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Director - EDMUNDO BITTENCOURT
Impresso em tinta de N. WIIiLIAMS ft C.
ANNO XV —N. 6.203
Endereço telegraphico: - " CORREOMANHA"
RIO DE JANEIRO — SEXTA-FEIRA, 18 DE FEVEREIRO DE 1916
Redacção — Rua do Ouvidor, 162
Telepnones: Redacção, Norte, 37 _ Adminlstraçjo, Norte, 379**
FACULDADES
LIES
Tem o conde Affonso Celso, di-fcr.o dircclor da Faculdade Livre de Sciencias Juridicas e Sociaes do Rio de Janeiro, cabalmente de-monstrado achar-se este instituto de ensino superior legalmente equi-parado ás Faculdades ofíiciaes, com todos os privilégios e garan-tias de que estas gozam. A equi-aração foi-lhe concedida pelo de-pa.-,
creto 11. 6.W, dc 3" -le outubro de i8yi, decreto que jamais foi revo-nado. Depois desse decreto passou a insiriicçãn superior por varias reformas, sem que -nenhuma de suas disposições se prestasse a du-vidas sobre o pleno vigor da mes-ma concessão. Algumas dessas re-ferinas crearam para ,1 Faculdade Livre novas obrigações, das quaes á principal íoi a creação de um pa-iriinonio. A todas se submetteti a Faculdade, sendo constantemente fiscalizada pelo governo federal, ainda 110 regimen da Lei Orgânica ou loi Rivadavia. Veiu a reforma decretada neste governo, conheci-da pelo nome do ministro Carlos Maximiliano, que referendou o res-pectivo regulamento, e a Faculda-de tratou logo Faculda-de cumpril-a no que lhe era applicavcl. Comqitanto se considerasse perfeitamente equipa-rada ás Faculdades officiacs pelo decreto acima citado, de 1891, a Faculdade Livre dirigiu a 30 de março de 1915 no Conselho Supe-rior de Ensino um requerimento nestes termos: "Querendo que os seus diplomas continuem a ser re-gistrados nas repartições federaes, na fôrma do Art. 11 do decreto n 11.53o, de 10' dc .março de 1915 t reforma Carlos Maximiliano ) , vem pedir haja o Conselho de pro-videnciar para que á impetrante seja permittido fazer o deposito da quota de fiscalização fixada em lis. 6:ooo*fooo pelo Art. 27 do ci-lado decueto 11. 11.530".
Deferiu n Conselho por tinanimi-dade de votos esse requerimento, concluindo por julgar a Faculdade digna de inspecção. Como, porém, apparccesse, denunciada com es-candalo na imprensa, a matricula de indivíduo de baixa condição que nunca fora estudante, e que para obtel-a illudira a administra-ção da Faculdade, e porque desse freto sc pudesse concluir a existen-lia de outros abusos cotnpromettc-dores dos créditos da instituição, determinou o ministro do Interior, em aviso dirigido ao presidente do Conselho de Ensino, ficasse sus-penso o deferimento do requeri-mento acima mencionado, até que se apurasse a verdade dos factos que realmente haviam impressio-nado mal o publico. Nomcou-sc com esse fim uma commissão de syndi-cancia, que procedeu a rigoroso xanie nos livros c papeis da Fa-culdade. Foi a esla favorável a syndicancia, como reconheceu o ministro em aviso de 8 de junho, e II Conselho consequentemente con-firmou .1 -'i ile junho o julgamento ile idoneidade; e designado a 28 o inspector, a Faculdade a 29 pagou a quota de fiscalização. O inspe-ctor nomeado procedeu também a minucioso inquérito sobre os mes-mos fados acima alludidos, e mo-do por que a Faculdade se desem-penhava de seus deveres c cumpria us respectivas leis dc ensino. Ain-ila esse exame íoi favorável á Fa-ildade. Xão ha. pois, razão para ser negada a permanência da *v
..aração.
