH1B POR PCR/RFLP

A frequência do polimorfismo em ADH1B R48H foi investigada em 61

espécimes de CCE de cavidade oral diagnosticados no HAJ, Goiânia-GO, no

período de 2005 a 2006. Inicialmente, foram levantados 189 casos de CCE de

cavidade oral, diagnosticados no período de 2005 a 2006. Em seguida, foram

eliminados aqueles que não tinham dados clinicopatológicos nos prontuários ou

confirmação histopatológica e aqueles que eram casos de câncer em sítios

anatômicos diferentes da cavidade oral, o que totalizou 104 casos. Os 104

casos foram pesquisados junto ao Departamento de Patologia do HAJ para

levantamento dos blocos disponíveis. Em função da quantidade de material

tumoral presente em cada bloco e a fim de preservar o tecido disponível, e

após a extração e quantificação do DNA, 61 casos foram selecionados para a

detecção do polimorfismo.

O tamanho amostral foi calculado de acordo com a equação (n= )

onde n é o tamanho amostral, n0 é um sobre o erro, que será de 10%, e N é o

tamanho populacional, que será o número de casos de câncer de cavidade oral

previstos para o período apurado, em Goiânia. Assim, foram analisados 61

casos e 66 controles. A seleção dos casos foi feita a partir de uma busca ativa

nos registros informatizados do Setor de Anatomia Patológica do Hospital

Araújo Jorge. Os tumores com diagnóstico histopatológico confirmado foram

selecionados para o levantamento de blocos histopatológicos e para a análise

(48)

prontuários, incluindo idade, gênero, estadiamento clínico, tamanho da lesão,

comprometimento de linfonodos regionais, metástases à distância, subtipo

histológico, localização e seguimento do paciente. Os sujeitos do grupo

controle foram convidados a participar do estudo durante a realização dos

exames de rotina em um centro público de atendimento a saúde, quando foram

informados sobre os objetivos do estudo e assinaram o Termo de

Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Anexo II). Posteriormente, o

paciente foi submetido à coleta de sangue periférico por um técnico

responsável. As alíquotas do sangue coletadas foram mantidas refrigeradas em

recipiente adequado e transferidas ao final do dia para o Laboratório de

Oncogenética do Hospital Araújo Jorge, onde foram realizados os

experimentos de genotipagem.

4.4. EXTRAÇÃO DE DNA GENÔMICO

As extrações de DNA das amostras de sangue (controles) foram

realizadas pela técnica de salting-out (GREEN & SAMBROOK, 2012). Para a

extração de DNA das amostras de tecido tumoral fixado em parafina, foi

utilizado o Kit comercial Wizard Genomic Purification Kit (Promega, Madison,

WI, EUA). Em ambos os casos, seguiu-se as instruções fornecidas pelos

fabricantes dos kits.

Após as extrações, o DNA extraído e purificado foi submetido à

quantificação por espectrofotometria, sendo posteriormente armazenadas em

freezer à temperatura de -80 °C, onde permaneceram até serem submetidas às

(49)

4.5. DETECÇÃO E GENOTIPAGEM DOS POLIMORFISMOS

Os polimorfismos genéticos de ADH1B foram examinados utilizando

Reações em cadeia da polimerase (PCR), seguidas de polimorfismo de

comprimento dos fragmentos de restrição(RFLP), como descrito por Wei et al.

(2010). Para a realização das amplificações por PCR, utilizou-se

aproximadamente 20 µg de DNA genômico, 0,1 mM de dNTPs, 1,5 mM de

MgCl2, 0,5 U de Taq DNA-polimerase, 2 pmol de cada primer, além de tampão

de PCR contendo 50 nM de KCl, 10 mM de Tris-HCL e 0,1% de Triton X-100.O

DNA genômico das amostras foram amplificados utilizando-se os primers de

acordo com a Tabela 4, onde o polimorfismo é mostrado em itálico e

sublinhado.

Tabela 4 - Sequência dos primers utilizados nas Reações em Cadeia da Polimerase.

Primer Sequência Tamanho do

Amplicon

ADH1B R48H

Forward 5’-AGAAACACAATTTCAGGAATTTGGGT-3’

Reverse 5’- ACTAACCACGTGGTCATCTGCG-3’ 132 pb

Os produtos de PCR foram então submetidos à digestão pela enzima de

restrição HhaI para ADH1B R48H, utilizando-se o protocolo fornecido pelo

fabricante (NewEnglandBiolabs, Beverly, MA, EUA), mostrados na Tabela 5,

quando foram então separados em géis de poliacrilamida.

Tabela 5- Enzimas de Restrição utilizadas para a genotipagem de SNIPs de ADH.

SNPs Enzimas de restrição Sítio de restição Condição de digestão

ADH1B R48H HhaI 5' GCGC5' ---GCG C--- 3'

3' CGCG 3' ---C GCG--- 5'

37°C 1-16 h

(50)

4.6. METODOLOGIA DE ANÁLISE DE DADOS

A análise estatística dos dados será realizada por meio do software

GenePop® Webversion 4.1.0. A utilização deste programa permite avaliar as frequências alélicas e genotípicas da população estudada, bem como o

equilíbrio de Hardy-Weinberg. A comparação das frequências alélicas e

genotípicas nos subgrupos será feita por meio do teste t Student, que é mais

adaptado para comparação entre as médias de grupos populacionais, quando

o desvio padrão destas populações é desconhecido.

4.7. CRITÉRIOS DE INCLUSÃO

Casos: participantes com diagnóstico de carcinoma de cavidade oral

comprovados histopatologicamente, que apresentaram dados clinicos -

patológicos nos respectivos prontuários, blocos de parafina disponíveis no

Serviço de Anatomia Patológica do Hospital Araújo Jorge e seguimento clínico

por um período mínimo de cinco anos.

Controles: participantes sem diagnóstico de carcinoma de cavidade oral, com

idade e sexo correspondente aos casos, que concordaram em participar do

estudo, assinaram o TCLE e maiores de 18 anos.

4.8. CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO

Casos: participantes que não tiveram o diagnóstico histopatológico confirmado

para o câncer de cavidade oral, ou cujos blocos de tumores não estiveram

disponíveis no serviço, ou ainda com dados clínicos incompletos em seus

(51)

Controles: Participantes com diagnóstico ou histórico familiar de câncer de

cavidade oral ou que não concordaram em participar do estudo, não assinaram

o TCLE, menores de 18 anos.

4.9. FLUXOGRAMA DE EXCLUSÃO

Casos Inicialmente selecionados no SAP/HAJ (149)

Exclusão por serem casos de câncer em outros sítios anatômicos diferentes de

cavidade oral (12) Exclusão por falta de dados nos prontuários

(49)

Exclusão por falta de confirmação histopatológica

(2)

Exclusão por falta de blocos disponíveis antes de tratamento radioterápico

(25)

Total de casos incluídos no estudo (61)

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