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Realizado no Centro de Estudos e Pesquisas

BRICS/ BRICS Policy Center (BPC)

no dia 21 de outubro de 2011

Rio de Janeiro, 28 de Novembro de 2011

“Agenda dos BRICS para a Rio+20:

perspectivas brasileiras”

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Realizado no Centro de Estudos e Pesquisas

BRICS/ BRICS Policy Center (BPC)

no dia 21 de outubro de 2011

Rio de Janeiro, 28 de Novembro de 2011

“Agenda dos BRICS para a Rio+20:

perspectivas brasileiras”

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Sumário

1. Apresentação...4

2. O caminho até a Rio + 20...5

3. A Rio + 20...6

4. O Workshop sobre a Rio + 20 promovido pelo BPC...7

5. Os principais debates das Mesas Redondas...8

6. Mesa I: Agendas para a Rio + 20...8

6.1. Principais Contribuições dos Participantes...9

6.2. Resultados da Mesa...10

7. Mesa II: Economia Verde no Contexto do Desenvolvimento Sustentável

e do Combate à Pobreza...11

7.1. Principais Contribuições dos Participantes...11

7.2. Resultados da Mesa...12

8. Mesa 3 - A Arquitetura Institucional do Desenvolvimento Sustentável...13

8.1. Principais Contribuições dos Participantes...13

8.2. Resultados da Mesa...15

9. Resultados do Workshop “Agenda dos BRICS para a Rio + 20:

perspec-tivas brasileiras”...16

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1. Apresentação

O Centro de Estudos e Pesquisas BRICS/ BRICS Policy Center (BPC) realizou, no dia 21 de outubro, o workshop “Agenda dos BRICS para a Rio+20: perspectivas brasileiras”, para discutir a posição estratégica do Brasil na Conferência Rio+20, em 2012.

O debate contou com a presença de representantes das três esferas do governo bra-sileiro, diplomatas brasileiros e chineses, e pesquisadores de diversas áreas, os quais debru-çaram-se sobre o tema do desenvolvimento sustentável e, de modo específico, sobre os dois assuntos que serão tratados na Conferência: a) a economia verde no contexto do desenvol-vimento sustentável e; b) o combate à pobreza e a arquitetura institucional para o desenvolvi-mento sustentável.

O presente documento contextualiza os debates sobre desenvolvimento sustentável no âmbito das Nações Unidas, descreve brevemente a importância da Rio+20, os motivos que levaram o BPC a realizar um Workshop dessa natureza e apresenta os principais temas deba-tidos nas mesas redondas, bem como alguns resultados alcançados.

O presente documento é fruto dos esforços conjuntos dos pesquisadores do centro (em nível de mestrado e doutorado) e da Coordenação do BPC.

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2. O caminho até a Rio + 20

A primeira Conferência da ONU sobre questões ambientais foi a Conferência das Na-ções Unidas sobre Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, em 1972. Em um contexto de clivagens políticas que dividiam o mundo entre norte-sul e leste-oeste, a maior contribuição da Conferência foi despertar a consciência dos países para a importância dos assuntos ambien-tais.

Inúmeros debates foram promovidos no âmbito das Nações Unidas durante os anos 1970, os quais culminaram na criação, no início dos anos 1980, da Comissão Mundial sobre Ambiente e Desenvolvimento. A essa altura, a preservação ambiental já passava a ser associa-da à noção de desenvolvimento e, conseqüentemente, ao combate associa-das desigualassocia-dades econô-micas e sociais. Em 1987, a Comissão Mundial sobre Ambiente e Desenvolvimento apresenta ao mundo um relatório intitulado “Nosso Futuro Comum”, no qual são apontados os principais problemas ambientais a serem enfrentados pela humanidade.

No relatório - também conhecido “relatório Brundtland” em referência à primeira-minis-tra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, que esteve a frente dos primeira-minis-trabalhos da Comissão – é oferecida uma definição de desenvolvimento sustentável que relaciona claramente as esferas ambiental, a social e a econômica. Em termos gerais, desenvolvimento sustentável é definido como “o desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer a habi-lidade das gerações futuras em atender suas próprias necessidades.” De modo específico, o relatório enfatiza que “as metas de desenvolvimento econômico e social deveriam ser definidos em termos de sustentabilidade em todos os países” fossem eles desenvolvidos ou em de-senvolvimento, comunistas ou capitalistas. Desenvolvimento Sustentável é definido, portanto, como a harmonização das dimensões econômica, social e ambiental em todas as sociedades.

