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Pelo Nordestão,
Fortaleza recebe o
Treze no Castelão, e
Ceará encara o Altos
no Piauí
PÁGINAS 15 E 16ESPORTES
Pandemia altera
rotas de times e CBF
anuncia mudanças
em jogos da Copa
do Brasil
PÁGINA 17ESPORTES
Comércio
varejista do
Ceará tem 3º
pior resultado
do Brasil
PÁGINA 9ECONOMIA
75,1% dos
pacientes de
Covid-19 na Capital
têm menos de
60 anos
PÁGINA 12CIDADES
Ofi cina que
alterava oxigênio
hospitalar é alvo
de operação
do MPCE
PÁGINA 7POLÍTICA
FALTAM LEITOS NO NORTE DO CE
E PACIENTE MORRE NA PORTA DE HOSPITAL
REPORTAGEM, PÁGINAS 4 A 6; ÉRICO FIRMO, PÁGINA 8; EDITORIAL, PÁGINA 18; CHARGE, PÁGINA 2
MÉDIA DIÁRIA DE ÓBITOS SALTA 200% EM FORTALEZA
DE JANEIRO A MARÇO
FEVEREIRO TEM A MAIOR MÉDIA DIÁRIA DE CASOS
DA PANDEMIA NA CAPITAL
EDIÇÃO DE HOJE Edição fechada a 0h30 26 páginas
SÁBADO
// WWW.OPOVO.COM.BR
ANO XCIV - EDIÇÃO Nº 31.299 FORTALEZA - CE / R$ 3,00
AUMENTO DE CASOS DE COVID-19
THAIS MESQUITA FÁBIO LIMA Em Fortaleza, do início do mês até ontem, 271 óbitos foram registrados. Alta dos números de casos e de mortes ocorre em todo o Estado, onde hoje começa lockdown geral
93 ANOS
Dodora Guimarães
comanda instituto
que preserva acervo
documental do
artista caririense
VIDA&AARTE, PÁGINA 1
SÉRVULO
ESMERALDO
O POVO MAIS
MAIS.OPOVO.COM.BR Aponte a câmera do celular para o código, navegue pelo O POVO+ e veja esta edição e muitos outros conteúdos2
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FAROL
Temperatura Máxima33
⁰C
Temperatura Mínima24
⁰C
Nebulosidade variável DEISA GARCÊZ/ESPECIAL PARA O POVOAMÉM, IRMÃOS?!
Tem gente vendo na decisão do prefeito José Sarto de liberar atividades em templos e igrejas, um viés de proximidade do gestor com representantes desses grupos até por questões familiares. Sarto é cristão.
Nova
atual Crescente21/3 Cheia28/3 Minguante4/4
ESTA COLUNA É PUBLICADA DE SEGUNDA A SÁBADO
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ELIOMAR DE LIMA
CHARGE \ Clayton
TÁBUA DAS MARÉS
HOJE
MARÉ ALTA 4h59min / 2,7 metros MARÉ BAIXA 10h51min / 0,3 metro MARÉ ALTA 17h14min / 2,8 metros MARÉ BAIXA 23h09min / 0,3 metroAMANHÃ
MARÉ ALTA 5h30min / 2,8 metros MARÉ BAIXA 11h23min / 0,3 metro MARÉ ALTA 17h46min / 2,8 metros MARÉ BAIXA 23h39min / 0,3 metroLUA
TEMPO EM FORTALEZA
FONTES: OBSERVATÓRIO NACIONAL E FUNCEME
Em meio ao cenário de di-fi culdades acentuadas na pan-demia no Ceará, a Secretaria da Cultura do Estado ajuizou Ação Cível Originária (ACO) no Su-premo Tribunal Federal (STF) solicitando a prorrogação dos prazos de execução da Lei Aldir Blanc em território cearense. Considerando a inviabilidade da execução de projetos sele-cionados pela lei no atual cená-rio sanitácená-rio, o pedido, feito por meio da Procuradoria Geral do Estado (PGE), propõe que seja possível apresentar o Relatório de Gestão Final ao Ministério de Turismo e de execução até o dia 27 de dezembro de 2021. No Ceará, R$71 milhões foram destinados à esfera do Estado e R$67 milhões aos municípios.
O prazo atual previsto pelo decreto federal que regulamen-ta a lei esregulamen-tabelece que os esregulamen-tados têm até o dia 30 de junho de 2021 para prestação de contas jun-to ao Ministério do Turismo. A aprovação da prorrogação deste prazo ajudaria, também, os prazos para os proponentes selecionados prestarem contas
junto à secretaria estadual. A movimentação a favor da pror-rogação dos prazos da lei é pau-tada por entidades, secretarias e pessoas físicas do setor artís-tico-cultural há meses.
O texto do pedido aponta que o cenário atual da pandemia, com as necessárias medidas de restrição, inviabiliza a execução de projetos aprovados. “Estes projetos estão movimentando mais de R$ 62 milhões na eco-nomia local por meio das artes e da cultura e não podemos correr o risco de ver por água abaixo todos os esforços empreendidos pela sociedade civil e pela Secult em executar integralmente os recursos conquistados”, aponta Fabiano Piúba, titular da Secult.
O secretário indica que a iniciativa de pedir pela prorro-gação no âmbito estadual po-derá criar um “efeito cascata” no País que benefi cie todos os estados com “um tempo mais justo e realista na execução de todos os projetos fomentados pela Lei Aldir Blanc nos mais diversos rincões do Brasil”.
(João Gabriel Tréz)
Secult pede em
ação no STF mais
prazo para Lei
Aldir Blanc
| CULTURA |
Prazo atual previsto é que os
estados têm até o dia 30 de junho de 2021
[email protected] | BLOGDOELIOMAR.COM.BR
A Associação Benefi cente do Alto Alegre, em Fortaleza, recebeu cestas básicas doadas pela Fundação Beto Studart. Foram entregues por grupo de mulheres do Grupo BSPar. /// Cláudia Santos, ex-titular do Procon Fortaleza, agora escreve semanalmente sobre Direito do Consumidor no Portal Economic News Brasil.
/// O Troféu Digital da Música Cearense terá ganhadores conhecidos hoje, às 20h, pelo canal do YouTube da Associação Cultural Solidariedade e Arte – Solar. São 13 categorias. /// Só lembrando: “Por falar em pandemia… Mesmo no lockdown, eita, povo pra gostar de bater perna…”
CÂMARA MUNICIPAL
de Aquiraz, que dobrou o valor sem
citar a fonte de pagamento, o que inviabiliza o auxílio. Pura pendenga política. PREFEITURA DE AQUIRAZ,
que criou auxilio emergencial municipal de R$ 250,00, durante dois
meses ou enquanto durar a pandemia.
FUNCEME VAI DIVULGAR 3º PROGNÓSTICO SOBRE CHUVAS
A
Funceme vai divulgar, na próxima segunda-feira, em suas redes sociais, o terceiro prognóstico sobre a chuva deste ano no Estado. A quadra chuvosa segue até maio, mas a previsão será para o trimestre Abril-Maio-Junho. O órgão, de acordo com seu presidente, Eduardo Sávio, fi naliza análises junto a outros organismos nacionais e internacionais. O primeiro prognóstico do gênero apontou tendências para o trimestre Fevereiro-Março-Abril e assim foi apresentado peloórgão em fevereiro: 50% de probabilidade de chuvas abaixo da média; 40% de probabilidade de chuvas em torno da média; e 10% de proba-bilidade de chuvas acima da média. O segundo, Março-Abril-Maio, não apresentou mudanças. Até o momento, segundo o titular da Funceme, também não foi identifi cado nenhum padrão espacial diferenciado. Ou seja, a perspectiva para o próximo trimestre é de pouca oscilação com relação aos primeiros prognósticos já divulgados. Portanto, nada ani-mador. Até parece que São Pedro também decretou lockdown.
SEM CLOROQUINA
Na próxima segunda-feira, às 10 horas, pela TV Senado, haverá de-bate sobre “Tratamento profiláti-co profiláti-contra a Covid-19”. Iniciativa de Eduardo Girão (Pode), que man-dou convite para Dr. Cabeto, se-cretário estadual da Saúde, e para Anastácio Queiroz (ex-secretário).
MAIS UM
Há um movimento político junto ao governador Camilo Santana para que a Universidade Vale do Acaraú (UVA) tenha um curso de Medicina. O Hospital Regional do Norte (HRN) daria total respaldo a esse projeto. Aliás, como faltam médicos no Interior.
ESTAÇÃO JURÍDICA
Já está na 5ª Vara da Fazenda Pú-blica uma ação popular contra o projeto do bondinho turístico que o governo estadual planeja para For-taleza, ao custo de R$ 115 milhões. A iniciativa é do deputado estadual Heitor Férrer (SD). Para ele, um desperdício.
