12. PREPARO DO SOLO 12.1. Preparo inicial do solo
O preparo inicial do solo caracteriza-se pelas operações necessárias para criar condições de implantação de culturas, em áreas não utilizadas anteriormente com essa finalidade. Geralmente, essas áreas estão cobertas por vegetação natural.
As principais operações do preparo inicial são: Desmatamento (derrubada);
Destoca; Enleiramento;
Queima ou retirada do material enleirado.
12.1.1. Máquinas para o desmatamento
O desmatamento de matas virgens é feito com uso de lâminas cortadoras de árvores. Geralmente, essas lâminas são acopladas em tratores de esteiras para o corte e o enleiramento das árvores.
Lâminas cortadoras de árvores
São encontrados basicamente dois tipos de lâminas: a) lâmina em ângulo (ROME KG)
Montada sobre um chassis com braços que permitem a regulagem do ângulo de ataque da lâmina e do ângulo horizontal da mesma em relação à direção do deslocamento.
É constituída pelas seguintes partes: Ferrão;
Faca;
Borda cortante; Barra-guia.
b) lâmina em V (FLECO)
Montada também sobre um chassis, a lâmina se divide em duas seções apresentando forma de V.
É constituída pelas seguintes partes: Lâmina;
Ferrão; e Barra-guia.
Lâminas cortadoras de árvores: A – lâmina em ângulo; B – lâmina em V.
Essas lâminas são usadas para derrubada de vegetação com diâmetro superiores à 70 cm.
Quando existe ainda a necessidade de eliminar os tocos permanecentes no terreno após a operação de derrubada, usa-se a operação de destoca. Esta operação pode ser feita com lâminas de terraplanagem, destocadores acionados pela tomada de potência ou implementos específicos como os destocadores.
Destocadores.
Lâminas Anglodozer e Buldozer
Lâminas Anglodozer são especialmente utilizadas na remoção e derrubada de vegetação de diâmetro até 20 cm.
Lâminas Buldozer são lâminas especiais utilizadas na derrubada de vegetais com diâmetro que varia de 20 a 70 cm.
12.1.2. Máquinas para o desmatamento de cerradão, cerrado ou campo
No desmatamento do cerradão, cerrado ou campo, geralmente se utiliza o correntão (diâmetros de vegetação de até 10 cm). Esta ferramenta é dotada de elos extremamente resistentes com elos especiais para engatar e desengatar pequenos pedaços e outros giratórios para evitar seu enrolamento.
Exemplo de elos de um correntão.
A operação é feita com o tracionamento das duas extremidades, com tratores de esteiras, sendo que a distância entre os tratores não deve exceder 1/3 do comprimento do correntão.
Durante a operação do correntão na derrubada, normalmente utiliza-se duas passadas, uma em sentido contrário a outra. A primeira passada é
responsável pela derrubada e a segunda (“arrepio”), é responsável pelo arranquio da vegetação previamente derrubada.
Operação de desmatamento com o correntão.
Tipos de correntões e potência necessária
Comprimento (m) Peso (kg/m) Potência (cv)
Normal (90-120) Leve 50 a 80 120-150 Médio 80 a 100 150-180 Pesado 100 a 120 180-270 Longo (120-150) Leve 50 a 80 150-180 Médio 80 a 100 180-300 Pesado 100 a 120 >300 1 CV = 0,9863 HP
12.1.3. Máquinas para o enleiramento
Após a derrubada da vegetação, há a necessidade de se amontoar o material de forma a ocupar a menor área possível do talhão movimentado, operação esta chamada de enleiramento.
O processo de enleirar pode ser realizado com a lâmina em ângulo (ROME KG), logo após a derrubada da vegetação. Pode-se também usar o ancinho enleirador, equipamento constituído por lâminas verticais presas a um chassi, sendo este acoplado ao trator de esteiras. O equipamento arrasta a vegetação, deixando o solo passar por entre as lâminas.
Ancinho enleirador.
12.2. Preparo periódico do solo
O preparo periódico do solo são as operações de movimentação do solo para a instalação periódica das culturas. Essas operações são realizadas com a finalidade de oferecer as sementes condições teoricamente melhores para seu desenvolvimento. Existem hoje técnicas modernas de semeadura direta que podem obter produtividades tão boas ou as vezes melhores do que os métodos tradicionais de preparo do solo e semeadura.
O preparo periódico do solo é constituído basicamente pela aração e gradagem e eventualmente o uso da subsolagem.
