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INTRODUÇÃO A UMA EPISTEMOLOGIA CRÍTICA DA

GEOGRAFIA

Gilvan C. C. de Araújo1 Paulo Roberto Teixeira de Godoy2

INTRODUÇÃO

Quando nos propomos a estudar a epistemologia de uma dada ciência temos que conceber qual é o objetivo ao qual estamos nos impondo enquanto pesquisadores dos métodos, metodologias e história das ciências que representamos.

Este impasse da postura dos epistemólogos aumentou de forma gradativa concomitantemente a ampliação do discurso crítico dentro da Ciência e em especial no âmbito das ciências humanas, por terem em si uma proximidade teórica maior com a filosofia.

A responsabilidade concernente aos cientistas em estruturar e organizar o seu próprio discurso filosófico na forma de epistemologias possui duas extremidades diferentes de visualização.

Por um lado é profícuo o aumento das pesquisas metodológicas e teóricas nas diversas ciências como um todo, descentralizando da filosofia a responsabilidade de abarcar especificidades e peculiaridades que estão além do seu campo de atuação.

Em outra vertente de análise não se pode simplesmente afastar-se da filosofia no exercício epistemológico, justamente pelo fato da própria realização de uma real epistemologia entendida como filosofia da ciência ser possível apenas com a sustentação e estruturação filosófica que lhe é necessária para ser plausível de aceitação tanto filosoficamente quanto cientificamente.

1 Aluno do curso de Graduação em Geografia da Universidade Estadual Paulista – Unesp campus de Rio

Claro. Atualmente é integrante do Grupo de Estudos em Epistemologia e História do Pensamento Geográfico.

2 Professor-Assistente do Departamento de Geografia da Unesp de Rio Claro e Coordenador do Grupo de

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É neste sentido de uma epistemologia não positivista e prudente com a realidade contemporânea na qual está inserida que nosso trabalho vem propor uma re-leitura de alguns autores que tratam da epistemologia crítica no âmbito da filosofia (HABERMAS, 1982; JAPIASSU, 1986; BACHELARD, 1996) e também autores que tratam da importância de uma conceituação filosófica dentro das ciências, em nosso caso no âmbito da geografia (SANTOS, 2005; MOREIRA, 2008).

Procuramos apresentar os principais temas relacionados a epistemologia, a introdução do discurso crítico em sua fundamentação e como isto está presente dentro da Geografia enquanto importante representante das ciências humanas neste exercício de aplicação e efetivação de uma epistemologia crítica.

Epistemologia e epistemologias

Não há apenas uma epistemologia aplicável a todas as ciências. O que temos na atualidade são diversas “filosofias da ciência” aplicadas às diversas ciências tomando a denominação de epistemologia dentro de sua atividade discursiva enquanto ciência. Epistemologia seria então formada por um tripé de sustentação de seus fundamentos gerais: Filosofia da Ciência, História da Ciência e Psicologia da Ciência. E de uma forma aplicada temos as diversidades de mutações da epistemologia de acordo com a ciência que a coloca em prática3.

A escolha de aprofundar-se no campo epistemológico atrai os cientistas para os limites de abrangência das ciências que representam. Desta forma a quantidade de trabalhos conceituais está muitas vezes aquém da complexidade e abrangência de uma determinada ciência. Assim como defende Japiassu (1986):

Falar de epistemologia, hoje, já é engajar-se num espaço polêmico ou conflitante, pois sob este título apresentam-se trabalhos que freqüentemente nada têm de comum, quando não se excluem explicitamente. (Japiassu pág.11, 1986)

Entendo epistemologia como sendo o estudo metódico e reflexivo dos saberes, sua organização, formação, desenvolvimento, funcionamento e produtos intelectuais (JAPIASSU, 1986), podemos compreender a importância de uma atitude epistemológica dentro da ciência, sendo que sem isto uma possível esterilidade

3 Para um maior aprofundamento sobre a origem, formação e atuação da epistemologia

recomendamos uma análise completa da obra Introdução ao pensamento epistemológico de Hilton Japiassu, desta forma ficará mais claro compreender as principais dissidências do pensamento

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conceitual e teórica se torna passível de efetivação quando há um esforço de contínua reflexão e auto-reflexão por parte dos cientistas.

Se a “Ciência” hoje em dia não passa de uma ficção como dia Japiassu então é imprescindível aos cientistas o entendimento da responsabilidade de estruturar a organização e fundamentação teórica e metodológica de suas ciências (sistemas de conhecimentos específicos e seus objetos).