Em um contexto completamente novo, logo após o fim da Guerra Fria e a fragmentação da antiga URSS, a cidade do Rio de Janeiro sediou a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, também conhecida como ECO-92. Como principais resultados da Conferência, merecem destaque o documento “Agenda 21: um programa de ação para o desenvolvimento sustentável,” a “Convenção sobre Diversidade Biológica” e a “Convenção Quadro sobre Mudança Climática. ” Na Declaração do Rio sobre Ambiente e Desenvolvimento, o princípio das “responsabilidades comuns, porém diferenciadas” foi assegurado pelos países em desenvolvimento, os quais afirmavam que preocupações ambientais, embora importantes, não poderiam atuar como entraves ao desenvolvimento econômico, principalmente em função de o conceito de desenvolvimento sustentável depender de melhorias nas dimensões econô-micas e sociais. Um resultado importante da ECO-92 foi a criação, em 1993, da Comissão para Desenvolvimento Sustentável nas Nações Unidas, encarregada de implementar as ações da Agenda 21.

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Em 2002, realizou-se a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, em Joa-nesburgo. Também conhecida como Rio + 10, o encontro teve como principal objetivo avaliar a implementação da Agenda 21 e renovar o compromisso dos países participantes com o desenvolvimento sustentável. Como resultado da Cúpula, foi lançado o Plano de Implemen-tação Conjunta de Joanesburgo, o qual deveria ser acompanhado pela Comissão de Desen-volvimento Sustentável e que, em grande parte, repetia pontos já presentes na Declaração do Rio. A grande contribuição da Rio + 10 foi tornar mais clara a associação entre as dimensões econômica, social e ambiental.

3. A Rio + 20

No dia 24 de dezembro de 2009, a Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou a Resolução 64/236, autorizando a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Desen-volvimento Sustentável. A conferência será realizada na Cidade do Rio de Janeiro, em junho de 2012, e também é chamada de Rio+20, em alusão aos 20 anos que se passaram desde que a primeira conferência sobre desenvolvimento sustentável foi realizada pela ONU, a ECO-92. De acordo com a Resolução, Conferência terá 03 objetivos principais:

a) garantir a renovação do compromisso político dos países participantes com o conceito de desenvolvimento sustentável;

b) avaliar o progresso alcançado e apontar os principais problemas na implementação dos resultados desejados nas principais conferências sobre desenvolvimento sustentável já reali-zadas;

c) identificar novos desafios que dizem respeito às discussões sobre desenvolvimento susten-tável;

A resolução indicou também os dois temas que serão tratados durante as reuniões pre-paratórias e discutidos pelos participantes durante a Conferência, a saber:

a) a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e;

b) o combate à pobreza e a arquitetura institucional para o desenvolvimento sustentável. O Comitê Preparatório, composto pelos países que participarão da Conferência, terá ao todo três encontros até sua realização. Os dois primeiros ocorreram em Nova Iorque, entre os dias 16 e 18 de maio de 2010, e 07 e 08 de março de 2011, e o terceiro deverá ocorrer semanas antes da conferência, que ocorrerá entre os dias 20 e 22 de junho de 2012.

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Além disso, até a data da Conferência, ocorrerão os encontros preparatório regionais, todos no ano de 2012. O da América Latina e Caribe ocorreu entre os dias 07 e 09 de setembro, o da Região Árabe entre os dias 16 e 17 de outubro, o da Região da Ásia-Pacífico entre 19 e 20 de outubro, o da Região da África entre 20 e 25 de outubro e o da Europa ocorrerá entre os dias 1 e 2 de dezembro 2011.

Ademais, a maioria dos países participantes realizou encontros públicos para promover o debate acerca dos temas da Conferência. Com base nesses debates, foram elaborados os documentos com as posições dos países, os quais foram enviados à ONU até o dia 1o de no-vembro de 2012.

