APÊNDICE L
Apêndice L – Resultados da Análise das Redes Sociais Pessoais
Expõe-se, nesta Seção, os resultados que dizem respeito a aspectos das redes sociais pessoais dos respondentes. A extração de resultados é orientada pela interpretação da teoria, não só concernente aos behavior settings (Barker, 1968, 1987), mas também a autores presentes na literatura (ver Revisão da Literatura, p. 10).
A análise de variáveis associadas às redes sociais (Granovetter, 1973; Henning & Lieberg, 1996; Oliver, 1988; Scott, 1998; Vega-Redondo, 2007) no contexto da hipótese de homologia entre settings e redes de settings é, em si mesma, uma abordagem inovadora. Ao incluir no questionário enviado essas variáveis, sete ao todo, buscou-se criar um banco de dados que permitisse o exame de aspectos das redes sociais dos respondentes, a partir de suas declarações. Essas sete variáveis dizem respeito ao número de visitas que os respondentes fazem a seus vizinhos numa escala diária, semanal e mensal; o número de pessoas com quem conversam no espaço público da superquadra, e o número de pessoas que cumprimentam, numa escala de proximidade quanto: (a) à sua Prumada ou área de uso semi-público, interna ao bloco de habitação, que compreende a circulação vertical que dá acesso a um número restrito de apartamento; (b) a outras Prumadas do mesmo bloco; e (c) a outros blocos de sua superquadra.
A partir do Questionário (ver Dados Relacionados às Redes Sociais Pessoais, p. 93), solicitou-se aos sujeitos selecionados informações que deveriam ser dadas numericamente, acerca de:
- Número de moradores vizinhos do bloco ou da superquadra que o respondente visita diariamente (Variável VISITDIA), semanalmente (Variável VISITSEM), e mensalmente (Variável VISITMES);
- Número de vizinhos da superquadra, com os quais o respondente costuma parar para conversar quando anda na superquadra (Variável NCONVERS);
- Número de vizinhos da Prumada do seu bloco (Variável NPCUMPR), de outras Prumadas do bloco (Variável NOPCUMP) e de outros blocos da superquadra (Variável NSQCUMP) que o respondente costuma cumprimentar sempre que os encontra.
É importante compreender que essas sete variáveis englobam três abordagens diferentes das redes sociais que os respondentes teriam com seus vizinhos, segundo seu auto-relato. Uma primeira abordagem é dada pela gradação de contatos formais e prolongados (visitas), em três escalas de tempo: diária, semanal e mensal (variáveis
VISITDIA, VISITSEM, VISITMES). Uma segunda abordagem é dada por uma única pergunta, que diz respeito a contato interpessoal menos prolongado que a visita (conversas: variável NCONVERS); uma terceira abordagem é dada pelas últimas três perguntas, que dizem respeito a um contato interpessoal menos prolongado que a conversa, e com o uso de uma escala de proximidade – ou distanciamento – do setting domiciliar. Essas últimas dizem respeito ao: (a) cumprimento feito entre vizinhos moradores da mesma prumada, (b) cumprimento feito entre vizinhos moradores de outras prumadas do mesmo bloco onde o respondente reside, (c) cumprimento feito entre vizinhos de outros blocos da mesma superquadra onde o respondente reside. Denominam-se, na Tabela Geral exposta no Apêndice G, respectivamente, como variáveis NPCUMPS, NOPCUMP, NSQCUMP. Essas denominações abreviadas serão utilizadas ao longo da análise, sempre que necessário.
Essa base de dados permite estabelecer uma análise elementar acerca das redes sociais pessoais, ou seja, o desenvolvimento de descrições de redes sociais através de auto-relatos (Burt, 1997; Campbell & Lee, 1992; Scott, 1998). Essa análise complementa aspectos fundamentais da pesquisa sobre redes de settings, pois permite colocar em perspectiva as respostas individuais, assim como examinar as amplas correlações feitas entre macro-unidades ecológicas de análise nas escalas abordadas pela presente pesquisa. Isso se aplica ao estudo através de comparações entre superquadras ou a unidade ecológica que limita as redes de settings estudadas. Aplica-se igualmente ao estudo das Asas do Plano Piloto de Brasília, Norte e Sul, como uma das escalas ecológicas mais abrangentes, que a das superquadras isoladas, pois arrola conjuntos de redes de settings em superquadras.
Redes Sociais Pessoais
As médias das freqüências informadas pelos respondentes da Asa Sul com respeito às variáveis de redes sociais pessoais são sistematicamente inferiores às freqüências informadas pelos respondentes da Asa Norte. A única exceção a essa regra diz respeito ao número de pessoas que o respondente diz parar para conversar quando anda na superquadra. Essa pergunta se revela uma pergunta pivô, pois é sutilmente diferente das demais. Os respondentes, em média, mostraram uma compreensão perfeitamente distinta do seqüência das perguntas: (a) três perguntas sobre visitas a vizinhos, (b) uma pergunta sobre conversas com vizinhos, e (c) três perguntas sobre cumprimentos entre vizinhos.
Também é notável que a mesma inversão ocorra na medida de variabilidade (desvio-padrão): a variabilidade das informações fornecidas pelos respondentes da Asa Norte acerca de aspectos suas redes sociais é sistematicamente maior que a mesma variabilidade das respostas dos respondentes da Asa Sul, com a exceção do número de pessoas que o respondente diz parar para conversar quando anda na superquadra. Nas Tabelas L-42, L-43 e L-44 são expostos os desvios padrões e as médias das distribuições das respostas relacionadas a cada uma das variáveis que se referem aos aspectos das redes sociais dos respondentes.
Tabela L-42. Dados gerais redes sociais pessoais Dados Gerais Redes
Sociais Pessoais VISITDIA VISITSEM VISITMES NCONVERS NPCUMPR NOPCUMP NSQCUMP
Válidos 389 389 390 396 340 360 369 NÚMERO DE RESPONDEN TES Omissos 32 32 31 25 81 61 52 Média 0,1722 0,5321 1,1333 5,3965 10,3088 8,9806 7,1924 Desvio Padrão 0,73123 1,57857 2,81159 7,69461 7,97832 11,89519 12,69493
Tabela L-43. Dados redes sociais pessoais – Asa Norte Dados Redes Sociais
Pessoais – Asa Norte VISITDIA VISITSEM VISITMES NCONVERS NPCUMPR NOPCUMP NSQCUMP
Válidos 179 179 180 184 155 166 170 NÚMERO DE RESPONDEN TES – Asa Norte Omissos 14 14 13 9 38 27 23 Média 0,2179 0,6425 1,1278 5,1522 11,5032 10,1747 7,6353 Desvio Padrão 0,74390 1,98749 3,35436 5,86727 9,59868 14,35606 14,35999
Tabela L-44. Dados redes sociais pessoais – Asa Sul Dados Redes Sociais
Pessoais – Asa Sul VISITDIA VISITSEM VISITMES NCONVERS NPCUMPR NOPCUMP NSQCUMP
Válidos 210 210 210 212 185 194 199 NÚMERO DE RESPONDEN TES Asa Sul Omissos 18 18 18 16 43 34 29 Média 0,1333 0,4381 1,1381 5,6085 9,3081 7,9588 6,8141 Desvio Padrão 0,71974 1,11470 2,25312 8,99355 6,16064 9,20455 11,10012
As diferenças entre as médias das distribuições de respostas relativas às variáveis VISITDIA, VISITSEM e VISITMES, do conjunto de respondentes e das díades, com um e dois respondentes, foram analisadas. Essas diferenças não são estatisticamente significativas: estatística de teste-t para a variável VISITDIA: t = 0,5875; gl = 120; p > 0,25; estatística de teste-t para a variável VISITSEM: t = - 0,4808; gl = 121; p > 0,25;
estatística de teste-t para a variável VISITMES: t = 0,3880; gl = 120; p > 0,25. Em média, os respondentes das díades apresentam, nessas variáveis, um padrão de visitação superior à média, com a exceção do resultado obtido na variável VISITSEM, embora sejam resultados pouco significativos.
