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TÍTULO: AS POLÍTICAS PÚBLICAS RELACIONADAS À SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA: DIAGNÓSTICO DE REALIDADE EM UM MUNICÍPIO PAULISTA .

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO

CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE

ÁREA:

SUBÁREA: Enfermagem

SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO(ÕES): UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP

INSTITUIÇÃO(ÕES):

AUTOR(ES): EDUARDA GABRIELA DE CARVALHO

AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): DENISE RONDINELLI COSSI SALVADOR

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UNIVERSIDADE PAULISTA

VICE-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA

RELATÓRIO FINAL DE PESQUISA

Pesquisa Financiada pela Vice-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa

da UNIP, no Programa “Iniciação Científica”.

É proibida a reprodução total ou parcial.

AS POLÍTICAS PÚBLICAS RELACIONADAS À

SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA:

DIAGNÓSTICO DE REALIDADE EM UM

MUNICÍPIO PAULISTA

.

Eduarda Gabriela de Carvalho

Profa. Mª Denise Rondinelli Cossi Salvador

2018

Série Discente

São José do Rio Pardo - SP

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AS POLÍTICAS PÚBLICAS RELACIONADAS À SAÚDE DA

POPULAÇÃO NEGRA: DIAGNÓSTICO DE REALIDADE EM UM

MUNICÍPIO PAULISTA

.

Eduarda Gabriela de Carvalho

UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP

Resumo: A saúde é um direito de todos e um dever do Estado, e, o

estabelecimento de políticas públicas por si só, não garante a equidade,

o acesso e as oportunidades para uma qualidade de vida que favoreça

as diferentes etnias. Estudo descritivo e exploratório, utilizando dados

secundários de nascimento e mortalidade, entre 2010 e 2015, dos

sistemas de informação de nascidos vivos (SINASC) e de mortalidade

(SIM), vinculados à Vigilância Epidemiológica de um município paulista,

à luz da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra

(PNSIPN). Encontrou-se que 24% dos nascimentos foram de mães

categorizadas como negras e pardas; 24% com gestação de 22 a 36

semanas de duração, e, mesmo percentual para as com 37 a 42

semanas ou mais de gravidez; 25% delas tinham entre 10 e 19 anos, e

19% eram solteiras. Quanto à mortalidade, em menores de um ano,

43% das ocorrências foi no segmento estudado; 21% na faixa etária

entre 40 e 59 anos, e 12% nos com 60 anos e mais. Percebeu-se que

na amostra estudada, o quesito etnia ainda impacta na qualidade de

vida, fato demonstrado pelos dados de nascimento e óbito, apesar da

PNSIPN. É preciso aprofundar a análise, qualificar as informações,

escassas e de difícil captação, que podem se relacionar a aspectos

culturais afetos à discriminação racial, e ao despreparo para o seu

enfrentamento. O enfermeiro, profissional que se destaca na atenção

básica, pode ser um agente de mudanças para essa realidade.

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Palavras-Chave Políticas Públicas. População Negra. Determinantes

Sociais da Saúde. Enfermeiro.

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4

Abstract:

Summary: Health is a right of all and a duty of the State. The

establishment of public policies alone does not guarantee equity, access

and opportunities for a quality of life that favors different ethnicities. It

was a descriptive and exploratory study, using secondary birth data and

mortality, between 2010 and 2015, of the information systems of live

births (SINASC) and mortality (SIM), linked to the Epidemiological

Surveillance of a city of São Paulo, light of the National Policy of Integral

Health of the Black Population (PNSIPN). It was found that 24% of the

births were of mothers categorized as black and brown; 24% with

gestation of 22 to 36 weeks of duration, and the same percentage for

those with 37 to 42 weeks or more of pregnancy; 25% of them were

between 10 and 19 years old, and 19% were single. Regarding mortality

in children under one year, 43% of the occurrences were in the segment

studied; 21% in the age group between 40 and 59 years, and in those

with 60 years and more, was 12%. It was observed that in the sample

studied, ethnicity still impacts on the quality of life, fact demonstrated by

the data of birth and death, in spite of the PNSIPN. It is necessary to

deepen the analysis, to qualify the information, scarce and difficult to

capture, that can be related to cultural aspects related to racial

discrimination, and the lack of preparation for confrontation. The nurse, a

professional who excels in basic care, can be an agent of change for this

reality.