Alas esta. agora requerida, o Conselho Superior de Ensino tem-sc agarrado a futilissimos pretex-tos para negal-a. As duas exigen-cias que íez para ser continuada a equiparação não .são dignas de at-tenção, porque attentam contra os direitos da Faculdade e sc insur-S.-in contra actos do próprio mi-nistro autor ou rcferendnrio do de-creio que o Conselho pretende es-tar rigorosamente executando. Tem sido largamente discutida na im -prensa a exigência do cancelamen-tu de matrículas, ficando fora de duvida a correcção da Faculdade. K quanto á anntillação das nomea-rões de alguns lentes substitutos, ficou lambem evidentemente pro-vado que e.llas sc realizaram muito regularmente, mediante concurso ;!«-¦ titulos, como permittia a lei em rigor no momento da nomeação. 1 > que sc passa com a Faculdade Livre de Sciencias Juridicas e So-ciaes do Rio de Janeiro sc veriti-ca com outras, o que mostra o propósito da maioria do Conselho de acabar com as Faculdades não ofíiciaes. A reforma as manteve, mas o Conselho superpõe-sc á lei e quer ardilosamente destruil-as, por meios indirectos, mediante surpre-sas á boa íé com que as Faculda-des têm procurado por todos os modos cumprir as leis que lhes di-zem respeito. A Faculdade da Ba-li ia está também encontrando no Conselho difficuldades para a sua equiparação. Contra ella agarra-se á frivolidade de não ter um lente explicado tres quartas partes do programma da sua cadeira. Mas isto bastaria para privar a Facul-dade de equiparação, mesmo quan-do se desse com relação a mais professores? Onde o artigo da lei que estabelece para' aqueila falta a «¦'.ncção rigorosa que o Conselho <iuer impor? A obrigação do pro-iíessor explicar tres quartas partes
do progranuna é também das Fa-cuidados officiacs; e, neste caso, qual a saneção? A privação de ven-cimentos ao lente, saneção também applicavcl ao lente dás Faculdades livres. E na Bahia o único lente que faltou a esse dever soffreu des-conto nos seus vencimentos; e, convém acerescentar, esse lente só teve um alumno, este adoeceu, e não pôde fazer exame. Não crê-mos absolutamente que vingue o attentado que ameaça a Faculdade da Bahia, uma das mais bem dirigi-das do paiz e de excellente concei-te. Funeciona ha muitos annos, com uma congregação de que fa-zem parte os luminares das scien-cias juridicas da Bahia. Delia têm saido laureados muitos illustres ba-hianos, que chegaram a altas po-sições politicas, administrativas e juridicas, como Antônio Moniz, go-vernador eleito, Moniz Sodré, Pris-cc Paraíso, João Mangabeira, illus-tres deputados federaes, Campos França e Virgilio de Lemos, . que deixaram de sua passagem no Con-gresso Nacional traços luminosos, Aurclino Leal, Eduardo Spinola, Almachio Diniz, que tão brilhantes provas têm dado na vida publica da sua capacidade, honrando os créditos da Faculdade dc que são filhos. Saíram delia egualmente quasi todos os juizes do Estado. O instituto superior de ensino, que apresenta esses titulos para impor-se á consideração c ao respeito, não pódc desapparecer, o que será a conseqüência da não equiparação, sob futeis pretextos, razões que encobrem prevenções injustiiica-veis, e de mais a mais quando ». Faculdade, já julgada idônea, teve inspector nomeado pelo governo, que apresentou dois relatórios mi-nuciosos muito favoráveis á Facul-dade, e que conclttiram pela equi-paração.
Gii VIDAL
prida á risca, havendo, da parte do novo Presidente, a boa vontade e o esforço e não luwendo a empe-cer as iniciativas governamentais o callwo da política, e não só da poli-tica, mas da sua filha bastarda, — a politicagem...
Tópicos & Noticias
O TEMPO
O céo, hontem, aprcscntou-se encoberto durante todo o dia, tendo chovido cora in-termitlcncias. A temperatura oscilloit cn* tre 22«',4 e ;50,4.
0 Brasil e o
submarino
tebrapho
'O sr. Irineu Machado é o advogado do sr. Laurentino Pinto nos desdobra-mentos do inquérito instaurado para apurar as patifarias do "general" na Alfândega c na Guarda Civil. Os se-«nhores supporão que se trata de ser-viços de simples advocacia. E' um en-gano.
Acompanhando o Inquérito por parte do general, o sr. Irineu não fez mais do que pagar ao inspector suspenso da Guarda Civil os favores politicos que este lhe vinha prestando de algum tem-pó a esta parte, fazendo aliciar os-seus homens para votarem no sr. Irineu no próximo pleito senatorial.
Agora, essa situação deve modificar* se de modo bem sensível, para decoro da Guarda Civil, e para o cstrkto cum-primento da circular ante-hontem liai-xada pelo sr. Aurclino Leal.
O facto de estar o sr. Laurentino ausente da Guarda Civil não é b.istan-te para que os membros dessa corpo-ração se vejam livres da pressão poli-tica nella implantada por aquclle sc-nhor. Ha na Guarda quem nesse par-ticular faca as suas vezes; e, se o in-spector interino, de aceordo com o chefe dc policia, não desfizer os ar-ranjos do sr. Irincu, no (lia 12 dc mar-ço muitos guardas se. verão na contin-gencia dc comparecer ás urnas para votar nesse arruinado politico.
Vem a pelo chamar a attenção do sr. Aurelino Leal para os auxiliares do sr. Laurentino, que na Guarda Civil continuam .1 desenvolver a sua polir'-cagem. Uma perquisição séria e hábil os descobrirá. Ordene-a quanto antes o sr. Aurelino Leal, e faça com que a Guarda Civil readquira aqueila orderi administrativa, delia afastada por força dos perniciosos processos do general Laurentino. HONTliM Cambio 90 d|v A' VISTA . 11 J5I3* i' -43104* $733 Í74" . $830 (escudos) — Praças Sobre J/ondrcs." Poris. . " Hamburgo " Itália. . " Portugal " Nova York. .
" Buenos Aires (peso
ouro) —
" Hespanha —
Kxtrcma» :
Caixa annriz II I.l|w » flíanoario. ,
Café — typo 7.
Mbras — 2o$Soo.
.Letras do Thesouro — Rebates de ia, 12 1J4 c 12 i|a por cento.
$835 $055 3S166 4?353 4-***t" $83' II 713 . . , .*. 11 n'16 a 11 !3|io 8$doo e 9$ por arroba, pelo
HOJE
Kstá dc serviço na Repartjçãn Central de 'Policia o 2" delegado auxiliar.
Na I* pagadoria do'Thesouro Nacional, pagara-se as folhas do montepio da \ Ia* ção, tle letras A a J.
A cam o Para ti carne bovina posta hoje em con* sumo nesta capital, lorom aífixados pe.oj marchantes no entreposto de S. Diogo os preços de $500 a $5-l°* devendo ser co* brado ao publico o máximo de 574°.