12.2.1. Aração
É a operação de inversão de camadas do solo. O arado corta uma faixa de solo, denominada “leiva”, que é elevada e invertida, assim os materiais da superfície passam para baixo e os de baixo vêm para a superfície. A aração é uma operação que visa diminuir a densidade do solo, aumentando os espaços vazios. Também promove a descompactação do solo, embora não em maiores profundidades como ocorre com a subsolagem. Os objetivos principais da aração são:
a) aeração do solo;
b) permitir a penetração, movimentação e retenção de água no solo; c) picar, aprofundar, misturar e incorporar a matéria orgânica presente na superfície do solo;
d) controle das plantas daninhas pelo seu enterrio; e) enterrio e incorporação de fertilizantes e corretivos;
f) enterrio e incorporação de adubos verdes (guandú, aveia).
A umidade ideal para a realização da aração é na faixa de 60 a 70% da capacidade de campo para solos argilosos e de 60 a 80% para os solos arenosos.
Quanto à profundidade, a aração pode ser considerada: rasa (até 15 cm);
média (de 15 até 25 cm); profunda (acima de 25 cm).
Arados
Os arados são os implementos usados no processo de aração. São classificados da seguinte maneira:
a) quanto a peça ativa ou de corte, podem ser: de discos;
de aivecas.
b) quanto à tração, podem ser: tração animal;
tração motorizada:
- acoplado ou montado (3 pontos do sistema hidráulico); - semi-acoplado ou semi-montado (2 pontos inferiores do sistema hidráulico);
- de arrasto.
c) quanto a movimentação dos órgãos de corte: fixos;
reversíveis.
d) quanto ao número de órgãos ativos: monocorpo;
Arados de Aivecas
É um dos implementos mais antigos e utilizados no preparo do solo para instalação de culturas periódicas. Foram utilizados, além de outros povos, pelos chineses, os quais inicialmente possuíam formatos triangulares ou quadrados e, posteriormente, curvados, sendo estes utilizados até os dias de hoje sem grandes modificações.
Arados de aivecas chineses. a) Triangular, b) Quadrangular.
Constituição básica dos arados de aivecas:
Aiveca (elemento responsável pelo tombamento da leiva);
Relha (elemento responsável pelo corte horizontal da terra, dá a largura de corte de cada órgão ativo);
Rasto (elemento responsável pela estabilidade do arado, evita o “empuxo lateral”). 1 – Aiveca; 2 – Relha; 3 – Rasto; 4 – Suporte; 5 – Coluna. 1 2 3 4 5
As principais vantagens dos arados de aivecas são: Melhor inversão;
Pode ser projetado para diferentes situações (solos pesados, várzeas etc);
Maior facilidade de variar a profundidade (desde preparado para esse fim);
Melhor estabilidade (menor “empuxo lateral”).
As principais desvantagens dos arados de aivecas são: Má performance em solos argilosos;
Regulagens mais difíceis do que nos arados de discos.
Arados de Discos
O arado de discos apareceu em substituição aos arados de aivecas e sua origem teve como ponto de partida a grade de discos. Este tipo de arado é uma das máquinas mais estudadas e aperfeiçoadas pelos engenheiros, técnicos e fabricantes de maquinaria agrícola.
São arados que trabalham em qualquer tipo de terreno, pois seus órgãos ativos são giratórios (discos) e podem ocorrem conseqüências menos desastrosas quando se deparam com obstáculos do tipo raízes e pedras.
9 1 – Chassi; 2 – Torre; 3 – Suporte para estacionamento; 4 – Barra transversal; 5 – Roda guia; 6 – Coluna; 7 – Limpador; 8 – Disco; 9 – Mancal.
12.2.2. Regulagem dos arados de discos montados
a) Regulagem da bitola do trator L l f B 2 2 2 em que, B = bitola do trator;
L = largura de corte do arado; l = largura do maior pneu de tração; f = folga (10 a 15 cm).
A largura de trabalho (corte) pode ser obtida nos catálogos, ou medida diretamente no campo.