Keywords: Public Policies. Black population. Social Determinants of

Health. Nurse.

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SUMÁRIO

· INTRODUÇÃO

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· MÉTODO

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· RESULTADOS

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· DISCUSSÃO

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· CONCLUSÕES

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· REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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· ANEXOS

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1 INTRODUÇÃO

Baseando-se em fatores históricos sabe-se que a população negra, desde os primórdios da colonização, sofre discriminação por ser considerada uma raça inferior às outras, o que a afeta até os dias de hoje, em vários setores da vida em sociedade, incluindo os privados assim como os públicos.

Assim, com o intuito de diminuir a discriminação frente a essa população sempre existiram projetos ou lutas que buscavam a sua inserção na sociedade. Nesse sentido, o movimento negro havia algum tempo, reivindicava a inclusão do quesito cor nas estatísticas oficiais de saúde no Brasil, fato que começou a se tornar realidade nos anos 1990 (GIOVANETTI et al., 2007). Já as ações públicas de saúde, tomando a dimensão da problemática das desigualdades raciais, se iniciaram no Brasil, na década de 1980, quando ativistas do movimento negro incluíram essa temática no âmbito estadual e municipal. Tais ações se fortaleceram a partir das reivindicações da Marcha Zumbi dos Palmares, em 1995, resultando na criação do Grupo de Trabalho Interministerial para Valorização da População Negra, seguido de conferências e seminários nacionais para inclusão da problemática racial na saúde (BRASIL, 2007; BATISTA; KALCKMANN, 2005).

Segundo MÜLLER (2012), desigualdades em saúde podem ser evidenciadas nos dados decorrentes dos diferentes sistemas de informações, desde a mortalidade por tuberculose e por homicídios, às morbidades de notificação compulsória como a hanseníase, e, também no acesso aos serviços de saúde, como por exemplo, no âmbito das consultas de pré-natal.

Vários outros estudos brasileiros abordam as desigualdades raciais como um fator que pode estar associado à mortalidade, e, análises destacam ainda, que há diferenças significativas de risco de morte entre negros e brancos, mesmo quando se controla a taxa pela escolaridade do indivíduo (BRASIL, 2005; SOARES FILHO et al., 2007). Por outro lado, Pinheiro et al. (2008) ressalva que nem todas as desigualdades observadas são frutos de processos discriminatórios, podendo ser explicadas também, por questões sociais relacionadas.

Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2005), a população negra morre mais jovem que a população branca; homens negros de 10 a 29 anos apresentam

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risco de morrer 80% maior do que os jovens brancos; para as mulheres negras da mesma idade, o risco é 30% maior do que o apresentado para as brancas. O risco de morte é maior tanto nas causas transmissíveis como nas causas não transmissíveis entre a população negra de 10 a 29 anos.

Para Muller (2012), com base nas iniquidades que acometem a população negra, ao Estado coube estabelecer uma política pública em consonância com o Sistema Único de Saúde (SUS), a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, com vistas à promoção da equidade racial em saúde, lastreada em um processo histórico advindo da atuação de diversas organizações e movimentos sociais, em especial o movimento negro.

De acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2013, p. 6):

“A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) é uma resposta do Ministério da Saúde às desigualdades em saúde que acometem esta população e o reconhecimento de que as suas condições de vida resultam de injustos processos sociais, culturais e econômicos presentes na história do País”.

A PNSIPN é recente: surgiu através da Portaria Ministerial nº 992, de 13 de maio de 2009 (BRASIL, 2009), mas sua evolução vem de anos de lutas para conquistar esse direito, através dos movimentos sociais e principalmente, dos movimentos negros que denunciavam a indignidade das condições de vida da população negra, traduzindo-as em reivindicações por políticas públicas que reduzissem a desigualdade e ampliassem a equidade do acesso aos bens e serviços públicos. Tem como princípio, a melhoria das condições de saúde dessa população, estando ligada à promoção de saúde e à prevenção de doença, priorizando a redução das desigualdades étnico-raciais, combate ao racismo e a discriminação institucional nos serviços de saúde do SUS, reafirmando os princípios de equidade, da integralidade da atenção e participação, e, do controle social, de forma a romper um ciclo de desigualdades sociais, e destacando a saúde como um direito institucional e um exercício pleno da cidadania, além de uma estratégia para superação do racismo e do desenvolvimento da democracia (BRASIL, 2013).

