• Nenhum resultado encontrado

AUMENTO DE CASOS DE COVID-19

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "AUMENTO DE CASOS DE COVID-19"

Copied!
20
0
0

Texto

(1)

WHATSAPP DA REDAÇÃO O POVO: (85) 98201 9291 OMBUDSMAN: (85) 98893 9807 (whatsapp) ou

[email protected] (seg a sex, das 8h às 14h) MERCADO ASSINANTE: (85) 3254 1010

acesse www.opovo.com.br/falecomagente ou 99605 2273 (whatsapp) E-COMMERCE ASSINATURA: assine.opovo.com.br

E-MAIL: [email protected] ISSN 1517-6819

Pelo Nordestão,

Fortaleza recebe o

Treze no Castelão, e

Ceará encara o Altos

no Piauí

PÁGINAS 15 E 16

ESPORTES

Pandemia altera

rotas de times e CBF

anuncia mudanças

em jogos da Copa

do Brasil

PÁGINA 17

ESPORTES

Comércio

varejista do

Ceará tem 3º

pior resultado

do Brasil

PÁGINA 9

ECONOMIA

75,1% dos

pacientes de

Covid-19 na Capital

têm menos de

60 anos

PÁGINA 12

CIDADES

Ofi cina que

alterava oxigênio

hospitalar é alvo

de operação

do MPCE

PÁGINA 7

POLÍTICA

FALTAM LEITOS NO NORTE DO CE

E PACIENTE MORRE NA PORTA DE HOSPITAL

REPORTAGEM, PÁGINAS 4 A 6; ÉRICO FIRMO, PÁGINA 8; EDITORIAL, PÁGINA 18; CHARGE, PÁGINA 2

MÉDIA DIÁRIA DE ÓBITOS SALTA 200% EM FORTALEZA

DE JANEIRO A MARÇO

FEVEREIRO TEM A MAIOR MÉDIA DIÁRIA DE CASOS

DA PANDEMIA NA CAPITAL

EDIÇÃO DE HOJE Edição fechada a 0h30 26 páginas

SÁBADO

􀛨􀢝/􀢝/􀣔􀛨 WWW.OPOVO.COM.BR

ANO XCIV - EDIÇÃO Nº 31.299 FORTALEZA - CE / R$ 3,00

AUMENTO DE CASOS DE COVID-19

THAIS MESQUITA FÁBIO LIMA Em Fortaleza, do início do mês até ontem, 271 óbitos foram registrados. Alta dos números de casos e de mortes ocorre em todo o Estado, onde hoje começa lockdown geral

93 ANOS

Dodora Guimarães

comanda instituto

que preserva acervo

documental do

artista caririense

VIDA&AARTE, PÁGINA 1

SÉRVULO

ESMERALDO

O POVO MAIS

MAIS.OPOVO.COM.BR Aponte a câmera do celular para o código, navegue pelo O POVO+ e veja esta edição e muitos outros conteúdos

(2)

2

WWW.OPOVO.COM.BR SÁBADO

FORTALEZA - CEARÁ - 13 DE MARÇO DE 2021

FAROL

Temperatura Máxima

33

⁰C

Temperatura Mínima

24

⁰C

Nebulosidade variável DEISA GARCÊZ/ESPECIAL PARA O POVO

AMÉM, IRMÃOS?!

Tem gente vendo na decisão do prefeito José Sarto de liberar atividades em templos e igrejas, um viés de proximidade do gestor com representantes desses grupos até por questões familiares. Sarto é cristão.

Nova

atual Crescente21/3 Cheia28/3 Minguante4/4

ESTA COLUNA É PUBLICADA DE SEGUNDA A SÁBADO

FALE COM O ELIOMAR:

ELIOMAR DE LIMA

CHARGE \ Clayton

[email protected]

TÁBUA DAS MARÉS

HOJE

 MARÉ ALTA 4h59min / 2,7 metros  MARÉ BAIXA 10h51min / 0,3 metro  MARÉ ALTA 17h14min / 2,8 metros  MARÉ BAIXA 23h09min / 0,3 metro

AMANHÃ

 MARÉ ALTA 5h30min / 2,8 metros  MARÉ BAIXA 11h23min / 0,3 metro  MARÉ ALTA 17h46min / 2,8 metros  MARÉ BAIXA 23h39min / 0,3 metro

LUA

TEMPO EM FORTALEZA

FONTES: OBSERVATÓRIO NACIONAL E FUNCEME

Em meio ao cenário de di-fi culdades acentuadas na pan-demia no Ceará, a Secretaria da Cultura do Estado ajuizou Ação Cível Originária (ACO) no Su-premo Tribunal Federal (STF) solicitando a prorrogação dos prazos de execução da Lei Aldir Blanc em território cearense. Considerando a inviabilidade da execução de projetos sele-cionados pela lei no atual cená-rio sanitácená-rio, o pedido, feito por meio da Procuradoria Geral do Estado (PGE), propõe que seja possível apresentar o Relatório de Gestão Final ao Ministério de Turismo e de execução até o dia 27 de dezembro de 2021. No Ceará, R$71 milhões foram destinados à esfera do Estado e R$67 milhões aos municípios.

O prazo atual previsto pelo decreto federal que regulamen-ta a lei esregulamen-tabelece que os esregulamen-tados têm até o dia 30 de junho de 2021 para prestação de contas jun-to ao Ministério do Turismo. A aprovação da prorrogação deste prazo ajudaria, também, os prazos para os proponentes selecionados prestarem contas

junto à secretaria estadual. A movimentação a favor da pror-rogação dos prazos da lei é pau-tada por entidades, secretarias e pessoas físicas do setor artís-tico-cultural há meses.

O texto do pedido aponta que o cenário atual da pandemia, com as necessárias medidas de restrição, inviabiliza a execução de projetos aprovados. “Estes projetos estão movimentando mais de R$ 62 milhões na eco-nomia local por meio das artes e da cultura e não podemos correr o risco de ver por água abaixo todos os esforços empreendidos pela sociedade civil e pela Secult em executar integralmente os recursos conquistados”, aponta Fabiano Piúba, titular da Secult.

O secretário indica que a iniciativa de pedir pela prorro-gação no âmbito estadual po-derá criar um “efeito cascata” no País que benefi cie todos os estados com “um tempo mais justo e realista na execução de todos os projetos fomentados pela Lei Aldir Blanc nos mais diversos rincões do Brasil”.

(João Gabriel Tréz)

Secult pede em

ação no STF mais

prazo para Lei

Aldir Blanc

| CULTURA |

Prazo atual previsto é que os

estados têm até o dia 30 de junho de 2021

[email protected] | BLOGDOELIOMAR.COM.BR

A Associação Benefi cente do Alto Alegre, em Fortaleza, recebeu cestas básicas doadas pela Fundação Beto Studart. Foram entregues por grupo de mulheres do Grupo BSPar. /// Cláudia Santos, ex-titular do Procon Fortaleza, agora escreve semanalmente sobre Direito do Consumidor no Portal Economic News Brasil.

/// O Troféu Digital da Música Cearense terá ganhadores conhecidos hoje, às 20h, pelo canal do YouTube da Associação Cultural Solidariedade e Arte – Solar. São 13 categorias. /// Só lembrando: “Por falar em pandemia… Mesmo no lockdown, eita, povo pra gostar de bater perna…”

CÂMARA MUNICIPAL

de Aquiraz, que dobrou o valor sem

citar a fonte de pagamento, o que inviabiliza o auxílio. Pura pendenga política. PREFEITURA DE AQUIRAZ,

que criou auxilio emergencial municipal de R$ 250,00, durante dois

meses ou enquanto durar a pandemia.

FUNCEME VAI DIVULGAR 3º PROGNÓSTICO SOBRE CHUVAS

A

Funceme vai divulgar, na próxima segunda-feira, em suas redes sociais, o terceiro prognóstico sobre a chuva deste ano no Estado. A quadra chuvosa segue até maio, mas a previsão será para o trimestre Abril-Maio-Junho. O órgão, de acordo com seu presidente, Eduardo Sávio, fi naliza análises junto a outros organismos nacionais e internacionais. O primeiro prognóstico do gênero apontou tendências para o trimestre Fevereiro-Março-Abril e assim foi apresentado pelo

órgão em fevereiro: 50% de probabilidade de chuvas abaixo da média; 40% de probabilidade de chuvas em torno da média; e 10% de proba-bilidade de chuvas acima da média. O segundo, Março-Abril-Maio, não apresentou mudanças. Até o momento, segundo o titular da Funceme, também não foi identifi cado nenhum padrão espacial diferenciado. Ou seja, a perspectiva para o próximo trimestre é de pouca oscilação com relação aos primeiros prognósticos já divulgados. Portanto, nada ani-mador. Até parece que São Pedro também decretou lockdown.

SEM CLOROQUINA

Na próxima segunda-feira, às 10 horas, pela TV Senado, haverá de-bate sobre “Tratamento profiláti-co profiláti-contra a Covid-19”. Iniciativa de Eduardo Girão (Pode), que man-dou convite para Dr. Cabeto, se-cretário estadual da Saúde, e para Anastácio Queiroz (ex-secretário).