4. O Workshop sobre a Rio + 20 promovido pelo BPC

De maneira a contribuir de forma substantiva para o que será discutido na Conferência, no dia 21 de outubro de 2011 o BRICS Policy Center (BPC) promoveu o Workshop “Agenda dos BRICS para a Rio+20: perspectivas brasileiras”. O evento foi composto por mesas redondas, nas quais pesquisadores, representantes do governo e da sociedade civil debateram as agen-das brasileiras para a Rio+20, bem como o posicionamento dos demais países BRICS nestas discussões.

São vários os motivos que levaram o BRICS Policy Center a promover o Workshop so-bre a Rio+20. Além de participarem individualmente nos debates internacionais soso-bre o meio ambiente (todos os BRICS ratificaram o Protocolo de Kyoto), os países do BRICS possuem agendas de cooperação abrangentes que incluem vários temas relacionados ao desenvolvi-mento sustentável. Por exemplo, na cúpula mais recente dos chefes de Estado dos países BRICS, realizada em Sanya, na China, em 14 de abril de 2011, os BRICS se comprometeram a colaborar no combate à pobreza e ao aquecimento global. No que diz respeito à mudança climática, os BRICS concordaram em trabalhar pela conclusão das negociações da Conferên-cia de Bali, que deve conduzir a um acordo internacional sobre aquecimento global a partir de 2013. A Declaração de Sanya deixa claro que os BRICS irão se empenhar para tanto “de acor-do com o princípio de equidade e responsabilidades comuns porém diferenciadas”. No mesmo documento, são evidenciadas preocupações específicas — entre elas a volatilidade das com-modities, inclusive dos alimentos e da energia — que ameaçam não apenas o bem-estar dos BRICS, mas também o desenvolvimento sustentável em nível global.

Além da defesa de condições que possibilitem o crescimento econômico, os cinco pa-íses compartilham o compromisso de combater a pobreza e buscar inovações para lidar com os desafios do desenvolvimento sustentável. Neste sentido, da agenda do grupo fazem parte temas como mecanismos de proteção social, trabalho digno, igualdade de gênero, juventude

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e saúde pública (incluindo a luta contra o HIV/AIDS). Em todos estes temas, os BRICS reco-nhecem a importância de se vincular o desenvolvimento socioeconômico à preservação dos recursos ambientais.

5. Os principais debates das Mesas Redondas

O evento foi organizado em torno de três Mesas Redondas, nos quais os participantes puderam expor suas opiniões e promover um debate franco e democrático. Foram elas: a) Agendas para a Rio+20;

b) Economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e combate à pobreza; c) Arquitetura institucional do desenvolvimento sustentável.

6. Mesa I: Agendas para a Rio + 20

Apesar da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável não ser um fórum para a elaboração de acordos internacionais, a Rio+20 oferecerá aos partici-pantes uma plataforma para debater temas prioritários e divulgar posições oficiais sobre as questões-chave discutidas. No setor público, governos municipais, estaduais e federais terão a oportunidade de manifestar seus interesses e posicionamentos. O mesmo é válido tanto para a sociedade civil – que aproveitará a oportunidade para organizar um evento paralelo, quanto o setor privado.

Nesse contexto, o objetivo principal desta mesa foi o de proporcionar aos diferentes segmentos que participarão da Conferência um espaço de troca de ideias e experiências, com o objetivo de tornar claras as posições de cada um e explorar as possibilidades de acordos. Como as diversas posições estão sendo articuladas, e quais os principais debates em torno das agendas do Brasil e dos demais países BRICS? Quais as principais convergências e di-vergências nas agendas dos países BRICS e dos demais participantes da Conferência? Essas são as perguntas que os participantes dessa mesa tentaram responder ao longo das discus-sões.

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6.1. Principais Contribuições dos Participantes

Durante o debate, os participantes ofereceram diferentes respostas a essas questões. Para Fernando Lyrio, Assessor Extraordinário do Projeto Rio+20 do Ministério do Meio Ambien-te, os principais desafios para os BRICS na Rio + 20 seriam a) a restauração da credibilidade de uma Conferência que trate de questões relacionadas ao meio ambiente no cenário internacio-nal e; b) a mitigação da clivagem ideológica Norte-Sul. Lyrio ressaltou não ser possível limitar o olhar sobre a política internacional ao embate entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos, pois há nuances e peculiaridades que precisam ser observadas e levadas em consideração no âmbito da Conferência.