Largura de corte média dos arados de discos
Ø disco 24” (60 cm) 26” (65 cm) 28” (70 cm) 30” (75 cm)
Larg. Corte 8” (20 cm) 10” (25 cm) 12” (30 cm) 14” (35 cm)
* Máximo 5 de 30”
Na aração, a bitola do trator é que vai determinar a largura de corte do primeiro disco (ou aiveca), que deve ser igual aos demais. O operador se orienta pelo sulco deixado pelo último disco para ter a continuidade do processo de aração.
b) Lastreamento do trator
É feito de acordo com a potência demandada com a operação. Frontais (pesos dianteiros);
Água nos pneus; Contrapeso nas rodas.
c) Acoplamento (arados de discos fixos e reversíveis) Fixação do primeiro ponto
Com o arado em local plano, acoplar o primeiro ponto (barra de elevação esquerda). Deve-se deixar a barra um pouco abaixo do ponto de engate do arado elevando-a com a mão até o engate.
Fixação do terceiro ponto
Na torre dos arados montados geralmente existem 3 orifícios. O acoplamento do terceiro ponto nesses orifícios vai depender do tipo de trator e do tipo de solo.
Orifícios de fixação do terceiro ponto nas torres dos arados.
Fixação do segundo ponto
Após acoplado e travado o terceiro ponto, acopla-se o segundo ponto (barra de elevação direita).
d) Centralização do arado (arados de discos fixos e reversíveis)
A linha central longitudinal de tração do trator deve passar pelo centro de resistência do arado.
Passos:
Soltar as duas barras estabilizadoras inferiores de engate;
Coincidir as distâncias do pneu traseiro até o braço inferior do levante hidráulico;
Verificar se o centro de resistência do arado coincide com o centro da linha longitudinal do trator.
Após a segunda passada do arado em diante o primeiro disco deve tampar o sulco deixado pelo último.
Para os arados fixos, sempre o trator estará com as rodas direitas dentro do último sulco para a continuidade da aração. O primeiro disco deverá tampar o rastro do pneu.
e) Largura de corte do arado Arados de discos fixos
A alteração da posição da barra transversal é que altera a largura de corte dos arados de discos fixos.
Posição I – menor largura (solos duros e resistentes); Posição II – largura média (solos normais);
Posição III – maior largura (solos leves e soltos).
(Sentido horário, redução na largura de corte).
Arados de discos reversíveis
A limitação na barra de reversão faz a regulagem de largura de corte. Existem dois parafusos (batentes) que quando recolhidos permitem o aumento da largura de corte e quando avançados para o interior do arado, diminuirão a largura de corte.
f) Nivelamento do arado Arados de discos fixos
Longitudinal
Todos os discos devem trabalhar na mesma profundidade. Esse ajuste é feito com uso da manivela do terceiro ponto.
Transversal Primeira passada:
Igualar a profundidade de corte dos discos (manivela que regula a altura do segundo ponto – braço direito) com o trator fora do sulco.
Segunda passada:
Deve-se elevar a barra de elevação direita (profundidade de aração) com o trator dentro do sulco para igualar a profundidade de corte dos discos.
Arados de discos reversíveis Longitudinal
Todos os discos devem trabalhar na mesma profundidade (manivela do terceiro ponto).
Transversal
Igualar a profundidade de corte dos discos (manivela que regula a altura do segundo ponto – braço direito) com o trator fora do sulco.
g) Regulagem dos ângulos dos discos (arados de discos fixos e reversíveis)
Horizontal
É responsável por alterar a largura de corte dos discos e capacidade de revolvimento do solo. Quanto menor o ângulo horizontal maior velocidade de rotação dos discos prejudicando o tombamento e estabilidade do conjunto trator-arado.
Geralmente o ângulo pode variar de 42° a 60° Solos argilosos, duros – 42°;
Solos médios – 45 a 47°; Solos arenosos, leves – 60°.
Vertical
Afeta a capacidade de penetração dos discos no solo (quanto maior profundidade, menor ângulo). Quanto maior o ângulo vertical, tombamento das leivas mais suave diminuindo o desmoronamento.
Geralmente o ângulo pode variar de 15° a 25° Solos argilosos, duros – 15°;
Solos médios – 18 a 20°; Solos arenosos, leves – 25°.
Exemplos:
Solos macios, arenosos e com bom teor de umidade, ângulos horizontais e verticais próximos do máximo (55° e 22°). Regulagem válida também quando se deseja uma aração mais profunda.
Solos médios, aparecendo argila, ângulos horizontais (47°) e verticais (entre 18 e 22°). Regulagem válida também quando se deseja uma aração com profundidades médias.
Solos duros, argilosos e com ruim teor de umidade, ângulos horizontais e verticais próximos do mínimo (42° e 15°). Regulagem válida também quando se deseja uma aração menos profunda.
h) Regulagem da roda guia Arados de discos fixos
A roda guia é o elemento que neutraliza a força que promove o empuxo lateral. Ela serve para estabilizar o arado. Para seu perfeito funcionamento ela deve trabalhar no fundo do sulco. Variam-se os ângulos horizontal e vertical e ajusta-se a tensão da mola.