MAIS UM

Há um movimento político junto ao governador Camilo Santana para que a Universidade Vale do Acaraú (UVA) tenha um curso de Medicina. O Hospital Regional do Norte (HRN) daria total respaldo a esse projeto. Aliás, como faltam médicos no Interior.

ESTAÇÃO JURÍDICA

Já está na 5ª Vara da Fazenda Pú-blica uma ação popular contra o projeto do bondinho turístico que o governo estadual planeja para For-taleza, ao custo de R$ 115 milhões. A iniciativa é do deputado estadual Heitor Férrer (SD). Para ele, um desperdício.

REFORÇO

O Hospital Uniclinic está montan-do um ambulatório de base exclu-sivamente para atender aos pa-cientes da Covid-19. A montagem acontece em área do estaciona-mento dessa unidade hospitalar.

SEM

CONTRAFLUXO

Saiu no Diário Oficial do Estado a exoneração do superintendente adjunto do Detran, Pablo Ximenes, e de Daniel Paiva, do cargo de di-retor jurídico do órgão. Exonera-dos eram do time do ex-superin-tendente Igor Pontes, hoje à frente do Metrofor.

MEU DEUS!

Nas redes sociais, há grupos con-vocando as pessoas a saírem em suas calçadas e ir às janelas, a partir das 8 horas deste domingo, para protestar contra medidas do governo acerca do combate à Covid-19. O apelo é lutar contra o comunismo. Que neura.

UM A MENOS

Ganhou boa repercussão o “Ma-nifesto pela Vida e pela Ciência” lançado por reitores das univer-sidades públicas e IFCE no Ceará em apoio à luta contra a Covid-19. O único que não assinou: Roque Albuquerque, da Unilab, indica-ção do bolsonarista Pastor Jaziel.

PÂNDEGA

Dilema bolsonarista hoje é: apoiar Moro contra Lula ou ficar do lado de Lula contra Moro. A decisão de anular condenações do petista partiu de um ministro a favor da Lava Jato e a decisão final sobre suspeição de Moro caberá a um ministro indicado por Bolsonaro.

PELO WHATSAPP

A Procuradoria Geral do Município acaba de criar mais um canal de comunicação com o contribuinte. Por meio do WhatsApp, o cidadão poderá encaminhar e tirar dúvi-das, por mensagem, via celular. O fone é o (85) 3265 1613. Nesta pan-demia, isso ajuda e muito.

SOBE

DESCE

(3)

WWW.OPOVO.COM.BR SÁBADO

FORTALEZA - CEARÁ - 13 DE MARÇO DE 2021

FAROL

3

WWW.OPOVO.COM.BR

SÁBADO

FORTALEZA - CEARÁ - 13 DE MARÇO DE 2021

EDIÇÃO: DOMITILA ANDRADE | [email protected] | 85 3255 6101

PRODUÇÃO FIOCRUZ

CASSAÇÃO

A Anvisa anunciou ontem, 12, ter concedido o registro defi nitivo da vacina de Oxford/AstraZeneca, contra a Covid-19, produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A decisão permite a entrega do produto que tem etapa fi nal de fabricação no País. Anteriormente, a Anvisa autorizou o uso

emergencial do mesmo produto, mas fabricado pelo Instituto Serum, da Índia. O registro não permite a venda ao setor privado, pois a Fiocruz tem apenas o Sistema Único de Saúde (SUS) como cliente. A liberação da agência, por enquanto, permite o uso de 112 milhões de doses que devem ser distribuídas até julho. Essas unidades têm ingrediente farmacêutico ativo (IFA) importado da China e fase fi nal de envase feita na Fiocruz. A Fiocruz informou que em março receberá o dobro do número de lotes de IFA inicialmente previstos para este mês, ou seja, o sufi ciente para 30 mi de doses. (AE)

O Conselho de Ética da Câmara decidiu ontem, 12, seguir com o processo disciplinar contra o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), que pode levar à cassação do seu mandato. Foram 13 votos a dois para dar continuidade à ação movida depois que Silveira publicou um vídeo nas redes sociais no qual faz apologia do Ato Institucional n.º 5 (AI-5), o mais duro da ditadura militar, e pede a destituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Silveira completou ontem 25 dias de prisão, determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes em 16 de fevereiro e confi rmada em seguida pelos plenários da Corte e também da própria Câmara. O processo que tramita no Conselho de Ética é baseado em sete representações diferentes de vários partidos. Uma delas foi apresentada pelo PSOL. (AE)

Vacina Astrazeneca

recebe registro

defi nitivo da Anvisa

Conselho de Ética

prossegue processo

contra Daniel

Silveira

Dobra casos

de presos com

Covid-19 no Ceará

| EM TRÊS DIAS |

SAP informa que segue

com estrutura para isolar e tratar os internos

O número de casos de presos com Covid-19 no Ceará dobrou em três dias, quando a quanti-dade saltou de 38 casos regis-trados na última terça-feira, 9, para 76 ontem, 12. Os dados fo-ram levantados no comparativo entre duas notas da Secretaria da Administração Penitenciá-ria do Estado do Ceará (SAP) enviadas ao O POVO na terça e nesta sexta. Ontem, um levan-tamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontou au-mento de 190% no número de mortes de presos e servidores do sistema prisional no Brasil pela doença nos primeiros 67 dias de 2021 comparados aos 70 dias fi nais de 2020.

Do total registrado hoje, 56 presos são da Delegacia de Cap-turas e Polinter (Decap). Na ter-ça-feira, do mesmo local eram 17. Em relação ao balanço de liciais penais, 60 testaram po-sitivo para a doença conforme o registro desta sexta; na ter-ça, eram 44 policiais penais. En-tre colaboradores terceirizados do sistema prisional com Co-vid-19, houve queda: de 44 casos na terça para 14 nesta sexta. O Estado tem uma população car-cerária de aproximadamente 23

mil detentos e 4.700 servidores da Secretaria.

Em relação aos óbitos, foram registrados, desde o início da pandemia, em março de 2020, dois óbitos de policiais penais, cinco de internos e um de um colaborador terceirizado. Se-gundo a SAP, apesar das medi-das de isolamento social rígido no Estado, o órgão permanece com sua estrutura de Enfer-maria Máxima de Saúde para isolar e tratar os internos que apresentem sintomas ou con-fi rmem resultado positivo para o novo coronavírus.

Ainda segundo a Secretaria, algumas medidas foram ado-tadas para evitar a proliferação do vírus. “As visitas aos presídios cearenses estão suspensas desde o dia 20 de fevereiro. Entrega de malotes, atendimento presencial do serviço social, atendimento da Casa do Albergado e alguns serviços da Central de Monito-ramento também estão suspen-sos. A SAP também já realizou mais de 17 mil testes em inter-nos e servidores, como forma de rastreamento de novos casos e medidas precoces de isolamento e tratamento”, disse. (Mirla

No-bre, especial para O POVO)

FABIO LIMA

CEARÁ tem uma população

carcerária de cerca de 23 mil detentos

Gilberto Gil, 78, recebeu a primeira dose da vacina contra a Covid-19 ontem, 12, em Salvador , Bahia. Em comemoração, o cantor compartilhou o momento nas suas redes sociais. Em um vídeo publicado no seu perfi l do Instagram, o artista apareceu recebendo a dose em um posto de saúde ao som de sua música Andar com Fé. “Queremos viver confi antes no futuro”, escreveu ele na legenda do post. (AE)

GILBERTO GIL É VACINADO

CONTRA COVID􀒀􀛨􀙄

48% dos britânicos têm opinião negativa sobre o príncipe Harry (contra 45% positiva). Já Meghan Markle tem rejeição ainda maior: 58% (contra apenas 31% positiva). É o que revela

pesquisa divulgada ontem, 12, após entrevista com acusação de racismo, que terá reprise amanhã, 14, às 20h, no GNT. (AFP)

POPULARIDADE EM BAIXA

HARRY E MEGHAN

JOE PUGLIESE / HARPO PRODUCTIONS / AFP)

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Repudio ofensas e ataques pessoais ao Ministro Edson Fachin do

STF, magistrado técnico e com atuação destacada na Operação

Lava Jato. Qualquer discordância quanto à decisão deve ser

objeto de recurso, não de perseguição”

SÉRGIO MORO

Ex-juiz da Lava Jato defendeu o ministro Edson Fachin, do STF, dos ataques sofridos desde que anulou os processos e condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

A professora panamenha Graciela

Bouche, na parte da frente da

embarcação, é levada por uma indígena

Embera em um barco “piragua” no rio

Chagres, na comunidade de Ella Puru

Embera, província de Colon, Panamá.