A utilização do termo filosofia da ciência tem sua origem na tradição filosófica de abordagem da possibilidade do conhecimento e também da histórica relação de legitimação filosófica da Ciência. Neste sentido uma Filosofia da Ciência, ou melhor uma Epistemologia da Ciência se ateria ao campo geral da cientificidade e do espírito científico com um todo, e num outro lado temos as diversas epistemologias das ciências, que muitas vezes não dialogam entre si mas que possuem papel fundamental no avanço do desenvolvimento das ciências.

A importância da(s) história(s) da(s) ciência(s)

O estudo da história da ciência e suas implicações para e no desenvolvimento do próprio discurso de legitimação da cientificidade é de fundamental importância quando procuramos compreender o processo de formação dos métodos, práticas e teorias adotados na contemporaneidade e também os que já estão em desuso mas que deixaram suas marcas ao longo de sua vigência temporal.

Esta valorização do caráter eminentemente histórico da ciência é levantado por Gaston Bachelard (1996) na menção feita por este quando o questionamento sobre uma filosofia da ciência ser possível somente se houver um entendimento histórico do desenvolvimento da ciência, sem isto qualquer tentativa de implementar uma epistemologia se anula automaticamente por não se sustentar no processo histórico de formação das bases discursivas de legitimação científica da área que se dispõe aprofundar neste campo de investigação.

Desta forma Bachelard expõe que o espírito científico inevitavelmente se torna velho no momento de sua concepção enquanto escolha de interpretação da realidade, justamente devido ao longo período de amadurecimento que a cientificidade está sujeita e pela necessidade de rompimento com o comumente aceito até então antes de sua adoção como fonte norteadora do pensamento:

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Quando o espírito se apresenta à cultura científica, nunca é jovem. Aliás, é bem velho, porque tem a idade de seus preconceitos. Aceder à ciência é rejuvenescer espiritualmente, é aceitar uma brusca mutação que contradiz o passado. (Bachelard pag. 18, 1996)

Apesar de valorizar e defender o papel crucial do historiador da ciência na compreensão do processo de formação do espírito científico Bachelard não deixa de mencionar a própria inércia de avanço da cientificidade enquanto desenvolvimento histórico do racionalidade científica.

Por isso o autor cunha o conceito de obstáculo epistemológico como sendo o ponto de diferenciação entre o historiador da ciência e o epistemólogo, pois de um lado temos o historiador tomando as idéias como fatos e de outro o epistemólogo procurando entender os fatos com idéias, se tornando neste intento um obstáculo ao pensamento, criado pelo próprio pensamento num movimento quase de insanidade do discurso de legitimação da cientificidade contra ele mesmo:

A noção de obstáculo epistemológico pode ser estudada no desenvolvimento histórico do pensamento científico e na prática da educação. Em ambos os casos, esse estudo não é fácil. A história, por princípio, é hostil a todo juízo normativo. É no entanto necessário colocar-se num ponto de vista normativo, se houver a intenção de julgar a eficácia de um pensamento[...](Bachelard pag. 21, 1996)

E o autor continua diferenciando o historiador da ciência do epistemológo: O historiador da ciência deve tomar os fatos como se fossem idéias, inserindo-as num sistema de pensamento. Um fato mal interpretado por uma época permanece, para o historiador, um fato. Para o epistemólogo, é um obstáculo, um contra-pensamento. (Bachelard pag. 22, 1996)

Desta forma fica claro a importância de se relevar o estudo histórico da Ciência e também de sua ciência em particular, sem esta prévia compreensão do processo de formação do discurso de legitimação é quase impossível entendermos a fundamentação teórica e metodológica da cientificidade.

Indo mais além da própria estruturação discursiva de ciências tidas como frágeis em questão de fortalecimento epistemológico por dependerem constantemente de outras ciências para estruturar seus métodos e metodologias, como por exemplo, a geografia, a antropologia, a sociologia, entre outras.

No caso das ciências humanas a carga de sentido e influência ideológica diante de sua fundamentação teórica é muito mais nítido e próximo, assim como nos mostra Michel Foucault (1986) ao analisar sucintamente a maneira como as ciências humanas se tornam frágeis enquanto influenciadas pelas correntes ideológicas que deslegitimam sua própria sustentação de cientificidade.

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Cabe ao próprio cientista e principalmente ao epistemólogo aprofundar os conhecimentos históricos de sua ciência. Sem isto uma proposta de uma filosofia da ciência plausível de justificação para esta ciência é praticamente impossível de ser realizada.