Ao mesmo tempo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2006), o processo saúde-doença vai muito além de evitar o adoecimento populacional, ele está relacionado ao contexto de uma vida com qualidade “o completo estado de

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8

bem-estar físico, mental e social, e não simplesmente a ausência de doenças e enfermidades.

Brêtas e Gamba (2006), referem que saúde e doença não são duas faces de uma mesma moeda, e assim, ao se considerar um sistema de saúde, como, por exemplo, o Sistema Único de Saúde (SUS), é possível verificar que as ações voltadas para o diagnóstico e tratamento das doenças são apenas duas das suas atividades. Inclusão social, promoção de equidade ou de visibilidade, e cidadania são consideradas ações de saúde. Conforme ambos os autores, o entendimento da saúde como um dispositivo social relativamente autônomo em relação à ideia de doença, e as repercussões que este novo entendimento traz para a vida social e para as práticas cotidianas em geral e dos serviços de saúde em particular, abre novas possibilidades na concepção do processo saúde e doença.

Para a OMS, os determinantes sociais da saúde estão relacionados às condições em que uma pessoa vive e trabalha. Também podem ser considerados os fatores sociais, econômicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos e comportamentais que influenciam na ocorrência de problemas de saúde e fatores de risco à população, tais como moradia, alimentação, escolaridade, renda e emprego. Assim, é que a determinação social da saúde está muito além de determinantes isolados e fragmentados, que sob uma perspectiva reducionista, são associados com fatores clássicos de riscos e estilos de vida individuais. Não se deve permitir que o conceito de determinantes sociais seja banalizado, ou reduzido, simplificando-o asimplificando-o tabagismsimplificando-o, asimplificando-o sedentarismsimplificando-o, simplificando-ou a uma inadequada alimentaçãsimplificando-o. É precissimplificando-o reconhecer que por trás dessas práticas, existe uma construção social baseada na lógica de uma cultura hegemônica [...]. (CENTRO BRASILEIRO DE ESTUDOS DE SAÚDE, 2011, p..1).

As produções mais recentes têm superado a instância de análise singular, demonstrando que os comportamentos (de risco) ocorrem subordinados às condições particulares de existência, nos limites que o modo de vida dos diversos grupos sociais impõe. Em decorrência disso, as propostas de intervenção voltadas à melhoria da saúde incluem: a preocupação com mudanças em normas culturais, ações educativas de massa, melhoria de acesso a alimentos saudáveis, melhor acesso à água limpa, esgoto, habitação adequada, emprego seguro e realizador, ambientes de trabalho saudáveis, serviços de saúde e de educação de qualidade, criação de espaços públicos para a prática de esportes, proibição de propagandas

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de alimentos e outras substâncias deletérias à saúde, bem como o apelo à coesão social e ao fortalecimento dos laços de solidariedade entre as pessoas e grupos populacionais, buscando que os grupos mais fragilizados se fortaleçam no sentido da participação das decisões da vida social (BUSS; PELLEGRINI FILHO, 2007).

Este estudo, uma pesquisa do tipo descritiva e retrospectiva, objetivourefletir com base em dados epidemiológicos de nascimento e mortalidade, sobre a realidade da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) em um município do interior paulista e o papel do enfermeiro nesse contexto.

1.1 OBJETIVOS

1.1.2 Objetivo Geral

Refletir com base em dados epidemiológicos de nascimentos e mortalidade, sobre a realidade da PNSIPN em um município do interior paulista e o papel do enfermeiro nesse contexto.

1.1.3 Objetivos Específicos

Discorrer sobre a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra

Comentar sobre o processo saúde-doença e os determinantes da saúde

Caracterizar o município foco da pesquisa e seus dados epidemiológicos

Analisar os dados epidemiológicos de nascimentos e mortalidade relativos à população negra no âmbito da população geral do município.

Relacionar a realidade encontrada ao papel do enfermeiro como agente de mudanças no processo de cuidar.

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Se na etnia negra, a mortalidade, assim como o nascimento sofrem impacto do processo histórico de discriminação, apesar da saúde como direito de todos, pode o enfermeiro contribuir como agente de mudanças neste contexto?