Sentada na beira de sua canoa, Madelaine

rema pelo rio Chagres, que encontra

o Canal do Panamá. Em tempos de

pandemia, ela leva Graciela para dar

aulas a crianças indígenas sem conexão

com salas de aula virtuais. (AFP)

ESFORÇO PELA

EDUCAÇÃO NA

PANDEMIA

LUIS ACOSTA / AFP

20,7

15 mi

bilhões de reais foi o lucro líquido registrado em 2020 pelo BNDES resultante da oferta pública de ações da Petrobras, da venda de ações da Vale e da Suzano, e das receitas com dividendos de empresas que receberam investimentos

de doses da Sputnik V, vacina contra a Covid-19 desenvolvida na Rússia foram compradas pelo Ministério da Saúde. A pasta afi rma que a ideia é receber 400 mil doses até o fi m de abril, 2 milhões no fi m de maio e 7,6 milhões em junho

(4)

4

WWW.OPOVO.COM.BR SÁBADO

FORTALEZA - CEARÁ - 13 DE MARÇO DE 2021

REPORTAGEM

Cidades

MÉDIA DIÁRIA

DE MORTES POR COVID􀒀􀛨􀙄 AUMENTA

EM FORTALEZA

| SEGUNDA ONDA |

Desde novembro de 2020, o número de mortes por conta da

doença voltou a crescer na Capital. Curva de óbitos mostra maior aumento em

fevereiro de 2021 e “crescimento exponencial” nos primeiros 12 dias de março

A média diária de mortes por Covid-19 em Fortaleza au-mentou 200% neste mês de março, em comparação com os registros de janeiro último. Entre os dias 1/3 e 12/3, houve 271 óbitos. Em média, é como se mais de 22 pessoas tivessem morrido a cada dia por com-plicações da doença neste mês, até ontem. Já em janeiro, ocor-reram 237 mortes, e a média diária de óbitos foi de 7,6.

Essas informações foram divulgadas ontem, 12, pela Secretaria Municipal de Saú-de (SMS), no boletim epiSaú-de- epide-miológico semanal referente à Covid-19. Os dados utiliza-dos na análise foram coleta-dos no IntegraSus, platafor-ma da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), com atualização às 8h40min do mesmo dia. No documento, aponta-se que “o cenário do município já é considerado de moderada a alta mortalidade”.

Considerando-se a média móvel — que obedece interva-los regulares de quatorze dias —, o pico da média móvel nes-ta segunda onda da pandemia foi de aproximadamente trinta

óbitos (30,3), no dia 8 de março. O documento divulgado pela SMS também destaca que feve-reiro de 2021 teve a maior mé-dia diária de casos de Covid-19 confi rmados no município des-de o início da pandes-demia. Foram 20.763 confi rmações — ou 741,5 por dia. O segundo mês com maior média diária de registros foi maio de 2020, quando ocor-reu o pico da primeira onda, com 18.852 casos confi rmados — ou 608,1 por dia.

Para conter o avanço da pan-demia no Estado, o governador Camilo Santana (PT) determi-nou que todos os municípios entrassem em lockdown a par-tir de hoje, 13, até o próximo dia 21. Em Fortaleza, o isolamento social rígido já tinha sido de-cretado e teve início na sexta-feira, 5 de março, e barreiras sanitárias foram instaladas nas entradas da Cidade.

Na manhã de ontem, 12, a se-cretária da Saúde de Fortaleza, Ana Estela Leite, participou de uma live realizada pela Prefei-tura. Na ocasião, ela alertou que os leitos de hospitais públicos e privados da Capital destinados a atender pessoas com Covid-19 podem se “esgotar a qualquer momento”. Até as 19h03min de ontem, o IntegraSus, apontava 10 instituições médicas da Ca-pital com 100% de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia

EDIÇÃO: TÂNIA ALVES | [email protected] |

FABIO LIMA

FEVEREIRO de 2021 teve a maior

média diária de casos de Covid-19 confirmados em Fortaleza

era o total de casos de Covid-19 confi rmados no Ceará até ontem

465.531

pessoas já morreram vítimas de Covid-19 no Estado desde o início da pandemia

12.175

Sarto descarta

reativação do

Hospital do PV

Rádio O POVO CBN.

Em entrevista à Rádio O POVO CBN nesta sexta-feira, 12, o prefeito de For-taleza, José Sarto (PDT), comentou sobre uma possível reativação do Hos-pital de Campanha no Estádio Presi-dente Vargas. Segundo o médico, por ora a medida é descartada. Ele justifi ca afi rmando que a Prefeitura conseguiu expandir a rede de leitos de UTI, en-fermaria e observação em um número maior do que quando existia o Hospital. “Por enquanto, descarto. Desde que assumi, no fi nal da gestão de Rober-to Cláudio, o hospital foi desativado. Se houver necessidade, faremos. Mas só quero mostrar que, paralelamen-te, a Prefeitura foi reformando e am-pliando Gonzaguinhas, Frotinhas e concluiu o IJF 2”, comentou durante programa apresentado pela jornalista Maísa Vasconcelos.

Vamos conseguir expandir nossa rede entre leitos de UTI, enfermaria e observação em um total de 1.006 leitos. No passado, com o Hospital, tí-nhamos 791 [leitos]”, ressaltou o pre-feito. Sarto alertou que não basta só a abertura de novos leitos, tanto na rede pública como na rede privada. É preciso que haja profi ssionais e insu-mos. (Marília Freitas)

GABRIELA CUSTÓDIO

[email protected]

Intensiva (UTI), onde os casos mais graves são tratados.

As unidades com UTIs lo-tadas são a Casa de Saúde e Maternidade São Raimundo, o Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC), o Hospital José Marti-niano de Alencar, o Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM), o Hospi-tal Otoclínica, o HospiHospi-tal São Carlos, o Hospital Universitá-rio Walter Cantídio (HUWC) e o Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ). Outras seis instituições estão com taxa de ocupação de 90% ou mais.

Ao lado do gerente de Vi-gilância Epidemiológica de

Fortaleza, Antônio Lima, a ges-tora analisou o cenário epide-miológico vivido pela Capital e considerou momento como “extremamente crítico”. Além disso, mesmo com os casos da doença em alta, ela afi rmou que a Secretaria da Saúde do Mu-nicípio (SMS) não sabe quando será o pico da doença nesta se-gunda onda da pandemia.

“Essa capacidade instalada (de leitos) pela rede pública, pela rede privada também em expansão, pode se esgotar a qualquer momento. A popula-ção precisa fazer a sua parte”, pontuou. A secretária destacou que todos os cenários analisa-dos pela pasta e por demais ór-gãos competentes do Ceará são de “incertezas”.

Segundo informou Antônio Lima durante a transmissão ao vivo, a maioria das internações que têm sido registradas em hospitais da Capital não é mais de idosos, ao contrário do que aconteceu na primeira onda da pandemia. “Trata-se de pessoas com um média de 30 a 50 anos”, afi rmou o gerente, destacando que este segundo momento da doença ocorre devido ao au-mento de transmissão do vírus percebido após as aglomerações realizadas por populares em de-zembro e janeiro. (Colaborou

Gabriela Almeida)

(5)

W W W. O P O V O . C O M . B R SÁBADO

FORTALEZA - CEARÁ - 13 DE MARÇO DE 2021

5

REPORTAGEM

Um dos maiores medos de gestores e profi ssionais de saúde já está acontecendo na região Norte do Ceará. Pacien-tes morrendo por falta de as-sistência adequada. Uma idosa esperou por leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) durante cerca de 2h30min na frente do Hospital Regional Norte (HRN). Ela estava dentro de uma am-bulância do Serviço de Aten-dimento Móvel de Urgência (Samu) e faleceu no local.

Sem nenhum leito de UTI disponível, o sistema de saú-de da Zona Norte está esgota-do. Municípios não conseguem transferir pacientes. Os leitos de UTI estão com ocupação de 100%. Conforme o Integra-SUS, da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), todos os 126 leitos ativos para Covid-19 es-tão preenchidos. No caso das enfermarias, a ocupação é de 77,53%. Com a falta de leitos de alta complexidade, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e hospitais locais mantêm pa-cientes com necessidade de assistência de complexidade maior do que o município con-segue ofertar porque não têm para onde encaminhar.

Na semana passada, a pa-ciente deu entrada no Hospital de Santa Quitéria, foi entubada e encaminhada em vaga zero para o HRN. “Quando chegou lá, não tinha leito, não tinha pon-to de oxigênio”, afi rma Adeilpon-ton

Mendonça, secretário da Saúde de Santa Quitéria. Ele diz que sistema está “abarrotado”. “Às vezes, conseguimos em vaga zero pelo Samu. Geralmente, a gente encaminha para Sobral mesmo. A gente só consegue o leito quando há morte”, diz.

Na última quarta-feira, 10, uma moradora de Reriutaba morreu no Hospital Muni-cipal Rita do Vale Rego en-quanto esperava uma vaga de leito de UTI. “A paciente encontrava-se inserida no sistema aguardando regula-ção/vaga, infelizmente, não houve libertação a tempo”, informou a prefeitura.

Com a falta de leitos, profi s-sionais usam alternativas extre-mas, como enviar pacientes em vaga zero, o que ocorre quando encaminham pacientes de alto risco a unidades hospitalares mesmo sem a disponibilidade de vaga no hospital de destino. Algumas unidades têm admitido pacientes extra-leito. Isso ocorre quando a pessoa dá entrada em estado grave, utilizando drogas de UTIs, com suporte ventilató-rio, mas não está em uma UTI.