Procedeu-se à análise das médias das distribuições de respostas relativas à variável NCONVERS. Essas diferenças não são estatisticamente significativas: estatística de teste-t para a variável NCONVERS: t = -0,5575; gl = 122; p > 0,25. Esse resultado é inferior à média, e acompanha as diferenças relacionadas aos cumprimentos entre moradores, embora não seja significativo.
Tabela L-45. Dados das variáveis relacionadas a redes sociais pessoais de díades de sujeitos, com um e dois respondentes. Dados Redes Sociais
Pessoais – Asa Sul VISITDIA VISITSEM VISITMES NCONVERS NPCUMPR NOPCUMP NSQCUMP
Válidos 121 122 121 123 104 111 113
NÚMERO DE RESPONDEN
TES
Asa Sul Omissos 7 6 7 5 24 17 15
Média 0,2231 0,4836 1,2066 5,1382 9,8942 7,7117 6,8407 Desvio Padrão 0,95296 1,11514 2,07733 5,99498 5,63780 9,20117 12,41440
Também foram analisadas as diferenças entre as médias das distribuições de respostas relativas às variáveis NPCUMPR, NOPCUMP e NSQCUMP, do conjunto de respondentes e das díades com um ou dois respondentes, a partir dos dados que são sumarizados na Tabela L-45. Essas diferenças não são estatisticamente significativas: estatística de teste-t para a variável NPCUMPR: t = -0,7499; gl = 120; p > 0,25; estatística de teste-t para a variável NOPCUMP: t = - 0,4808; gl = 110; p > 0,25; estatística de teste-t para a variável NSQCUMP: t = - 0.3012; gl = 112; p > 0,25. Observa-se que as médias dos respondentes das díades nessas variáveis são consistentemente inferiores ao conjunto de respondentes, embora sem significância estatística.
As Tabelas L-46 e L-47 mostram a análise das diferenças entre as médias das variáveis relacionadas às redes sociais pessoais em duas fases: (a) entre as distribuições das respostas das díades de um respondente e o conjunto dos respondentes (Tabela L-46), e: (b) entre as distribuições das respostas das díades de dois respondentes e o conjunto dos respondentes (Tabela L-47).
Tabela L-46. Dados das variáveis relacionadas a redes sociais pessoais de díades de sujeitos com um respondente. Resultados das Díades de
um respondente VISITDIA VISITSEM VISITMES NCONVERS NPCUMPR NOPCUMP NSQCUMP
Válidos 69 69 68 70 60 66 63 NÚMERO DE RESPONDEN TES (em Díades) Omissos 5 5 6 4 14 8 11 Média 0,3188 0,5797 1,4559 5,3286 9,8000 6,9394 6,2222 Desvio Padrão 1,20651 1,18080 2,42151 6,77532 6,15286 8,18982 9,33852 Estatística de teste-t 0,6589 0,6704 0,8489 0,2351 - 0,1186 - 0,7661 - 0,5257 Grau de liberdade 68 68 67 69 59 65 62 Significância estatística p > 0,25 p > 0,25 p > 0,15 p > 0,25 p > 0,25 p > 0,20 p > 0,25
Tabela L-47. Dados das variáveis relacionadas às redes sociais pessoais de díades de sujeitos, com dois respondentes. Resultados das Díades de
dois respondentes VISITDIA VISITSEM VISITMES NCONVERS NPCUMPR NOPCUMP NSQCUMP NÚMERO DE RESPONDEN TES Díades Válidos 52 53 53 53 44 45 50 Omissos 2 1 1 1 10 9 4 Média 0,0962 0,3585 0,8868 4,8868 10,0227 8,8444 7,6200 Desvio Padrão 0,40871 1,02083 1,48920 4,82645 4,91551 10,50531 15,51811 Estatística de teste-t -2,2389 - 0,8922 - 1,5634 - 0,3792 0,1734 0,7233 0,3551 Grau de liberdade 51 52 52 52 43 44 49 Significância estatística p < 0,02* p > 0,15 p > 0,05 p > 0,25 p > 0,25 p > 0,20 p > 0,25
Nota: (*) significativa no nível de 0,05.
Na comparação das médias, observa-se que os grupos de respondentes que pertencem a díades de um respondente ou a díades de dois respondentes não se diferenciam significativamente do conjunto dos respondentes. A exceção se faz na diferença entre a média dos respondentes pertencentes a díades com dois respondentes e a média do conjunto de respondentes quanto às visitas que declararam realizar diariamente a vizinhos, que é estatisticamente significativa (estatística de teste-t para a variável VISITDIA: t = - 2,2389; gl = 51; p < 0,02).
Correlações entre as Variáveis Associadas às Redes Sociais Pessoais
Examinaram-se as correlações que as variáveis associadas às redes sociais mantêm entre si. É compreensível que elas mantenham fortes correlações, dado que todas refletem os padrões de convívio dos respondentes com seus vizinhos. Contudo, percebe-se a
manifestação de padrões consistentes de redução da aderência das correlações da avaliação de visitas diárias com relação às avaliações de visitas semanais e mensais. Como se verifica na Tabela L-48, 91,30% dos respondentes declararam não fazer visitas diárias a seus vizinhos, enquanto os outros 7,20% faziam de uma ou duas visitas diárias a seus vizinhos.
A correlação entre as declarações acerca do número de visitas diárias e o número de visitas semanais é positiva e estatisticamente significativa (r = 0,523, p < 0,01). A correlação entre as declarações acerca do número de visitas diárias e o número de visitas mensais é positiva e estatisticamente significativa (r = 0,372, p < 0,01); há um declínio na variância, de 27,35% para 13,84% nessa direção da freqüência diária de visitas.
Tabela L-48. Correlações entre variáveis associadas às redes sociais pessoais
VISITDIA VISITSEM VISITMES NCONVERS NPCUMPR NOPCUMP NSQCUMP Correlação de Pearson 1 0,523(**) 0,372(**) 0,111(*) 0,158(**) 0,050 0,079 Sig. (bilateral) - 0 0 0,031 0,004 0,357 0,136 VISITDIA N 389 388 386 381 327 347 354 Correlação de Pearson 0,523(**) 1 0,863(**) 0,146(**) 0,142(*) 0,191(**) 0,224(**) Sig. (bilateral) 0,0 - 0 0,004 0,010 0 0 VISITSEM N 388 389 387 382 327 347 354 Correlação de Pearson 0,372(**) 0,863(**) 1 0,175(**) 0,197(**) 0,207(**) 0,223(**) Sig. (bilateral) 0 0 - 0,001 0 0 0 VISITMES N 386 387 390 384 329 349 356 Correlação de Pearson 0,111(*) 0,146(**) 0,175(**) 1 0,212(**) 0,266(**) 0,392(**) Sig. (bilateral) 0,031 0,004 0,001 - 0 0 0 NCONVERS N 381 382 384 396 336 357 366 Correlação de Pearson 0,158(**) 0,142(*) 0,197(**) 0,212(**) 1 0,538(**) 0,317(**) Sig. (bilateral) 0,004 0,010 0 0 - 0 0 NPCUMPR N 327 327 329 336 340 332 326 Correlação de Pearson 0,050 0,191(**) 0,207(**) 0,266(**) 0,538(**) 1 0,651(**) Sig. (bilateral) 0,357 0 0 0 0 - 0 NOPCUMP N 347 347 349 357 332 360 347 Correlação de Pearson 0,079 0,224(**) 0,223(**) 0,392(**) 0,317(**) 0,651(**) 1 Sig. (bilateral) 0,136 0 0 0 0 0 - NSQCUMP N 354 354 356 366 326 347 369
Notas. * A correlação é significativa no nível de p < 0,05, bilateralmente; ** A correlação é significativa no nível de p < 0,01,
A correlação entre as declarações acerca do número de visitas semanais e o número de visitas mensais é positiva e estatisticamente significativa (r = 0,863, p < 0,01). A correlação entre as declarações acerca do número de visitas semanais e diárias e a correlação entre as declarações acerca do número de visitas semanais e mensais mostram um aumento na variância compartilhada, de 27,35% para 74,48% nessa direção da freqüência (semanal) de visitas. O exame das correlações entre as declarações acerca do número de visitas mostra que as declarações acerca das visitas semanais e mensais a vizinhos são boas preditoras das demais variáveis relacionadas a características das redes sociais. Embora essa afirmação mereça outros aprofundamentos, relacionados às linhas de tempo das atividades em amostras de settings residenciais, a aderência dessas correlações sugere um ritmo temporal semanal para as relações entre vizinhos, na amostra de respondentes da pesquisa.