REFORÇO
O Hospital Uniclinic está montan-do um ambulatório de base exclu-sivamente para atender aos pa-cientes da Covid-19. A montagem acontece em área do estaciona-mento dessa unidade hospitalar.
SEM
CONTRAFLUXO
Saiu no Diário Oficial do Estado a exoneração do superintendente adjunto do Detran, Pablo Ximenes, e de Daniel Paiva, do cargo de di-retor jurídico do órgão. Exonera-dos eram do time do ex-superin-tendente Igor Pontes, hoje à frente do Metrofor.
MEU DEUS!
Nas redes sociais, há grupos con-vocando as pessoas a saírem em suas calçadas e ir às janelas, a partir das 8 horas deste domingo, para protestar contra medidas do governo acerca do combate à Covid-19. O apelo é lutar contra o comunismo. Que neura.
UM A MENOS
Ganhou boa repercussão o “Ma-nifesto pela Vida e pela Ciência” lançado por reitores das univer-sidades públicas e IFCE no Ceará em apoio à luta contra a Covid-19. O único que não assinou: Roque Albuquerque, da Unilab, indica-ção do bolsonarista Pastor Jaziel.
PÂNDEGA
Dilema bolsonarista hoje é: apoiar Moro contra Lula ou ficar do lado de Lula contra Moro. A decisão de anular condenações do petista partiu de um ministro a favor da Lava Jato e a decisão final sobre suspeição de Moro caberá a um ministro indicado por Bolsonaro.
PELO WHATSAPP
A Procuradoria Geral do Município acaba de criar mais um canal de comunicação com o contribuinte. Por meio do WhatsApp, o cidadão poderá encaminhar e tirar dúvi-das, por mensagem, via celular. O fone é o (85) 3265 1613. Nesta pan-demia, isso ajuda e muito.
SOBE
DESCE
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FORTALEZA - CEARÁ - 13 DE MARÇO DE 2021
FAROL
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SÁBADO
FORTALEZA - CEARÁ - 13 DE MARÇO DE 2021
EDIÇÃO: DOMITILA ANDRADE | [email protected] | 85 3255 6101
PRODUÇÃO FIOCRUZ
CASSAÇÃO
A Anvisa anunciou ontem, 12, ter concedido o registro defi nitivo da vacina de Oxford/AstraZeneca, contra a Covid-19, produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A decisão permite a entrega do produto que tem etapa fi nal de fabricação no País. Anteriormente, a Anvisa autorizou o uso
emergencial do mesmo produto, mas fabricado pelo Instituto Serum, da Índia. O registro não permite a venda ao setor privado, pois a Fiocruz tem apenas o Sistema Único de Saúde (SUS) como cliente. A liberação da agência, por enquanto, permite o uso de 112 milhões de doses que devem ser distribuídas até julho. Essas unidades têm ingrediente farmacêutico ativo (IFA) importado da China e fase fi nal de envase feita na Fiocruz. A Fiocruz informou que em março receberá o dobro do número de lotes de IFA inicialmente previstos para este mês, ou seja, o sufi ciente para 30 mi de doses. (AE)
O Conselho de Ética da Câmara decidiu ontem, 12, seguir com o processo disciplinar contra o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), que pode levar à cassação do seu mandato. Foram 13 votos a dois para dar continuidade à ação movida depois que Silveira publicou um vídeo nas redes sociais no qual faz apologia do Ato Institucional n.º 5 (AI-5), o mais duro da ditadura militar, e pede a destituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Silveira completou ontem 25 dias de prisão, determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes em 16 de fevereiro e confi rmada em seguida pelos plenários da Corte e também da própria Câmara. O processo que tramita no Conselho de Ética é baseado em sete representações diferentes de vários partidos. Uma delas foi apresentada pelo PSOL. (AE)
Vacina Astrazeneca
recebe registro
defi nitivo da Anvisa
Conselho de Ética
prossegue processo
contra Daniel
Silveira
Dobra casos
de presos com
Covid-19 no Ceará
| EM TRÊS DIAS |
SAP informa que segue
com estrutura para isolar e tratar os internos
O número de casos de presos com Covid-19 no Ceará dobrou em três dias, quando a quanti-dade saltou de 38 casos regis-trados na última terça-feira, 9, para 76 ontem, 12. Os dados fo-ram levantados no comparativo entre duas notas da Secretaria da Administração Penitenciá-ria do Estado do Ceará (SAP) enviadas ao O POVO na terça e nesta sexta. Ontem, um levan-tamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontou au-mento de 190% no número de mortes de presos e servidores do sistema prisional no Brasil pela doença nos primeiros 67 dias de 2021 comparados aos 70 dias fi nais de 2020.
Do total registrado hoje, 56 presos são da Delegacia de Cap-turas e Polinter (Decap). Na ter-ça-feira, do mesmo local eram 17. Em relação ao balanço de liciais penais, 60 testaram po-sitivo para a doença conforme o registro desta sexta; na ter-ça, eram 44 policiais penais. En-tre colaboradores terceirizados do sistema prisional com Co-vid-19, houve queda: de 44 casos na terça para 14 nesta sexta. O Estado tem uma população car-cerária de aproximadamente 23
mil detentos e 4.700 servidores da Secretaria.
Em relação aos óbitos, foram registrados, desde o início da pandemia, em março de 2020, dois óbitos de policiais penais, cinco de internos e um de um colaborador terceirizado. Se-gundo a SAP, apesar das medi-das de isolamento social rígido no Estado, o órgão permanece com sua estrutura de Enfer-maria Máxima de Saúde para isolar e tratar os internos que apresentem sintomas ou con-fi rmem resultado positivo para o novo coronavírus.
Ainda segundo a Secretaria, algumas medidas foram ado-tadas para evitar a proliferação do vírus. “As visitas aos presídios cearenses estão suspensas desde o dia 20 de fevereiro. Entrega de malotes, atendimento presencial do serviço social, atendimento da Casa do Albergado e alguns serviços da Central de Monito-ramento também estão suspen-sos. A SAP também já realizou mais de 17 mil testes em inter-nos e servidores, como forma de rastreamento de novos casos e medidas precoces de isolamento e tratamento”, disse. (Mirla
No-bre, especial para O POVO)
FABIO LIMA
CEARÁ tem uma população
carcerária de cerca de 23 mil detentos
Gilberto Gil, 78, recebeu a primeira dose da vacina contra a Covid-19 ontem, 12, em Salvador , Bahia. Em comemoração, o cantor compartilhou o momento nas suas redes sociais. Em um vídeo publicado no seu perfi l do Instagram, o artista apareceu recebendo a dose em um posto de saúde ao som de sua música Andar com Fé. “Queremos viver confi antes no futuro”, escreveu ele na legenda do post. (AE)
GILBERTO GIL É VACINADO
CONTRA COVID
48% dos britânicos têm opinião negativa sobre o príncipe Harry (contra 45% positiva). Já Meghan Markle tem rejeição ainda maior: 58% (contra apenas 31% positiva). É o que revela
pesquisa divulgada ontem, 12, após entrevista com acusação de racismo, que terá reprise amanhã, 14, às 20h, no GNT. (AFP)
POPULARIDADE EM BAIXA
HARRY E MEGHAN
JOE PUGLIESE / HARPO PRODUCTIONS / AFP)REPRODUÇÃO/INSTAGRAM
Repudio ofensas e ataques pessoais ao Ministro Edson Fachin do
STF, magistrado técnico e com atuação destacada na Operação
Lava Jato. Qualquer discordância quanto à decisão deve ser
objeto de recurso, não de perseguição”
SÉRGIO MORO
Ex-juiz da Lava Jato defendeu o ministro Edson Fachin, do STF, dos ataques sofridos desde que anulou os processos e condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
A professora panamenha Graciela
Bouche, na parte da frente da
embarcação, é levada por uma indígena
Embera em um barco “piragua” no rio
Chagres, na comunidade de Ella Puru
Embera, província de Colon, Panamá.