Henrique Morais, coorde-nador de enfermagem da UPA de Acaraú e intervencionista do Samu Ceará, detalha que os hospitais fi cam com os pacien-tes, estabilizam e tentam a vaga nos hospitais de referência. “A gente pega o paciente e não tem certeza se vai ter vaga. A espera está sendo na faixa de 24h a 48h, pendendo para mais”, mensu-ra. Pacientes que precisam de suporte maior aguardam mais pela regulação. Ele conta que a

| SISTEMA ESGOTADO |

100% dos leitos UTI para Covid-19 região estão ocupados. Sem ter para onde

transferir, UPAs e hospitais locais mantêm pacientes graves e com demandas de alta complexidade

FALTAM LEITOS NA REGIÃO NORTE

DO CEARÁ E PACIENTE MORRE NA

PORTA DE HOSPITAL

ANA RUTE RAMIRES

[email protected]

TA

TIANA FOR

TES/GOVERNO DO CEARÁ

HOSPITAL Regional Norte (HRN) em Sobral

População não adere ao

lockdown em Caucaia e aglomera

nas ruas da cidade

Medidas.

Pouca fi scalização

O primeiro dia de isolamen-to social rígido no município de Caucaia teve ruas movimenta-das, aglomerações e estabeleci-mentos abertos irregularmente. Na manhã dessa sexta-feira, 12, equipe do O POVO esteve na ci-dade para acompanhar a adesão da população às medidas restri-tivas contra a segunda onda da pandemia da Covid-19, válidas até próximo 21 de março.

O município da Região Me-tropolitana de Fortaleza (RMF) vivencia lotação nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) neste momento em que há recrudesci-mento da pandemia. Para desa-fogar o sistema de saúde, o lock-down foi imposto pelo prefeito da cidade, Vitor Valim, ainda na última quinta-feira, 11.

A proprietária de uma loja de material de construção, no cen-tro comercial do município, que preferiu não se identifi car, rela-ta que, mesmo com autorização para o estabelecimento abrir, há uma sensação de temor em rela-ção ao vírus e à violência urbana.

“Fechamos por mais de 100 dias em 2020. Se fosse pelo vírus, também estaríamos fechados agora, mesmo com autorização. Mas não temos condições [eco-nômicas para fechar], precisa-mos abrir,”, desabafa.

José Felintro Soares Pereira trabalha no Centro de Caucaia vendendo bonés há um mês. Para ele, o isolamento social rí-gido não é uma medida efetiva. “Na minha opinião, esse lockdo-wn não serve porque o pessoal tá na rua. O pessoal não deixa de circular, temos aglomerações nos bancos. Para mim, o que adianta é todo mundo se cons-cientizar e utilizar máscara.”

O desrespeito ao distancia-mento e às regras restritivas, econômicas e comportamentais, também foi identifi cado no bairro Metrópoles. Diferente do Centro, onde há grande quantidade de farmácias, clínicas odontológicas, de exame e óticas, por lá, há mui-tas ofi cinas e lojas de construção. Ainda no Centro, a reporta-gem identifi cou comércio de rua

amplamente aberto, com venda de produtos como chapéus, rou-pas íntimas, frutas e verduras.

O segundo município popu-lacional do Estado já estava sob toque de recolher desde o dia 8 de março, das 18h às 5 horas, com funcionamento do comércio permitido apenas até as 15 horas. A Prefeitura de Caucaia escla-receu que neste primeiro mo-mento, “levando em considera-ção que o lockdown está recente no município, as primeiras abor-dagens no comércio da Cidade, na Grande Jurema e no Litoral, serão educativas”. O Município informou também que, desde o dia 4 de março, tem quatro equi-pes multidisciplinares instaladas nas principais vias de acesso ao Município: Parque Leblon e Ta-bapuá. Os grupos incluem guar-das municipais, agentes da vi-gilância sanitária, profi ssionais de saúde do grupo de combate à Covid-19, além de agentes da Autarquia Municipal de Trânsi-to, sendo duas equipes em cada barreira sanitária. (Ítalo Cosme) espera por UTI já chegou a

cin-co dias. “Se eles não tem vagas para gente, fi ca uma pressão muito grande nos municípios, porque não tem suporte. A nossa referência é Sobral, mas já levei para Fortaleza e para Crateús. Se o paciente tem alto risco de vida, a gente manda na vaga zero”, acrescenta.

Em Bela Cruz, a situação co-meçou a se agravar há cerca de duas semanas. “As unida-des têm perfi l de paciente até moderado. Mas a avaliação do paciente é constante e o qua-dro pode evoluir rapidamente. O paciente passa a ser grave. A gente estava com uma média diária de 5 pacientes de inter-nação. Hoje, são 10, 12”, diz Denis Moreira, enfermeiro do Hospital Municipal de Bela Cruz.

Conforme Regina Carvalho, secretária da Saúde de Sobral, a macrorregião Norte registrava, até o início da tarde de ontem, 12, 60 pacientes aguardando leitos de enfermaria e 25 aguar-dando leitos de UTI para trans-ferência para Sobral. “Hoje, O HRN está com 5 pacientes extra leitos e o Hospital de Campanha Dr. Alves está com 2”, afi rma.

Segundo ela, a situação só não é considerada “um colapso” porque há possibilidade de am-pliar em poucos dias. “Colapso é quando não tem mais possi-bilidade de fazer mais nada, se esgota. Quando chegar, posso imediatamente abrir”, analisa. O município aguarda o envio kits compostos por camas hospita-lares, respiradores, monitores e bombas de fusão. Enquanto isso,

“estamos nos antecipando em montar equipes e aguardando esses equipamentos”, diz.

Segundo a secretária, a de-manda de pacientes em fi las de espera é muito alta e as UPAs estão exauridas. “Esta-mos na luta para ver se con-seguimos ampliar os leitos na próxima semana”, projeta. No Hospital de Campanha, 10 lei-tos de enfermaria devem ser transformados em UTIs. Se-rão 10 leitos de UTI na Santa Casa e 32 leitos de UTI e 60, de enfermaria no HRN, segundo a proposta de ampliação do Governo do Estado.

O POVO solicitou informações sobre a situação à Sesa e ao Hos-pital Regional Norte. As asses-sorias dos órgãos responderam que não havia fonte disponível.

FABIO LIMA

RUAS ficaram cheias no primeiro dia de lockdown em Caucaia

(6)

6

REPORTAGEM

WWW.OPOVO.COM.BR SÁBADO

FORTALEZA - CEARÁ - 13 DE MARÇO DE 2021

Política

Parlamentares e prefeitos ouvidos pelo O POVO ao longo do dia de ontem divergiram so-bre a necessidade de implanta-ção do isolamento social rígido, ou lockdown, em todo o estado do Ceará. Ao decretar a medida mais restritiva em Fortaleza, há mais de uma semana, o go-vernador Camilo Santana (PT) havia recomendado aos demais municípios que seguissem as mesmas orientações.

A escalada da pandemia, no entanto, acelerou a tomada de decisão de fechar atividades não essenciais em todo o Ceará.

Para o senador Eduardo Girão (Podemos), o lockdown é sintomático do “descontro-le” e de “falhas grosseiras” que ele entende terem havido na gestão da pandemia, como a desativação do Hospital de Campanha instalado no estádio Presidente Vargas (PV).

“Lockdown, além de não resolver a pandemia, agrava muito a já profunda crise so-cial e econômica, aumentando a fome e o desemprego de mi-lhões de cearenses.”

O deputado federal Eduardo Bismarck (PDT) entende diferen-te. Na perspectiva do pedetista, trata-se de uma medida dura, mas necessária para conter o avanço da doença. “Não quere-mos baixas no CNPJ, nem muito menos em CPFs. Vacina no braço, comida no prato”, exclamou.

Ontem, prefeitos da macror-região do Cariri sentaram para uma reunião, já no sentido de traçar as demandas prioritá-rias e reforçar o aparato hospi-talar para lidar com a crise.

“Aqui na Região da gente não se conseguiu vislumbrar situa-ção grave a ponto de decretar lockdown”, afi rmou o prefeito de Nova Olinda, Dr. Ítalo (PP).

Ele preside a Associação dos Prefeitos dos Municípios do Ca-riri Oeste (Amcoeste), com 12 municípios integrantes. “Agora o governador nos surpreendeu com essa decisão (de lockdown) e a gente vai acatar. A gente sabe das consequências ruins para a economia, ruins para os (trabalhadores) informais.”

Na reunião a que Ítalo se refere, 32 dos 45 municípios da macrorregião votaram. Fo-ram 11 favoráveis ao lockdown, 16 contrários, com cinco abs-tenções. Um dos favoráveis, o prefeito do Crato, Zé Ailton Brasil (PT), defende que Cami-lo agiu com sensatez.

“Todos os 10 leitos de UTI do Crato estão lotados. Os leitos de UIT de Juazeiro estão lotados. Então, essa é a preocupação, a falta de leitos para os pacientes. O Estado está tentando colocar mais 40 leitos no Hospital Re-gional, mas até que isso acon-teça, é bom que tenhamos um período aí para adaptar essas novas condições.”

| PANDEMIA |

Decreto que vigora a partir deste sábado, 13, em todo o Ceará provocou reações divergentes.

