Autoridade
da
Concorrência
concorrência
inovação
bem-estar
Economia: crescimento e
concorrência
Abel M. Mateus• A nova economia do crescimento mostra
que os factores institucionais, a regulação
e a qualidade da política económica são
factores determinantes do crescimento da
produtividade
Nicoletti:regulation measures
12.8 40.8 7.7 29.4 Avergae 7.5 3 8.0 5 USA 5.9 43 8.0 16 Sweden 7.2 44 1.0 14 Finland 10.5 55 8.0 45 Germany 11.7 66 8.0 8 France 17.0 43 1.0 11 Netherlands 6.6 17 8.0 4 Denmark 15.7 20 6.0 18 UK 21.1 29 0.1 24 Ireland 17.6 50 18.0 13 Italy 14.4 34 18.0 38 Greece 14.1 69 8.0 108 Spain 17.5 58 8.0 78 Portugal Cost (% debt) Rigidity employment Cost (% estate) time (days) Enforcing contracts Hire/Fire workers Closing business Starting business
Law and regulation 0.00 1.00 2.00 3.00 4.00 5.00 6.00 7.00 8.00 Portugal Spain Greece Italy Ireland UK Denmark Netherlands France Germany Finland Sweden USA
0 0.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5 4 4.5 5 5.5 6 6.5 Belgium
Denmark FR. Germany West GermanyGreece Spain FranceIreland Italy LuxembourgNetherlands Austria PortugalFinland Sweden United KingdomBulgaria Cyprus Czech RepublicEstonia HungaryLatvia LithuaniaMalta Poland RomaniaSlovakia SloveniaTurkey 13 Candidate countries10 Acceding countries EU-15 + 10 acceding countriesUnited States Japan Canada SwitzerlandNorway Iceland MexicoKorea Australia New ZealandEU-15 Euro area EU-15 (incl. West Germany)Euro area (incl. West 13 Candidate countries10 Acceding countries EU-15 + 10 acceding countries
Annual productivity growth rate (1994-2004)
Ritmo de Convergência para UE -6.0 -4.0 -2.0 0.0 2.0 4.0 6.0 8.0 10.0 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 M é di a s de 4 a nos
Custos Unitarios Trabalho 80 85 90 95 100 105 110 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Portugal UE-14
Perda da competitividade da economia portuguesa: afastou-se 17 p.p. da UE entre 1986 e 2005
• Novas teorias de I-O mostram que a evolução
de uma economia tem que ser vista como uma
corrida entre empresas, que nascem, crescem e
algumas morrem
• A intensidade da concorrência é determinante
no processo de desenvolvimento
• Quanto mais dinâmica for uma economia maior
é a taxa de nascimento de empresas
Porque é que em Portugal é importante a concorrência para o funcionamento eficiente da economia de mercado?
Desde Adam Smith que sabemos que o monopólio reduz significativamente o bem-estar. Os estudos de Haberger e outros demonstraram que o monopolista tende a produzir uma menor quantidade a um preço mais elevado, o que reduz o bem-estar social.
Esta ineficiência estática tem sido estimada em 9% do PIB, no caso de se incluir também a transferência de recursos dos consumidores para o monopolista, pois é evidente que este pode desperdiçar uma parte substancial destes recursos em
rent seeking
para obter o seu privilégio.
Ainda dentro de uma análise estática, uma parte importante
do bem-estar pode ser perdido por causa da “X-efficiency”, ou
seja, pelo facto de as empresas não estarem a trabalhar na fronteira de eficiência tecnológica.
Os ganhos de eficiência dinâmica resultam de inovações que elevam o nível de produtividade no longo prazo, ao introduzir novos e melhores métodos de produção. De facto, a eficiência dinâmica manifesta-se através de quatro canais, que têm sido corroborados empiricamente:
Primeiro, a concorrência cria um maior número de
oportunidades para comparar a performance das empresas, tornando mais fácil aos accionistas ou ao mercado monitorar os gestores.
Segundo, as inovações que aumentam a produtividade e reduzem os custos podem gerar um maior nível de rendimento e lucros num ambiente mais concorrencial onde as elasticidades procura-preço tendem a ser mais elevadas.
Terceiro, maior concorrência aumenta a probabilidade de
falência, obrigando os gestores a um maior esforço para elevarem os níveis de gestão.
