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ASSÉDIO MORAL CONTRA MULHERES NO LOCAL DE TRABALHO

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Academic year: 2021

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Simpósio Temático nº 52: Direitos e cidadania: (re) significações necessárias para a luta feminista

ASSÉDIO MORAL CONTRA MULHERES NO LOCAL DE TRABALHO

Rafaela Araújo da Luz1 Maria Santana dos Santos Pinheiro Teixeira2

I. INTRODUÇÃO

O artigo tem por objetivo falar sobre o assédio moral contra mulheres no local de trabalho numa perspectiva de gênero, e raça/etnia onde a maioria das vítimas são mulheres negras. Ao mesmo tempo discute as relações de trabalho, do modo produção capitalista, perpassadas pela exploração da mão de obra humana, perda dos direitos trabalhistas e flexibilização do trabalho.

Falar da trajetória da relação de trabalho desde os primórdios, dando ênfase nos dias atuais, onde prevalece o modo de produção capitalista é refletir a lógica do capital, que é justamente a acumulação de riqueza, tendo como consequências, graves prejuízos aos trabalhadores, tanto em aspectos, econômicos, sociais e de saúde.

O método utilizado para analise dessa realidade foi o materialismo histórico e dialético, por entender que a sociedade é dinâmica, marcada por historicidade, por um regime patriarcal, e por uma luta de classe.

Dessa maneira, o artigo está dividido em seções, sendo a primeira caracterizada pelo contexto histórico das relações de trabalho, a segunda disserta sobre o assédio moral contra mulheres no local de trabalho.

1 Graduanda de Serviço Social 7º semestre na Universidade Federal do Pará ([email protected]) 2 Graduanda de Serviço Social 7º semestre na Universidade Federal do Pará ([email protected])

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II. CONTEXTO HITÓRICO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO

O trabalho em si existe desde os primórdios, uma vez que toda atividade que realizamos envolve trabalho. No entanto o que diferencia este com os dias atuais é o modo de produção, uma vez que no inicio da humanidade as relações de trabalho eram para sua subsistência, independente de lucros, o que é predominante no modo de produção capitalista.

Com isso, é importante ter clareza que essa perspectiva trata-se do trabalho de forma natural, ontológico ao homem. Todavia o conceito de trabalho que nos propomos discorrer na pesquisa é sobre a categoria Trabalho em Marx, assim descrito:

No processo de trabalho a atividade humana é materializada ou objetivada em valores de uso. "O processo de trabalho, como o apresentamos em seus elementos simples e abstratos, é atividade orientada a um fim para produzir valores de uso, apropriação do natural para satisfazer a necessidades humanas [...]. (MARX, 1985, p. 153).

Ou seja, nessa perspectiva estamos falando do trabalho onde prevalece o modo de produção capitalista, em que as relações laborais são baseadas para satisfazer o capital, através dos lucros. Nem que para isso a mão de obra humana seja desvalorizada. Uma vez, que este é considerado como mercadoria, já que sem escolha o trabalhador é obrigado a vender seu único "bem", ou seja, sua força de trabalho.

Com isso, é importante lembrar que a partir da década de 70 desencadeou a reestruturação do sistema produtivo, onde as formas de acumulação começaram a vigorar desde a Segunda Guerra Mundial. Dessa maneira fez surgir a organização taylorista-fordista onde tornou-se hegemônica, predominando a padronização, controle e eficiência do trabalho, transformando-se em ideologia predominante para as demais organizações sociais. Para Antunes (2009, p.38)

De maneira sintética, podemos indicar que o binômio taylorismo/fordismo, expressão dominante do sistema produtivo e de seu respectivo processo de trabalho, que vigorou na grande industria, ao longo praticamente de todo o século XX, sobretudo a partir da segunda década, baseava-se na produção em massa de mercadorias, que se estruturava a partir de uma produção mais homogeneizada e enormemente verticalizada.

Com a crise produtiva no século XXI houve a necessidade de superar o modelo fordista, surgindo então, o modelo flexível também chamado de toyotismo, onde essa nova estratégia de acumulação capitalista desencadeou novas formas de organização e gestão de trabalho, nas quais a flexibilização é a base para a redução dos custos de trabalho e reversão da queda nas taxas de lucro do capital. Ocasionando, dessa forma profundas e regressivas

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modificações nos contratos de trabalho (temporários, em tempo parcial, terceirizados, entre outros), bem como maior rotatividade de trabalhadores, precarização do emprego e intensificação do trabalho.

Dessa maneira, é importante ressaltar que através dessa desvalorização do trabalhador, este se torna um ser vulnerável às mazelas das sociedades. Podendo ser caracterizadas pela: pobreza, insegurança, habitação inadequada e etc. Com isso, dentre todas essas mazelas que o/a trabalhador/a fica exposto, tem também o assédio moral que ocorre dentro do local de trabalho.