Carneiro, i$70o; porco, 1Ç200 a 1S300, e vitella, $600 tt ?Soo.
0 GOVERNO DO PARANÁ
O .ir. Affonso Camargo, que vae assumir o governo do Paraná, cn-contra-se em situação favorável para executar o seu plano administrativo. Os dissídios politicos, ali, como que sc eclipsaram. A espectativa pela acção do novo Presidente fez com que os partidos ou os grupos pela menos momentaneamente, depuzes-sem as armas. O sr. Camargo terá, portanto, com a política, um noivado ftlia.
O essencial, Para o interesse do Estado, c que o noivado sc fro-longuc. E isso o sr. Camargo consc-guc-o facilmente: conseconsc-guc-o <não se envolvendo directamentç nas dis-putas facciosas, não sendo o instru-mento dc combinações partidárias, traçando uma verdadeira linha divi-seria entre a sua condueta dc poiiti-cc e o sen dever de administrador. Governado por um homem dc in-tclligeneia, o Paraná desenvolverá em pouco tempo as suas forças eco-nomicas, que já são poderosos e têm deante de si um brilhante futuro.
Ainda ha dias, tratando da produ-cção do matte como elemento da c.\-portação do Paraná, demonstrámos que cila, num espaço dc des annos, duplicou. A progressão c espantosa; mas não ê nada, em comparação com o que pódc ser.
«O matte c um produeto fatalmente destinado a grande consumo, parem ainda sem mercados. A Europa c a America do Norte, por assim dizer, não o conhecem. Uma intensa pro-paganila precisa insinuai-o por toda a parte, improvisando-the os centras, compradores, li essa propaganda de-pende da iniciativa do governo, e não só da iniciativa, como da sua tn-tclligeneia.
O Paraná, dentro cm pouco, terá no herva-malte o seu catfè.
'De resto, tombem em café é fértil o solo do Estado. A parte norte do território paranaense está cheia da famosa terra roxa, com a parti-cularidadc de ser completamente na-va. Dessa riqueza do solo paranacn-se muito advirá, portanto, para o progresso econômico do Estado.
O sr. Camargo tem, pois, deante dr si uma situação de perfeito des-afogo. Vae governar uma terra on-dc lhe sobram os elementos para des-envolver a fortuna publica. Fará, querendo, . um bom governo. Tudo lhe facilitará a tarefa, que será
cum-O Diário cum-Official publicara hoje, o novo regulamento do imposto de con-sumo.
ASnda Inão Jia onuiitoi, solicitávamos do ministro da Guerra providencias no sentido de serem pagas as praças que deixavam o serviço do Exercito, devi-do a deliberações de chefes militares que no Paraná lhes haviam dado uma baixa forçada.
Somos informados de que a situação de grande numero daqtiellas praças continua a mesma. Mais uma vez in-tercedemos por essa pobre gente junto ao general Caetano de Faria. Por essa e pela que, em virtude da reorganiza-ção que paulatinamente vae soffrendo o Exercito nas suas forças de pret, se «vê de um momento para outro fora das fileiras, sem que antes da respecti-va baixa seja embolsada daquillo a que tem direito e que eqüivale a serviços prestados á nação.
lE" uma verdade que essas baixas obedecem a um dispositivo legal. Mas é razoável que, antes de executar esse dispositivo, o general Caetano de Faria pense nas responsabilidades do Estado, e providencie para que os indivíduos a excluir das fileiras, o sejam depois de receberem tudo o que lhes deve a na-ção.
Náo ha nada mais razoável. «Está claro que não nos referimos nem aos sargentos, nem aos cabos das tentativas rebellionarias quo tanto se ¦têm explorado ultimamente. Ha praças dispensadas no Paraná, que aqui estão forcejando pelo recebimento dos seus soldos. 'Ha praças dispensadas ultima-mente, que também querem receber o que é do seu direito. Que seja satis-feito desde já.
¦O Estado não pódc ficar a dever a "indivíduos que ex*cluc do seu serviço. Isso é coisa quo só pôde ser praticada por particulares relapsos na satisfação dos seus compromissos para com os empregados que despedem...
funecionarios policiaes, na sua adapta-ção e educação para o serviço espe* cialissimo que elles têm que desempe* nhar. Esse preparo, essa adaptação, essa educação, são tão necessários ao sim-pies guarda como ao delegado, pois se um tem que ser o braço que executa, o outro tèm de ser o cérebro que diri* ge, mas nos serviços policiaes o braço não pôde ser inconsciente, porque a acção que desenvolve não é exclusiva-mente material, e o cérebro que dirige não pôde ser estranho ás minúcias do especialissimo serviço a executar*
Dahi, o estarmos convencidos de que o chefe de policia fará trabalho completo, ainda com a vantagem supe-rior de afastar os delegados das con* tingencias da politica, incentivando to-dos ao trabalho para a conquista de um futuro melhor.
*I^O*iVi:*EJ*KrTO •BXJH.O-FEITT
Por haver adoecido um dos exami-nadores, foram suspensos até a próxima semana os trabalhos da mesa examina-dora do concurso para os logarcs dc agentes fiscaes do imposto dc consumo. Desta deliberação do presidente da mesa respectiva, teve sciencia o minis-tro da Fazenda.
Voltemos a falar da Western Te-lcgraph Company, ou seia da Com-panhia que açambarcou por um con-trato a longo prazo o serviço âo_ te-legrapho submarino entre o. Brasil e a Europa.