Já o Embaixador Chinês, Qiu Xiaoqi, apresentou cinco pontos que deveriam nortear os debates da Rio + 20 segundo o governo da República Popular da China. Segundo ele, o espí-rito e os princípios da Eco 92, principalmente as responsabilidades comuns mas diferenciadas, deveriam ser seguidos; os três pilares do desenvolvimento sustentável deveriam ser coorde-nados (desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ao meio ambiente); as escolhas independentes de desenvolvimento sustentável de cada país deveriam ser respeita-das; deveria haver ampla parceria entre governo e sociedade civil em prol do desenvolvimento sustentável e, por último; os países em desenvolvimento, principalmente os menos desenvolvi-dos, deveriam receber atenção especial, posto que a erradicação da pobreza deve servir como critério fundamental para a implementação da economia verde.

Ao se referir à agenda da Rio + 20, a Subsecretária Estadual da Economia Verde do Rio de Janeiro, Suzana Kahn, defendeu que deveria haver cuidado para que a pluralidade de eventos e posições envolvendo a Conferência não se transformasse em algo demasiadamente disperso. Segundo ela, haveriam três pontos de convergência que poderiam ser explorados na Rio + 20: a economia verde, a articulação de uma coalizão de governos regionais e os BRICS. A promoção de práticas de economia verde poderia ser discutida a partir das especificidades locais, em um processo bottom-up, que levaria à busca por compromissos entre os governos regionais, determinando metas, métricas, tipos de financiamento, etc., algo que poderia ser potencializado pelos países BRICS.

Ainda enfatizando a importância do nível local, Rodrigo Rosa, Assessor Especial do Ga-binete do Prefeito para a Rio+20,defendeu que a Conferência seria uma oportunidade de trazer a questão da urbanização e das cidades para dentro do debate do desenvolvimento sustentá-vel. Isso afetaria principalmente os países BRICS, tendo em vista que, embora Brasil e Rússia já tenham grande parte de suas populações vivendo nas cidades, na China esse percentual é de aproximadamente 47% e na Índia de 30%. Segundo ele, o processo de urbanização que está por vir nesses países gera uma demanda por recursos naturais e por commodities que está colocando pressão sobre o sistema econômico mundial. Por isso as cidades devem

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de-sempenhar um papel proativo em relação à operacionalização das novas metas do desenvol-vimento sustentável.

Adriana Abdenur, Coordenadora Geral do BRICS Policy Center, também citou o tema da economia verde uma possibilidade de convergência, na medida em que os BRICS poderiam oferecer uma plataforma de liderança não-exclusiva que permitisse apresentar metas comuns, indicadores e propostas concretas, tanto para os assuntos da economia verde quanto para a reforma da arquitetura institucional. Segundo ela, se houvesse um posicionamento mais coeso e uma definição dos conceitos básicos um pouco mais firme, talvez seja possível fazer com que esses projetos realmente saiam do papel, tornando a Rio+20 um marco no caminho do desenvolvimento sustentável.

6.2. Resultados da Mesa

Duas tendências puderam ser percebidas nos debates sobre a Agenda da Rio + 20. Em primeiro lugar, a posição de que a Conferência deveria servir para superar a clivagem entre norte-sul, defendida por Fernando Lyrio, não encontrou respaldo na posição do representante Chinês, tendo em vista que a maioria dos pontos importantes para a agenda apresentados pelo Sr. Xiaoqi enfatizaram a diferença de tratamento que deve ser conferida aos países em desenvolvimento em relação aos desenvolvidos. De fato, embora a postura dos BRICS não seja de confronto com os países desenvolvidos, conforme enfatizado por Adriana Abdenur, a ideia de que o bloco possa funcionar como uma plataforma de convergência durante a Rio+20 pressupõe um certo nível de coesão que aproxima os BRICS dos países em desenvolvimento.

Em segundo lugar, os participantes foram unânimes em relação à importância do ní-vel local para a definição da agenda da Rio + 20. Seja em níní-vel das cidades, ou dos estados/ províncias/regiões, a necessidade de maior articulação entre essas unidades sub-estatais foi ressaltada como maneira de garantir que temas discutidos sejam realmente aqueles que afe-tam a vida dos cidadãos. Nesse sentido, a participação da sociedade civil em parceria com os governos também mereceu destaque nas falas dos participantes, bem como os efeitos que a conferência pode trazer para a cidade e o Estado Rio de Janeiro, bem como para o Brasil.