Sentada na beira de sua canoa, Madelaine
rema pelo rio Chagres, que encontra
o Canal do Panamá. Em tempos de
pandemia, ela leva Graciela para dar
aulas a crianças indígenas sem conexão
com salas de aula virtuais. (AFP)
ESFORÇO PELA
EDUCAÇÃO NA
PANDEMIA
LUIS ACOSTA / AFP
20,7
15 mi
bilhões de reais foi o lucro líquido registrado em 2020 pelo BNDES resultante da oferta pública de ações da Petrobras, da venda de ações da Vale e da Suzano, e das receitas com dividendos de empresas que receberam investimentos
de doses da Sputnik V, vacina contra a Covid-19 desenvolvida na Rússia foram compradas pelo Ministério da Saúde. A pasta afi rma que a ideia é receber 400 mil doses até o fi m de abril, 2 milhões no fi m de maio e 7,6 milhões em junho
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REPORTAGEM
Cidades
MÉDIA DIÁRIA
DE MORTES POR COVID AUMENTA
EM FORTALEZA
| SEGUNDA ONDA |
Desde novembro de 2020, o número de mortes por conta da
doença voltou a crescer na Capital. Curva de óbitos mostra maior aumento em
fevereiro de 2021 e “crescimento exponencial” nos primeiros 12 dias de março
A média diária de mortes por Covid-19 em Fortaleza au-mentou 200% neste mês de março, em comparação com os registros de janeiro último. Entre os dias 1/3 e 12/3, houve 271 óbitos. Em média, é como se mais de 22 pessoas tivessem morrido a cada dia por com-plicações da doença neste mês, até ontem. Já em janeiro, ocor-reram 237 mortes, e a média diária de óbitos foi de 7,6.
Essas informações foram divulgadas ontem, 12, pela Secretaria Municipal de Saú-de (SMS), no boletim epiSaú-de- epide-miológico semanal referente à Covid-19. Os dados utiliza-dos na análise foram coleta-dos no IntegraSus, platafor-ma da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), com atualização às 8h40min do mesmo dia. No documento, aponta-se que “o cenário do município já é considerado de moderada a alta mortalidade”.
Considerando-se a média móvel — que obedece interva-los regulares de quatorze dias —, o pico da média móvel nes-ta segunda onda da pandemia foi de aproximadamente trinta
óbitos (30,3), no dia 8 de março. O documento divulgado pela SMS também destaca que feve-reiro de 2021 teve a maior mé-dia diária de casos de Covid-19 confi rmados no município des-de o início da pandes-demia. Foram 20.763 confi rmações — ou 741,5 por dia. O segundo mês com maior média diária de registros foi maio de 2020, quando ocor-reu o pico da primeira onda, com 18.852 casos confi rmados — ou 608,1 por dia.
Para conter o avanço da pan-demia no Estado, o governador Camilo Santana (PT) determi-nou que todos os municípios entrassem em lockdown a par-tir de hoje, 13, até o próximo dia 21. Em Fortaleza, o isolamento social rígido já tinha sido de-cretado e teve início na sexta-feira, 5 de março, e barreiras sanitárias foram instaladas nas entradas da Cidade.
Na manhã de ontem, 12, a se-cretária da Saúde de Fortaleza, Ana Estela Leite, participou de uma live realizada pela Prefei-tura. Na ocasião, ela alertou que os leitos de hospitais públicos e privados da Capital destinados a atender pessoas com Covid-19 podem se “esgotar a qualquer momento”. Até as 19h03min de ontem, o IntegraSus, apontava 10 instituições médicas da Ca-pital com 100% de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia
EDIÇÃO: TÂNIA ALVES | [email protected] |
FABIO LIMA
FEVEREIRO de 2021 teve a maior
média diária de casos de Covid-19 confirmados em Fortaleza
era o total de casos de Covid-19 confi rmados no Ceará até ontem
465.531
pessoas já morreram vítimas de Covid-19 no Estado desde o início da pandemia
12.175
Sarto descarta
reativação do
Hospital do PV
Rádio O POVO CBN.
Em entrevista à Rádio O POVO CBN nesta sexta-feira, 12, o prefeito de For-taleza, José Sarto (PDT), comentou sobre uma possível reativação do Hos-pital de Campanha no Estádio Presi-dente Vargas. Segundo o médico, por ora a medida é descartada. Ele justifi ca afi rmando que a Prefeitura conseguiu expandir a rede de leitos de UTI, en-fermaria e observação em um número maior do que quando existia o Hospital. “Por enquanto, descarto. Desde que assumi, no fi nal da gestão de Rober-to Cláudio, o hospital foi desativado. Se houver necessidade, faremos. Mas só quero mostrar que, paralelamen-te, a Prefeitura foi reformando e am-pliando Gonzaguinhas, Frotinhas e concluiu o IJF 2”, comentou durante programa apresentado pela jornalista Maísa Vasconcelos.
Vamos conseguir expandir nossa rede entre leitos de UTI, enfermaria e observação em um total de 1.006 leitos. No passado, com o Hospital, tí-nhamos 791 [leitos]”, ressaltou o pre-feito. Sarto alertou que não basta só a abertura de novos leitos, tanto na rede pública como na rede privada. É preciso que haja profi ssionais e insu-mos. (Marília Freitas)
GABRIELA CUSTÓDIO
Intensiva (UTI), onde os casos mais graves são tratados.
As unidades com UTIs lo-tadas são a Casa de Saúde e Maternidade São Raimundo, o Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC), o Hospital José Marti-niano de Alencar, o Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM), o Hospi-tal Otoclínica, o HospiHospi-tal São Carlos, o Hospital Universitá-rio Walter Cantídio (HUWC) e o Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ). Outras seis instituições estão com taxa de ocupação de 90% ou mais.
Ao lado do gerente de Vi-gilância Epidemiológica de
Fortaleza, Antônio Lima, a ges-tora analisou o cenário epide-miológico vivido pela Capital e considerou momento como “extremamente crítico”. Além disso, mesmo com os casos da doença em alta, ela afi rmou que a Secretaria da Saúde do Mu-nicípio (SMS) não sabe quando será o pico da doença nesta se-gunda onda da pandemia.
“Essa capacidade instalada (de leitos) pela rede pública, pela rede privada também em expansão, pode se esgotar a qualquer momento. A popula-ção precisa fazer a sua parte”, pontuou. A secretária destacou que todos os cenários analisa-dos pela pasta e por demais ór-gãos competentes do Ceará são de “incertezas”.
Segundo informou Antônio Lima durante a transmissão ao vivo, a maioria das internações que têm sido registradas em hospitais da Capital não é mais de idosos, ao contrário do que aconteceu na primeira onda da pandemia. “Trata-se de pessoas com um média de 30 a 50 anos”, afi rmou o gerente, destacando que este segundo momento da doença ocorre devido ao au-mento de transmissão do vírus percebido após as aglomerações realizadas por populares em de-zembro e janeiro. (Colaborou
Gabriela Almeida)
W W W. O P O V O . C O M . B R SÁBADO
FORTALEZA - CEARÁ - 13 DE MARÇO DE 2021
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REPORTAGEM
Um dos maiores medos de gestores e profi ssionais de saúde já está acontecendo na região Norte do Ceará. Pacien-tes morrendo por falta de as-sistência adequada. Uma idosa esperou por leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) durante cerca de 2h30min na frente do Hospital Regional Norte (HRN). Ela estava dentro de uma am-bulância do Serviço de Aten-dimento Móvel de Urgência (Samu) e faleceu no local.
Sem nenhum leito de UTI disponível, o sistema de saú-de da Zona Norte está esgota-do. Municípios não conseguem transferir pacientes. Os leitos de UTI estão com ocupação de 100%. Conforme o Integra-SUS, da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), todos os 126 leitos ativos para Covid-19 es-tão preenchidos. No caso das enfermarias, a ocupação é de 77,53%. Com a falta de leitos de alta complexidade, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e hospitais locais mantêm pa-cientes com necessidade de assistência de complexidade maior do que o município con-segue ofertar porque não têm para onde encaminhar.
Na semana passada, a pa-ciente deu entrada no Hospital de Santa Quitéria, foi entubada e encaminhada em vaga zero para o HRN. “Quando chegou lá, não tinha leito, não tinha pon-to de oxigênio”, afi rma Adeilpon-ton
Mendonça, secretário da Saúde de Santa Quitéria. Ele diz que sistema está “abarrotado”. “Às vezes, conseguimos em vaga zero pelo Samu. Geralmente, a gente encaminha para Sobral mesmo. A gente só consegue o leito quando há morte”, diz.
Na última quarta-feira, 10, uma moradora de Reriutaba morreu no Hospital Muni-cipal Rita do Vale Rego en-quanto esperava uma vaga de leito de UTI. “A paciente encontrava-se inserida no sistema aguardando regula-ção/vaga, infelizmente, não houve libertação a tempo”, informou a prefeitura.
Com a falta de leitos, profi s-sionais usam alternativas extre-mas, como enviar pacientes em vaga zero, o que ocorre quando encaminham pacientes de alto risco a unidades hospitalares mesmo sem a disponibilidade de vaga no hospital de destino. Algumas unidades têm admitido pacientes extra-leito. Isso ocorre quando a pessoa dá entrada em estado grave, utilizando drogas de UTIs, com suporte ventilató-rio, mas não está em uma UTI.