Enquanto alguns apontam erros, outros identifi cam sensatez por parte de Camilo Santana (PT)

PARLAMENTARES

E PREFEITOS DO CEARÁ

DIVERGEM SOBRE LOCKDOWN

CARLOS HOLANDA

[email protected]

EDIÇÃO: ÍTALO CORIOLANO | [email protected] | 85 3255 6101

“Não queremos baixas no

CNPJ, nem muito menos em

CPFs. Vacina no braço, comida

no prato”

EDUARDO BISMARCK (PDT)

deputado federal

“Lockdown, além de não

resolver a pandemia, agrava

muito a já profunda crise social e

econômica, aumentando a fome

e o desemprego de milhões de

cearenses.”

EDUARDO GIRÃO (PODEMOS)

senador

BARBARA MOIRA/O POVO AURELIO ALVES

Cid Gomes diz não haver outra

saída que não seja o lockdown

Repercussão.

Decreto

O senador Cid Gomes (PDT) defendeu o aliado Camilo San-tana (PT) e a determinação do governador petista de que todo o Estado atravesse dias sob regime de lockdown. Para o ex-governador, “não há outra saída” que não seja por meio da medida. “(...) a solução é o iso-lamento social rígido”, disse ele, por meio de uma rede social.

O argumento de Cid é de que a prática está em linha com acertos internacionais vistos em países como Portugal, Ale-manha e Nova Zelândia.

“Respeitar essas medidas”, segundo disse, “pode repre-sentar a diferença entre a vida e a morte.”

Na sequência, o pedetista aproveitou para “bater” na con-dução da crise a nível nacional, capitaneada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e pelo ministro Eduardo Pazuel-lo. Segundo Cid Gomes, a se-gunda onda da pandemia está arrasando o País. A prioridade então, para ele, deveria ser a

vacinação, mas, “por irrespon-sabilidade de Bolsonaro, está chegando a conta-gotas.”

A gestão de Bolsonaro reo-rientou o discurso marcada-mente negacionista desde o iní-cio da crise, apregoando agora que a “arma é vacina”, como es-creveu Eduardo Bolsonaro (PSL -SP) numa rede social.

A mudança, também com direito a uso de máscaras, veio logo após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em tom de denúncia, afi rmar que o fracasso brasileiro no contro-le da crise se deve ao compor-tamento do presidente, que já chegou até mesmo a levantar discurso contra máscaras.

Para o pedetista cearen-se, Jair Bolsonaro é “essen-cialmente um covarde”. Outro representante cearense no Senado Federal, Tasso Jereis-sati (PSDB) não havia emitido opinião sobre a medida até o fechamento desta página. O tucano tem sido crítico a Bolso-naro. (Carlos Holanda)

Nove políticos cearenses

morreram vítimas de Covid-19

Luto.

Pandemia

Desde o início na pandemia no Ceará, nove políticos do es-tado faleceram em decorrência da Covid-19. Número que vem chamando a atenção das auto-ridades. No dia 25 de fevereiro, por exemplo, na abertura da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Ceará (ALCE), o presidente da Casa, deputado Evandro Leitão (PDT), prestou homenagem aos 18 servidores, dentre deputados e demais fun-cionários, que morreram desde março de 2020. Sobre os óbitos, Leitão ainda pontuou: “Somen-te nes“Somen-te ano (2021), foram seis”. Em levantamento feito pelo O POVO, nove políticos cea-renses - dentre prefeitos e ex -prefeitos, e parlamentares e ex-parlamentares - morreram vítimas da Covid-19. O registro mais recente é do vereador de Santa Quitéria, Dr. Júnior Araú-jo (MDB), que faleceu na última quinta-feira, 11, aos 48 anos, após passar três dias internado no Hospital Regional de Sobral.

A notícia do óbito do

parlamentar choca, também, em função da pouca idade, as-sim como o falecimento do prefeito eleito no município de Ererê, Otoni Queiroz (PDT). Aos 42 anos, Otoni, é o mais jovem dentre os políticos vitimados pela doença. No município de cerca de 6,8 mil habitantes, ele foi eleito ao liderar uma chapa única, junto a sua vice Ema-nuelle Martins (PDT), que agora assume a Prefeitura. Internado desde o dia 10 de dezembro de 2020, Otoni não chegou a ser empossado e veio a óbito no úl-timo dia 20 de janeiro.

Os demais político do Ceará que morreram vítimas de Covid foram: Marconi José Figuei-redo, ex-prefeito de Araripe e ex-deputado estadual, Antô-nio Guimarães, ex-prefeito de Aquiraz, Edson Silva, vereador reeleito de Assaré, Normando Sóracles, ex-vereador de Jua-zeiro do Norte, e Dr. Ricardo Barreto Dias, ex-prefeito de So-bral. (Maria Eduarda Pessoa -

(7)

w w w. o p o v o . c o m . b r Sábado

Fortaleza - CearÁ - 13 de Março de 2021

política

7

O Ministério Público do Cea-rá (MPCE) deflagrou operação ontem para investigar a altera-ção e possível adulteraaltera-ção em cilindros de oxigênio usados em Pentecoste, no Vale do Curu, a 91 quilômetros de Fortaleza.

O oxigênio, segundo o MPCE, foi fornecido para vários hospi-tais de toda a região do Vale do Curu. A manipulação do produ-to ofereceu riscos de explosão nos ambientes em que estive-ram, além de contaminação dos pacientes.

No momento em que a ope-ração foi deflagrada, uma am-bulância aguardava a entrega de vários cilindros que seriam transportados e usados em hos-pital no município de General Sampaio. Jairo Pequeno Neto, o promotor de Justiça responsá-vel, afirmou que “a conduta do comércio investigado é um cri-me contra a saúde pública e pode ter colocado em risco a vida de várias pessoas da região.”

As investigações indicam que o proprietário do estabeleci-mento reenvasava parte do oxi-gênio hospitalar para um reci-piente menor e comercializava o cilindro grande, mas com menos quantidade do que deveria.

Segundo o promotor, foram apreendidos vários cilindros. Ele adianta que, no momen-to da operação, um servidor do município de General Sampaio estava no local aguardando o reenvasamento de alguns cilin-dros que seriam transportados para os hospitais. “O empresário foi preso em flagrando por crime contra a saúde pública”, disse. Ele afirma que as investigações devem continuar.

Conforme o promotor, há “fortes indícios” de que os ci-lindros não foram esterilizados corretamente, podendo ter sido vendidos contaminados.

O MPCE informa ainda que investigará os contratos entre todos os municípios da região e o empresário - cujo nome não foi revelado -, com o objetivo de identificar os setores públicos que foram abastecidos com o material, além de outras possí-veis irregularidades, como a ori-gem dos cilindros, que, segundo os investigadores, durante pri-meira análise, não apresentaram informações nos lacres, causan-do suspeitas de clandestinidade. Policiais que atuaram na in-vestigação chegaram a contabi-lizar no local 22 cilindros vazios que armazenavam o total de 204 metros cúbicos de oxigênio. Também foram encontrados ou-tros nove cilindros cheios, que possivelmente sofreriam o pro-cesso de alteração. O empresá-rio foi autuado em flagrante na Delegacia de Pentecoste por fal-sificar produto destinado a fins medicinais, como está previsto no artigo 273 do Código Penal.

A escassez de oxigênio nas unidades de saúde é uma das principais preocupações do MPCE durante pandemia. On-tem, em reunião que contou com a participação de representantes da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), procu-rador-geral de Justiça do Ceará, Manuel Pinheiro, recomendou mais uma vez que os gestores adquiram mais estoques de oxi-gênio. (Carlos Holanda)

| Vale do curu |

Conforme o órgão, há “fortes indícios” de que os cilindros não foram esterilizados

corretamente, e eles podem ter sido vendidos contaminados. Contratos de prefeituras serão investigados

MP realiza operação contra oficina que

alterava oxigênio de hospitais no Ceará

(8)

8

WWW.OPOVO.COM.BR SÁBADO

FORTALEZA - CEARÁ - 13 DE MARÇO DE 2021

POLÍTICA

HOSPITAL de referência no tratamento de Covid-19, Leonardo da Vinci recebe intenso fluxo de ambulâncias de Fortaleza e do Interior

RETRATO DA TRAGÉDIA

E

stamos no meio de uma tragédia, mas parecemos não nos dar conta disso. O Brasil chegou ontem ao terceiro dia seguido com mais de duas mil mortes contabilizadas em 24 horas. Uma calamidade. Duas mil mortes por dia. São dez aviões de grande porte caindo diariamente. Ontem, com base nos dados da Universidade Johns Hopkins, o Brasil passou a Índia no número de casos acumulados desde o início da pan-demia. Passou a Índia, gente. Um País com mais de um bilhão de pessoas. A população indiana é equivalente a seis brasis e meio. Sabe lá o que é ter mais casos que eles? A situação é tão crítica e tão anestesiante que daqui a pouco, se conseguirmos reduzir o número de casos pela metade, teremos mil mortos por dia e vai-se acabar achando que está tudo bem, pode abrir tudo.