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7. Mesa II: Economia Verde no Contexto do Desenvolvimento

Sustentável e do Combate à Pobreza

A economia verde busca conciliar a atividade econômica com o combate à pobreza e a preservação de recursos naturais. Esta abordagem pressupõe que é possível alcançar crescimento econômico, sem prescindir de melhorias no bem-estar social e do cuidado com o meio ambiente, especialmente por intermédio de inovações tecnológicas e de melhorias na governança global. De acordo com a ONU, a economia verde preocupa-se com a equidade social, com os riscos ambientais e com a escassez de recursos naturais. A implementação de práticas inovadoras depende de uma série de fatores, entre eles investimentos adequados, legislação apropriada e maior eficiência no aproveitamento de recursos naturais e financeiros. Esta transição também depende do engajamento da sociedade civil e do setor privado.

Em todas essas áreas, o Brasil e os demais BRICS enfrentam grandes desafios. Ao mesmo tempo, os países do grupo agrupamento se empenham em formular soluções inova-doras que possam contribuir para o debate em nível global, especialmente no que diz respeito à segurança alimentar e energética, bem como ao acesso das populações de baixa renda aos recursos básicos. Qual a melhor forma de implementar a transição para a economia verde em nível global? Quais são (e como aproveitar) as principais inovações que permitem avançar práticas de economia verde e de combate à fome e à pobreza no Brasil e nos demais países BRICS? Como essas experiências poderão enriquecer (ou dificultar) os debates da Conferên-cia? Essas são as perguntas que os participantes dessa mesa tentaram responder ao longo do debate.

7.1. Principais Contribuições dos Participantes

Os participantes tentaram responder à essas questões de maneiras distintas. Para Su-zana Kahn, nos países em desenvolvimento há mais potencial para adoção de práticas de eco-nomia verde em função de estarem em fase de delineamento de suas matrizes econômicas, o que faz com que existam menos condicionamentos impostos às opções de desenvolvimento. Além disso, o setor público tem um papel fundamental nesse processo, como incentivador do investimento setor privado em tecnologias que favoreçam a economia verde (esse ponto tam-bém foi enfatizado pelo Sr. Pedro Leitão, da FUNBIO). Por último, a participante ressaltou que princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas deveria ser aplicado com cautela na transição rumo à economia verde, para que não haja o efeito de leakage (“vazamento”) do problema de um país para outro.

Segundo Sandra Rios, do CINDES, as políticas que têm por objetivo contornar even-tuais externalidades geradas a partir da transição para uma economia verde devem combinar

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elementos de correção de mercado, difusão de informações e definição de normas e regula-mentos técnicos que estimulem esse processo. Do ponto de vista da indústria, essa proposta está associada ao impacto nos diversos países, e isso traz de volta a discussão sobre política industrial, o que, segundo ela, deve retomar o topo da agenda política no contexto da economia verde.

Nesse sentido, Pedro Mota Veiga, também do CINDES, apresentou o caso do Brasil como exemplo de uma política industrial que não está voltada para a transição da Economia Verde. Segundo ele, a política industrial brasileira tem evoluído, nos últimos anos, na direção do objetivo macroeconômico de aumentar a taxa de investimento e a incorporação de condicio-namentos ambientais a essa discussão, que deveria servir de contrapeso a esse investimento, não está ocorrendo de forma significativa. Segundo ele, o Programa Brasil Maior, lançado recentemente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), não impõe quaisquer condições ambientais aos beneficiários de incentivos fiscais.

O problema para a implementação da Economia Verde, segundo Ricardo Henriques, presidente do IPP, é que a fronteira do conhecimento anda mais rápido do que a fronteira da realização, e a lenta velocidade com que conseguimos realizar aquilo que conhecemos nos mantém sempre atrás da fronteira do conhecimento. Por isso, em relação às questões ambien-tais, a fronteira está sempre em transformação e estamos sempre atrás dela. Para um país em desenvolvimento, essa situação é uma grande armadilha; do ponto de vista do capital humano, na medida em que existe um lag de capacitação nos países emergentes, o conhecimento ad-quirido por esse grupo de países não é capaz de alcançar essa fronteira. Uma alternativa para a transição à Economia Verde pode ser buscada no movimento de repensar as cidades.