Examinou-se o grupo de respondentes que moram em apartamentos contíguos (díades em que ambos responderam) a partir de correlações expostas na Tabela L-49. Conclui-se que as respostas exibem alguns padrões de relacionamento, como:
- O número de visitas semanais que os respondentes disseram fazer a seus vizinhos (variável VISITSEM) é um bom preditor do número de conversas que disseram ter com os vizinhos que encontram na superquadra; observe-se que para a variância compartilhada nessa mesma correlação entre díades de respondentes é de 45,70% (n = 52), ao passo que a variância compartilhada entre os respondentes, de modo geral, é de 2,13% (n = 382);
- A variância compartilhada ao longo da escala de proximidade entre os vizinhos com relação ao número de vizinhos que cumprimenta (vizinhos da mesma prumada: variável NPCUMPR; vizinhos do mesmo bloco: variável NOPCUMP; vizinhos de superquadra: variável NSQCUMP) cresce com o distanciamento: respectivamente (a) da mesma prumada (15,84%); (b) do mesmo bloco (28,62%); e (c) da superquadra (33,29%). Esse crescendo pode guardar uma indicação sobre a concordância que as pessoas partilham sobre os limites mais distantes de suas redes sociais pessoais no âmbito da rede de settings, no caso das díades. Esse mesmo crescendo é verificado nas correlações entre o número de conversas e as três variáveis que estabelecem a suposta escala de distanciamento, para o conjunto dos respondentes (nesse âmbito, a variância compartilhada é de (a) 4,50%; (b) 7,08%; e (c) 15,37%).
Com o aumento da previsibilidade na relação entre essas variáveis (número de conversas na superquadra e de cumprimentos entre vizinhos num gradiente de distanciamento), o número de razões que ocasionaria a variabilidade – ou a sua imprevisibilidade – diminui. O número de razões para cumprimentar os vizinhos decairia com sua distância física e social desde o centro da rede social pessoal, o setting residencial; essas razões ficariam mais simples, levando a uma maior previsibilidade. O fato de as díades de moradores compartilharem maior variância significa que sua concordância quanto à avaliação de suas redes sociais pessoais é mais elevada que a concordância manifestada pelo conjunto de moradores e pode estar associada à sua posição no espaço físico em que a rede de settings se instala, na vizinhança urbana da superquadra.
Tabela L-49. Correlações entre variáveis associadas às redes sociais pessoais para as díades de respondentes
VISITDIA VISITSEM VISITMES NCONVERS NPCUMPR NOPCUMP NSQCUMP Correlação de Pearson 1 0,273 0,084 0,016 0,158 0,297 0,077 Sig. (bilateral) - 0,050 0,554 0,910 0,316 0,053 0,605 VISITDIA N 52 52 52 51 42 43 48 Correlação de Pearson 0,273 1 0,521(**) 0,674(**) 0,137 0,676(**) 0,487(**) Sig. (bilateral) 0,050 - 0 0 0,380 0 0 VISITSEM N 52 53 53 52 43 44 49 Correlação de Pearson 0,084 0,521(**) 1 0,501(**) 0,150 0,244 0,048 Sig. (bilateral) 0,554 0 - 0 0,338 0,111 0,744 VISITMES N 52 53 53 52 43 44 49 Correlação de Pearson 0,016 0,674(**) 0,501(**) 1 0,398(**) 0,535(**) 0,577(**) Sig. (bilateral) 0,910 0 0 - 0,007 0 0 NCONVERS N 51 52 52 53 44 45 50 Correlação de Pearson 0,158 0,137 0,150 0,398(**) 1 0,292 0,232 Sig. (bilateral) 0,316 0,380 0,338 0,007 - 0,058 0,135 NPCUMPR N 42 43 43 44 44 43 43 Correlação de Pearson 0,297 0,676(**) 0,244 0,535(**) 0,292 1 0,684(**) Sig. (bilateral) 0,053 0 0,111 0 0,058 - 0 NOPCUMP N 43 44 44 45 43 45 45 Correlação de Pearson 0,077 0,487(**) 0,048 0,577(**) 0,232 0,684(**) 1 Sig. (bilateral) 0,605 0 0,744 0 0,135 0 - NSQCUMP N 48 49 49 50 43 45 50
Notas. * A correlação é significativa no nível de p < 0,05, bilateralmente; ** A correlação é significativa no nível de p < 0,01,
Verifica-se um crescendo na variância compartilhada, na medida em que diferentes escalas de tempos (dia, semana, mês) são comparadas com as freqüências de conversas com vizinhos na superquadra relatada pelos respondentes. Respectivamente, as variâncias partilhadas são de (a) 1,23%, (b) 2,13%, e (c) 3,06%. Esse crescendo ou gradiente de variância compartilhada também pode ser verificado nas correlações entre o número de conversas relatadas com vizinhos, e as três situações espaciais (prumada, bloco, superquadra) de contato entre vizinhos. Respectivamente, as variâncias partilhadas são de (a) 4,49%, (b) 7,07%, e (c) 15,36%.
É tentador entrever uma lei nesse aumento da variância partilhada entre medidas comportamentais nas escalas de tempo e de espaço, em redes sociais pessoais. Essa possibilidade parecer ser compatível com a teoria dos behavior settings, embora indique um fenômeno de sinomorfismo que não foi previsto por Barker (1968, 1987) ou Wicker (1987). Contudo, o desenho da presente pesquisa apenas torna possível uma primeira e pouco confiável série de correlações, a ser objeto de estudos, no futuro.
Estudo Correlacional das Variáveis Demográficas e das Variáveis Associadas às Redes Sociais Pessoais
São examinadas, a seguir, as correlações encontradas entre as variáveis associadas às redes de relações sociais pessoais dos respondentes.
Visitas Diárias
Observou-se que 91,3% dos respondentes declararam não fazer visitas diárias a seus vizinhos (n = 389; σ = 0,73). A média de visitas dentre os respondentes é de 0,17. As declarações de visitação nula decrescem com a escala de tempo: a porcentagem de respondentes que declararam não visitar semanalmente os vizinhos é de 77,6%; a porcentagem de respondentes que declararam não visitar mensalmente os vizinhos é de 61,0%; A média de visitas diárias para o conjunto de respondentes é de 0,17 visita. Observa-se que a avaliação do conjunto dos respondentes quanto ao número de visitas que faz aos seus vizinhos dobrou, em média, desde a freqüência diária à freqüência semanal (média de 0,53 para a variável VISITSEM), e desde a freqüência semanal à freqüência mensal (média de 1,13 para a variável VISITMES).
- Constatou-se correlação negativa estatisticamente significativa (r = - 0,107; p < 0,05) entre o número de visitas que os respondentes relataram fazer diariamente a seus vizinhos e a sua formação ou grau de instrução. Isso significa que quanto maior o grau de formação do respondente, mais provavelmente o respondente relatou um número relativamente menor de visitas diárias a vizinhos.
- As freqüências das variáveis VISITDIA, VISITSEM e VISITMES permitem aferir a força do efeito da escala de distanciamento na escala temporal dos contatos relatados entre vizinhos: a porcentagem média de cada classe da contagem (zero visita, uma visita, etc) se reduz com o aumento da escala temporal (dia, semana, mês).