A POSTURA CRÍTICA

O filósofo alemão Jürgen Habermas remanescente da Escola de Frankfurt é um dos principais difusores da crítica à racionalidade científica e do domínio da técnica nos meios acadêmicos. Fiel aos princípios norteadores de seus mestres Habermas resgata sem deixar de relevar alguns pontos uma revalorização do marxismo, assim como o fizeram Marcuse, Horkheimer e Adorno.

Em seu livro Conhecimento e Interesse Habermas traz à tona o questionamento sobre a impossibilidade de se defender a criação e manutenção de uma ciência neutra, alheia à sociedade.

Com um tom muitas vezes cedendo à ironia pessimista com relação ao papel do positivismo na ciência Habermas mostra como ao longo da dissolução da Teoria do Conhecimento houve um contínuo abandono da Questão Epistemológica por parte da Ciência, quando esta se abstém de sua responsabilidade enquanto geradora de seus conceitos e métodos, não deixando este trabalho para os filósofos.

Contra a visão positivista e inerte da ciência vemos o filósofo alemão defender que:

Quem busca examinar o processo de dissolução da teoria do conhecimento, o qual deixa como substituta a teoria da ciência atrás de si, galga os degraus abandonados da reflexão. Trilhar novamente esse caminho, voltado para seu ponto de origem, pode ajudar a recuperar a esquecida experiência da reflexão. Recusar a reflexão, isto é o positivismo. (Habermas pág. 23, 1982 – grifos do autor)

Para fazemos uma junção da proposta de Habermas à uma epistemologia crítica da geografia temos que entender que o primeiro passo para se adotar uma postura crítica perante a cientificidade e a racionalidade científica temos que manter um olhar reflexivo nas propostas positivistas, pois é neste ponto que nasce o cancelamento da reflexão na ciência por parte da ideologia posivista e posteriormente pelo pragmatismo (HABERMAS, 1982).

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Após este primeiro passo cabe ao cientista compreender o seu tempo e o processo histórico de desenvolvimento de sua ciência. Para uma efetivação do discurso crítico é muito importante compreender o método dialético como fundamento para uma crítica à racionalidade científica, seus métodos e produções.

Na atualidade quando procuramos entender como é possível uma posicionamento crítico dentro das ciências humanas principalmente, temos que considerar o nosso tempo em sua totalidade, ou seja, a técnica, a cultura de massas, o cientificismo e o capitalismo como principais beneficiados do desinteresse da ciência em relação à complexidade social (SANTOS, 2009).

Na geografia a corrente crítica possuiu um importante papel de resgate de uma posicionamento calcado na responsabilidade social por parte dos geógrafos e da própria geografia. Tendo como foco de atuação a discussão sobre o papel da técnica como propulsora do pragmatismo na ciência geográfica a Geografia Crítica reage ao movimento de transformação da ciência em tecnologia, do método apenas em técnica e da ciência em recurso de legitimação do sistema econômico vigente.

Por uma epistemologia crítica da geografia

O geógrafo Ruy Moreira defendeu em sua obra Pensar e Ser em Geografia (2008) que o eixo epistemológico da geografia é a relação homem-meio, estruturalmente formada pela combinação das três categorias de análise fenomênica do pensamento geográfico, a saber: o espaço, o território e a paisagem.

Considerando como base para a análise estas três categorias: a paisagem, o espaço o território; teremos então a aplicação dos princípios lógicos na organização dos fenômenos espaciais, configurando as características constitutivas de um dado território e formando por fim os limites da paisagem como ponto de chegada no decurso metodológico proposto por Ruy Moreira, mas de igual modo podendo ser invertida a ordem a ser seguida pelo geógrafo no exercício de dialetizar o movimento entre os dois pólos da epistemologia da geografia o ser humano e a natureza.

Na combinação destas categorias, dos conceitos e dos princípios lógicos da geografia é chegaremos a representação do mundo pela leitura geográfica da sociedade (MOREIRA, 2008). Essa é uma proposta de concepção epistemológica do corpus

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Outra importante contribuição vem do geógrafo Milton Santos que em sua obra levanta aspectos fundamentais para a construção de uma crítica do pensamento geográfico e concomitante da necessidade de um engajamento epistemológico inerente ao desenvolvimento da Geografia enquanto ciência.

No pequeno ensaio Espaço e Método Milton Santos nos apresenta de forma simplificada os principais pontos de partida para um comprometimento do geógrafo enquanto responsável pelo processo de ampliação e aplicação do discurso geográfico e seus métodos.