Ha longos oito mezes que um pro-cesso de appellação pendente do Su-premo Tribunal de Justiça, em que é apiicllante a União Federal e ap-pellada a Western, aguarda que o procurador geral da Republica apre-sente as suas razões íinaes, afim dc que o processo seja levado a julga-.mento. E porque a sentença a profe-rir, seja ella qual fôr, implica com elevados interesses nacionaes, não podemos deixar dc voltar ao assum-pto, cuja gravidade e Importância são
facilmente reconhecíveis.
A Western tinha com o governo do Brasil um contrato celebrado em 30 de junho de 1893, para o lança-mento de um cabo para Montevidéo. E' esse o único cabo submarino que a Western possue para o Sul do nosso continente. A concessão _ toi feita por vinte annos, que finalisa-ram em 1913, o no anno seguinte, em 27 de janeiro, a 'Central and Sotith American Telegrapli Çonipanv re-quereu que lhe fosse permittido o lançamento de um cabo entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires e outro entre Santos e Buenos Aires. _ Pelo seu contrato, a Western só teria di-reito á prorogação dclle em egual-dade dc condições com qualquer ou-tro proponente, para a exploração do mesmo serviço.
Ora, a Central requereu a concessão sem nenhum privilegio ou monopo-lio, podendo o governo conceder egual favor a qualauer outra empre-sa «quo o solicitasse. A Western, cujo contrato estava já liquidado, só poderia lançar e explorar os cabos submarinos ,para a Argentina, se ac-ccitasse na novação do seu contrato, aqueila cláusula e outras que a Cen-'trai
propoz. Mas á boa exploração ingleza não podia convir tal condi-ção, que a poria bastante mal em fa-ce de concorrentes futuros, e porque a Western encontrasse da parte do governo brasileiro, como não podia deixar de ser, tendências favoráveis á Central, que tem sido sempre es-cudada em suas pretenções pelo
go-verno norte-americano, resolveu pe-dir .manutenção de posse... dc um direito já prescripto, c ahi esta como surgiu a chicana pendente agora do Supremo Tribunal e retida ali ha mais de oito mezes por incxpli-cavei demora do -procurador da Re-publica, que tem de arrazoar nos au-tos, nos quaes, aliás, a defesa da União está feita pelo dr. Prudente de Moraes Filho, como advogado da Central, que no processo é
assisten-te da appelhrnassisten-te.
Está, pois, a solução de uma-quês-tão importantíssima fiara o Brasil á mercê de uma chicana que o ardil e a astucia ingleza prepararam com o fim de verem se será possivcl man-ter um monopólio que absolutamente, e em face do bom direito, a Western perdeu, em beneficio do Brasil.
'Mas esta historia do cabo que a empresa ingleza conseguiu exnlorar durante vinte annos, e que pretende continuar a gozar oor tempo
inde-terminado, tem um lado ultra-inte-ressante, que talvez o sr. Wenccsláo Braz não conheça, mas que vamos cxpôr-lhè para elucidação própria e do paiz exploradissimo.
Uma das cláusulas do contrato df, linha submarina para Montevideo, a terceira, estabelece a favor do
go-verno brasileiro a taxa de dez cen- de ¦_______¦ jofio Benedicto, que, também. tesiniçs por Palavra cm transito tcle- achando-se na Itália, na oceasião da
s im pioiai i
cem mil soldados turcos
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Os produetos brasileiros vão gradual-mente reclamando transporte. A princi-pio foi o café. Depois, o cacáo. Agora, são os couros, e mais tarde serão as madeiras.
Quer isso dizer que ou o governo se dispõe a considerar como um assumpto dc capital importância esse caso dos transportes, ou perde uma boa oceasião di valorizar e impor grande parte da nossa producção aos mercados da Ame-rica e da Europa.
O governo sabe bem o que nos espera no momento cm que expire o prazo desse, fundinn, que muito razoavelmente nos apavora. E' preciso, pois, aproveitar tudo quanto sirva para desafogar os nossos compromissos no momento de reencetarmos o difficultoso serviço da nossa divida; e a venda do café, do ca-cáo, dos couros, das madeiras, de frutas, etc. deixa um razove! cocfficiente para a nossa receita.
Nada se poderá perder dessa não muito aproveitada "riqueza natural" que exploramos. O governo dirá com os seus botões que já tem feito muito no sentido da solução da crise que nos assoberba. Mas s preciso mais. Esse problema dos transportes é de uma ma-gnitude absoluta para a nossa situação. Afinal, as poucas forças que pesam ío nosso intercâmbio commercial não devem de. fôrma alguma ficar iminobili-zadas e clamorosamente desaprovei tadas, quando dcllas muito necessitamos.
«O ministro da Viação communicoti ao da Fazenda ter approvadò a tomada dc contas, referente ao 1° semestre de 1915. das linhas federaes de Itararé c Tibagj-, da Sorocabana "Railway Com-pany.
O ministro da Fazenda, attendendo á solicitação do Tribunal de Contas, pc-diu ao seu collega da pasta do «Ext-e-rior providencias no sentido de serem remettidos ao «mesmo os livros da ceita e despesa e mais documentos re-lativoS á gestão do ex-consul geral do Brasil cm Lisboa), Manoel; da Silva Ponlcs, afim de se proseguir na toma-dá de contas do dito funecionario.