III. ASSÉDIO MORAL CONTRA MULHERES NO LOCAL DE TRABALHO

O assédio moral é um ato já antigo que ocorre na relação laboral, no entanto ele só foi sendo discutido e identificado na década de 90, em que passou a ser visto como um problema social. Geralmente ocorre o assédio moral entre superior apara inferior, mas nada impede também do empregado assediar o patrão, com isso, de acordo com a Cartilha do Ministério do Trabalho e Emprego - MPE, sobre assédio moral e sexual do trabalho (2009) coloca que o assédio moral pode ser caracterizado por:

Atos cruéis e desumanos que caracterizam uma atitude violenta e sem ética nas relações de trabalho, praticada por um ou mais chefes contra seus subordinados. Trata-se da exposição de trabalhadoras e trabalhadores a situações vexatórias, constrangedoras e humilhantes durante o exercício de sua função. É o que chamamos de violência moral. Esses atos visam humilhar, desqualificar e desestabilizar emocionalmente a relação da vítima com a organização e o ambiente de trabalho, o que põe em risco a saúde, a própria vida da vítima e seu emprego. (Cartilha do assédio moral e sexual do trabalho 2009. p. 13)

O assédio moral pode ser visto por diversas óticas, uma vez que também pode acarretar vários tipos de problemas, tanto sociais onde ocorre geralmente o afastamento do convívio social, psicológicos havendo tristeza profunda e entre outros. Com isso, uma francesa, chamada Marie-France Hirigoyen (2012) afirma que:

O assédio moral começa frequentemente pela recusa de uma diferença. Ele se manifesta por um comportamento no limite da discriminação – propostas sexistas para desencorajar uma mulher a aceitar uma função tipicamente masculina, brincadeiras grosseiras a respeito de um homossexual [...]. Provavelmente, da discriminação chegou-se ao assédio moral, mais sutil e menos identificável, a fim de não correr o risco de receber uma sanção. Quando a recusa se origina de um grupo, para ele é difícil aceitar alguém que pensa ou age de forma diferente ou que tem espírito crítico. (Hirigoyen, 2012, p. 65)

É perceptível que o assédio moral ganhou mais visibilidade a partir da década de 90, justamente pela flexibilidade imposta na relação trabalhista. Uma vez que a violência moral é

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necessária para manter a ordem e disciplina nas empresas e organizações, haja vista que ela contribui para redução da coletividade, luta e resistência, tendo como consequência o enfraquecimento dos sindicatos e entidades representativas dos (as) trabalhadores (as).

Segundo Hirigoyen (2012) o assédio moral também significa toda e qualquer conduta abusiva no local de trabalho, que pode se manifestar por meio de comportamentos, gestos, palavras e atos que tragam danos ao trabalhador/a.

Isso, pode ser percebido, quando o patrão dar um cargo um pouco maior a um/a trabalhador/a para fiscalizar os demais. Pois este empregado/a não só se sente superior, mas também perde sua identidade de classe, ou seja, a dos trabalhadores. Contribuindo assim, para o estimulo a competitividade e o individualismo exacerbado entre eles/as, deixando, assim os trabalhadores/ as são vulneráveis aos interesses do capital. Dessa maneira, de acordo com Silva (2015, p. 590):

A violência moral ficará entranhada na subjetividade do (a) trabalhador (a). Portanto aquele (a) trabalhador (a) que não consegue acompanhar o ritmo de trabalho imposto pelas empresas e organizações, que não atinge as metas estabelecidas, que não apresenta a produtividade requerida, que não corresponde aos objetivos a serem atingidos pelas empresas e organizações, passa a ser considerado (a) "inadaptado (a)", "disfuncional", "preguiçoso (a)", "corpo mole", vagabundo (a)", "rebelde" "louco (a)". Esse processo de culpabilização do (a) trabalhador (a) fragiliza as relações de trabalho e gera um processo de patologização funcional ao capital, pois deposita no a) trabalhador (a) a "culpa" por ele (ela) não se adaptar às formas das empresas e organizações.

Essa patologização que a autora fala, refere-se para internalizar na cabeça dos/as trabalhadores/as, que a culpa do/a funcionário/a que foi demitido ou recebeu alguma sanção, no local de trabalho foi culpa exclusivamente dele/a, ou seja o assédio moral faz com que a pessoa se sinta inadaptado/a, afetando na maioria das vezes sua saúde física e mental, fazendo surgir doenças ou reaparecer doenças existentes, causando assim até o pedido de demissão. Ou seja, a prática do assédio moral, envolve toda uma lógica do capitalismo, que é justamente a acumulação de riqueza, através da exploração da mão de obra dos trabalhadores.

Dentre todas os danos e consequências que o assédio moral pode trazer ao trabalhador/a, levado pela lógica capitalista, é importante lembrar que também estão inseridas as mulheres, que por sua vez são as maiores vítimas desse tipo de situações. O que podemos também, articular que isso perpassa além da luta de classe, há também a questão de gênero e mais adiante a etnia, uma vez que em sua grande maioria essas mulheres são negras.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Organização Internacional do Trabalho - OIT (2014), 52% das mulheres economicamente ativas já sofreram assédio moral, psicológico

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ou físico no ambiente do trabalho, podem ser caracterizados por elogios indiscretos, histórias e confidências íntimas, toques constrangedores e entre outros.