Tabela L-50. Freqüências da Variável VISITDIA para o conjunto de respondentes NÚMERO DE
VISITAS DIÁRIAS Freqüências Porcent. Porcentagem Válida Porcentagem Cumulativa
0 355 84,3 91,3 91,3 1 17 4,0 4,4 95,6 2 11 2,6 2,8 98,5 3 3 0,7 0,8 99,2 5 2 0,5 0,5 99,7 9 1 0,2 0,3 100,0 Não responderam 32 7,6 - - Total 421 100,0 100,0 100,0
Tabela L-51. Freqüências da Variável VISITSEM para o conjunto de respondentes NÚMERO DE
VISITAS SEMANAIS
Freqüências Porcent. Porcentagem
Válida Porcentagem Cumulativa
0 302 71,7 77,6 77,6 1 34 8,1 8,7 86,4 2 33 7,8 8,5 94,9 3 7 1,7 1,8 96,7 4 6 1,4 1,5 98,2 5 3 0,7 0,8 99,0 6 1 0,2 0,3 99,2 10 2 0,5 0,5 99,7 21 1 0,2 0,3 100,0 Não responderam 32 7,6 - - Total 421 100,0 100,0 100,0
Tabela L-52. Freqüências da Variável VISITMES Geral para o conjunto de respondentes
NÚMERO DE VISITAS SEMANAIS
Freqüências Porcent. Porcentagem Válida Porcentagem Cumulativa 0 238 56,5 61,0 61,0 1 61 14,5 15,6 76,7 2 38 9,0 9,7 86,4 3 18 4,3 4,6 91,0 4 13 3,1 3,3 94,4 5 6 1,4 1,5 95,9 6 4 1,0 1,0 96,9 7 3 0,7 0,8 97,7 8 2 0,5 0,5 98,2 10 5 1,2 1,3 99,5 18 1 0,2 0,3 99,7 40,00 1 0,2 0,3 100,0 Não responderam 31 7,4 - - Total 421 100,0 100,0 100,0
A avaliação do número de interações sociais ou visitas no âmbito espaço-temporal da rede de settings feita pelos respondentes tende a aumentar com a escala temporal. Isso é compreensível, na medida em que a probabilidade desses contatos aumenta, e os respondentes demonstram perceber que é cumulativa. Quanto maior o período de tempo, maior a expectativa de que a interação social (visita) entre vizinhos ocorra.
Examina-se a variância dessas três variáveis (VISITDIA, VISITSEM, VISITMES) através de ANOVA em que foram desenhadas comparações nas quais cada uma dessas variáveis aparecia como variável dependente e as outras duas como variáveis independentes. Ao operar essas inversões pode-se apreciar a consistência das relações de variância entre elas.
Ao comparar os resultados expostos nas Tabelas L-53, L-54, e L-55, observa-se que as variáveis VISITSEM e VISITMES compartilhavam mais variância entre si que com a variável VISITDIA: quando a variável VISITSEM é “dependente”, o valor-F é da média da variável VISITMES é f = 168,541; quando a variável VISITMES é “dependente”, o valor-F da média da variável VISITSEM é f = 123,047. Esses são os maiores valores da distribuição F na análise de variância realizada. Por outro lado, a variável VISITDIA quando é “dependente” exibe os menores valores-F (f = 78,117, e f = 43,650, para as variáveis VISITSEM e VISITMES, respectivamente).
Isso indica que a variável VISITDIA tem um comportamento bem distinto. Os respondentes consideraram um conjunto de fatores, ao indicarem um número de visitas diárias, bem diferente daquele que consideraram em suas afirmações sobre os números de visitas semanais e mensais, nas superquadras examinadas.
Tabela L-53. ANOVA das variáveis VISITMES e VISITSEM
Soma de
quadrados liberdade Grau de Média dos quadrados F Sig.
Entre Grupos 485,710 5 97,142 78,117 zero
Interna aos Grupos 475,033 382 1,244 Visitsem
Total 960,742 387
Entre Grupos 1105,752 5 221,150 43,650 Zero Interna aos Grupos 1925,233 380 5,066
Visitmes
Total 3030,984 385
Notas. ‘a’ Preditores (constantes): VISITMES, VISITSEM; ‘b’ Variável dependente: VISITDIA
Tabela L-54. ANOVA das variáveis VISITMES e VISITDIA
Soma de
quadrados liberdade Grau de Média dos quadrados F Sig.
Entre Grupos 80,105 8 10,013 29,960 Zero
Interna aos Grupos 126,668 379 ,334 Visitdia
Total 206,773 387
Entre Grupos 2394,302 8 299,288 168,541 Zero Interna aos Grupos 671,238 378 1,776
Visitmes
Total 3065,540 386
Notas. ‘a’ Preditores (constantes): VISITDIA, VISITMES; ‘b’ Variável dependente: VISITSEM
Tabela L-55. ANOVA das variáveis VISITDIA e VISITSEM
Soma de
quadrados liberdade Grau de Média dos quadrados F Sig. Entre Grupos 747,435 11 67,949 123,047 Zero Interna aos Grupos 207,082 375 ,552
Visitsem
Total 954,517 386
Entre Grupos 40,123 11 3,648 8,602 Zero
Interna aos Grupos 158,594 374 ,424 Visitdia
Total 198,718 385
Visitas Semanais a Vizinhos
Observou-se que 77,6% dos respondentes (n = 389; σ = 1,58) declararam fazer zero visita por semana a seus vizinhos. A média de visitas dentre os respondentes foi de 0,53. Examinaram-se as correlações da Variável VISITSEM com as demais variáveis das redes sociais pessoais:
- Constatou-se correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,102; p < 0,05) entre o número de visitas que os respondentes relataram fazer semanalmente a seus vizinhos (variável VISITSEM) e o seu respectivo tempo de habitação na superquadra (variável CLASSQUADRA).
- Portanto, não se observa, com essa exceção, uma correlação tão significativa entre o número de visitas diárias, semanais ou mensais e as variáveis relacionadas aos tempos de habitação (no apartamento, variável CLASSAPTO; na quadra, variável CLASSQUADRA; no Distrito Federal, variável CLASSDF).
- Por outro lado, a variável CLASSAPTO apresenta significativa correlação com o número de visitas mensais (r = 0,125; p < 0,05) e com o número de pessoas com que os respondentes disseram conversar (r = 0,186; p < 0,01).
Essas correlações sugerem que o conjunto dos respondentes apresenta uma avaliação de seus contatos sociais com moradores significativamente relacionada com seu tempo de contato com a rede de settings – pois essa é a escala sinomórfica da superquadra, que é a unidade ecológica das redes de settings estudadas – e com escalas temporais associadas ao ritmo semanal e ao ritmo mensal. Essa correlação parece ser ainda mais interessante quando são examinadas as médias dos anos de habitação relatados pelos respondentes (a) em seus atuais apartamentos; e (b) na atual superquadra. A diferença entre essas médias não é significativa. A média do tempo, em anos, de habitação na atual superquadra é superior ao tempo de habitação no atual apartamento, e sua distribuição mostra uma correlação positiva, que aumenta com o tempo: o número de visitas auto-relatadas aumenta com o tempo de vida na superquadra de forma mais significativa que as correlações obtidas com a estrutura organizacional formada por prefeituras comunitárias, Condomínios e domicílios.
Visitas Mensais
Observou-se que 61,0% dos participantes (n = 390; σ = 2,81) responderam fazer zero visita por semana a seus vizinhos. A média de visitas dentre os respondentes é de 1,13. Examinaram-se as correlações da Variável VISITMES com as demais variáveis das redes sociais pessoais:
- Constatou-se correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,372; p < 0,01) entre o número de visitas que os respondentes relataram fazer mensalmente a seus vizinhos (variável VISITMES) e o número de visitas que os respondentes relataram fazer diariamente a seus vizinhos (variável VISITDIA);
- Constatou-se correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,863; p < 0,01) entre o número de visitas que os respondentes relataram fazer mensalmente a seus vizinhos (variável VISITMES) e o número de visitas que os respondentes relataram fazer semanalmente a seus vizinhos (variável VISITSEM);
- Constatou-se correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,175; p < 0,01) entre o número de visitas que os respondentes relataram fazer mensalmente a seus vizinhos (variável VISITMES) e o número de vizinhos com os quais os respondentes disseram conversar quando andam na superquadra (variável NCOVERS);
- Constatou-se correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,197; p < 0,01) entre o número de visitas que os respondentes relataram fazer mensalmente a seus vizinhos (variável VISITMES) o número de pessoas que moram em sua prumada que os respondentes relataram cumprimentar (variável NPCUMPR); - Constatou-se correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,207; p < 0,01) entre o número de visitas que os respondentes relataram fazer mensalmente a seus vizinhos (variável VISITMES) o número de pessoas que moram nas outras prumadas do bloco em moram os respondentes, às quais relataram cumprimentar (variável NOPCUMP);
- Constatou-se correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,223; p < 0,01) entre o número de visitas que os respondentes relataram fazer mensalmente a seus vizinhos (variável VISITMES) o número de pessoas que moram nas outras prumadas do bloco em moram os respondentes, às quais relataram cumprimentar (variável NSQCUMP).