BRASILEIRO ITALIANO
CARTA A GIL VIDAL "Ribeirão Preto, 15 de fevereiro de 1916. — Illustre compatricio Gii Vidal. Inteiramente solidário com o appello dirigido por vós ao sr. ministro das Relações Exteriores, no caso de Eduar-do Serra de S. Simão que está contra vontade servindo nas fileiras do exer-cito italiano, contra os austríacos; dou-.vos conhecimento dc um outro caso perfeitamente idêntico relativo a um moço aqui de Ribeirão 'Preto, menor,
- --*iut..- j-_.- 1 i. mi ¦,.,¦ «li. 1 11 ..—i ..¦jiwr.*'
Plwtograpltia tíraSa nos jardins do QttWnal. Nella se vêem o rei Nicolau do Montntcgro, tendo 6 sua esquerda? a rainha Milena; o rei e a ramlta da Itália; os príncipes e prineczas montenegrinos e o
herdei-, ro do throno da Servia, sentado na relva
NOS BALKANS
A SITUAÇÃO ACTUAL DOEXERCITO SERVIO
Paris, 17. (A. H.) — O Cear Nicolau, tendo recebido noticia dc que o exerci-to servio estava ao abrigo de exerci-todo o perigo, graças aos esforços do governo franece, telegraphou ao presidente Poin-cará enviando-lhe calorosas felicitações pelo auxilio que a França generosanieiii. te concedeu á Servia, tão cruelmente ex-perimentada durante a luta heróica em que esteve empenhada contra o inimigo commum.
Ao telegramma do Cear Nicolau re-spondeu o presidente Pcdncafié nos se-guintes termos:
"A nossa missão militar e marítima, que, dc aceordo com as autoridades na-vacs iuglccas c italianas, salvou com-plctamcnte o exercito servio, scrâ mui-to sensível ás saudações dc vossa ma-gestade.
A França está orgulhosa de ter con-tribitido para conservar intactas as va-lentes tropas, que tiveram dc ceder mo-mentancaniente á superioridade numeri-ca do inimigo, mas que vão cooperar com os alliados para a libertação da sua pátria."
a
SUBLEVAIDAO DE
MONTE-A TOMMONTE-ADMONTE-A DE
I
ERZERUM
A CAMPANHA NA
RÚSSIA
Cem mil turcos prisio-
um
communicado
neiros
gratphico. Foi esta a isca que os in- declaração de guerra á Áustria, fize-glezes da Western offcrcccram á in- ram-n'o encorporar-se ao exercito ita liano, contra vontade delle eda familia, que já endereçou ao sr. ministro uma reclamação documentada, sem solução
Voltaram hontem a confcrcnciar com o ministro da Fazenda os srs. Cliaías Galvõa. director geral da Contabilida-dc Publica, e Teixeira Leão, inspector da Caixa de Amortização. _
A conferência, que foi demorada, versou, ao que sabemos, sobre o paga-mento de juros das saliinas, ouro e papel, emittidas pelo Thesouro.
Não é de hoje que reclamamos por estas columnas contra os abusos da Rede Stil-Mineira, a infeliz estrada que, devido a péssimas administrações, falha inteiramente aos fins para qne foi con-struida.
As queixas contra o seu detestável serviço, sttecedem-se como são frequen-tes as que dizem respeito ao modo pelo qual ella cuida do seu pessoal.
Temos sobre a mesa uma carta elo-quentissima e que por si só mostra o descaso criminoso em que a actual ad-ministração da Sul-Mineira encara os seus deveres para com os que a servem honradamente. .Nessa missiva queixa-se amargamente um dos empregados de que ha sete longos mezes não é pngo o pessoal da estrada. E nâo c pago por esta grande razão: para que os fornecedores os roubem escandalosa-mente vcndendo-lhes a credito gencros mais caros .10 T e '40 "•" do que nos outros estabelecimentos! E' incrível, mas é verdade!
A directoria da estrada finge ignorar e«--«a vergonha'; finie, porque não têm sido poucas as representações contra os sanguc-sitgas dos desgraçados emprega-dos da Sul-Mineira.
Mas ha ainda um outro ponto da carta para o qual chamamos, muito es-pccialmcnte, a attenção do governo. A Rede Sul-Mineira está devastando as mattas próximas ás suas linhas para tirar a lenha com que alimenta as cal-deiras das suas m.icliinas. Uma grande zona já está inteiramente despida dc vegetação, e tudo leva a assegurar que dentro ein breve não se verá mais unia só arvore nas proximidades do leito da referida estrada.
E' urgente a intervenção do governo para pôr cobro a tal crime. Além de espoliar os infelizes trabalhadores, a Sul-Mineira qurr reduzir a um Sahara a região que serve tão mal e por al:o preço,
-m 1 ¦ I»
Oucreis apreciar bom o puro café? SO' PAPAGAIO
O conira-torpedriro Ale.qoas fez, hontem. experiências de machinas, ten-do saiten-do até fora da barra, levanten-do a seu bordo o commandante da divisão de "destroyers", capitão dc mar e guerra João Carlos Jlourüo dos San* tot.
genuidade nativa governamental. De resto, so o contrato fosse sempre mantido lealmente, o Thesouro au-feriria uma renda apreciável. E de facto, nos primeiros tempos, essa renda foi registrada e avaliada, sc-gundo os cálculos do dr. Bhering, em vinte contos mensaes.
iMas o governo da Argentina con-tratou coni a Western o lançamento de um cabo entre Buenos. Aires e a ilha da Ascensão, donde parte outro cabo submarino, explorado por uma outra companhia ingleza.
iQtie suecedeu depois disso? Esta coisa simples: nunca mais o Brasil teve telegrammas em transito que lhe dessem a taxa de um centésimo por palavra, pois todo o serviço das re-publicas do Sul, Argentina, Untguay; Paraguay, Cliíe, Peru e Bolívia pas-sou a ser feito pela ilha da Ascen-são, guardando a exploração ingleza a verba proveniente da taxa de um centésimo, que' deveria entrar no Thesouro do Brasil, como compensa-ção da concessão feita á Western!