Na capa do O POVO de ontem está uma imagem que considero

síntese do que vivemos hoje. De autoria do repórter fotográfico Fabio Lima, ela mostra um congestionamento de ambulâncias em frente ao hospital de referência do Estado no tratamento de Covid-19, o Leonardo da Vinci. Ela é a expressão visual dos números que se agravam continuamente.

Na segunda-feira, completa-se um ano daquele triste fim de

domingo em que foi tornada pública a confirmação dos três primeiros casos de Covid-19 no País. De lá para cá, o Ceará passou de 12 mil mortos. A média é superior a mil mortes por mês. Mil mortes por mês no Estado. Você é abençoado se nenhum deles era seu familiar, seu amigo.

A rede hospitalar já está estrangulada. Ela hoje já não dá conta

do número de casos. Como você se sentiria se fosse sua mãe, seu irmão ou seu filho, doente, precisando de atendimento e sem ter leito? Tem muita gente hoje se sentindo assim.

ÉRICO

FIRMO

ESTA COLUNA É PUBLICADA DE TERÇA A SÁBADO [email protected] ESTA COLUNA É PUBLICADA FÁBIO LIMA

NO MEIO DA TRAGÉDIA HÁ

MUITAS DISPUTAS

No meio da calamidade, desenrola-se uma disputa política e

econômica. Cada segmento puxando para seu lado, tentando ser exceção na tentativa desesperada de evitar o colapso da saúde. Restaurantes querem flexibilização, academias. Igrejas. As igrejas, meu Deus do céu. A que papel tem líderes religiosos se prestando. Em São Paulo, o futebol tem a pachorra de dizer que não irá acatar o decreto e buscará outra freguesia para jogar.

Impressiona, mas não surpreende o egoísmo de quem é incapaz

de olhar além dos próprios interesses. De quem quer seguir a vida normal apesar de dez mil mortos. Querem seguir sua rotina como se não vivêssemos uma tragédia há um ano.

Setores que se candidatam a ser a orquestra do Titanic nesta

pandemia.

O QUE SE PASSOU ENTRE

GILMAR E A LAVA JATO?

Gilmar Mendes talvez seja hoje o mais duro adversário da

ex-Lava Jato dentro do Judiciário. E eu sinceramente gostaria de saber o que aconteceu para essa mudança se processar. Afinal, ele era entusiasta da operação. Em 18 de setembro de 2015, ele disse: “O que se instalou no país nesses últimos anos e está sendo revelado na Lava Jato é um modelo de governança corrupta, algo que merece o nome claro de cleptocracia. Isso que se instalou.” Foi ele quem deu a liminar que proibiu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ser nomeado ministro, no ocaso do governo Dilma Rousseff (PT), com base numa escuta tornada pública pelo então juiz Sergio Moro que captou a então presidente da República, algo que jamais caberia a um juiz de primeira instância. Gravação essa ocorrida em horário no qual não havia mais autorização judicial para a escuta, irregularidade que o próprio Moro reconheceu. De muitos atos discutíveis e discutidos de Moro, aquele foi talvez o mais escancarado e o mais obviamente irregular. Gilmar, que agora se indigna com Moro, naquele momento foi avalista. Realmente gostaria de entender por que ele mudou tanto de opinião.

| XP/IPESPE |

Num eventual 1º turno

entre os dois, atual presidente totaliza 27% das intenções de

voto; Lula soma 25%. Mesmo cenário em possível 2º turno

Bolsonaro e Lula empatam

na 1ª pesquisa após decisão

de Fachin

MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

O PRESIDENTE Jair Bolsonaro tem enfrentado desgastes na condução da pandemia e vê popularidade cair

O ex-presidente Luiz Iná-cio Lula da Silva (PT) empata com o presidente Jair Bolso-naro (sem partido) em cená-rios de primeiro e de segundo turnos, em 2022, aponta pes-quisa XP/Ipespe divulgada nesta sexta-feira, 12.

O capitão da reserva totali-za 27% das intenções de voto, ao passo que Lula soma 25%. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais. A pesqui-sa foi publicada pelo site do Valor Econômico.

É o primeiro levantamento desde que o ministro Edson Fa-chin, do Supremo Tribunal Fe-deral (STF), decidiu pela incom-petência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar o petista, restabelecendo com isso seus direitos políticos. Se não pres-crever, o processo recomeçará da estaca zero na Justiça Fede-ral de Brasília.

O fato de Lula ter se tornado elegível para 2022 fez com que ele fosse o potencial candidato que mais subiu na pesquisa de intenção de voto no último mês. Passou de 17% para 25%, na estimulada (quando os nomes são colocados para os entre-vistados) e de 5% para 17% na versão espontânea (quando os entrevistados não têm acesso aos nomes).

Num contexto de segundo turno, repete-se o empate, com Bolsonaro numericamente à frente de Lula: 41% a 40%.

Em outras projeções de se-gundo turno, o atual presiden-te fi ca atrás numericamenpresiden-te apenas de Sergio Moro: 31% a 34%. Vence, porém, o petista Fernando Haddad (40% a 36%), Luciano Huck (37% a 32%), o pedetista Ciro Gomes (37% a 32%), o psolista Guilherme Bou-los (40% a 30%) e o tucano João Doria (39% a 29%).

O Ipespe ouviu 800 pessoas por telefone entre os dias 9 e 11 de março.

A pesquisa traz ainda uma má notícias para Jair Bolsona-ro. A maioria dos brasileiros ouvidos expressa uma desejo de mudança em relação à eleição de 2022. Ao todo, 52% dos en-trevistados responderam que desejam do próximo presiden-te uma forma completamenpresiden-te diferente de governar o Bra-sil. Para isso, as característi-cas principais apontadas como principais nesta escolha são: candidato ser honesto (35%), ser preocupado com os mais pobres (17%), ser competente (16%) e conhecedor dos proble-mas do País (12%).

O levantamento tam-bém mostra alta na taxa de

reprovação do governo Bol-sonaro pelo sexto mês conse-cutivo. A fatia da população que considera a gestão “ruim ou péssima” chegou a 45%. Em fevereiro, era de 42% e, em outubro, esse mesmo ín-dice estava em 31%.

Ao mesmo tempo, o por-centual de entrevistados que avaliam o governo como “ótimo ou bom” caiu de 31% para 30%, dentro da mar-gem de erro. (Carlos

Ho-landa, com informações da Agência Estado)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ed-son Fachin enviou para o plenário da Corte o recurso da Procuradoria-Geral da República apresentado nes-ta sexnes-ta, 12, contra a decisão que anulou as quatro ações penais do ex-presidente Lula (PT) na Lava Jato, incluindo as duas condenações impos-tas ao petista. Em despacho, o ministro mantém seu en-tendimento e libera o caso para ser discutido pelos co-legas da Corte.

Segundo o Estadão apurou, “no melhor dos cenários”, re-curso vai ser analisado a partir de 24 de março. Em despacho assinado na tarde de ontem, Fachin abre o prazo de cinco dias para a defesa de Lula se manifestar. Em seguida, os autos serão enviados ao mi-nistro Luiz Fux, presidente do

STF e responsável por fi xar a data do julgamento. Fux deve liberar o caso com rapidez.

A cúpula da PGR e integran-tes do STF avaliam que é difícil o plenário da Corte derrubar a decisão de Fachin, que na se-gunda-feira, 8, anulou as con-denações de Lula na Lava Jato. A decisão individual do minis-tro habilitou o petista a dispu-tar eleições, o que redesenhou o cenário político para 2022.

Pelo cálculo de procurado-res, a decisão deve ganhar o apoio de ministros como Gil-mar Mendes e Ricardo Lewan-dowski, dois expoentes da ala contrária à Lava Jato no STF. O julgamento deve ‘bagunçar' as divisões internas da Corte.

O recurso da PGR foi apre-sentado nesta sexta pela subprocuradora Lindôra Araújo e pede ao Supremo que reconheça novamente a

competência da 13ª Vara Fe-deral de Curitiba para julgar as quatro ações penais con-tra Lula - triplex do Guaru-já, sítio em Atibaia, sede do Instituto Lula e doações da Odebrecht. A Procuradoria afirma que as condenações e os processos contra o petis-ta devem ser mantidos “com base na jurisprudência do Supremo, e com vistas a pre-servar a estabilidade proces-sual e a segurança jurídica”.

“A PGR entende que, por terem por objeto crimes pra-ticados no âmbito do esque-ma criminoso que vitimou a Petrobras, todos os processos estão inseridos no contexto da chamada Operação Lava Jato, e, por tal razão, com acerto, tramitaram perante o Juízo da 13ª Vara Federal da Seção Ju-diciária do Paraná”, registrou a instituição em nota. (AE)

Plenário do STF julga recurso contra

anulação de condenações de Lula

| PGR |

MIGUEL SCHINCARIOL / AFP

LULA volta ao jogo político após condenações contra ele terem sido anuladas

é o percentual de Lula em projeção de 2º turno contra Bolsonaro

40%

é o percentual que Bolsonaro atinge num eventual 2º turno

(9)

w w w. o pov o.c om.b r Sábado

Fortaleza - CearÁ - 13 de Março de 2021

ECONOMIA

9

O comércio varejista cearen-se aprecearen-sentou o terceiro pior recuo do Brasil no volume de vendas em janeiro, com queda de 4,9% ante dezembro, já feitos os devidos ajustes sazonais. No resultado dos estados, o Cea-rá só ficou atCea-rás de Rondônia (-9,1%) e Amazonas (-29,7%) no mesmo período. Total de 23 das 27 unidades federativas re-gistraram recuo nas vendas de mercadorias.