Número de Pessoas com quem o Participante Conversa quando Anda na Superquadra
Os respondentes declararam que conversavam com uma média de 5,40 pessoas (n = 396; σ = 7,69) quando percorriam informalmente a superquadra. Apenas 17,20% dos respondentes relataram não conversar com ninguém nessa situação (n = 396). Examinaram-se as correlações da Variável NCONVERS com as demais variáveis das redes sociais pessoais:
- Constatou-se correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,141; p < 0,01) entre o número de pessoas com que os declarantes relataram conversar na superquadra (variável NCONVERS) e a idade dos respondentes (variável IDADE). Ou seja, quanto maior a idade do respondente mais provavelmente o respondente relatou um maior número de pessoas com as quais conversa ao andar na superquadra. Inversamente, isso parece implicar que quanto menor a idade do respondente, menor o número relatado de pessoas com quem um participante de
setting residencial, em média, conversa na superquadra, embora essa direção não
possa ser comprovada a partir dos dados obtidos. Deve-se considerar que o universo de respondentes tem idade média de 50,50 anos (homens e mulheres), e que apenas 3% dos respondentes têm menos de 25 anos. São os líderes dos settings, seus responsáveis, os respondentes.
- Constatou-se correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,141; p < 0,01) entre o número de vizinhos com que os declarantes relataram conversar na superquadra (variável NCONVERS) e o número de moradores do seu setting residencial (variável NMORADOR). Ou seja, quanto maior o número de moradores no domicílio do respondente, mais provavelmente esse respondente relatou um maior número de pessoas com as quais conversa ao andar na superquadra.
- Constatou-se correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,174; p < 0,01) entre o número de vizinhos com que os declarantes relataram conversar na superquadra (variável NCONVERS) e o número de anos em que o respondente habita seu setting residencial (variável ANOSAPTO). Ou seja, quanto maior o número de anos de habitação no domicílio, mais provavelmente esse respondente relatou um maior número de pessoas com as quais conversa ao andar na superquadra.
- Constatou-se correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,194; p < 0,01) entre o número de vizinhos com que os declarantes relataram conversar na superquadra (variável NCONVERS) e o número de anos em que o respondente habita na superquadra (variável ANOSSPQ). Ou seja, quanto maior o número de anos de habitação na superquadra, mais provavelmente esse respondente relatou um maior número de pessoas com as quais conversa ao andar na superquadra.
- Constatou-se correlação negativa estatisticamente significativa (r = - 0,138; p < 0,01) entre o número de vizinhos com que os declarantes relataram conversar na superquadra (variável NCONVERS) e o nível de sua formação (variável FORMAÇÃO). Ou seja, quanto mais elevado o nível de formação do respondente mais provavelmente esse respondente relatou um menor número de pessoas com as quais conversa ao andar na superquadra.
Análise de Proporções de Respondentes: Número de Conversas Informais na Superquadra versus Estado Civil
Compararam-se as proporções em que os três tipos de estado civil considerados na pesquisa (casado, solteiro, outro) ocorrem no conjunto da amostra de sujeitos respondentes e as proporções desses tipos em cada grupo de respondentes que relataram conversar com (a) zero vizinho, (b) um a cinco vizinhos, (c) seis a dez vizinhos, (d) mais de dez vizinhos, quando passeia na superquadra (Tabela L-56), e observa-se que:
- A proporção de respondentes casados que declararam não conversar com vizinhos quando passeia na superquadra (NCONVERS = 0) é positiva e estatisticamente significativa (z = 1,75; p = 0,0401); os respondentes casados apresentam, nas demais faixas de freqüência de conversa, uma participação proporcional ligeiramente inferior à sua proporção na população de respondentes; - A proporção de respondentes em outra situação civil que declararam não conversar com vizinhos quando passeia na superquadra (NCONVERS = 0) é negativa e estatisticamente significativa (z = - 2,27; p = 0,0116), ou seja, há uma proporção menor de respondentes em situação civil distinta das de casado ou de solteiro que a proporção dessa categoria na população de respondentes que declararam não conversar informalmente com vizinhos;
- A proporção de respondentes em outra situação civil que declararam conversar com um número de seis a dez vizinhos quando passeia na superquadra (6
≤ NCONVERS ≤ 10) é positiva e estatisticamente significativa (z = 2,24; p = 0,0125). Há uma proporção maior de respondentes em situação civil distinta das de casado ou de solteiro que a proporção dessa categoria na população de respondentes que declararam conversar informalmente com um número de vizinhos de seis a dez; os respondentes em outra condição civil apresentaram proporções de participação nas classes de freqüências de conversas informais mais assemelhadas às do grupo de respondentes solteiros que às do grupo de casados;
- A proporção de respondentes solteiros que declararam conversar com mais de dez vizinhos quando passeia na superquadra (10 ≤ NCONVERS) é negativa e estatisticamente significativa (z = - 2,11; p = 0,0174);
- As demais proporções relacionadas às freqüências relatadas do número de vizinhos com quem os respondentes mantêm conversas informais no espaço público da superquadra, em combinação com os tipos de estado civil dos respondentes, não se distinguem de suas respectivas proporções na população de respondentes. A Tabela L-56 expõe as freqüências que fundamentaram essa análise.
-
Tabela L-56. Freqüências da variável NCONVERS tabulada com a variável ESTCIVIL Número de vizinhos com que conversa na SQ casado solteiro Outro
NCONVERS = 0 34 (50,0%) 8 (11,8%) 26 (38,2%) 1 ≤ NCONVERS ≤ 5 133 (62,7%) 35 (16,5%) 44 (20,8%) 6 ≤ NCONVERS ≤ 10 28 (71,8%) 6 (15,4%) 5 (12,8%)
10 ≤ NCONVERS 49 (65,3%) 6 (8,0%) 20 (26,7%)
Análise de Proporções de Respondentes: Número de Conversas Informais na Superquadra versus Idade.
Compararam-se as proporções em que oito classes de idade (10-19, 20-29, 30-39, 40-49, 50-59, 60-69, 70-79, e 80-89 anos) consideradas na pesquisa ocorrem no conjunto da amostra de respondentes e as proporções dessas classes em cada grupo de respondentes que relataram conversar com (a) zero vizinho, (b) um a cinco vizinhos, (c) seis a dez vizinhos, (d) mais de dez vizinhos, quando passeia na superquadra (Tabela L-57), e observa-se que:
- As proporções de respondentes das classes etárias de 60-69 anos (classe 6) e de 70-79 (classe 7) e que declararam não conversar informalmente com seus
vizinhos de superquadra são negativas e estatisticamente significativas (respectivamente: z = - 21,69; p< 0,01; z = - 8,54; p < 0,01); ou seja, o número de respondentes com mais de 60 anos de idade que relataram não conversar informalmente com seus vizinhos é significativamente inferior ao esperado a partir de sua proporção no grupo geral de respondentes;
- A proporção de respondentes da classe etária de 40-49 anos (classe 4) que declararam ter mais de cinco e menos de dez vizinhos com os quais conversavam informalmente na superquadra é positiva e estatisticamente significativa (z = 2,93; p = 0,0017); ou seja, o número de respondentes na classe etária citada está mais representado, no grupo que relatou ter entre cinco e dez vizinhos de superquadra com os quais conversa informalmente no espaço público, do que o esperado de sua proporção no grupo geral de respondentes;
- As demais proporções relacionadas às freqüências relatadas de conversas informais no espaço público da superquadra, em combinação com as classes de idade dos respondentes, não se distinguem de suas respectivas proporções no grupo de respondentes.