O dr. tBuering calculou o prejuízo soffrido pelo Thesouro em -20 contos mensaes, e, como o desvio do servi-ço telegraphico começou em fins de maio de 1910, e são, portanto, decor-ridos cinco annos e nove mezes, o Thesouro do Brasil perdeu já,
ap-proximadamente, 1.380 contos! Estamos convencidos de que o próprio sr. Wencçstáo Braz, lendo estas notas, ficará assombrado, pois este facto tem andado despercebido, pela razão muito simples de que, de ordinário, são inteiramente descura-das, mesmo pelos homens de gover-no, as minúcias dos assumptos mais graves c importantes.
«Cumpre que o procurador geral da Republica devolva ao Stinrcmo Tribuna! o process-o em que a União é aprellante, com as razões que jul-gar dever apresentar, afim de que se liquide uma questão que tem para o Brasil grande interesse, pois o go-verno necessita de cuidar dos servi-ços telegraphieos internacionaes do Brasil em harmonia com as nossas relações commerciaes, de anno para anno mais valiosas.
até hoje.
Com este, dâ-se a circiimstancia de terem italianizado o próprio nome do patricio ribero-pretano, para lhe con-fundirem a nacionalidade. I,á nas hos-tes italianas chamam-lhe: Giovanni Eü-JEnF.TTt.
S. ex. o sr. ministro já tem em poder os documentos que provam ser João Benedicto, natural desta cidade, educado e creado aqui.
O pae deste nosso patricio foi cljc próprio quem dirigiu uma representação ao ministro para o regresso de seu filho.
Os beneficieis que vós estaes pestan-do, com essa campanha, a tantos brasi-leiros, que se acham actuatmente nas mesmas condições de José Serra e João Benediclo, vos serão compensados de certo modo em gratidão e reconheci-mento dos pães e amigos desses moços, além da satisfação que vos trará o pleito de uma causa justíssima como essa.
Admirando-vos cada vez mais, sub-screvo-mc com muito apreço, etc."
- "I T "T— -* ¦*--¦ •
Dizem alguns jornaes que no proje-cto de reforma, que está sendo orgar.i-zado pelo sr. Aurelino Leal, se esraue-lecc a policia de carreira, mas somente até aos cargos de commissarios.
Os delegados continuarão demissiveis or! MHÍtim.
O sr. chefe de policia !em--o inanli-do dentro inanli-do mais completo mutt£mo, em relação ao seu plano reformador da corporação que dirige. Dahi, o não sa-bermos se realmente é ou não aquelle o projecto do dr. Aurelino Leal. Todavia, diremos que, se realmente se prc-.ende fazer policia de carreira somente até os cargos de commissarios, melhor è não mexer no que existe. Os delega-dos são, natunlmente, pela força do seu cargo, os directores dis investiga-ções policiaes. Ora, uma das vantagens, mesmo a principal vantígem, da policia de carreira, consiste so preparo doi
Jí administração do Correio da Ma-nhã, assim como todos os seus agcntc3 e viajantes, acceita assignatttras para a revista portugueza O Rosário, uma •Ias mais bem feitas publicações catho* licas editadas cm Portugal.
Anno 6íooo
NEGRINOS
Amsterdam, 17. (A. A*) •*-" Dizem fe. Icgrammas procedentes de Berlim, que os montenegrinos em Vasoyc, Plava e Cusinie, sublevaratn-sc contra as auto-ridades austríacas. Faltam outros por-menores.
A SITUAÇÃO DOS
ALLE-Pingos & Kespinps
A defesi do Lafayette Carvalho con* ílstiu em dizer que a sua carta fora re* serva da.
Toi 'essa nota de resereada que torniu tSo suja a transacç.ío.
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SS *O theatro da Natureza nüo tem funecio* trado por causa da chuva.
Hontem dizia o Kaul referindo-se í peça que devia estar em scena se não chovesse *.
Hs?a Antigona está -ficando antigor.is-sxma.
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IPara' substituir o general Laurenti* •no na Inspectoria da Guarda Cívtl, foi no-meado o 'Mario Limocirn, c^-nmandante do Pega-Boi.
Como foi recebida a nomeação ? A do Limoeiro ? eom a-eduine, natti* ralmcntí*.
ri:
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iCommunica-nns * directoria do Club dos Tenentes do Diabo que, «m virtude do prrí-sso de fülleneiã que ec-ntra o club in-tentou o sr. Joaquim Meias, e que pode-ria sair muito caro âos Tenentes, em seus próximos bailes de Carnaval ficam prohibi* doi os Mcios-caras.
-*»*'
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Em roda cir-utralescn :O iuli cjeneíoti u faTle-iela dai Te-ntntes.