1.3 Justificativa

Considerando-se que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, e que o estabelecimento de políticas públicas por si só, não garantem a equidade, o acesso e as oportunidades para uma qualidade de vida que favoreça as diferentes etnias, analisar essa realidade em um município paulista, a partir dos dados secundários de mortalidade e nascimento, pode possibilitar ao enfermeiro, através da realidade constatada, contribuir como agente de mudanças no processo de cuidar desse segmento populacional.

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2. MÉTODO

2.1 Tipo de Estudo

Tratou-se de um estudo do tipo descritivo e exploratório.

2.2 Local da Pesquisa

O estudo foi realizado no município de São Sebastião da Grama, interior de São Paulo.

2.3 Período do Estudo

Foram considerados os dados epidemiológicos de nascimento e mortalidade, no período de 2010 a 2015.

2.4 Aspectos Éticos

O projeto de pesquisa foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Paulista, e aprovado sob o CEP – UNIP: CAAE Nº 83103717.3.0000.5512

2.5 Riscos.

Neste estudo os riscos foram considerados mínimos.

2.6 Procedimentos de Pesquisa

A fundamentação teórica deu-se a partir de uma revisão bibliográfica de artigos indexados, publicados em bases de dados, tais como Science Direct, LILACS, SCIELO, considerando-se as palavras chaves: Políticas Públicas, População Negra, Determinantes Sociais da Saúde, Enfermeiro.

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A seleção dos artigos considerou as publicações no período entre 2005 e 2016, e, após leitura previa, aqueles com maior aderência ao tema proposto, constituíram o referencial bibliográfico.

Utilizou-se também o banco de dados do município, que congrega através da Vigilância Epidemiológica, o Sistema de Mortalidade (SIM) e o Sistema de Nascidos Vivos (SINASC), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vinculados ao Ministério da Saúde.

2.7 Análise Estatística

Os dados coletados foram organizados em tabelas, e analisados, utilizando-se planilhas eletrônicas.

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3. RESULTADOS

Os dados analisados demonstraram que 24% dos nascimentos foram de mães categorizadas como negras e pardas; destas 24% tiveram gestação de 22 a 36 semanas de duração, e percentual idêntico para aquelas com 37 a 42 semanas ou mais de gravidez; a faixa etária para 25 % delas foi de 10 a 19 anos, sendo 19% delas solteiras. Quanto à mortalidade, 43% das ocorrências em menores de um ano foi no segmento estudado; 21 % na faixa etária entre 40 e 59 anos, e no grupo com 60 anos e mais, foi de 12% dos eventos.

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4. DISCUSSÃO:

São Sebastião da Grama, com área territorial de 252,41 km2 localiza-se na região administrativa de Campinas no interior de São Paulo; é um município cuja economia baseia-se essencialmente na agricultura, principalmente na cultura do café. A população estimada pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (SEADE, 2018) é de 11.952 habitantes, sendo 4.500 residentes em área rural, taxa de crescimento de 0,16% (SEADE,2018). De clima tropical, mantém temperatura média máxima de 30ºC e temperatura media mínima de 10ºC, com 950 metros de altitude, dista da capital do estado, 252,5 km.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no contexto econômico, o produto interno bruto (PIB) per capita em 2015 foi de R$ 23.191,83 (IBGE, 2015), e a renda per capita da população negra foi de $503,44. Na área da educação, possui uma creche escola, quatro escolas públicas de ensino fundamental e uma de ensino médio, e também em 2015, os alunos dos anos inicias da rede pública da cidade tiveram nota média de 5,9 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), e, 5,3 para os dos anos finais. Na comparação com cidades do mesmo estado, a nota dos alunos dos anos iniciais colocava São Sebastião da Grama na posição 459 de 645, e, com a nota dos alunos dos anos finais, a posição passava a 90 de 645. A taxa de escolarização (para pessoas de 6 a 14 anos) foi de 98,3 em 2010. Isso posicionava o município na posição 255 de 645 dentre as cidades do estado e na posição 1603 de 5570 dentre as cidades do Brasil.

Em relação ao esgotamento sanitário, apresenta 72.3% de domicílios como adequados, 89.7% de domicílios urbanos em vias públicas com arborização e 58.6% de domicílios urbanos em vias públicas com urbanização adequada (presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio) (IBGE, 2015).