Posições concordantes com as posições da barra transversal. Posição I – solos duros e resistentes (maior ângulo de inclinação); Posição II – solos médios (inclinação média);
Inclinação da roda guia Tensão da mola
Regulagem da tensão da mola para arados de discos fixos
A tensão da mola possibilita regular a profundidade de aração, principalmente em solos leves ou pesados. Aumentando a tensão da mola o arado tende a aprofundar menos no solo. A regulagem é feita no parafuso que regula a tensão da mola (ou o comprimento da mola).
Arados de discos reversíveis
A roda guia deverá sempre estar em sentido paralelo ao trator. Os arados reversíveis só possuem regulagem vertical da roda guia, pois seu chassis não sofrem torções em regulagem de largura, mantendo sempre a sua roda guia no mesmo sentido de deslocamento do trator.
12.2.3. Métodos de Aração Arados Fixos
Como esses arados tombam a leiva somente para a direita, podemos empregar os seguintes métodos:
De fora para dentro – Tem início acompanhando os terraços. Com a repetição desse método ocorre o lançamento do solo para as extremidades, predominando subsolo no centro.
De dentro para fora – Tem início no centro do talhão. Com a repetição desse método o solo irá se concentrar no centro do talhão e o subsolo irá se aflorar nas laterais.
Alternando os talhões – Quando a distância entre os terraços for pequena, pode-se manter os mesmos métodos citados, porém a entrada será em um talhão e a saída no outro.
Arados Reversíveis
Como esses arados tombam a leiva para a direita e esquerda, podemos empregar os seguintes métodos:
De cima para baixo – Tem início na parte mais alta do terreno. A entrada deverá ser feita na parte mais alta do terreno lançando a leiva para cima, acompanhando o terraço.
De baixo para cima – Tem início na parte mais baixa do terreno. O tombamento da leiva será totalmente para baixo.
12.2.4. Força exigida pelos arados
A força exigida pelos arados é dada pela seguinte equação:
2
v
b
a
F
onde:F = força por unidade da secção da leiva (N/cm2);
a e b = constantes que dependem do solo e do tipo de arado; v = velocidade de deslocamento da máquina (km/h).
Constantes a e b para os arados de aivecas
Tipo de solo a b
Argila siltosa 7 0,049
Silte arenoso 3 0,032
Franco arenoso 2,8 0,013
Areia 2 0,013
Constantes a e b para os arados de discos
Tipo de solo a b
Argila 5,2 0,039
Franco 2,4 0,045
Potência é a medida de quão rápido um trabalho é executado (relembrando 1 cv = 75 kgf m/s e 1 N = 0,101972 kgf). Assim, a potência exigida na barra de tração ou nos três pontos do sistema do levante hidráulico é dado por:
F
v
P
onde: P = potência (kgf m/s); v = velocidade (m/s); F = força (N).Devido a fatores de perdas de potência, como o atrito do sistema de transmissão, a patinagem das rodas motoras, a resistência ao rolamento, além da reserva de potência, pode-se considerar, de forma prática, que os tratores agrícolas de pneu desenvolvem na barra de tração ou nos três pontos do sistema de levante hidráulico somente 50% da potência nominal do motor.
50 , 0 ) ( ) (Motor P Bt P onde:
P(Motor) = Potência Nominal no motor;
P(Bt) = Potência na barra de tração ou nos ter pontos do sistema do levante hidráulico.
Exemplo 1: Qual a força necessária para puxar um arado de aivecas com três
órgãos ativos de largura de corte de 0,40 m cada uma. Considere uma profundidade de aração de 0,20 m e velocidade de 5 km/h. O solo da área é classificado como silte arenoso.
Largura de corte:
m
LC
0
,
40
3
1
,
20
Secção da leiva: 2 400 . 2 20 120 cm SL Para a situação supracitada temos: a = 3 e b = 0,032 2 2
80
,
3
5
032
,
0
3
cm
N
F
Para 2.400 cm² temos:N
cm
cm
N
F
3
,
80
2
2
.
400
2
9
.
120
kgf F 9.120 0,101972929,9846Exemplo 2: Para o exemplo anterior, calcule a potência nominal do motor do
trator necessária para a operação.