Trazendo à luz conceitos-categoria – o são por terem um papel de importância que vão alem dos demais conceitos adotados pela geografia por terem o papeis “chaves” em suas ciências de atuação - como Forma, Processo, Estrutura e Função, vemos alguns exemplos de como aprofundarmos não só a epistemologia da geografia mas também de como adicionar a crítica nesta epistemologia.

O principal fator de diferenciação de uma postura crítica em relação à uma posição de desinteresse está justamente em enquadrar a ciência como importante vetor de influência da sociedade como um todo. Este enquadramento está no cerne da postura crítica indo localizar na racionalidade científica a impossibilidade de uma neutralidade e distanciamento dos problemas políticos, econômicos e sociais que afligem a humanidade.

Uma análise da história do pensamento geográfico explicita de forma contundente a forma como a influência da cientificidade cega de um lado e da ideologia de outro podem prejudicar como foi o caso do pensamento positivista todo um processo histórico de amadurecimento não só da geografia mas das ciências humanas como um todo(MOREIRA, 2008).

A inserção da Crítica à geografia ocorreu de forma gradual, tendo como ponto de partida a redescoberta do marxismo pelas ciências humanas a partir da segunda metade do século XX.

Ocorreu também nesta época uma releitura dos principais autores da Escola Crítica de Frankfurt (MOREIRA, 2008), englobando temas como a tomada da técnica como pilar de sustentação do avanço das metodologias e teorias das ciências. Neste ponto uma postura crítica ao neopositivismo, ao estruturalismo e a pseudoneutralidade da ciência encontra o seu campo de atuação de forma efetiva.

Na geografia os principais autores que resgatam não só uma discussão dos conceitos e métodos, mas também da próprio posicionamento da geografia dentro da

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ciência como um todo são Henri Lefebvre, Yves Lacoste, e posteriormente Quaini (num âmbito mais marxista), representantes do movimento pós-moderno como David Harvey e Edward Soja, Tuan, Sauer e Lowenthal (na corrente humanística da geografia), todos pertencentes a este movimento de renovação do discurso geográfico numa postura crítica de seus métodos, produções, conceitos e aplicações (MOREIRA, 2008)4.

Conclusão

Após este breve percurso nos caminhos para se chegar à uma epistemologia crítica da geografia, ficam como principais pontos de discussão a importância de se compreender a história da ciência como um todo e a história de seus sistema de pensamento especifico (como defende Bachelard). Somente com uma visão do processo de desdobramento das mutações e adaptações dos conceitos, métodos e categorias é que conseguimos propor uma filosofia da ciência possível e posteriormente uma epistemologia, neste caso aplicada à ciência em questão.

A Crítica à racionalidade científica é imprescindível enquanto modelo de contradição ao sistema vigente adotado pelos principais representantes institucionais e organizacionais da academia. E isto possui um impacto direto no meio social por legitimar completamente o sistema econômico em franca expansão e suas conseqüências para a sociedade como um todo.

Se o método dialético é a escolha a ser feita para se chegar a uma epistemologia crítica então é necessário não só reler e resgatar os marxistas, mas sim todo o decurso de estruturação da dialética. Desta forma nos protegeremos do risco de ao tentar fazer uma crítica à cegueira positivista criar um olhar que não considere a pluraridade dos saberes e da infinidade de pensamentos e tipos de conhecimento que vão muito além do que a ciência pode contemplar e entender.

4 Em seu livro Para onde vai o pensamento geográfico? O geógrafo Ruy Moreira apresenta de

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Referências Bibliográficas

BACHELARD, G. A formação do espírito cientifico: contribuições para uma psicanálise da ciência. 8ª reimpressão.Trad. Estela dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.

HABERMAS, J. Conhecimento e Interesse. Trad. José N. Heck. Rio de Janeiro: Zahar Editora, 1982.

FOUCAULT. M. A arqueologia do Saber. 2ª Ed. Trad. Luiz Felipe B. Neves. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1986. (Coleção Campo Teórico).

JAPIASSU. H. Introdução ao pensamento epistemológico. 4ª Ed. Rio de Janeiro: Editora Francisco Alves, 1986.

MOREIRA, R. Pensar e ser em geografia: ensaios de história, epistemologia e ontologia do espaço geográfico. São Paulo: Editora Contexto, 2008.

MOREIRA, R. Para onde vai o pensamento geográfico? Por uma epistemologia crítica. São Paulo: Editora Contexto, 2008.

SANTOS. B. S. Um discurso sobre as ciências. 6ªEd. Trad.São Paulo: Cortez, 2009. SANTOS, M. Espaço e Método. São Paulo: Nobel, 1985. (Coleção Espaços)

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