Quarto, como as rendas geradas nos mercados do produto
são partilhadas pelos trabalhadores, também um ambiente mais concorrencial leva a um maior esforço por estes.
Mesmo o modelo Schumpeteriano tradicional de que as rendas do monopólio são importantes para gerar inovações é hoje posto em causa. A teoria e os dados empíricos corroboram o facto de que a concorrência estimula a inovação...
Por três efeitos: (i) efeito darwiniano, em que a intensificação da concorrência força os gestores a adoptar mais rapidamente as novas tecnologias para evitarem a falência da empresa, (ii) efeito
da corrida “lado-a-lado” em que não são apenas as empresas que
entram no mercado mas também as que já lá estão que têm que inovar, e (iii) efeito de mobilidade nos modelos “learning-by-doing” em que a taxa de crescimento aumenta porque os trabalhadores qualificados se tornam mais maleáveis, potenciando a mudança para novas linhas de produção.
. .
A contribuição que o aperfeiçoamento do sistema de regulação, e em particular o da concorrência, pode trazer para o crescimento
económico de Portugal é enorme.
Segundo a OCDE, o gap tecnológico que nos separa dos países mais desenvolvidos poderia ser reduzido de um quarto, e a produtividade subir 10% se os nossos sistemas de regulação se aproximarem das “melhores práticas” entre os países nossos parceiros. É que este impacto é tanto maior quanto o país está mais longe da fronteira tecnológica mundial, como é o nosso caso.
Cincera:market reformA nossa taxa de criação de empresas está abaixo da Es,Ho,Fr,RU,EUA,
• A Autoridade da Concorrência: quem
somos, a nossa missão e o início das
suas actividades
O Papel da Autoridade da Concorrência
• Missão
– Assegurar a aplicação das regras da concorrência
em Portugal no respeito pelo principio da economia
de mercado e da livre concorrência, tendo em vista:
– O funcionamento eficiente dos mercados;
– Um elevado nível de progresso técnico;
– E, sobretudo, o prosseguimento do maior beneficio
para os consumidores
O Papel da Autoridade da Concorrência
• Objectivos estratégicos
– Assegurar o cumprimento das leis da concorrência,
controlando as concentrações e combatendo as práticas
restritivas
– Identificar mercados em que a concorrência está restringida e
promover soluções em beneficio dos consumidores e da
eficiência
– Elevar a consciencialização pública sobre a situação e os
benefícios da concorrência
– Proporcionar serviços ao governo, às agencias de regulação
e à sociedade, aos melhores padrões, tendo em conta as
experiências e as melhores práticas a nível internacional
– Assumir, a nível comunitário, as funções no âmbito da
Organização Conselho da Autoridade Gabinete do Presidente Gabinete do Jurista-Chefe Gabinete do Economista-Chefe Economistas Inspecção de Defesa da Concorrência Direcção Administrativa e Financeira Inspectores Juristas Departamento de Operações de Concentração Departamento de Práticas Restritivas Departamento de Mercados Regulados e dos Auxílios de Estado Fiscal Único Direcção do Contencioso
Núcleo de Audições Núcleo de Estudos
Núcleo de Tecnologia da Informação Núcleo de Relações Europeias Núcleo de Observação de Mercados
O Papel da Autoridade da Concorrência
• Realizações Principais, 2004
– Decisões sobre operações de concentração:46 – Práticas restritivas da concorrência
• Novos processos:36
• Decisões: 6 (coimas de € 3,3 milhões)
– Práticas comerciais restritivas: 37 decisões – Recomendações ao Governo: 2
– Novos estudos económicos iniciados: 10 – Seminários/Cursos Internacionais: 17
– Newsletters sobre acompanhamento de mercados: 3 – Visitantes do sítio Web: 96.000
O Papel da Autoridade da Concorrência
Realizações principais, 2003/04
Decisões Concentrações 0 10 20 30 40 50 2003 2004 2003 43 1 0 2004 39 7 0 Não oposição e outrasNão oposição com
O Papel da Autoridade da Concorrência
Realizações principais, 2003/04
Práticas Restritivas 0 10 20 30 40 50 P ro c esso s 2003 2004 2003 5 7 0 12 2004 12 36 6 42O Papel da Autoridade da Concorrência
Recursos Humanos, 2003-2004
(por categoria e trimestre)
0 20 40 60 80 100 Dirigentes Economistas Juristas Outros Total Dirigentes 3 5 5 6 7 7 9 9 Economistas 14 15 16 19 18 18 22 23 Juristas 4 7 7 12 13 13 18 23 Outros 9 15 15 19 19 21 21 22 Total 30 42 43 56 57 59 70 77 M03 J03 S03 D03 M04 J04 S04 D04