No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador no Estado alcançou queda de 6,0%. Os dados são da Pesquisa Men-sal de Comércio, divulgadas ontem pelo Instituto Brasilei-ro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o eco-nomista Alex Araújo, o fim do auxílio emergencial e escala-da dos casos de Covid após as festas de fim de ano foram os principais fatores para o de-saquecimento do comércio.

Ele analisa que, neste pe-ríodo de pandemia, o perfil de consumo do cearense foi mui-to dependente dos recursos do auxílio emergencial. Nos meses iniciais esteve mais li-gado ao consumo de produ-tos mais básicos, de alimen-tação. E, nos meses finais de 2020, com o recuo dos casos de Covid no Estado, se senti-ram confiantes para consumir outros produtos, como con-fecções, calçados, móveis e eletrodomésticos.

“Em janeiro, tanto tivemos a preocupação do crescimento da doença no fim do ano, o fim do auxílio emergencial soma-dos à própria diminuição sa-zonal de redução das compras. A perspectiva é que nos meses seguintes esse desaquecimento continue”, observa. Alex ain-da pontua que, mesmo com a aprovação do novo auxílio, bem menor do que o anterior, os consumidores devem continuar cautelosos, o que não oferece uma perspectiva positiva para pelo menos o primeiro semes-tre do ano.

“É uma combinação de fa-tores que deixa o consumidor desanimado em consumir: alta da inflação sobre produtos mais básicos, auxílio em menor valor e período, aliado ao crescimen-to da pandemia”, completa.

O levantamento investigou o comércio em oito atividades básicas e destaca que no Cea-rá apenas duas tiveram taxas positivas em janeiro, no com-parativo com o mesmo período do ano anterior. Registrando o maior aumento, a venda de equipamentos e materiais para escritório, informático e co-municação teve uma variação positiva de 18,5%, acumulan-do nos últimos 12 meses 7,8% de crescimento. Na sequência, o comércio de artigos farma-cêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com variação de 6,1% com re-lação a janeiro do ano passado e um acumulado de 12 meses de 0,2%. (Colaborou Alan Magno/

Especial para O POVO)

| REsultAdO |

Em janeiro, o volume de vendas do varejo foi 4,9% menor do

que em dezembro. Fim do auxílio e restrições por causa do avanço da Covid-19 estimularam queda

Comércio cearense apresenta

o terceiro maior recuo

do País

JÚlIo CaeSar

Fim do auxílio emergencial e

crescimento dos casos de Covid são inibidores de vendas no comércio

Varejo nacional

cai em média

0,2% em janeiro

Brasil

O comércio varejista na-cional teve teve variação de -0,2% em janeiro frente a de-zembro, na série com ajus-te sazonal, após o recuo de 6,2% em dezembro de 2020. Na comparativa com o mesmo mês de 2020, houve variação de-0,3%, primeira taxa nega-tiva após sete meses conse-cutivos de altas. O acumulado nos últimos 12 meses ficou em 1,0%, próximo ao de dezem-bro (1,2%). No levantamento do IBGE, oito atividades den-tro do varejo são investiga-das, destas, quatro tiveram queda no comparativo entre janeiro deste ano e dezembro do ano passado. O setor de maior peso no comércio va-rejista, a venda de produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou recuou de 1,6% em todo o país.

A maior queda registrada foi na venda de livros, jornais, revistas e papelaria, que des-pencou 26,5% em um mês. Na sequência, o comércio de teci-dos, vestuário e calçados com-putou recuo de 8,2%, seguida pelas vendas de móveis e ele-trodomésticos que caiu 6%. O fluxo de venda de combustíveis e lubrificantes ficou estável.

Influenciando positiva-mente a média nacional, os setores de outros artigos de uso pessoal e doméstico apresentaram crescimento de 8,3%. Já a venda de arti-gos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos subiu 2,6% em um mês e a comercialização de equipamentos e material para escritório, informática e co-municação teve um aumento de 2,2%.

Samuel pimentel

[email protected]

(10)

10

www.opovo.com.br Sábado

Fortaleza - CearÁ - 13 de Março de 2021

ECONOMIA

A alta nos preços de insumos para a construção, especial-mente o aço, ameaça o ritmo do setor que vem promissor desde pós-lockdown do ano passado. Mesma época em que os mate-riais usados nos canteiros tive-ram os preços elevados, em um movimento que já ultrapassa os 100% quando comparado a janeiro de 2020. Como alterna-tiva, construtoras cearenses es-tão estudando comprar aço dos mercados chinês e turco para atenuar o impacto do aumento nos custos das obras.

“Eu não consigo acreditar que os custos dobraram para aumentar o preço do aço. En-tão, a gente achava que ia ceder, aguentou algumas oscilações, mas estamos muito preocupa-dos com isso. Temos reuniões diárias falando sobre isso e como a gente vai repor”, revela Patriolino Dias, presidente do Sindicato da Indústria da Cons-trução no Ceará (Sinduscon-CE). Dias rechaça a interferência do mercado internacional nos preços, uma vez que “o aço é lo-cal, moldado e produzido aqui, e mesmo que fosse por causa do dólar, o dólar não dobrou de um ano para cá”. O problema per-siste desde a retomada, mas se agravou no início de março.

Tanto é que o presidente do Sinduscon-CE destaca que os as-sociados dele, assim como todos os membros da Câmara Brasi-leira da Indústria da Construção (CBIC), estão cotando preços no exterior, precisamente na Chi-na. O objetivo é conseguir preços mais vantajosos e que não atra-palhem o desempenho do setor.

Já Sérgio Macêdo, pre-sidente da Cooperativa da Construção Civil do Estado do

Ceará (Coopercon-CE), está, juntamente com as demais coo-perativas do País, de olho no aço vendido pela Turquia. A orga-nização se deu, principalmente, pela falta de diálogo para deba-ter preço, segundo lamenta.

“Nenhuma delas (indústrias de aço brasileiras) quer partici-par de rodadas de negociações. Estamos negociando a nível na-cional, com as cooperativas de todo Brasil para conseguir uma solução, para ter condições de trabalhar com aço”, conta, ainda sem entender o aumento opera-do nos preços opera-dos insumos.

“A siderurgia daqui (Brasil) trabalha muito com sucata e começou a faltar material por causa do lockdown (de 2020). Depois seguraram o preço alto e eu não acho que isso seja jus-tificável. Nada justifica esse valor”, critica.

Sobre os impactos dos pre-ços de insumos cada vez mais caros, os dois líderes da cons-trução cearense mantém o oti-mismo visto nas últimas sema-nas, quando o setor ficou fora do lockdown decretado pelo Governo do Estado para segurar a contaminação por Covid-19. E ambos justificam a compra de materiais no exterior como uma forma de tentar segurar os valo-res dos produtos finais, ou seja, os imóveis.

Na avaliação de Macêdo, o mercado ainda enxerga “uma demanda muito grande por imóveis”, mas um repasse de preços é descartado no momen-to. Ele observa ainda que o pú-blico de maior demanda ainda está dentro dos parâmetros do Minha Casa, Minha Vida, inte-ressado em unidades cujo valor médio giram em torno de R$ 190 mil e um aumento dos preços poderia prejudicar os consumi-dores e as construtoras - ambos cada vez mais cautelosos.

“Não tenho como repassar preço. O que temos de fazer é assimilar custo. No momento

| INsuMOs |

Itens usados

pelo setor saltaram

até 148%, com destaque para o aço. Construtoras temem ter que repassar preços ao consumidor

Alta nos preços faz construção

civil do Ceará procurar aço na

China e na Turquia

José Paulo laCerda/divulgação CNi

vergalhões de aço foram alguns dos itens cujo preço mais cresceu de janeiro de 2020 até fevereiro deste ano

armando de oliveira lima

[email protected]

O CEO da Arco Educação, Ari de Sá Neto, participou on-tem, 12, do lançamento do po-dcast “Na Varanda” e discutiu as tendências e inovações do mercado de ensino, bem como abordou as recentes aquisi-ções do grupo, que se consoli-dou em 2021 como o principal player nacional do segmento. A aposta dele é que educa-ção presencial e virtual sejam complementares.