E apesar do número alarmante de vítimas, e ser considerado um crime, a legislação brasileira tem dificuldade de combatê-lo, poucos casos são julgados no país. E a grande dificuldade de pudir os/as agressores é exatamente, as dificuldades encontradas por maioria das visitas em fazer a denunciar, elas têm medo de denunciar e infelizmente tal infração é considerada de menor potencial ofensivo, com uma das menores penas no Brasil, o assédio sexual é de um ou dois anos, desde que o crime seja comprovado.

Outro dado levantado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2010) revelou que 32% das mulheres que trabalham já sofreram assédio moral ou sexual, no ambiente de trabalho, esse tipo de discriminação piora quando são com mulheres negras, podendo subir para 40% os casos de assédio moral. Esses dados vêm afirmar que também nesse aspecto a mulher negra é a que mais sofre, pois são as maiores visitas. Então o Assédio moral e sexual enfrentado pelas mulheres também tem cor: a negra;

Segundo a Cartilha elaborada pela Subcomissão de Gênero com participação de Ética do Ministério do Trabalho e Emprego, intitulada: Assédio Moral e Sexual no Trabalho, abordaram que "geralmente, o ambiente de trabalho é o mais perverso para mulheres, pois além do controle e da fiscalização cerrada, são discriminadas e essa é mais frequente com as afrodescendentes" (2009, p 16).

Além disso, umas das formas que ocorrem esse assédio moral, a principio é na procura por emprego, a partir da apresentação estética, posteriormente com outras ações, bem como: ameaças, insulto, isolamento, restrição ao uso sanitário, restrições com grávidas, mulheres com filhos e casadas, são as primeiras a serem demitidas, os cursos de aperfeiçoamento são preferencialmente para os homens e revistas vexatória, e entre outras atitudes que caracterizam assédio moral.

V. CONCLUSÃO

Como foi exposto, as mulheres apesar de estarem conquistando seu espaço no local de trabalho dia a dia, ainda tem obstáculos a serem superados, um deles é justamente o combate ao assédio moral onde as mulheres ficam expostas. Combate esse que vai além da questão de gênero, mas que perpassa a luta de classe e etnia, já que também podemos observar que a maioria são mulheres pobres e negras.

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Somente olhar o assédio moral em uma perspectiva onde o superior humilha o seu inferior, é se limitar a enxergar o que de fato cerca essa situação. Pois, ao decorrer do trabalho ficou perceptível que a lógica do capital é a acumulação de riqueza, em detrimento da desvalorização do trabalhador/a, com isso acaba manipulando-os, para que pensem e achem que são culpados/as no que acontece de errado nas organizações de emprego.

Neste sentido no local de trabalho a mulher acaba se tornando uma vitima mais frequente, justamente pela sociedade patriarcal no qual foram criadas para serem submissas, em que tenta impor as mulheres que são inferiores, fracas e que ainda dão mais gastos as Empresas, pela questão biológica, de poder ter filhos, e possivelmente tirar licença maternidade e dentre outras maneiras de assediar moralmente as mulheres.

Dessa maneira, tal artigo, tem como objetivo principal desmistificar que a mulher seja inferior ao homem, e também problematizar o assédio moral contra as mesmas, que vem sendo pouco debatido, o que acaba correndo o risco de naturalizar uma violência, que pode ser física ou psicológica e simbólica.

REFERÊNCIAS

MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Assédio moral e sexual no trabalho: Brasília MTE, ASCOM, 2009.

ANTUNES, Ricardo. Adeus ao trabalho? ensaio sobre a metamorfose a centralidade no mundo do trabalho. 14. ed. São Paulo: Cortez, 2010.

HIRIGOYEN, Marie- France. Assédio moral: a violência perversa do cotidiano. Tradução de Maria Helena Kuhner. 14. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATISTICA - IBGE. Assédio Moral contra mulheres no Brasil. 2010. Disponível em: <http://teen.ibge.gov.br/noticias-teen/2822-violencia-contra-mulher>. acesso em: 14 de março de 2017.

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MELO, Maria Aparecida Mendonça Toscano. Legislação do direito do trabalho da mulher:

uma perspectiva de sua evolução. 2011. Disponível em:

<http://www.jurisway.org.br/v2/dhall.asp?id_dh=6254>. Acesso em: 02 de março de 2017.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO - OIT. Assédio moral contra

mulheres no ambiente de trabalho. 2014. Disponível em:<

http://www.ilo.org/brasilia/temas/g%C3%AAnero-e-ra%C3%A7a/lang--pt/index.htm>. Acesso em: 09 de maio de 2017.

SILVA, Ociana Donato. Assédio moral nas relações de trabalho do/a assistente social: uma questão emergente. Dissertação (Mestrado em Serviço Social) - Pontifícia Universidade

Católica de São Paulo, São Paulo, 2014. Disponível em:<

http://www.scielo.br/pdf/sssoc/n123/0101-6628-sssoc-123-0582.pdf>. Acesso em: 13 de maio de 2017.

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