É nesse contexto que o redesenho do arranjo infra-urbano (bairros) merece atenção. Na discussão de redesenho dos bairros, deve-se perguntar se é possível caminhar para bairros auto-suficientes. Ou seja, pensar em recortes menores, com descentralização das atividades, com capacidade de circulação de bens e serviços que possibilitem mudanças de comporta-mento. O desafio está relacionado a uma agenda de geração de empregos que envolva a eco-nomia criativa, a ecoeco-nomia do conhecimento. Nesse contexto, é profícua a reflexão voltada a identificar os pontos de tangência entre o local – isto é, as cidades e mega-cidades – e o global – arranjo dentro qual se situa a Rio+20.

7.2. Resultados da Mesa

Embora não houvesse consenso entre os participantes a respeito da definição de Eco-nomia Verde, houve unanimidade a respeito da necessidade de se pensar a transição para ela. Nesse contexto, três pontos merecem destaque:

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a) o papel dos governos como incentivadores da transição;

b) a importância da produção de conhecimento para criar alternativas à economia marrom; c) a necessidade de se pensar diferente dos padrões convencionais para colocar as mu-danças em prática.

De modo geral, esses três pontos ilustram a interdependência entre os níveis local, regional, nacional e o internacional para a efetiva transição em direção à Economia Verde.

8. Mesa 3 - A Arquitetura Institucional do Desenvolvimento

Sustentável

O tema da governança global tem sido recorrente na agenda dos BRICS, com ênfase para a governança econômica. Porém, no que concerne às questões ambientais, as posições do grupo agrupamento ainda são relativamente pouco conhecidas. No âmbito da Rio+20, o sistema de governança global para o desenvolvimento sustentável será tratado em diversos debates, dentre os quais merecem destaque a reforma do Programa Ambiental das Nações Unidas, o fortalecimento da Comissão para o Desenvolvimento Sustentável, o estabelecimento de uma Organização Ambiental das Nações Unidas, e a criação de uma corte internacional de arbitragem ambiental.

Quais são as principais instituições encarregadas de desenvolver, monitorar e imple-mentar políticas de desenvolvimento sustentável? Como funciona a articulação das instituições globais com os mecanismos regionais e locais, assim como a participação das organizações não–governamentais e do setor privado? O que pode ser feito para melhorar este sistema? O que o Brasil e os demais BRICS podem agregar a esse debate? Essas são as perguntas que os participantes dessa mesa tentaram responder ao longo do debate.

8.1. Principais Contribuições dos Participantes

O prof. Eduardo Viola, da UnB, defendeu que as condições para ao avanço da gover-nança global em geral são muito desfavoráveis. Estados Unidos, União Europeia, China e Japão não têm capacidade de liderança individual e as diferenças entre eles são muito fortes. Ademais, há a possibilidade de nova recessão na Europa, queda do crescimento chinês, de-pressão em nível global, todos elementos que dificultam a atuação internacional desses atores.

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Sobre a Rio+20, Viola identificou condições desfavoráveis devido ao impasse climático, sobre-tudo em função da associação com temas econômicos que acabam considerando as medidas de regulação climática como protecionismo. Segundo ele, somente os europeus promovem uma organização mundial ambiental. Se fosse uma construção racional, tratar-se-ia de um avanço interessante no âmbito da ONU. Contudo, ele ainda vê a arena de governança global no G20 e não na ONU.

O embaixador André Lago, Diretor do Departamento de meio Ambiente e Temas Espe-ciais do MRE, argumentou que a ONU é o principal fórum multilateral para tratar de questões de desenvolvimento sustentável. Ainda que o G20 tenha vantagens em função de ser um grupo menor, se comparado ao maior número de Estados da organização, a ONU teria a capacidade de influenciar a agenda internacional de maneira significativa. Além disso, o Sr. Lago esclare-ceu que a Rio+20 é uma Conferência de desenvolvimento sustentável e não ambiental. Nesse sentido, a proposta de uma Organização Mundial para o Meio Ambiente não resolveria os pro-blemas existentes pelo fato de o meio ambiente ser apenas um dos pilares do desenvolvimento sustentável. Sendo assim, não se deve focar apenas nesse pilar para fortalecer a governança internacional sobre o desenvolvimento sustentável. É preciso olhar para as dimensões social e econômica. Contudo, o Sr. Lago chamou atenção, primeiro, para a complexidade do pilar social e, segundo, para o fato de o pilar o econômico não estar na ONU. FMI, Banco Mundial e OMC não são especificamente parte da ONU, mas precisam ser trazidos para a discussão de desen-volvimento sustentável. A Rio+20 é o momento de se trazer essa dimensão econômica para ser discutida. A crise é o momento para repensar que bastante dinheiro tem que ser colocado para o desenvolvimento sustentável e não parte desse dinheiro apenas. Trata-se de algo ambicioso, mas que o Brasil tem tentado levar adiante.