Tabela L-57. Freqüências da variável NCONVERS tabulada com a variável CLASSIDADE
Faixas Etárias (anos) 10-19 20-29 30-39 40-49 50-59 60-69 70-79 80-89
NCONVERS = 0 2 2 16 22 14 6 4 -
1 ≤ NCONVERS ≤ 5 - 15 36 69 40 28 16 3
6 ≤ NCONVERS ≤ 10 - 1 6 5 11 10 5 1
10 ≤ NCONVERS - 2 9 17 21 13 10 3
Tabela L-58. Proporções da variável NCONVERS tabulada com a variável CLASSIDADE
Faixa Etária (anos) 10-19 20-29 30-39 40-49 50-59 60-69 70-79 80-89 NCONVERS = 0 3,0% 3,0% 24,2% 33,3% 21,2% 9,1% 6,1%
1 ≤ NCONVERS ≤ 5 7,2% 17,4% 33,3% 19,3% 13,5% 7,7% 1,4% 6 ≤ NCONVERS ≤ 10 2,6% 15,4% 12,8% 28,2% 25,6% 12,8% 2,6% 10 ≤ NCONVERS 2,7% 12,0% 22,7% 28,0% 17,3% 13,3% 4,0%
Classes Etárias (Geral) 2 20 68 115 90 59 39 10
Classes Etárias (Geral) ,5% 5,0% 16,9% 28,5% 22,3% 14,6% 9,7% 2,5%
Notas. Faixa Etária 1: 10 a 19 anos; Faixa Etária 2: 20 a 29 anos; Faixa Etária 3: 30 a 39 anos; Faixa Etária 4: 40 a 49 anos;
Análise de Proporções de Respondentes: Número de Conversas Informais na Superquadra versus Sexo
Compararam-se as proporções em que as duas categorias de sexo (masculino / feminino) consideradas na pesquisa ocorrem no conjunto da amostra de sujeitos respondentes e as proporções dessas classes em cada grupo de respondentes que relataram conversar com (a) zero vizinho, (b) um a cinco vizinhos, (c) seis a dez vizinhos, (d) mais de dez vizinhos, quando passeia na superquadra (Tabela L-59), e observa-se que:
- Não há diferença significativa entre as proporções das categorias de respondentes por sexo e seus relatos de número de vizinhos com quem conversava informalmente no espaço público da superquadra; há uma presumida exceção de uma diferença pouco significativa entre homens e mulheres, quando relataram números de vizinhos superiores a dez. Nesse grupo, têm-se valores-z para as proporções de homens e mulheres de, respectivamente: z = 1,62; p = 0,0526; z = -1,62; p = 0,0526. Essa diferença é compreendida no intervalo de confiança de 45,4% ± 9% para os respondentes do sexo masculino. Ou seja, apesar de pouco significativa, a proporção de respondentes do sexo masculino que relatou um número superior a dez vizinhos com quem conversa informalmente no espaço público da superquadra é superior à sua participação no grupo de respondentes.
Tabela L-59. Freqüências e Proporções da variável NCONVERS tabulada com a variável SEXO – contagens, percentuais e totais
Número de pessoas com que o respondente declarou conversar no
espaço público da superquadra Masculino Feminino
Zero 30 (44,1%) 38 (55,9%)
5 93 (43,7%) 120 (56,3%)
6 16 (41,0%) 23 (59,0%)
10 41 (54,7%) 34 (45,3%)
Número de Vizinhos de Prumada que Cumprimenta sempre que os Encontra
Os respondentes declararam que cumprimentam uma média de 10,31 vizinhos (n = 340; σ = 7,98) que moram na mesma prumada. Apenas 1,20% dos respondentes relataram não conversar com ninguém nessa situação. Constatou-se:
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,158; p < 0,01) entre o número de vizinhos de prumada que os declarantes relataram cumprimentar (variável NPCUMPR) e o número de visitas diárias que relataram fazer a vizinhos (variável VISITDIA).
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,142; p < 0,05) entre o número de vizinhos de prumada que os declarantes relataram cumprimentar (variável NPCUMPR) e o número de visitas semanais que relataram fazer a vizinhos (variável VISITSEM).
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,197; p < 0,01) entre o número de vizinhos de prumada que os declarantes relataram cumprimentar (variável NPCUMPR) e o número de visitas mensais que relataram fazer a vizinhos (variável VISITMES).
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,212; p < 0,01) entre o número de vizinhos de prumada que os declarantes relataram cumprimentar (variável NPCUMPR) e o número relatado de vizinhos com quem conversavam informalmente nos espaços públicos da superquadra (variável NCONVERS).
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,538; p < 0,01) entre o número de vizinhos de prumada que os declarantes relataram cumprimentar (variável NPCUMPR) e o número de vizinhos de outras prumadas do mesmo bloco que relataram cumprimentar (variável NOPCUMP).
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,317; p < 0,01) entre o número de vizinhos de prumada que os declarantes relataram cumprimentar (variável NPCUMPR) e o número de vizinhos de outros blocos da superquadra que relataram cumprimentar (variável NSQCUMP).
A variável NPCUMPR (número de vizinhos de prumada que os declarantes relataram cumprimentar) diz respeito à escala de maior proximidade física entre os settings domiciliares (vizinhos de prumada). Essa escala é ampliada com as variáveis NOPCUMP (número de vizinhos de outras prumadas do mesmo bloco que relataram cumprimentar) e NSQCUMP (número de vizinhos de outros blocos da superquadra que relataram cumprimentar).
A análise de variância dessas três variáveis mostra uma estreita associação entre suas variâncias, com uma gradação de partilha de variância que pode ser expressa através das seguintes razões do valor-F: (a) entre NPCUMPR e NOPCUMPR, em 11,039 / 8,373 (quando NPCUMPR é “dependente” na análise); e (b) entre NPCUMPR e NSQCUMP, em
6,183 / 4,114 (quando NPCUMPR é “dependente” na análise). Essas razões são deduzidas das Tabelas L-60, L-61 e L-62. Essa gradação pode indicar que o número de fatores de decisão que está por trás da avaliação que os respondentes fazem quanto ao número de pessoas que cumprimentam se reduz com a escala física. Quanto mais abrangente a escala ecológica, mais simples e mais partilhadas seriam as razões para cumprimentar as demais pessoas habitantes da superquadra.
Tabela L-60. ANOVA das variáveis NOPCUMP e NSQCUMP
Soma de quadrados Grau de liberdade Média dos quadrados F Sig.
Nopcump Entre Grupos 21114,050 29 728,071 11,039 zero Interna aos Grupos 19919,067 302 65,957
Total 41033,117 331
Nsqcump Entre Grupos 18223,616 29 628,401 6,183 zero Interna aos Grupos 30085,221 296 101,639
Total 48308,837 325
Notas. ‘a’ Preditores (constantes): NOPCUMP, NSQCUMP; ‘b’ Variável dependente: NPCUMPR
Tabela L-61. ANOVA das variáveis NPCUMPR e NSQCUMP
Soma de
quadrados liberdade Grau de Média dos quadrados F Sig. Nsqcump Entre Grupos 32870,450 24 1369,602 17,258 zero
Interna aos Grupos 25553,803 322 79,360
Total 58424,254 346
Npcumpr Entre Grupos 8422,878 24 350,953 8,373 zero Interna aos Grupos 12868,529 307 41,917
Total 21291,407 331
Notas. ‘a Preditores: (constantes): NPCUMPR, NSQCUMP; ‘b’ Variável dependente: NOPCUMP
Tabela L-62. ANOVA das variáveis NOPCUMP e NPCUMPR
Soma de quadrados Grau de liberdade Média dos quadrados F Sig.