Tez muito bem. O club nüo «5 entida* 'ie
comnierciiil. A única divida «pie impor-ta na sua fallencia immediara, ae elle a nio satisfizer, é a que tem contraída com o publico : — «de "botar o Carnaval na
ra".
Cyrano & O,
MÃES NA SERVIA
Athenas, 17. (A* A.) — Um jornal daqui publica uma entrevista com uma personagem politica grega, chegada ha pouco da Servia, na qual sc affirma que os allcmãcs estão superiormente fortificados em toda aquellc território, com obras dc defesa surprchendentes.
O informante aecrescenta que, a par com isso, tem os invasores tedescos e búlgaros desenvolvido uma actividade extraordinária cm matéria de progres-sos naqucllas regiões, restabelecendo em toda a parte a vida normal anterior, procurando, sobretudo, incrementar o ensino obrigatório, ao mesmo tempo que lem reconstruído os principaes predios destruídos pelo bombardeio, rectifican-do pontos, emfim, um trabalho insano no qual são empregados os prisioneiros servios, montenegrinos e anglo-fran-ceces.
Diz mais o informante que os alie-mães estão agora terminando uma ím* portanto ferro-jia, ligando Vskub a Mo-naslir, estrada essa de importante va-lor militar. Terntinada essa eonstrucção, fica Monastir ligada directamente a Nish, via Vskub, c, portento, a Bclnra. do, Vienna e Berlim.
OS FRAXCEZES SEXHORES ~
DAS PONTES DO VARDAR Paris ,17 — (A. H.) — Telegramma recebido dc Athenas informa que os francezes occttparam todas às pontes do rio Vardar, c os gregos as margens do rio Topsim ali á sua embocadura.
lionircs, 17 — (A, H.) — Os jornaes publicam telegrammas d< Amsterdam dizendo que a noticia d.i tomada de (Erzerutn pelos russos causou ali uma grande e. repentina baixa na cotação do marco.
Petrogrado, 17 — (A. H.)* — 0 "tMessager
Official" insere circtim-stanciada noticia sobre a oecupação de Erzcrum e diz que a guarnição turca da praça pôde ser avaliada em cem mil homens e em cerca de mil o total dos canhões apprehendidos pc-los russos,
Poris, 17 — (iA, II.) — O presi-dente 'Poincaré* telegraphou ao czar •da Rússia e ao grão-dirque Nicoláo felicitando-os pela victoria de Erzc-rum.
'»'
Os fortes de Tekke-Burnu
bombardeados
Nova York, 17 — Communicado official de Constàntinopla annuncia que tres vasos de guerra dos alliados bombardearam no dia 13 do correu-te os forcorreu-tes de Tokkc-*Burnu, no es-treito dos Dardanellós.*
O vali de Smyrna foge
para Athenas
Neva York, 17 — (IA. A.) — An-nunciam de Athenas qua Kacho-Bey, Vali de Smyrna, embarcou a bordo de um navio de guerra, _ com destino áquella capital, para fucrir ás ameaças dos Jovens Turcos, que prometteram assassinal-o.
RUSSO
Petrogrado, 17 — Communicado do Estado Maior do Exercito:
"No sector de Riça, a nordeste do Rope, abatemos um balão allemão.
•Na região de Ikva superior um bala» russo lançou sete bombas de quarenta libras sobre a cidade e a estação dc Podahioc.
Na frente do Caucaso desalojámos oa turcos de uma série de poslçSes e ob-j«" gamol-os a retirar-se para além do 118 Vitzcsu.
Nos novo9 fortes dc .Erzcrum qui cairam em nosso poder fizemos nume-rosos prisioneiros e apprehtndemos se*, tenta peças dc artilheria e muitas
muni-ções. .
A parte meridional de Erzenim foi incendiada.
As nossas tropas continuam' na 0'F-fensiva na região dc Khopy".
Uma communicação da
legação do Brasil em
Vienna
IA Legação do Brasil em Viann», transmittiu ao dr. Lauro Muller, mi--listra das Relações Exteriores, a communicação do governo aústro-húngaro de que, a p.artlr do dia **} dr corrente mez, todo9 os_ navM mercantes munidos de canhões, seja qual fôr o motivo, serão considera-dos pelas forças navaes austro-hun-gara* comp navios belligerantes, ?} como taes serão tratados.
*
O cardeal Mercier no
Vaticano
tRámo, 17 — (A. tt) O ipapw "Benedicto
concedeu hontem ao caf-deal Mercier uma audiência, que tr* rou uma hora. ,.„„
PACTOS E IMPRESSÕES
 morte de Regis d'01iYeira ¦ Um
grande amigo dos
portuguezes - A hospitalidade do
Brasil e o egoísmo britânico
Um
"destroyer" inglez
avariado
Nova Yorl; i" - (A. A.)' — Cor-re aqui como certo que o destroyer "Vicking", da marinha de guerra britannica, chegou a Dover muito avariado, julgando-se que tenha sido atacado por um submarino inimigo.
Accresccnta-se que o governo in-glez guarda a maior reserva sobre o facto, que ainda não foi confirmado.
•'fi
O
"American Club" de
Toronto, incendiado
Nova York, 17 - (A. A.) — Te-legrammas aqui recebidos de Toron-to. no Canadá, info.-mam que _ se de-clàroti um violento incêndio no "lAmerican-Club",que ultimamente se manifestou abertamente a favor dos
alliados. . .