Transformando km/h para m/s:
s
m
h
km
3
,
6
1
,
3889
5
Temos:s
m
kgf
kgf
s
m
P
1
,
3889
929
,
9846
1
.
291
,
6556
Transformando para cv: Se 1 cv = 75 kgf m/s, então temos:s
m
kgf
cv
X
s
m
kgf
cv
6556
,
291
.
1
75
1
cv
X
X
2221
,
17
75
6556
,
291
.
1
Calculando a potência nominal do trator
cv cv Bt P Motor P 34,4442 50 , 0 2221 , 17 50 , 0 ) ( ) (
Exemplo 3: Faça o mesmo exercício do exemplo 1 para um solo do tipo argila
siltosa e calcule a diferença de potência nominal do trator a ser utilizada para os dois tipos de solo.
m
LC
0
,
40
3
1
,
20
2 400 . 2 20 120 cm SL Para a situação supracitada temos: a = 7 e b = 0,049 2 2
2250
,
8
5
049
,
0
7
cm
N
F
Para 2.400 cm² temos:N
cm
cm
N
F
8
,
2250
2
2
.
400
2
19
.
740
kgf F 19.740 0,1019722.012,9273 Transformando k/h para m/s: s m h km 3,6 1,3889 5 Temos:s
m
kgf
kgf
s
m
P
1
,
3889
2
.
012
,
9273
2
.
795
,
7547
Transformando para cv: Se 1 cv = 75 kgf m/s, então temos:s
m
kgf
cv
X
s
m
kgf
cv
7547
,
795
.
2
75
1
cv
X
X
2767
,
37
75
7547
,
795
.
2
Diferença de potência:cv
0546
,
20
2221
,
17
2767
,
37
A diferença de potência nominal do trator será de:
cv cv Bt P Motor P 40,1092 50 , 0 0546 , 20 50 , 0 ) ( ) (
12.2.5. Gradeação
O processo de gradeação complementa o trabalho do arado com os objetivos de:
a) Destorroar; b) Pulverizar; e c) Nivelar o solo.
As grades também realizam uma série de outras atividades bem parecidas com os arados tais como:
Escarificação do solo;
Incorporação de fertilizantes, corretivos e sementes; Fragmentação de restos de culturas;
Controle de plantas daninhas.
OBS: Solos úmidos e argilosos dificultam em demasia a quebra dos torrões. Gradagens finais devem ser realizadas próximas à semeadura (evitar concorrência com as plantas daninhas).
Discos Dentes Molas
Diferentes tipos de grades.
Grades
As grades são os implementos usados no processo de gradeação. As mais comuns são as de discos, mas podem existir de dentes, molas, etc. Elas podem ser classificadas da seguinte maneira:
a) Quanto à disposição das grades podem ser: Em linha (simples ação);
Tandem ou em X (dupla ação); Off-set ou V (dupla ação).
Em linha (simples ação) Tandem ou em X (dupla ação) Off-set ou V (dupla ação)
b) Quanto aos discos de suas seções:
Simples (um tipo de disco, bordo liso ou recortado);
Mistas (possuem discos de bordos lisos e recortados sendo que os recortados são utilizados na dianteira com finalidade de cortar o material da superfície).
c) Quanto a função:
Aradoras (possuem número menor de discos com maiores diâmetros e espaçamentos entre discos);
Destorroadoras (discos recortados com menores diâmetros e espaçamentos entre discos);
Niveladoras (maior número de discos com menores diâmetros e espaçamentos entre discos);
Destorroadoras-niveladoras. d) Quanto ao peso:
Leves (menor que 50 kg); Médias (entre 50 e 130 kg); Pesadas (maior que 130 kg).
e) Quanto ao acoplamento:
Acoplado ou montado (3 pontos do sistema hidráulico);
Semi-acoplado ou semi-montado (2 pontos inferiores do sistema hidráulico);
Condição inicial (com restos ou mato)
Solo arado Solo gradeado após a aração
Solo gradeado antes e após a aração
Solo gradeado antes a aração
Capacidade de penetração das grades
É afetada principalmente pelo seu peso ou lastreamento utilizado e também pelos seguintes fatores:
Solo (textura, umidade, etc.); Afiamento;
Velocidade da grade (quanto menor a velocidade, maior a capacidade de penetração no solo, porém quanto maior a velocidade, maior será a capacidade de destorroamento e nivelamento do solo).