Npcumpr Entre Grupos 5342,280 25 213,691 4,114 zero Interna aos Grupos 15583,858 300 51,946
Total 20926,138 325 Soma de quadrados Grau de liberdade Média dos quadrados F Sig. Nopcump Entre Grupos 22110,527 25 884,421 14,993 zero
Interna aos Grupos 18935,444 321 58,989
Total 41045,971 346
Contudo, é notável que os maiores valores da função de probabilidade F estejam nos resultados da análise de variância empreendida entre as variáveis NOPCUMP e NSQCUMP: valores esses respectivamente referentes às escalas do bloco de habitação e das superquadras. Essa razão é de 17,288 / 14,993 (quando NOPCUMP é “dependente” na análise). Esses valores mais elevados mostram que há uma significativa diferença entre suas médias, com um efeito relativamente poderoso, no âmbito dessas variáveis.
Infere-se daí que devem existir escalas ecológicas intermediárias a serem consideradas nos desenhos de pesquisa sobre vizinhanças urbanas em superquadras do Plano Piloto de Brasília. Entre a escala do bloco de habitação e a escala da totalidade da superquadra, é provável que haja sub-agrupamentos de blocos e outros espaços intersticiais ou enclaves, em arranjos que não foram considerados em nosso desenho original de pesquisa.
Número de Vizinhos de Outras Prumadas do Mesmo Bloco que o Respondente Cumprimenta sempre que os Encontra
Os respondentes declararam que cumprimentam uma média de 8,98 vizinhos (n = 360; σ = 11,89) que moram em outras prumadas do mesmo bloco de habitação. Um percentual de 13,60% dos respondentes relatou não conversar com ninguém nessa situação. Da análise dessa variável, constatou-se:
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,191; p < 0,01) entre o número de vizinhos de outras prumadas do mesmo bloco que os declarantes relataram cumprimentar (variável NOPCUMP) e o número de visitas semanais que relataram fazer a vizinhos (variável VISITSEM).
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,207; p < 0,01) entre o número de vizinhos de outras prumadas do mesmo bloco que os declarantes relataram cumprimentar (variável NOPCUMP) e o número de visitas mensais que relataram fazer a vizinhos (variável VISITMES).
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,266; p < 0,01) entre o número de vizinhos de outras prumadas do mesmo bloco que os declarantes relataram cumprimentar (variável NOPCUMP) e o número relatado de vizinhos com quem conversavam informalmente nos espaços públicos da superquadra (variável NCONVERS).
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,538; p < 0,01) entre o número de vizinhos de outras prumadas do mesmo bloco que os declarantes relataram cumprimentar (variável NOPCUMP) e o número de vizinhos da mesma prumada de habitação do respondente que relatou cumprimentar (variável NPCUMP).
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,651; p < 0,01) entre o número de vizinhos de outras prumadas do mesmo bloco que os declarantes relataram cumprimentar (variável NOPCUMP) e o número de vizinhos de outros blocos da superquadra que relataram cumprimentar (variável NSQCUMP).
Número de Vizinhos de Outros Blocos da Superquadra que Cumprimenta sempre que os Encontra
Os respondentes declararam que cumprimentam uma média de 7,19 vizinhos (n = 369; σ = 12,69) que moram em outros blocos de sua superquadra. Um percentual de 13,60% dos respondentes relatou não conversar com ninguém nessa situação. Da análise dessa variável, constatou-se:
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,224; p < 0,01) entre o número de vizinhos moradores de outros blocos de sua superquadra que os declarantes relataram cumprimentar (variável NSQCUMP) e o número de visitas semanais que relataram fazer a vizinhos (variável VISITSEM).
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,223; p < 0,01) entre o número de vizinhos moradores de outros blocos de sua superquadra que os declarantes relataram cumprimentar (variável NSQCUMP) e o número de visitas mensais que relataram fazer a vizinhos (variável VISITMES).
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,392; p < 0,01) entre o número de vizinhos moradores de outros blocos de sua superquadra que os declarantes relataram cumprimentar (variável NSQCUMP) e o número relatado de vizinhos com quem conversavam informalmente nos espaços públicos da superquadra (variável NCONVERS).
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,538; p < 0,01) entre o número de vizinhos moradores de outros blocos de sua superquadra que os declarantes relataram cumprimentar (variável NSQCUMP) e o número de vizinhos
da mesma prumada de habitação do respondente que relataram cumprimentar (variável NPCUMP).
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,651; p < 0,01) entre o número de vizinhos moradores de outros blocos de sua superquadra que os declarantes relataram cumprimentar (variável NSQCUMP) e o número de vizinhos de outras prumadas do mesmo bloco de habitação que relataram cumprimentar (variável NOPCUMP).
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,122; p < 0,01) entre o número de vizinhos moradores de outros blocos de sua superquadra que os declarantes relataram cumprimentar (variável NSQCUMP) e o status de moradia no apartamento (se próprio, alugado, funcional, ou em outra situação - variável MORADIA).
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,115; p < 0,05) entre o número de vizinhos moradores de outros blocos de sua superquadra que os declarantes relataram cumprimentar (variável NSQCUMP) e o número de moradores no seu domicílio (variável NMORADOR).
- Correlação negativa estatisticamente significativa (r = - 0,119; p < 0,05) entre o número de vizinhos moradores de outros blocos de sua superquadra que os declarantes relataram cumprimentar (variável NSQCUMP) e o sexo do respondente (variável SEXO).
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,112; p < 0,05) entre o número de vizinhos moradores de outros blocos de sua superquadra que os declarantes relataram cumprimentar (variável NSQCUMP) e o número de anos que o respondente declarou morar no atual apartamento (variável ANOSAPTO).
- Correlação positiva estatisticamente significativa (r = 0,151; p < 0,01) entre o número de vizinhos moradores de outros blocos de sua superquadra que os declarantes relataram cumprimentar (variável NSQCUMP) e o número de anos que o respondente declarou morar no atual apartamento (variável ANOSSPQ).
Estudo das Diferenças entre as Médias de Respostas às Variáveis de Redes Sociais Pessoais por Superquadras
Examinaram-se as diferenças entre as médias de respostas para o conjunto das variáveis relacionadas a redes sociais pessoais (Variáveis VISITDIA, VISITSEM,
VISITMES, NCONVERS, NPCUMPR, NOPCUMP, e NSQCUMP), tanto para cada superquadra como para o conjunto dos respondentes, como exposto na Tabela L-45. Esses resultados são mostrados no Apêndice H. Esse estudo nos leva ao exame das redes locais de settings das respectivas superquadras, de forma a diferenciá-las em grupos que (a) definem a média das medidas gerais relacionadas às redes sociais pessoais dos respondentes, e (b) grupos que se afastam significativamente de determinadas medidas gerais relacionadas às redes sociais pessoais dos respondentes. Apesar de ser um caminho promissor de análise dos “casos” de cada superquadra, apenas um tipo de resultado vai nos interessar, no âmbito do presente trabalho: a variância que ocorre entre as superquadras, com relação a essa análise das médias. Esse é um caminho que permite sintetizar pelo menos uma macro-característica das redes de relações sociais no âmbito das 28 superquadras analisadas: a avaliação dos contatos sociais no gradiente físico (do setting residencial, da prumada, do bloco, até a extensão total da superquadra) e no gradiente temporal (dos contatos diários, semanais e mensais), feita pelos respondentes. Quando alinhamos essas dimensões das relações inter-pessoais no tempo e no espaço, obtemos uma primeira aproximação de uma forma de sinomorfismo fundamental para a homologia entre
settings e redes de settings: a sua extensão, expressa como a avaliação dos limites da rede
de settings, feita a partir das declarações de seus ocupantes.
Análise da Variância das Variáveis Relacionadas às Redes Sociais Pessoais
A Tabela L-63 expõe um diagrama do tipo “caule e folhas”, com as listagens das superquadras por variável associada às Redes Sociais Pessoais. Cada superquadra é listada na medida em que suas médias na respectiva variável são significativamente distintas da média geral dos respondentes. Essa Tabela foi feita a partir dos dados da Tabela L-63, utilizando-se apenas os resultados estatisticamente significativos.
Essa representação dos dados permite ver que a variabilidade das respostas aumenta com a escala espaço-temporal. Na medida em que os prazos a serem avaliados pelos respondentes acerca da freqüência de suas visitas a vizinhos (diária, semanal, mensal) aumentam, a variabilidade também aumenta. Assim, tem-se uma fácil apresentação da gradação da escala temporal em termos do aumento de sua variabilidade, medida pelo número crescente de superquadras que apresentam médias significativamente distantes da média do conjunto de respondentes.