Para Pedro Spadale, Subsecretário de Relações Internacionais do Estado do Rio de Janeiro, a arquitetura institucional deve ser pensada também no nível sub-nacional. Segundo ele, os governos sub-nacionais têm atuado na preparação da Rio + 20, mas ainda precisa haver reconhecimento desses governos no processo de discussão sobre desenvolvimento sustentá-vel. De toda forma, o Sr. Espadale lembrou que os governos sub-nacionais se articulam em re-des internacionais de re-desenvolvimento sustentável (como, por exemplo, a NRG4SD - Network of Regional Governements for Sustainable Development, a qual o Governo do Estado do Rio de Janeiro acompanha com atenção com vistas à preparação de sua participação na Rio+20). Além disso, há a pretensão de unir esforços de diferentes redes, municipais e estaduais, na quarta edição do “Goal Summit of Regions” para a formulação de documentos referentes à Rio+20. Essas seriam iniciativas para se pensar a arquitetura institucional em nível sub-nacio-nal.

Para Guanaes Rego, diretor do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente da PUC-Rio, qualquer discussão sobre arquitetura institucional deve considerar o problema dos dados liga-dos a metodologias, ambientes e rigores diferencialiga-dos. Isso afeta a comparação liga-dos daliga-dos

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e mesmo a avaliação dos problemas e proposição de soluções. Segundo ele, a sustentabili-dade é espacial, ou seja, ela acontece em algum lugar e isso impõe uma demanda por dados geográficos. Integrar o global e o local, ou seja, pensar as especificidades locais em meio às semelhanças globais é o desafio que se impõe e os dados precisam atender essa meta desa-fiadora. O participante manifestou o desejo de se alcançar um “masterplano planetário” como instrumento de consenso em meio ao grande volume de dados e informações gerados que permitiria pensar os problemas locais e globais.

Marilene Ramos, Presidente do Instituto Estadual do Meio Ambiente, também julgou importante relacionar o nível local ao global, pois muitas vezes esses níveis não se comunicam. Além disso, ela enfatizou que, em termos práticos, na hora de se discutir uma arquitetura insti-tucional deve-se considerar primeiro os recursos e incentivos existentes e depois a implemen-tação das ações de gestão institucional e de regulamenimplemen-tação do desenvolvimento sustentável.

8.2. Resultados da Mesa

Das três mesas do Workshop, essa foi menos consensual. A proposta da criação de uma Organização Ambiental conforme sugerido pela Europa foi endossada apenas por Viola, embora o próprio participante reconhecesse a dificuldade de implementação dessa medida. Já André Lago foi categórico ao negar essa inovação, e defendeu a postura brasileira de que as agências da ONU deveriam ser mais bem aproveitadas para avançar a implementação do desenvolvimento sustentável. Seu argumento enfatizou que a Rio+20 não é uma conferência sobre meio ambiente, e sim sobre desenvolvimento sustentável, sendo importante considerar as dimensões social e econômica do conceito. Nesse sentido, Lago também se opôs à propos-ta de Marcelo Cardoso, coordenador Executivo do Vipropos-tae Civilis, o qual defendeu que o Brasil tivesse uma postura de liderança regional na promoção de soluções ambientais.

Os demais participantes enfatizaram a importância de se pensar uma arquitetura ins-titucional a partir de suas perspectivas distintas: Pedro Spadale enfatizando participação dos governos sub-nacionais, Guanaes Rego a partir da necessidade de um consenso acadêmico sobre dados e indicadores e Marilene Ramos a partir da viabilidade de recursos. Porém, eles não foram assertivos a respeito de desejarem ou não a constituição de uma organização am-biental para promover o desenvolvimento sustentável.