12.2.6. Regulagem das grades de discos
Para se conseguir uma boa regulagem das grades em Tandem e Off-set, alguns pré-requisitos deverão ser atendidos:
Cada disco da seção traseira deverá trabalhar exatamente entre os dois discos da seção dianteira.
Os discos da seção dianteira e traseira deverão, sempre que possível, girar na mesma velocidade.
Grades montadas em tandem
a) Acoplamento
Fixação do primeiro ponto (barra de elevação esquerda); Fixação do terceiro ponto;
b) Centralização da grade
A linha central longitudinal do trator deve passar pelo centro de resistência da grade.
Passos:
Soltar as duas barras estabilizadoras inferiores de engate;
Coincidir as distâncias do pneu traseiro até o braço inferior do levante hidráulico.
c) Ângulos das seções
A regulagem do ângulo de trava é feita entre as seções dianteiras e traseiras, separadamente. As seções dianteiras possuem maior responsabilidade de corte e as traseiras de acabamento. Portanto, pode-se trabalhar com um maior ângulo de trava nas seções dianteiras e um menor na traseira, melhorando o acabamento superficial.
OBS: Maior ângulo, maior profundidade de corte.
Os discos da extremidade interna das seções dianteiras, devem ficar bem próximos, quase se tocando (1cm), e os da extremidade interna das seções traseiras em torno de 35 a 40 cm.
d) Nivelamento da grade:
Longitudinal (seções dos discos dianteiros e traseiros trabalhem na mesma profundidade de corte; 3° ponto sistema hidráulico); Transversal (lado direito e esquerdo da grade toquem o solo à
em que:
FT = força de tração; cd = corpo dianteiro; ct = corpo traseiro; b e c = ângulos de trava;
od = orifícios de trava do ângulo de trava dos corpos dianteiros; ot = orifícios de trava do ângulo de trava dos corpos traseiros;
Grades de arrasto do tipo off-set (V)
a) Acoplamento
Utilizam a barra de tração dos tratores como ponto de potência. Nas grades que possuírem orifícios para regulagem no plano vertical:
Orifício inferior - solos leves, fácil penetração dos discos; Orifício médio - solos médios;
Orifício superior - solos pesados ou compactados.
No uso desse tipo de grade, de preferência travar a barra de tração do trator no centro. Com a barra livre, muitas vezes em curva, o cabeçalho da grade pode ser pego pelo pneu do trator.
em que: 1 = barra de engate; 2 = seção dianteira; 3 = seção traseira; 4 = chassi; 5 = raspadores de disco; 6 = discos recortados. b) Transporte
Podem ser de arrasto para operação e montadas para o transporte. As mais pesadas possuem recursos próprios para o transporte e/ou controle de profundidade. Esses recursos são, geralmente, rodas com pneumáticos, que podem ser acionados manualmente ou por meio de um sistema hidráulico.
Para as grades off-set que não possuírem nenhum recurso para transporte, deve-se fechar totalmente as seções para evitar acidentes ou danos no transporte.
c) Profundidade de corte
A alteração dos ângulos das seções altera diretamente a profundidade de corte e é conseguido da seguinte maneira:
Alterando o ângulo formado pelas seções (maior ângulo = maior profundidade de corte);
Alterando a posição da barra de tração da grade sobre a chapa triangular (sentido horário = maior profundidade de corte).
OBS1: Cuidado ao se realizar curvas durante manobras. As curvas devem ser realizadas do lado dos vértices das seções (normalmente esquerdo). Caso contrário pode-se danificar as grades e provocar sulcos profundos no solo.
OBS2: Na maioria das vezes, os discos traseiros devem sempre jogar terra para a esquerda.
d) Deslocamento da grade:
As grades off-set permitem deslocamento em relação à linha de centro de ração do trator. Isto permite, por exemplo, passar com a grade sob a copa de árvores para o caso de culturas perenes (deslocamento é obtido alterando a posição da barra de tração da grade).
12.2.7. Métodos de Gradagem
Gradagem em quadras – de dentro para fora
Gradagem em quadras – de fora para dentro
12.2.8. Força exigida pelas grades
A força aproximada exigida pelas grades pode ser obtida com uso do seu peso e características do solo e é dada pela seguinte equação:
M
a
F
.
onde:
F = força de tração (N);
a = constante que depende do solo; M = massa da grade (kg).
Constante a para os diferentes tipos de solo
Tipo de solo a
Argila 14,7
Franco siltoso 11,7
Exemplo 1: Qual a força necessária para tracionar uma grade de massa igual
a 4.100 kg? O solo da área é classificado como franco siltoso.