Com as compras dos sis-temas de ensino COC e Dom

Bosco, da Pearson no Brasil, por R$ 920 milhões, e da pla-taforma “Me Salva”, de cursi-nhos pré-vestibulares, a Arco atingiu cotação de US$ 1,8 bi na Nasdaq, a principal bolsa de valores do mundo quando se trata de tecnologia. O gru-po abrange cerca de 6 mil es-colas e deve passar de 1,6 para 1,9 milhão de alunos, caso as aquisições das últimas se-manas sejam aprovadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

Na conversa conduzida pelo CEO da aceleradora Casa Azul Ventures, Filipe Dummar, e pelos apresentadores Wagner Anselmo e Maurício Cardoso,

Ari de Sá Neto destacou a im-portância de o mercado de educação básica estar prepa-rado para o pós-pandemia, no qual ele projeta um modelo complementar entre a escola e o ambiente virtual. “Acho que o papel do professor vai mudar. Ele vai virar mais um mentor. O aluno consegue aprender muito no modelo que a gente chama de sala de aula inver-tida. Antes de ir para escola, ele assiste uma vídeo-aula de um professor espetacular em determinado assunto e quan-do chega, aquele nivelamen-to básico do conhecimennivelamen-to já está dado. Então, ele vai trocar ideias e tirar dúvidas. É muito

mais rico”, avalia.

Quanto a pré-vestibulan-dos e adultos, o CEO da Arco já enxerga um panorama mais consolidado para a chamada Educação à Distância (EAD) e vê nesse movimento a possi-bilidade de inserir a Arco no modelo B2C de negócios, ou seja, focado no consumidor fi-nal. Hoje, a empresa atua 100% no modelo B2B, voltado, prin-cipalmente, para a venda de seus sistemas de ensino.

“Esse era um movimento que em 100 anos nunca tinha acontecido na educação, que é o processo de digitalização. Então, vamos fazer uma aposta inicial que tem a oportunidade

Pós-PANdEMIA |

Grupo cearense fez aquisições de diferentes perfis, que englobam

desde gigantes, como COC e Dom Bosco, a startups, como a ‘Me Salva'

Arco aposta em complementaridade

entre educação presencial e virtual

adriano Queiroz

[email protected]

não tem como repassar um va-lor desse. Passamos cinco de anos de crise”, reforça.

Pensamento compartilhado pelo presidente do Sinduscon-CE: “Se os preços dos insumos persistirem, vamos ter que pas-sar para o preço do imóvel. Po-rém, eu não sei se é viável, se a população vai ter como absor-ver. Esse é justamente o impasse que estamos vivendo e estamos angustiados. Acho que gente não consegue, a população não dobrou os ganhos, não é? A ren-da não dobrou. E aí? Como que fecha essa conta?”

O instituo Aço Brasil, que re-presenta a indústria do aço no País, respondeu ao O POVO em nota que, “por força estatutá-ria e em respeito às regras de compliance”, “não comenta pre-ço”. No entanto, acrescentou: “Questões relacionadas a esse tema dizem respeito à relação comercial mantida entre forne-cedor e cliente. No entanto, cabe mencionar que, ao acompa-nhar os índices de preço oficiais, constata-se (sic) fenômeno que vem acontecendo no Brasil e no mundo. É o chamado novo ciclo das comodities / boom de co-modities que vem elevando de forma expressiva o preço das matérias primas e insumos que compõem o processo produtivo do aço e de outros elos da indús-tria de transformação.”

Eu não consigo

acreditar que os

custos dobraram

para aumentar o

preço do aço”

patriolino dias Presidente do sinduscon-Ce

de crescer muito. A gente está querendo aprender o B2C. Uma vez aprendendo, porque não produzir conteúdo de qualidade e entregar diretamente ao con-sumidor”, projeta.

SERVIÇO

Na Varanda

Os episódios do projeto “Na Varanda” serão realizados quinzenalmente primeiro pelo Twitch, como uma live, e , no dia seguinte, disponibilizados nas demais plataformas de áudio e podcast.

(11)

www.opovo.com.br Sábado

Fortaleza - CearÁ - 13 de Março de 2021

Economia

11

Aviso

excepcionalmente, não temos hoje a coluna da jornalista Neila Fontenele. O governo terá até setembro

para propor o corte de aproxi-madamente R$ 30 bilhões em isenções, subsídios e desonera-ções em um ano, de acordo com projeção da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado. O corte está previsto na Pro-posta de Emenda à Constitui-ção (PEC) emergencial, formu-lada para destravar o auxílio emergencial e aprovada no Se-nado e na Câmara. O texto deve ser promulgado pelo Congresso na segunda-feira, 15.

Parlamentares e técnicos, porém, levantam dúvidas sobre a viabilidade política do fim das renúncias. Atualmente, os cha-mados gastos tributários (ou seja, o que a União abriu mão na arrecadação) totalizam R$ 307,9 bilhões, conforme estima-tiva da Receita Federal no pro-jeto de Orçamento para 2021. A PEC determina que o Planalto encaminhe ao Congresso em seis meses um plano emergen-cial para reduzir as renúncias fiscais em 10% no primeiro ano e limitar os incentivos a 2% do PIB em um prazo de oito anos - hoje, eles chegam a 4,25%. No final desse período, o governo poderá ser obrigado a cortar até R$ 150 bilhões em subsídios.

O Congresso Nacional blin-dou praticamente metade dos benefícios na proposta, dimi-nuindo o espaço para o go-verno definir onde cortar. De

acordo com a IFI, a blindagem forçará o governo a zerar to-dos os gastos tributários que não ficaram protegidos no prazo de oito anos. “Há um nó e, por isso, é difícil ser imple-mentado em um prazo curto. O Executivo até pode mandar rapidamente a proposta, mas é preciso ver como será a dis-cussão no Congresso. As blin-dagens que foram feitas são grandes”, afirmou Felipe Salto, diretor executivo da IFI.

Os parlamentares garanti-ram a manutenção de subsídios relacionados ao Simples Nacio-nal, à cesta básica, às entida-des sem fins lucrativos, à Zona Franca de Manaus, ao Prouni (financiamento estudantil) e aos fundos constitucionais que financiam projetos em regiões do País. No total, mais de R$ 149 bilhões foram preservados, praticamente metade de tudo que a União abre mão hoje. Des-sa forma, o governo terá de mi-rar, por exemplo, em deduções do Imposto de Renda, benefí-cios agrícolas e até desonera-ções em medicamentos e livros. De acordo com Salto, a tesou-rada aumenta a arrecadação do governo (funciona como um aumento de imposto) e ajuda o Executivo federal a cumprir a meta de resultado primário para os próximos anos, mas não abre espaço no teto de gastos, a regra que atrela o avanço das

despesas à inflação, pois quase todos os gastos tributários não são considerados como despe-sas sujeitas a esse limite fiscal. A reação de setores beneficia-dos pode ser um entrave. Bol-sonaro tentou retirar o plano de cortes da PEC, conforme o Estadão/Broadcast antecipou.

A equipe econômica, porém, conseguiu manter a propos-ta, mas em contrapartida teve de abrir mão de outras medi-das, como o congelamento de

progressões e promoções de funcionários públicos, previsto inicialmente na PEC. Procurado, o Ministério da Economia não apontou quais subsídios serão incluídos no corte e afirmou que os estudos estão em andamento.

“Duvido que o governo cum-pra. Não há vontade política e não existe a percepção popular de que estamos abrindo mão sem saber se é bom ou ruim”, afirmou o senador Esperidião Amin (PP-SC). Além do plano

emergencial, a PEC determina a elaboração de um sistema para avaliar a eficiência de cada benefício dado pela União por lei complementar, que poderá vir do Executivo ou do próprio Congresso. “É uma proposta que apresento desde 1991. O que eu defendo não é cortar, é analisar se o benefício trouxe competitividade, se o consu-midor ganhou alguma coisa e se gerou ou manteve emprego.”

(Agência Estado)

| ViabilidadE |

O corte está previsto na PEC emergencial, formulada

para destravar nova rodada de auxílio. O texto deve ser promulgado pelo Congresso dia 15

PEC pode levar a corte de

até R$ 30 bi em subsídios em

um ano

Pablo Valadares/CâMara dos dePutados

câmara dos deputados manteve

teto de r$ 44 bilhões para novo auxílio emergencial

Referências

Documentos relacionados

a) A União Europeia constitui-se na atualidade como sendo o exemplo mais bem sucedido de integração econômica regional. Atualmente é composta por 27 países e

A hipótese do presente estudo é que a história de dor lombopélvica prévia à gestação está associada com a presença da dor na cintura pélvica relacionada com a

B4 Identificação dos compostos presentes nas amostras de bio-óleo obtidos via pirólise catalítica da fibra de casca de coco utilizando carvão ativado (ABC) e

O estudo identificou que as legislações vigentes sobre gerenciamento de risco se relacionam, se complementam e harmonizam entre si, possibilitando a identificação

TERRENO_EXPOSTO Área onde ocorre exposição do solo, caracterizada pela ausência de qualquer tipo de vegetação, com ou sem a presença de elementos de vegetação não representáveis

Embora os resultados demonstrem que os profissionais estudados apresentam boas condições emocionais (dedicação), a redução observada nas dimensões vigor, absorção e escore

Oncag, Tuncer & Tosun (2005) Coca-Cola ® Sprite ® Saliva artificial Compósito não é referido no estudo 3 meses 3 vezes por dia durante 5 minutos Avaliar o efeito de

Giardia e Cryptosporidium na água destinada ao consumo humano. A giardíase e a criptosporidiose são zoonoses que têm como principais fontes de contaminação os esgotos sanitários