Henrique Morais, coorde-nador de enfermagem da UPA de Acaraú e intervencionista do Samu Ceará, detalha que os hospitais fi cam com os pacien-tes, estabilizam e tentam a vaga nos hospitais de referência. “A gente pega o paciente e não tem certeza se vai ter vaga. A espera está sendo na faixa de 24h a 48h, pendendo para mais”, mensu-ra. Pacientes que precisam de suporte maior aguardam mais pela regulação. Ele conta que a
| SISTEMA ESGOTADO |
100% dos leitos UTI para Covid-19 região estão ocupados. Sem ter para onde
transferir, UPAs e hospitais locais mantêm pacientes graves e com demandas de alta complexidade
FALTAM LEITOS NA REGIÃO NORTE
DO CEARÁ E PACIENTE MORRE NA
PORTA DE HOSPITAL
ANA RUTE RAMIRES
TA
TIANA FOR
TES/GOVERNO DO CEARÁ
HOSPITAL Regional Norte (HRN) em Sobral
População não adere ao
lockdown em Caucaia e aglomera
nas ruas da cidade
Medidas.
Pouca fi scalização
O primeiro dia de isolamen-to social rígido no município de Caucaia teve ruas movimenta-das, aglomerações e estabeleci-mentos abertos irregularmente. Na manhã dessa sexta-feira, 12, equipe do O POVO esteve na ci-dade para acompanhar a adesão da população às medidas restri-tivas contra a segunda onda da pandemia da Covid-19, válidas até próximo 21 de março.
O município da Região Me-tropolitana de Fortaleza (RMF) vivencia lotação nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) neste momento em que há recrudesci-mento da pandemia. Para desa-fogar o sistema de saúde, o lock-down foi imposto pelo prefeito da cidade, Vitor Valim, ainda na última quinta-feira, 11.
A proprietária de uma loja de material de construção, no cen-tro comercial do município, que preferiu não se identifi car, rela-ta que, mesmo com autorização para o estabelecimento abrir, há uma sensação de temor em rela-ção ao vírus e à violência urbana.
“Fechamos por mais de 100 dias em 2020. Se fosse pelo vírus, também estaríamos fechados agora, mesmo com autorização. Mas não temos condições [eco-nômicas para fechar], precisa-mos abrir,”, desabafa.
José Felintro Soares Pereira trabalha no Centro de Caucaia vendendo bonés há um mês. Para ele, o isolamento social rí-gido não é uma medida efetiva. “Na minha opinião, esse lockdo-wn não serve porque o pessoal tá na rua. O pessoal não deixa de circular, temos aglomerações nos bancos. Para mim, o que adianta é todo mundo se cons-cientizar e utilizar máscara.”
O desrespeito ao distancia-mento e às regras restritivas, econômicas e comportamentais, também foi identifi cado no bairro Metrópoles. Diferente do Centro, onde há grande quantidade de farmácias, clínicas odontológicas, de exame e óticas, por lá, há mui-tas ofi cinas e lojas de construção. Ainda no Centro, a reporta-gem identifi cou comércio de rua
amplamente aberto, com venda de produtos como chapéus, rou-pas íntimas, frutas e verduras.
O segundo município popu-lacional do Estado já estava sob toque de recolher desde o dia 8 de março, das 18h às 5 horas, com funcionamento do comércio permitido apenas até as 15 horas. A Prefeitura de Caucaia escla-receu que neste primeiro mo-mento, “levando em considera-ção que o lockdown está recente no município, as primeiras abor-dagens no comércio da Cidade, na Grande Jurema e no Litoral, serão educativas”. O Município informou também que, desde o dia 4 de março, tem quatro equi-pes multidisciplinares instaladas nas principais vias de acesso ao Município: Parque Leblon e Ta-bapuá. Os grupos incluem guar-das municipais, agentes da vi-gilância sanitária, profi ssionais de saúde do grupo de combate à Covid-19, além de agentes da Autarquia Municipal de Trânsi-to, sendo duas equipes em cada barreira sanitária. (Ítalo Cosme) espera por UTI já chegou a
cin-co dias. “Se eles não tem vagas para gente, fi ca uma pressão muito grande nos municípios, porque não tem suporte. A nossa referência é Sobral, mas já levei para Fortaleza e para Crateús. Se o paciente tem alto risco de vida, a gente manda na vaga zero”, acrescenta.
Em Bela Cruz, a situação co-meçou a se agravar há cerca de duas semanas. “As unida-des têm perfi l de paciente até moderado. Mas a avaliação do paciente é constante e o qua-dro pode evoluir rapidamente. O paciente passa a ser grave. A gente estava com uma média diária de 5 pacientes de inter-nação. Hoje, são 10, 12”, diz Denis Moreira, enfermeiro do Hospital Municipal de Bela Cruz.
Conforme Regina Carvalho, secretária da Saúde de Sobral, a macrorregião Norte registrava, até o início da tarde de ontem, 12, 60 pacientes aguardando leitos de enfermaria e 25 aguar-dando leitos de UTI para trans-ferência para Sobral. “Hoje, O HRN está com 5 pacientes extra leitos e o Hospital de Campanha Dr. Alves está com 2”, afi rma.
Segundo ela, a situação só não é considerada “um colapso” porque há possibilidade de am-pliar em poucos dias. “Colapso é quando não tem mais possi-bilidade de fazer mais nada, se esgota. Quando chegar, posso imediatamente abrir”, analisa. O município aguarda o envio kits compostos por camas hospita-lares, respiradores, monitores e bombas de fusão. Enquanto isso,
“estamos nos antecipando em montar equipes e aguardando esses equipamentos”, diz.
Segundo a secretária, a de-manda de pacientes em fi las de espera é muito alta e as UPAs estão exauridas. “Esta-mos na luta para ver se con-seguimos ampliar os leitos na próxima semana”, projeta. No Hospital de Campanha, 10 lei-tos de enfermaria devem ser transformados em UTIs. Se-rão 10 leitos de UTI na Santa Casa e 32 leitos de UTI e 60, de enfermaria no HRN, segundo a proposta de ampliação do Governo do Estado.
O POVO solicitou informações sobre a situação à Sesa e ao Hos-pital Regional Norte. As asses-sorias dos órgãos responderam que não havia fonte disponível.
FABIO LIMA
RUAS ficaram cheias no primeiro dia de lockdown em Caucaia
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REPORTAGEM
WWW.OPOVO.COM.BR SÁBADOFORTALEZA - CEARÁ - 13 DE MARÇO DE 2021
Política
Parlamentares e prefeitos ouvidos pelo O POVO ao longo do dia de ontem divergiram so-bre a necessidade de implanta-ção do isolamento social rígido, ou lockdown, em todo o estado do Ceará. Ao decretar a medida mais restritiva em Fortaleza, há mais de uma semana, o go-vernador Camilo Santana (PT) havia recomendado aos demais municípios que seguissem as mesmas orientações.
A escalada da pandemia, no entanto, acelerou a tomada de decisão de fechar atividades não essenciais em todo o Ceará.
Para o senador Eduardo Girão (Podemos), o lockdown é sintomático do “descontro-le” e de “falhas grosseiras” que ele entende terem havido na gestão da pandemia, como a desativação do Hospital de Campanha instalado no estádio Presidente Vargas (PV).
“Lockdown, além de não resolver a pandemia, agrava muito a já profunda crise so-cial e econômica, aumentando a fome e o desemprego de mi-lhões de cearenses.”
O deputado federal Eduardo Bismarck (PDT) entende diferen-te. Na perspectiva do pedetista, trata-se de uma medida dura, mas necessária para conter o avanço da doença. “Não quere-mos baixas no CNPJ, nem muito menos em CPFs. Vacina no braço, comida no prato”, exclamou.
Ontem, prefeitos da macror-região do Cariri sentaram para uma reunião, já no sentido de traçar as demandas prioritá-rias e reforçar o aparato hospi-talar para lidar com a crise.
“Aqui na Região da gente não se conseguiu vislumbrar situa-ção grave a ponto de decretar lockdown”, afi rmou o prefeito de Nova Olinda, Dr. Ítalo (PP).
Ele preside a Associação dos Prefeitos dos Municípios do Ca-riri Oeste (Amcoeste), com 12 municípios integrantes. “Agora o governador nos surpreendeu com essa decisão (de lockdown) e a gente vai acatar. A gente sabe das consequências ruins para a economia, ruins para os (trabalhadores) informais.”
Na reunião a que Ítalo se refere, 32 dos 45 municípios da macrorregião votaram. Fo-ram 11 favoráveis ao lockdown, 16 contrários, com cinco abs-tenções. Um dos favoráveis, o prefeito do Crato, Zé Ailton Brasil (PT), defende que Cami-lo agiu com sensatez.
“Todos os 10 leitos de UTI do Crato estão lotados. Os leitos de UIT de Juazeiro estão lotados. Então, essa é a preocupação, a falta de leitos para os pacientes. O Estado está tentando colocar mais 40 leitos no Hospital Re-gional, mas até que isso acon-teça, é bom que tenhamos um período aí para adaptar essas novas condições.”
| PANDEMIA |
Decreto que vigora a partir deste sábado, 13, em todo o Ceará provocou reações divergentes.