/A repetição destes sinistros no Ca-nada e em vários pontos dos Estados Unidos, como ainda hontem se veri-ficou em Brooklyn, e que denunciam um plano criminoso, attribuido a in-dividuos de nacionaldadc allemã ou austríaca, começam a impressionar o espirito publico. Em muitos círculos do alto commercio tem sido manifes-tada a opinião de que se torna ne-cessaria uma acção enérgica por par-te do governo, nara impedir que se repitam factos dessa natureza, mani-fes-tamente crinjkosos.
0 inesperado acontecimento da ul-tima semana foi a morte de Régis dc Oliveira. Este triste facto merece cs-pecial registro não só pela consterna-ção geral que causou a quantos o co-nheciam, a todos os que pelas na.-Y.v tivas da imprensa puderam aquilatar d generosa e larga hospitalidade da em-baixada brasileira, escancarada para quantos perseguidos dos ódios vivos da politica indigena se recolhiam á prote-cção da sua bandeira. Por isso também a especulação partidária que se preten-deu fazer da cerimonia fúnebre do seu enterro não logrou destruir a mani-festação espontânea do sentimento pu-blico e na esteira do carfo funerário seguiu pesarosa e reverente a longa theoria dos que. nesse ultimo instante, não qiiizeram deixar de testemunhar uma consideração merecida por varia-dos titulos.
Régis de Oliveira, embora a mais graduada das figuras representativas dos Estados que aqui têm ministros acreditados, a maioria dos quaes pas-sam despercebidos aos que não são da privança das legações ou do mundo of-ficial onde são assidtias as importunas intervenções de alguns, era uma *i»!i-vidualidade que a lhaneza do trato.^ a fácil abordagem das relações, tornara universalmente estimada e popular. Todos o conheciam c todas o amima-vam de nm respeito, condimentado dc uma viva sympathia. Elle era bem o ministro de um .povo irmão e amigo, enternecido por todos os nossos infor-tunios, generoso para todos os nossos desastres. Por isso também Régis de Oliveira amando os portuguezes, per-correndo de uma ponta á outra o paiz inteiro, em busca de amigos que tinha em toda a parte, honrando com a sua presença os grandes c os humildes que por qualquer titulo queria distinguir, sem preocctipação de interesses poiiti-cos, esquecido das instituições que ser-via e daquellas junto das quaes estava acreditado, era sempre como que o symbolo desse longinquo Brasil onde, em todas as latitudes, pulsa um pouco do nosso sangue que é como o fermen-to da ternura intrínseca que para com um irmão mais velho e combalido guar-da o hospitaleiro paiz para o qual es-orevo nesta hora triste em que com-memoro o passamento do seu illustre embaixador.
Ainda a propósito a da geral estima relembraram alguns jornaes o que foi a sua attitudc nos dias trágicos da ul-tima revolução de maio. Nas ruas de Lisboa chacinava-se com fúria de cani-baes, A matulagem, assoprada pelos ódios dos chefe», invadia as casaa dos
monarcliicos, buscava homems etn evt" dencia, no intuito de os matar talvc*. de oj vexar de certo. A insegurança e a desordem eram geraes. A revolta tinha o mesquinho objectivo du destruir um ministério que ousara querer gover-nar com justiça e em nome da ordem. Convinha mascarar o crime da mari-nhagem revoltada, inventar os perigos corridos por uma republica que nin-guem atacava, para justificar as cruel-dades infames qu» ensangüentaram Lis-boa e nos deshonraram aos olhos de quantos souberam ver os tristes acon-tecimentos desses funestos dias da maio. Para isso ram excellentes pre-textos os monarchicos: elles eram o ca-pitai apoio do ministério — diziam os açuladores da desordem — era preciso correl-os, dcstocal-os como quem amalha animaes selvagens para os assassinar. Sem a opportuna appariçâo de uns na-vios de guerra da nação vizinha, a pro-mettida cttrce de tres dias de saque ter-sc-ia realizado. A matulagem avl-nhada estava anciosa. Muitos deverão talvez a vida a essa oceorrencia inespe-rada da appariçâo de uns cruzadores hespanhoes. O governo revolucionário, que facilmente Iriumphara da cobardií. anarchica da guarnição de Lisboa, da fraqueza injustificada de um ministério, que parecia apoiada nas espadas das. centenas de ofíiciaes que, dias antes, lhe foram affirmar uma dedicação sem condições, — esse governo tremeu de medo com o advento dos soldados es-tranhos. Sem isso o programma da chacina, do saque, iria até ao fim. 0 que já se fizera seria uma tremenda amostra.
Foi neste momento de angustia qua alguns vultos em evidencia de ódios re-publicanos foram soecorrer-se da hospl*. talidade brasileira, felizmente encarna-da em pessoa de categoria moral e in-tellcctual bastante para honrar com i. sua attitudc o grande paiz que repre*. senta. Logo no começo das desordens Regis de Oliveira reunira em sua casa o corpo diplomático de que era o chefe para concertarim a attitudc que justi-ficassem 09 acontecimentos. Debateu-se a hypothese das legações terem da acudir á perseguição dos monarchicos. 'Neste momento — contou ha poucos dias um jornal que ainda ninguém des-mentiu *l— o representante da Grando Bretanha, o ministro Carncgie, afllr-mou que pela sua parte e seguindo in-stracções do seu governo, não só «tf.-» acolheria nenhum perseguido, mas, peor ainda, «mandava cntugar á policia quem Procurasse abrigar-se á sombra da bandeira ingleza\ EspantosoI
Quo o facto parece ser exacto, d-tri