O ponto que merece destaque em termos de acordo entre os participantes é que qual-quer tentativa de coordenar as ações de desenvolvimento sustentável deve levar em conside-ração a necessidade de promover o entendimento entre os níveis local e o global.

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9. Resultados do Workshop “Agenda dos BRICS para a Rio +

20: perspectivas brasileiras”

O objetivo de fomentar o debate sobre a agenda dos BRICS para a Rio+20 a partir da perspectiva brasileira foi plenamente alcançado durante o Workshop. Embora os participantes não tenham chegado a um acordo a respeito dos temas propostos nas três mesas redondas, a oportunidade de colocar em diálogo representantes dos três níveis de governo do Brasil, pesquisadores, diplomatas e representantes da sociedade civil por si só representou o cumpri-mento de uma função importante do BRICS Policy Center enquanto Think-Tank que promove o debate público e qualificado em torno de temas que unam os BRICS à Cidade do Rio de Janeiro.

Nesse sentido, o Workshop simbolizou o trabalho de pesquisa no BPC a respeito dos assuntos que afetam a inserção da cidade do Rio de Janeiro no âmbito internacional. A partir das contribuições dos participantes, os núcleos de pesquisa já iniciaram a produção de co-nhecimento voltada para qualificar o debate sobre a Rio + 20. Esse trabalho de pesquisa será utilizado na organização do II Seminário Internacional do BPC, que será realizado em abril de 2012, cujo tema permanece a Rio+20, com ênfase para as questões concernentes à Cidade do Rio de Janeiro. Por se tratar de um evento de envergadura internacional, contaremos com a participação de representantes dos países BRICS.

10. Lista de Participantes

Adriana Erthal Abdenur – Coordenadora Geral do Centro de Estudos e Pesquisas BRICS/

Professora IRI-PUC- Rio

André Aranha Corrêa do Lago – Embaixador, Diretor do Departamento de Meio Ambiente e

Temas Especiais - MRE

Eduardo Viola – Professor do Instituto de Relações Internacionais, Universidade de Brasília Fabiano Mielniczuk - Professor IRI/ PUC-Rio/Coordenador de Pesquisa do Centro de Estudos

e Pesquisas BRICS

Fernando Lyrio – Assessor Extraordinário do Projeto RIO+20, Ministério do Meio Ambiente,

Governo Federal

João Pontes Nogueira – Diretor do Instituto de Relações Internacionais/Supervisor Geral do

Centro de Estudos e Pesquisas BRICS

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Centro de Estudos e Pesquisas BRICS

Luis Fernandes - Professor IRI/ PUC-Rio/Coordenador de Núcleo de Pesquisa do Centro de

Estudos e Pesquisas BRICS

Luiz Felipe Guanaes Rego – Diretor do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente da PUC-Rio Marcelo Cardoso – Coordenador Executivo do Vitae Civilis

Marilene Ramos – Presidente do Instituto Estadual do Ambiente (INEA)

Monica Herz – Professora IRI/PUC-Rio/Coordenadora de Núcleo de Pesquisa do Centro de

Estudos e Pesquisas BRICS

Paula Serrano – Instituto Urbano Pereira Passos, Prefeitura do Rio de Janeiro

Paulo Luiz Moreaux Lavigne Esteves – Professor IRI/ PUC-Rio/Coordenador de Núcleo de

Pesquisa do Centro de Estudos e Pesquisas BRICS

Pedro Cláudio Cunca Bocayuva - Professor IRI/ PUC-Rio/Coordenador de Núcleo de

Pesqui-sa do Centro de Estudos e PesquiPesqui-sas BRICS

Pedro da Mota Veiga – Diretor do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento

(CIN-DES)

Pedro Leitão – Presidente do Conselho Deliberativo do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade

(FUNBIO)

Pedro Spadale – Subsecretário de Relações Internacionais, Governo do Rio de Janeiro Qiu Xiaoqi – Embaixador da República Popular da China

Ricardo Henriques – Presidente do Instituto Urbano Pereira Passos, Prefeitura do Rio de

Janeiro

Rodrigo Rosa – Assessor Especial do Gabinete do Prefeito, Prefeitura do Rio de Janeiro Sandra Rios – Diretor do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (CINDES) Suzana Kahn – Subsecretária Estadual de Economia Verde, Secretaria Estadual do Ambiente,

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