Enquanto alguns apontam erros, outros identifi cam sensatez por parte de Camilo Santana (PT)
PARLAMENTARES
E PREFEITOS DO CEARÁ
DIVERGEM SOBRE LOCKDOWN
CARLOS HOLANDA
EDIÇÃO: ÍTALO CORIOLANO | [email protected] | 85 3255 6101
“Não queremos baixas no
CNPJ, nem muito menos em
CPFs. Vacina no braço, comida
no prato”
EDUARDO BISMARCK (PDT)
deputado federal
“Lockdown, além de não
resolver a pandemia, agrava
muito a já profunda crise social e
econômica, aumentando a fome
e o desemprego de milhões de
cearenses.”
EDUARDO GIRÃO (PODEMOS)
senador
BARBARA MOIRA/O POVO AURELIO ALVES
Cid Gomes diz não haver outra
saída que não seja o lockdown
Repercussão.
Decreto
O senador Cid Gomes (PDT) defendeu o aliado Camilo San-tana (PT) e a determinação do governador petista de que todo o Estado atravesse dias sob regime de lockdown. Para o ex-governador, “não há outra saída” que não seja por meio da medida. “(...) a solução é o iso-lamento social rígido”, disse ele, por meio de uma rede social.
O argumento de Cid é de que a prática está em linha com acertos internacionais vistos em países como Portugal, Ale-manha e Nova Zelândia.
“Respeitar essas medidas”, segundo disse, “pode repre-sentar a diferença entre a vida e a morte.”
Na sequência, o pedetista aproveitou para “bater” na con-dução da crise a nível nacional, capitaneada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e pelo ministro Eduardo Pazuel-lo. Segundo Cid Gomes, a se-gunda onda da pandemia está arrasando o País. A prioridade então, para ele, deveria ser a
vacinação, mas, “por irrespon-sabilidade de Bolsonaro, está chegando a conta-gotas.”
A gestão de Bolsonaro reo-rientou o discurso marcada-mente negacionista desde o iní-cio da crise, apregoando agora que a “arma é vacina”, como es-creveu Eduardo Bolsonaro (PSL -SP) numa rede social.
A mudança, também com direito a uso de máscaras, veio logo após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em tom de denúncia, afi rmar que o fracasso brasileiro no contro-le da crise se deve ao compor-tamento do presidente, que já chegou até mesmo a levantar discurso contra máscaras.
Para o pedetista cearen-se, Jair Bolsonaro é “essen-cialmente um covarde”. Outro representante cearense no Senado Federal, Tasso Jereis-sati (PSDB) não havia emitido opinião sobre a medida até o fechamento desta página. O tucano tem sido crítico a Bolso-naro. (Carlos Holanda)
Nove políticos cearenses
morreram vítimas de Covid-19
Luto.
Pandemia
Desde o início na pandemia no Ceará, nove políticos do es-tado faleceram em decorrência da Covid-19. Número que vem chamando a atenção das auto-ridades. No dia 25 de fevereiro, por exemplo, na abertura da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Ceará (ALCE), o presidente da Casa, deputado Evandro Leitão (PDT), prestou homenagem aos 18 servidores, dentre deputados e demais fun-cionários, que morreram desde março de 2020. Sobre os óbitos, Leitão ainda pontuou: “Somen-te nes“Somen-te ano (2021), foram seis”. Em levantamento feito pelo O POVO, nove políticos cea-renses - dentre prefeitos e ex -prefeitos, e parlamentares e ex-parlamentares - morreram vítimas da Covid-19. O registro mais recente é do vereador de Santa Quitéria, Dr. Júnior Araú-jo (MDB), que faleceu na última quinta-feira, 11, aos 48 anos, após passar três dias internado no Hospital Regional de Sobral.
A notícia do óbito do
parlamentar choca, também, em função da pouca idade, as-sim como o falecimento do prefeito eleito no município de Ererê, Otoni Queiroz (PDT). Aos 42 anos, Otoni, é o mais jovem dentre os políticos vitimados pela doença. No município de cerca de 6,8 mil habitantes, ele foi eleito ao liderar uma chapa única, junto a sua vice Ema-nuelle Martins (PDT), que agora assume a Prefeitura. Internado desde o dia 10 de dezembro de 2020, Otoni não chegou a ser empossado e veio a óbito no úl-timo dia 20 de janeiro.
Os demais político do Ceará que morreram vítimas de Covid foram: Marconi José Figuei-redo, ex-prefeito de Araripe e ex-deputado estadual, Antô-nio Guimarães, ex-prefeito de Aquiraz, Edson Silva, vereador reeleito de Assaré, Normando Sóracles, ex-vereador de Jua-zeiro do Norte, e Dr. Ricardo Barreto Dias, ex-prefeito de So-bral. (Maria Eduarda Pessoa -
w w w. o p o v o . c o m . b r Sábado
Fortaleza - CearÁ - 13 de Março de 2021
política
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O Ministério Público do Cea-rá (MPCE) deflagrou operação ontem para investigar a altera-ção e possível adulteraaltera-ção em cilindros de oxigênio usados em Pentecoste, no Vale do Curu, a 91 quilômetros de Fortaleza.
O oxigênio, segundo o MPCE, foi fornecido para vários hospi-tais de toda a região do Vale do Curu. A manipulação do produ-to ofereceu riscos de explosão nos ambientes em que estive-ram, além de contaminação dos pacientes.
No momento em que a ope-ração foi deflagrada, uma am-bulância aguardava a entrega de vários cilindros que seriam transportados e usados em hos-pital no município de General Sampaio. Jairo Pequeno Neto, o promotor de Justiça responsá-vel, afirmou que “a conduta do comércio investigado é um cri-me contra a saúde pública e pode ter colocado em risco a vida de várias pessoas da região.”
As investigações indicam que o proprietário do estabeleci-mento reenvasava parte do oxi-gênio hospitalar para um reci-piente menor e comercializava o cilindro grande, mas com menos quantidade do que deveria.
Segundo o promotor, foram apreendidos vários cilindros. Ele adianta que, no momen-to da operação, um servidor do município de General Sampaio estava no local aguardando o reenvasamento de alguns cilin-dros que seriam transportados para os hospitais. “O empresário foi preso em flagrando por crime contra a saúde pública”, disse. Ele afirma que as investigações devem continuar.
Conforme o promotor, há “fortes indícios” de que os ci-lindros não foram esterilizados corretamente, podendo ter sido vendidos contaminados.
O MPCE informa ainda que investigará os contratos entre todos os municípios da região e o empresário - cujo nome não foi revelado -, com o objetivo de identificar os setores públicos que foram abastecidos com o material, além de outras possí-veis irregularidades, como a ori-gem dos cilindros, que, segundo os investigadores, durante pri-meira análise, não apresentaram informações nos lacres, causan-do suspeitas de clandestinidade. Policiais que atuaram na in-vestigação chegaram a contabi-lizar no local 22 cilindros vazios que armazenavam o total de 204 metros cúbicos de oxigênio. Também foram encontrados ou-tros nove cilindros cheios, que possivelmente sofreriam o pro-cesso de alteração. O empresá-rio foi autuado em flagrante na Delegacia de Pentecoste por fal-sificar produto destinado a fins medicinais, como está previsto no artigo 273 do Código Penal.
A escassez de oxigênio nas unidades de saúde é uma das principais preocupações do MPCE durante pandemia. On-tem, em reunião que contou com a participação de representantes da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), procu-rador-geral de Justiça do Ceará, Manuel Pinheiro, recomendou mais uma vez que os gestores adquiram mais estoques de oxi-gênio. (Carlos Holanda)
| Vale do curu |
Conforme o órgão, há “fortes indícios” de que os cilindros não foram esterilizados
corretamente, e eles podem ter sido vendidos contaminados. Contratos de prefeituras serão investigados
MP realiza operação contra oficina que
alterava oxigênio de hospitais no Ceará
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POLÍTICA
HOSPITAL de referência no tratamento de Covid-19, Leonardo da Vinci recebe intenso fluxo de ambulâncias de Fortaleza e do Interior
RETRATO DA TRAGÉDIA
E
stamos no meio de uma tragédia, mas parecemos não nos dar conta disso. O Brasil chegou ontem ao terceiro dia seguido com mais de duas mil mortes contabilizadas em 24 horas. Uma calamidade. Duas mil mortes por dia. São dez aviões de grande porte caindo diariamente. Ontem, com base nos dados da Universidade Johns Hopkins, o Brasil passou a Índia no número de casos acumulados desde o início da pan-demia. Passou a Índia, gente. Um País com mais de um bilhão de pessoas. A população indiana é equivalente a seis brasis e meio. Sabe lá o que é ter mais casos que eles? A situação é tão crítica e tão anestesiante que daqui a pouco, se conseguirmos reduzir o número de casos pela metade, teremos mil mortos por dia e vai-se acabar achando que está tudo bem, pode abrir tudo.Na capa do O POVO de ontem está uma imagem que considero
síntese do que vivemos hoje. De autoria do repórter fotográfico Fabio Lima, ela mostra um congestionamento de ambulâncias em frente ao hospital de referência do Estado no tratamento de Covid-19, o Leonardo da Vinci. Ela é a expressão visual dos números que se agravam continuamente.