Para a situação supracitada temos: a = 11,7
N
F
11
,
7
4
.
100
47
.
970
Transformando de N para kgf: (1 N = 0,101972 kgf) kgf F 47.970 0,1019724.891,60Exemplo 2: Para o exemplo anterior, calcule a potência nominal do motor do
trator necessária para a operação considerando que o conjunto trator-grade se desloca a uma velocidade de 5 km/h.
Transformando km/h para m/s:
s
m
h
km
3
,
6
1
,
3889
5
Temos:s
m
kgf
kgf
s
m
P
1
,
3889
4
.
891
,
60
6
.
793
,
94
Transformando para cv: Se 1 cv = 75 kgf m/s, então temos:s
m
kgf
cv
X
s
m
kgf
cv
94
,
793
.
6
75
1
cv
X
X
59
,
90
75
94
,
793
.
6
Calculando a potência nominal do trator
cv cv Bt P Motor P 181,18 50 , 0 59 , 9 50 , 0 ) ( ) (
12.2.9. Exercícios
a) Defina com suas palavras o que é preparo periódico do solo.
b) Quais são as principais operações utilizadas no preparo periódico do solo? c) O que você entende por aração e quais os principais objetivos dessa
operação?
d) Qual a umidade ideal para a realização da aração? e) Classifique os seguintes arados:
1 2
3 4
f) Preencha o quadro abaixo descreva as suas principais funções.
1 – 2 – 3 – 4 – 5 – 1 2 3 4 5
g) Em relação aos arados de discos, quais as principais vantagens e
desvantagens dos arados de aivecas.
i) Qual a função de se ajustar as bitolas de um trator para o processo de
aração?
j) Calcule a bitola de um trator com largura de pneu de 0,46 m para uso de um
arado de três aivecas de largura de corte de 0,42 m cada uma.
l) Descreva com suas palavras qual o procedimento para o acoplamento de um
arado montado.
m) Descreva com suas palavras como realizar a centralização dos arados
montados.
n) Como deve ser feita o nivelamento longitudinal e transversal para os arados
fixos e reversíveis?
o) Qual a função da roda guia?
p) O que você entende por gradeação e quais os principais objetivos dessa
operação?
q) Classifique a seguinte grade:
quanto a disposição das seções: quanto aos discos de suas seções: quanto a função:
r) Quais as possíveis regulagens para alteração da profundidade nas grades
em Off-set?
12.2.10. Subsolagem
Subsolagem é uma prática que consiste na mobilização sub-superficial do solo com os objetivos de romper camadas compactadas / adensadas, possibilitando:
infiltração de água;
melhor penetração de raízes; melhor aeração do solo; melhor drenagem; diminuição da erosão.
Por trabalharem a maiores profundidades, os implementos usados na subsolagem requerem mais potência para sua utilização. A potência por haste pode variar de 30 a 50 cv, dependendo da profundidade.
OBS: Subsolagem (a penetração no solo é superior a 30 cm). Escarificação (a penetração no solo é inferior a 30 cm).
Para a correta utilização dos subsoladores, são necessários conhecimentos sobre as características do solo trabalhado, tais como a compactação existente, teor de umidade, textura e estrutura, das características necessárias para a operação do implemento, como a profundidade de trabalho, espaçamentos entre hastes, tipos de hastes e potência necessária.
12.2.11. Compactação do solo
É um processo decorrente da manipulação intensiva, quando o solo perde sua porosidade por meio do ADENSAMENTO de suas partículas.
A compactação do solo é afetada por:
Pressão exercida no solo pelos pneus e esteiras dos tratores; Tráfego constante das máquinas sobre o solo;
Ação dos órgãos ativos (discos, hastes e enxadas) durante a operação de mobilização do solo (pé de grade, pé de arado, etc).
Os efeitos da compactação podem ser:
Redução da macroporosidade do solo com conseqüente aumento da densidade (esmagamento das partículas do solo);
Redução do sistema radicular das culturas; Erosão superficial.
Fatores que influenciam a compactação dos solos:
Composição físico-química (menor o teor de matéria orgânica, maior compactação);
Carga aplicada sobre o solo (maior a carga, maior a compactação); Granulometria do solo (quanto mais argiloso, maior a compactação).