Tabela L-63. Diagrama de distribuição de valores-T de Student estatisticamente significativos, com relação às médias das variáveis relacionadas às redes sociais pessoais, por superquadra
Variável VISITDIA VISITSEM VISITMES NCONVERS NPCUMPR NOPCUMP NSQCUMP Superquadras com médias significativamente distanciadas da média do conjunto dos respondentes (ver os resultados da Tabela L-63) -SQN315 -SQN304 -SQN311 -SQS309 -SQS316 -SQN311 -SQN316 -SQS304 -SQS311 -SQS314 -SQN303 -SQN309 -SQS313 -SQN303 -SQN311 -SQS303 +SQS307 -SQS310 -SQS313 -SQN307 -SQN309 -SQN311 +SQN313 +SQN316 -SQS303 -SQS305 -SQS309 -SQS313 -SQS314 +SQS315 +SQN306 -SQN307 -SQN309 -SQN311 -SQN314 -SQS302 -SQS303 -SQS309 -SQS311 -SQS313 +SQS315
Nota: os sinais de “mais” (-) e “menos” (+) indicam se a diferença entre as médias de cada superquadra, numa
determinada variável relacionada a redes sociais pessoais, e a média do conjunto de respondentes na mesma variável, é estatisticamente significativa e localizada, respectivamente, na lateral “inferior” ou na lateral “superior” da distribuição T de probabilidades.
Um fenômeno semelhante ocorre com as variáveis associadas à escala de abrangência física, conforme consideradas no desenho original da pesquisa sobre as redes de settings. Na medida em que as referências tomadas aos settings domiciliares se referem a localidades mais abrangentes (a própria Prumada do bloco de habitação do respondente, as demais Prumadas do bloco de habitação do respondente, o conjunto de blocos e o espaço público da superquadra), a variabilidade aumenta. Assim, também, tem-se uma fácil apresentação da gradação da escala física de organização da rede de settings em termos do aumento de sua variabilidade, medida pelo número crescente de superquadras que apresentam médias significativamente distantes da média do conjunto de respondentes.
A Tabela L-63 sugere uma etapa de análise dos diferentes fatores envolvidos nesses padrões de variação ao longo das escalas espaço-temporais das redes de settings domiciliares em vizinhanças urbanas como as superquadras. Essa etapa pode considerar as dimensões espaço-temporais a serem especificamente consideradas em novos desenhos de pesquisas envolvendo a hipótese da homologia entre settings e redes de settings.
Na Tabela L-64 apresenta-se a distribuição das superquadras cujas médias nas variáveis relacionadas às redes sociais pessoais são significativamente distanciadas das médias do conjunto dos respondentes, separados por nível de significância estatística.
A situação das superquadras sem prefeitura comunitária (SQN 308, SQN 311, SQS 311, SQS 312, SQS 313), pode ser sumariamente apreciada. As SQN 308 e SQS 312 não surgem entre as superquadras do grupo estatisticamente significativo no teste T de Student realizado, de resultados expostos no Apêndice H. A ausência da SQS 312 é intrigante, pois essa superquadra é conspícuo outlier na distribuição de respondentes por superquadra, com a mais elevada taxa de respostas da pesquisa. A relevância da presença das demais
superquadras sem prefeitura comunitária deve ser examinada para cada variável relacionada às redes sociais pessoais.
Tabela L-64. Diagrama de distribuição de valores-T de Student estatisticamente significativos, com relação às médias das variáveis relacionadas às redes sociais pessoais, por superquadra e por grau de significância estatística
VISITDIA VISITSEM VISITMES NCONVERS NPCUMPR NOPCUMP NSQCUMP
SIG. (P < 0,01) ; LAT ESQ. SQN315 SQN304 SQS316 SQN311 ☼ SQN316 SQS314 SQN309 SQS313☼ SQN 303 SQN311☼ SQS303 SQS313☼ SQN307 SQN309 SQN311☼ SQS305 SQS309 SQS313☼ SQS314 SQN307 SQN309 SQN311☼ SQS311☼ SQS313☼ SIG (P < 0,05); LAT. ESQ. SQN311☼ SQS309 SQS311SQS304 ☼ SQN 303 SQS310 SQS303 SQN314 SQS302 SQS303 SQS309 Número de superquadras com resultados sem significância estatística (p > 0,05) 27 24 23 25 22 17 17 SIG. (P < 0,05) LAT. DIR SQN307 SQN313 SQN316 SQS315 SQN306 SQS315 SIG (P < 0,01) LAT. DIR.
Nota. o sinal “☼” destaca as superquadras sem prefeituras comunitárias.
O fato de algumas superquadras não possuírem prefeitura comunitária não torna significativa a sua presença nas distribuições dos grupos estatisticamente significativos, tal como indicados na Tabela L-63, aplicado o teste T de Student. Assim, tem-se a relatar os seguintes resultados da análise das proporções da presença:
- Da SQN 311 entre as superquadras com média significativamente distinta da média geral dos respondentes na variável VISITSEM não é, nesse caso, estatisticamente significativa (z = 0,3728; p = 0,3557);
- Da SQN 311 e da SQS 311 na variável VISITMES não é, nesse caso, estatisticamente significativa (z = 1,2925; p = 0,0985);
- Da SQS 313 na variável NCONVERS não é, nesse caso, estatisticamente significativa (z = 0,6982; p = 0,2451);
- Da SQN 311 e da SQS 311 na variável NPCUMPR não é, nesse caso, estatisticamente significativa (z = 0,9874; p = 0,1635);
- Da SQN 311 e da SQS 313 na variável NOPCUMP não é, nesse caso, estatisticamente significativa (z = 0,0277; p = 0,4920);
- Da SQN 311, SQS 311 e da SQS 313 na variável NSQCUMP não é, nesse caso, estatisticamente significativa (z = 0,8148; p = 0,2090);
Contudo: (a) a presença da SQN 311 em 5 das 7 variáveis, dentre as superquadras sem prefeitura comunitária, é estatisticamente significativa (z > 58; p < 0,01); (b) a presença da SQS 311 em 2 das 7 variáveis, dentre as superquadras sem prefeitura comunitária, é estatisticamente significativa (z > 123; p < 0,01); a presença da SQS 313 em 4 das 7, dentre as superquadras sem prefeitura comunitária, variáveis é estatisticamente significativa (z > 46; p < 0,01).
As posições das médias das respostas dessas superquadras sem prefeitura comunitária entre as médias de respostas gerais parecem indicar que há uma relação entre as situações relativas de suas redes de settings no universo pesquisado (28 superquadras) com relação aos tamanhos e características das redes sociais pessoais de seus respondentes. Esses resultados indicam a necessidade do desenvolvimento de desenhos de pesquisas que permitam uma sistemática caracterização das redes sociais pessoais que compõem importantes estruturas dentro das redes de settings de vizinhança. De forma cautelosa, algumas inferências que associam as redes sociais pessoais podem ser feitas a partir da base de dados obtida pelo desenho da atual pesquisa, pelo procedimento de survey pelos correios.
A seguir são examinados os resultados obtidos a partir de um importante aspecto do delineamento da pesquisa: a divisão dos sujeitos em dois grupos de moradores (a) de primeiros andares, e de (b) sextos andares. As suas respostas serão comparadas, com o objetivo de explorar padrões de respostas associadas à localização dos settings residenciais. Evidentemente, vários outros aspectos morfológicos da configuração física da superquadra deveriam ser analisados da mesma forma, como a posição dos blocos de habitação; a existência de “pátios”, ou não; o sentido das aberturas principais dos apartamentos (há blocos em que apartamentos são todos voltados para um dos lados, e outros em que são voltados para lados opostos), entre outros aspectos. Do mesmo modo, há vários outros comportamentos que se encadeiam, presentes no convívio dos moradores, na manutenção da superquadra, nas festas e reuniões, assim como dos comportamentos intra-settings residenciais, etc., que devem ser objeto de uma outra seqüência de estudos.