Na segunda-feira, completa-se um ano daquele triste fim de
domingo em que foi tornada pública a confirmação dos três primeiros casos de Covid-19 no País. De lá para cá, o Ceará passou de 12 mil mortos. A média é superior a mil mortes por mês. Mil mortes por mês no Estado. Você é abençoado se nenhum deles era seu familiar, seu amigo.
A rede hospitalar já está estrangulada. Ela hoje já não dá conta
do número de casos. Como você se sentiria se fosse sua mãe, seu irmão ou seu filho, doente, precisando de atendimento e sem ter leito? Tem muita gente hoje se sentindo assim.
ÉRICO
FIRMO
ESTA COLUNA É PUBLICADA DE TERÇA A SÁBADO [email protected] ESTA COLUNA É PUBLICADA FÁBIO LIMANO MEIO DA TRAGÉDIA HÁ
MUITAS DISPUTAS
No meio da calamidade, desenrola-se uma disputa política e
econômica. Cada segmento puxando para seu lado, tentando ser exceção na tentativa desesperada de evitar o colapso da saúde. Restaurantes querem flexibilização, academias. Igrejas. As igrejas, meu Deus do céu. A que papel tem líderes religiosos se prestando. Em São Paulo, o futebol tem a pachorra de dizer que não irá acatar o decreto e buscará outra freguesia para jogar.
Impressiona, mas não surpreende o egoísmo de quem é incapaz
de olhar além dos próprios interesses. De quem quer seguir a vida normal apesar de dez mil mortos. Querem seguir sua rotina como se não vivêssemos uma tragédia há um ano.
Setores que se candidatam a ser a orquestra do Titanic nesta
pandemia.
O QUE SE PASSOU ENTRE
GILMAR E A LAVA JATO?
Gilmar Mendes talvez seja hoje o mais duro adversário da
ex-Lava Jato dentro do Judiciário. E eu sinceramente gostaria de saber o que aconteceu para essa mudança se processar. Afinal, ele era entusiasta da operação. Em 18 de setembro de 2015, ele disse: “O que se instalou no país nesses últimos anos e está sendo revelado na Lava Jato é um modelo de governança corrupta, algo que merece o nome claro de cleptocracia. Isso que se instalou.” Foi ele quem deu a liminar que proibiu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ser nomeado ministro, no ocaso do governo Dilma Rousseff (PT), com base numa escuta tornada pública pelo então juiz Sergio Moro que captou a então presidente da República, algo que jamais caberia a um juiz de primeira instância. Gravação essa ocorrida em horário no qual não havia mais autorização judicial para a escuta, irregularidade que o próprio Moro reconheceu. De muitos atos discutíveis e discutidos de Moro, aquele foi talvez o mais escancarado e o mais obviamente irregular. Gilmar, que agora se indigna com Moro, naquele momento foi avalista. Realmente gostaria de entender por que ele mudou tanto de opinião.
| XP/IPESPE |
Num eventual 1º turno
entre os dois, atual presidente totaliza 27% das intenções de
voto; Lula soma 25%. Mesmo cenário em possível 2º turno
Bolsonaro e Lula empatam
na 1ª pesquisa após decisão
de Fachin
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
O PRESIDENTE Jair Bolsonaro tem enfrentado desgastes na condução da pandemia e vê popularidade cair
O ex-presidente Luiz Iná-cio Lula da Silva (PT) empata com o presidente Jair Bolso-naro (sem partido) em cená-rios de primeiro e de segundo turnos, em 2022, aponta pes-quisa XP/Ipespe divulgada nesta sexta-feira, 12.
O capitão da reserva totali-za 27% das intenções de voto, ao passo que Lula soma 25%. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais. A pesqui-sa foi publicada pelo site do Valor Econômico.
É o primeiro levantamento desde que o ministro Edson Fa-chin, do Supremo Tribunal Fe-deral (STF), decidiu pela incom-petência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar o petista, restabelecendo com isso seus direitos políticos. Se não pres-crever, o processo recomeçará da estaca zero na Justiça Fede-ral de Brasília.
O fato de Lula ter se tornado elegível para 2022 fez com que ele fosse o potencial candidato que mais subiu na pesquisa de intenção de voto no último mês. Passou de 17% para 25%, na estimulada (quando os nomes são colocados para os entre-vistados) e de 5% para 17% na versão espontânea (quando os entrevistados não têm acesso aos nomes).
Num contexto de segundo turno, repete-se o empate, com Bolsonaro numericamente à frente de Lula: 41% a 40%.
Em outras projeções de se-gundo turno, o atual presiden-te fi ca atrás numericamenpresiden-te apenas de Sergio Moro: 31% a 34%. Vence, porém, o petista Fernando Haddad (40% a 36%), Luciano Huck (37% a 32%), o pedetista Ciro Gomes (37% a 32%), o psolista Guilherme Bou-los (40% a 30%) e o tucano João Doria (39% a 29%).
O Ipespe ouviu 800 pessoas por telefone entre os dias 9 e 11 de março.
A pesquisa traz ainda uma má notícias para Jair Bolsona-ro. A maioria dos brasileiros ouvidos expressa uma desejo de mudança em relação à eleição de 2022. Ao todo, 52% dos en-trevistados responderam que desejam do próximo presiden-te uma forma completamenpresiden-te diferente de governar o Bra-sil. Para isso, as característi-cas principais apontadas como principais nesta escolha são: candidato ser honesto (35%), ser preocupado com os mais pobres (17%), ser competente (16%) e conhecedor dos proble-mas do País (12%).
O levantamento tam-bém mostra alta na taxa de
reprovação do governo Bol-sonaro pelo sexto mês conse-cutivo. A fatia da população que considera a gestão “ruim ou péssima” chegou a 45%. Em fevereiro, era de 42% e, em outubro, esse mesmo ín-dice estava em 31%.
Ao mesmo tempo, o por-centual de entrevistados que avaliam o governo como “ótimo ou bom” caiu de 31% para 30%, dentro da mar-gem de erro. (Carlos
Ho-landa, com informações da Agência Estado)
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ed-son Fachin enviou para o plenário da Corte o recurso da Procuradoria-Geral da República apresentado nes-ta sexnes-ta, 12, contra a decisão que anulou as quatro ações penais do ex-presidente Lula (PT) na Lava Jato, incluindo as duas condenações impos-tas ao petista. Em despacho, o ministro mantém seu en-tendimento e libera o caso para ser discutido pelos co-legas da Corte.
Segundo o Estadão apurou, “no melhor dos cenários”, re-curso vai ser analisado a partir de 24 de março. Em despacho assinado na tarde de ontem, Fachin abre o prazo de cinco dias para a defesa de Lula se manifestar. Em seguida, os autos serão enviados ao mi-nistro Luiz Fux, presidente do
STF e responsável por fi xar a data do julgamento. Fux deve liberar o caso com rapidez.
A cúpula da PGR e integran-tes do STF avaliam que é difícil o plenário da Corte derrubar a decisão de Fachin, que na se-gunda-feira, 8, anulou as con-denações de Lula na Lava Jato. A decisão individual do minis-tro habilitou o petista a dispu-tar eleições, o que redesenhou o cenário político para 2022.
Pelo cálculo de procurado-res, a decisão deve ganhar o apoio de ministros como Gil-mar Mendes e Ricardo Lewan-dowski, dois expoentes da ala contrária à Lava Jato no STF. O julgamento deve ‘bagunçar' as divisões internas da Corte.
O recurso da PGR foi apre-sentado nesta sexta pela subprocuradora Lindôra Araújo e pede ao Supremo que reconheça novamente a
competência da 13ª Vara Fe-deral de Curitiba para julgar as quatro ações penais con-tra Lula - triplex do Guaru-já, sítio em Atibaia, sede do Instituto Lula e doações da Odebrecht. A Procuradoria afirma que as condenações e os processos contra o petis-ta devem ser mantidos “com base na jurisprudência do Supremo, e com vistas a pre-servar a estabilidade proces-sual e a segurança jurídica”.