O Papel da Autoridade da Concorrência
Recursos humanos, fim 2004 (77)
0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% Nível de formação Doutorados (8) Mestres (23) Pós-Grads. (12) Licencs. (15) Outros (19) Doutorados (8) 10% Mestres (23) 30% Pós-Grads. (12) 16% Licencs. (15) 19% Outros (19) 25% 1
O Papel da Autoridade da Concorrência
• Novas prioridades, 2005
– Para além da continuação das actividades anteriormente enunciadas
• Luta contra potenciais cartéis, tal como sugeridos pela experiência internacional, e especial atenção aos mercados:
– Do cimento e betão – Da construção
• Análise concorrencial (do tipo RIA) dos
– Quadro de regulação das profissões liberais, nomeadamente a farmacêutica
– Regime de aquisições públicas
• Instrumentos da política da concorrência
– Vertentes fundamentais
• A proibição das práticas anticoncorrenciais: o
controlo a posteriori dos comportamentos
restritivos da concorrência
• O controlo das operações de concentração de
empresas: o controlo prévio das alterações
estruturais
O Papel da Autoridade da Concorrência
•
Instrumentos da política da concorrência (cont.)
–
As práticas anti-concorrenciais proibidas
pela Lei 18/2003, de 11 de Junho
1. As práticas colusivas
2. O abuso de posição dominante
O Papel da Autoridade da Concorrência
• Instrumentos da política da concorrência (cont.)
– Artigo 4 – Práticas colusivas
• “São proibidos os acordos e práticas concertadas
entre empresas e as decisões de associações de
empresas, qualquer que seja a forma que
revistam, que tenham por objecto ou como efeito
impedir, falsear ou restringir de forma sensível a
concorrência no todo ou em parte do mercado
nacional…”
O Papel da Autoridade da Concorrência
• Instrumentos da política da concorrência (cont.)
– Exemplos de práticas colusivas
• Acordos horizontais de fixação de preços • Acordos de repartição de mercados
• Acordos de distribuição com exclusividade
– Fundamento da proibição
– A cooperação entre empresas, ao suprimir os riscos
da concorrência, dissuade as empresas de serem
competitivas = perda de eficiência
O Papel da Autoridade da Concorrência
• Instrumentos da política da concorrência (cont.)
– Artigo 6.º: Abuso de posição dominante
– É proibida a exploração abusiva, por uma ou
mais empresas, de uma posição dominante no
mercado nacional ou numa parte substancial
deste, tendo por objecto ou como efeito
O Papel da Autoridade da Concorrência
• Instrumentos da política da concorrência (cont.)
• Dispõe de posição dominante
:
– A empresa que actua num mercado no qual
não sofre concorrência significativa ou assume
preponderância relativamente aos seus
concorrentes;
– Duas ou mais empresas que actuam
concertadamente num mercado, no qual não
sofrem concorrência significativa ou assumem
preponderância relativamente a terceiros.
O Papel da Autoridade da Concorrência
• Instrumentos da política da concorrência (cont.)
– Os abusos de poder económico (o abuso de posição
dominante e o abuso de dependência económica)
Exemplos:
- Preços predatórios
- Preços abusivamente altos
- A recusa de venda ou de compra
Fundamento da proibição – evitar a eliminação
O Papel da Autoridade da Concorrência
• Instrumentos sancionatórios
– Os poderes de inquérito e de decisão em
matéria de práticas anti-concorrenciais
pertencem à Autoridade da Concorrência
– As infracções aos artigos 4.º, 6.º e 7.º são
punidas com coimas até 10% do volume de
O Papel da Autoridade da Concorrência
• Instrumentos preventivos
– O controlo das operações de concentração:
Art. 1.º+Art.9.º da Lei 18/2003
- Um sistema de controlo prévio:
notificação das concentrações à
Autoridade da Concorrência antes da sua
realização
O Papel da Autoridade da Concorrência
– Condições de notificação:
Concentração realizada em Portugal ou que produza
efeitos em território nacional
e
- A quota de mercado detida pelas empresas em causa
depois da concentração ultrapasse os 30%
ou
- O volume de negócios total das empresas em causa
realizado em Portugal, no último exercício, ultrapasse os
150 milhões de euros, na condição de que pelo menos
duas dessas empresas realizem, individualmente, um
volume de negócios superior a 2 milhões de euros.