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O município no âmbito da saúde faz parte da região de Governo de São João da Boa Vista - XIV Diretoria Regional de Saúde (XIV DIR - São João da Boa Vista); sua estrutura compõe-se de cinco unidades de saúde, com quatro equipes de saúde da família (ESF) e um Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF) com cobertura total de 100% da população; possui ainda, uma equipe de atenção básica tradicional (AB), que atua no Centro de Saúde e atende clínica médica, pediatria, fonoaudiologia, psicologia ginecologia, obstetrícia, fisioterapia, serviços de enfermagem, sala de vacina, vigilância epidemiológica. A saúde bucal é realizada em conjunto com equipes de saúde da família, com cobertura de 100%. Existe ainda, a prestação de serviço através da Santa Casa local, que realiza atendimentos de Pronto Socorro, internações clínica e cirúrgica. Os procedimentos e atendimentos de média e alta complexidade são encaminhados para referências, conforme a pactuação.

Está em tramitação o processo de credenciamento de uma equipe no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (CRATOD), com objetivo de promover a prevenção e controle do uso do tabaco, de forma a fortalecer as ações de atenção básica.

Houveram muitas dificuldades para a coleta, análise e discussão dos dados da pesquisa, uma vez que as informações pertinentes à etnia/cor são preenchidas de forma insatisfatória ou não são preenchidas. Denota tal realidade, a falta de preparo e compreensão para a relevância de tal quesito, de forma a se apropriar da realidade de vida e saúde dessa população, assim como para se estudar e planejar ações, e implementar políticas específicas que objetivem reduzir as iniquidades sociais. Tais dificuldades se estendem também aos dados estaduais e nacionais da etnia negra, o que reforça ainda o quanto há que se caminhar para que de fato a PNSIPN supere a

discriminação frente a essa população, inserindo-a de fato no contexto da cidadania. A partir dos dados coletados, as principais e mais prevalentes causas de morbidade na população se relacionam às doenças do aparelho respiratório, circulatório e geniturinário.

De acordo com o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) e Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) período de 2010-2015, 24% dos nascimentos foram de mães categorizadas como negras e pardas; destas 24% tiveram gestação de 22 a 36 semanas de duração, e percentual idêntico para

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aquelas com 37 a 42 semanas ou mais de gravidez; a faixa etária para 25 % delas foi de 10 a 19 anos, sendo 19% delas solteiras. A taxa de mortalidade infantil (menores de um ano) média na cidade é de 7, 94 para 1.000 nascidos vivos, sendo que 43% das ocorrências neste grupo etário foi no segmento estudado; 21 % na faixa etária entre 40 e 59 anos, e no grupo com 60 anos e mais, foi de 12% dos eventos.

Frente ao papel do enfermeiro na atenção básica, considerado um agente mobilizador e transformador, capaz de articular os profissionais da equipe de saúde, assim como de empoderar os cidadãos e clientela para a vivência do protagonismo das suas vidas, fica perceptível a responsabilidade do seu papel e atuação para a identificação e caracterização da etnia como um quesito essencial para o processo de cuidar, que deve estar fundamentado na real demanda e necessidade desse segmento populacional.

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5. CONCLUSÃO

Pode-se perceber na amostra estudada, que o quesito cor/etnia ainda impacta na qualidade de vida, fato demonstrado pelos dados de nascimento e óbito, apesar da PNSIPN. É necessário aprofundar a análise, qualificar o registro das informações, que são escassas e de difícil captação. Tal realidade pode estar relacionada aos aspectos culturais afetos à discriminação racial, assim como ao despreparo para o seu enfrentamento. Nesse sentido, o enfermeiro, profissional que se destaca na atenção básica à saúde, pode ser um agente de mudanças para essa realidade.

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REFERÊNCIAS

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Instituto de Saúde, São Paulo, 2005. Disponível em: < http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sec_saude_sp_saudepopnegra.>. Acesso em 26 fev. 2017

BUSS, P. M.; PELLEGRINI FILHO, A. A saúde e seus determinantes sociais. Physis, Rio de Janeiro, v. 17, n. 1, p. 77-93, 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/physis/v17n1/v17n1a06.pdf Acesso em: 22 mar 2017

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______. Ministério da Saúde - MINISTÉRIO DA SAÚDE Brasil 2011 Uma análise da

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ANEXOS

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Referências

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