“A PGR entende que, por terem por objeto crimes pra-ticados no âmbito do esque-ma criminoso que vitimou a Petrobras, todos os processos estão inseridos no contexto da chamada Operação Lava Jato, e, por tal razão, com acerto, tramitaram perante o Juízo da 13ª Vara Federal da Seção Ju-diciária do Paraná”, registrou a instituição em nota. (AE)
Plenário do STF julga recurso contra
anulação de condenações de Lula
| PGR |
MIGUEL SCHINCARIOL / AFP
LULA volta ao jogo político após condenações contra ele terem sido anuladas
é o percentual de Lula em projeção de 2º turno contra Bolsonaro
40%
é o percentual que Bolsonaro atinge num eventual 2º turno
w w w. o pov o.c om.b r Sábado
Fortaleza - CearÁ - 13 de Março de 2021
ECONOMIA
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O comércio varejista cearen-se aprecearen-sentou o terceiro pior recuo do Brasil no volume de vendas em janeiro, com queda de 4,9% ante dezembro, já feitos os devidos ajustes sazonais. No resultado dos estados, o Cea-rá só ficou atCea-rás de Rondônia (-9,1%) e Amazonas (-29,7%) no mesmo período. Total de 23 das 27 unidades federativas re-gistraram recuo nas vendas de mercadorias.
No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador no Estado alcançou queda de 6,0%. Os dados são da Pesquisa Men-sal de Comércio, divulgadas ontem pelo Instituto Brasilei-ro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o eco-nomista Alex Araújo, o fim do auxílio emergencial e escala-da dos casos de Covid após as festas de fim de ano foram os principais fatores para o de-saquecimento do comércio.
Ele analisa que, neste pe-ríodo de pandemia, o perfil de consumo do cearense foi mui-to dependente dos recursos do auxílio emergencial. Nos meses iniciais esteve mais li-gado ao consumo de produ-tos mais básicos, de alimen-tação. E, nos meses finais de 2020, com o recuo dos casos de Covid no Estado, se senti-ram confiantes para consumir outros produtos, como con-fecções, calçados, móveis e eletrodomésticos.
“Em janeiro, tanto tivemos a preocupação do crescimento da doença no fim do ano, o fim do auxílio emergencial soma-dos à própria diminuição sa-zonal de redução das compras. A perspectiva é que nos meses seguintes esse desaquecimento continue”, observa. Alex ain-da pontua que, mesmo com a aprovação do novo auxílio, bem menor do que o anterior, os consumidores devem continuar cautelosos, o que não oferece uma perspectiva positiva para pelo menos o primeiro semes-tre do ano.
“É uma combinação de fa-tores que deixa o consumidor desanimado em consumir: alta da inflação sobre produtos mais básicos, auxílio em menor valor e período, aliado ao crescimen-to da pandemia”, completa.
O levantamento investigou o comércio em oito atividades básicas e destaca que no Cea-rá apenas duas tiveram taxas positivas em janeiro, no com-parativo com o mesmo período do ano anterior. Registrando o maior aumento, a venda de equipamentos e materiais para escritório, informático e co-municação teve uma variação positiva de 18,5%, acumulan-do nos últimos 12 meses 7,8% de crescimento. Na sequência, o comércio de artigos farma-cêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com variação de 6,1% com re-lação a janeiro do ano passado e um acumulado de 12 meses de 0,2%. (Colaborou Alan Magno/
Especial para O POVO)
| REsultAdO |
Em janeiro, o volume de vendas do varejo foi 4,9% menor do
que em dezembro. Fim do auxílio e restrições por causa do avanço da Covid-19 estimularam queda
Comércio cearense apresenta
o terceiro maior recuo
do País
JÚlIo CaeSar
Fim do auxílio emergencial e
crescimento dos casos de Covid são inibidores de vendas no comércio
Varejo nacional
cai em média
0,2% em janeiro
Brasil
O comércio varejista na-cional teve teve variação de -0,2% em janeiro frente a de-zembro, na série com ajus-te sazonal, após o recuo de 6,2% em dezembro de 2020. Na comparativa com o mesmo mês de 2020, houve variação de-0,3%, primeira taxa nega-tiva após sete meses conse-cutivos de altas. O acumulado nos últimos 12 meses ficou em 1,0%, próximo ao de dezem-bro (1,2%). No levantamento do IBGE, oito atividades den-tro do varejo são investiga-das, destas, quatro tiveram queda no comparativo entre janeiro deste ano e dezembro do ano passado. O setor de maior peso no comércio va-rejista, a venda de produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou recuou de 1,6% em todo o país.
A maior queda registrada foi na venda de livros, jornais, revistas e papelaria, que des-pencou 26,5% em um mês. Na sequência, o comércio de teci-dos, vestuário e calçados com-putou recuo de 8,2%, seguida pelas vendas de móveis e ele-trodomésticos que caiu 6%. O fluxo de venda de combustíveis e lubrificantes ficou estável.
Influenciando positiva-mente a média nacional, os setores de outros artigos de uso pessoal e doméstico apresentaram crescimento de 8,3%. Já a venda de arti-gos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos subiu 2,6% em um mês e a comercialização de equipamentos e material para escritório, informática e co-municação teve um aumento de 2,2%.
Samuel pimentel
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www.opovo.com.br SábadoFortaleza - CearÁ - 13 de Março de 2021
ECONOMIA
A alta nos preços de insumos para a construção, especial-mente o aço, ameaça o ritmo do setor que vem promissor desde pós-lockdown do ano passado. Mesma época em que os mate-riais usados nos canteiros tive-ram os preços elevados, em um movimento que já ultrapassa os 100% quando comparado a janeiro de 2020. Como alterna-tiva, construtoras cearenses es-tão estudando comprar aço dos mercados chinês e turco para atenuar o impacto do aumento nos custos das obras.
“Eu não consigo acreditar que os custos dobraram para aumentar o preço do aço. En-tão, a gente achava que ia ceder, aguentou algumas oscilações, mas estamos muito preocupa-dos com isso. Temos reuniões diárias falando sobre isso e como a gente vai repor”, revela Patriolino Dias, presidente do Sindicato da Indústria da Cons-trução no Ceará (Sinduscon-CE). Dias rechaça a interferência do mercado internacional nos preços, uma vez que “o aço é lo-cal, moldado e produzido aqui, e mesmo que fosse por causa do dólar, o dólar não dobrou de um ano para cá”. O problema per-siste desde a retomada, mas se agravou no início de março.
Tanto é que o presidente do Sinduscon-CE destaca que os as-sociados dele, assim como todos os membros da Câmara Brasi-leira da Indústria da Construção (CBIC), estão cotando preços no exterior, precisamente na Chi-na. O objetivo é conseguir preços mais vantajosos e que não atra-palhem o desempenho do setor.
Já Sérgio Macêdo, pre-sidente da Cooperativa da Construção Civil do Estado do
Ceará (Coopercon-CE), está, juntamente com as demais coo-perativas do País, de olho no aço vendido pela Turquia. A orga-nização se deu, principalmente, pela falta de diálogo para deba-ter preço, segundo lamenta.
“Nenhuma delas (indústrias de aço brasileiras) quer partici-par de rodadas de negociações. Estamos negociando a nível na-cional, com as cooperativas de todo Brasil para conseguir uma solução, para ter condições de trabalhar com aço”, conta, ainda sem entender o aumento opera-do nos preços opera-dos insumos.
“A siderurgia daqui (Brasil) trabalha muito com sucata e começou a faltar material por causa do lockdown (de 2020). Depois seguraram o preço alto e eu não acho que isso seja jus-tificável. Nada justifica esse valor”, critica.
Sobre os impactos dos pre-ços de insumos cada vez mais caros, os dois líderes da cons-trução cearense mantém o oti-mismo visto nas últimas sema-nas, quando o setor ficou fora do lockdown decretado pelo Governo do Estado para segurar a contaminação por Covid-19. E ambos justificam a compra de materiais no exterior como uma forma de tentar segurar os valo-res dos produtos finais, ou seja, os imóveis.
Na avaliação de Macêdo, o mercado ainda enxerga “uma demanda muito grande por imóveis”, mas um repasse de preços é descartado no momen-to. Ele observa ainda que o pú-blico de maior demanda ainda está dentro dos parâmetros do Minha Casa, Minha Vida, inte-ressado em unidades cujo valor médio giram em torno de R$ 190 mil e um aumento dos preços poderia prejudicar os consumi-dores e as construtoras - ambos cada vez mais cautelosos.