Camada compactada
Ação da camada compactada sobre o sistema radicular
12.2.12. Métodos de avaliação da camada compactada
Densidade: é o método mais preciso que envolve análises laboratoriais e por isso são os mais demorados (maior a densidade, maior a compactação);
Uso de penetrômetros: é um método de precisão intermediária, de rápida execução;
Ferramentas manuais ou retroescavadoras (trincheira);
12.2.13. Qual o momento de subsolar?
O solo tem que estar entre os limites inferior de plasticidade e o ponto em que se torna friável. A plasticidade é a propriedade dos solos serem moldados sem variação de volume. A friabilidade é constatada se a porção de solo puder ser facilmente moldada, mas se esboroe com facilidade, tão logo cesse a força sobre ela.
Para avaliação no campo, pode-se proceder da seguinte forma:
Condições inadequadas
Condição ideal para subsolagem
12.2.14. Subsoladores
São os implementos usados para promover a desagregação de camadas profundas compactadas.
Algumas características dos subsoladores:
Usados na desagregação de camadas compactadas; Profundidade de trabalho de até 0,80 metros;
Operações que exigem muita potência.
1
2 3
4
1 – barra porta ferramenta; 2 – haste;
3 – ponta;
4 – rodas de controle de profundidade
Constituição básica dos subsoladores
1 – chassi; 2 – pontos de engate; 3 – haste; 4 – ponteira; 5 – gume da haste; 6 – aleta;
7 – fusível (parafuso de segurança).
12.2.15. Classificação dos subsoladores
a) Quanto ao tipo de acoplamento:
Montados ou acoplados (3 pontos do sistema hidráulico); De arrasto (barra de tração).
b) Quanto ao tipo de orgão ativo:
Haste rígida (com ou sem torpedo); (com e sem aletas). Haste vibratória.
c) Quanto a configuração da haste: Reta (vertical ou inclinada); Curva;
Parabólica.
Formato das hastes de um subsolador: a) reta; b) curva e c) parabólica.
12.2.16. Regulagem dos subsoladores
A regulagem do subsolador deve ser realizada em dois sentidos: vertical (profundidade das hastes) e horizontal (espaçamento entre hastes). Detectar a profundidade da camada compactada é de suma importância para a boa eficiência do subsolador.
a) Profundidade de penetração das hastes: p = limite inferior da camada compactada
b) Espaçamento entre hastes: Para subsoladores de hastes normais:
)
70
,
0
(
p
m
p
e
Para subsoladores com hastes com asas:
) 70 , 0 ( 5 , 1 p p m e onde:
e = espaçamento entre hastes;
c) Número de hastes do subsolador
Em média, o número de hastes que um subsolador pode conter em função da potência do trator utilizado, é dado pela seguinte equação:
p
HP
n
8
,
0
onde: n = número de hastes;HP = potência do trator utilizado na operação de subsolagem; p = profundidade de penetração das hastes (cm).
d) Largura de trabalho:
e
n
L
onde:
L = largura efetiva de trabalho (cm); n = número de hastes;
e = espaçamento entre hastes.
OBS: Na prática, a profundidade de penetração das hastes devem estar a aproximadamente cinco centímetros abaixo no limite inferior da camada compactada.
12.2.17. Força exigida pelos subsoladores
A força aproximada exigida pelos subsoladores pode ser obtida com uso da seguinte equação:
p
a
F
onde:
F = força de tração por haste (N); a = constante que depende do solo;
p = profundidade de penetração das hastes (cm).
Constantes a
Tipo de solo a
Franco arenoso 120 a 190
Médio ou franco argiloso 175 a 280
Exemplo 1: Qual a força necessária para puxar um subsolador com três hastes
trabalhando a uma profundidade de 0,40 m cada uma. Considere uma velocidade de 5 km/h e o solo da área é classificado como argiloso.
N
F
280
40
11
.
200
kgf
F
11
.
200
0
,
101972
1
.
142
,
09
Exemplo 2: Para o exemplo anterior, calcule a potência nominal do motor do
trator necessária para a operação.
Transformando km/h para m/s:
s
m
h
km
3
,
6
1
,
3889
5
Temos:s
m
kgf
kgf
s
m
P
1
,
3889
1
.
142
,
09
1
.
586
,
2488
Transformando para cv: Se 1 cv = 75 kgf m/s, então temos:
s
m
kgf
cv
X
s
m
kgf
cv
25
,
586
.
1
75
1
por
haste
cv
X
X
15
,
21
75
25
,
586
.
1
Assim, por haste do subsolador são necessários 21,15 cv. Como são três hastes, serão necessários 63,45 cv.
Calculando a potência nominal do trator