O Papel da Autoridade da Concorrência
– APRECIAÇÃO DA OPERAÇÃO DE
CONCENTRAÇÃO
• ART. 12.º– “Serão proibidas as operações de
concentração que criem ou reforcem uma
posição dominante de que resultem entraves
significativos á concorrência efectiva no
mercado nacional ou numa parte substancial
deste”.
O Papel da Autoridade da Concorrência
• Instrumentos da política da concorrência (cont.)
– TIPOLOGIA DAS DECISÕES A ADOPTAR PELA
AUTORIDADE RELATIVAMENTE A OPERAÇÕES DE CONCENTRAÇÃO DE EMPRESAS
• ART. 35 + ART.37
– Decisões de autorização;
– Decisões de autorização, mediante a imposição de
condições e obrigações com vista assegurar a manutenção de uma concorrência efectiva;
O Papel da Autoridade da Concorrência
• O Direito Comunitário e Nacional
– Relação entre o direito comunitário (artigos 81.º e
82.º do Tratado CE) e a Lei n.º 18/2003
– O Regulamento (CE) n.º 1/2003, do
Conselho, de 16 de Dezembro de 2002
• o princípio de aplicação descentralizada dos
O Papel da Autoridade da Concorrência
– Relação entre o direito comunitário ( artigos 81.º e 82.º do Tratado
CE) e a Lei n.º 18/2003 – ART.3.º Reg. 1/2003
- Praticas colusivas proibidas pelo artigo 81.º
– Sempre que uma prática proibida pelo artigo 4.º da Lei n.º 18/2003, afecte o comércio entre Estados membros, a
Autoridade da Concorrência deve igualmente aplicar o disposto no artigo 81.º do Tratado CE.
• Abuso de posição dominante proibido pelo artigo 82.º
– Sempre que uma prática proibida pelo artigo 6.º da Lei n.º 18/2003, afecte o comércio entre Estados membros, a
Autoridade da Concorrência deve igualmente aplicar o disposto no artigo 82.º do Tratado CE.
O Papel da Autoridade da Concorrência
– Relação entre o direito comunitário ( artigos 81.º e
82.º do Tratado CE) e a Lei n.º 18/2003
• A Autoridade da Concorrência pode suspender um processo de aplicação dos artigos 81.º ou 82.º do Tratado CE ou
proceder ao seu arquivamento , caso outra Autoridade de um Estado-membro tenha dado início a um processo contra a mesma prática.
• A Autoridade da Concorrência não pode dar início a um processo, ou deve proceder ao seu arquivamento, caso já o tenha feito, se a Comissão Europeia der início à tramitação conducente à aplicação dos artigos 81.º ou 82.º do Tratado CE relativamente à prática em causa.
O Papel da Autoridade da Concorrência
• Relação entre a legislação comunitária sobre concentrações de
empresas (Regulamento 139/2004) e a Lei n.º 18/2003
Dois princípios gerais:
1. O Regulamento aplica-se apenas a operações de dimensão
comunitária (ART 1.º Reg. 139/2004)
2. Os E.M. não podem aplicar a sua legislação nacional a operações de dimensão comunitária (ART. 21-3 Reg. 139/2004)
O Papel da Autoridade da Concorrência
1 - O Regulamento aplica-se apenas a operações de
dimensão comunitária (ART 1.º Reg. 139/2004)
Excepções:
-
Reenvio à Comissão:
1. A pedido de um ou mais Estados-membros
2. A pedido das partes – operação notificável em pelo
menos 3 membros / acordo desses
Estados-membros
O Papel da Autoridade da Concorrência
2 - Inaplicabilidade legislação nacional a operações de
dimensão comunitária (ART. 21-3 Reg. 139/2004
)Excepções:
- Reenvio a um Estado-Membro, a pedido deste:
- Defesa de interesses legítimos: regras prudenciais, pluralidade
dos meios de comunicação social, segurança pública - art. 21.º- 4
- Afectação da concorrência num mercado no interior do E.M.
que apresenta todas as características de um mercado distinto – art. 9.º