“Não tenho como repassar preço. O que temos de fazer é assimilar custo. No momento
| INsuMOs |
Itens usados
pelo setor saltaram
até 148%, com destaque para o aço. Construtoras temem ter que repassar preços ao consumidor
Alta nos preços faz construção
civil do Ceará procurar aço na
China e na Turquia
José Paulo laCerda/divulgação CNi
vergalhões de aço foram alguns dos itens cujo preço mais cresceu de janeiro de 2020 até fevereiro deste ano
armando de oliveira lima
O CEO da Arco Educação, Ari de Sá Neto, participou on-tem, 12, do lançamento do po-dcast “Na Varanda” e discutiu as tendências e inovações do mercado de ensino, bem como abordou as recentes aquisi-ções do grupo, que se consoli-dou em 2021 como o principal player nacional do segmento. A aposta dele é que educa-ção presencial e virtual sejam complementares.
Com as compras dos sis-temas de ensino COC e Dom
Bosco, da Pearson no Brasil, por R$ 920 milhões, e da pla-taforma “Me Salva”, de cursi-nhos pré-vestibulares, a Arco atingiu cotação de US$ 1,8 bi na Nasdaq, a principal bolsa de valores do mundo quando se trata de tecnologia. O gru-po abrange cerca de 6 mil es-colas e deve passar de 1,6 para 1,9 milhão de alunos, caso as aquisições das últimas se-manas sejam aprovadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica.
Na conversa conduzida pelo CEO da aceleradora Casa Azul Ventures, Filipe Dummar, e pelos apresentadores Wagner Anselmo e Maurício Cardoso,
Ari de Sá Neto destacou a im-portância de o mercado de educação básica estar prepa-rado para o pós-pandemia, no qual ele projeta um modelo complementar entre a escola e o ambiente virtual. “Acho que o papel do professor vai mudar. Ele vai virar mais um mentor. O aluno consegue aprender muito no modelo que a gente chama de sala de aula inver-tida. Antes de ir para escola, ele assiste uma vídeo-aula de um professor espetacular em determinado assunto e quan-do chega, aquele nivelamen-to básico do conhecimennivelamen-to já está dado. Então, ele vai trocar ideias e tirar dúvidas. É muito
mais rico”, avalia.
Quanto a pré-vestibulan-dos e adultos, o CEO da Arco já enxerga um panorama mais consolidado para a chamada Educação à Distância (EAD) e vê nesse movimento a possi-bilidade de inserir a Arco no modelo B2C de negócios, ou seja, focado no consumidor fi-nal. Hoje, a empresa atua 100% no modelo B2B, voltado, prin-cipalmente, para a venda de seus sistemas de ensino.
“Esse era um movimento que em 100 anos nunca tinha acontecido na educação, que é o processo de digitalização. Então, vamos fazer uma aposta inicial que tem a oportunidade
Pós-PANdEMIA |
Grupo cearense fez aquisições de diferentes perfis, que englobam
desde gigantes, como COC e Dom Bosco, a startups, como a ‘Me Salva'
Arco aposta em complementaridade
entre educação presencial e virtual
adriano Queiroz
não tem como repassar um va-lor desse. Passamos cinco de anos de crise”, reforça.
Pensamento compartilhado pelo presidente do Sinduscon-CE: “Se os preços dos insumos persistirem, vamos ter que pas-sar para o preço do imóvel. Po-rém, eu não sei se é viável, se a população vai ter como absor-ver. Esse é justamente o impasse que estamos vivendo e estamos angustiados. Acho que gente não consegue, a população não dobrou os ganhos, não é? A ren-da não dobrou. E aí? Como que fecha essa conta?”
O instituo Aço Brasil, que re-presenta a indústria do aço no País, respondeu ao O POVO em nota que, “por força estatutá-ria e em respeito às regras de compliance”, “não comenta pre-ço”. No entanto, acrescentou: “Questões relacionadas a esse tema dizem respeito à relação comercial mantida entre forne-cedor e cliente. No entanto, cabe mencionar que, ao acompa-nhar os índices de preço oficiais, constata-se (sic) fenômeno que vem acontecendo no Brasil e no mundo. É o chamado novo ciclo das comodities / boom de co-modities que vem elevando de forma expressiva o preço das matérias primas e insumos que compõem o processo produtivo do aço e de outros elos da indús-tria de transformação.”
Eu não consigo
acreditar que os
custos dobraram
para aumentar o
preço do aço”
patriolino dias Presidente do sinduscon-Cede crescer muito. A gente está querendo aprender o B2C. Uma vez aprendendo, porque não produzir conteúdo de qualidade e entregar diretamente ao con-sumidor”, projeta.
SERVIÇO
Na Varanda
Os episódios do projeto “Na Varanda” serão realizados quinzenalmente primeiro pelo Twitch, como uma live, e , no dia seguinte, disponibilizados nas demais plataformas de áudio e podcast.
www.opovo.com.br Sábado
Fortaleza - CearÁ - 13 de Março de 2021
Economia
11
Aviso
excepcionalmente, não temos hoje a coluna da jornalista Neila Fontenele. O governo terá até setembropara propor o corte de aproxi-madamente R$ 30 bilhões em isenções, subsídios e desonera-ções em um ano, de acordo com projeção da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado. O corte está previsto na Pro-posta de Emenda à Constitui-ção (PEC) emergencial, formu-lada para destravar o auxílio emergencial e aprovada no Se-nado e na Câmara. O texto deve ser promulgado pelo Congresso na segunda-feira, 15.
Parlamentares e técnicos, porém, levantam dúvidas sobre a viabilidade política do fim das renúncias. Atualmente, os cha-mados gastos tributários (ou seja, o que a União abriu mão na arrecadação) totalizam R$ 307,9 bilhões, conforme estima-tiva da Receita Federal no pro-jeto de Orçamento para 2021. A PEC determina que o Planalto encaminhe ao Congresso em seis meses um plano emergen-cial para reduzir as renúncias fiscais em 10% no primeiro ano e limitar os incentivos a 2% do PIB em um prazo de oito anos - hoje, eles chegam a 4,25%. No final desse período, o governo poderá ser obrigado a cortar até R$ 150 bilhões em subsídios.
O Congresso Nacional blin-dou praticamente metade dos benefícios na proposta, dimi-nuindo o espaço para o go-verno definir onde cortar. De
acordo com a IFI, a blindagem forçará o governo a zerar to-dos os gastos tributários que não ficaram protegidos no prazo de oito anos. “Há um nó e, por isso, é difícil ser imple-mentado em um prazo curto. O Executivo até pode mandar rapidamente a proposta, mas é preciso ver como será a dis-cussão no Congresso. As blin-dagens que foram feitas são grandes”, afirmou Felipe Salto, diretor executivo da IFI.
Os parlamentares garanti-ram a manutenção de subsídios relacionados ao Simples Nacio-nal, à cesta básica, às entida-des sem fins lucrativos, à Zona Franca de Manaus, ao Prouni (financiamento estudantil) e aos fundos constitucionais que financiam projetos em regiões do País. No total, mais de R$ 149 bilhões foram preservados, praticamente metade de tudo que a União abre mão hoje. Des-sa forma, o governo terá de mi-rar, por exemplo, em deduções do Imposto de Renda, benefí-cios agrícolas e até desonera-ções em medicamentos e livros. De acordo com Salto, a tesou-rada aumenta a arrecadação do governo (funciona como um aumento de imposto) e ajuda o Executivo federal a cumprir a meta de resultado primário para os próximos anos, mas não abre espaço no teto de gastos, a regra que atrela o avanço das
despesas à inflação, pois quase todos os gastos tributários não são considerados como despe-sas sujeitas a esse limite fiscal. A reação de setores beneficia-dos pode ser um entrave. Bol-sonaro tentou retirar o plano de cortes da PEC, conforme o Estadão/Broadcast antecipou.
A equipe econômica, porém, conseguiu manter a propos-ta, mas em contrapartida teve de abrir mão de outras medi-das, como o congelamento de
progressões e promoções de funcionários públicos, previsto inicialmente na PEC. Procurado, o Ministério da Economia não apontou quais subsídios serão incluídos no corte e afirmou que os estudos estão em andamento.
“Duvido que o governo cum-pra. Não há vontade política e não existe a percepção popular de que estamos abrindo mão sem saber se é bom ou ruim”, afirmou o senador Esperidião Amin (PP-SC). Além do plano
emergencial, a PEC determina a elaboração de um sistema para avaliar a eficiência de cada benefício dado pela União por lei complementar, que poderá vir do Executivo ou do próprio Congresso. “É uma proposta que apresento desde 1991. O que eu defendo não é cortar, é analisar se o benefício trouxe competitividade, se o consu-midor ganhou alguma coisa e se gerou ou manteve emprego.”
(Agência Estado)
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O corte está previsto na PEC emergencial, formulada
para destravar nova rodada de auxílio. O texto deve ser promulgado pelo Congresso dia 15
PEC pode levar a corte de
até R$ 30 bi em subsídios em
um ano
Pablo Valadares/CâMara dos dePutados
câmara dos deputados manteve
teto de r$ 44 bilhões para novo auxílio emergencial